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A Grande Guerra de Tolkien

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    John Ronald Reuel Tolkien
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    nasceu a 3 de janeiro de 1892.
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    Ele e o seu irmão Hilary,
    viveram uma infância difícil.
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    Quando Tolkien tinha apenas quatro anos,
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    perdeu o pai, Arthur,
    com uma febre reumática.
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    Mabel, a mãe, uma viúva
    de baixos rendimentos,
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    ensinou os filhos em casa
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    e desempenhou um papel vital
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    na sua educação e desenvolvimento.
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    Tolkien era um rapaz inteligente,
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    com um grande fascínio pelas línguas.
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    Tolkien candidatou-se
    à Escola de King Edward,
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    em Birmingham e foi aceite.
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    A partir do outono de 1900,
    por 12 libras por ano,
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    Tolkien iria ser educado num ambiente
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    que incentivaria o seu potencial académico
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    John Garth: A ida para King Edward
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    foi de importância vital para Tolkien.
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    Ele era um rapaz
    excecionalmente talentoso.
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    A escola de King Edward
    proporcionou-lhe uma ampla visão
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    e a companhia de outros rapazes
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    que eram igualmente talentosos
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    e que, provavelmente,
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    Tolkien dificilmente encontraria.
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    Simon Stacey: Tolkien jogava râguebi
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    e era uma voz importante
    na sociedade de debates
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    e na sociedade literária.
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    Era a vida e a alma e penso
    que sentiu muito a falta da escola
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    quando, por fim, teve que se ir embora.
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    VO: Com 11 anos,
    Tolkien e o irmão Hilary,
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    perderam a mãe, Mabel, devido a diabetes.
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    Destroçado, ele dedicou-se à escola
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    ainda mais energicamente
    do que anteriormente.
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    Academicamente, era excelente
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    mas, em 1905, encontra
    o seu rival intelectual,
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    Christopher Wiseman.
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    JG: Tolkien conhece o seu maior amigo
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    na escola King Edward, Christopher Wiseman,
    no campo do râguebi.
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    Músico, matemático,
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    muito diferente de Tolkien.
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    Estabeleceram uma ligação
    tão forte no râguebi
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    que se intitulavam
    "Os Grandes Irmãos Gémeos",
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    que era uma frase de
    "Lays of Ancient Rome",
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    de Lorde Macauley.
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    SS: Também eram
    rivais amigáveis na escola,
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    sendo ambos rapazes muito académicos.
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    Wiseman tinha um intelecto formidável
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    e interessava-se por muitas das coisas
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    em que Tolkien também estava interessado:
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    línguas, penso que
    ele estava a pensar no egípcio
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    e estava a pensar nos hieróglifos.
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    JG: Tolkien e Wiseman
    devem ter-se ajudado
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    a definir-se um ao outro
    durante os anos de adolescência,
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    porque discutiam muito
    sobre as suas crenças na vida.
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    SS: Wiseman era um músico cheio de talento.
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    Tolkien era duro de ouvido
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    mas isso não os impedia de continuar!
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    VO: Tolkien também se tornou amigo
    do filho do diretor, Rob Gilson.
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    Tolkien, Wiseman e Gilson,
    estabeleceram uma ligação
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    que duraria durante todos os anos da escola
    e para além dela.
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    Fora da escola King Edward,
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    a vida de Tolkien vai mudar de novo.
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    JG: Tolkien vivia numa pensão,
    com o irmão, Hilary.
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    Quando tinha 16 anos
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    conheceu uma outra pensionista, Edith Batt
    que, na altura, tinha 19 anos.
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    Era uma rapariga muito bela
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    uma pianista talentosa e também era órfã.
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    Os dois ligaram-se pela sua tristeza comum
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    mas também pelas suas esperanças e sonhos.
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    A dificuldade para Ronald
    — como ela lhe chamava —
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    e para Edith, era que ele
    era católico romano
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    e ela era anglicana.
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    VO: O tutor de Tolkien,
    o Padre Francis Morgan,
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    um padre católico, percebe
    que isso é uma barreira importante
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    e também acha
    que Edith poderá afastar Tolkien
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    da sua tentativa de entrar
    na Universidade de Oxford.
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    JG: O Padre Francis Morgan
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    proibiu-os de se encontrarem,
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    ou sequer de comunicarem.
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    Ele voltou para os seus amigos
    da escola King Edward
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    e foi nessa fase final da sua época
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    que ele começou a florescer
    e a conquistar o seu lugar.
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    Ele e os amigos davam cartas.
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    VO: Aproveitando ao máximo
    o seu ano de finalistas
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    na escola King Edward
    e os amigos que tinham feito,
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    Tolkien e os seus pares
    fundaram uma sociedade informal.
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    Estes jovens intelectuais reuniam-se
    na biblioteca da escola
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    faziam o que era proibido fazer:
    faziam chá.
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    Fora das horas da escola,
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    reuniam-se num café de Barrow's Store,
    em Birmingham.
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    Troçando de si mesmos, intitulavam-se
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    o "Clube do Chá e a Sociedade de Barrow"
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    ou o CCSB, enquanto sigla.
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    JG: O núcleo principal do CCBS
    era provavelmente Tolkien e Wiseman,
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    e os outros gravitavam à volta deles.
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    Havia Robert Quilter Gilson,
    filho do diretor.
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    Rob era um rapaz culto e sociável,
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    era talvez o elemento aglutinador do grupo.
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    Recebia bem toda a gente
    e encontrava causas comuns com eles.
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    Um tipo gentil e artístico
    que adorava desenhar.
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    SS: Era um artista dotado
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    e tinha a ambição de ser arquiteto.
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    JG: Houve uma entrada tardia,
    Geoffrey Bache Smith,
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    que era fascinado pela mitologia céltica.
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    Isso deu-lhe um tema comum com Tolkien.
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    Era outra das paixões de Tolkien.
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    SS: Smith era um bom poeta, evoluído,
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    que recomendava a Tolkien
    poesia contemporânea.
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    Quando começou a escrever poesia,
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    Tolkien, até certo ponto,
  • 5:35 - 5:37
    foi inspirado por Smith
    e pelo grupo em geral.
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    Foi esse o início de Tolkien
    enquanto escritor.
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    JG: Desde o início,
    em que o importante era o divertimento
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    até posteriormente,
    durante os anos da guerra,
  • 5:48 - 5:50
    isso evoluiu para uma camaradagem
  • 5:50 - 5:54
    em que todos eles beberam
    uma força tremenda e conforto.
  • 5:55 - 5:58
    VO: No final desse ano,
    a época de Tolkien
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    na escola King Edward chegou ao fim
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    e ele começou
    o seu primeiro período em Oxford,
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    depois de ter sido aceite com êxito.
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    Na véspera do 21.º aniversário
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    e da sua independência
    do Padre Francis Morgan,
  • 6:11 - 6:13
    Tolkien escreve a Edith
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    e, em menos duma semana,
    voltam a encontrar-se.
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    Edith está noiva de outro homem,
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    mas, apesar de um ridículo quase certo,
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    concorda em quebrar o noivado
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    para ficar com o seu Ronald.
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    Nos meses seguintes,
    um sentimento crescente
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    de problemas percorre a Europa
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    e a 28 de junho de 1914, tudo muda.
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    (som de disparos)
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    Gavrillo Princip é preso
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    pelo assassínio do arquiduque
    Franz Ferdinand.
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    Segue-se uma crise diplomática
    e, em poucas semanas,
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    as principais potências da Europa
    estão em guerra.
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    A Alemanha invade a Bélgica
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    e a Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha.
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    O Parlamento emite um apelo às armas
    para o público britânico.
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    Paul Golightly: Não há uma corrida
    à bandeira imediatamente.
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    Torna-se muito óbvio
  • 7:09 - 7:10
    que as pessoas
    estão mais dispostas a aderir
  • 7:10 - 7:12
    quando aparecem
    as histórias das atrocidades.
  • 7:12 - 7:16
    Nessa altura sente-se
    um impulso muito maior para participar.
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    JG: Havia um ambiente
    de excitação sobre a guerra.
  • 7:19 - 7:21
    Havia um sentimento ingénuo
  • 7:21 - 7:23
    de que ela iria permitir
    que os jovens cumprissem
  • 7:23 - 7:26
    o seu potencial duma forma
    que não seria possível em tempo de paz.
  • 7:27 - 7:29
    Havia um tremendo
    sentimento de patriotismo
  • 7:29 - 7:30
    e um sentimento do dever
  • 7:30 - 7:33
    para com o que quer que a Inglaterra
    ou a Grã-Bretanha defendesse.
  • 7:34 - 7:36
    PG: Eram atraídos pela ideia
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    de acertar as contas com os alemães
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    ou, pelo menos, alguns deles eram.
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    No todo, pensavam que iam
    pôr o nariz dos alemães a sangrar.
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    JG: "Os alemães
    tinham sido uns cobardes"
  • 7:46 - 7:49
    e precisavam de ser metidos na ordem
  • 7:49 - 7:52
    PG: Os homens alistavam-se
    sem ser por necessidade económica,
  • 7:52 - 7:54
    encontramos disso em qualquer guerra.
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    A vida não é muito excitante
  • 7:56 - 8:00
    e o romance e o colorido
    de se alistar no exército
  • 8:00 - 8:03
    e de fazer parte duma coisa em grande,
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    claro que tem um certo fascínio.
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    Veem-se as coisas de modo romântico
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    o que, obviamente,
    está condenado ao fracasso.
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    Todos sabemos em que se tornou
    a I Guerra Mundial.
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    Não é uma guerra de movimento,
    de choque, de entusiasmo.
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    Não há cargas de cavalaria
    nem trombetas à distância.
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    O que vai dominar
    é o matraquear das metralhadoras
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    e as explosões da artilharia.
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    Penso que eles têm expectativas
    sobre o que vai ser a guerra,
  • 8:33 - 8:35
    e penso que a sua principal emoção era:
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    "Será que vai acabar
    antes de eu chegar a França?"
  • 8:39 - 8:42
    JG: Tolkien, cujas leituras englobavam
  • 8:42 - 8:46
    a literatura de antigos heróis
    que, surpreendentemente,
  • 8:46 - 8:50
    é muito franca sobre
    o que acontece na guerra,
  • 8:50 - 8:54
    foi para a guerra
    de olhos muito mais abertos.
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    Descreveu-se a si mesmo como
    um "jovem com demasiada imaginação"
  • 8:58 - 9:01
    e portanto não se deliciava com a guerra
  • 9:01 - 9:02
    fosse em que sentido fosse.
  • 9:02 - 9:04
    PG: Penso que isso se aplicava,
  • 9:04 - 9:06
    não apenas a homens
    como Tolkien, que lutou nela,
  • 9:06 - 9:09
    mas também aos políticos e generais
    que a dirigiam.
  • 9:09 - 9:12
    Penso que muita gente percebia
    que esta guerra ia ser terrível.
  • 9:14 - 9:16
    SS: O que apanhamos nas cartas
  • 9:16 - 9:18
    entre Gilson, Tolkien e Wiseman
  • 9:18 - 9:19
    e depois na poesia de Smith,
  • 9:19 - 9:25
    é uma forte determinação
    de cumprirem o dever
  • 9:25 - 9:28
    e de estarem preparados para dar a vida,
  • 9:28 - 9:32
    uma apreciação realista
    de que é uma época sombria
  • 9:32 - 9:34
    e que eles têm que a atravessar.
  • 9:35 - 9:36
    VO: G.B. Smith e Rob Gilson
  • 9:36 - 9:39
    alistaram-se ambos no exército em 1914.
  • 9:39 - 9:42
    Hilary, o irmão de Tolkien
    alista-se como corneteiro
  • 9:42 - 9:45
    e Christopher Wiseman vai para a marinha.
  • 9:46 - 9:49
    Mas Tolkien enfrenta um dilema.
  • 9:51 - 9:54
    SS: Tolkien estava numa posição difícil
    quando a guerra rebentou.
  • 9:54 - 9:57
    Faltava-lhe um ano
    para acabar o curso em Oxford
  • 9:57 - 9:59
    e Tolkien precisava muito de o acabar
  • 9:59 - 10:02
    porque queria continuar
    uma carreira académica.
  • 10:02 - 10:06
    Não tinha dinheiro de família,
    ao contrário de Gilson
  • 10:06 - 10:12
    e, portanto, depois de investir
    três anos no curso,
  • 10:12 - 10:14
    era muito importante acabá-lo.
  • 10:14 - 10:16
    Portanto, descobriu um esquema
  • 10:16 - 10:19
    em que podia receber formação
  • 10:19 - 10:21
    no Corpo de Formação de Oficiais,
  • 10:21 - 10:24
    enquanto completava o curso,
    o que conseguiu triunfalmente
  • 10:24 - 10:26
    com distinção, em Oxford.
  • 10:26 - 10:28
    VO: Segue o seu grande amigo, G.B. Smith,
  • 10:28 - 10:30
    nos Fuzileiros de Lancashire,
  • 10:30 - 10:33
    na esperança de ser colocado
    no mesmo batalhão.
  • 10:34 - 10:37
    JG: Tolkien procurou
    qualquer coisa no exército
  • 10:37 - 10:40
    onde pudesse usar
    os seus talentos especiais,
  • 10:40 - 10:43
    Os seus talentos epeciais eram as línguas
    e os sistemas de escrita.
  • 10:43 - 10:46
    Tinha um fascínio pelos códigos
    e coisas dessas.
  • 10:46 - 10:49
    Portanto, era mais que natural
    que ele arranjasse formação
  • 10:49 - 10:50
    em transmissões.
  • 10:50 - 10:53
    PG: Significava que Tolkien
    tinha que tomar contacto
  • 10:53 - 10:55
    com a tecnologia disponível na época
  • 10:55 - 10:56
    e deve ter ficado interessado.
  • 10:56 - 11:02
    Daí o uso da rádio,
    o uso dos sinais, dos semáforos.
  • 11:03 - 11:05
    SS: Aprendeu código Morse,
  • 11:05 - 11:08
    aprendeu a usar lâmpadas de sinalização,
  • 11:08 - 11:11
    telefones de campo, que, claro,
    acabaram em grande parte
  • 11:11 - 11:13
    por serem ineficazes ou não funcionarem.
  • 11:13 - 11:17
    JG: Veio a ser oficial do Batalhão
    de Transmissões no seu batalhão.
  • 11:17 - 11:21
    Tolkien tinha que controlar
    as comunicações dum batalhão
  • 11:21 - 11:24
    de cerca de 600 a 1000 homens,
  • 11:24 - 11:26
    consoante a quantidade
    de força humana na altura.
  • 11:26 - 11:28
    PG: Claro que o seu trabalho base
  • 11:28 - 11:31
    era agir como ligação entre
    os diversos estratos de comando,
  • 11:31 - 11:35
    e era responsável pela receção das ordens
  • 11:35 - 11:37
    e por assegurar que eram entregues
    às pessoas certas
  • 11:37 - 11:41
    e, claro, era responsável
    por transmitir ao comando superior
  • 11:41 - 11:44
    a situação do seu setor.
  • 11:44 - 11:45
    JG: Portanto, era uma peça crucial
  • 11:45 - 11:48
    numa guerra que dependia totalmente
  • 11:48 - 11:50
    da quantidade de informações que se tinham
  • 11:50 - 11:52
    sobre a posição do inimigo.
  • 11:52 - 11:54
    VO: Em março de 1916,
  • 11:54 - 11:57
    quando a sua formação se aproxima do fim,
  • 11:57 - 11:59
    Tolkien e Edith tomam consciência
  • 11:59 - 12:01
    de que, em breve,
    ele será enviado para a Frente.
  • 12:01 - 12:06
    Casam-se e dois meses depois,
    Tolkien embarca para França.
  • 12:07 - 12:12
    Os dois despedem-se, sem saberem
    se alguma vez se voltarão a ver.
  • 12:21 - 12:24
    (Som de canhões a disparar)
  • 12:40 - 12:41
    VO: Quando Tolkien chega à Frente,
  • 12:41 - 12:44
    a guerra já se desenrolava há dois anos.
  • 12:45 - 12:46
    O custo da guerra é evidente:
  • 12:46 - 12:49
    o campo está cheio de cicatrizes
  • 12:49 - 12:50
    e as baixas são elevadas.
  • 12:52 - 12:54
    Depois de um empate virtual
    de guerra das trincheiras,
  • 12:54 - 12:56
    durante 1915,
  • 12:56 - 13:00
    e com uma nova vaga
    de milhares de recrutas recém-treinados,
  • 13:00 - 13:03
    torna-se claro que está iminente
    um Grande Empurrão.
  • 13:05 - 13:07
    O Batalhão de Tolkien mantém-se na reserva,
  • 13:07 - 13:09
    mas ele teme pela vida
    dos seus antigos colegas
  • 13:09 - 13:11
    que estão na Frente.
  • 13:13 - 13:15
    Um mês depois da sua chegada a França,
  • 13:15 - 13:18
    os Aliados lançam a Ofensiva Somme.
  • 13:18 - 13:22
    Às 7:30 da manhã, num sábado, dia 1 de julho,
  • 13:22 - 13:24
    as tropas na linha da frente britânica,
  • 13:24 - 13:26
    passam ao ataque.
  • 13:46 - 13:48
    Só no primeiro dia da Ofensiva,
  • 13:48 - 13:52
    morreram 20 000 homens,
    ficaram feridos 35 000
  • 13:52 - 13:55
    e mais de 2000 foram dados
    como desaparecidos.
  • 13:59 - 14:02
    PG: A primeira baixa foi o plano.
  • 14:02 - 14:05
    Começou a desmoronar-se muito rapidamente.
  • 14:05 - 14:07
    Tragicamente para os homens
    apanhados em campo aberto,
  • 14:07 - 14:09
    foi uma sentença de morte.
  • 14:09 - 14:11
    Morreu um em cada cinco dos homens
  • 14:11 - 14:13
    que entraram em combate no dia 1 de Julho.
  • 14:14 - 14:16
    JG: Foi o dia mais desastroso
  • 14:16 - 14:19
    da história do exército britânico
  • 14:19 - 14:22
    e uma tragédia para todo o país.
  • 14:23 - 14:28
    Houve aldeias que perderam
    todos os seus jovens.
  • 14:29 - 14:32
    PG: Ficou marcado
    como uma perda de inocência.
  • 14:33 - 14:35
    Os 20 000 que foram mortos
  • 14:35 - 14:39
    representam um ponto de viragem
    na consciência britânica
  • 14:39 - 14:42
    e talvez nas relações
    entre os que tomam as decisões
  • 14:42 - 14:45
    e os que são forçados a cumpri-las.
  • 14:53 - 14:56
    VO: Entre os muitos homens
    que se perderam naquele dia,
  • 14:56 - 15:00
    estava o querido membro do CCSB,
  • 15:00 - 15:02
    Robert Gilson.
  • 15:04 - 15:08
    JG: Ele chefiou o pelotão no ataque,
  • 15:08 - 15:10
    era o responsável pela sua companhia,
  • 15:10 - 15:13
    mas foi baleado
    a meio da Terra de Ninguém.
  • 15:17 - 15:19
    PG: Estava na quarta vaga.
  • 15:19 - 15:22
    Viu a primeira vaga avançar e fracassar,
  • 15:22 - 15:25
    a segunda vaga avançar e fracassar,
  • 15:25 - 15:27
    a terceira vaga avançar e fracassar.
  • 15:28 - 15:33
    E ele, que fazia parte da quarta vaga,
    teve que avançar e avançou.
  • 15:34 - 15:38
    Penso que isso é a coisa mais comovente
    e provavelmente mais trágica
  • 15:38 - 15:41
    naquele 1 de julho de 1916.
  • 15:42 - 15:47
    Aquela geração tinha tanta fé
    nos seus superiores,
  • 15:47 - 15:50
    provavelmente tinha tanta lealdade
    para com os seus colegas
  • 15:50 - 15:52
    que estava preparada para avançar
  • 15:52 - 15:54
    mesmo que significasse uma morte certa.
  • 15:57 - 15:59
    JG: Tolkien soube disso
  • 15:59 - 16:01
    depois da sua primeira ação no Somme,
  • 16:01 - 16:05
    umas semanas mais tarde, e ficou devastado.
  • 16:06 - 16:09
    Ficou abalado até aos alicerces
    das suas crenças.
  • 16:09 - 16:12
    Tal como todos os membros do CCSB,
  • 16:12 - 16:17
    tinha formado o seu grupo
    com camaradagem, com ideais
  • 16:17 - 16:21
    e no espírito de que tinham
    alguma coisa a dar ao mundo,
  • 16:22 - 16:25
    em que todos os quatro eram partes vitais,
  • 16:25 - 16:27
    e agora um deles estava morto.
  • 16:27 - 16:30
    O que é que aquilo significava
    quanto aos seus objetivos gerais?
  • 16:30 - 16:32
    E também ao seu objetivo.
  • 16:33 - 16:36
    SS: Geoffrey Smith escreveu-lhe uma carta
  • 16:36 - 16:42
    em que, claramente, Smith transmite
    sentimentos de devastação
  • 16:42 - 16:46
    e um sentimento de que
    a camaradagem tinha sido violada.
  • 16:47 - 16:50
    Rob nunca viria a ser arquiteto,
  • 16:50 - 16:55
    nunca cumpriria o seu papel
    naquilo com que tinham sonhado.
  • 16:56 - 17:00
    JG: Penso que ele levou
    muito tempo a recuperar.
  • 17:02 - 17:05
    Os outros dois membros, Wiseman e Smith,
  • 17:05 - 17:07
    teimaram em convencê-lo de que, não,
  • 17:07 - 17:09
    os propósitos do CCSB continuavam
  • 17:09 - 17:12
    e penso que, por fim, Tolkien
    se sentiu encorajado.
  • 17:14 - 17:16
    VO: Tolkien escreve ao pai de Rob,
  • 17:16 - 17:20
    o diretor da escola King Edward,
    a dar-lhe os pêsames.
  • 17:21 - 17:23
    "O CCSB perdeu um jovem brilhante,
  • 17:23 - 17:27
    "um artista de talento e,
    o mais doloroso de tudo,
  • 17:27 - 17:29
    "um querido amigo".
  • 17:34 - 17:36
    A guerra de Tolkien
    tinha começado verdadeiramente
  • 17:36 - 17:39
    e nos meses seguintes é sujeito
    às muitas provações
  • 17:39 - 17:41
    da guerra das trincheiras.
  • 17:41 - 17:45
    JG: Estava sempre a entrar
    e a sair das trincheiras.
  • 17:46 - 17:48
    Os batalhões eram rodados
  • 17:48 - 17:50
    da linha da Frente
    para as trincheiras de reserva
  • 17:50 - 17:54
    para descansarem,
    como eles diziam na galhofa,
  • 17:54 - 17:56
    mas não havia qualquer descanso,
    era treino.
  • 17:56 - 18:00
    Tolkien falava do desgaste universal
    de toda aquela guerra.
  • 18:00 - 18:04
    Mas, durante este período,
    esteve envolvido em três ataques.
  • 18:04 - 18:08
    Teve muita sorte por não ter participado
    no primeiro dia do Somme.
  • 18:08 - 18:11
    Estava uns quilómetros atrás
    da linha da Frente, nessa altura.
  • 18:12 - 18:15
    O seu batalhão avançou
    para uma segunda vaga de ataques.
  • 18:15 - 18:18
    Foram enviados
    contra uma aldeia chamada Ovier,
  • 18:18 - 18:20
    que tinha sido a linha da Frente alemã.
  • 18:20 - 18:22
    Uma das primeiras coisas que encontrou
  • 18:22 - 18:27
    foi um caos no sistema de comunicações
    do campo de batalha.
  • 18:27 - 18:29
    Era muito primitivo.
  • 18:29 - 18:33
    Só estava parcialmente montado
    e danificado pelos acasos da batalha.
  • 18:33 - 18:37
    Tinha sinalizadores a atravessar
    a Terra de Ninguém
  • 18:37 - 18:39
    a transportar luzes para dizer:
  • 18:39 - 18:41
    "Chegámos".
  • 18:41 - 18:44
    Mais luzes: "Fizemos prisioneiros".
  • 18:44 - 18:48
    Tinham pombos que eram
    o método de comunicação mais fiável.
  • 18:49 - 18:51
    Um dos sinalizadores de Tolkien
    ganhou uma medalha
  • 18:51 - 18:54
    por conseguir que os pombos atravessassem
  • 18:54 - 18:56
    a Terra de Ninguém
  • 18:56 - 18:58
    e fizessem o trabalho corretamente.
  • 18:58 - 19:01
    VO: O ataque é um êxito
    e foram feitos muitos prisioneiros.
  • 19:02 - 19:04
    De todo o combate que Tolkien relata,
  • 19:04 - 19:06
    uma das batalhas mais significativas
  • 19:06 - 19:08
    é também uma das suas últimas:
  • 19:08 - 19:11
    um ataque à Trincheira Regina.
  • 19:11 - 19:13
    JG: Isso foi em outubro,
  • 19:13 - 19:15
    altura em que o campo de batalha
    estava reduzido a lama.
  • 19:16 - 19:20
    O ataque tinha sido adiado
    por causa da chuva pesada
  • 19:20 - 19:22
    mas a 21 de outubro,
    houve uma vaga de frio,
  • 19:22 - 19:24
    o solo ficou duro com o gelo
  • 19:24 - 19:26
    e o ataque pôde ser concretizado.
  • 19:27 - 19:31
    (Disparos de canhão)
  • 19:35 - 19:37
    (Tiros de metralhadora)
  • 19:48 - 19:51
    JG: Presenciou mortes violentas,
  • 19:51 - 19:55
    também viu e sentiu um terror enorme.
  • 19:57 - 20:01
    Tanto quanto sabemos,
    ele nunca descreveu em pormenor
  • 20:01 - 20:03
    como foi aquela guerra das trincheiras
  • 20:03 - 20:05
    mas resumiu-o em duas palavras,
  • 20:05 - 20:09
    numa das suas cartas: "horror animal".
  • 20:10 - 20:13
    Retirava-lhes toda a humanidade
  • 20:13 - 20:17
    e transformava-os em bestas desesperadas
  • 20:17 - 20:20
    que só pensavam em fugir e sobreviver.
  • 20:20 - 20:22
    É muito interessante,
    se procurarmos no Senhor dos Anéis,
  • 20:22 - 20:26
    sempre que as personagens
    estão numa situação de terror extremo,
  • 20:26 - 20:33
    são sempre descritas
    como paralisadas e estupidificadas,
  • 20:33 - 20:35
    desumanizadas pelo terror.
  • 20:36 - 20:38
    PG: Muitas das trincheiras britânicas
  • 20:38 - 20:40
    eram propositadamente desconfortáveis
  • 20:40 - 20:42
    porque os generais queriam
    que os homens acreditassem
  • 20:42 - 20:43
    que eram apenas temporárias.
  • 20:43 - 20:45
    que iam sair dali,
  • 20:45 - 20:47
    que aquilo não era a casa deles.
  • 20:48 - 20:51
    VO: Na Frente Ocidental, Tolkien
    sente-se isolado de casa
  • 20:51 - 20:54
    e as cartas para Edith e as cartas dela
  • 20:54 - 20:56
    são um cabo de salvamento.
  • 20:56 - 20:58
    Por razões de importância estratégica,
  • 20:58 - 21:02
    Tolkien está impedido de informar
    nas cartas a sua localização
  • 21:02 - 21:04
    portanto inventa um código de pontos
  • 21:04 - 21:07
    para manter Edith informada
    do local onde está.
  • 21:07 - 21:10
    JG: Escolhe as letras do alfabeto
  • 21:10 - 21:12
    no texto do que lhe escreve
  • 21:12 - 21:14
    e põe um ponto por cima das relevantes
  • 21:14 - 21:18
    para escrever o nome do local
    onde estava nessa altura.
  • 21:19 - 21:22
    Edith tinha um mapa na parede
  • 21:22 - 21:26
    e assinala com um alfinete
    o local onde ele estava na altura.
  • 21:28 - 21:30
    VO: Depois do ataque com êxito
    à Trincheira Regina,
  • 21:30 - 21:35
    o batalhão retira-se da Frente
    e estaciona em frente das altas patentes.
  • 21:35 - 21:38
    Mas Tolkien adoece.
  • 21:38 - 21:40
    JG: Era a febre das trincheiras.
  • 21:40 - 21:42
    Era uma doença provocada pelos piolhos
  • 21:42 - 21:45
    devido à falta de higiene nas trincheiras.
  • 21:45 - 21:48
    PG: Espalha-se
    pelo contacto com os piolhos
  • 21:48 - 21:51
    e os sintomas não são nada agradáveis.
  • 21:51 - 21:54
    Provocam dores de cabeça,
    pode-se ter dores de estômago,
  • 21:54 - 21:58
    dores nas articulações e nos ossos,
  • 21:58 - 22:00
    lesões na pele.
  • 22:00 - 22:04
    Não é fatal mas pode ser muito debilitante.
  • 22:04 - 22:07
    Tão debilitante que não se pode ser
    um soldado eficaz.
  • 22:07 - 22:09
    Tolkien teve um ataque muito grave,
  • 22:09 - 22:11
    tão grave que teve que ser evacuado
  • 22:11 - 22:13
    "de volta a Blighty", como escreveram.
  • 22:13 - 22:15
    De facto, foi o fim da sua guerra.
  • 22:15 - 22:16
    JG: Salvou a vida de Tolkien.
  • 22:16 - 22:20
    Tirou-o do campo de batalha
    e ele voltou à Grã-Bretanha.
  • 22:20 - 22:23
    Foi enviado para Birmingham,
  • 22:23 - 22:26
    para o Hospital Geral First Southern,
  • 22:26 - 22:28
    como se chamava na época,
  • 22:28 - 22:30
    que estava instalado nos terrenos
    da Universidade de Birmingham.
  • 22:30 - 22:36
    Foi ali que Tolkien se reencontrou
    com a mulher, Edith
  • 22:36 - 22:40
    e onde ele começou a escrever
    as primeiras histórias
  • 22:40 - 22:41
    da "Terra-Média".
  • 22:41 - 22:44
    A sua reunião com Edith
    foi duplamente emotiva
  • 22:44 - 22:48
    e foi uma inspiração
    para diversas partes da escrita
  • 22:48 - 22:49
    na sua mitologia,
  • 22:49 - 22:52
    nomeadamente
    a história de Luthien e Beren,
  • 22:52 - 22:54
    que aparecem no Silmarillion
  • 22:54 - 22:56
    e estão referidas no Senhor dos Anéis.
  • 22:56 - 22:59
    Uma história de amor entre um homem mortal
  • 22:59 - 23:01
    e um duende imortal.
  • 23:02 - 23:06
    VO: Mas o descanso de Tolkien
    é de curta duração.
  • 23:06 - 23:08
    Pouco depois de regressar a Birmingham,
  • 23:08 - 23:10
    Tolkien vem a saber
    por Christopher Wiseman,
  • 23:10 - 23:14
    que o seu grande amigo G.B. Smith
    tinha sido morto.
  • 23:18 - 23:20
    JG: A Batalha do Somme acabara
  • 23:20 - 23:24
    e Smith estava a organizar
    um desafio de futebol para os seus homens
  • 23:24 - 23:27
    a cerca de 6 km da Linha da Frente,
  • 23:27 - 23:30
    quando uma bomba perdida
    explodiu perto dele.
  • 23:32 - 23:34
    Foi atingido pelos estilhaços
  • 23:34 - 23:37
    e contraiu uma gangrena gasosa,
  • 23:37 - 23:40
    que o matou em poucos dias.
  • 23:40 - 23:44
    No início de 1916, ainda Tolkien
    estava em formação,
  • 23:44 - 23:46
    tinha recebido uma carta de G.B. Smith
  • 23:46 - 23:49
    que, na altura,
    estava nas trincheiras, em França.
  • 23:49 - 23:52
    VO: Smith ia sair na patrulha da noite.
  • 23:52 - 23:54
    O oficial que chefiara a patrulha
    na noite anterior
  • 23:54 - 23:58
    tinha sido capturado
    e muito provavelmente morto.
  • 23:59 - 24:01
    JG: Era uma das atividades mais perigosas
  • 24:01 - 24:03
    que se podiam ter na Frente Ocidental
  • 24:03 - 24:05
    e Smith ia fazê-la.
  • 24:05 - 24:09
    Aproveitou a oportunidade
    para escrever a Tolkien e dizer-lhe:
  • 24:13 - 24:16
    "Vou sair na patrulha da noite.
  • 24:16 - 24:18
    "Sou um ardente e apaixonado admirador
  • 24:18 - 24:23
    "daquilo que escreveste
    e daquilo que hás de escrever".
  • 24:23 - 24:27
    Dissera a Tolkien:
    "Tenho a certeza que és um eleito,
  • 24:29 - 24:31
    "e tens que publicar".
  • 24:34 - 24:37
    Smith foi essencialmente
    o primeiro fã da Terra-Média.
  • 24:38 - 24:40
    SS: Smith diz na carta
  • 24:40 - 24:44
    que a morte não podia pôr fim ao CCSB,
  • 24:44 - 24:48
    aos "quatro imortais", nas suas palavras,
  • 24:48 - 24:54
    que Tolkien podia dizer
    as coisas que quisesse dizer,
  • 24:54 - 24:57
    muito depois de deixar de as poder dizer.
  • 24:57 - 25:01
    É muito comovente porque penso que Tolkien,
  • 25:01 - 25:05
    apesar do seu "eu" artístico individual,
  • 25:05 - 25:08
    viu a sua carreira posterior
  • 25:08 - 25:11
    como uma tentativa
    de cumprir os sonhos artísticos
  • 25:11 - 25:13
    que tinham partilhado.
  • 25:14 - 25:17
    JG: Ele conseguiu reunir as suas forças
  • 25:17 - 25:23
    e ver talvez em Smith um ideal
  • 25:23 - 25:25
    digno de viver.
  • 25:26 - 25:27
    VO: No verão de 1918,
  • 25:27 - 25:30
    Tolkien e Wiseman reúnem
    alguns dos poemas de Smith
  • 25:30 - 25:34
    e publicaram-nos num pequeno volume,
    intitulado:
  • 25:34 - 25:36
    "Uma Colheita da Primavera".
  • 25:38 - 25:39
    A guerra de Tolkien acabara,
  • 25:40 - 25:43
    mas o impacto das suas experiências
    ficará sempre nele
  • 25:43 - 25:46
    e influenciará a sua escrita futura.
  • 25:46 - 25:49
    JG: Toda a experiência da guerra
  • 25:49 - 25:53
    teve um efeito permanente
    na mitologia de Tolkien.
  • 25:53 - 25:55
    Logo que Tolkien regressou do Somme
  • 25:55 - 25:58
    começou a escrever uma história
    chamada "A Queda de Gondolin",
  • 25:58 - 26:00
    que foi o primeiro elemento
    da sua mitologia
  • 26:00 - 26:02
    que tratava de batalhas.
  • 26:02 - 26:06
    A coisa fascinante nisso foi que
    as forças atacantes
  • 26:06 - 26:08
    usavam coisas que Tolkien designava
  • 26:08 - 26:10
    por "dragões", "bestas" ou "monstros"
  • 26:10 - 26:15
    mas eram descritas como metálicas
    e a rolar e a cuspir fogo.
  • 26:16 - 26:18
    Algumas delas tinham tropas lá dentro.
  • 26:18 - 26:22
    É muito claro que é uma espécie
    de mitificar o tanque
  • 26:22 - 26:24
    que era a arma secreta dos britânicos,
  • 26:24 - 26:26
    que tinha sido lançada no Somme
  • 26:26 - 26:28
    quando Tolkien lá estava.
  • 26:28 - 26:31
    O Senhor dos Anéis
    concentra-se numa irmandade,
  • 26:31 - 26:34
    em que os membros estão separados
    em diversas frentes de batalha,
  • 26:34 - 26:36
    tal como estavam os do CCSB.
  • 26:36 - 26:38
    SS: É quase impensável
  • 26:38 - 26:40
    que, ao escrever sobre
    a dispersão da irmandade,
  • 26:40 - 26:42
    no Senhor dos Anéis,
  • 26:42 - 26:45
    Tolkien não tenha sido influenciado
    pela sua perda
  • 26:45 - 26:47
    durante a I Guerra Mundial
  • 26:47 - 26:50
    e pelo fim da irmandade do CCSB.
  • 26:50 - 26:53
    Há uma carta posterior em que ele refere
  • 26:53 - 26:56
    que os pântanos mortos,
  • 26:56 - 26:59
    que Frodo, Sam e Gollum atravessam,
  • 26:59 - 27:02
    se devem ao norte da França,
    na área do Somme,
  • 27:02 - 27:04
    onde ele combateu.
  • 27:04 - 27:08
    JG: Frodo e Sam são o equivalente
  • 27:08 - 27:11
    a um oficial e à sua ordenança,
    o seu impedido.
  • 27:11 - 27:13
    Tolkien diz mesmo:
  • 27:13 - 27:19
    "O meu Sam Gamgee é inspirado
    nos impedidos e ordenanças
  • 27:19 - 27:22
    "que conheci na I Guerra Mundial".
  • 27:22 - 27:26
    Frodo representa os sentimentos dum jovem,
  • 27:26 - 27:29
    como o próprio Tolkien,
    atirado para uma guerra
  • 27:29 - 27:33
    involuntariamente e tendo que suportar
    uma carga terrível, a carga do dever.
  • 27:34 - 27:39
    Podemos ver que Frodo exibe sintomas
  • 27:39 - 27:43
    daquilo a que hoje se chama
    Perturbação Pós-Traumática
  • 27:43 - 27:46
    ou Trauma da Guerra ou,
    como lhe chamavam na época,
  • 27:46 - 27:47
    Psicose de Obus.
  • 27:47 - 27:52
    Começa a afastar-se do mundo,
    cada vez mais encerrado em si mesmo.
  • 27:53 - 27:56
    Diz que não consegue recordar
    como era a relva,
  • 27:56 - 27:58
    como era a luz do sol.
  • 27:58 - 28:01
    Quando a guerra acaba
    em O Senhor dos Anéis,
  • 28:01 - 28:04
    Frodo não se pavoneia como um herói,
  • 28:04 - 28:07
    está visivelmente traumatizado
    por aquela experiência.
  • 28:07 - 28:11
    Isso era o que acontecia
    com muitos dos soldados
  • 28:11 - 28:12
    que regressavam da Frente Ocidental,
  • 28:12 - 28:15
    incapazes de falar sobre as experiências
  • 28:15 - 28:18
    que os tinham afetado tão profundamente.
  • 28:23 - 28:25
    PG: A geração que luta na I Guerra Mundial
  • 28:25 - 28:28
    devia ser considerada corajosa.
  • 28:28 - 28:31
    SS: O sacrifício dessa geração
    foi extraordinário.
  • 28:32 - 28:34
    JG: Foi uma perda trágica,
  • 28:34 - 28:38
    não só para as famílias, para os amigos,
  • 28:38 - 28:40
    mas para a civilização no seu todo.
  • 28:42 - 28:47
    Abalou crenças antigas e preconceitos
  • 28:47 - 28:49
    sobre a honra e a glória.
  • 28:49 - 28:55
    SS: É a primeira guerra
    a sério das máquinas.
  • 28:56 - 28:58
    Foram eliminados tantos milhares,
  • 28:58 - 29:02
    tantos milhões de homens,
    que foram destruídos
  • 29:02 - 29:06
    sem terem enfrentado o inimigo individualmente.
  • 29:07 - 29:09
    PG: Esses homens não tiveram o privilégio
  • 29:09 - 29:12
    de morrer um a um, morreram em massa.
  • 29:12 - 29:16
    Penso que é esse número
    que nos traumatiza tanto.
  • 29:16 - 29:21
    É por isso que temos os memoriais
    em Thiepval e Menin Gate.
  • 29:21 - 29:24
    São apenas uma longa lista de nomes.
  • 29:25 - 29:27
    Os corpos desapareceram,
    pura e simplesmente.
  • 29:27 - 29:29
    Todos tinham vidas separadas
  • 29:29 - 29:31
    mas todos desapareceram ao mesmo tempo.
  • 29:31 - 29:34
    JG: Quando lemos a crónica
    da escola King Edward,
  • 29:35 - 29:39
    como eu fiz quando investiguei
    a vida de Tolkien,
  • 29:39 - 29:44
    ficamos a conhecer os rapazes
    com quem ele cresceu
  • 29:44 - 29:46
    e vemos as suas realizações,
  • 29:46 - 29:48
    vemos o que andavam a estudar,
  • 29:48 - 29:51
    vemos como eram
    maravilhosamente inteligentes
  • 29:51 - 29:53
    potencialmente criativos e brilhantes.
  • 29:54 - 29:57
    Depois veio a I Guerra Mundial
  • 29:57 - 29:59
    e vemos que era para isso
    que eles estavam destinados.
  • 30:00 - 30:03
    PG: Aqueles jovens,
    com a vida inteira à sua frente,
  • 30:03 - 30:05
    foram — sim, é uma frase
    que todos conhecemos —
  • 30:05 - 30:07
    foram ceifados na sua juventude.
  • 30:07 - 30:08
    Tinham um grande potencial,
  • 30:08 - 30:11
    cheio de vida,
    cheio de vigor, cheio de planos,
  • 30:11 - 30:12
    cheio de ambições.
  • 30:12 - 30:15
    Queriam fazer montes de coisas
    na sua vida profissional e pessoal
  • 30:15 - 30:17
    e essa oportunidade foi-lhes negada.
  • 30:17 - 30:20
    JG: Quando olhamos
    para os acasos da guerra,
  • 30:20 - 30:22
    é espantoso como Tolkien sobreviveu
  • 30:22 - 30:25
    e conseguiu produzir
    as grandes obras de literatura
  • 30:25 - 30:27
    que escreveu.
  • 30:27 - 30:28
    Obras que moldaram a nossa cultura.
  • 30:28 - 30:33
    Ficamos a pensar
    quantos outros não sobreviveram
  • 30:33 - 30:36
    que potencial tinham dentro deles
  • 30:36 - 30:38
    que nunca tiveram tempo de revelar.
  • 30:39 - 30:42
    É uma perda irreparável.
  • 30:45 - 30:48
    SS: G.B. Smith dá um breve lampejo
  • 30:48 - 30:51
    duma vida jovem aniquilada
  • 30:51 - 30:57
    que só comunicou os seus sonhos
    de forma muito incompleta.
  • 30:58 - 31:01
    PG: É uma geração que não falou
    sobre o que sentia.
  • 31:01 - 31:05
    Nesse sentido, penso que
    o efeito psicológico foi de longa duração.
  • 31:05 - 31:09
    Muitos veteranos sobreviveram à guerra
  • 31:09 - 31:11
    mas descobriram
    que não conseguiam sobreviver à paz.
  • 31:13 - 31:15
    VO: Na capela da escola King Edward
  • 31:15 - 31:20
    há oito placas de latão que têm
    os nomes de 245 antigos alunos
  • 31:20 - 31:23
    que perderam a vida
    durante a I Guerra Mundial.
  • 31:23 - 31:26
    Tolkien e os seus amigos do CCSB,
  • 31:26 - 31:29
    são apenas quatro
    dos quase 1500 antigos alunos
  • 31:29 - 31:33
    que responderam à chamada do seu país
    e combateram na Grande Guerra.
  • 31:34 - 31:36
    Cada uma das suas histórias
    devia ser contada.
  • 31:38 - 31:39
    PG: Os cemitérios que podemos visitar
  • 31:40 - 31:45
    no norte da França tornaram-se
    quase nas catedrais do século XXI.
  • 31:45 - 31:48
    É preciso fazer algumas
    perguntas muito importantes
  • 31:48 - 31:52
    sobre a natureza da guerra
    e a natureza do sacrifício.
  • 31:55 - 31:57
    E, no caso da I Guerra Mundial,
  • 31:57 - 32:00
    a escala desse sacrifício,
  • 32:00 - 32:03
    e se qualquer guerra é digna disso.
  • 32:13 - 32:15
    [1403 antigos alunos da escola King Edward
  • 32:15 - 32:18
    [prestaram serviço ao país
    durante o conflito.
  • 32:18 - 32:19
    [Foram mortos quase um em cada cinco]
  • 32:19 - 32:22
    [Calcula-se que houve mais
    de 16 milhões de mortos
  • 32:22 - 32:24
    [e 20 milhões de feridos
    durante a I Guerra Mundial]
Title:
A Grande Guerra de Tolkien
Description:

Um documentário de meia hora sobre as experiências de JRR Tolkien, durante a I Guerra Mundial, produzido para uma exposição no centenário da Escola King Edward, em Birmingham.

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Video Language:
English
Duration:
32:58

Portuguese subtitles

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