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← Mudanças climáticas deslocarão milhões de pessoas. Como nos prepararmos para isso

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Showing Revision 20 created 02/07/2020 by Maricene Crus.

  1. Foi cerca de dois anos
    após o furacão Katrina
  2. que vi pela primeira vez
    os mapas de inundação de Louisiana.
  3. Eles são usados para mostrar
    as perdas de terras do passado
  4. e as previsões de perdas para o futuro.
  5. Neste dia em particular,
    em uma reunião da comunidade,
  6. esses mapas nos mostraram
  7. como uma onda de nove metros,
    trazida pelo furacão Katrina,
  8. poderia inundar comunidades,
    como a minha, no sul de Louisiana,
  9. na costa do Mississippi e do Alabama.
  10. Acontece que as terras perdidas
    eram um amortecedor da força do mar.
  11. Eu me ofereci para interagir
    com os gráficos projetados na parede
  12. e minha vida mudou rapidamente
    pela segunda vez em dois anos.
  13. O gráfico mostrava intensa perda de terras
    e a invasão do mar no sul de Louisiana,
  14. mas, especificamente, o gráfico mostrou
    o desaparecimento da minha comunidade
  15. e de muitas outras
    antes do final do século.
  16. Eu não estava só na frente da sala.

  17. Estava ao lado de outros membros
    das comunidades do sul de Louisiana:
  18. negros, nativos, pobres.
  19. Pensávamos que nosso vínculo era apenas
    pela fase de recuperação de um desastre,
  20. mas descobrimos que estávamos conectados
    pela tarefa impossível de garantir
  21. que nossas comunidades
    não fossem extinguidas
  22. pela elevação do nível do mar
    devido às mudanças climáticas.
  23. Amigos, vizinhos, família,
    minha comunidade:
  24. eu acreditava que existiriam para sempre.
  25. Terra, árvores, pântanos, pequenos rios:
  26. eu acreditava que continuariam existindo,
    como sempre existiram por séculos.
  27. Eu estava errada.
  28. Para entender o que acontecia
    com a minha comunidade,

  29. conversei com outras pelo mundo.
  30. Comecei pelo sul de Louisiana
    com a United Houma Nation.
  31. Conversei com defensores da juventude
    em Shishmaref, no Alaska,
  32. com pescadoras na costa do Vietnã,
  33. defensores da justiça em Fiji,
  34. novas gerações de líderes
    de culturas antigas no Estreito de Torres.
  35. Comunidades que já existem
    há milhares de anos
  36. padeciam do mesmo destino,
  37. e todos nós estávamos contemplando
    como sobreviveríamos os próximos 50 anos.
  38. Prevê-se que, até o final
    do próximo século,

  39. mais de 180 milhões de pessoas
    sejam deslocadas
  40. devido às mudanças climáticas,
  41. e, no sul de Louisiana,
  42. quem pode pagar por uma mudança
    já está deixando o local.
  43. Pois a perda de terras do sul de Louisiana
  44. possui uma das taxas mais altas no mundo.
  45. Desparecimento é o que há em comum
    entre a minha comunidade ribeirinha
  46. e as demais comunidades litorâneas.
  47. É contra esse desaparecimento
    que as comunidades lutam
  48. enquanto nos conscientizamos
    dos impactos das mudanças climáticas.
  49. Passei os últimos 14 anos
    intercedendo em nome das comunidades

  50. que foram diretamente impactadas
    pelas crises climáticas.
  51. Elas estão lutando contra a discriminação
  52. associada à recuperação
    de desastres climáticos,
  53. e estão também tentando equilibrar
    o deslocamento em massa de pessoas
  54. com um influxo de outras
  55. que enxergam oportunidades
    em começar de novo.
  56. Desde 2005, essas pessoas
    são chamadas de "refugiados"
  57. quando são deslocadas
    por um desastre climático,
  58. mesmo quando não cruzam
    fronteiras internacionais.
  59. Estes termos, usados de forma errada,
  60. que rotulam o outro,
  61. a vítima,
  62. a pessoa que não deveria estar ali,
  63. são barreiras
  64. à recuperação econômica,
  65. à integração social
  66. e à cura exigida pela crise
    e trauma climáticos.
  67. Palavras importam.
  68. Importa a forma como tratamos
    as pessoas que cruzam fronteiras.
  69. Deveríamos nos importar com a forma
    que pessoas que cruzam fronteiras
  70. em busca de refúgio e segurança
    estão sendo tratadas,
  71. afinal, poderia ser você
    ou alguém que você ama
  72. que precisa exercer
    o seu direito humano de migrar
  73. em um futuro próximo.
  74. Devemos nos preparar para migração global.

  75. É a realidade.
  76. Nossas cidades e comunidades
    não estão preparadas.
  77. Na verdade, nossos sistemas
    econômico e social
  78. estão preparados apenas para obter
    o lucro de pessoas que migram.
  79. Essa situação causará ciclos
    de gentrificação climática,
  80. e também penalizará
    a movimentação das pessoas,
  81. em geral, pela exploração do trabalho
  82. e pela criminalização.
  83. A gentrificação climática que ocorre
    antecipando a elevação do nível do mar
  84. é o que vemos em lugares como Miami,
  85. onde comunidades que eram
    mantidas distantes da costa marítima
  86. estão sendo retiradas das terras altas,
  87. onde se estabeleceram originalmente,
  88. à medida que as pessoas
    deixam a costa marítima.
  89. Essas comunidades são deslocadas,
    forçadas a se afastarem
  90. dos sistemas sociais e econômicos
    dos quais necessitam para sobreviver.
  91. A gentrificação climática também acontece
    após um desastre climático.

  92. Quando um grande número
    de pessoas deixa um local
  93. por tempo indefinido,
  94. vemos outras pessoas chegarem.
  95. Também vemos a ocorrência
    da gentrificação climática
  96. quando casas danificadas
    são reconstruídas de forma "sustentável",
  97. adquirindo um valor mais alto,
  98. geralmente fora do alcance de pessoas
    negras, pardas e pobres
  99. que querem voltar para casa.
  100. A diferença de valor de aluguel
    ou a posse de uma casa
  101. é a diferença entre poder
    exercer o seu direito humano
  102. de voltar para casa como uma comunidade
  103. ou ser forçado a se estabelecer
    em outro lugar com clima menos estável,
  104. mais barato
  105. e sozinho.
  106. A crise climática é um assunto
    muito mais abrangente

  107. que a diminuição de emissão de CO2,
  108. e é um debate bem diferente
    de simplesmente clima extremo.
  109. Estamos diante de uma mudança em todos
    os aspectos da nossa realidade global.
  110. E a migração climática
    é apenas uma pequena parte,
  111. mas haverá efeitos em cascata
  112. tanto nas cidades litorâneas
    quanto naquelas do interior.
  113. Então, o que podemos fazer?

  114. Tenho algumas ideias.
  115. (Risos)

  116. Para começar, devemos reformular
    nosso entendimento do problema.

  117. Mudanças climáticas não são o problema.
  118. Elas são o efeito colateral mais terrível
  119. de um sistema econômico
  120. que foi construído por poucos
  121. para extrair cada valor precioso
    deste planeta e seus povos,
  122. dos nossos recursos naturais
    aos frutos do trabalho humano.
  123. O sistema criou esta crise.
  124. (Aplausos)

  125. Devemos ter a coragem de admitir
    que temos tirado demais.

  126. Não podemos fechar
    nossos olhos para o fato
  127. de que o mundo todo está pagando o preço
  128. pelo privilégio e conforto
    de poucas pessoas no planeta.
  129. É hora de provocarmos mudanças
    em toda a sociedade,
  130. neste sistema que incentiva o consumo
  131. a ponto de provocar desequilíbrio global.
  132. Nossos sistemas social, político
    e econômico de extração
  133. devem ser transformados
    em sistemas que regenerem a Terra
  134. e que promovam a liberdade
    do ser humano em escala global.
  135. É arrogância pensar
    que a tecnologia nos salvará.
  136. É egoísmo pensar que podemos continuar
  137. com esta abordagem injusta
    e exploradora para viver neste planeta
  138. e sobreviver.
  139. (Aplausos)

  140. Para sobreviver a esta próxima fase
    de nossa existência humana,

  141. precisamos reestruturar
    nossos sistemas social e econômico
  142. para desenvolver
    nossa resiliência coletiva.
  143. A reestruturação social deve focar
    a restauração e recuperação da Terra
  144. e das comunidades que foram removidas,
  145. criminalizadas e visadas por gerações.
  146. São essas as linhas de frente.
  147. É onde devemos começar.
  148. Devemos estabelecer uma atitude social
    para encarar a migração como um benefício,

  149. uma necessidade
    para nossa sobrevivência global,
  150. não como uma ameaça
    aos nossos privilégios individuais.
  151. Resiliência coletiva significa desenvolver
    cidades para que recebam pessoas
  152. e forneçam a todos habitação,
  153. comida, água, assistência médica
  154. e liberdade do excesso de policiamento.
  155. não importa quem sejam ou de onde vêm.
  156. Como seria se começássemos a planejar
    a migração climática agora?

  157. Cidades em expansão ou em declínio
    poderiam encarar como uma oportunidade
  158. de reconstruir a infraestrutura social
    baseada na justiça e equidade.
  159. Poderíamos investir o dinheiro
    em hospitais públicos
  160. e ajudá-los a se preparar
  161. para as consequências
    da migração climática,
  162. incluindo o trauma provocado
    pelas perdas e realocação.
  163. Poderíamos investir
    mais do nosso tempo em justiça,
  164. mas não para obter ganhos temporários
  165. ou para solucionar
    os déficits orçamentários.
  166. A mudança precisa ser no longo prazo
  167. e para que a justiça se fortaleça.
  168. É possível, pessoal.
  169. Após o furacão Katrina,

  170. universidades e colégios dos EUA
    admitiram alunos
  171. para ajudá-los a terminarem o semestre
    ou o ano sem que tivessem que parar.
  172. Hoje, esses alunos são ativos
    produtivos em nossa comunidade,
  173. e é para isso que nossas comunidades,
    nossos negócios e instituições
  174. precisam estar prontos.
  175. O momento é agora.
  176. Enquanto reformulamos o problema
    de uma forma mais honesta

  177. e reestruturamos nossos sistemas sociais
    de uma forma mais justa,
  178. tudo o que nos resta é nos reindigenizar
  179. e invocar o poder mais ancestral.
  180. Isso significa necessariamente
    que precisamos aprender a seguir,
  181. e não idolatrar, tornar exótico
  182. nem descartar a liderança
    e o conhecimento tradicional
  183. de um local específico.
  184. Significa que devemos nos comprometer
    com padrões de equidade ecológica,
  185. justiça climática e direitos humanos
  186. como um padrão de base,
  187. um ponto de partida,
  188. para onde nossa nova sociedade precisa ir.
  189. Tudo isso exige que reconheçamos
    um poder maior que todos nós

  190. e uma vida mais duradoura
    que aquela que viveremos.
  191. É necessário que acreditemos em tudo
    o que somos privilegiados o suficiente
  192. a ponto de não precisarmos ver.
  193. Devemos honrar os direitos da natureza.
  194. Devemos estender os direitos
    humanos para todos.
  195. Devemos converter a sociedade
    de descartável e individual
  196. para uma que enxergue o coletivo
    e a humanidade no longo prazo,
  197. ou não sobreviveremos.
  198. Devemos reconhecer
  199. que mesmo os melhores de nós
    estão enredados a um sistema injusto,
  200. e devemos reconhecer
  201. que a única forma de sobrevivermos
  202. é descobrirmos como alcançar
  203. uma libertação compartilhada.
  204. A boa notícia é que viemos
    de pessoas poderosas.

  205. Viemos daqueles que têm,
    de uma maneira ou outra,
  206. sobrevivido até agora
    para estarem conosco hoje.
  207. Isso é razão suficiente para lutarmos.
  208. E inspirem-se nos amigos
    do sul de Louisiana,
  209. naquelas lutas mais difíceis
    que devem ser celebradas.
  210. Escolhamos fazer a próxima fase de nossa
    existência planetária a mais bonita,
  211. e, enquanto fazemos isso,
  212. vamos trazer justiça
    e igualdade para todos.
  213. Podemos fazer isso, pessoal.

  214. Podemos, sim, porque é nosso dever.
  215. Ou então perderemos nosso planeta
  216. e a nós mesmos.
  217. O trabalho começa aqui.
  218. O trabalho começa unido.
  219. Essa é a minha oferta.
  220. Obrigada por recebê-la.
    (Francês) Obrigada.

  221. (Aplausos)