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← Como reduzir a diferença de patrimônio entre americanos negros e brancos

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Это 125-я версия субтитров, её создал-а Maricene Crus 11/06/2020.

  1. Conforme o último registro
    do governo federal dos EUA,
  2. o patrimônio médio de uma família branca
    nos EUA era de US$ 171 mil,
  3. e o de uma família negra
    era de apenas US$ 17 mil,
  4. 10 vezes menor, 150 anos
    após o fim da escravidão.
  5. Primeiro temos que perguntar:
    o que é patrimônio?

  6. São todos os bens que você possui,
    menos todas as suas dívidas.
  7. Bens são coisas como carro,
    casa, poupança,
  8. conta corrente, investimentos
    ou outras propriedades,
  9. como um negócio.
  10. Essa diferença dez vezes maior
  11. é parcialmente porque, por muitas décadas,
  12. os negros americanos foram
    deixados de fora dessa escala
  13. e realmente não tinham acesso a ela.
  14. Por que estamos falando sobre isso agora?

  15. Em 2020, em meio a uma pandemia global
    e a uma recessão iminente,
  16. as injustiças estão expostas
    em quase todos os sistemas nos EUA:
  17. saúde, educação,
    justiça criminal e finanças,
  18. e as pessoas foram levadas
    a agir on-line, nas ruas,
  19. em reuniões de trabalho
    e em salas de reuniões corporativas.
  20. E eu, como consultora,
    comecei a ter conversas com clientes
  21. que pensei que nunca teria.
  22. A pergunta que tenho me feito é:
  23. neste momento, como podemos ter certeza
    de que isso resulte na ação e progresso
  24. que irá diminuir a diferença de patrimônio
    de americanos negros em relação a brancos?
  25. Meu nome é Kedra Newsom Reeves.

  26. Sou consultora de instituições bancárias,
    fundos de hedge, gestores de ativos.
  27. Mas antes de tudo,
  28. sou uma negra americana
    descendente de escravos.
  29. Ao falar de diferença de patrimônio,
    é muito importante entender a História,
  30. então pensei em contar
    a história da minha família
  31. e como a política cruza com o patrimônio.
  32. Começaremos com meu tataravô.

  33. Ele se chamava Silas Newsom
  34. e nasceu escravo em Nashville, Tennessee,
  35. na Newsom Station,
  36. onde ele e sua família
    trabalhavam em uma pedreira.
  37. Ele não possuía nada,
    nenhuma casa ou propriedade.
  38. Ele nem mesmo era dono do próprio corpo,
    do trabalho nem dos filhos dele.
  39. Tudo isso gerava patrimônio
    para outra pessoa.
  40. Achamos que ele foi escravo
  41. de um general confederado
    durante a Guerra Civil
  42. que lutou para mantê-lo escravizado,
  43. então ele não tinha patrimônio,
    nem controle sobre sua vida.
  44. No fim da escravidão,
    houve uma oportunidade política.

  45. Surgiu uma questão:
  46. o que fazer com centenas
    de anos de escravidão
  47. agora que estamos acabando
    com ela e o país está se unindo?
  48. E havia uma escolha:
  49. fazer um acordo com os escravos
    ou com os proprietários deles.
  50. Os escravos não tinham o poder
    de se defender naquele momento
  51. e o país tinha que ser unificado,
  52. então o governo federal decidiu
    beneficiar os proprietários de escravos,
  53. basicamente dando-lhes dinheiro
    pela propriedade que perderam
  54. no final da guerra.
  55. E não pela propriedade física,
    as casas deles, mas as pessoas,
  56. os escravos que lhes prestaram
    serviço gratuito por décadas.
  57. Então Silas, no final da Guerra Civil,
  58. não tinha patrimônio.
  59. Ele era livre, mas não tinha nada.
  60. Se tornou um meeiro.
  61. Meu bisavô Silas nasceu vários anos
    após o fim da escravidão

  62. e teve que lutar
    na Primeira Guerra Mundial
  63. junto com 350 mil soldados negros
    americanos em unidades segregadas.
  64. Ele serviu na guerra.
  65. Quando voltou aos EUA, no fim da guerra,
    havia um sentimento contra os negros.
  66. A economia estava encolhendo,
    havia muitos fatores estressores,
  67. e os negros não podiam ter terras,
    nem obter empréstimos para casas,
  68. não conseguiam nenhum crédito
    para construir patrimônio com o tempo,
  69. então ele se tornou fazendeiro.
  70. Ele teve um filho também chamado Silas,
  71. há muitos Silas na minha família,
  72. meu avô, que também foi soldado
    e lutou na Segunda Guerra Mundial.
  73. Depois da guerra,

  74. o governo dos EUA aprovou a "G.I. Bill",
    uma lei que oferecia apoio aos veteranos.
  75. Estabelecia a construção de hospitais,
    empréstimos para estudantes
  76. e, o mais importante, hipotecas para casas
    a juros baixos para veteranos.
  77. Nos anos seguintes à guerra,
  78. a lei G.I. Bill foi responsável
    por US$ 4 bilhões de financiamento
  79. a 9 milhões de veteranos.
  80. Mas grande parte dos veteranos
    negros não se beneficiaram dele.
  81. Então meu avô voltou a Nashville,
  82. e se casou com minha avó, a Cinderella.
  83. Sim, o nome dela era Cinderella.
  84. E eles tiveram oito filhos.
  85. Mas nunca compraram uma casa.
  86. O destaque de sua jornada habitacional
  87. foi se mudarem para um novo
    projeto de habitação pública
  88. com seus filhos
  89. e pagar o aluguel pelo apartamento,
  90. que em termos de qualidade de moradia
    foi fantástico para eles e uma evolução,
  91. mas não permitiu
    que construíssem um patrimônio.
  92. Meu pai, outro soldado, um veterano
    com 20 anos nos fuzileiros navais dos EUA,

  93. comprou sua primeira casa aos 50 anos,
  94. mas levou 4 gerações para nossa família
    se mudar para a casa própria
  95. e começar a construir seu patrimônio.
  96. Essa é a história de uma família
    e eu pulei muito do que aconteceu

  97. entre o fim da escravidão e hoje:
  98. "redlining", discriminação habitacional
    antes da Lei dos Direitos Civis de 1968,
  99. o papel importante dos bancos
    de propriedade negra
  100. na criação de comunidades negras,
  101. a crise da poupança
    e empréstimo da década de 1980
  102. que quebrou muitos bancos negros,
  103. e a crise do subprime em 2008,
  104. que privou muitos proprietários negros
    e pardos de terem suas casas.
  105. Existe muita história aí,
  106. mas a minha conta um pouco sobre como
    chegamos a essa diferença dez vezes maior
  107. na qual estamos hoje.
  108. Certamente, quando pensamos
    sobre o tamanho dessa diferença,

  109. é fundamental que o governo federal
    tome uma série de ações.
  110. Dito isso, as instituições financeiras
    desempenham um papel importante
  111. no concessão de acesso
    ao crédito e ao capital,
  112. para desenvolver comunidades
    e permitir que pessoas negras prosperem.
  113. Temos que ser claros,

  114. administrar melhor
    US$ 17 mil não é suficiente.
  115. Melhorar a educação também não.
  116. O acesso a crédito e capital é essencial.
  117. Quero falar sobre quatro soluções
  118. com que as instituições financeiras podem
    contribuir para diminuir essa diferença.
  119. A primeira é incluir mais pessoas

  120. no sistema bancário.
  121. Sabemos hoje que cerca
    de metade dos negros americanos
  122. simplesmente não tem uma conta bancária.
  123. Ou então eles têm uma conta,
  124. mas usam serviços alternativos
    para desconto de cheques,
  125. adiantamento do salário
    ou pagamento de contas.
  126. Isso tudo não é apenas caro
    pela transação que cobra muitas taxas,
  127. mas também pelo tempo gasto
    para se pagar uma conta.
  128. Pense em pagar uma conta de consumo hoje.
  129. Ela é debitada da sua conta
    pelo débito automático e pronto.
  130. Mas se você não tem conta,
  131. provavelmente recebe uma ordem
    de pagamento, um pedaço de papel.
  132. Você tem que ir até a prefeitura
    ou seu departamento de veículos
  133. para pagar essa conta.
  134. Cerca de 40% dessas pessoas dizem

  135. que não possuem conta bancária por achar
    que não têm o valor mínimo para mantê-la.
  136. Isso não é verdade.
  137. Nos últimos anos,
  138. cooperativas de crédito, bancos
    comunitários e entidades bancárias
  139. criaram produtos de baixo custo e sem
    mínimo para contas correntes e poupança,
  140. especificamente para esta população.
  141. Então, é uma questão de conscientização.
  142. Bancos, parceiros comunitários e outros
  143. têm que trabalhar juntos para aumentar
    o conhecimento desses produtos
  144. nas comunidades que precisam deles,
  145. para poder reduzir o número
    de pessoas que estão nessas situações
  146. e incluí-las conforme falamos antes.
  147. O desafio é que cerca de 28%
    das famílias negras e latinas

  148. são invisíveis ao crédito,
  149. ou seja, elas não têm direito a ele
    ou a linha de crédito é muito limitada.
  150. O crédito e as avaliações
    de solvência funcionam
  151. quando você consegue provar
  152. que pagou o crédito de forma
    consistente anteriormente,
  153. então o banco oferecer mais crédito.
  154. É uma espécie de situação
    do tipo "o ovo ou a galinha".
  155. O interessante é que bancos
    e empresas de tecnologia financeira
  156. inovaram nos últimos anos
    para usar dados alternativos;
  157. contas de TV a cabo,
  158. de serviços públicos,
  159. pagamentos de aluguel, etc.,
  160. para mostrar que você consegue
    fazer pagamentos regulares.
  161. O desafio adicional aqui,
    ao contrário da outra solução,
  162. que era mais sobre conscientização,
  163. é a necessidade de suporte regulatório.
  164. É preciso provar aos reguladores
    o uso justo de dados alternativos
  165. para dar crédito a grupos marginalizados.
  166. Precisamos que o governo federal
  167. e o setor bancário
  168. se unam para criar testes inovadores
  169. e usar dados alternativos
    para expandi-los a grupos marginalizados.
  170. Mas e as comunidades?

  171. Sem um patrimônio da comunidade,
  172. o patrimônio individual fica isolado.
  173. Na maioria das grandes cidades dos EUA,
  174. na maioria das comunidades de cor,
  175. muitas delas recebem pouco investimento.
  176. Em toda as crises econômicas,
    elas sofreram intensamente.
  177. E em cada boom econômico,
    elas não se beneficiaram.
  178. O que vemos em várias cidades do país,
  179. e usarei Chicago como exemplo,
  180. são parcerias se formando
    entre instituições bancárias,
  181. filantropos,
  182. municípios e líderes comunitários,
  183. investindo centenas de milhões de dólares
  184. para desenvolver recursos da comunidade
  185. e comunidades que historicamente
    foram desinvestidas.
  186. Por último, o assunto é negócios
    e não apenas das pequenas empresas.

  187. Ter estabilidade individual,
    usar instituições bancárias,
  188. acesso ao crédito e patrimônio
    da comunidade, tudo isso é fantástico,
  189. mas também precisamos
    da geração de empregos.
  190. Pense em todas as novas
    empresas de tecnologia,
  191. digo "novas", mas agora não mais,
  192. como Facebook, Google, Amazon.
  193. Essas empresas eram sociedades unipessoais
  194. com um funcionário,
  195. ou poucos deles que criaram uma tecnologia
    que ainda não era comprovada.
  196. Essas empresas receberam no início
  197. dinheiro de capital de risco.
  198. Mas vendo a situação de hoje,
  199. apenas 1% dos fundos desse capital
    vai para os empreendedores negros.
  200. Se são em grande parte
    excluídos dessas redes,
  201. eles não conseguem crescer,
  202. e a única maneira de isso mudar
    é partindo do próprio mercado.
  203. Nesta geração, não devemos falar
    apenas de negócios prósperos
  204. em comunidades negras.
  205. Também devemos ver mais empresas próprias
    e fundadas por negros abrindo o capital.
  206. Essas são só quatro soluções, há muitas
    outras coisas que podem e devem ser feitas

  207. contra a diferença de patrimônio.
  208. Essa diferença não é nova.
  209. Ela nasceu e se perpetuou
    pela política federal,
  210. por construções sociais e pela
    prática de negócios ao longo do tempo,
  211. e tudo isso precisa mudar
    para eliminarmos essa diferença.
  212. As instituições financeiras
    desempenham um papel fundamental
  213. perante o indivíduo, a comunidade,
  214. assim como nos negócios.
  215. É importante para nossas
    famílias e comunidades,
  216. e para nossa economia.
  217. Em vez de apenas falarmos
    sobre o aumento dessa diferença,

  218. vamos começar a acabar com ela agora.
  219. Obrigada.