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Showing Revision 13 created 12/02/2020 by Eduarda Garcia.

  1. Meu nome é Lydia X. Z. Brown,
  2. e eu sou advogada, organizadora
    comunitária, educadora, estrategista,
  3. e pensadora e escritora de direitos dos
    deficientes e justiça para deficientes.
  4. Por mais de 10 anos, meu trabalho focou

  5. na violência interpessoal e estatal

  6. visando pessoas com deficiências
  7. nas margens das margens, especialmente

  8. com deficiência vivendo na interseção da
    deficiência, raça, classe, gênero,
  9. sexualidade, idioma e nação.
  10. Como qualquer pessoa com deficiência, é
    impossível dizer que houve um momento
  11. no qual, do nada, me tornei ciente da
  12. inacessibilidade ou das práticas
    excludentes na vida social,
  13. porque minha vida inteira foi
    moldada pelas forças do capacitismo.
  14. Como muitos outros autistas,
    eu sofri bullying
  15. ao longo da minha infância e nas escolas,
  16. e vivenciei uma desconexão entre a forma
    que eu trilhava o mundo
  17. e a forma que as pessoas ao meu redor,
    que não eram autistas em sua maioria,
  18. trilhavam o mundo.
  19. Mas eu digo que uma das vezes em que
    me tornei mais ciente das
  20. graves injustiças voltadas a outras
    pessoas com deficiência
  21. foi com uma série de incidentes que foram
    amplamente publicados quando
  22. eu estava no ensino médio.
  23. E, em todos aqueles exemplos, jovens
    autistas eram criminalizados,
  24. tirados de suas escolas, frequentemente
    acusados em tribunais criminais adultos,
  25. por simplesmente existirem
    sendo autistas.
  26. Na maioria daqueles casos, os estudantes
    autistas em questão
  27. tinham sido submetidos à contenção e
    reclusão prolongadas, às vezes por horas,
  28. antes mesmo de terem sido acusados por
    agredir professores
  29. nas escolas para começo de conversa.
  30. Alguns daqueles estudantes eram brancos.
  31. Outros eram pretos, negros, ou outras
    pessoas de cor.
  32. E, em todos aqueles casos, o sentimento
    que se propagou mais forte e claramente
  33. através dos relatórios públicos
    sobre os incidentes,
  34. foi que aquelas eram crianças que haviam
    sido tratadas e controladas, ao invés
  35. de dizer que eram crianças que haviam sido
    alvo de discriminação
  36. com base na deficiência.
  37. E aquilo, para mim, foi só o começo de
    um claro indicador do quão penetrante
  38. e quão horrível é a violência
    contra pessoas com deficiência,
  39. principalmente aquelas que são
    pluralmente marginalizadas.
  40. No caso de muitos estudantes brancos,
    se eles não tivessem sorte,
  41. poderiam ser forçados a sair da escola.
  42. Mas no caso dos estudantes com
    deficiência pretos e negros,
  43. alguns eram condenados a anos de prisão.
  44. Outros eram mortos imediatamente.
  45. Embora a ADA (Lei dos Americanos
    com Deficiência) tenha sido
  46. assinada como lei há três décadas,
  47. agências do governo, organizações
    individuais e até mesmo
  48. organizações de defesa de deficiência,
    evidentemente,
  49. descaradamente violam as provisões
    mais básicas da ADA.
  50. Agências do governo que são obrigadas a
    apoiar pessoas com deficiência
  51. e fornecer e permitir acesso para elas,
  52. normalmente negligenciam essas obrigações.
  53. Empresas privadas e organizações
    sem fins lucrativos fazem o mesmo.
  54. Faculdades e universidades não respeitam
    seus estudantes com deficiência.
  55. Empresas não respeitam seus empregados
  56. com deficiência
  57. É claro que, na sociedade, embora a lei
    tenha mudado,
  58. os valores que carregamos e as
    crenças que possuímos,
  59. na sociedade como um todo,
    não mudaram em nada,
  60. porque você não pode
    legislar moralidade.
  61. Você pode ter as melhores
    leis nos livros,
  62. e mesmo se você, de alguma forma,
    monitorá-las e forçá-las,
  63. isso não significa que você mudou,
    de fato, o jeito que as pessoas pensam
  64. e falam e entendem e reagem em relação
  65. às pessoas com deficiência na sociedade.
  66. Então, quando eu penso nas maneiras que a
    ADA falhou, não é necessariamente
  67. quanto ao que é a linguagem da ADA,
  68. mas sim como
    advogados individuais, como tribunais
  69. e como aqueles com posições de poder
    e acesso a privilégios
  70. e os acessos aos privilégios e recursos
  71. escolhem agir ou não agir
  72. de acordo com o ADA.
  73. E você vê isso em todo lugar,
  74. as organizações para deficientes que
  75. possuem o maior acesso ao
  76. poder,privilégios e recursos
  77. geralmente defendem apenas os
  78. interesses e problemas que afetam
  79. aqueles que já possuem os maiores
  80. privilégios na comunidade deficiente.
  81. Ou seja, eles só se preocupam de verdade
  82. com os problemas que principalmente,
  83. ou apenas, afetam deficientes brancos,
  84. ou ricos, ou formados ou qualquer outro
  85. que de outra forma
  86. é considerado aceitável.
  87. Mas para pessoas deficientes
  88. que estão nas margens das margens,
  89. para os deficientes de cor,
  90. para os deficientes de baixa renda,
  91. para os deficientes não documentados ou
  92. ou possuem status de imigração
    além da cidadania,
  93. ou deficientes que fazem parte
  94. de religiões minoritárias,
  95. para deficientes queer ou trans,
  96. para deficientes que não pode trabalhar
  97. de acordo com o que
  98. é esperado no capitalismo,
  99. aquelas áreas problematicas de inclusão
  100. nos locais de trabalho corporativo.
  101. Ou conseguir ter acesso as
  102. piscinas em um hotel,
  103. ou conseguir
  104. levar o seu animal guia no avião.
  105. Pode ser importante!
  106. Mas muitas vezes não afetam nossas vidas
  107. da mesma forma que diariamente fazem
  108. aqueles que têm infinitamente
  109. mais privilégios.
  110. E então,
  111. eu vejo onde as lacunas estão
  112. onde estão as pessoas que possuem poder,
  113. privilégios, e recursos falando sobre
  114. o direito aos deficientes
  115. pretos e marrons estudantes do AAC?
  116. Onde estão essas pessoas pensando sobre
  117. a horrível violência infligida
  118. em grande parte em pessoas negras
  119. naturalmente incapazes
  120. no sistema carcerário?
  121. Onde estão essas pessoas?
  122. E olhando pela maneira que a polícia
  123. destroi vidas de profissionais do sexo
  124. e pessoas que usam drogas criminalizadas
  125. os quais não são brancos,
  126. que não vieram
  127. de familias da classe media ou alta
  128. e vizinhanças e comunidades?
  129. Onde estão essas pessoas
  130. pensando sobre as maneiras que
  131. as universidades não só impedem os alunos
  132. deficientes no geral de ter acesso aos
  133. recursos e acomodações?
  134. Mas colocam o peso dessa violência,
  135. predominante em deficientes
  136. queer e trans negros
  137. e até mesmo força os estudantes
  138. deficientes, especialmente aqueles que
  139. são multiplicamente marginalizados,sairem
  140. da universidade completamente.
  141. Ou impede que eles se quer perguntem
  142. a universidade para começo de conversa?
  143. Onde estão os advogados,
  144. quando se pensa não só, em como as
  145. pessoas deficientes nos Estados Unidos
  146. representam ou não representam na mídia
  147. ou nas políticas eleitorais,
  148. mas sobre as maneiras pelas quais
  149. os Estados Unidos infligem e causam
  150. deficiência globalmente,
  151. através dos nossos ouvidos,
  152. pelo nosso imperialismo,
  153. pela nossa colonização?
  154. Nós precisamos nos esforçar
  155. mais do que possivelmente conseguimos
  156. para que o dinheiro
  157. volte diretamente para as mãos
  158. de membros da comunidade
  159. diretamente impactados
  160. e fora de sistemas prejudiciais
  161. como o sistema de acolhimento,
  162. polícia, prisões, cuidados coercitivos de
  163. saúde mental.
  164. Nós precisamos exigir
  165. um retorno dos recursos
  166. e um retorno de poder
  167. e isso é uma cessão de poder
  168. por pessoas não deficientes
  169. por pessoas brancas
  170. por aqueles que acumularam e controlaram
  171. a maior montante de poder e privilégio
  172. e recursos, e feito às custas diretas
  173. de pessoas com deficiência
  174. nas margens das margens,
  175. e isso tem que começar dentro nas nossas
  176. próprias organizações.
  177. Organizações de deficiência sem fins
  178. lucrativos são notados
  179. por serem frequentemente liderados
  180. por brancos, ou predominantemente brancos
  181. ou as vezes por apenas brancos
  182. por ser liderado por um homem,
  183. por ser liderado por pessoas
  184. sem nenhuma deficiência,
  185. ou tem o que são consideradas
  186. deficiências palatáveis.
  187. E isso precisa mudar.

  188. E a única maneira disso mudar, é se essas
  189. pessoas que ocupam essas posições de poder
  190. concordarem de abrir mão desse poder.
  191. Não dizendo que : "Você não tem voz",
  192. para ser deixar bem claro.
  193. Mas dizer " Sua voz não precisa ser aquela
  194. que está no comando e detém todo o poder."