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5种语言

Showing Revision 9 created 06/14/2021 by Victor Guasco.

  1. Meu nome é Natalia Rivera.
    Sou aluna de douturado
  2. Bom, doutora na verdade.
    E no departamento de Linguagens
  3. e Literaturas Hispânicas na
    Universidade de Pittsburgh
  4. Eu também sou instrutora de espanhol e
    especializada em literatura
  5. latino-americana e italiana, além de
    estudo crítico em deficiências
  6. Portanto, meus interesses acadêmicos
    estão intimamente conectados a minha
  7. experiência pessoal como aluna,
    e agora instrutora, com
  8. uma dificuldade de aprendizagem e
    ansiedade conjunta.
  9. A primeira memória que tenho,
    em um nível pessoal,
  10. reconhecendo que havia algumas questões
    de acesso ou algum tipo de
  11. especialmente no ensino médio,
    algum tipo de
  12. falta de conhecimento, na verdade, de
    diferentes tipos de estilos de aprendizado
  13. e diferentes tipos de velocidade de
    processamento, por conta do meu
  14. diagnóstico com déficit de atenção.
    Um dos componentes-chave de como,
  15. você sabe, como o DDA me afeta é que tenho
    uma velocidade de processamento lenta
  16. Então, enquanto minha interpretação de
    texto é boa,
  17. minha velocidade de processamento afeta a
    velocidade de escrita
  18. Então nem sempre sou capaz de escrever
    um parágrafo no tempo certo. Então,
  19. nós tínhamos esses exercícios na aula
    de Inglês. Eu estava no segundo ano e
  20. a expectativa era que a gente fosse capaz
    de escrever um parágrafo em meia hora.
  21. E geralmente eu precisaria do dobro do
    tempo. Precisaria de uma hora
  22. E as vezes eu nem era capaz de terminar
    de escrever um parágrafo simples
  23. em uma hora.
  24. E eu me lembro de minha instrutora
    de inglês da época,
  25. quando, depois da aula, eu a abordei
    e disse,
  26. "Hmm, ei. Não estou me opondo a um
    tempo adicional. Eu realmente
  27. não consegui terminar meu parágrafo."
    E me lembro que ela me olhou,
  28. incrédula, e disse, "tipo, você nem
    consegue escrever um parágrafo,
  29. um parágrafo simples, em uma hora,
    não sei o que te dizer."
  30. Então, eu me lembro que daquele momento.
    eu também me lembro, depois
  31. quando estava me preparando para provas.
    Isso também aconteceu no ensino médio.
  32. Era meu terceiro ano. Estava cursando
    uma aula de história mundial avançada
  33. E me lembro que eu abordei meu
    instrutor, já sabendo sozinha
  34. porque eu já tinha tido muita experiência
    me defendendo desde que era
  35. uma criança. Eu já sabia que os
    testes padronizados
  36. tinham um processo para solicitar
    acomodações.
  37. Então, eu me lembro de abordar meu
    exame de história avançada e-
  38. quer dizer, meu professor de história
    avançada e explicar a ele
  39. que eu estava registrada com recursos para
    deficiências, que eu tinha uma deficiência
  40. documentada e que eram essas acomodações
    específicas que eu precisava
  41. de um tempo e meio. Era uma acomodação
    muito comum.
  42. E eu me lembro dele me dizer, "Eu não
    tenho problemas em te fornecer
  43. acomodações de sala. Só não estou
    certo que
  44. tempo extra é fornecido em exames
    avançados." E eu fiquei em
  45. choque que um instrutor iria ativamente
    me informar errado daquele jeito
  46. porque até mesmo eu sabia, na tenra idade
    de, sei lá, dezesseis
  47. que o Serviço de Tecnologia Assistiva -ATS
    fornecia um processo de solicitar
  48. acomodações. Então, fiquei chocada que
    um adulto pensou que podia
  49. me dar uma informação errada assim.
    E eu sei
  50. que me informar erroneamente não veio
    com uma intenção negativa, mas ele
  51. genuinamente não tinha noção do processo.
  52. Então, é uma má informação sem intenções,
  53. porém, o efeito é parecido. Porque,
    imagine que ele tenha dito algo assim
  54. a um estudante que não tem ideia de como
    solicitar acomodações
  55. Você sabe, como obter uma avaliação
    necessária para justificar
  56. a necessidade de acomodações. Portanto,
    é muita falta de informação
  57. relacionada à ignorância e não tanto à
    maldade.
  58. Porém, apenas a falta total de informação
    de todos já compromete
  59. a habilidade de um aluno lutar por
    si mesmo.
  60. Em meu trabalho pessoal com
    a comunidade dos direitos à PCD
  61. - porque eu trabalhei por dois anos
    e meio em uma organização pelos
  62. direitos das PCDs chamada Rede de Auto
    Apoio do Autista
  63. e conheci muitas pessoas da minha idade
  64. muitos estudantes não descobrem seu
    diagnóstico até muito mais tarde
  65. em suas vidas. Quando eles começam a
    perceber seus próprios sintomas,
  66. eles buscam apoio individualmente.
    Então eu,
  67. de uma maneira pessoal, me beneficiei
  68. do conhecimento de minha mãe e
    suas experiências como mãe defensora.
  69. Acredito que minha percepção de um
    tipo de discriminação
  70. mesmo que era em um nível de
    microagressão,
  71. acredito ter tido mais percepção da
    discriminação na época do ensino médio
  72. porém, minha primeira exposição à
    luta pelos direitos aconteceu quando eu
  73. era nova e me lembro de ir...
    Iriam ter uns dias de folga da escola
  74. e eu me lembro de ir para o escritório
    com minha mãe. E me lembro de
  75. conhecer outras mães e ver ela trabalhando
    meio período nesse
  76. grupo de pais pelos direitos de PCDs
  77. então eu agradeço à minha mãe por me
    introduzir
  78. ao conceito de lutar por mim
    e por me empoderar
  79. para utilizar isso em todos os aspectos
    da minha vida, num nível profissional
  80. assim como num nível acadêmico.
  81. Então, eu não me lembro do dia da Lei
    dos Estadunidenses com Deficiência
  82. porque eu tinha poucos meses de idade.
  83. Porém, o impacto para mim, basicamente
    eu sinceramente duvido
  84. que se eu tivesse nascido, sei lá,
    quarenta anos atrás
  85. ao invés de trinta anos atrás,
    existe uma possibilidade que eu não teria
  86. cursado faculdade. E, mesmo se eu tivesse
    cursado faculdade,
  87. eu sinto que eu nunca teria considerado
    fazer um doutorado,
  88. se não fosse pela Lei dos Estadunidenses
    com Deficiência.
  89. Porque numa pós, o nível de apoio durante
    a graduação
  90. pelo menos em uma faculdade de
    artes liberais
  91. que tende a ser mais solidária, é
    radicalmente diferente de uma pós
  92. onde o nível de apoio praticamente não
    existe, eu acho, e também acredito
  93. que muitos pós-graduados
    se sintam do mesmo jeito
  94. Portanto, sem a LED, eu não estou certa
    que teria tido o privilégio
  95. de cursar faculdade, então acredito que
    ela me ofereceu
  96. as proteções necessárias para ir
    além dos meus
  97. maiores sonhos, entende?
    Então, eu sinto...
  98. que tive uma vida privilegiada e
    sou grata pelas oportunidades acadêmicas
  99. pois sei que existem muitos estudantes
    merecedores que
  100. não tiveram as oportunidades que eu tive
    e eu não sou grata apenas pela minha
  101. família por sua dedicação inflexível
  102. a lutar por direitos, como também
  103. muito grata pela LED. Digo, deficiências
    com certeza ocorrem em minha família
  104. deficiências de aprendizado e de
    desenvolvimento neurológico. Tenho um
  105. primo que estava no espectro autista e
  106. não acredito que, de nenhum jeito,
    tenha se beneficiado
  107. das proteções oferecidas pela Lei dos
    Estadunidenses com Deficiência da mesma
  108. maneira que eu. Acredito,
    infelizmente, porque ainda existe
  109. um estigma cultural
  110. particularmente se o transtorno do
    espectro autista
  111. ocorre em conjunto com uma deficiência
    intelectual, mas ele
  112. terminou seu ensino técnico com
    apoio mínimo.
  113. Acredito que, como a LED me empoderou,
    eu sinto
  114. que estou preparada, como instrutora,
    para oferecer apoio
  115. à estudantes com outras deficiências.
    Eu tenho
  116. alunos com deficiências documentadas e
    sinto que, por conta
  117. de minha experiência pessoal como
    uma estudante
  118. com deficiência, eu me sinto muito mais
    preparada para trabalhar com
  119. uma maior gama de alunos com
    diferentes necessidades e eu estou
  120. preparada para acomodá-los e estou
    preparada
  121. ou pelo menos me esforçarei para fazer
    com que os alunos se sintam membros
  122. valiosos de minha sala de aula. Não sou a
    instrutora perfeita. Ainda tenho muito a
  123. aprender, mas acredito que o nível
  124. de humanidade, eu penso que os alunos me
    escutam e penso que sou
  125. mais capaz de me conectar com eles.
  126. Então, a LED me permitiu ser útil como
    instrutora, basicamente. Porém, eu
  127. me lembro de uma entrevista que fiz com
    uma aluna
  128. no espectro autista, que frequentava
  129. uma faculdade específica para alunos com
    dificuldade de aprendizado.
  130. E ela fez uma observação
    muito pertinente
  131. sobre deficiências de aprendizado em
    faculdades e como o foco
  132. deles é em treinamento vocacional, ao
    invés de treinamento acadêmico e
  133. ela era uma garota inteligente que
    gostaria de
  134. conseguir uma graduação em humanidades
    e ela fazia um curso interdisciplinar
  135. de artes liberais, mas não podia cursar
    filosofia, por exemplo. Ou ela
  136. não poderia se formar em história.
    E acredito que a maneira como
  137. as aulas, o curso, o currículo escolar
  138. no geral, como as opções acadêmicas eram
    estruturadas nessa faculdade específica
  139. reforçava essa ideia de
    que disciplinas acadêmicas
  140. estão fora do alcance de um
    aluno que
  141. demonstra ter deficiência intelectual,
    ou então demonstra ter
  142. dificuldades de aprendizado em potencial
    e ela lamentava, e eu
  143. concordei completamente com seu ponto.
    Ela lamentava o fato que ela não
  144. poderia se formar na disciplina acadêmica
    que gostaria. Ela queria ser historiadora.
  145. Então acredito que, de certa forma,
    as pessoas não leem a legislação
  146. com muito cuidado.
    Penso que, na tentativa de
  147. incluir as pessoas, eles, sem querer,
    limitam as opções
  148. de muitos estudantes porque
    existem estudantes que podem querer
  149. fazer - existem estudantes que podem
    querer se formar
  150. em física, certo? Porém eles precisam
    de mais tempo para completar
  151. o curso deles, mas em uma faculdade
    tradicional de quatro anos.
  152. Esses mecanismos não estão existem
    apenas para fornecer
  153. um sistema de apoio para estudantes que
    necessitem de um apoio adicional, mas
  154. que querem seguir uma disciplina
    acadêmica tradicional. Então penso que
  155. nesse assunto, mesmo o espírito da LED,
    você definitivamente tem a sensação
  156. com o palavreado da legislação
    que, quero dizer, se destina a
  157. meio que corrigir aquele tipo de
  158. exclusão social e exclusão acadêmica
    de estudantes que querem seguir disciplinas
  159. tradicionais, mas penso que nesse quesito
    o nível de
  160. execução, eu penso que ainda é muito
    diferenciado. Penso que outra coisa que
  161. eu gostaria de adicionar, só por conta
    de minhas
  162. observações pessoais como instrutora,
  163. a execução regular da emenda de 2009
  164. que foi crítica no sentido em que ela
    ampliou a categoria de deficiência
  165. para incluir algumas muito frágeis.
    E por frágeis, quero dizer,
  166. deficiências muito inconstantes. Então,
    por exemplo,
  167. algo como um câncer ou uma doença
    auto-imune
  168. finalmente foi incorporada nessa categoria
    mais ampla de deficiências, então não
  169. era apenas - Bom, a emenda de 2009 foi
    crítica porque
  170. ela deixou claro que deficiências
    não precisam ser
  171. "estáveis". Ela não precisa ser
    algo "consistente"
  172. sabe, deficiência física
    "consistentemente aceita" para qualificar
  173. como uma deficiência sob a legislação.
    Então, isso incluiu, você sabe
  174. deficiências, sejam elas somáticas
    ou cognitivas
  175. que são de natureza inconsistente
    ou passaram por períodos de remissão.
  176. Algo como um transtorno bipolar,
    certo?
  177. Portanto, a emenda de 2008, a melhor
    parte dela é que deixou claro que
  178. não resistir ao ponto pelo qual
    você está, de certa forma, passando
  179. ou pensando algo do tipo,
    o transtorno bipolar, em que você passa
  180. por um episódio maníaco depressivo
    que, em um nível institucional
  181. existia, ainda, uma responsabilidade para
    fornecer suporte adequado para a pessoa
  182. que passa por mudanças cíclicas.
    E o que eu percebi,
  183. em um nível universitário,
    especialmente em programas de ciências
  184. é que eles incluem uma nota, que parece
    quase
  185. ilegal para mim.
    Você observa
  186. nos manuais de alunos de mestrado,
    assim como da graduação
  187. e vê que eles tem essa política muito
    específica na qual você deve
  188. contar aos seus professores sobre
    suas deficiências. Que você
  189. deve dizer a eles na duas primeiras
    semanas do semestre
  190. que você tem uma deficiência documentada.
    O problema é que muitas
  191. deficiências não funcionam dessa maneira.
    Há momentos em que você é
  192. "funcional". Você sabe, relativamente
    falando e tem momentos em que você
  193. não é funcional, nos termos compreendidos
    socialmente, certo?
  194. E especialmente para alunos,
    não é incomum que alunos
  195. sejam diagnosticados mais tardiamente,
    quando eles estão iniciando a faculdade
  196. que é um período transitório,
    portanto, faz sentido que certos sintomas
  197. que não fossem incapacitantes em outros
    contextos, repentinamente se tornem
  198. incapacitantes quando você entra na
    faculdade. E aquela política
  199. basicamente
  200. basicamente informa errado alunos em
  201. pensarem que eles não são capazes
  202. de solicitar apoio quando
    eles chegam a um ponto em que
  203. a condição deles se tornou tão
    incapacitante que eles não conseguem
  204. cumprir os requerimentos no prazo esperado
    Então, é quase como se houvesse
  205. um mecanismo utilizado para
    dar a falsa impressão
  206. de que você não é capaz de
    receber o apoio
  207. posteriormente no semestre.
    Então, eu acredito que, de certa forma
  208. parece que mesmo quando existe a proteção,
    a ignorância institucional
  209. e o reforço regular continuam a ser
    um problema. Então, se eu pudesse escolher
  210. uma coisa que precisa mudar em termos
    de acesso...
  211. Vou começar de forma abstrata e então
    irei esclarecer o que quero dizer
  212. Acredito que precisamos superar
    esse conceito de
  213. autonomia. O que eu quero dizer com isso?
    E acredito que muitos
  214. ativistas pelo direito da PCD, quando
    pensamos na luta, eles pensam
  215. em termos de não haver a luta local,
    então tem uma
  216. ênfase em relacionalidade, existe
    ênfase no apoio mútuo.
  217. E eu penso que, tradicionalmente
  218. na cultura ocidental, a cultura
    judaico cristã,
  219. a responsabilidade em buscar acomodações
    sociais para deficiências
  220. é fortemente incumbida no indivíduo
    e não na sociedade.
  221. Penso que a LED certamente
  222. passa essa impressão, certo?
    De que
  223. acomodação social é, na verdade, o que os
    termos na frase sugerem, certo?
  224. "Uma responsabilidade social", mas
    que na prática não é tratada
  225. como uma responsabilidade coletiva
    e eu vejo muito disso na universidade
  226. em um nível administrativo.
    Então, quando um aluno começa
  227. a faculdade, você não é apenas responsável
    por gerir o tempo,
  228. por apender como morar sozinho pela
    primeira vez, se for o caso,
  229. aprende a viver com colegas de casa,
    que podem não ser acessíveis a você
  230. se você é um aluno com deficiência. Você
    também é responsável por coordenar
  231. suas próprias acomodações e, dependendo
    do tipo de
  232. acomodações necessárias, acredito que em
    um nível de graduação - como no meu caso -
  233. não era tão complicado, eu ainda conseguia
    lidar, mas em um nível de pós-graduação
  234. tentar solicitar novas acomodações,
    baseada nas novas necessidades que você
  235. desenvolve por conta dos diferentes níveis
    de trabalho e
  236. no geral. É que sua estrutura curricular
    exige mais de você
  237. em um nível de pós-graduação.
  238. Precisa haver um caminho para a
    acomodação social,
  239. para acomodações acadêmicas, que seja-
  240. é necessário que seja repensado, como uma
    responsabilidade coletiva, mas em
  241. um nível administrativo, existe uma
    responsabilidade
  242. para que o aluno seja bem-sucedido e
    isso não pode ser apenas
  243. um fardo autônomo, é uma responsabilidade
    coletiva
  244. é uma obrigação coletiva.
  245. Eu acredito que nós, como membros da
    comunidade, podemos nos responsabilizar
  246. por identificar essas organizações de
    direitos aos deficientes que
  247. estejam ativamente trabalhando para
    fornecer
  248. apoio e serviços
  249. e não focando no aspecto da cura,
    já que o aspecto da cura não nos
  250. permite lidar com os problemas sociais
    imediatos.
  251. Portanto, penso que organizações como a
  252. Rede de Auto Apoio do Autista, aquela com
    a qual eu trabalhei,
  253. eles tem esses maravilhosos programas
    focados em luta por direitos. Eles
  254. trabalham fornecendo recursos
    cognitivamente acessíveis para luta
  255. política, por exemplo.
    E eles empoderam
  256. alunos para eles pensarem em maneiras
  257. de lutar por apoios em espaços
    universitários.
  258. Portanto, vendo organizações que
  259. empoderam pessoas para lutarem por elas
    mesmas com as habilidades
  260. que elas possuem para que elas
    sintam que a vida que elas levam
  261. é valiosa como é.