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← Everything is a Remix Part 4 (Tudo é um Remix, Parte 4)

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Showing Revision 1 created 02/20/2012 by IvoVisualista.

  1. (Obrigado à iStockphoto por contribuir
  2. com imagens para este episódio. Vejam-nas
  3. em iSotckPhoto.com)
  4. Os genes do nosso corpo podem ser encontrados
  5. há mais de três milhões e meio de anos
  6. num só organismo: LUCA,
  7. o último antepassado universal comum.
  8. Enquanto se reproduzia, os genes de LUCA eram copiados e copiados,
  9. e copiados e copiados,
  10. às vezes com erros, transformavam-se.
  11. Com o tempo isto produziu todas
  12. as milhares de milhões de espécies de vida na terra.
  13. Algumas destas adoptaram a reprodução sexual,
  14. ao combinar os genes de indivíduos,
  15. e em conjunto, as formas de vida com melhor adaptação prosperaram.
  16. Isto é evolução. Copiar, transformar e combinar.
  17. E a cultura evolui de modo semelhante,
  18. mas os elementos não são genes, são "memes" —
  19. ideias, comportamentos, habilidades.
  20. Memes copiam-se, transformam-se e combinam-se.
  21. E as ideias dominantes do nosso tempo
  22. são os memes que se espalham em maior quantidade.
  23. Isto é evolução social.
  24. Copiar, transformar e combinar.
  25. É como somos, é desta forma que vivemos,
  26. e é claro, é desta forma que criamos.
  27. As novas ideias surgem de ideias anteriores.
  28. Mas o nosso Sistema de Leis não reconhece
  29. a natureza derivativa da criatividade.
  30. Ao invés, ideias são tidas como propriedade,
  31. como algo único e original
  32. com limites bem definidos.
  33. Mas as ideias não são assim arrumadinhas.
  34. Elas sobrepõem-se, entrelaçam-se,
  35. emaranham-se. E quando o sistema
  36. entra em conflicto com a realidade...
  37. o sistema começa a falhar.
  38. Tudo é um Remix
  39. 4ª parte: Falha do Sistema
  40. Durante quase toda a nossa história
  41. as ideias eram livres.
  42. As Obras de Shakespeare, Gutenberg,
  43. e Rembrandt podiam ser copiadas livremente
  44. e recriadas.
  45. Mas o crescente domínio da economia de mercado,
  46. onde os produtos do nosso trabalho intelectual
  47. são comprados e vendidos,
  48. produziu um efeito secundário indesejável.
  49. Digamos que alguém inventa uma lâmpada de luz.
  50. O seu preço precisa cobrir
  51. não só o custo de produção,
  52. mas também o custo por inventar
  53. a coisa, em primeiro lugar.
  54. Agora digamos que um concorrente começa a fabricar
  55. uma cópia competitiva.
  56. O Concorrente não precisa cobrir
  57. os custos de produção
  58. para que a sua versão possa ser mais barata.
  59. Como resultado: criações originais
  60. não conseguem competir com o preço das cópias.
  61. Nos Estados Unidos, a introdução
  62. dos direitos de autor e de patentes
  63. tinha como objectivo tratar desse desequilíbrio.
  64. Direitos de autor para a expressão;
  65. Patentes para as invenções.
  66. Ambas destinavam-se a estimular
  67. a criação e a proliferação
  68. de novas ideias, proporcionando um breve e limitado
  69. período de exclusividade, um período em que mais ninguém
  70. podia copiar o trabalho.
  71. Isto deu aos criadores a possibilidade
  72. de recuperar o seu investimento e obter algum lucro.
  73. Depois disso, o trabalho seria do domínio público,
  74. onde se podia difundir amplamente
  75. e ser livremente recriado.
  76. E era este o objectivo:
  77. um domínio público sólido,
  78. com corpo de ideias acessível, productos,
  79. artes e entretenimento ao alcance de todos.
  80. A crença essencial estava no Bem Comum,
  81. o que beneficiaria todos.
  82. Mas com o tempo, a influência dos mercados
  83. transformou este princípio em algo bem diferente.
  84. Pensadores influentes propuseram que
  85. as ideias se tornassem numa forma de propriedade,
  86. e esta convicção com o tempo produziu
  87. um novo termo... propriedade intelectual.
  88. Este era um meme que multiplicar-se-ia amplamente,
  89. em parte, graças a um capricho da psicologia humana
  90. conhecido por Aversão à Perda.
  91. Em poucas palavras, não gostamos de perder o que temos.
  92. As pessoas tendem a pôr um valor muito mais alto às perdas
  93. do que aos ganhos.
  94. Assim os benefícios que obtemos
  95. ao copiar o trabalho dos outros
  96. não nos faz grande espécie,
  97. mas quando as nossas ideias são copiadas,
  98. entendemos isso como uma perda
    e torna-mo-nos possessivos.
  99. Por exemplo, a Disney fez uso extensivo
  100. do domínio público.
  101. Histórias como a Branca de Neve, o Pinóquio
  102. e a Alice no país das Maravilhas foram retiradas
  103. do domínio público.
  104. Mas quando chegou a hora dos direitos autorais
  105. dos primeiros filmes de Disney expirarem,
  106. pressionaram para que o termo dos direitos fosse prorrogado.
  107. O artista Shepard Fairey tem usado frequentemente
  108. obras existentes no seus trabalhos.
  109. Esta prática veio a público quando ele foi
  110. processado pela Imprensa Norte Americana
  111. de basear o seu famoso cartaz Obama "Hope"
  112. numa foto da Imprensa.
  113. No entanto, quando a sua imagem de marca
  114. foi usada numa obra de Baxter Orr,
  115. Fairey ameaçou processar.
  116. E finalmente, Steve Jobs que algumas vezes
  117. se orgulhava do historial de cópias da Apple.
  118. "Temos sido sempre desavergonhados
  119. sobre roubar grandes ideias."
  120. Mas ele ficava com grande rancor a quem
  121. se atrevesse a copiar a Apple.
  122. "Vou destruir o Android, porque
  123. é um produto roubado. Estou disposto a criar
  124. uma guerra termonuclear por isto."
  125. Quando copiamos, justificamos.
  126. Quando outros nos copiam, abominamos.
  127. A maioria de nós não tem problema com o copiar...
  128. desde que sejamos nós a fazê-lo.
  129. Assim, cegos quanto à nossa própria imitação,
  130. e conduzidos pela fé nos mercados e na propriedade,
  131. a propriedade intelectual cresceu
  132. para além de seu âmbito original, com
  133. interpretações mais amplas de leis existentes,
  134. nova legislação,
  135. novas áreas de cobertura
  136. e recompensas atrativas.
  137. Em 1981, George Harrison perdeu
  138. 1,5 milhões de dólares num processo, por "inconscientemente"
  139. copiar o êxito de doo-wop, "He's so Fine"
  140. na sua balada, "My Sweet Lord".
  141. Antes disto, muitas músicas soavam
  142. ao mesmo que outras canções
  143. sem que acabarem nos tribunais.
  144. Ray Charles criou o protótipo da musica soul
  145. Quando baseou "I Got a Woman"
  146. na canção gospel "It Must be Jesus"
  147. A partir do final da década de 90,
  148. uma série de novas leis de direitos de autor e
  149. regulamentos começaram a ser introduzidos...
  150. ...e muito mais está para vir.
  151. O mais ambicioso em vista, são os acordos comerciais.
  152. Uma vez que estes são tratados, não leis,
  153. podem ser negociados em segredo,
  154. sem referendo pública ou aprovação do Congresso.
  155. Em 2011, o ACTA foi assinado pelo Presidente Obama,
  156. e o acordo Transpacífico de Parceria Económica,
  157. a ser actualmente escrito em segredo,
  158. tem como objetivo propagar ainda mais
  159. o estilo americano de protecções à escala global.
  160. Claro, quando os próprios Estados Unidos
  161. eram uma economia em desenvolvimento,
    recusavam-se a assinar tratados
  162. e não tinham qualquer protecção para autores estrangeiros.
  163. Charles Dickens, queixou-se memoravelmente sobre
  164. o agitado mercado de pirataria de livros nos EUA,
  165. tendo dito, "é terrível
  166. que livreiros sem escrúpulos possam enriquecer."
  167. A cobertura de patentes passou de
  168. invenções físicas para virtuais,
  169. em particular, de software.
  170. Mas não se trata de uma transição natural.
  171. A patente é o esquema detalhado de
  172. como é criada uma invenção.
  173. As patentes de software são mais
  174. uma descrição livre de como algo seria
  175. se fosse realmente inventado.
  176. E as patentes de software são escritas
  177. na linguagem mais vaga possível
  178. para obter a proteção mais ampla possível.
  179. A indefinição destes termos, por vezes
  180. chega a níveis absurdos.
  181. Por exemplo, "máquina produtora de informação"
  182. que abrange qualquer aparelho computacional, ou
  183. "Objeto material", que abrange tudo e mais alguma coisa.
  184. A falta de clareza nos limites das patentes de software
  185. tornou a indústria de smartphones numa grande guerra territorial.
  186. 62 por cento de todos os processos de patentes
    são sobre o software.
  187. A perda estimada de riqueza é de 500 mil milhões de dollars.
  188. O procura expansiva por propriedade intelectual
  189. introduziu cada vez mais possibilidades
  190. para litígios oportunos — processar para ganhar uns trocos.
  191. Duas novas espécies evoluíram
  192. cujo modelo de negócio são os processos judiciais:
  193. trolls de "samples" e trolls de patentes.
  194. São empresas que não produzem rigorosamente nada.
  195. Adquirem uma biblioteca de direitos de propriedade intelectual,
  196. depois entram em litígio para obter lucro.
  197. E porque os custos de defesa legal
  198. são centenas de milhares de dólares
    em casos de direitos autorais
  199. e milhões em patentes,
  200. os seus alvos são habitualmente motivados
  201. a chegar a um acordo fora do Tribunal.
  202. O troll mais famoso de "samples"
  203. é a Bridgeport Music,
  204. que já apresentou centenas de acções judiciais.
  205. Em 2005 ganharam uma influente
  206. decisão do Tribunal sobre esta "sample" de dois segundos.
  207. E é isto. E não só é a "sample" curta,
  208. como é praticamente irreconhecível.
  209. NWA "100 Miles and Runnin"
  210. Essencialmente este veredicto representa
  211. qualquer tipo de "sampling",
    não importa quão pequeno, é ilegal.
  212. Os grandes "samplings" das produções
  213. da idade de ouro do Hip Hop
  214. são agora incrivelmente caras para criar.
  215. Quanto aos trolls de patentes, encontram-se habitualmente
  216. no território conturbado do software.
  217. E talvez o caso mais inexplicáve
  218. é o de Paul Allen.
  219. É um dos fundadores da Microsoft,
  220. é um bilionário,
  221. é um prezado filantropo
  222. que comprometeu-se a ceder grande parte de sua fortuna.
  223. E ele afirma que características básicas da web
  224. como os links relacionados, alertas e recomendações
  225. foram inventadas pela sua há-muito-extinta empresa.
  226. Assim, o auto-proclamado "homem das ideias"
  227. processou em 2010 quase toda a gente em Silicon Valley.
  228. E fê-lo, mesmo não tendo falta de fama ou fortuna.
  229. Recapitulando, o quadro completo é o seguinte:
  230. Acreditamos que as ideias são propriedade
  231. e somos excessivamente possessivos
  232. quando sentimos que a propriedade nos pertence.
  233. Então as nossas leis apoiam esta tendência
  234. com protecções cada vez mais ampliáveis
  235. e grandes recompensas.
  236. Enquanto isso, enormes custos legais
  237. incentivam os arguidos a pagar
  238. e chegar a acordo fora do Tribunal.
  239. É um cenário de desanimador,
  240. e que levanta a seguinte questão: e agora?
  241. A crença na propriedade intelectual
  242. tornou-se tão difundida que tem empurrado
  243. a intenção original dos direitos de autor e patentes
  244. para fora da consciência pública.
  245. Mas o seu propósito original continua
  246. mesmo à nossa frente.
  247. A lei de direitos autorais de 1790 é chamada
  248. "lei para incentivar a aprendizagem".
  249. A lei de patentes é
  250. "para promover o progresso das artes úteis".
  251. Os direitos exclusivos que estas leis introduziram
  252. foi um compromisso para grandes objectivos.
  253. A intenção era melhorar a vida de todos
  254. ao incentivar a criatividade
  255. e criar um domínio público rico
  256. uma coleção de conhecimento compartilhado, aberto a todos.
  257. No entanto, os próprios direitos exclusivos
  258. tornaram-se o mais importante,
  259. então foram reforçados e expandidos.
  260. E o resultado não tem sido
  261. mais progresso ou mais aprendizagem,
  262. tem sido mais combates e mais abusos.
  263. Vivemos numa época com problemas assustadores.
  264. Precisamos das melhores ideias possíveis,
  265. precisamos delas agora, que se espalhem rapidamente.
  266. O bem comum é uma meme
  267. que foi esmagado pela propriedade intelectual.
  268. É necessário espalhá-lo novamente.
  269. Se este meme prosperar
  270. as nossas leis, os nossos padrões, a nossa sociedade,
  271. todos eles transformar-se-ão.
  272. É evolução social
  273. e não depende de governos
  274. de empresas ou de advogados...
  275. Depende de nós.