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Showing Revision 18 created 02/02/2020 by Maricene Crus.

  1. Vou contar uma história a vocês.
  2. A história sobre como o produto de consumo
    mais mortal imaginável surgiu.
  3. É o cigarro.
  4. Ele é o único produto de consumo
  5. que, quando usado como pretendido,
  6. matará prematuramente metade dos fumantes
    de longo prazo, mais tarde na vida.
  7. Mas também é uma história
  8. sobre o trabalho que fazemos
    na Food and Drug Administration,
  9. e especificamente, o trabalho
    que criará o cigarro do futuro,
  10. que não será mais capaz
    de criar ou sustentar o vício.
  11. Muitos pensam que o problema
    do tabaco ou do tabagismo

  12. foi resolvido nos Estados Unidos
    devido ao grande progresso feito
  13. nos últimos 40, 50 anos,
  14. quando o assunto é consumo e prevalência.
  15. E é verdade;
  16. as taxas de fumantes
    são historicamente mínimas.
  17. É verdade para adultos e jovens.
  18. E é verdade que quem continua fumando,
  19. fuma bem menos cigarros por dia
  20. que em qualquer momento na história.
  21. Mas e se eu dissesse a vocês
    que o uso de tabaco,

  22. primeiramente por causa da exposição
    do fumante ativo e do passivo
  23. à fumaça do cigarro,
  24. continua sendo a principal causa de doença
    e morte totalmente evitável neste país?
  25. Bem, é verdade.
  26. E se eu dissesse que, de fato,
    está matando mais pessoas
  27. do que pensávamos ser o caso antes?
  28. Isso é verdade, também.
  29. Fumar mata mais pessoas a cada ano
    do que álcool, AIDS, acidentes de carro,
  30. drogas ilícitas, assassinatos
    e suicídios juntos.
  31. Ano após ano.
  32. Em 2014,

  33. o antecessor do Dr. Adams
  34. lançou o 50º Surgeon General's Report,
    comemorativo de seu aniversário,
  35. falando sobre tabagismo e saúde.
  36. E esse relatório aumentou a taxa anual
    de morte causada pelo fumo,
  37. porque a lista de doenças
    relacionadas ao tabagismo cresceu.
  38. E agora a estimativa conservadora
  39. é a de que o fumo mata
    480 mil norte-americanos todos os anos.
  40. Essas mortes são totalmente evitáveis.
  41. Como podemos entender
    uma estatística como essa?

  42. Muito do que ouvimos nesta conferência
  43. tem a ver com experiências
    individuais e pessoais.
  44. Como lidamos com isto
    num nível populacional,
  45. quando existem 480 mil mães,
  46. pais, irmãs, irmãos, tias e tios
  47. morrendo todo ano por causa do tabaco?
  48. E o que acontece quando consideramos
    essa trajetória para o futuro?

  49. Façamos uma conta simples:
  50. desde o relatório do 50º aniversário
    do Surgeon General há cinco anos,
  51. quando essa estatística
    horrível foi levantada,
  52. em meados do século,
  53. ocorreram mais de 17 milhões
    de mortes evitáveis ​​nos EUA
  54. pelo uso do tabaco,
  55. principalmente por causa dos cigarros.
  56. O relatório do Surgeon General concluiu
  57. que 5,6 milhões de jovens vivos
    nos Estados Unidos em 2014
  58. morrerão prematuramente
    por causa do cigarro.
  59. São 5,6 milhões de jovens.
  60. É um problema de saúde pública
    enorme para todos nós,

  61. mas especialmente pra nós como reguladores
  62. na Food and Drug Administration
    e no Center for Tobacco Products.
  63. O que podemos fazer quanto a isso?
  64. O que fazer para reverter
    essa trajetória de doença e morte?
  65. Nós temos um guia interessante
    para ajudar a resolver problemas

  66. do tipo: como o cigarro passou a ser
    como o conhecemos?
  67. Qual é a verdadeira natureza
    do negócio do tabaco e do cigarro?
  68. Como o setor se comportou historicamente
    no mercado não regulamentado?
  69. E o nosso guia
  70. é parte de documentos internos
    antes secretos da indústria do tabaco.
  71. Acompanhem-me
  72. numa máquina do tempo
    da documentação da indústria de tabaco.
  73. Mil novecentos e sessenta e três,

  74. 25 anos antes de o relatório
    do Surgeon General
  75. ter finalmente concluído
    que a nicotina e cigarros viciavam.
  76. Isso não aconteceu até 1998,
    com o relatório do Surgeon General.
  77. Mil novecentos e sessenta e três
  78. foi um ano antes do primeiro relatório
    do Surgeon General, em 1964.
  79. Lembro-me de 1964.

  80. Não me lembro do relatório, apenas do ano.
  81. Eu era criança no Brooklyn, Nova York.
  82. Isso foi numa época
  83. em que quase um em cada dois adultos
    nos Estados Unidos fumavam.
  84. Meus pais fumavam muito na época.
  85. O uso do tabaco era
    incrivelmente normalizado,
  86. e não era a Carolina do Norte,
    Virginia ou Kentucky,
  87. era o Brooklyn.
  88. Fizemos cinzeiros para nossos pais
    na aula de artes.
  89. [Te amo, papai!]
  90. (Risos)

  91. Os que fiz ficaram horríveis,
    mas eram cinzeiros.

  92. (Risos)

  93. Era tão comum que havia um recipiente
    com cigarros soltos no hall de entrada

  94. da nossa casa e em outras casas
  95. como um gesto de boas-vindas
    para amigos que vinham nos visitar.
  96. Certo, voltamos a 1963.

  97. O principal advogado
    da Brown e Williamson,
  98. na época a terceira maior empresa
    de cigarros nos EUA, escreveu o seguinte:
  99. "A nicotina vicia.
  100. Estamos no negócio de vender
    nicotina, uma droga viciante".
  101. É uma declaração notável,
  102. tanto por aquilo que omite,
    quanto pelo que declara.
  103. Ele não disse que estavam
    no negócio dos cigarros,
  104. nem no negócio do tabaco,
  105. mas que eles estavam no negócio
    de venda de nicotina.
  106. Philip Morris em 1972:

  107. "O cigarro não é um produto,
  108. é um pacote.
  109. O produto é a nicotina.
  110. A embalagem armazena
    o suprimento de nicotina por um dia.
  111. O cigarro, um dispensador
    para uma unidade de dose de nicotina".
  112. Voltaremos a essa noção
    de dose mais tarde.
  113. E R.J. Reynolds em 1972:

  114. "Em certo sentido, a indústria do tabaco
    pode ser considerada um segmento
  115. especializado, altamente ritualizado
    e estilizado da indústria farmacêutica.
  116. Produtos de tabaco exclusivamente
    contêm e fornecem nicotina,
  117. uma droga potente
    com vários efeitos fisiológicos".
  118. Na época, e por muitas
    décadas, publicamente,

  119. a indústria negou completamente
    o vício e a causalidade.
  120. Mas conheciam a verdadeira
    natureza do negócios deles.
  121. E de tempos em tempos,
  122. alarmes sobre a implicação dos cigarros
    na saúde tornaram-se públicos,
  123. considerando-se muitas décadas anteriores.
  124. Como a indústria reagiu?
  125. Como responderam neste mercado
    historicamente não regulamentado?
  126. Voltando à década de 1930,

  127. era a publicidade que mostrava
    imagens opressoras de médicos
  128. e outros profissionais de saúde
  129. enviando mensagens tranquilizadoras.
  130. Este é um anúncio para Lucky Strikes,
    um cigarro popular nos anos 1930.
  131. "Cigarros Lucky são menos irritantes",
    dizem 20.679 médicos.

  132. "A proteção de sua garganta
    contra irritação, contra tosse."
  133. (Risos)

  134. Nós rimos,

  135. mas esse era o tipo de publicidade
  136. que passava uma mensagem
    tranquilizadora de saúde.
  137. Avançamos para as décadas 1950, 60 e 70.

  138. E aqui, novamente,
    com a ausência de regulamentação,
  139. vemos modificações no produto
    e no seu design
  140. para responder às preocupações
    com a saúde daquela época.
  141. Este é o filtro do Kent Micronite.

  142. E aqui a inovação
    era o cigarro com filtro.
  143. "Prazer total de fumar...

  144. além da prova de maior proteção
    de sua saúde de todos os tempos."
  145. O que o fumante deste produto não sabia,

  146. o que o médico dele
    e o governo não sabiam,
  147. é que isso era um filtro
    revestido com amianto,
  148. (Murmúrios)
  149. de modo que, quando alguém
    fumava esse cigarro com filtro

  150. e inalava os produtos químicos e fumaça,
  151. os quais sabemos que estão associados
    ao câncer e à doença pulmonar e cardíaca,
  152. eles também estavam inalando
    fibras de amianto.
  153. (Suspiros)
  154. Nas décadas de 1960 e 70,

  155. a chamada inovação foi o cigarro suave.
  156. Esta é uma marca típica
    da época chamada True,
  157. lançada depois que os relatórios
    do Surgeon General começaram a sair.
  158. E vemos a aparência
    de preocupação no rosto dela.
  159. "Considerando tudo o que ouvi,
    decidi parar ou fumar True.

  160. Eu fumo True."
  161. (Risos)

  162. O cigarro com baixo teor
    de alcatrão e nicotina."

  163. E depois diz: "Pense nisso".
  164. E abaixo disso, em letras pequenas,
  165. estão os percentuais
    de alcatrão e nicotina.
  166. O que era um cigarro suave?
  167. Como ele funcionava?
  168. Esta é uma ilustração
    da modificação do produto

  169. conhecida como "ventilação de filtro".
  170. Não é uma foto real do filtro.
  171. É só para vermos as linhas de ventilação
    perfuradas a laser colocadas no filtro.
  172. Quando observamos um cigarro,
    é mais difícil de ver.

  173. Todas as patentes deste produto mostram
  174. que os orifícios de ventilação
    devem estar 12 milímetros
  175. a partir da extremidade
    do filtro que toca os lábios.
  176. Como isso funcionava?
  177. O cigarro era preso a uma máquina

  178. que começava a tragar o cigarro
  179. e a registrar os níveis
    de alcatrão e nicotina.
  180. Conforme a máquina fumava,
  181. o ar externo passava
    pelos orifícios de ventilação
  182. e diluía a quantidade de fumaça
    que passava pelo cigarro.
  183. Então, conforme a máquina fumava,
  184. realmente menos alcatrão
    e nicotina eram liberados
  185. comparado a um cigarro comum.
  186. A indústria do tabaco sabia
  187. que os seres humanos
    não fumam como máquinas.
  188. E como os seres humanos fumam?
  189. Onde ficam os dedos?
  190. Onde ficam os lábios?

  191. A patente dizia que os orifícios ficam
    a 12 milímetros da extremidade dos lábios.
  192. O fumante nem sabia que eles existiam,
  193. mas entre os dedos e os lábios
    os orifícios ficam bloqueados
  194. e, com isso, esse não é mais
    um cigarro suave.
  195. Então existe basicamente tanta nicotina
    num cigarro suave como num comum.
  196. A diferença estava na parte externa,
  197. mas uma vez que isso é bloqueado,
  198. esse é um cigarro comum.
  199. O Congresso designou a FDA para regular
    os produtos do tabaco há dez anos.

  200. Então, ouviram as estatísticas no inicio
  201. sobre a contribuição extraordinária
    a doenças e mortes causadas pelo cigarro.
  202. Também temos prestado muita atenção
  203. sobre como ele funciona como dispositivo
    de administração de medicamentos
  204. e a notável eficiência
    com a qual fornece nicotina.
  205. Então, vamos ver.
  206. Quando o fumante traga o cigarro,
  207. a nicotina dessa tragada sobe ao cérebro
  208. em menos de dez segundos.
  209. Menos de dez segundos!
  210. No cérebro,
  211. existem os chamados
    "receptores nicotínicos".
  212. Estão lá...
  213. esperando,
  214. segundo esse documento da Philip Morris,
  215. pela próxima "dose de nicotina".
  216. O fumante que você vê lá fora,

  217. amontoado com outros fumantes,
  218. no frio,
  219. no vento,
  220. na chuva,
  221. está ansiando pela nicotina
  222. e pode estar sofrendo
    os sintomas de abstinência.
  223. Esses sintomas são uma mensagem química
    que esses receptores enviam para o corpo,
  224. pedindo: "Me alimente!"
  225. E um produto que pode liberar a droga
    em menos de dez segundos
  226. acaba sendo um produto incrivelmente
    eficiente e viciante.
  227. Falamos com muitos especialistas
    em tratamentos de dependência
  228. ao longo dos anos.
  229. E a história que escuto é sempre a mesma:
  230. "Mesmo depois de conseguir
    livrar alguém da heroína
  231. da cocaína ou do crack,
  232. não consigo fazê-lo parar de fumar".
  233. Muito dessa explicação
    tem a ver com os dez segundos.
  234. A FDA tem ao seu alcance regulatório

  235. o uso de ferramentas
    de regulação de produtos
  236. para tornar cigarros, como os conhecemos,
    como minimamente ou não viciantes.
  237. Estamos trabalhando nisso,
  238. e essa política pode ter um profundo
    impacto em nível populacional.
  239. Fizemos uma modelagem dinâmica
    a nível populacional há um ano
  240. e publicamos os resultados
    no The New England Journal.
  241. E por causa dos efeitos
    geracionais desta política,
  242. que explicarei em um minuto,
  243. aqui está o que projetamos
    até o final do século:
  244. mais de 33 milhões de pessoas
  245. que de outra forma teriam
    se tornado fumantes não se tornarão,
  246. porque o cigarro que vão experimentar
    não poderá criar ou sustentar o vício.
  247. Isso conduziria a taxa de fumantes
    adultos para menos de 1,5%.
  248. E essas duas coisas combinadas
  249. impediriam mais de 8 milhões
    de mortes relacionadas ao cigarro
  250. que, de outra forma, teriam ocorrido
  251. do impacto geracional disso.
  252. Por que digo "geracional"?

  253. Porque tem a ver com jovens.
  254. Dos fumantes adultos, 90% deles
    começaram a fumar quando eram jovens.
  255. Metade se tornou fumante regular
  256. antes que tivesse idade legal
    para comprar um maço de cigarros.
  257. Metade deles se tornou fumante
    antes dos 18 anos de idade.
  258. Era só para experimentar.
  259. Passou a fumante regular.
  260. Adquiriu o vício.
  261. Décadas como fumante.
  262. Aí vem a doença,
  263. e é por isso que estou falando
    sobre um produto que matará
  264. metade dos fumantes de longo prazo
    prematuramente mais tarde na vida.
  265. O impacto geracional desta política
    de redução de nicotina é profundo.
  266. Esses documentos antigos da indústria
    tinham uma mensagem para os jovens.
  267. Eles eram descritos como
    "os fumantes substitutos"
  268. para fumantes adultos viciados
    que morreram ou pararam de fumar.
  269. Gerações futuras de jovens,
    especialmente adolescentes,

  270. se envolverão em comportamentos de risco.
  271. Não temos como impedir isso.
  272. Mas e se o único cigarro
    ao qual eles pudessem ter acesso
  273. não fosse mais capaz de criar
    ou sustentar o vício?
  274. Esse é o retorno do investimento
    na saúde pública
  275. ao nível da população ao longo do tempo.
  276. E nem falei sobre os cigarros eletrônicos.

  277. Mas preciso dizer algo sobre eles.
  278. (Risos)
  279. Estamos lidando com uma epidemia
    do uso juvenil desses cigarros.

  280. E o que mais nos incomoda,
  281. em combinação com os números crescentes
    quando se trata de prevalência,
  282. é a frequência.
  283. Não só mais jovens
    estão usando esses cigarros,
  284. mas os usaram por 20 dias
    ou mais no último mês
  285. que em qualquer momento
    desde que eles entraram no mercado.
  286. E na FDA, estamos fazendo o possível,
    usando programa e política,
  287. primeiro para divulgar aos jovens
    a periculosidade desse produto,
  288. e garantir que eles não estejam
    experimentando nenhum produto de tabaco,
  289. esteja a combustão presente ou não.
  290. Mas pensem em cigarros eletrônicos
    num mercado devidamente regulamentado
  291. como algo que poderia ser benéfico
    para fumantes adultos viciados em cigarro
  292. tentando fazer a transição dele.
  293. Então, deixarei vocês com esta visão:

  294. imaginem um mundo
  295. onde o único cigarro que as futuras
    gerações de jovens poderiam experimentar
  296. não criasse ou sustentasse o vício,
  297. devido a uma única política.
  298. Imaginem um mundo
  299. onde fumantes preocupados com sua saúde,
  300. especialmente se uma política
    passar a vigorar,
  301. a qual diminui os níveis de nicotina
    a mínimos ou não viciantes,
  302. passem a ter alternativas e formas
    mais brandas de liberação de nicotina,
  303. começando com medicamentos
    aprovados pela FDA, como o chiclete,
  304. adesivo e pastilha.
  305. E finalmente,

  306. imaginem um mundo com mercado
    adequadamente regulamentado,
  307. seja para cigarros eletrônicos
    ou qualquer outra tecnologia,
  308. mas não são os desenvolvedores
    de produtos e comerciantes
  309. que decidem quais produtos são
    comercializados e como são promovidos
  310. e sim são cientistas de revisão da FDA,
  311. que analisam suas aplicações
  312. e decidem, usando o padrão
    que o Congresso nos confiou
  313. de implementação e aplicação,
  314. se um determinado produto
    deve ser comercializado,
  315. porque a publicidade dele e o texto
    das nossas leis seriam apropriadas
  316. para a proteção da saúde pública.
  317. Estas são as poderosas ferramentas
    regulatórias ao nosso alcance
  318. para lidar com o que continua sendo
  319. a principal causa de doenças e mortes
    completamente evitáveis no país.
  320. Se fizermos isso corretamente,
  321. essa trajetória, os 5,6 milhões de jovens,
  322. será interrompida.
  323. Obrigado.

  324. (Aplausos)