Return to Video

Uma nova superarma na luta contra o câncer

  • 0:01 - 0:03
    O câncer afeta todos nós,
  • 0:03 - 0:06
    especialmente os que sempre retornam,
  • 0:06 - 0:09
    os muito invasivos
    e os resistentes às drogas,
  • 0:09 - 0:12
    os que resistem ao tratamento médico,
  • 0:12 - 0:14
    mesmo quando usamos
    nossas melhores drogas.
  • 0:15 - 0:18
    A engenharia em nível molecular,
  • 0:18 - 0:21
    trabalhando na menor das escalas,
  • 0:21 - 0:23
    pode prover novas e excitantes formas
  • 0:23 - 0:26
    para combater os tipos
    mais agressivos de câncer.
  • 0:27 - 0:30
    O câncer é uma doença muito inteligente.
  • 0:30 - 0:32
    Há alguns tipos de câncer,
  • 0:32 - 0:37
    que, por sorte, aprendemos
    como tratar relativamente bem
  • 0:37 - 0:40
    com drogas conhecidas
    e eficientes, e cirurgia.
  • 0:41 - 0:43
    Mas há alguns tipos de câncer
  • 0:43 - 0:45
    que não reagem a essas abordagens,
  • 0:45 - 0:48
    e o tumor sobrevive ou ressurge,
  • 0:48 - 0:50
    mesmo depois de um massacre de drogas.
  • 0:50 - 0:54
    Podemos pensar nesses tipos
    muito agressivos de câncer
  • 0:54 - 0:57
    como supervilões
    de histórias em quadrinhos.
  • 0:57 - 1:00
    Eles são inteligentes, adaptáveis,
  • 1:00 - 1:03
    e muito bons em permanecer vivos.
  • 1:04 - 1:06
    E, como a maioria
    dos supervilões hoje em dia,
  • 1:07 - 1:11
    seus superpoderes surgem
    de uma mutação genética.
  • 1:13 - 1:16
    Os genes que são modificados
    dentro das células do tumor
  • 1:16 - 1:21
    podem habilitar e codificar novos
    e inimagináveis modos de sobrevivência,
  • 1:21 - 1:24
    permitindo à célula cancerosa
    sobreviver a até mesmo
  • 1:24 - 1:26
    nossos melhores
    tratamentos quimioterápicos.
  • 1:27 - 1:31
    Um exemplo é um truque
    no qual um gene permite a uma célula,
  • 1:31 - 1:34
    mesmo quando a droga aborda a célula,
  • 1:34 - 1:37
    expulsar a droga,
  • 1:37 - 1:40
    antes da droga poder ter algum efeito.
  • 1:40 - 1:44
    Imagine: a célula efetivamente
    cospe a droga.
  • 1:44 - 1:47
    Esse é apenas um exemplo
    dos muitos truques genéticos
  • 1:47 - 1:50
    na bolsa do nosso supervilão, o câncer,
  • 1:50 - 1:52
    tudo isso devido aos genes mutantes.
  • 1:53 - 1:57
    Então, nós temos um supervilão
    com superpoderes inacreditáveis,
  • 1:57 - 2:01
    e precisamos de um novo
    e poderoso modo de ataque.
  • 2:02 - 2:05
    Na verdade, podemos desligar um gene.
  • 2:05 - 2:09
    A chave é um conjunto de moléculas
    conhecidas como siRNA.
  • 2:09 - 2:13
    As siRNA são sequências
    pequenas de código genético
  • 2:13 - 2:16
    que guiam uma célula
    para bloquear um certo gene.
  • 2:17 - 2:21
    Cada molécula siRNA pode
    desligar um gene específico
  • 2:21 - 2:22
    dentro da célula.
  • 2:23 - 2:25
    Por muitos anos desde sua descoberta,
  • 2:25 - 2:27
    cientistas têm estado muito animados
  • 2:27 - 2:31
    com a possibilidade de aplicar
    bloqueadores genéticos na medicina.
  • 2:31 - 2:33
    Mas, existe um problema.
  • 2:33 - 2:35
    A siRNA funciona bem dentro da célula.
  • 2:36 - 2:39
    Mas se ficar exposta às enzimas
  • 2:39 - 2:41
    que vivem no nosso sangue ou tecidos,
  • 2:41 - 2:43
    ela se degrada em segundos.
  • 2:44 - 2:48
    Ela tem que ser empacotada,
    protegida em sua jornada pelo corpo
  • 2:48 - 2:51
    a caminho do alvo final
    dentro da célula cancerosa.
  • 2:52 - 2:54
    Então, aqui está nossa estratégia:
  • 2:54 - 2:58
    primeiro, vamos dosar a célula cancerosa
    com siRNA, o bloqueador de gene,
  • 2:58 - 3:00
    e silenciar os que sobreviverem,
  • 3:00 - 3:02
    e então vencê-lo com uma quimioterapia.
  • 3:03 - 3:04
    Mas como vamos realizar isso?
  • 3:05 - 3:07
    Usando engenharia molecular,
  • 3:08 - 3:11
    podemos na verdade projetar uma superarma
  • 3:12 - 3:14
    que pode atravessar a corrente sanguínea.
  • 3:14 - 3:17
    Tem que ser pequena o bastante
    para atravessar o sangue,
  • 3:17 - 3:20
    suficientemente pequena
    para penetrar no tecido do tumor,
  • 3:20 - 3:25
    e pequena o bastante para ser absorvida
    dentro da célula cancerosa.
  • 3:25 - 3:27
    Para fazer bem esse trabalho,
  • 3:27 - 3:31
    ela tem que ser 100 vezes menor
    que a espessura de um cabelo humano.
  • 3:32 - 3:36
    Vamos olhar de perto como podemos
    construir esta nanopartícula.
  • 3:37 - 3:40
    Primeiro, vamos começar com o seu núcleo.
  • 3:40 - 3:43
    É uma cápsula minúscula
    que contém a droga quimioterápica.
  • 3:44 - 3:48
    Esse é o veneno que vai acabar
    com a vida da célula do tumor.
  • 3:48 - 3:52
    Em volta desse núcleo,
    vamos envolver uma muito fina,
  • 3:52 - 3:55
    nanometricamente fina camada de siRNA.
  • 3:55 - 3:56
    Esse é o nosso bloqueador de gene.
  • 3:57 - 4:01
    Porque a siRNA tem uma carga
    fortemente negativa,
  • 4:01 - 4:02
    podemos protegê-la
  • 4:02 - 4:07
    com uma camada protetora
    de polímero com carga positiva.
  • 4:08 - 4:11
    As duas moléculas
    com cargas opostas ficam juntas
  • 4:11 - 4:12
    pela atração das cargas,
  • 4:12 - 4:14
    e isso nos dá uma camada protetora
  • 4:14 - 4:17
    que previne a degradação
    da siRNA na corrente sanguínea.
  • 4:18 - 4:19
    Estamos quase lá.
  • 4:19 - 4:21
    (Risos)
  • 4:21 - 4:25
    Há mais um grande obstáculo
    em que temos que pensar.
  • 4:25 - 4:27
    Na verdade, pode ser
    o maior obstáculo de todos.
  • 4:27 - 4:29
    Como posicionar essa superarma?
  • 4:29 - 4:32
    Digo, toda boa arma
    precisa ser direcionada,
  • 4:32 - 4:36
    temos que direcionar essa superarma
    para as células supervilãs
  • 4:36 - 4:38
    que vivem no tumor.
  • 4:38 - 4:41
    Mas nossos corpos têm um sistema
    imunológico de defesa natural:
  • 4:42 - 4:44
    as células que vivem no sangue
  • 4:44 - 4:46
    e selecionam os corpos estranhos,
  • 4:46 - 4:49
    para que os destruam ou os eliminem.
  • 4:49 - 4:53
    E adivinhem? Nossa nanopartícula
    é considerada um objeto estranho.
  • 4:54 - 4:58
    Temos que disfarçá-la perante
    o sistema de defesa do tumor..
  • 4:58 - 5:04
    Temos que passá-la por esse mecanismo
    de se livrar do objeto estranho,
  • 5:04 - 5:06
    disfarçando-a.
  • 5:06 - 5:10
    Adicionamos mais uma camada
    com carga negativa
  • 5:10 - 5:13
    ao redor da nanopartícula,
    o que serve a dois objetivos.
  • 5:13 - 5:15
    Primeiro, essa camada externa
  • 5:15 - 5:17
    é um dos polissacarídeos
    altamente hidratados,
  • 5:17 - 5:21
    e naturalmente carregados
    que vivem no nosso corpo.
  • 5:21 - 5:26
    Ela cria uma nuvem de moléculas
    de água ao redor da nanopartícula
  • 5:26 - 5:29
    que nos dá um efeito
    de capa de invisibilidade.
  • 5:30 - 5:33
    Essa capa de invisibilidade
    permite a nanopartícula
  • 5:33 - 5:35
    viajar pelo sangue
  • 5:35 - 5:37
    pelo tempo e distância suficiente
    para alcançar o tumor,
  • 5:37 - 5:40
    sem ser eliminada pelo corpo.
  • 5:40 - 5:44
    Segundo, essa camada contém moléculas
  • 5:44 - 5:48
    que se ligam especificamente
    à nossa célula do tumor.
  • 5:48 - 5:53
    Uma vez ligadas, a célula
    do câncer aceita a nanopartícula,
  • 5:53 - 5:57
    e agora temos nossa nanopartícula
    dentro da célula do câncer
  • 5:57 - 5:59
    e pronta para o combate.
  • 5:59 - 6:02
    Isso aí! Eu sinto o mesmo
    que vocês. Vamos lá!
  • 6:02 - 6:04
    (Aplausos)
  • 6:08 - 6:11
    A siRNA entra em ação primeiro
  • 6:12 - 6:14
    Ela age por horas,
  • 6:14 - 6:19
    dando tempo suficiente para silenciar
    e bloquear os genes sobreviventes.
  • 6:19 - 6:24
    Agora nós já desabilitamos
    os superpoderes genéticos.
  • 6:24 - 6:27
    O que resta é uma célula de câncer
    sem defesas especiais.
  • 6:27 - 6:30
    Então, a droga quimioterápica
    sai do núcleo
  • 6:30 - 6:33
    e destrói a célula do tumor
    pura e eficientemente.
  • 6:34 - 6:37
    Com genes bloqueadores suficientes,
  • 6:37 - 6:40
    podemos abordar vários tipos
    de mutações diferentes,
  • 6:40 - 6:42
    permitindo a chance de varrer os tumores,
  • 6:42 - 6:45
    sem deixar para trás quaisquer vilões.
  • 6:45 - 6:48
    Então, como funciona nossa estratégia?
  • 6:50 - 6:54
    Nós testamos essas partículas
    de nanoestrutura em animais
  • 6:54 - 6:57
    usando uma forma muito agressiva
    de câncer de mama triplo-negativo.
  • 6:57 - 7:00
    Esse câncer de mama
    triplo-negativo contém o gene
  • 7:00 - 7:03
    que cospe a droga tão logo ela é entregue.
  • 7:04 - 7:08
    Normalmente, a doxorrubicina,
    vamos chamá-la de "dox",
  • 7:08 - 7:12
    é a droga que se usa primeiro
    no tratamento de câncer de mama.
  • 7:12 - 7:18
    Então, tratamos nossos animais primeiro
    com um núcleo de dox, somente dox.
  • 7:19 - 7:21
    O tumor reduziu sua taxa de crescimento,
  • 7:21 - 7:25
    mas ainda cresceu rapidamente,
    dobrando de tamanho em duas semanas.
  • 7:25 - 7:28
    Então, tentamos nossa
    combinação de superarma.
  • 7:29 - 7:34
    Uma partícula de nanocamada com siRNA
    contra a bomba quimioterápica,
  • 7:34 - 7:37
    e mais, nós temos a dox no núcleo.
  • 7:37 - 7:41
    E veja, descobrimos que os tumores
    não apenas pararam de crescer,
  • 7:41 - 7:44
    eles realmente diminuíram de tamanho
  • 7:44 - 7:46
    e foram eliminados em alguns casos.
  • 7:46 - 7:49
    Os tumores estavam realmente regredindo.
  • 7:49 - 7:52
    (Aplausos)
  • 7:58 - 8:02
    O que é ótimo nessa abordagem
    é que pode ser personalizada.
  • 8:02 - 8:05
    Podemos adicionar várias
    camadas diferentes de siRNA
  • 8:05 - 8:08
    para abordar diferentes mutações
    e mecanismos de defesa do tumor.
  • 8:08 - 8:11
    E podemos colocar drogas variadas
    no núcleo da nanopartícula.
  • 8:12 - 8:15
    Uma vez que os médicos aprendam
    como testar os pacientes
  • 8:15 - 8:19
    e entendam certos tipos
    genéticos de tumor,
  • 8:19 - 8:23
    podem ajudar a determinar quais pacientes
    podem se beneficiar dessa estratégia
  • 8:23 - 8:25
    e quais bloqueadores
    de genes podemos usar.
  • 8:26 - 8:29
    O câncer de ovário mexe comigo
    de uma maneira especial.
  • 8:29 - 8:31
    É um câncer muito agressivo,
  • 8:31 - 8:34
    em parte porque é descoberto
    em fases muito avançadas,
  • 8:34 - 8:36
    quando está bem desenvolvido
  • 8:36 - 8:38
    e há um número grande
    de mutações genéticas.
  • 8:39 - 8:42
    Depois da primeira rodada
    de quimioterapia,
  • 8:42 - 8:46
    esse câncer volta em 75% dos pacientes.
  • 8:46 - 8:49
    E normalmente reaparece
    numa forma resistente à droga.
  • 8:50 - 8:52
    O câncer de ovário de alto grau
  • 8:52 - 8:54
    é um dos maiores supervilões por aí.
  • 8:54 - 8:59
    E agora estamos apontando
    nossa superarma para vencê-lo.
  • 8:59 - 9:01
    Como pesquisadora,
  • 9:01 - 9:04
    normalmente não trabalho com pacientes.
  • 9:04 - 9:07
    Mas recentemente conheci uma mãe
  • 9:07 - 9:12
    que é uma sobrevivente de câncer
    de ovário, Mimi, e sua filha, Paige.
  • 9:12 - 9:16
    Fui profundamente inspirada
    pelo otimismo e força
  • 9:16 - 9:18
    que mãe e filha mostraram
  • 9:19 - 9:22
    e pela história delas de coragem e apoio.
  • 9:23 - 9:27
    Naquele evento, falamos
    sobre as diferentes tecnologias
  • 9:27 - 9:28
    direcionadas ao câncer.
  • 9:28 - 9:30
    E Mimi estava chorando
  • 9:30 - 9:33
    enquanto explicava como aprender
    sobre esses esforços
  • 9:33 - 9:35
    dava a ela esperança
    para as gerações futuras,
  • 9:35 - 9:37
    incluindo sua própria filha.
  • 9:37 - 9:39
    Isso realmente me tocou.
  • 9:39 - 9:43
    Não se trata apenas de construir
    uma ciência realmente elegante.
  • 9:43 - 9:46
    Trata-se de mudar as vidas das pessoas.
  • 9:46 - 9:50
    É sobre entender o poder da engenharia
  • 9:50 - 9:51
    na escala das moléculas.
  • 9:51 - 9:56
    Uma vez que estudantes como Paige
    avancem em suas carreiras,
  • 9:56 - 9:57
    abrirão novas possibilidades
  • 9:57 - 10:00
    de enfrentar alguns dos grandes
    problemas de saúde do mundo,
  • 10:00 - 10:05
    incluindo câncer de ovário, desordens
    neurológicas, doenças contagiosas,
  • 10:06 - 10:10
    assim como a engenharia química achou
    uma forma de abrir portas para mim,
  • 10:10 - 10:13
    e tem provido uma forma de engenharia
  • 10:13 - 10:17
    na menor das escalas,
    no nível das moléculas,
  • 10:17 - 10:19
    para curar na escala humana.
  • 10:19 - 10:21
    Obrigada.
  • 10:21 - 10:23
    (Aplausos)
Title:
Uma nova superarma na luta contra o câncer
Speaker:
Paula Hammond
Description:

O câncer é uma doença muito inteligente e adaptável. Para derrotá-lo, diz a pesquisadora médica e educadora Paula Hammond, nós precisamos de um novo e poderoso modo de ataque. Com seus colegas no MIT, Hammond construiu uma nanopartícula 100 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano que pode tratar os cânceres mais agressivos e resistentes às drogas. Saiba mais sobre essa superarma molecular e junte-se à missão da Hammond para combater uma doença que afeta a todos nós.

more » « less
Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
10:42

Portuguese, Brazilian subtitles

Revisions