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← Como resolver situações de tensão racial

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Showing Revision 67 created 04/09/2018 by Leonardo Silva.

  1. Há um provérbio africano que diz:
  2. "A história do leão nunca será conhecida
    enquanto quem a contar for o caçador".
  3. Mais do que uma conversa racial,
    precisamos de uma alfabetização racial

  4. para interpretar a política
    de ameaça racial nos EUA.
  5. O segredo para essa alfabetização
    é uma verdade esquecida:
  6. cada vez mais compreendemos
  7. que nossas diferenças culturais
  8. representam o poder de curar séculos
  9. de discriminação racial,
  10. desumanização e enfermidade.
  11. Meus pais eram afro-americanos.

  12. Meu pai nasceu no sul de Delaware;
    minha mãe, no norte da Filadélfia;
  13. e esses dois lugares
    são tão diferentes entre si
  14. quanto o leste é do oeste, quanto a cidade
    de Nova York é de Montgomery, no Alabama.
  15. O modo como meu pai
    lidava com o conflito racial
  16. era mantendo meu irmão Bryan,
    minha irmã Christy e eu na igreja,
  17. o que parecia ser 24 horas
    por dia, 7 dias por semana.
  18. (Risos)

  19. Se alguém nos incomodasse
    por causa da cor de nossa pele,

  20. ele acreditava que
    deveríamos rezar pela pessoa,
  21. sabendo que Deus os recuperaria no final.
  22. (Risos)

  23. Poderíamos dizer que essa abordagem
    de enfrentamento racial era espiritual,

  24. para mais tarde, algum dia,
  25. como Martin Luther King.
  26. A abordagem de minha mãe
    era um pouco diferente.

  27. Poderíamos dizer que era mais relacional,
  28. "na cara",
  29. imediatamente.
  30. Do tipo Malcolm X.
  31. (Risos)

  32. Ela foi criada em bairros
    onde havia segregação e violência racial,

  33. de onde foi expulsa, e expulsou
    outros por meio de violência.
  34. Quando veio para o sul de Delaware,
    ela achou que estava em outro país.
  35. Não compreendia ninguém,
  36. especialmente os poucos negros e pardos,
  37. fisicamente diferentes
    e verbalmente respeitosos
  38. na presença dos brancos.
  39. A minha mãe não; quando queria
    ir a algum lugar, ela ia.
  40. Não se importava com o que pensavam.
  41. Irritava muitas pessoas
    com seu estilo cultural.
  42. Antes de entrar no supermercado,
    ela nos dava o discurso:

  43. "Não peçam nada,
  44. não toquem nada.
  45. Entendem o que estou dizendo?
  46. Não me importo se as outras crianças
    estão subindo pelas paredes.
  47. Não são meus filhos.
  48. Entendem o que estou dizendo?"
  49. Em coro de três vozes:
  50. "Sim, mãe".
  51. Antes de entrar no supermercado,
    esse discurso era tudo o que precisávamos.
  52. Quantos de vocês já tiveram esse discurso?
  53. Quantos de vocês já deram esse discurso?
  54. (Risos)

  55. Quantos de vocês dão esse discurso hoje?

  56. Minha mãe não dava esse discurso
  57. porque se preocupava com dinheiro,
    reputação ou nosso mau comportamento.
  58. Nunca nos comportávamos mal;
    éramos muito assustados.
  59. Ficávamos na igreja
    24 horas por dia, 7 dias por semana.
  60. (Risos)

  61. O discurso dela era para nos lembrar
    de que algumas pessoas no mundo

  62. julgavam nosso mau comportamento
    pelo simples fato de sermos negros.
  63. Nem todos os pais têm que se preocupar
    que seus filhos sejam mal julgados
  64. devido à cor da pele,
  65. ou só pelo fato de respirarem.
  66. Assim que entramos no supermercado,

  67. as pessoas olhavam,
  68. nos observavam como
    se tivéssemos roubado algo.
  69. De vez em quando,
    um vendedor fazia ou dizia algo
  70. porque estava irritado
    com nosso estilo cultural,
  71. e geralmente acontecia no caixa.
  72. A pior coisa que poderiam fazer
    era jogar nossa comida na sacola.
  73. Quando isso acontecia, o clima esquentava.
  74. (Risos)

  75. Minha mãe começava a lhes dizer quem eram,

  76. quem era a família deles,
  77. onde iam acabar,
  78. e a rapidez para chegar lá.
  79. (Risos)

  80. Se vocês não foram amaldiçoados
    por minha mãe, vocês não viveram.

  81. (Risos)

  82. A pessoa estava no chão,

  83. contorcendo-se em estado
    de decomposição total,
  84. choramingando em uma poça
    de vergonha racial.
  85. (Risos)

  86. Meus pais são cristãos.

  87. A diferença é que meu pai rezava
    antes de um conflito racial,
  88. e minha mãe rezava depois.
  89. (Risos)

  90. Há um tempo para usar
    ambas as estratégias,

  91. no momento oportuno e da forma correta.
  92. Mas nunca há um momento.
  93. Há um tempo para reconciliar,
  94. há um tempo para confrontar,
  95. mas nunca é hora de paralisar
    como um cervo ante os faróis de um carro,
  96. nem de atacar os outros
    com fúria cega e impensada.
  97. A lição é que, em questões raciais,
  98. às vezes, devemos aprender a rezar,
    pensar, processar, preparar.
  99. Outras vezes temos que saber
    como pressionar, como fazer algo.
  100. Receio que nenhuma dessas duas técnicas,
  101. a preparação
  102. e a pressão,
  103. prevaleçam em nossa sociedade atual.
  104. Segundo a pesquisa neurocientífica,

  105. quando somos ameaçados
    por questões raciais,
  106. nosso cérebro bloqueia,
    e desumanizamos os negros e pardos.
  107. Nosso cérebro imagina que
    as crianças e os adultos são mais velhos
  108. e maiores do que realmente são,
  109. e que estão mais próximos
    do que realmente estão.
  110. Em nosso pior momento, nos convencemos
    de que eles não merecem afeto ou proteção.
  111. No Racial Empowerment Collaborative,
    sabemos que os enfrentamentos raciais
  112. são um dos momentos mais aterrorizantes
    que alguém pode viver.
  113. Os enfrentamentos com a polícia
    que ocasionaram a morte injusta,
  114. em sua maioria, de americanos nativos
    e afro-americanos deste país,
  115. duraram cerca de dois minutos.
  116. Em 60 segundos,
  117. nosso cérebro continua bloqueado.
  118. Quando estamos despreparados,
    reagimos com exagero.
  119. Na melhor das hipóteses, nos fechamos.
  120. Na pior, atiramos primeiro sem questionar.
  121. Imaginem se pudéssemos reduzir
    a intensidade da ameaça
  122. nesses 60 segundos
  123. e impedir que nosso cérebro
    continue bloqueado.
  124. Imaginem quantas crianças
    conseguiriam voltar para casa,
  125. da escola ou das compras,
    sem serem expulsas ou baleadas.
  126. Imaginem quantos pais
    não teriam que chorar.
  127. A socialização racial pode ajudar jovens
    a negociar encontros de 60 segundos,

  128. mas levará mais do que uma conversa.
  129. Será necessária uma alfabetização racial.
  130. Como os pais devem ter essas conversas,
    e o que é uma alfabetização racial?
  131. Obrigado por perguntarem.
  132. (Risos)

  133. Uma alfabetização racial
    implica a capacidade de ler,

  134. reformular e resolver
    um encontro de tensão racial.
  135. A leitura implica reconhecer
    quando ocorre um momento de tensão racial
  136. e reparar em nossa reação a esse momento.
  137. A reformulação implica
  138. ter consciência e reduzir
    minha interpretação exagerada do momento
  139. a uma experiência
    de escalar montanhas,
  140. ou seja,
  141. passar de uma situação impossível
    a uma muito mais factível
  142. e desafiadora.
  143. A resolução de um encontro
    de tensão racial
  144. implica a capacidade
    de tomar uma decisão positiva.
  145. Não é falta de reação,
    fingindo que não nos incomoda,
  146. nem uma reação excessiva,
    quando exageramos a situação.
  147. Podemos ensinar pais e filhos
    a ler, reformular e resolver

  148. usando a estratégia de conscientização
  149. "Calcular, localizar, comunicar,
    inspirar e expirar".
  150. Acompanhem.
  151. "Calcular" pede:
  152. "Qual é a minha sensação agora
  153. e qual é a sua intensidade
    em uma escala de 1 a 10?"
  154. "Localizar" pede:
    "Em que parte do corpo sinto isso?"
  155. e sejamos específicos,
  156. como me disse a aluna americana nativa
    da quinta série de Chicago:
  157. "Estou com raiva no nível nove
    porque sou a única americana nativa.
  158. Posso sentir no estômago
  159. o suco gástrico
  160. subindo até minha garganta
    e me fazendo engasgar".
  161. Quanto mais detalhados vocês forem,
    mais fácil será reduzir essa sensação.
  162. "Comunicar" pede:
  163. "Que autodiscurso e que imagens
    vêm à minha mente?"
  164. Se quiserem realmente ajuda,
    tentem inspirar
  165. e expirar lentamente.
  166. Com a ajuda de muitos colegas
    da Racial Empowerment Collaborative,

  167. utilizamos a técnica de redução
    da tensão no momento,
  168. em vários projetos de pesquisa e terapia.
  169. Em um dos projetos,
  170. utilizamos o basquete para ajudar
    os jovens a lidar com suas emoções
  171. durante as "explosões"
    de 60 segundos na quadra.
  172. Em outro projeto, com a ajuda
    de meus colegas Loretta e John Jemmott,
  173. aproveitamos o estilo cultural
    de barbearias afro-americanas,
  174. onde capacitamos barbeiros negros
    a ser educadores da saúde em duas áreas:
  175. uma delas, para reduzir com segurança
    o risco sexual nas relações com parceiros,
  176. e a outra,
  177. para deter a violência por retaliação.
  178. O bom é que os barbeiros
    usam seu estilo cultural
  179. para educar jovens
    de 18 a 24 anos em saúde
  180. enquanto cortam o cabelo.
  181. Outro projeto consiste
    em ensinar os professores
  182. a ler, reformular e resolver
    momentos de tensão na aula.
  183. Em outro projeto, ensinamos
    pais e filhos, separadamente,
  184. a compreender seus traumas raciais
  185. antes de reuni-los para resolver
    problemas de microagressões diárias.
  186. As conversas de alfabetização
    racial com nossos filhos

  187. podem ser restauradoras,
    mas isso requer prática.
  188. Alguns de vocês devem
    estar pensando: "Prática?
  189. Estamos falando sobre prática?"
  190. Sim, estamos falando sobre prática.
  191. Tenho dois filhos.

  192. Meu filho mais velho, Bryan, tem 26 anos,
    e o mais novo, Julian, tem 12.
  193. Não temos tempo para falar
    sobre como isso aconteceu.
  194. (Risos)

  195. Mas,

  196. quando penso neles,
  197. ainda são bebês para mim,
  198. e eu me preocupo, todos os dias,
    que o mundo poderá julgá-los mal.
  199. Em agosto de 2013,

  200. Julian, com oito anos na época,
    me ajudava a dobrar as roupas,
  201. o que, por si só, era algo tão raro
  202. que eu deveria imaginar
    que algo de estranho iria acontecer.
  203. Na TV, os pais de Trayvon Martin
    estavam chorando
  204. por causa da absolvição
    de George Zimmerman.
  205. E Julian estava grudado na TV.
  206. Ele tinha milhares de perguntas,
    e eu não estava preparado.
  207. Ele queria saber o motivo:
  208. por que um homem adulto
    perseguiu, prendeu e matou
  209. um jovem desarmado de 17 anos?
  210. Eu não sabia o que dizer.
  211. O melhor que pude dizer foi:
  212. "Julian,
  213. às vezes, neste mundo, há pessoas
    que menosprezam negros e pardos
  214. e não os tratam, nem tratam
    as crianças, como seres humanos".
  215. A situação o entristeceu.
  216. (Gravação) Julian Stevenson: É triste.

  217. "Não importa. Você não é um de nós".
  218. HS: Sim.

  219. JS: É como dizer:
    "Somos melhores do que você".

  220. HS: Sim.

  221. JS: "E não há nada que você
    possa fazer a respeito.

  222. E, se você me assustar, ou algo assim,
    vou atirar, porque tenho medo de você".
  223. HS: Exatamente.

  224. Mas se há alguém te perseguindo.
  225. JS: E não é o mesmo para todos.

  226. HS: Não, não é. Você deve tomar cuidado.

  227. JS: Sim, porque as pessoas
    podem te desrespeitar.

  228. HS: Exatamente.

  229. JS: E acho que você é...

  230. "Você não parece..."
  231. É como se pensassem:
  232. "Você não é legal,
  233. então, tenho o direito
    de desrespeitar você".
  234. HS: Sim, é o que chamamos de racismo.

  235. Chamamos de racismo, Julian;

  236. "outras pessoas" podem vestir
    um moletom com capuz,
  237. sem acontecer nada com elas.
  238. Mas poderia acontecer com você e Trayvon,
  239. e é por isso que o papai
    quer que você esteja salvo.
  240. (Gravação) JS: Quando você disse
    "outras pessoas",

  241. quer dizer que, se Trayvon fosse branco,
  242. ele não seria desrespeitado assim?
  243. HS: Sim, Julian, quis dizer os brancos
    ao falar "outras pessoas", está bem?

  244. Era muito estranho no início,

  245. mas, quando comecei a pegar o jeito
  246. e a falar sobre estereótipos
    e questões de discriminação,
  247. justo quando eu estava conseguindo,
  248. Julian me interrompeu.
  249. (Gravação) HS: ... você é perigoso,
    ou é criminoso por ser negro,

  250. e você é criança ou jovem.
  251. Está errado, não importa quem faça.
  252. JS: Pai, espera um pouco.

  253. HS: O quê?

  254. JS: Lembra quando...

  255. HS: Ele me interrompe
    para contar uma história

  256. sobre quando estava
    na piscina com um amigo
  257. e foi ameaçado por dois homens
    brancos, por questões raciais,
  258. o que sua mãe confirmou.
  259. Fiquei feliz por ele conseguir
    falar sobre isso;
  260. ele parecia estar entendendo.
  261. Deixamos a tristeza dos pais de Trayvon

  262. e começamos a conversar
    sobre os pais de George Zimmerman,
  263. que, segundo o que li numa revista,
  264. compactuavam com a perseguição
    por parte de Trayvon.
  265. Para mim, a reação de Julian
    foi impagável.
  266. Ele me deu a sensação
    de que estava compreendendo.
  267. (Gravação) JS: O que disseram sobre ele?

  268. HS: Creio que estavam justificando
    a perseguição dele.

  269. JS: Como assim?

  270. HS: Sim, acho que está errado.

  271. JS: Espera.

  272. Então, estão dizendo que ele tem
    o direito de perseguir um menino negro,
  273. brigar com ele e atirar nele?
  274. HS: Conforme Julian entendia,
    comecei a me entristecer.

  275. Porque, no fundo, eu pensava:
    "E se meu Julian ou Bryan fossem Trayvon?"
  276. Calculei minha raiva em 10 na escala.
  277. Minha perna direita tremia
    incontrolavelmente
  278. como se eu estivesse correndo.
  279. Na minha cabeça, eu podia ver
    alguém perseguindo Julian,
  280. e eu os perseguia.
  281. A única coisa que eu poderia dizer
  282. era que, se alguém
    tentar maltratar meu filho...
  283. (Gravação) HS: Se alguém tentar
    maltratar meu filho...

  284. JS: O que vai acontecer?

  285. HS: É melhor eles correrem.

  286. JS: Por quê? HS: Vou atrás deles.

  287. JS: Viu? (Risos)

  288. HS: Vou atrás deles. JS: Sério?

  289. HS: Ah, sim.

  290. JS: Então, vão pegar você
    porque eles podem estar armados.

  291. HS: Sabe de uma coisa? Vou chamar
    a polícia também, como deve ser.
  292. Mas, tem razão, não se pode
    andar por aí perseguindo as pessoas.

  293. JS: Eles podem estar armados.

  294. HS: Sim, tem razão.

  295. Tenho vontade de persegui-los.
  296. JS: E tem mais: poderiam ser um exército.

  297. HS: Quero ir atrás de quem
    fica perturbando meu filho.

  298. Não gosto disso.
  299. HS: Mas você tem razão,
    é preciso ter cuidado.

  300. É preciso tomar cuidado.
  301. Nunca se sabe o que
    alguns loucos pensarão de você.
  302. Pense que você é bonito,
    como o papai acredita,
  303. e a mamãe também acredita
    que você é bonito e inteligente.
  304. E você merece estar neste mundo,
  305. tão feliz, bonito e inteligente
    quanto quiser ser.
  306. Você pode ser o que quiser, meu filho.
  307. HS: A socialização racial não é apenas
    o que os pais ensinam aos filhos.

  308. É também como os filhos respondem
    ao que seus pais ensinam.
  309. Meu filho está preparado?
  310. Ele consegue reconhecer
    quando um elefante racial surge na frente?
  311. Consegue reduzir a interpretação exagerada
  312. a uma mais factível,
    com a qual possa lidar sem fugir?
  313. Consegue tomar uma decisão justa
    e positiva em 60 segundos?
  314. Será que eu consigo?
  315. Será que vocês conseguem?
  316. Sim, nós conseguimos.

  317. Conseguimos construir relacionamentos
    mais saudáveis sobre a questão racial
  318. se aprendermos a calcular, localizar,
    comunicar, inspirar e expirar
  319. no meio de nossos momentos
    mais ameaçadores,
  320. quando estamos cara a cara
    com nosso lado mais instintivo.
  321. Se consideramos
    os séculos de ódio racial
  322. que fervem em todo o corpo, mente e alma,
  323. e que tudo o que afeta o nosso corpo,
    mente e alma afeta nossa saúde,
  324. poderíamos usar o controle de armas
    para o nosso coração.
  325. Só quero o que todos os pais
    querem para seus filhos
  326. quando não estamos por perto:
  327. afeto e proteção.
  328. Quando a polícia e os professores
    virem meus filhos,
  329. quero que imaginem seus próprios filhos,
  330. porque acredito que, se virem
    nossos filhos como seus filhos,
  331. não atirarão neles.
  332. Com a alfabetização racial e a prática,

  333. podemos interpretar o trauma
    racial de nossas histórias,
  334. e nossa cura virá ao contá-las.
  335. Mas nunca devemos nos esquecer
  336. de que nossas diferenças culturais
    são repletas de afeto e proteção,
  337. e lembrem-se sempre de que
    a história do leão nunca será conhecida
  338. enquanto quem a contar for o caçador.
  339. Muito obrigado.

  340. (Aplausos)