Portuguese, Brazilian subtitles

← Uma nova superarma na luta contra o câncer

Get Embed Code
29 Languages

Showing Revision 30 created 04/29/2016 by Maricene Crus.

  1. O câncer afeta todos nós,
  2. especialmente os que sempre retornam,
  3. os muito invasivos
    e os resistentes às drogas,
  4. os que resistem ao tratamento médico,
  5. mesmo quando usamos
    nossas melhores drogas.
  6. A engenharia em nível molecular,
  7. trabalhando na menor das escalas,
  8. pode prover novas e excitantes formas
  9. para combater os tipos
    mais agressivos de câncer.
  10. O câncer é uma doença muito inteligente.

  11. Há alguns tipos de câncer,
  12. que, por sorte, aprendemos
    como tratar relativamente bem
  13. com drogas conhecidas
    e eficientes, e cirurgia.
  14. Mas há alguns tipos de câncer
  15. que não reagem a essas abordagens,
  16. e o tumor sobrevive ou ressurge,
  17. mesmo depois de um massacre de drogas.
  18. Podemos pensar nesses tipos
    muito agressivos de câncer

  19. como supervilões
    de histórias em quadrinhos.
  20. Eles são inteligentes, adaptáveis,
  21. e muito bons em permanecer vivos.
  22. E, como a maioria
    dos supervilões hoje em dia,
  23. seus superpoderes surgem
    de uma mutação genética.
  24. Os genes que são modificados
    dentro das células do tumor
  25. podem habilitar e codificar novos
    e inimagináveis modos de sobrevivência,
  26. permitindo à célula cancerosa
    sobreviver a até mesmo
  27. nossos melhores
    tratamentos quimioterápicos.
  28. Um exemplo é um truque
    no qual um gene permite a uma célula,

  29. mesmo quando a droga aborda a célula,
  30. expulsar a droga,
  31. antes da droga poder ter algum efeito.
  32. Imagine: a célula efetivamente
    cospe a droga.
  33. Esse é apenas um exemplo
    dos muitos truques genéticos
  34. na bolsa do nosso supervilão, o câncer,
  35. tudo isso devido aos genes mutantes.
  36. Então, nós temos um supervilão
    com superpoderes inacreditáveis,

  37. e precisamos de um novo
    e poderoso modo de ataque.
  38. Na verdade, podemos desligar um gene.
  39. A chave é um conjunto de moléculas
    conhecidas como siRNA.
  40. As siRNA são sequências
    pequenas de código genético
  41. que guiam uma célula
    para bloquear um certo gene.
  42. Cada molécula siRNA pode
    desligar um gene específico
  43. dentro da célula.
  44. Por muitos anos desde sua descoberta,
  45. cientistas têm estado muito animados
  46. com a possibilidade de aplicar
    bloqueadores genéticos na medicina.
  47. Mas, existe um problema.

  48. A siRNA funciona bem dentro da célula.
  49. Mas se ficar exposta às enzimas
  50. que vivem no nosso sangue ou tecidos,
  51. ela se degrada em segundos.
  52. Ela tem que ser empacotada,
    protegida em sua jornada pelo corpo
  53. a caminho do alvo final
    dentro da célula cancerosa.
  54. Então, aqui está nossa estratégia:

  55. primeiro, vamos dosar a célula cancerosa
    com siRNA, o bloqueador de gene,
  56. e silenciar os que sobreviverem,
  57. e então vencê-lo com uma quimioterapia.
  58. Mas como vamos realizar isso?
  59. Usando engenharia molecular,
  60. podemos na verdade projetar uma superarma
  61. que pode atravessar a corrente sanguínea.
  62. Tem que ser pequena o bastante
    para atravessar o sangue,
  63. suficientemente pequena
    para penetrar no tecido do tumor,
  64. e pequena o bastante para ser absorvida
    dentro da célula cancerosa.
  65. Para fazer bem esse trabalho,
  66. ela tem que ser 100 vezes menor
    que a espessura de um cabelo humano.
  67. Vamos olhar de perto como podemos
    construir esta nanopartícula.

  68. Primeiro, vamos começar com o seu núcleo.
  69. É uma cápsula minúscula
    que contém a droga quimioterápica.
  70. Esse é o veneno que vai acabar
    com a vida da célula do tumor.
  71. Em volta desse núcleo,
    vamos envolver uma muito fina,
  72. nanometricamente fina camada de siRNA.
  73. Esse é o nosso bloqueador de gene.
  74. Porque a siRNA tem uma carga
    fortemente negativa,
  75. podemos protegê-la
  76. com uma camada protetora
    de polímero com carga positiva.
  77. As duas moléculas
    com cargas opostas ficam juntas
  78. pela atração das cargas,
  79. e isso nos dá uma camada protetora
  80. que previne a degradação
    da siRNA na corrente sanguínea.
  81. Estamos quase lá.
  82. (Risos)

  83. Há mais um grande obstáculo
    em que temos que pensar.

  84. Na verdade, pode ser
    o maior obstáculo de todos.
  85. Como posicionar essa superarma?
  86. Digo, toda boa arma
    precisa ser direcionada,
  87. temos que direcionar essa superarma
    para as células supervilãs
  88. que vivem no tumor.
  89. Mas nossos corpos têm um sistema
    imunológico de defesa natural:

  90. as células que vivem no sangue
  91. e selecionam os corpos estranhos,
  92. para que os destruam ou os eliminem.
  93. E adivinhem? Nossa nanopartícula
    é considerada um objeto estranho.
  94. Temos que disfarçá-la perante
    o sistema de defesa do tumor..
  95. Temos que passá-la por esse mecanismo
    de se livrar do objeto estranho,
  96. disfarçando-a.
  97. Adicionamos mais uma camada
    com carga negativa

  98. ao redor da nanopartícula,
    o que serve a dois objetivos.
  99. Primeiro, essa camada externa
  100. é um dos polissacarídeos
    altamente hidratados,
  101. e naturalmente carregados
    que vivem no nosso corpo.
  102. Ela cria uma nuvem de moléculas
    de água ao redor da nanopartícula
  103. que nos dá um efeito
    de capa de invisibilidade.
  104. Essa capa de invisibilidade
    permite a nanopartícula
  105. viajar pelo sangue
  106. pelo tempo e distância suficiente
    para alcançar o tumor,
  107. sem ser eliminada pelo corpo.
  108. Segundo, essa camada contém moléculas

  109. que se ligam especificamente
    à nossa célula do tumor.
  110. Uma vez ligadas, a célula
    do câncer aceita a nanopartícula,
  111. e agora temos nossa nanopartícula
    dentro da célula do câncer
  112. e pronta para o combate.
  113. Isso aí! Eu sinto o mesmo
    que vocês. Vamos lá!

  114. (Aplausos)

  115. A siRNA entra em ação primeiro

  116. Ela age por horas,
  117. dando tempo suficiente para silenciar
    e bloquear os genes sobreviventes.
  118. Agora nós já desabilitamos
    os superpoderes genéticos.
  119. O que resta é uma célula de câncer
    sem defesas especiais.
  120. Então, a droga quimioterápica
    sai do núcleo
  121. e destrói a célula do tumor
    pura e eficientemente.
  122. Com genes bloqueadores suficientes,
  123. podemos abordar vários tipos
    de mutações diferentes,
  124. permitindo a chance de varrer os tumores,
  125. sem deixar para trás quaisquer vilões.
  126. Então, como funciona nossa estratégia?

  127. Nós testamos essas partículas
    de nanoestrutura em animais
  128. usando uma forma muito agressiva
    de câncer de mama triplo-negativo.
  129. Esse câncer de mama
    triplo-negativo contém o gene
  130. que cospe a droga tão logo ela é entregue.
  131. Normalmente, a doxorrubicina,
    vamos chamá-la de "dox",

  132. é a droga que se usa primeiro
    no tratamento de câncer de mama.
  133. Então, tratamos nossos animais primeiro
    com um núcleo de dox, somente dox.
  134. O tumor reduziu sua taxa de crescimento,
  135. mas ainda cresceu rapidamente,
    dobrando de tamanho em duas semanas.
  136. Então, tentamos nossa
    combinação de superarma.

  137. Uma partícula de nanocamada com siRNA
    contra a bomba quimioterápica,
  138. e mais, nós temos a dox no núcleo.
  139. E veja, descobrimos que os tumores
    não apenas pararam de crescer,
  140. eles realmente diminuíram de tamanho
  141. e foram eliminados em alguns casos.
  142. Os tumores estavam realmente regredindo.
  143. (Aplausos)

  144. O que é ótimo nessa abordagem
    é que pode ser personalizada.

  145. Podemos adicionar várias
    camadas diferentes de siRNA
  146. para abordar diferentes mutações
    e mecanismos de defesa do tumor.
  147. E podemos colocar drogas variadas
    no núcleo da nanopartícula.
  148. Uma vez que os médicos aprendam
    como testar os pacientes
  149. e entendam certos tipos
    genéticos de tumor,
  150. podem ajudar a determinar quais pacientes
    podem se beneficiar dessa estratégia
  151. e quais bloqueadores
    de genes podemos usar.
  152. O câncer de ovário mexe comigo
    de uma maneira especial.

  153. É um câncer muito agressivo,
  154. em parte porque é descoberto
    em fases muito avançadas,
  155. quando está bem desenvolvido
  156. e há um número grande
    de mutações genéticas.
  157. Depois da primeira rodada
    de quimioterapia,
  158. esse câncer volta em 75% dos pacientes.
  159. E normalmente reaparece
    numa forma resistente à droga.
  160. O câncer de ovário de alto grau
  161. é um dos maiores supervilões por aí.
  162. E agora estamos apontando
    nossa superarma para vencê-lo.
  163. Como pesquisadora,

  164. normalmente não trabalho com pacientes.
  165. Mas recentemente conheci uma mãe
  166. que é uma sobrevivente de câncer
    de ovário, Mimi, e sua filha, Paige.
  167. Fui profundamente inspirada
    pelo otimismo e força
  168. que mãe e filha mostraram
  169. e pela história delas de coragem e apoio.
  170. Naquele evento, falamos
    sobre as diferentes tecnologias
  171. direcionadas ao câncer.
  172. E Mimi estava chorando
  173. enquanto explicava como aprender
    sobre esses esforços
  174. dava a ela esperança
    para as gerações futuras,
  175. incluindo sua própria filha.
  176. Isso realmente me tocou.
  177. Não se trata apenas de construir
    uma ciência realmente elegante.
  178. Trata-se de mudar as vidas das pessoas.
  179. É sobre entender o poder da engenharia
  180. na escala das moléculas.
  181. Uma vez que estudantes como Paige
    avancem em suas carreiras,

  182. abrirão novas possibilidades
  183. de enfrentar alguns dos grandes
    problemas de saúde do mundo,
  184. incluindo câncer de ovário, desordens
    neurológicas, doenças contagiosas,
  185. assim como a engenharia química achou
    uma forma de abrir portas para mim,
  186. e tem provido uma forma de engenharia
  187. na menor das escalas,
    no nível das moléculas,
  188. para curar na escala humana.
  189. Obrigada.

  190. (Aplausos)