Portuguese subtitrai

← MAVEN, a Missão a Marte e Chris Impey, autor de "Dreams of Other Worlds" | Scientific American | Encontro 7

Get Embed Code
12 Languages

Showing Revision 13 created 11/05/2020 by pilarduenas.

  1. Olá a todos! Sou Joanne Manaster,
    uma bloguista do Scientific American
  2. e gostava que dessem as boas-vindas
    a esta conversa do Scientific American
  3. que estamos a transmitir
  4. na sequência da conferência de imprensa
    da NASA, de ontem,
  5. sobre MAVEN, o orbitador espacial
    da NASA que deve ser lançado
  6. em meados de novembro,
    com destino a Marte
  7. para observar a atmosfera
    não existente de Marte
  8. e questionar, para onde foi ela?
  9. Hoje, estou acompanhada
    por dois convidados especiais
  10. que nos podem esclarecer
  11. sobre o que se passa com o orbitador
  12. e sobre a exploração espacial, em geral,
    sem tripulação, ou seja, robótica.
  13. Primeiro, queria apresentar-vos
    um cientista espacial da NASA,
  14. um dos cientistas do MAVEN,
  15. Nick Schneider, da Universidade
    do Colorado, em Boulder.
  16. Está no Laboratório
    da Física Atmosférica e Espacial.
  17. É um nome e tanto!
  18. É um dos membros da equipa científica
  19. — acho que vou passar à frente.
  20. É professor associado
    no Departamento das Ciências
  21. Astrofísicas e Planetárias
    na Universidade do Colorado.
  22. Fez o doutoramento em Ciências Planetárias
    na Universidade do Arizona.
  23. Na sua investigação,
  24. interessa-se pelas atmosferas planetárias
    e por astronomia planetária
  25. com especial atenção para
    o estranho caso de Io, a lua de Júpiter.
  26. Também lidera o Espetrógrafo
    de Imagiologia Ultravioletas
  27. na próxima missão do MAVEN a Marte.
  28. Gosta de ensinar, a todos os níveis
  29. e édesenvolve grande atividade
  30. para melhorar o ensino de astronomia
    nas universidades.
  31. Apoio isso totalmente.
  32. Fora do trabalho, gosta de explorar
    as redondezas com a família
  33. e descobrir como funcionam as coisas.
  34. Tenho aqui uma coisa
  35. que gostava de mostrar,
    uma coisa que Nick fez.
  36. É um dos autores deste livro
  37. que, segundo ouvi, já vai
    na 7.ª edição.
  38. Nick Schneider: É verdade.
  39. JM: The Cosmic Perspective.
  40. É um manual
    para principiantes de astronomia.
  41. NS: Exato.
  42. JM: Bem-vindo, Nick.
    Agora vou apresentar Chris.
  43. Chris Impey é professor
    universitário honorário
  44. na Universidade do Arizona,
  45. portanto, vocês têm uma ligação.
  46. É subdiretor do Departamento de Astronomia.
  47. Na sua investigação,
  48. interessa-se por cosmologia observacional,
    quasares e galáxias distantes.
  49. Escreveu 160 artigos de investigação
    e dois manuais de astrronomia
  50. mas ouvi dizer
    que estão "online", é verdade?
  51. Chris Impey: É, o que foi adaptado
  52. chama-se Teach Astronomy,
    está online e é gratuito.
  53. Ótimo. Já ganhou 11 prémios de ensino.
  54. Trabalhou como Professor honorário
    na Fundação Nacional de Ciências
  55. como Professor visitante Phi Beta Kapa
  56. e como Professor do Ano
    do Conselho de Carnegie.
  57. Foi vice-presidente
    da Sociedade Americana Astronómica
  58. e é membro dessa mesma sociedade.
  59. Tem quatro livros populares,
    quer dizer, já são cinco:
  60. The Living Cosmos,
    How it Ends, Talking About Life,
  61. e aqule a que nos vamos referir hoje,
  62. chamado Dreams of Other Worlds
  63. que é a Amazing Story
    of Unmanned Space Exploration
    .
  64. Bem-vindo, Chris.
  65. CI: Obrigado.
  66. JM: É muito bom ter-vos aqui aos dois.
  67. Antes de prosseguirmos
  68. vamos às notícias do espaço,
    de hoje,
  69. o coronel Chris Hatfield,
    da Agência Espacial Canadiana,
  70. que esteve no ISS
    e regressou há pouco tempo,
  71. como sabemos, teve grande impacto
    nas redes sociais
  72. com as suas imagens, as suas canções
  73. e os seus vídeos, explicando a sua música.
  74. Publicou um livro
    — saiu hoje —
  75. Se ainda não o têm,
    se ainda não ouviram falar nele,
  76. chama-se An Astronaut's Guide
    to Life on Earth: What Going to Space
  77. Taught Me About Ingenuity, Determination,
    and Being Prepared for Anything
    .
  78. Aqui, no Scientific American,
  79. vamos tê-lo como convidado
    no dia 14 de novembro, ao meio-dia.
  80. Portanto, marquem no calendário
    e juntem-se a nós, se puderem.
  81. Falemos agora um pouco sobre o MAVEN,
  82. antes de falarmos
  83. sobre a exploração espacial
    não tripulada, em geral
  84. ou seja, na exploração espacial robótica,
    em geral.
  85. Há imenso interesse,
    por isso podemos falar dos pormenores?
  86. Quando é que está previsto o lançamento?
  87. NS: O lançamento do MAVEN está previsto
    para a tarde de 18 de novembro.
  88. Há um período curto
    todas as tardes,
  89. durante umas semanas,
  90. em que todos os planetas
    estão alinhados,
  91. porque temos que ter a Terra
    na posição certa, em relação a Marte,
  92. e a rotação certa da Terra
  93. para que a nave espacial
    chegue a Marte a tempo.
  94. Se quiserem conhecer
    uma pessoa cuja vida
  95. é controlada pelas posições dos planetas
  96. são todas as pessoas que tentam lançar
    uma nave espacial para outro planeta.
  97. JM: Mas nós não.
  98. O que está no papel
    não tem qualquer importância.
  99. Na verdade, há vários dias,
  100. por isso, temos uma janela
    de vários dias, durante essa altura.
  101. NS: Certo, são umas semanas
    e o importante é que,
  102. se os planetas se desalinham, é preciso
    um pouquinho mais de combustível.
  103. E o combustível é precioso,
    é a nossa possibilidade de manobrar
  104. quando chegamos a Marte,
  105. por isso queremos lançar
    naquele local ideal,
  106. mesmo nessa janela.
  107. JM: É fantástico.
  108. Estou entusiasmada, porque
    vou assistir ao lançamento.
  109. O único lançamento a que assisti
  110. foi o último lançamento
    do vaivem espacial.
  111. Estou feliz por ir ver este.
  112. Estou ansiosa por observar
    uma partida do Atlis-5.
  113. NS: Eu também.
  114. JM: Estou mesmo entusiasmada
    com isso.
  115. Portanto, na medida em que...
  116. Para os que não assistiram ontem
    à conferência de imprensa,
  117. o que é que o MAVEN fai fazer?
  118. NS: Tenho muito gosto em explicar isso.
  119. Tenho a certeza de que
  120. os membros do ???
    vão familiarizar-se bastante
  121. com as bases de Marte.
  122. Há cem anos ou mais
  123. quem quer que olhasse
    para Marte, com um telescópio,
  124. ficava a pensar o que se passaria
    com a mudança das estações.
  125. Havia a suspeita
    de que havia vida em Marte,
  126. havia água em Marte,
  127. mas, na altura em que a primeira
    sonda da NASA chegou a Marte,
  128. descobriu-se, pelo contrário,
  129. que a atmosfera está reduzida a nada,
  130. não há água a correr,
  131. nem vestígios de água abundante
    à superfície.
  132. É um planeta muito frio
  133. um planeta muito seco.
  134. No entanto, olhamos para estas imagens
  135. e o que vemos a partir da nave espacial
  136. são leitos de rios secos
  137. deltas de rios enchendo crateras.
  138. Deve ter havido um ambiente
    mais quente, mais húmido,
  139. há milhares de milhões de anos.
  140. A única forma de isso ter sido possível
  141. é por ter havido um enorme
    efeito de gases de estufa
  142. com muito mais atmosfera.
  143. A suposição mais generalizada
  144. é que Marte perdeu
    80, 90, 99% da atmosfera
  145. há mihares de milhões de anos.
  146. Sempre pensámos que a atmosfera de Marte
  147. podia ter-se combinado com a superfície.
  148. É como aparece o calcário na Terra.
  149. É dióxido de carbono
    sugado para a superfície.
  150. Mas as missões enviadas a Marte
    até agora
  151. não encontram indícios suficientes
  152. de que a atmosfera se tenha
    combinado com a superfície.
  153. Portanto, resta-nos a outra possibilidade
  154. de que a atmosfera se tenha
    escapado para o espaço.
  155. É isso que o MAVEN vai verificar.
  156. Será possível
  157. que, no meio de tantos processos,
  158. consigamos perceber que o ritmo
    de fuga da atmosfera para o espaço
  159. seja suficientemente grande
    para explicar
  160. para onde foi quase toda
    a atmosfera original de Marte?
  161. Se quiserem, posso entrar
    em mais pormenores
  162. sobre como fazemos essas medidas,
  163. mas queria que ficassem
    com esta ideia básica
  164. sobre o que o MAVEN vai fazer.
  165. JM: Isso é interessante.
  166. Uma parte do meu interesse por isto
  167. é que fui convidada para ir
    a um workshop New Media
  168. na Universidade do Colorado
  169. e ouvir os cientistas a falar
  170. do que o MAVEN vai fazer.
  171. Por isso, fico contente
    em prosseguir com este encontro
  172. para a audiência do Scientific American.
  173. Uma das coisas que me interessa é:
  174. Porque é que não enviámos
    uma sonda a Vénus?
  175. Enviámos sondas a vários locais
    à procura da atmosfera,
  176. Mas, porque não Vénus?
  177. Quer dizer, é tão óbvio,
    está tão perto, mas...
  178. Vou pedir a Chris,
  179. que nos dê a sua opinião
    porque acabou de escrever um livro
  180. sobre quase todas as naves de exploração,
    sem tripulação,
  181. que foram enviadas
  182. CI: Penso que o problema
    com a ciência planetária
  183. é que há tantas boas ideias a explorar
  184. e tão poucos novos começos
    possíveis no orçamento.
  185. Não podemos fazer tudo.
  186. Eu estive no Laboratório
    de Propulsão a Jato,
  187. a fazer palestras
    para os engenheiros de lá,
  188. e um deles era o chefe
    de uma missão a Vénus,
  189. uma sonda para Vénus
  190. que foi desafetada na fase final.
  191. Quando chegou à fase final,
    não foi para a frente.
  192. Era realmente um problema
  193. porque Vénus é um local
    muito desagradável
  194. e eles tinham uma missão
    que ia aterrar lá,
  195. recolher dados durante dez dias
  196. antes de ficar assada e morrer.
  197. Iam aprender imensas coisas sobre Vénus.
  198. Está a ver, há missões
  199. que estão na prateleira
  200. de pessoas da NASA
    e de pessoas que trabalham com a NASA
  201. a fazer tudo o que se possa imaginar,
  202. quer seja o Hydrobot,
  203. a fusão das calotas polares,
    a procura de vida,
  204. ou voltar a Titã com dirigíveis
  205. e recolher amostras de todos os lagos
  206. ou os conceitos mais avançados de Marte,
  207. que procuram vida
  208. perfurando o que julgamos ser
    aquíferos sbterrâneos.
  209. Há esses conceitos todos
  210. e não há dinheiro suficiente
    para a maior parte deles.
  211. JM: Pois é.
  212. Com o número de coisas
    que enviámos
  213. já aprendemos imenso
  214. Parece uma infinidade
    aquilo que podemos aprender
  215. se pudéssemos realizar
    todos os sonhos de exploradores.
  216. Mas, antes de voltarmos
    à atmosfera de Marte e ao MAVEN,
  217. estava interessada em saber uma coisa.
  218. Quando referi ao meu editor
  219. — eu queria falar deste livro
    e dessa coisa do MAVEN —
  220. que o subtítulo é The Amazing Story of
    Unmanned Space Exploration
  221. fui imediatamente confrontada com:
  222. "Oh, esse não é o termo correto,
  223. "não é politicamente correto
  224. "usar a palavra unmanned".
  225. E queria perguntar-lhe.
  226. Quer explicar porque é que escolheu
    unmanned em vez de robotic
  227. apesar de unmanned
    poder preocupar as pessoas?
  228. CI: Sinceramente,
    foi uma decisão do editor.
  229. Eles é que publicam o livro
    e têm o voto final nessa matéria.
  230. Concordo que robotic
    teria sido uma escolha melhor.
  231. E tivemos que ter em consideração
    as diversas línguas.
  232. Repare na evolução
    da famosa frase do Star Trek:
  233. "onde nenhum homem já esteve"
    para "onde nunca ninguém esteve".
  234. Foi uma evolução adequada e apropriada
  235. de algumas dessas frases icónicas.
  236. JM: Então, concordam os dois
    que robótico, provavelmente,
  237. é um termo melhor,
    ou um termo perfeito
  238. ou ainda haverá um termo melhor?
  239. "porque enviámos os telescópios...?"
  240. Quando penso em "robótico"
  241. penso em muitos braços articulados
  242. e coisas que agarram em coisas,
    para as trazerem para análise,
  243. e penso menos em equipamento
    analítico ou ótico.
  244. Mas acho que a minha expansão de "robótica"
    pode precisar de ser alargada
  245. NS: Eu uso exploração robótica.
  246. CI: São coisas muito diferentes.
  247. Telescópios em órbita
    ou telescópios no LaGrange Point
  248. são a tecnologia que usamos
    na Terra, para observar,
  249. transplantada para o espaço,
  250. Observamos da Terra, à distância.
  251. Já não preciso de ir ao Chile ou a Havaí,
  252. porque posso observar à distância,
    do meu gabinete.
  253. Mas penso que robótica é apropriado
  254. para as missões planetárias
  255. porque são literalmente
    como extensões sensíveis.
  256. São os nossos olhos e os nossos ouvidos
  257. num outro mundo e, com frequência,
    usamo-los desse modo.
  258. JM: Gostava que Chris
  259. nos fizesse uma história
    da exploração robótica em Marte
  260. e depois voltamos atrás e falamos
    um pouco mais sobre a missão MAVEN.
  261. Volte a pensar no seu livro,
    naquilo de que falou.
  262. Os diversos exploradores
    que foram a Marte
  263. e aquilo que realizaram.
  264. Talvez os seus revezes
  265. e como estamos a melhorar isso.
  266. CI: Certo, o que me
    interessava nesse livro
  267. é que penso que algumas pessoas
  268. subavaliam até que ponto
    essas tecnologias são fantásticas.
  269. Pondo de parte Marte, por instantes,
  270. a sonda Huygens aterrou num mundo
  271. quase a dois mil milhões
    de quilómetros de distância
  272. e depois inspecionou-o
    e descobriu que ele tem
  273. lagos bizarros, parecidos com os da Terra,
  274. e um clima e criovulcanismo
    e todas essas coisas fixes.
  275. É uma realização espantosa!
  276. Recuando até ao início,
  277. as missões Viking, já há muito esquecidas
  278. — a maior parte dos americanos
    ainda não tinham nascido,
  279. quando essas missões foram concebidas.
  280. Era uma tecnologia dos anos 60.
  281. Pensem nos computadores
    e na eletrónica dessa época.
  282. Esses dois módulos e dois orbitadores
  283. fizeram coisas espantosas.
  284. Fizeram experiências de deteção de vida
  285. que ainda não foram ultrapassadas
  286. e uma das quais, pelo menos,
    levou a um resultado ambíguo.
  287. As missões Viking
    foram missões fantásticas
  288. para a época, há 40 anos,
  289. e nós só continuámos
    a progressão com os rovers.
  290. Depois, a NASA passou para o
    mecanismo de aterragem com o bouncing bag
  291. que é mais seguro, mais suave.
  292. Aumentou enormemente
    o grau de dificudade
  293. com o Curiosity e o Skycrane.
  294. De novo, tecnologias espantosas,
  295. um risco enorme
  296. e uma enorme recompensa
    e atividades muito compensadoras.
  297. Este tipo de missões
    empurram a nossa tecnologia.
  298. Um geólogo dir-vos-á
  299. que não há outra forma
    de trazer rochas de Marte.
  300. Na Terra podemos examiná-las,
    molécula a molécula.
  301. Mas aquilo que podemos comprimir
  302. numa coisa que podemos lançar
    e que sobreviverá à viagem
  303. e ao lançamento e à entrada em Marte,
  304. continua a ser uma tecnologia espantosa.
  305. Os instrumentos do Curiosity, por exemplo,
  306. são uma inovação
  307. para tudo o que fazemos em tecnologia
  308. quando concebemos este tipo de missões.
  309. NS: Pois é, Chris, se me dás licença,
  310. acrescento uma coisa àquilo
    que estás a dizer
  311. sobre alta tecnonogia,
    alto rendimento, enorme capacidade.
  312. Há uma parte da mensagem
    que, por vezes, se perde,
  313. é que isto também é de custo baixo.
  314. Se pensarmos em cada imagem
  315. produzida pela nave Casini
  316. ou em cada rocha apanhada
    por um veículo em Marte
  317. a soma total de toda
    esta exploração robótica
  318. é menos de metade
    do orçamento da NASA,
  319. é uma pequena fração.
  320. Pôr seres humanos no espaço
  321. por mais dramático
    e futurista que seja,
  322. e por mais que eu também goste disso,
  323. é muito mais dispendioso.
  324. O que podemos fazer com robôs,
  325. dado que é muito mais económico,
  326. podemos ir a todo o lado
    e podemos lá ir, agora.
  327. Foi de facto a prontidão
    da exploração robótica
  328. e a nossa presença insinuante no espaço
  329. que a torna um tema irresistível para mim.
  330. CI: E, claro, essa vantagem
    vai continuar a aumentar,
  331. porque as missões robóticas
  332. vão passar a ser mais miniaturizadas
  333. Vão beneficiar da Lei de Moore
  334. e vai ser sempre mais traiçoeiro
    e mais difícil
  335. sustentar seres humanos no espaço.
  336. O espaço não é um local natural
    para os seres humanos.
  337. Estamos a afundar-nos num enorme debate
  338. que ocorre em diversas comunidades
  339. sobre o homem contra o não-homem
    ou o humano contra o não-humano,
  340. ou seja, a robótica.
  341. Mas não tem que ser
    uma coisa contra a outra.
  342. Vamos falar com Chris Hatfield
  343. e, quando os astronautas
    como ele ou John Grunsfeld
  344. — que já tivemos aqui
    uma série de vezes
  345. e que é um herói —
  346. entra no auditório
    e recebe uma ovação de pé
  347. de 200 astrónomos,
  348. o tipo que consertou Hubble três vezes.
  349. Também não há substituto para isso.
  350. Mas é dispendioso
  351. O lançamento do vaivém espacial
    custou quinhentos milhões de dólares
  352. e uns lançamentos de vaivéns
  353. pagam uma sonda planetária estupenda

  354. portanto, é muito compensador.
  355. JM: Gostei muito
    da sua recapitulação do Hubble,
  356. todo o Hubble, a construção,
    o lançamento e a reparação
  357. no seu livro.
  358. Vale a pena visitar o livro
    só por isso.
  359. Mas gostei mesmo da forma como o contou.
  360. O que eu queria dizer
  361. agora que Chris falou
    das diversas sondas
  362. que enviamos.
  363. Claro que sabemos que acabamos
    de ter uma suspensão governamental
  364. e provavelmente isso pôs
    os homens do MAVEN a transpirar muito
  365. Mas vocês conseguiram uma prorrogação
  366. e permitiram-vos continuar o trabalho.
  367. Querem explicar porque é
    que vos permitiram essa exceção?
  368. - Claro.
    - Mas à NAH não?
  369. NS: O projeto MAVEN esteve parado
  370. durante uns dias
  371. de acordo com a suspensão governamental.
  372. Estávamos todos muito nervosos
    e frustrados com isso.
  373. Esta missão está pronta para avançar
  374. e contém ótima ciência.
  375. Mas de acordo com os termos da suspensão,
  376. isso não é suficiente
    para obter a exceção.
  377. Apesar do facto de que falhar
    a janela de lançamento que referi
  378. e ficar à espera, num armazém
    refrigerado, durante uns anos,
  379. pela próxima oportunidade, iria custar
    umas centenas de milhões de dólares
  380. mesmo assim, não era suficiente.
  381. O que foi importante
    foi o facto de que o MAVEN
  382. contém uma capacidade de ligação
    para transmissão por rádio
  383. com os veículos à superfície
  384. e, por isso, nestas missões em curso
  385. precisamos de preservar
    a capacidade de comunicações.
  386. Foi essa a justificação principal
    para o MAVEN conseguir
  387. a exceção para a suspensão.
  388. Há alguns satélites à volta de Marte
  389. que conseguem realizar
    essa função de transmissão
  390. mas estão a ficar um pouco antiquados
  391. e precisamos de garantir que o MAVEN
    chegará lá nesta janela de lançamento
  392. para conseguir cumprir
    essa função necessária.
  393. Esperamos que outras missões sobrevivam
  394. mas a última coisa que queremos
  395. é que o Curiosity, à superficie,
    faça descobertas importantes
  396. e não haja possibilidade de os dados
    serem transmitidos para a Terra.
  397. Foi isso que pôs o MAVEN
    outra vez no trilho.
  398. Estamos preparados
    para o lançamento a 18 de novembro.
  399. Eu disse 18 de novembro?
  400. JM: Disse.
  401. CI: Não resisto a comentar isso.
  402. Estávamos a falar de como é
    a alta tecnologia da exploração espacial.
  403. Uma das áreas em que está de facto
    atrás da curva é a comunicação.
  404. Provavelmente, alguns
    dos espetadores sabem
  405. que Vincent Serf, que é
    o arquiteto da Internet original,
  406. está hoje a trabalhar com a NASA
    numa Internet interplanetária
  407. porque há grandes problemas
  408. na operação da Internet,
    para além da Terra
  409. porque temos missões com tempos
    de transmissão de muitas horas
  410. que têm que andar à procura
    de endereços IP
  411. e têm que se pendurar
  412. na manta de retalhos que é a Internet
  413. e nos protocolos que existem.
  414. Neste momento, não há forma
    de fazer isso.
  415. Por isso, temos que conceber
    uma arquitetura totalmente nova
  416. para a Internet interplanetária
  417. de que dependerão
    todas estas missões espaciais.
  418. JM: Isso é muito interessante.
  419. CI: Já foi experimentada pela missão
    que acaba de ir à Lua.
  420. JM: Bellary.
  421. CI: Bellary tem estado a ser pioneira
  422. nalguns dos primeiros protocolos
    de transmissão com esta nova Internet,
  423. um protocolo para exploração planetária...
  424. JM: Então, também está incluída no MAVEN?
  425. NS: Não, não temos
    essa tecnologia avançada.
  426. JM: Vocês têm uma imagem
    do MAVEN aí atrás
  427. e também têm um modelo.
  428. Porque é que não aproveitam isso
    e explicam
  429. o que é que se vai passar,
  430. para as pessoas terem...
  431. Porque, toda a gente tem uma ideia
  432. do que é o Curiosity, não é?
  433. Porque estão sempre
    a aparecer imagens
  434. dos veículos na Internet
    e tudo isso.
  435. Penso que podíamos ter uma ideia
    do aspeto de um orbitador deste tipo
  436. e do que ele vai fazer.
  437. NS: Claro, e ainda bem que realçou
    a palavra "orbitador".
  438. Esta nave espacial
    não vai aterrar na superfície.
  439. Vai orbitar o planeta
    vezes sem conta
  440. de cinco em cinco horas,
    mais ou menos,
  441. estudando as diferentes formas
  442. de como a atmosfera
    pode escapar-se no espaço
  443. e quais são as propriedades
    da atmosfera,
  444. lá em cima, na atmosfera.
  445. Para vos fazer uma visita guiada,
  446. isto é um modelo à escala 1/30.
  447. Portanto, a nave espacial MAVEN
  448. de ponta a ponta, tem o tamanho
    aproximado de um autocarro escolar.
  449. Tudo o que vemos aqui
  450. todas estas asas,
    são os dispositivos solares.
  451. Obtemos energia solar suficiente
  452. para alimentar todos os instrumentos
    todas a eletrónica controlada.
  453. Aqui é onde guardamos os explosivos.
  454. Este é o combustível que disparamos
  455. quando entramos na órbita de Marte.
  456. Tem que abrandar
    toda a energia em excesso
  457. com que lá chegamos.
  458. As ponteiras dos foguetões estão aqui.
  459. Esta é a antena de transmissão
  460. pela qual enviamos os dados
    para a Terra
  461. e também os dados dos rovers
  462. quando eles precisarem
    que realizemos essa função.
  463. Quando falamos de exploração robótica,
  464. podemos fizer que os seres humanos
  465. têm cinco sentidos.
  466. Devo dizer que uma nave espacial
    pode ter dezenas
  467. ou podemos escolher entre dezenas
    de diferentes tipos de sentidos,
  468. quando estamos a conceber
    um explorador robótico.
  469. Christ já referiu que os robôs
  470. podem ser os olhos e os ouvidos.
    Essas analogias são muito boas.
  471. Por exemplo, vemos
    que temos aqui estas antenas
  472. e temos aqui estes aparelhos.
  473. São como os ouvidos da nave espacial,
  474. que escutam os campos
    magnético e elétrico
  475. à medida que eles se alteram
  476. na vizinhança da nave espacial.
  477. Uma das coisas que esta nave espacial faz
  478. é que voa pela atmosfera.
  479. Voa desta forma.
  480. É por isso que os painéis solares
    têm este ângulo.
  481. Quando voa pela atmosfera,
  482. temos uma série de instrumentos
  483. que "cheiram" ou "saboreiam" a atmosfera.
  484. Partícula a partícula, veem
    de que é feita a atmosfera
  485. e mesmo qual a velocidade
    a que essas partículas se movem
  486. e se elas se escapam.
  487. O meu bebé é este instrumento aqui.
  488. É o Espetrógrafo de Imagens Ultravioletas
  489. São os olhos do MAVEN.
  490. Talvez não saibam,
  491. mas todas as atmosferas no sistema solar
  492. brilham loucamente sob os ultravioletas.
  493. Temos este instrumento
    que pode separar o espetro
  494. e ver a quantidade de dióxido de carbono,
  495. a quantidade de hidrogénio,
    a quantidade de oxigénio,
  496. todos esses ingredientes diferentes
  497. como estão distribuídos
    pela atmosfera
  498. e, mais uma vez, a hipótese
    de eles se escaparem.
  499. Esta nave espacial está concebida
    de modo perfeito
  500. com todos os instrumentos
    que são necessários
  501. para detetar as diferentes formas
  502. de os átomos e as moléculas
    da atmosfera de Marte
  503. se escaparem para o espaço.
  504. Esqueci-me de aguma coisa?
    Têm algumas perguntas?
  505. JM: Quando disse que ele
    vai atravessar a atmosfera,
  506. quer dizer que isso é na direção do planeta
    ou a afastar-se do planeta?
  507. Porque há alguns mergulhos
  508. que vão fazer, conforme planeado.
  509. NS; Tem razão.
  510. Vou buscar a minha outra proposta.
  511. JM: Que não está à escala.
  512. NS: Não tenho mãos que cheguem
    para fazer isto como deve ser,
  513. Mas, para manter as coisas em perspetiva,
  514. lembrem-se que a atmosfera
    de um planeta
  515. é muito delgada, à escala do planeta.
  516. Marte é muito mais pequeno
    do que a Terra.
  517. É maior do que a Lua,
    é um planeta de tamanho intermédio.
  518. A atmosfera tem cerca
    de 100 ou 200 km, aqui em baixo
  519. Esta nave espacial está concebida
  520. para cair de altas altitudes aqui
  521. e voar através das camadas superiores,
  522. onde a resistência do ar
    é bastante significativa,
  523. e depois voltar a afastar-se.
  524. Vamos poder captar
    imagens do planeta aqui de cima
  525. e depois aqui de baixo.
  526. E, de vez em quando,
    mudamos de órbita,
  527. de modo que entramos na atmosfera
    cada vez mais profundamente.
  528. Continua a ser muito mais distante
    do que o local onde os aviões voam,
  529. em termos de densidade
    na atmosfera da Terra
  530. mas é uma região de grande interesse
  531. quanto às camadas superiores da atmosfera
  532. onde os gases começam a escapar-se.
  533. Por isso chamamos-lhes
    mergulhos profundos.
  534. Apesar disso...
  535. não direi que é de pôr os cabelos em pé,
  536. mas é inquietante pensar que
  537. em cada órbita em que penetramos
    profundamente na atmosfera
  538. há um pouco de fricção
    e voltamos a sair.
  539. É por isso que precisamos
    de ter combustível,
  540. para continuar a afinar a órbita
  541. e não mergulhar mais do que é preciso,
    para, cientificamente...
  542. JM: Então, quanto tempo é que
  543. o MAVEN, esse projeto científico,
    irá durar?
  544. E agora dirijo-me a Chris
    quanto à longevidade das coisas,
  545. porque as coisas têm durado mais
    do que julgávamos.
  546. O vosso projeto está destinado
    a durar quanto tempo?
  547. Vocês vão recolher dados oficialmente?
  548. CI: A principal missão do MAVEN é...
  549. NS: a duração de um ano na Terra.
  550. Tínhamos esperança de podermos
    introduzir, em letras pequeninas,
  551. a mudança de um ano da Terra
    para um ano de Marte,
  552. mas acontece que ainda estão
    a estudar isso.
  553. Mas um ano da Terra para nós é suficiente
  554. para recolher amostras de todas
    as situações diferentes da atmosfera,
  555. especialmente, como a atmosfera
    reage quando o sol entra em atividade.
  556. De certeza que os espetadores
    conhecem a atividade solar
  557. e a forma como o sol cospe
    fotões energéticos extra,
  558. partículas energéticas.
  559. São esses os processos que podem
    prejudicar a atmosfera de Marte.
  560. Queremos estudar como a atmosfera
    se comporta nessas situações
  561. e poderemos ver isso
    na nossa missão principal
  562. no espaço de um ano da Terra.
  563. JM: Então, espera-se que haja
    uma grande atividade solar, não é?
  564. É essa a preocupação
    quando vocês lá chegarem,
  565. se estou a pensar corretamente.
  566. NS: O sol é imprevisível.
  567. Não sabemos o que o sol
    vai fazer, quando lá chegarmos.
  568. Deve estar a pensar no cometa
    que chega a Marte
  569. por volta da mesma altura
    em que nós chegamos.
  570. JM: Pode ser nisso que estou a pensar...
  571. NS: Há sempre qualquer coisa
    a ocorrer no nosso sistema solar.
  572. JM: Mas vocês não vão fazer
    quaisquer tipo de leituras no cometa
  573. a não ser que isso afete
    a atmosfera, não é?
  574. NS: É demasiado cedo para dizer isso.
  575. Vamos manter isso tudo em aberto
    até ao lançamento com sucesso.
  576. Mas preciso de corrigir uma coisa
  577. que eu disse há bocado.
  578. Vamos chegar a Marte
  579. quando o sol está num período
    estatisticamente ativo.
  580. Essa parte estava correta.
  581. Mas se vai haver ou não
  582. uma boa tempestade solar,
    no dia em que lá chegarmos,
  583. seria bom, mas não sabemos.
  584. JM: Não temos a certeza disso.
  585. Essa era uma das coisas
    que queria perguntar a Chris
  586. porque, além do mais,
    esta área sobre que escreveu no livro
  587. sobre exploração espacial sem tripulação
    não é o seu terreno inicial de estudo.
  588. Isto não é o que prefere fazer
    mas interessa-lhe muito.
  589. Foi influenciado por muitas
    conceções das pessoas que conhece,
  590. NS: Pois é, ele escolheu o terreno errado
    quando era novo.
  591. CI: Eu falei com pessoas,
    como a Caroline Porco
  592. e ela disse que é como criar uma criança.
  593. Temos que reservar
    uma época de 18 a 20 anos
  594. para fazer uma coisa como Casini.
  595. Eu sou uma pessoa demasiado impaciente.
  596. Gosto de ir a um grande telescópio,
    recolher dados, escrever um artigo
  597. e acabar tudo num espaço de seis meses.
  598. É por causa desta impaciência
  599. que quero repetir uma coisa
    de que Nick falou.
  600. A trajetória e os mergulhos
    para dentro e para fora da atmosfera
  601. é outro aspeto da espantosa
    mecânica orbital
  602. das pessoas que fazem estas coisas
  603. na parte exterior do sistema solar
    ou noutra parte qualquer.
  604. É uma coisa fantástica!
  605. Casini, no final das suas missões
    do equinócio e do solstício
  606. terá efetuado mais de cem voos.
  607. E, claro, eles vão ser reprogramados
    em tempo real.
  608. Depois de encontrarmos esse ???
    é interessante voltar a apreciá-lo.
  609. Penso que a abordagem mais aproximada
  610. foi a 22 km de Iapetus,
    uma coisa incrível.
  611. São mil milhões de milhas de distância
  612. e estamos a arriscar um hardware
    de muitos milhares de milhões de dólares.
  613. NS: Não esquecer que tudo isto
    foi pré-programado
  614. com semanas ou meses de antecedência
  615. porque não há comunicação
    nos dois sentidos.
  616. Não há ninguém a dirigir o Casini.
  617. RI: Certo. Portanto, são façanhas notáveis
  618. e as pessoas que fazem isto
    devem divertir-se imenso.
  619. Como aquele tipo
  620. que era o vice PI da missão Deep Impact.
  621. Posteriormente, citaram-no
    como tendo dito:
  622. "Não acredito que nos pagam
    para nos divertirmos tanto".
  623. NS: É verdade, de vez em quando
  624. vem alguém ter comigo e diz-me:
  625. "Oh, você é cientista de foguetões?"
  626. e eu sinto-me todo orgulhoso.
  627. Mas há pouco tempo,
    puseram-me no meu lugar
  628. quando me disseram:
  629. "Hum, cientista de foguetões...
  630. "Eu nunca entraria num foguetão
    feito por um cientista".
  631. São realmente os engenheiros de foguetões
    que merecem os créditos,
  632. Nós temos que responder
    às grandes questões,
  633. e é isso que consideramos divertido
  634. mas estamos sempre dependentes
  635. do engenho dos engenheiros de foguetões
  636. e do estupendo trabalho que eles fazem.
  637. JM: Tenho que interromper aqui.
  638. Conheci uma senhora que era engenheira
  639. e ela acabou por escrever
    um livro para crianças
  640. sobre engenheiros,
    o que os engenheiros fazem,
  641. porque o filho de cinco anos
    estava a ver
  642. o lançamento de um vaivém e disse:
  643. "Uau! Olhem o que os cientistas fazem!"
  644. e ela: "E os engenheiros.
  645. "São os engenheiros que fazem
    com que isto aconteça".
  646. São muito importantes,
  647. Não temos neste painel nenhum engenheiro,
  648. Temos dois cientistas...
    bem, três cientistas.
  649. Mas eu não lido com coisas espaciais.
  650. Chris, gostava que falasse rapidamente
    sobre esta coisa que enviamos...
  651. Temos tido algumas coisas
    que pensámos pôr de lado,
  652. mas depois ressuscitaram.
  653. acabaram por funcionar,
  654. mas na maior parte,
    enviamos essas coisas para o espaço
  655. e elas têm uma vida esperada
  656. mas, na maior parte das vezes,
    parece que ultrapassam essa vida.
  657. Se pudesse falar disso
  658. e do que podemos fazer,
    depois de termos tido sorte...
  659. CI: Isso é uma engenharia natural e boa.
  660. Claro que os engenheiros
    gostam de ter grandes margens
  661. e essas margens nem sempre são...
  662. Para uma ponte, por exemplo,
    é um fator de dois ou três
  663. Penso que, no espaço,
    por vezes, ainda é mais,
  664. talvez uma ordem de magnitude.
  665. Obviamente, os rovers gémeos,
  666. o pobre Steve a falar do tempo de Marte,
  667. o pobre Steve Squires
    está em Marte há 10 anos,
  668. e estava previsto ficar lá
    apenas durante três meses.
  669. O facto de o segundo dos seus rovers
    ainda estar a trabalhar
  670. é um exemplo perfeito.
  671. Os Pioneers e os Voyagers que deixam
    as nossas mensagens numa garrafa,
  672. espalhando-as no exterior
    do sistema solar.
  673. Estão a extinguir-se,
    os planos estão reduzidos
  674. a uma fração de um watt
    de energia transmitida,
  675. mas agora temos telescópios
    enormes, como o Arecivo,
  676. para detetar a uma distância
    de milhares de milhões de milhas.
  677. Ed Stone, no Laboratório
    de Propulsão a Jato,
  678. penso que está com 80 anos,
  679. e estas missões estão a sobreviver
    a todos os seus investigadores,
  680. pelo menos, a alguns deles.
  681. E tudo bem, porque ainda
    estão a transmitir dados úteis
  682. e isso é ótimo.
  683. Claro, o problema é o projeto,
    o dinheiro e o financiamento,
  684. que implica um ponto final.
  685. Isso é terrível, quando enfrentamos
    a possibilidade
  686. de ter que desligar uma coisa
    que ainda funciona
  687. ou de nem sequer olhar para os dados
  688. ou deixar de dirigir os instrumentos.
  689. São situações reais porque,
    obviamente,
  690. não podemos arrancar com coisas novas
  691. se não deixarmos de fazer coisas antigas
  692. JM: Vou voltar atrás. Obrigada, Chris.
  693. Vou voltar atrás, a Nick.
  694. O que vão fazer quando
    passar essa marca de um ano?
  695. Vai estar dependente de financiamentos?
  696. Vão manter as comunicações
  697. com os rovers de superfície?
  698. Ou vão juntar-se
    à Agência Espacial Europeia
  699. para projetos futuros?
  700. NS: A única coisa
    que temos como garantida,
  701. depois do primeiro ano,
  702. é que o MAVEN vai manter-se vivo
  703. e a funcionar para servir
    como transmissão para os rovers,
  704. durante tanto tempo quanto possível.
  705. Obviamente, os rovers atuais,
  706. e um outro que vai chegar
    a Marte em 2020.
  707. Agora, se o MAVEN
    também vai fazer ciência ou não
  708. ainda é uma coisa a ver.
  709. Todas as missões da NASA,
  710. seja o Telescópio Espacial Hubble
    ou os rovers ao fim de 90 dias,
  711. passam por um processo muito cuidadoso
  712. em que a equipa diz:
  713. "Se nos derem mais dinheiro,
    podemos fazer esta ciência".
  714. São decisões muito pensadas,
  715. apesar de um orçamento apertado.
  716. Vamos passar por esse processo
    chamado "Revisão Sénior",
  717. provavelmente uns meses antes
    do fim do primeiro ano
  718. e vamos defender o assunto, dizendo:
  719. "Se permitirem que continuemos
    com as medidas,
  720. "esta é a ciência que podemos efetuar.
  721. É uma nave espacial fabulosa.
  722. Tem instrumentos excelentes,
  723. e tenho a certeza que
    defenderemos bem essa causa,
  724. mas estaremos perante
    um grupo de pessoas
  725. que fazem estas escolhas difíceis.
  726. JM: Quantos instrumentos há no MAVEN?
  727. JM: A verdade é que não me lembro,
    são oito ou nove.
  728. Mas são bastantes e alguns deles
    foram concebidos
  729. para medir as ondas e os campos,
  730. Outros foram concebidos
    para as partículas com carga.
  731. Outros para as partículas neutrais.
  732. Procuramos fotões e alguns deles
    têm duas partes, outros têm três.
  733. É por isso que eu não tenho bem a certeza.
  734. Basicamente,
    temos instrumentos suficientes
  735. para que um átomo e uma molécula
  736. não possam escapar-se de Marte
  737. sem termos informação desse processo.
  738. JM: Tomámos nota disso.
  739. Chris, ao ler o seu livro,
  740. fiquei com a sensação
    que a média seria uma dúzia.
  741. Há, pelo menos, uma dúzia
    em cada sonda que enviámos.
  742. Diria que isso é verdade?
    Terei percebido bem?
  743. CI: Sim, muitas das emissões de massa
  744. são hoje como canivetes suíços.
  745. Têm um número enorme
    de instrumentos combinados.
  746. Casini é um exemplo clássico
  747. dessas missões de muitos milhares
    de milhões de dólares.
  748. Hubble é um exemplo,
    grandes observatórios espaciais,
  749. mas a NASA também teve
    um êxito enorme
  750. com missões mais especializadas,
    com um objetivo mais simples.
  751. Os dois exemplos que prefiro
  752. são o Keplar, como disse Bill Burouki,
  753. "é a missão mais aborrecida
    que se possa imaginar".
  754. Está concebida para tirar uma fotografia
    do mesmo ponto do céu,
  755. de seis em seis minutos,
    durante anos,
  756. e é a única coisa que faz.
  757. É ou não uma seca?
  758. E depois, o WMAT, um conceito
    totalmente diferente,
  759. Uma espécie de satélite de micro-ondas
    a observar o Universo
  760. fazendo também apenas
    uma coisa muito simples,
  761. prescrutando o céu, vezes sem conta,
  762. detalhando os erros sistemáticos
    e aleatórios
  763. para fazer um mapa de micro-ondas.
  764. É a única coisa que faz,
    mas é incrível.
  765. Estas duas missões tiveram êxito,
  766. o que custou uma fração
    de mil milhões de dólares,
  767. talvez uns 100 milhões,
  768. o que, claro, não é barato.
  769. Fazem só uma coisa,
    mas terrivelmente bem feita.
  770. Há duas formas de apreciar
    todas estas missões.
  771. JM: Quanto ao MAVEN,
    houve muitas interrogações
  772. quanto ao custo, ontem,
    na conferência de imprensa.
  773. Lembra-se de alguns desses números, Nick?
  774. NS: Não. Não estive presente na última
    parte da conferência de imprensa.
  775. Há de ver que os cientistas
    lembram-se dos números
  776. num fator de dois, mais ou menos.
  777. Mas temos equipas de pessoas.
  778. Os engenheiros são um pouco
    mais rigorosos nisso.
  779. E os orçamentistas ainda mais rigorosos.
  780. Só sei que o MAVEN não lançou o alarme
  781. de ultrapassagem de custos.
  782. Temos um investigador
    que fez umas escolhas difíceis,
  783. em especial logo de início
  784. sobre como vamos conseguir que esta missão
    não ultrapasse o orçamento.
  785. Isto é mesmo... a marca
    daquilo a que chamamos
  786. "missões lideradas por PI"
  787. — missões lideradas
    por um investigador principal —
  788. em que há uma pessoa encarregada
  789. de garantir que as coisas vão funcionar,
  790. fazer ciência e não vão
    ultrapassar o orçamento.
  791. Por isso, o MAVEN vai estar
    na coluna positiva
  792. e estar no ambiente da universidade,
  793. é uma das formas de termos conseguido
    manter os custos controlados,
  794. Temos todo o interesse
  795. em que mais oportunidades como esta
    venham a aparecer no futuro.
  796. CI: Estas coisas são de negociação difícil
  797. porque, por vezes, aparece uma ideia
  798. que queremos introduzir à força
    nos instrumentos,
  799. e nos dá uma nova capacidade,
  800. e temos que nos encaixar
    naquela curva de custos.
  801. Gosto muito deste exemplo,
    muito conhecido:
  802. Os Vikings, inicialmente,
    não incluíam câmaras fotográficas.
  803. Carl Sagan protestou, dizendo:
  804. "Vamos parecer mesmo uns idiotas
  805. "se houver ursos polares em Marte
  806. "e nós não lhes tirarmos fotografias".
  807. Ele estava a gracejar,
    mas deram-lhe razão
  808. e os Vikings tiveram as suas câmaras
  809. e foi a imagem evocativa
    da superfície de Marte
  810. que atraiu a atenção de toda a gente.
  811. Depois, saltando para o Curiosity
  812. — e infelizmente essa foi
    uma tentativa falhada —
  813. James Cameron fez parte desse projeto
  814. e estava à beira de ter um "design"
  815. para uma câmara de vídeo HD,
    para fazer parte do Curiosity.
  816. Não conseguiu fazê-la a tempo
  817. de obter tudo especificado
    e pronto antes do lançamento.
  818. Por isso, o Curiosity ficou
    sem a ligação James Cameron.
  819. Mas é muito importante manter
    em aberto essas possibilidades
  820. mesmo que seja uma decisão difícil
    em termos de orçamento.
  821. NS: A propósito, o MAVEN não tem
    uma câmara de luz visível.
  822. Quando pensamos na tecnologia que há
  823. para o Orbitador
    de Reconhecimento de Marte,
  824. qualquer câmara tem que ser
    melhor do que a anterior.
  825. Com todos aqueles instrumentos
    que temos a bordo,
  826. não conseguimos arranjar
    uma câmara ainda melhor.
  827. Mas vamos enviar imagens e filmes
    muito bons
  828. dos planetas em ultravioletas
  829. e isso será uma nova contribuição.
  830. Mas não tantos megapíxeis,
  831. nem cientificamente importantes.
  832. JM: Estou a usar
    — tenho que me aproximar —
  833. estou a usar um colar
  834. feito por uma miúda
    fascinada com Marte.
  835. É a primeira foto de Marte
    tirada pelo Curiosity.
  836. Ela agarra em imagens icónicas de Marte
  837. que foram tiradas pelo Viking
  838. e transforma-as em joalharia.
  839. Gosto de as usar porque
    sãp pedaços de conversa.
  840. É a minha modesta contribuição
  841. para espalhar o entusiasmo
  842. da exploração do espaço
    ao resto do mundo.
  843. Há uma pergunta que eu gostava de fazer.
  844. Chris, há mais alguma coisa
  845. que gostasse de acrescentar
    a esta conversa
  846. sobre o panorama mais amplo
    da exploração do espaço?
  847. CI: Vou só fazer
    uma previsão para o futuro.
  848. Nós estamos num ponto
    de transição interessante
  849. na exploração espacial
    do sistema solar e para além dele
  850. ou mesmo da astronomia espacial,
  851. em que vemos surgir
  852. uma indústria espacial
    privada nascente,
  853. E ainda bem, porque os EUA
  854. não podem pôr astronautas em órbita.
  855. Depedemos dos russos,
  856. e agora vamos depender
    do setor privado.
  857. Penso que isso vai começar
    a passar-se na indústria
  858. de que estivemos a falar.
  859. Lembrem-se que há
    mil multimilionários na Terra
  860. e qualquer um deles pode financiar
    uma sonda planetária muito boa.
  861. Se a NASA decidir
    enviar o Hydrobot para a Europa
  862. ou voltar a Titã
    com a tecnologia do dirigível,
  863. penso que alguns multimilionários
    poderão participar,
  864. e penso que tudo se vai tornar
    mais interessante.
  865. É um bocado limitativo
  866. quando são só alguns governos a fazê-lo
  867. e os governos suspendem,
    de vez em quando,
  868. e têm opções orçamentais difíceis.
  869. Penso que será mais tipo "oeste selvagem",
  870. mas vão acontecer coisas muito boas
  871. quando o setor privado e os empresários
  872. começarem a fazer estas coisas.
  873. JM: Mais uma pergunta.
  874. Têm alguma ideia de quantas
    ideias de projetos há por aí
  875. e qual a percentagem que se realiza?
  876. NS: É uma pequena fração.
  877. Sempre que a NASA
    anuncia uma oportunidade
  878. de categorias abertas,
  879. há dezenas de missões
    por cada uma ou duas que são escolhidas.
  880. E é um conjunto diferente
    de dezenas para cada oportunidade.
  881. Portanto, muito em breve,
    vai haver centenas de ideias
  882. que não pomos em prática.
  883. Eu não posso garantir
  884. que sejam todas boas ou possíveis
    de fazer com a tecnologia atual,
  885. mas há missões boas e práticas
  886. que não são selecionadas
  887. porque uma nação ainda
    não se dispôs a financiá-las.
  888. CI: Eu concordo que,
    em certas competições.
  889. reduzimos de 100 para 25,
    para 4, para 1
  890. e a engenharia — já falámos
    da engenharia —
  891. é especial e esses são possíveis
    de concretizar, tecnicamente.
  892. Quase nunca é essa a razão
    para não serem selecionados.
  893. De facto, é sobretudo a vontade,
  894. o dinheiro, as prioridades, etc.
  895. Por isso é que eu penso
    que, se houver mais intervenientes,
  896. algumas dessas coisas
    que estão na prateleira
  897. — a NASA tem os projetos na prateleira —
  898. podem vir a acontecer.
  899. NS: Vou passar dos multimilionários
    de que Chris fala,
  900. para os mil milhões de miúdos do planeta,
  901. que estão, quase todos,
    entusiasmados com o espaço.
  902. O espaço é, de facto,a porta de entrada,
  903. penso que a melhor porta de entrada
    para um ensino central.
  904. É, na verdade, muito importante,
  905. que continuemos
    com este programa espacial.
  906. É hoje um esforço internacional,
    há muitas nações a participar.
  907. Ter isto entusiasma a próxima geração.
  908. Antes que os espetadores
    se sintam desanimados
  909. com o estado das coisas,
  910. de não podemos fazer
    tudo o que queremos,
  911. quero que todos percebam
  912. que todos podem participar nisto.
  913. Espalhar a palavra
  914. sobre o que as grandes missões
    da NASA têm feito,
  915. Se tiverem acesso a isso...
  916. Se se dispuserem a sair
    e se oferecerem a participar numa aula.
  917. Verifiquem se o motorista do táxi
  918. ou a empregada do restaurante
  919. sabem o que se passa no espaço.
  920. Incluam isto nas conversas diárias,
  921. para que as pessoas queiram saber
    o que vem a seguir,
  922. o que estamos a fazer.
  923. Porque, no grande quadro
    do orçamento federal,
  924. não estamos a falar
    de uma proposta dispendiosa.
  925. Só precisamos de despertar
    a consciência de toda a gente
  926. para que isto é acessível e entusiasmante
  927. e abre o caminho para a próxima geração.
  928. JM: Vocês vão ficar felizes por saber
  929. que tenho feedback do meu twitter
    e do meu Google Plus
  930. que temos algumas turmas
    a observar-nos, neste momento.

  931. Sinto-me muito feliz
    por os professores terem visto isto
  932. e tenham dito: "Vamos partilhar isto".
  933. Outra coisa, lembro-me de uma pergunta.
  934. Para mim, a resposta parece-me óbvia,
  935. mas esta é uma pergunta
    que alguém fez ontem no meu twitter.
  936. "Porque é que voltamos a Marte?
  937. "Porque é que não nos dedicamos
  938. "a um planeta já pré-determinado
    como a Terra
  939. "que sabemos existe algures,
    um exoplaneta?
  940. "Porquê Marte?"
  941. NS: Eu vou fazer de novo
    o "Porquê Marte?"
  942. e depois vou deixar Chris falar
    do exoplaneta mais próximo.
  943. Vamos voltar a Marte
  944. porque o MAVEN vai fazer uma coisa
    que nunca foi feita.
  945. Nunca houve uma missão
  946. que observasse para onde
    se escapa a atmosfera.
  947. Enviámos um grande número de missões
  948. que concluíram que tinha havido
    uma atmosfera muito maior no passado,
  949. mas isso é o maior mistério em Marte.
  950. Para onde foi a atmosfera?
  951. Nenhuma das missões anteriores
    podia ter feito isso.
  952. Tivemos que lá voltar.
  953. CI: E, para confirmar isso
  954. eu diria que ainda há muita coisa
    a aprender com Marte
  955. e Marte é possivelmente
    um planeta habitável sob a superfície,
  956. por isso precisamos de descobrir isso.
  957. Aprenderemos sempre muito mais
    sobre um planeta do sistema solar
  958. do que com qualquer exoplaneta,
    por mais próximo que esteja.
  959. Não há comparação.
  960. O que acontece a um planeta
  961. — porque um planeta
    evolui e transforma-se,
  962. e Marte é o grande exemplo disso —
  963. vai ser verdade noutro sítio qualquer.
  964. Por isso, quando começamos a olhar
    para planetas habitáveis, tipo Terra
  965. com o Kepler e outras missões,
  966. o contexto para os compreender
  967. quando temos muito poucos dados,
  968. só temos o tamanho e a massa,
  969. quase mais nenhumas informações,
  970. o nosso contexto para os compreender
    continua a ser o sistema solar,
  971. continuam a ser os planetas terrestres,
    muito mais perto de nós.
  972. NS: Temos de desenvolver a capacidade
  973. de caracterizar esses planetas
    com maior pormenor.
  974. O telescópio espacial de James Webb
  975. vai começar a fazer isso, mas é
    um desafio tecnológico enorme.
  976. Muitos dos nossos engenheiros
    e "designers" preferidos
  977. estão a trabalhar nisso,
  978. mas de momento, é uma proposta
    muito dispendiosa.
  979. É consideravelmente mais barato
  980. continuar a aprender mais
    dentro do nosso sistema solar
  981. do que aprender com grande pormenor
  982. a riqueza de mundos que hoje sabemos
    que existem lá fora.
  983. JM: Temos estado a conversar
    há um pouco mais de 45 minutos.
  984. Gostava de vos dar aos dois
  985. a oportunidade de exprimirem
    qualquer coisa mais
  986. que gostassem de exprimir
    à vossa audiência
  987. ou qualquer coisa que eu possa
    ter esquecido de perguntar,
  988. e depois vamos resumir as coisas.
  989. Começamos com o Nick?
  990. NS: Não. Comece com o Chris
    que eu estou a tentar...
  991. JM: Força, Chris,
  992. CI: Bom, eu só queria repetir uma coisa
  993. que aflorámos várias vezes.
  994. Parece que a exploração do sistema solar,
  995. o estudo dos planetas vizinhos,
    é um assunto maduro
  996. que já sabemos a maior parte
    daquilo que podemos querer saber
  997. mas não é nada disso.
  998. O nosso vizinho mais próximo, Marte,
    é só perguntas e mistérios.
  999. Quando olhamos para todos os outros,
  1000. a melhor previsão é que
  1001. provavelmente, há uma dezena
    de locais habitáveis
  1002. na sua maior parte,
    no exterior do sistema solar.
  1003. Somos totalmente ignorantes
    quanto a esses.
  1004. Portanto, quando se trata
  1005. de ir a Titã ou a Europa,
    ou a esses destinos fascinantes,
  1006. o nosso nível de ignorância
    é quase total.
  1007. Estamos nos primeiros dias
    da exploração do sistema solar
  1008. e, em especial, no contexto da biologia,
  1009. e onde a podemos encontrar
    no universo,
  1010. NS: Se eu puder recuar
    para uma perspetiva mais ampla,
  1011. Carl Sagan disse:
  1012. "Há uma geração que consegue
  1013. "experimentar esta transição de planetas
  1014. "como pontos de luz, para mundos
    de pleno direito".
  1015. E será que alguma vez conseguiremos
  1016. olhar de perto para esses mundos
  1017. com a última geração das naves espaciais?
  1018. O meu irmão é um cientista político
  1019. e uma vez disse-me:
  1020. "Tudo aquilo que eu te digo
  1021. "estará esquecido dentro de décadas
    ou de cem anos,
  1022. "mas esta transição de seres humanos
  1023. "a navegar no espaço será recordada
    daqui a mil anos".
  1024. As pessoas falarão desta era.
  1025. Devemos apreciar esta época incrível
    em que vivemos,
  1026. esta oportunidade em que tivemos
    a sorte de participar.
  1027. Metam toda a gente a bordo.
    Espalhem a palavra.
  1028. É uma verdadeira marca da era
    em que temos o privilégio de viver.
  1029. JM: Espantoso!
  1030. A minha pergunta final:
  1031. Quando é que vamos enviar
    seres humanos para Marte?
  1032. NS: Quando eu era miúdo,
    eu dizia que queria ir a Marte
  1033. e criar galinhas, para ver
  1034. se elas ficavam maiores
    com uma gravidade mais baixa.
  1035. Hoje tenho consciência de que
    não vou ter essa oportunidade.
  1036. Gostaria que um dos meus filhos
    tivesse essa hipótese.
  1037. Espero que não seja adiado
    para a geração a seguir à dele.
  1038. Por vezes, diz-se que é demasiado caro
  1039. enviar seres humanos a Marte,
  1040. mas parece que a nossa nação
    encontrou a vontade
  1041. de gastar esse dinheiro noutros projetos
  1042. que, segundo creio,
    não serão recordados daqui a mil anos
  1043. e eu gostaria que esse esforço
  1044. alterasse a atenção da nossa nação
  1045. e os esforços mundiais
  1046. para dar esse grande passo,
  1047. porque penso que é o destino humano.
  1048. Os robôs vão à frente,
  1049. mas os seres humanos
    podem e devem ir atrás deles.
  1050. CI: Para responder diretamente
    à sua pergunta,
  1051. estamos a falar em 20 e tal anos.
  1052. Volto a pensar que o setor privado
    já está a começar
  1053. a avançar e a ter ideias.
  1054. Por exemplo, há uma ideia
    bem publicitada
  1055. para uma viagem só de ida,
    o que obviamente poupa dinheiro
  1056. e a NASA foi impedida
  1057. de ter uma ideia semelhante na prateleira
  1058. mas não é uma boa publicidade para a NASA
  1059. enviar astronautas para morrer num...
  1060. NS: Sim, penso que a fronteira do espaço
  1061. vai ser conquistada pelos seres humanos,
  1062. quando os seres humanos
    puderem correr os mesmos riscos
  1063. que correram quando avançaram
  1064. para o Colorado e a Califórnia,
    chegando ao oeste americano,
  1065. Os indivíduos correram riscos.
  1066. Muitos deles perderam a vida,
    nesse processo,
  1067. mas o caminho que abriram para nós
  1068. será recordado para sempre.
  1069. Acho que é como Chris diz.
  1070. Vai ser o setor privado e os indivíduos
  1071. a correrem riscos que nos permitirão
  1072. atravessar essa fronteira.
  1073. CI: E se quiserem evocar o futuro
    multi-geracional,
  1074. recomendo a trilogia
    Mars: Red Green, and Blue
  1075. de Kim Stanley
  1076. Evocações espantosas,
  1077. não apenas de pessoas em Marte,
  1078. mas da geologia e da atmosfera, etc.
  1079. São livros hipnóticos
  1080. JM: Obrigada pela recomendação do livro
  1081. porque é uma das minhas plataformas.
  1082. Adoro levar as pessoas a ler.
  1083. Obrigada pela vossa contribuição de hoje
  1084. e obrigada à equipa do MAVEN.
  1085. Vamos esperar pelo lançamento previsto.
  1086. Mas obrigada por um projeto
  1087. que está dentro do orçamento, ou abaixo,
  1088. dentro do tempo previsto,
  1089. e vocês estão a cumprir todas essas metas
  1090. e fazendo as pessoas felizes.
  1091. Vão querer contratar-vos de novo.
  1092. NS: Sem dúvida. E vamos responder
    a mais perguntas importantes.
  1093. JM: Muito obrigada, a todos
  1094. os que estiveram a ver
  1095. esta análise esclarecedora sobre o MAVEN.
  1096. E não se esqueçam, no dia 14 de novembro
  1097. teremos Chris Hatfield connosco.
  1098. Se não sabem, o livro dele sai hoje.
  1099. Se quiserem adquiri-lo
    e juntarem-se a nós,
  1100. é a 14 de novembro, ao meio-dia,
  1101. para uma conversa
    do Scientific American com Chris.
  1102. Veremos mais coisas sobre o lado humano
    das viagens espaciais.
  1103. Hoje só estivemos a falar
  1104. de viagens espaciais sem tripulação,
    ou robóticas.
  1105. Obrigada, Chris, obrigada, Nick.
  1106. NS: Até à vista.
  1107. CI: Adeus.
  1108. Tradução de Margarida Ferreira