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Como resolver situações de tensão racial

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    Há um provérbio africano que diz:
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    "A história do leão nunca será conhecida
    enquanto quem a contar for o caçador".
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    Mais do que uma conversa racial,
    precisamos de uma alfabetização racial
  • 0:13 - 0:17
    para interpretar a política
    de ameaça racial nos EUA.
  • 0:18 - 0:21
    O segredo para essa alfabetização
    é uma verdade esquecida:
  • 0:22 - 0:25
    cada vez mais compreendemos
  • 0:25 - 0:27
    que nossas diferenças culturais
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    representam o poder de curar séculos
  • 0:30 - 0:32
    de discriminação racial,
  • 0:32 - 0:34
    desumanização e enfermidade.
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    Meus pais eram afro-americanos.
  • 0:38 - 0:41
    Meu pai nasceu no sul de Delaware;
    minha mãe, no norte da Filadélfia;
  • 0:41 - 0:44
    e esses dois lugares
    são tão diferentes entre si
  • 0:44 - 0:49
    quanto o leste é do oeste, quanto a cidade
    de Nova York é de Montgomery, no Alabama.
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    O modo como meu pai
    lidava com o conflito racial
  • 0:52 - 0:55
    era mantendo meu irmão Bryan,
    minha irmã Christy e eu na igreja,
  • 0:55 - 0:58
    o que parecia ser 24 horas
    por dia, 7 dias por semana.
  • 0:58 - 1:00
    (Risos)
  • 1:00 - 1:04
    Se alguém nos incomodasse
    por causa da cor de nossa pele,
  • 1:04 - 1:07
    ele acreditava que
    deveríamos rezar pela pessoa,
  • 1:07 - 1:09
    sabendo que Deus os recuperaria no final.
  • 1:09 - 1:11
    (Risos)
  • 1:11 - 1:15
    Poderíamos dizer que essa abordagem
    de enfrentamento racial era espiritual,
  • 1:15 - 1:16
    para mais tarde, algum dia,
  • 1:16 - 1:18
    como Martin Luther King.
  • 1:18 - 1:21
    A abordagem de minha mãe
    era um pouco diferente.
  • 1:21 - 1:23
    Poderíamos dizer que era mais relacional,
  • 1:24 - 1:26
    "na cara",
  • 1:26 - 1:27
    imediatamente.
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    Do tipo Malcolm X.
  • 1:29 - 1:30
    (Risos)
  • 1:30 - 1:34
    Ela foi criada em bairros
    onde havia segregação e violência racial,
  • 1:34 - 1:39
    de onde foi expulsa, e expulsou
    outros por meio de violência.
  • 1:39 - 1:43
    Quando veio para o sul de Delaware,
    ela achou que estava em outro país.
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    Não compreendia ninguém,
  • 1:46 - 1:49
    especialmente os poucos negros e pardos,
  • 1:49 - 1:52
    fisicamente diferentes
    e verbalmente respeitosos
  • 1:52 - 1:54
    na presença dos brancos.
  • 1:54 - 1:57
    A minha mãe não; quando queria
    ir a algum lugar, ela ia.
  • 1:58 - 1:59
    Não se importava com o que pensavam.
  • 2:00 - 2:03
    Irritava muitas pessoas
    com seu estilo cultural.
  • 2:04 - 2:07
    Antes de entrar no supermercado,
    ela nos dava o discurso:
  • 2:08 - 2:10
    "Não peçam nada,
  • 2:10 - 2:12
    não toquem nada.
  • 2:12 - 2:15
    Entendem o que estou dizendo?
  • 2:16 - 2:19
    Não me importo se as outras crianças
    estão subindo pelas paredes.
  • 2:19 - 2:21
    Não são meus filhos.
  • 2:21 - 2:23
    Entendem o que estou dizendo?"
  • 2:24 - 2:26
    Em coro de três vozes:
  • 2:26 - 2:27
    "Sim, mãe".
  • 2:29 - 2:33
    Antes de entrar no supermercado,
    esse discurso era tudo o que precisávamos.
  • 2:33 - 2:35
    Quantos de vocês já tiveram esse discurso?
  • 2:36 - 2:38
    Quantos de vocês já deram esse discurso?
  • 2:38 - 2:40
    (Risos)
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    Quantos de vocês dão esse discurso hoje?
  • 2:44 - 2:45
    Minha mãe não dava esse discurso
  • 2:45 - 2:50
    porque se preocupava com dinheiro,
    reputação ou nosso mau comportamento.
  • 2:50 - 2:52
    Nunca nos comportávamos mal;
    éramos muito assustados.
  • 2:53 - 2:56
    Ficávamos na igreja
    24 horas por dia, 7 dias por semana.
  • 2:56 - 2:57
    (Risos)
  • 2:58 - 3:02
    O discurso dela era para nos lembrar
    de que algumas pessoas no mundo
  • 3:02 - 3:05
    julgavam nosso mau comportamento
    pelo simples fato de sermos negros.
  • 3:06 - 3:10
    Nem todos os pais têm que se preocupar
    que seus filhos sejam mal julgados
  • 3:10 - 3:12
    devido à cor da pele,
  • 3:12 - 3:14
    ou só pelo fato de respirarem.
  • 3:15 - 3:17
    Assim que entramos no supermercado,
  • 3:17 - 3:18
    as pessoas olhavam,
  • 3:18 - 3:20
    nos observavam como
    se tivéssemos roubado algo.
  • 3:22 - 3:25
    De vez em quando,
    um vendedor fazia ou dizia algo
  • 3:25 - 3:28
    porque estava irritado
    com nosso estilo cultural,
  • 3:28 - 3:30
    e geralmente acontecia no caixa.
  • 3:30 - 3:34
    A pior coisa que poderiam fazer
    era jogar nossa comida na sacola.
  • 3:35 - 3:37
    Quando isso acontecia, o clima esquentava.
  • 3:37 - 3:38
    (Risos)
  • 3:38 - 3:40
    Minha mãe começava a lhes dizer quem eram,
  • 3:40 - 3:42
    quem era a família deles,
  • 3:42 - 3:43
    onde iam acabar,
  • 3:43 - 3:45
    e a rapidez para chegar lá.
  • 3:45 - 3:46
    (Risos)
  • 3:46 - 3:49
    Se vocês não foram amaldiçoados
    por minha mãe, vocês não viveram.
  • 3:49 - 3:50
    (Risos)
  • 3:51 - 3:52
    A pessoa estava no chão,
  • 3:52 - 3:56
    contorcendo-se em estado
    de decomposição total,
  • 3:56 - 3:58
    choramingando em uma poça
    de vergonha racial.
  • 3:58 - 3:59
    (Risos)
  • 3:59 - 4:02
    Meus pais são cristãos.
  • 4:02 - 4:05
    A diferença é que meu pai rezava
    antes de um conflito racial,
  • 4:05 - 4:07
    e minha mãe rezava depois.
  • 4:07 - 4:08
    (Risos)
  • 4:09 - 4:12
    Há um tempo para usar
    ambas as estratégias,
  • 4:12 - 4:14
    no momento oportuno e da forma correta.
  • 4:15 - 4:17
    Mas nunca há um momento.
  • 4:17 - 4:19
    Há um tempo para reconciliar,
  • 4:19 - 4:21
    há um tempo para confrontar,
  • 4:21 - 4:25
    mas nunca é hora de paralisar
    como um cervo ante os faróis de um carro,
  • 4:26 - 4:30
    nem de atacar os outros
    com fúria cega e impensada.
  • 4:31 - 4:35
    A lição é que, em questões raciais,
  • 4:35 - 4:39
    às vezes, devemos aprender a rezar,
    pensar, processar, preparar.
  • 4:40 - 4:43
    Outras vezes temos que saber
    como pressionar, como fazer algo.
  • 4:43 - 4:46
    Receio que nenhuma dessas duas técnicas,
  • 4:47 - 4:48
    a preparação
  • 4:49 - 4:50
    e a pressão,
  • 4:50 - 4:52
    prevaleçam em nossa sociedade atual.
  • 4:55 - 4:58
    Segundo a pesquisa neurocientífica,
  • 5:00 - 5:02
    quando somos ameaçados
    por questões raciais,
  • 5:02 - 5:06
    nosso cérebro bloqueia,
    e desumanizamos os negros e pardos.
  • 5:07 - 5:13
    Nosso cérebro imagina que
    as crianças e os adultos são mais velhos
  • 5:13 - 5:15
    e maiores do que realmente são,
  • 5:15 - 5:17
    e que estão mais próximos
    do que realmente estão.
  • 5:18 - 5:22
    Em nosso pior momento, nos convencemos
    de que eles não merecem afeto ou proteção.
  • 5:24 - 5:31
    No Racial Empowerment Collaborative,
    sabemos que os enfrentamentos raciais
  • 5:31 - 5:34
    são um dos momentos mais aterrorizantes
    que alguém pode viver.
  • 5:35 - 5:40
    Os enfrentamentos com a polícia
    que ocasionaram a morte injusta,
  • 5:40 - 5:43
    em sua maioria, de americanos nativos
    e afro-americanos deste país,
  • 5:43 - 5:45
    duraram cerca de dois minutos.
  • 5:46 - 5:48
    Em 60 segundos,
  • 5:48 - 5:50
    nosso cérebro continua bloqueado.
  • 5:51 - 5:53
    Quando estamos despreparados,
    reagimos com exagero.
  • 5:54 - 5:55
    Na melhor das hipóteses, nos fechamos.
  • 5:56 - 5:58
    Na pior, atiramos primeiro sem questionar.
  • 6:00 - 6:03
    Imaginem se pudéssemos reduzir
    a intensidade da ameaça
  • 6:03 - 6:05
    nesses 60 segundos
  • 6:05 - 6:08
    e impedir que nosso cérebro
    continue bloqueado.
  • 6:09 - 6:11
    Imaginem quantas crianças
    conseguiriam voltar para casa,
  • 6:11 - 6:15
    da escola ou das compras,
    sem serem expulsas ou baleadas.
  • 6:16 - 6:20
    Imaginem quantos pais
    não teriam que chorar.
  • 6:21 - 6:27
    A socialização racial pode ajudar jovens
    a negociar encontros de 60 segundos,
  • 6:27 - 6:29
    mas levará mais do que uma conversa.
  • 6:29 - 6:31
    Será necessária uma alfabetização racial.
  • 6:33 - 6:37
    Como os pais devem ter essas conversas,
    e o que é uma alfabetização racial?
  • 6:37 - 6:38
    Obrigado por perguntarem.
  • 6:38 - 6:39
    (Risos)
  • 6:39 - 6:43
    Uma alfabetização racial
    implica a capacidade de ler,
  • 6:43 - 6:47
    reformular e resolver
    um encontro de tensão racial.
  • 6:47 - 6:51
    A leitura implica reconhecer
    quando ocorre um momento de tensão racial
  • 6:51 - 6:53
    e reparar em nossa reação a esse momento.
  • 6:54 - 6:56
    A reformulação implica
  • 6:57 - 7:02
    ter consciência e reduzir
    minha interpretação exagerada do momento
  • 7:02 - 7:05
    a uma experiência
    de escalar montanhas,
  • 7:05 - 7:07
    ou seja,
  • 7:07 - 7:10
    passar de uma situação impossível
    a uma muito mais factível
  • 7:10 - 7:11
    e desafiadora.
  • 7:13 - 7:15
    A resolução de um encontro
    de tensão racial
  • 7:15 - 7:18
    implica a capacidade
    de tomar uma decisão positiva.
  • 7:18 - 7:22
    Não é falta de reação,
    fingindo que não nos incomoda,
  • 7:22 - 7:26
    nem uma reação excessiva,
    quando exageramos a situação.
  • 7:27 - 7:31
    Podemos ensinar pais e filhos
    a ler, reformular e resolver
  • 7:32 - 7:34
    usando a estratégia de conscientização
  • 7:34 - 7:38
    "Calcular, localizar, comunicar,
    inspirar e expirar".
  • 7:38 - 7:39
    Acompanhem.
  • 7:40 - 7:41
    "Calcular" pede:
  • 7:41 - 7:43
    "Qual é a minha sensação agora
  • 7:43 - 7:46
    e qual é a sua intensidade
    em uma escala de 1 a 10?"
  • 7:47 - 7:51
    "Localizar" pede:
    "Em que parte do corpo sinto isso?"
  • 7:51 - 7:52
    e sejamos específicos,
  • 7:53 - 7:57
    como me disse a aluna americana nativa
    da quinta série de Chicago:
  • 7:58 - 8:02
    "Estou com raiva no nível nove
    porque sou a única americana nativa.
  • 8:03 - 8:06
    Posso sentir no estômago
  • 8:06 - 8:09
    o suco gástrico
  • 8:09 - 8:12
    subindo até minha garganta
    e me fazendo engasgar".
  • 8:13 - 8:16
    Quanto mais detalhados vocês forem,
    mais fácil será reduzir essa sensação.
  • 8:17 - 8:18
    "Comunicar" pede:
  • 8:18 - 8:21
    "Que autodiscurso e que imagens
    vêm à minha mente?"
  • 8:21 - 8:24
    Se quiserem realmente ajuda,
    tentem inspirar
  • 8:24 - 8:26
    e expirar lentamente.
  • 8:27 - 8:30
    Com a ajuda de muitos colegas
    da Racial Empowerment Collaborative,
  • 8:30 - 8:33
    utilizamos a técnica de redução
    da tensão no momento,
  • 8:33 - 8:35
    em vários projetos de pesquisa e terapia.
  • 8:36 - 8:37
    Em um dos projetos,
  • 8:37 - 8:41
    utilizamos o basquete para ajudar
    os jovens a lidar com suas emoções
  • 8:41 - 8:43
    durante as "explosões"
    de 60 segundos na quadra.
  • 8:44 - 8:49
    Em outro projeto, com a ajuda
    de meus colegas Loretta e John Jemmott,
  • 8:50 - 8:54
    aproveitamos o estilo cultural
    de barbearias afro-americanas,
  • 8:54 - 8:58
    onde capacitamos barbeiros negros
    a ser educadores da saúde em duas áreas:
  • 8:58 - 9:02
    uma delas, para reduzir com segurança
    o risco sexual nas relações com parceiros,
  • 9:02 - 9:04
    e a outra,
  • 9:04 - 9:06
    para deter a violência por retaliação.
  • 9:07 - 9:09
    O bom é que os barbeiros
    usam seu estilo cultural
  • 9:09 - 9:13
    para educar jovens
    de 18 a 24 anos em saúde
  • 9:13 - 9:15
    enquanto cortam o cabelo.
  • 9:16 - 9:19
    Outro projeto consiste
    em ensinar os professores
  • 9:19 - 9:24
    a ler, reformular e resolver
    momentos de tensão na aula.
  • 9:24 - 9:29
    Em outro projeto, ensinamos
    pais e filhos, separadamente,
  • 9:30 - 9:32
    a compreender seus traumas raciais
  • 9:32 - 9:36
    antes de reuni-los para resolver
    problemas de microagressões diárias.
  • 9:37 - 9:40
    As conversas de alfabetização
    racial com nossos filhos
  • 9:40 - 9:43
    podem ser restauradoras,
    mas isso requer prática.
  • 9:43 - 9:46
    Alguns de vocês devem
    estar pensando: "Prática?
  • 9:46 - 9:48
    Estamos falando sobre prática?"
  • 9:48 - 9:50
    Sim, estamos falando sobre prática.
  • 9:51 - 9:53
    Tenho dois filhos.
  • 9:54 - 9:58
    Meu filho mais velho, Bryan, tem 26 anos,
    e o mais novo, Julian, tem 12.
  • 9:58 - 10:01
    Não temos tempo para falar
    sobre como isso aconteceu.
  • 10:01 - 10:02
    (Risos)
  • 10:03 - 10:04
    Mas,
  • 10:04 - 10:06
    quando penso neles,
  • 10:06 - 10:07
    ainda são bebês para mim,
  • 10:07 - 10:10
    e eu me preocupo, todos os dias,
    que o mundo poderá julgá-los mal.
  • 10:12 - 10:14
    Em agosto de 2013,
  • 10:15 - 10:18
    Julian, com oito anos na época,
    me ajudava a dobrar as roupas,
  • 10:18 - 10:20
    o que, por si só, era algo tão raro
  • 10:20 - 10:23
    que eu deveria imaginar
    que algo de estranho iria acontecer.
  • 10:24 - 10:27
    Na TV, os pais de Trayvon Martin
    estavam chorando
  • 10:28 - 10:30
    por causa da absolvição
    de George Zimmerman.
  • 10:30 - 10:32
    E Julian estava grudado na TV.
  • 10:34 - 10:37
    Ele tinha milhares de perguntas,
    e eu não estava preparado.
  • 10:37 - 10:38
    Ele queria saber o motivo:
  • 10:38 - 10:43
    por que um homem adulto
    perseguiu, prendeu e matou
  • 10:43 - 10:46
    um jovem desarmado de 17 anos?
  • 10:47 - 10:48
    Eu não sabia o que dizer.
  • 10:48 - 10:50
    O melhor que pude dizer foi:
  • 10:50 - 10:51
    "Julian,
  • 10:51 - 10:56
    às vezes, neste mundo, há pessoas
    que menosprezam negros e pardos
  • 10:57 - 11:01
    e não os tratam, nem tratam
    as crianças, como seres humanos".
  • 11:01 - 11:04
    A situação o entristeceu.
  • 11:05 - 11:07
    (Gravação) Julian Stevenson: É triste.
  • 11:07 - 11:09
    "Não importa. Você não é um de nós".
  • 11:09 - 11:10
    HS: Sim.
  • 11:10 - 11:13
    JS: É como dizer:
    "Somos melhores do que você".
  • 11:13 - 11:14
    HS: Sim.
  • 11:14 - 11:18
    JS: "E não há nada que você
    possa fazer a respeito.
  • 11:18 - 11:23
    E, se você me assustar, ou algo assim,
    vou atirar, porque tenho medo de você".
  • 11:23 - 11:24
    HS: Exatamente.
  • 11:25 - 11:26
    Mas se há alguém te perseguindo.
  • 11:26 - 11:29
    JS: E não é o mesmo para todos.
  • 11:29 - 11:31
    HS: Não, não é. Você deve tomar cuidado.
  • 11:31 - 11:33
    JS: Sim, porque as pessoas
    podem te desrespeitar.
  • 11:33 - 11:35
    HS: Exatamente.
  • 11:35 - 11:37
    JS: E acho que você é...
  • 11:39 - 11:43
    "Você não parece..."
  • 11:44 - 11:46
    É como se pensassem:
  • 11:46 - 11:48
    "Você não é legal,
  • 11:48 - 11:51
    então, tenho o direito
    de desrespeitar você".
  • 11:51 - 11:54
    HS: Sim, é o que chamamos de racismo.
  • 11:55 - 11:56
    Chamamos de racismo, Julian;
  • 11:56 - 12:00
    "outras pessoas" podem vestir
    um moletom com capuz,
  • 12:00 - 12:01
    sem acontecer nada com elas.
  • 12:01 - 12:04
    Mas poderia acontecer com você e Trayvon,
  • 12:05 - 12:08
    e é por isso que o papai
    quer que você esteja salvo.
  • 12:09 - 12:12
    (Gravação) JS: Quando você disse
    "outras pessoas",
  • 12:12 - 12:16
    quer dizer que, se Trayvon fosse branco,
  • 12:16 - 12:19
    ele não seria desrespeitado assim?
  • 12:20 - 12:24
    HS: Sim, Julian, quis dizer os brancos
    ao falar "outras pessoas", está bem?
  • 12:25 - 12:27
    Era muito estranho no início,
  • 12:27 - 12:29
    mas, quando comecei a pegar o jeito
  • 12:30 - 12:35
    e a falar sobre estereótipos
    e questões de discriminação,
  • 12:35 - 12:37
    justo quando eu estava conseguindo,
  • 12:37 - 12:39
    Julian me interrompeu.
  • 12:39 - 12:43
    (Gravação) HS: ... você é perigoso,
    ou é criminoso por ser negro,
  • 12:43 - 12:44
    e você é criança ou jovem.
  • 12:44 - 12:46
    Está errado, não importa quem faça.
  • 12:47 - 12:48
    JS: Pai, espera um pouco.
  • 12:48 - 12:49
    HS: O quê?
  • 12:49 - 12:51
    JS: Lembra quando...
  • 12:51 - 12:54
    HS: Ele me interrompe
    para contar uma história
  • 12:54 - 12:56
    sobre quando estava
    na piscina com um amigo
  • 12:56 - 12:59
    e foi ameaçado por dois homens
    brancos, por questões raciais,
  • 12:59 - 13:01
    o que sua mãe confirmou.
  • 13:01 - 13:04
    Fiquei feliz por ele conseguir
    falar sobre isso;
  • 13:04 - 13:05
    ele parecia estar entendendo.
  • 13:05 - 13:08
    Deixamos a tristeza dos pais de Trayvon
  • 13:08 - 13:11
    e começamos a conversar
    sobre os pais de George Zimmerman,
  • 13:11 - 13:12
    que, segundo o que li numa revista,
  • 13:12 - 13:15
    compactuavam com a perseguição
    por parte de Trayvon.
  • 13:15 - 13:18
    Para mim, a reação de Julian
    foi impagável.
  • 13:18 - 13:20
    Ele me deu a sensação
    de que estava compreendendo.
  • 13:20 - 13:22
    (Gravação) JS: O que disseram sobre ele?
  • 13:22 - 13:28
    HS: Creio que estavam justificando
    a perseguição dele.
  • 13:28 - 13:29
    JS: Como assim?
  • 13:29 - 13:31
    HS: Sim, acho que está errado.
  • 13:31 - 13:32
    JS: Espera.
  • 13:32 - 13:36
    Então, estão dizendo que ele tem
    o direito de perseguir um menino negro,
  • 13:36 - 13:38
    brigar com ele e atirar nele?
  • 13:40 - 13:43
    HS: Conforme Julian entendia,
    comecei a me entristecer.
  • 13:43 - 13:48
    Porque, no fundo, eu pensava:
    "E se meu Julian ou Bryan fossem Trayvon?"
  • 13:49 - 13:52
    Calculei minha raiva em 10 na escala.
  • 13:52 - 13:55
    Minha perna direita tremia
    incontrolavelmente
  • 13:55 - 13:57
    como se eu estivesse correndo.
  • 13:57 - 14:00
    Na minha cabeça, eu podia ver
    alguém perseguindo Julian,
  • 14:00 - 14:02
    e eu os perseguia.
  • 14:03 - 14:04
    A única coisa que eu poderia dizer
  • 14:04 - 14:08
    era que, se alguém
    tentar maltratar meu filho...
  • 14:10 - 14:12
    (Gravação) HS: Se alguém tentar
    maltratar meu filho...
  • 14:14 - 14:15
    JS: O que vai acontecer?
  • 14:15 - 14:17
    HS: É melhor eles correrem.
  • 14:18 - 14:21
    JS: Por quê? HS: Vou atrás deles.
  • 14:21 - 14:22
    JS: Viu? (Risos)
  • 14:22 - 14:23
    HS: Vou atrás deles. JS: Sério?
  • 14:23 - 14:24
    HS: Ah, sim.
  • 14:24 - 14:27
    JS: Então, vão pegar você
    porque eles podem estar armados.
  • 14:27 - 14:30
    HS: Sabe de uma coisa? Vou chamar
    a polícia também, como deve ser.
  • 14:31 - 14:35
    Mas, tem razão, não se pode
    andar por aí perseguindo as pessoas.
  • 14:35 - 14:37
    JS: Eles podem estar armados.
  • 14:37 - 14:39
    HS: Sim, tem razão.
  • 14:39 - 14:40
    Tenho vontade de persegui-los.
  • 14:40 - 14:42
    JS: E tem mais: poderiam ser um exército.
  • 14:42 - 14:45
    HS: Quero ir atrás de quem
    fica perturbando meu filho.
  • 14:46 - 14:47
    Não gosto disso.
  • 14:48 - 14:50
    HS: Mas você tem razão,
    é preciso ter cuidado.
  • 14:51 - 14:54
    É preciso tomar cuidado.
  • 14:54 - 14:57
    Nunca se sabe o que
    alguns loucos pensarão de você.
  • 14:59 - 15:04
    Pense que você é bonito,
    como o papai acredita,
  • 15:04 - 15:07
    e a mamãe também acredita
    que você é bonito e inteligente.
  • 15:08 - 15:11
    E você merece estar neste mundo,
  • 15:11 - 15:14
    tão feliz, bonito e inteligente
    quanto quiser ser.
  • 15:15 - 15:17
    Você pode ser o que quiser, meu filho.
  • 15:19 - 15:23
    HS: A socialização racial não é apenas
    o que os pais ensinam aos filhos.
  • 15:24 - 15:27
    É também como os filhos respondem
    ao que seus pais ensinam.
  • 15:28 - 15:30
    Meu filho está preparado?
  • 15:31 - 15:35
    Ele consegue reconhecer
    quando um elefante racial surge na frente?
  • 15:35 - 15:39
    Consegue reduzir a interpretação exagerada
  • 15:39 - 15:43
    a uma mais factível,
    com a qual possa lidar sem fugir?
  • 15:44 - 15:48
    Consegue tomar uma decisão justa
    e positiva em 60 segundos?
  • 15:48 - 15:50
    Será que eu consigo?
  • 15:50 - 15:51
    Será que vocês conseguem?
  • 15:52 - 15:53
    Sim, nós conseguimos.
  • 15:54 - 15:57
    Conseguimos construir relacionamentos
    mais saudáveis sobre a questão racial
  • 15:57 - 16:02
    se aprendermos a calcular, localizar,
    comunicar, inspirar e expirar
  • 16:02 - 16:06
    no meio de nossos momentos
    mais ameaçadores,
  • 16:06 - 16:09
    quando estamos cara a cara
    com nosso lado mais instintivo.
  • 16:11 - 16:13
    Se consideramos
    os séculos de ódio racial
  • 16:13 - 16:17
    que fervem em todo o corpo, mente e alma,
  • 16:18 - 16:23
    e que tudo o que afeta o nosso corpo,
    mente e alma afeta nossa saúde,
  • 16:23 - 16:26
    poderíamos usar o controle de armas
    para o nosso coração.
  • 16:27 - 16:30
    Só quero o que todos os pais
    querem para seus filhos
  • 16:30 - 16:31
    quando não estamos por perto:
  • 16:31 - 16:33
    afeto e proteção.
  • 16:34 - 16:37
    Quando a polícia e os professores
    virem meus filhos,
  • 16:37 - 16:39
    quero que imaginem seus próprios filhos,
  • 16:39 - 16:43
    porque acredito que, se virem
    nossos filhos como seus filhos,
  • 16:44 - 16:45
    não atirarão neles.
  • 16:46 - 16:49
    Com a alfabetização racial e a prática,
  • 16:49 - 16:53
    podemos interpretar o trauma
    racial de nossas histórias,
  • 16:53 - 16:55
    e nossa cura virá ao contá-las.
  • 16:55 - 16:59
    Mas nunca devemos nos esquecer
  • 17:00 - 17:04
    de que nossas diferenças culturais
    são repletas de afeto e proteção,
  • 17:04 - 17:08
    e lembrem-se sempre de que
    a história do leão nunca será conhecida
  • 17:08 - 17:10
    enquanto quem a contar for o caçador.
  • 17:11 - 17:12
    Muito obrigado.
  • 17:12 - 17:15
    (Aplausos)
タイトル:
Como resolver situações de tensão racial
話者:
Howard Stevenson
概説:

Se esperamos curar as tensões raciais que ameaçam rasgar o tecido da sociedade, precisaremos de habilidades para nos expressarmos abertamente em situações de tensão racial. Por meio da alfabetização racial, ou seja, a capacidade de ler, reformular e resolver essas situações, o psicólogo Howard C. Stevenson ajuda pais e filhos a diminuir e gerenciar a tensão e o trauma. Nesta palestra inspiradora e impressionante, aprenda mais sobre como esta abordagem para interpretar a ameaça racial pode ajudar os jovens a desenvolver a confiança e a defender a si mesmos de maneira produtiva.

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Video Language:
English
Team:
TED
プロジェクト:
TEDTalks
Duration:
17:34

Portuguese, Brazilian subtitles

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