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A cada dia de sua vida, você impacta o planeta

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    Chris Anderson: Bem-vinda,
    Dra. Jane Goodall.
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    Jane Goodall: Obrigada.
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    Não seria uma entrevista completa
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    se o Sr. H não estivesse aqui comigo.
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    Todos conhecem o Sr. H.
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    CA: Olá, Sr. H.
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    Na sua palestra TED há 17 anos,
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    você nos alertou sobre os perigos
    de os humanos povoarem o mundo natural.
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    De alguma forma você sente
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    que a pandemia atual é uma espécie
    de contra-ataque da natureza?
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    JG: Está muito claro que essas zoonoses,
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    como COVID-19, HIV/AIDS
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    e todo tipo de doenças
    que contraímos de animais,
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    têm certa relação com a destruição
    do meio ambiente.
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    Conforme os animais perdem seus habitats,
    passam a viver muito próximos,
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    e isso pode fazer com que um vírus
    em uma espécie reservatório,
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    na qual viveu harmoniosamente
    por cerca de centenas de anos,
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    passe para uma nova espécie.
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    Além disso, os animais são forçados
    a um contato mais próximo com os humanos.
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    E, às vezes, um animal com um vírus
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    pode dar a oportunidade para esse vírus
    passar para as pessoas
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    e criar uma nova doença, como a COVID-19.
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    Além disso,
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    desrespeitamos muito os animais.
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    Nós os caçamos,
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    matamos, comemos,
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    traficamos.
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    Enviamos animais
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    aos mercados de animais selvagens na Ásia,
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    onde vivem em péssimas condições,
    amontoados em jaulas pequenas,
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    com pessoas sendo contaminadas
    pelo sangue, urina e fezes deles.
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    Condições ideais para um vírus
    passar de um animal para outro
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    ou de um animal para uma pessoa.
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    CA: Eu gostaria de voltar
    um pouco no tempo,
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    pois sua história é muito extraordinária.
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    Apesar das atitudes
    ainda mais machistas dos anos 1960,
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    você superou isso e se tornou
    uma das principais cientistas do mundo,
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    descobrindo uma série de fatos
    incríveis sobre chimpanzés,
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    como o uso de ferramentas e muito mais.
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    Na sua opinião, qual característica sua
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    permitiu que você fizesse
    um avanço desse porte?
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    JG: Eu já nasci amando os animais
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    e o mais importante foi ter
    uma mãe que me apoiava muito.
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    Ela não ficou zangada ao encontrar
    minhocas na minha cama,
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    apenas disse que era melhor
    que ficassem no jardim.
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    Ou quando sumi por quatro horas
    e ela precisou chamar a polícia;
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    eu estava sentada em um galinheiro,
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    porque ninguém me dizia
    de qual "buraco" saía o ovo.
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    Eu não sonhava em ser cientista,
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    porque mulheres não faziam
    esse tipo de coisa.
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    Na verdade, também não havia
    muitos homens fazendo isso na época.
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    Todos riram de mim, exceto minha mãe,
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    que disse: "Se você realmente quer isso,
    terá que se esforçar muito,
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    aproveitar cada oportunidade,
    e, se não desistir, talvez você consiga".
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    CA: E de algum modo, você conseguiu
    ganhar a confiança dos chimpanzés
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    como ninguém jamais havia conseguido.
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    Em retrospecto, quais foram os momentos
    mais emocionantes que você descobriu
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    ou o que as pessoas ainda não entendem
    sobre os chimpanzés?
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    JG: Bem, é como você diz:
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    "Ver coisas que ninguém tinha visto,
    conquistar a confiança deles".
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    Ninguém havia tentado, sendo bem sincera.
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    Então, basicamente,
    usei as mesmas técnicas
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    que eu tinha para estudar os animais
    ao redor da minha casa quando era criança.
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    Apenas ficar sentada, pacientemente,
    sem tentar me aproximar rápido demais.
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    Mas foi terrível, porque havia verba
    para apenas seis meses.
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    Imagine a dificuldade para uma jovem
    sem diploma conseguir dinheiro
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    para fazer algo tão bizarro
    quanto ficar sentada em uma floresta.
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    Por fim, conseguimos verba para seis meses
    com um filantropo norte-americano
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    e eu sabia que, com o tempo,
    eu ganharia a confiança dos chimpanzés,
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    mas será que eu tinha tempo?
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    Semanas viraram meses e finalmente,
    depois de uns quatro meses,
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    um chimpanzé começou a perder o medo.
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    E foi ele que eu vi em uma ocasião,
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    eu ainda não havia chegado muito perto,
    mas tinha meus binóculos,
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    e o vi usando e criando
    ferramentas para pegar cupins.
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    E apesar de não estar muito surpresa,
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    pois já tinha lido sobre o que chimpanzés
    em cativeiro eram capazes de fazer,
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    eu sabia que a ciência acreditava
  • 4:34 - 4:38
    que humanos, e apenas humanos,
    usavam e criavam ferramentas.
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    Eu sabia como o Dr. Louis Leakey
    ficaria animado.
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    Essa observação permitiu que ele
    procurasse a National Geographic Society.
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    Eles disseram: "Certo, vamos continuar
    financiando a pesquisa",
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    e enviaram Hugo van Lawick,
    um fotógrafo e cinegrafista,
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    para gravar o que eu estava vendo.
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    Vários cientistas se recusavam
    a acreditar no uso de ferramentas.
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    Um deles chegou a dizer
    que eu havia ensinado os chimpanzés.
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    (Risos)
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    Eu não conseguia chegar perto deles,
    isso teria sido um milagre.
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    De qualquer forma, quando viram
    as filmagens do Hugo
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    com todas as minhas descrições
    dos comportamentos deles,
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    os cientistas começaram a mudar de ideia.
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    CA: Desde então, muitas outras descobertas
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    mostraram que os chimpanzés são muito mais
    parecidos conosco do que se acreditava.
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    Você disse que eles têm senso de humor.
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    Como você os viu expressando isso?
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    JG: Vemos isso nas brincadeiras deles,
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    quando um chimpanzé mais velho
    brinca com um mais novo;
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    ele puxa um cipó ao redor de uma árvore.
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    Toda vez que o mais novo
    está prestes a pegar o cipó,
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    o mais velho puxa o cipó para longe dele.
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    O mais novo começa a chorar,
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    e o mais velho começa a rir.
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    Então, é isso.
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    CA: E então, Jane, você percebeu
    algo muito mais preocupante,
  • 6:01 - 6:07
    a ocorrência de gangues,
    tribos, grupos de chimpanzés
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    sendo cruelmente
    violentos uns com os outros.
  • 6:11 - 6:14
    Estou curioso para saber
    como você processou isso.
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    Se de certa forma ficou deprimida conosco,
    que somos parecidos com eles.
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    Isso fez você sentir
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    que a violência é inerente
    a todos os grandes primatas?
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    JG: Bem, obviamente é.
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    Meu primeiro contato
    com o lado maligno do ser humano
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    foram as fotos do Holocausto
    ao final da guerra.
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    Aquilo realmente me chocou.
    Mudou quem eu era.
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    Acho que eu tinha dez anos, na época.
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    E quando percebi que os chimpanzés
    tinham esse lado ruim e violento,
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    pensei que fossem como nós,
    porém mais gentis.
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    Então percebi que eram ainda mais
    parecidos conosco do que eu pensava.
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    Naquela época, no início dos anos 1970,
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    foi muito estranho,
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    havia muita discussão sobre o fato
    de a agressividade ser inata ou aprendida.
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    Isso se tornou um debate político.
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    Foi um período muito estranho,
  • 7:16 - 7:18
    e eu me manifestava, dizendo:
  • 7:18 - 7:20
    "Acho que definitivamente a agressividade
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    faz parte do nosso repertório herdado
    de comportamentos".
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    Perguntei a um cientista respeitado
    o que ele realmente achava,
  • 7:30 - 7:34
    porque ele defendia
    que a agressividade é aprendida,
  • 7:34 - 7:38
    e ele me disse: "Jane, prefiro não falar
    o que eu realmente penso".
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    Isso foi um grande choque
    para mim em relação à ciência.
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    CA: Eu fui levado a acreditar
    em um mundo repleto de luz e beleza.
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    Tantos filmes lindos
    sobre borboletas, abelhas e flores,
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    a natureza e esses cenários maravilhosos.
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    E muitos ambientalistas
    se posicionam assim:
  • 8:02 - 8:06
    "Sim, a natureza é pura e bela,
    os humanos é que são ruins".
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    Mas então vemos esse tipo de observação,
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    e ao olhar com mais atenção
    para qualquer parte da natureza,
  • 8:11 - 8:14
    vemos coisas terríveis, para ser sincero.
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    O que você acha da natureza,
    como pensa sobre ela,
  • 8:16 - 8:19
    como devemos pensar sobre ela?
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    JG: A natureza é...
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    Se pensarmos em todo
    o espectro da evolução,
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    há algo especial
    em ir a um lugar intocado,
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    e a África era muito intocada
    quando eu era jovem.
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    Havia animais por toda parte.
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    Eu nunca gostei do fato
    de os leões matarem,
  • 8:40 - 8:43
    mas é uma necessidade, é o que eles fazem.
  • 8:43 - 8:46
    Se não matassem outros animais,
    eles morreriam.
  • 8:46 - 8:50
    Acho que a grande diferença
    entre eles e nós
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    é que eles fazem isso
    porque é o que devem fazer.
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    Enquanto nós podemos planejar.
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    Nossos planos são muito diferentes.
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    Podemos planejar desmatar
    uma floresta inteira,
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    porque queremos vender a madeira
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    ou construir outro shopping,
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    algo assim.
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    Então, nossa destruição da natureza
    e nossas guerras,
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    somos capazes de fazer o mal
    porque podemos nos sentar confortavelmente
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    e planejar a tortura de alguém bem longe.
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    Isso é cruel.
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    Os chimpanzés têm
    um tipo de guerra primitiva
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    e podem ser muito agressivos,
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    mas é uma coisa do momento.
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    É como eles se sentem.
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    É a resposta a uma emoção.
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    CA: Então, pela sua percepção,
    a sofisticação dos chimpanzés
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    não vai tão longe quanto alguns gostariam,
    de dizer que é como o superpoder humano
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    de ser capaz de simular o futuro
    em nossa mente com muitos detalhes
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    e fazer planos a longo prazo;
  • 9:52 - 9:58
    de agir para incentivar uns aos outros
    a alcançar esses objetivos de longo prazo.
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    Que isso se parece, mesmo para alguém
    que passou tanto tempo com chimpanzés,
  • 10:01 - 10:04
    com um conjunto de habilidades
    fundamentalmente diferentes
  • 10:04 - 10:09
    pelas quais temos que nos responsabilizar
    e usar com muito mais sabedoria.
  • 10:09 - 10:11
    JG: Sim, eu pessoalmente acho,
  • 10:11 - 10:14
    e há muita discussão sobre o assunto,
  • 10:14 - 10:18
    que é fato que desenvolvemos
    esta forma de comunicação
  • 10:18 - 10:19
    que estamos usando,
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    porque temos palavras.
  • 10:22 - 10:25
    Quero dizer, a comunicação animal
    é muito mais sofisticada
  • 10:25 - 10:26
    do que pensávamos.
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    E chimpanzés, gorilas e orangotangos
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    podem aprender línguas de sinais humanas.
  • 10:33 - 10:38
    Mas nós crescemos falando
    uma língua, seja qual for.
  • 10:38 - 10:42
    Então posso te falar sobre coisas
    que você nunca ouviu dizer.
  • 10:42 - 10:44
    Um chimpanzé nunca poderia fazer isso.
  • 10:44 - 10:50
    Podemos ensinar conceitos abstratos
    às nossas crianças,
  • 10:50 - 10:52
    e chimpanzés não podem fazer isso.
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    Então, sim, chimpanzés podem fazer
    todo tipo de coisas inteligentes,
  • 10:55 - 11:00
    assim como elefantes, corvos e polvos.
  • 11:00 - 11:04
    Mas nós desenvolvemos foguetes
    que vão a outros planetas
  • 11:04 - 11:06
    e pequenos robôs que tiram fotografias,
  • 11:06 - 11:11
    e desenvolvemos esta forma extraordinária
    pela qual podemos conversar
  • 11:11 - 11:13
    a partir de diferentes partes do mundo.
  • 11:13 - 11:15
    Quando eu era jovem,
  • 11:15 - 11:18
    não havia TV, não havia celulares,
  • 11:18 - 11:19
    não havia computadores.
  • 11:19 - 11:25
    Era um mundo muito diferente:
    eu tinha lápis, caneta, caderno e só.
  • 11:25 - 11:27
    CA: Voltando à pergunta sobre a natureza,
  • 11:27 - 11:29
    porque penso muito sobre isso
  • 11:29 - 11:32
    e tenho dificuldade, honestamente.
  • 11:33 - 11:37
    Grande parte do seu trabalho
    e de tantas pessoas que respeito
  • 11:37 - 11:44
    trata dessa paixão por tentar
    não estragar o mundo natural.
  • 11:44 - 11:47
    É possível, saudável, essencial, talvez,
  • 11:47 - 11:52
    ao mesmo tempo aceitar
    que muitos aspectos da natureza
  • 11:52 - 11:54
    são aterrorizantes,
  • 11:54 - 11:57
    mas também maravilhosos,
  • 11:57 - 12:02
    e que parte dessa maravilha
    vem do seu potencial de ser aterrorizante
  • 12:02 - 12:07
    e, ao mesmo tempo,
    ser de uma beleza estonteante,
  • 12:07 - 12:10
    e que não podemos ser nós mesmos,
  • 12:10 - 12:13
    por sermos parte da natureza,
    não podemos ser completos
  • 12:13 - 12:17
    a menos que, de alguma forma,
    nós a acolhamos e nos tornemos parte dela?
  • 12:17 - 12:22
    Me ajude a expressar, Jane,
    como essa relação deveria ser.
  • 12:22 - 12:27
    JG: Acho que um dos problemas é que,
    conforme desenvolvemos nosso intelecto,
  • 12:27 - 12:29
    nos tornamos cada vez melhores
  • 12:29 - 12:32
    em modificar o meio ambiente
    para nosso próprio uso,
  • 12:32 - 12:35
    criar campos e cultivar plantações
  • 12:35 - 12:38
    onde costumava haver
    uma floresta ou um bosque,
  • 12:38 - 12:41
    não vamos entrar nisso agora,
  • 12:41 - 12:45
    mas temos a habilidade
    de mudar a natureza.
  • 12:45 - 12:49
    Conforme migramos para as cidades
  • 12:49 - 12:53
    e passamos a depender mais da tecnologia,
  • 12:53 - 12:57
    muitas pessoas se sentem
    distanciadas do mundo natural.
  • 12:57 - 13:00
    Há centenas, milhares de crianças
  • 13:00 - 13:01
    crescendo em centros urbanos
  • 13:01 - 13:04
    onde basicamente não há natureza alguma.
  • 13:04 - 13:09
    Por isso o movimento atual para tornar
    as cidades mais verdes é tão importante.
  • 13:09 - 13:12
    Foram feitos experimentos,
  • 13:12 - 13:15
    acho que em Chicago, não tenho certeza,
  • 13:15 - 13:18
    onde havia vários terrenos baldios
  • 13:18 - 13:22
    em uma parte muito violenta da cidade.
  • 13:22 - 13:25
    Então, tornaram algumas
    dessas áreas mais verdes,
  • 13:25 - 13:30
    plantaram árvores, flores e arbustos
    nesses terrenos baldios.
  • 13:30 - 13:33
    E a taxa de criminalidade diminuiu muito.
  • 13:33 - 13:36
    Então plantaram árvores
    nos outros terrenos, claro.
  • 13:37 - 13:40
    Isso mostra, assim como muitos estudos,
  • 13:40 - 13:43
    que as crianças realmente
    precisam de natureza verde
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    para um bom desenvolvimento psicológico.
  • 13:47 - 13:50
    Mas, como você diz,
    somos parte da natureza
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    e a desrespeitamos.
  • 13:54 - 13:57
    Isso é muito terrível para nossos filhos
  • 13:57 - 13:59
    e para nossos netos,
  • 13:59 - 14:03
    porque dependemos da natureza
    para termos ar puro e água potável,
  • 14:03 - 14:06
    para a regulação do clima e das chuvas.
  • 14:06 - 14:09
    Veja o que fizemos,
    está aí a crise climática.
  • 14:09 - 14:11
    Fomos nós. Nós causamos isso.
  • 14:12 - 14:13
    CA: Então, há pouco mais de 30 anos,
  • 14:13 - 14:19
    você passou de cientista
    para ativista principalmente.
  • 14:19 - 14:20
    Por quê?
  • 14:21 - 14:27
    JG: Foi na conferência científica em 1986,
    eu já tinha meu PhD na época,
  • 14:27 - 14:31
    o qual me levou a descobrir como, ou se,
    o comportamento dos chimpanzés diferia
  • 14:31 - 14:32
    de um ambiente para outro.
  • 14:32 - 14:35
    Havia seis locais de estudos na África.
  • 14:35 - 14:40
    Então pensamos: vamos reunir
    esses cientistas e explorar isso,
  • 14:40 - 14:41
    o que foi fascinante.
  • 14:41 - 14:44
    Mas também tivemos
    uma sessão sobre conservação
  • 14:44 - 14:48
    e outra sobre as condições
    em algumas situações de cativeiro,
  • 14:48 - 14:50
    como a pesquisa médica.
  • 14:50 - 14:54
    Essas duas sessões foram
    muito chocantes para mim.
  • 14:54 - 14:57
    Fui à conferência como cientista
  • 14:57 - 14:58
    e saí como ativista.
  • 14:58 - 15:02
    Não foi uma decisão;
    algo aconteceu dentro de mim.
  • 15:02 - 15:06
    CA: Então, você passou os últimos 34 anos
  • 15:06 - 15:08
    meio que fazendo campanha
    a favor de uma melhor relação
  • 15:08 - 15:12
    entre as pessoas e a natureza.
  • 15:13 - 15:18
    Como deveria ser essa relação?
  • 15:19 - 15:24
    JG: Bem, aqui nos confrontamos
    com todos esses problemas.
  • 15:24 - 15:27
    As pessoas precisam de espaço para viver.
  • 15:28 - 15:32
    Mas o problema é que nos tornamos
  • 15:32 - 15:35
    muito gananciosos, nas sociedades ricas.
  • 15:35 - 15:40
    Sinceramente, quem precisa
    de quatro casas com terrenos enormes?
  • 15:40 - 15:44
    Por que precisamos de mais um shopping?
  • 15:44 - 15:45
    E por aí vai.
  • 15:45 - 15:50
    Focamos benefícios econômicos
    de curto prazo,
  • 15:50 - 15:54
    o dinheiro se tornou
    um deus a ser adorado,
  • 15:54 - 15:58
    enquanto perdemos toda a conexão
    espiritual com o mundo natural.
  • 15:58 - 16:03
    Buscamos ganhos financeiros
    a curto prazo, ou poder,
  • 16:03 - 16:06
    em vez de olharmos para a saúde do planeta
  • 16:06 - 16:08
    e para o futuro de nossas crianças.
  • 16:09 - 16:12
    Parece que não nos
    importamos mais com isso.
  • 16:12 - 16:15
    Por esse motivo, nunca vou parar de lutar.
  • 16:15 - 16:19
    CA: No seu trabalho, especialmente
    com a preservação dos chimpanzés,
  • 16:19 - 16:24
    você criou o hábito
    de envolver as pessoas,
  • 16:24 - 16:26
    de engajar os nativos.
  • 16:26 - 16:28
    Como isso funcionou?
  • 16:28 - 16:30
    E você acredita que isso é essencial,
  • 16:30 - 16:33
    se quisermos ter sucesso
    na proteção do planeta?
  • 16:33 - 16:35
    JG: Depois daquela famosa conferência,
  • 16:35 - 16:39
    precisei descobrir por que os chimpanzés
    estavam sumindo na África
  • 16:39 - 16:41
    e o que acontecia com as florestas.
  • 16:41 - 16:46
    Então juntei um pouco de dinheiro
    e visitei seis países da região.
  • 16:46 - 16:50
    Aprendi muito sobre os problemas
    enfrentados pelos chimpanzés:
  • 16:50 - 16:53
    caçados por sua carne
    e para o comércio de animais vivos,
  • 16:53 - 16:55
    capturados em armadilhas,
  • 16:55 - 16:59
    o aumento da população humana
    e a necessidade de mais terras
  • 16:59 - 17:03
    para suas colheitas, gado e aldeias.
  • 17:03 - 17:07
    Mas soube também das dificuldades
    enfrentadas por muitas pessoas.
  • 17:07 - 17:11
    A pobreza absoluta,
    a falta de saúde e educação,
  • 17:11 - 17:14
    a degradação da terra.
  • 17:14 - 17:18
    Tudo culminou quando estava sobrevoando
    o pequeno Gombe National Park.
  • 17:18 - 17:21
    Ele já tinha sido parte do cinturão
    de florestas equatoriais
  • 17:21 - 17:24
    que cruzava a África até a costa oeste,
  • 17:24 - 17:25
    e, em 1990,
  • 17:25 - 17:29
    era uma pequena floresta isolada,
    um minúsculo parque nacional.
  • 17:29 - 17:31
    Ao redor, as colinas estavam desmatadas
  • 17:31 - 17:33
    e foi aí que a ficha caiu.
  • 17:33 - 17:37
    Se não fizermos algo para ajudar
    as pessoas a acharem formas de viver
  • 17:37 - 17:40
    que não destruam o meio ambiente,
  • 17:40 - 17:42
    não podemos nem pensar
    em salvar os chimpanzés.
  • 17:42 - 17:46
    Então o Instituto Jane Goodall
    iniciou o projeto "Take Care",
  • 17:46 - 17:48
    que chamamos de "TACARE".
  • 17:48 - 17:52
    Nosso método de conservação
    é baseado na comunidade,
  • 17:52 - 17:54
    totalmente holístico.
  • 17:54 - 17:59
    Hoje, colocamos as ferramentas
    de conservação nas mãos dos aldeões,
  • 17:59 - 18:04
    porque a maioria dos chimpanzés selvagens
    da Tanzânia não estão em áreas protegidas,
  • 18:04 - 18:07
    estão nas reservas florestais das aldeias.
  • 18:07 - 18:12
    E agora eles medem
    a saúde da floresta deles.
  • 18:12 - 18:15
    Eles entenderam
  • 18:15 - 18:18
    que proteger a floresta não tem a ver
    apenas com a vida selvagem,
  • 18:18 - 18:20
    mas sim com o futuro deles.
  • 18:20 - 18:22
    Que eles precisam da floresta.
  • 18:22 - 18:24
    E eles se sentem muito orgulhosos.
  • 18:24 - 18:28
    Os voluntários vão a oficinas,
    aprendem a usar smartphones,
  • 18:28 - 18:33
    aprendem a carregar vídeos
    na nuvem e outras plataformas.
  • 18:33 - 18:35
    É tudo transparente.
  • 18:36 - 18:38
    E as árvores voltaram,
  • 18:38 - 18:40
    as colinas não estão mais devastadas.
  • 18:40 - 18:44
    Eles concordaram em fazer
    um cinturão verde em torno de Gombe,
  • 18:44 - 18:48
    então os chimpanzés têm
    mais florestas do que em 1990.
  • 18:48 - 18:50
    Estão abrindo corredores nas florestas
  • 18:50 - 18:52
    para conectar grupos
    dispersos de chimpanzés
  • 18:52 - 18:55
    e reduzir a reprodução consanguínea.
  • 18:55 - 18:58
    Então, sim, isso tem funcionado
    e está em seis outros países agora.
  • 18:58 - 19:00
    A mesma coisa.
  • 19:00 - 19:05
    CA: Você tem sido uma voz extraordinária
    e incansável ao redor do mundo,
  • 19:05 - 19:07
    viajando muito,
  • 19:07 - 19:11
    falando por toda parte,
    inspirando pessoas em todos lugares.
  • 19:11 - 19:16
    Como você encontra energia,
  • 19:16 - 19:17
    ânimo para fazer isso,
  • 19:17 - 19:20
    pois é muito exaustivo,
  • 19:20 - 19:23
    todas as reuniões com muitas pessoas,
  • 19:23 - 19:25
    é fisicamente exaustivo,
  • 19:25 - 19:28
    e, ainda assim, aqui está você,
    ainda fazendo isso.
  • 19:28 - 19:30
    Como você faz isso, Jane?
  • 19:31 - 19:36
    JG: Bem, eu sou obstinada,
    não gosto de desistir.
  • 19:36 - 19:39
    Não vou permitir
  • 19:39 - 19:43
    que os CEOs das grandes empresas
    destruam as florestas,
  • 19:43 - 19:49
    ou que os políticos desmantelem
    todas as proteções
  • 19:49 - 19:51
    estabelecidas por presidentes anteriores,
  • 19:51 - 19:54
    e você sabe de quem estou falando.
  • 19:54 - 19:56
    Vou continuar lutando,
  • 19:56 - 20:00
    eu me importo, sou apaixonada
    pela vida selvagem.
  • 20:00 - 20:03
    Sou apaixonada pelo mundo natural.
  • 20:03 - 20:07
    Eu amo as florestas,
    dói em mim vê-las destruídas.
  • 20:07 - 20:10
    Eu me importo intensamente pelas crianças.
  • 20:10 - 20:12
    E estamos roubando o futuro delas.
  • 20:12 - 20:14
    Não vou desistir.
  • 20:14 - 20:19
    Acho que sou abençoada
    com uma boa genética, isso é um dom,
  • 20:19 - 20:23
    e outro dom que descobri que tenho
  • 20:23 - 20:24
    é a comunicação,
  • 20:24 - 20:27
    seja escrita ou falada.
  • 20:27 - 20:32
    Se andar por aí não desse resultado...
  • 20:32 - 20:35
    mas, a cada vez que dou uma palestra,
  • 20:35 - 20:39
    as pessoas me procuram e dizem:
    "Eu tinha desistido, mas você me inspirou,
  • 20:39 - 20:41
    prometo fazer a minha parte".
  • 20:41 - 20:46
    Temos nosso programa para jovens,
    Roots and Shoots, em 65 países,
  • 20:46 - 20:48
    que cresce rapidamente,
  • 20:48 - 20:49
    para todas as idades,
  • 20:49 - 20:52
    todos escolhendo projetos para ajudar
    pessoas, animais, o meio ambiente,
  • 20:52 - 20:55
    arregaçando as mangas e agindo.
  • 20:55 - 20:58
    Eles vêm com os olhos brilhando,
  • 20:58 - 21:00
    querendo contar para a Dra, Jane
    o que eles têm feito
  • 21:00 - 21:02
    para tornar o mundo um lugar melhor.
  • 21:02 - 21:04
    Como posso decepcioná-los?
  • 21:04 - 21:07
    CA: Ao olhar para o futuro do planeta,
  • 21:07 - 21:09
    o que mais te preocupa, atualmente,
  • 21:09 - 21:12
    o que te assusta mais,
    no ponto em que estamos?
  • 21:14 - 21:19
    JG: O fato de termos
    uma pequena janela de tempo
  • 21:19 - 21:23
    em que podemos ao menos
    começar a reparar um pouco dos danos
  • 21:23 - 21:26
    e desacelerar as mudanças climáticas.
  • 21:26 - 21:28
    Mas a janela está se encerrando,
  • 21:28 - 21:33
    e vimos o que acontece
    com o confinamento no mundo todo
  • 21:33 - 21:35
    em função da COVID-19:
  • 21:35 - 21:37
    o céu das cidades fica mais límpido,
  • 21:37 - 21:41
    algumas pessoas respiram ar limpo
    como nunca tinham respirado
  • 21:41 - 21:44
    e olham para o brilhante céu noturno,
  • 21:44 - 21:47
    que nunca tinham visto antes.
  • 21:47 - 21:49
    Sabe,
  • 21:49 - 21:55
    o que mais me preocupa
    é como conquistar pessoas suficientes.
  • 21:56 - 21:58
    As pessoas entendem, mas não agem,
  • 21:58 - 22:00
    como ter pessoas suficientes agindo?
  • 22:00 - 22:06
    CA: A National Geographic acaba de lançar
    um filme extraordinário sobre você,
  • 22:06 - 22:10
    destacando seu trabalho de seis décadas.
  • 22:10 - 22:13
    O filme se chama "Jane Goodall: The Hope".
  • 22:14 - 22:16
    Qual é a esperança, Jane?
  • 22:16 - 22:19
    JG: Minha maior esperança são os jovens.
  • 22:19 - 22:22
    Na China, me dizem:
  • 22:22 - 22:24
    "Claro que me preocupo
    com o meio ambiente,
  • 22:24 - 22:26
    na escola, participei
    do Roots and Shoots".
  • 22:26 - 22:30
    O Roots and Shoots
    se apega tanto aos valores
  • 22:30 - 22:35
    e eles ficam tão entusiasmados
    ao saber dos problemas
  • 22:35 - 22:36
    e ter o poder de agir,
  • 22:36 - 22:41
    que limpam os riachos
    e removem espécies invasoras.
  • 22:42 - 22:44
    Eles têm muitas ideias.
  • 22:44 - 22:48
    Temos um intelecto extraordinário.
  • 22:48 - 22:52
    Estamos começando a usá-lo
    para criar tecnologia
  • 22:52 - 22:55
    que realmente vai nos ajudar
    a viver com mais harmonia,
  • 22:55 - 22:57
    e, em nossa vida individual,
  • 22:57 - 23:01
    vamos pensar nas consequências
    do que fazemos a cada dia.
  • 23:01 - 23:03
    O que compramos, de onde veio,
  • 23:03 - 23:05
    como foi feito?
  • 23:05 - 23:08
    Isso causou dano ao meio ambiente
    ou crueldade aos animais?
  • 23:08 - 23:10
    É barato por vir de trabalho
    escravo infantil?
  • 23:10 - 23:12
    Fazer escolhas éticas.
  • 23:12 - 23:16
    A propósito, quem vive na pobreza
    não consegue fazer isso.
  • 23:16 - 23:18
    E finalmente, esse espírito indomável
  • 23:18 - 23:21
    das pessoas que enfrentam
    o que parece impossível
  • 23:21 - 23:23
    sem desistir.
  • 23:23 - 23:26
    Você não pode desistir
    quando tem tudo isso.
  • 23:26 - 23:29
    Mas há coisas com que não posso lutar.
  • 23:29 - 23:32
    Não posso lutar contra a corrupção.
  • 23:33 - 23:37
    Não posso lutar contra
    regimes militares e ditadores.
  • 23:39 - 23:40
    Só posso fazer o que posso fazer,
  • 23:40 - 23:44
    e se todos nós fizermos
    o pouco que podemos,
  • 23:44 - 23:48
    certamente isso será tanto
    que finalmente sairemos vencedores.
  • 23:48 - 23:49
    CA: A última pergunta, Jane.
  • 23:49 - 23:52
    Se houvesse uma ideia, um pensamento,
  • 23:52 - 23:56
    uma semente que você pudesse plantar
    na mente de cada um que nos assiste,
  • 23:56 - 23:58
    qual seria?
  • 23:58 - 24:02
    JG: Apenas se lembre
    que, a cada dia que você vive,
  • 24:02 - 24:05
    você causa um impacto no planeta.
  • 24:05 - 24:07
    Você não pode evitar esse impacto.
  • 24:07 - 24:11
    E, a não ser que viva em extrema pobreza,
  • 24:11 - 24:14
    você tem uma escolha
    sobre que tipo de impacto causar.
  • 24:14 - 24:16
    Mesmo na pobreza você tem uma escolha,
  • 24:16 - 24:20
    mas quando somos mais abastados,
    temos mais escolhas.
  • 24:20 - 24:23
    E se todos nós fizermos escolhas éticas,
  • 24:23 - 24:26
    começamos a ir em direção a um mundo
  • 24:26 - 24:31
    que não será tão desesperador
    de deixar para nossos bisnetos.
  • 24:31 - 24:36
    Acho que isso é algo para todos.
  • 24:36 - 24:39
    Porque muitas pessoas entendem
    o que está acontecendo,
  • 24:39 - 24:42
    mas se sentem impotentes,
    sem esperança, sem saber o que fazer,
  • 24:42 - 24:44
    então não fazem nada e ficam apáticas.
  • 24:44 - 24:47
    E a apatia é um perigo enorme.
  • 24:48 - 24:50
    CA: Dra. Jane Goodall, incrível.
  • 24:50 - 24:54
    Agradeço sinceramente
    por sua vida extraordinária,
  • 24:54 - 24:56
    por tudo que tem feito
  • 24:56 - 24:58
    e por passar esse tempo conosco.
  • 24:58 - 24:59
    Obrigado.
  • 24:59 - 25:01
    JG: Eu que agradeço.
タイトル:
A cada dia de sua vida, você impacta o planeta
話者:
Jane Goodall, Chris Anderson
概説:

A lendária primatologista Jane Goodall afirma que a sobrevivência da humanidade depende da conservação do mundo natural. Em uma conversa com o curador do TED, Chris Anderson, ela conta histórias sobre sua formação trabalhando com chimpanzés, como se transformou de naturalista reverenciada em uma ativista dedicada e como empodera comunidades ao redor do mundo para salvar habitats naturais.

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Video Language:
English
Team:
TED
プロジェクト:
TEDTalks
Duration:
25:14

Portuguese, Brazilian subtitles

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