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Não sou só surda | Joanne Chester | TEDxDunLaoghaire

  • 0:31 - 0:34
    Gostaria de fazer uma pergunta.
  • 0:35 - 0:38
    Há intérpretes da língua de sinais aqui.
  • 0:39 - 0:41
    Para quem eles estão aqui?
  • 0:42 - 0:43
    Para mim?
  • 0:47 - 0:49
    Sim, claro. Eles estão aqui para mim.
  • 0:51 - 0:54
    Mas, acima de tudo,
    estão aqui por todos vocês,
  • 0:54 - 0:57
    para entenderem a minha língua.
  • 0:58 - 1:00
    Os intérpretes da língua de sinais
  • 1:01 - 1:02
    estão fazendo o quê?
  • 1:02 - 1:03
    Eu gesticulo,
  • 1:03 - 1:07
    eles dublam e traduzem para o inglês.
  • 1:10 - 1:12
    Vou contar uma história para vocês.
  • 1:14 - 1:16
    Eu nasci surda.
  • 1:17 - 1:21
    Os médicos me diagnosticaram
    surda aos seis meses.
  • 1:23 - 1:25
    Meus pais,
  • 1:25 - 1:28
    eles tiveram o suporte necessário?
  • 1:28 - 1:29
    Não, não tiveram.
  • 1:30 - 1:32
    Eles tiveram acesso à informação que havia
  • 1:32 - 1:35
    sobre a comunidade surda,
    sua língua e cultura
  • 1:35 - 1:39
    e as potenciais oportunidades
    que havia para o meu futuro?
  • 1:39 - 1:40
    Não, não tiveram.
  • 1:41 - 1:47
    Minha vida estava condenada
    daquele momento adiante.
  • 1:49 - 1:51
    Primeiro, frequentei
    o maternal tradicional
  • 1:51 - 1:53
    com outras crianças.
  • 1:54 - 1:57
    Lembro de me sentar em uma roda
  • 1:57 - 2:00
    com dois professores
    sentados na minha frente.
  • 2:01 - 2:05
    Todas as crianças participavam
    de uma atividade de canto.
  • 2:05 - 2:08
    Todas cantavam.
  • 2:09 - 2:10
    O que eu estava fazendo?
  • 2:12 - 2:13
    Nada.
  • 2:14 - 2:17
    Fiquei sentada fazendo nada.
  • 2:17 - 2:19
    Estava perdida.
  • 2:20 - 2:22
    As crianças continuavam cantando,
  • 2:24 - 2:26
    então se levantaram,
  • 2:26 - 2:28
    porque fazia parte
    dos movimentos daquela cantiga,
  • 2:28 - 2:30
    e então todos se abaixaram.
  • 2:31 - 2:32
    O que eu estava fazendo?
  • 2:33 - 2:35
    Ainda sentada fazendo nada.
  • 2:35 - 2:37
    Apenas sentada,
  • 2:37 - 2:38
    perdida,
  • 2:38 - 2:40
    isolada,
  • 2:40 - 2:41
    excluída.
  • 2:44 - 2:46
    Gesticulei para um menininho
    que estava no chão:
  • 2:46 - 2:48
    "Venha, sente aqui comigo".
  • 2:49 - 2:52
    Ele veio e sentou do meu lado.
  • 2:53 - 2:55
    Aquilo serviu para mostrar
  • 2:55 - 2:59
    como eu me sentia
    solitária sentada sozinha,
  • 2:59 - 3:02
    e mesmo ele sentando comigo,
    me sentia mais sozinha ainda.
  • 3:05 - 3:09
    Um tempo depois, fui para a escola
    estadual tradicional local.
  • 3:09 - 3:11
    Fiquei lá por mais ou menos um ano.
  • 3:11 - 3:12
    Mas não deu certo.
  • 3:14 - 3:18
    Meus pais tiveram que tomar
    a dolorosa e difícil decisão
  • 3:18 - 3:21
    de me mandar para Dublin,
    para um internato de crianças surdas.
  • 3:24 - 3:27
    Lembro do meu primeiro dia lá.
  • 3:27 - 3:29
    Entrei na sala de aula.
  • 3:31 - 3:33
    Tinha um grupo de meninas sentadas.
  • 3:34 - 3:38
    Elas são minhas amigas até hoje,
    depois de todos esses anos.
  • 3:38 - 3:40
    Uma delas
  • 3:41 - 3:42
    ainda se lembra de acenar
  • 3:42 - 3:45
    e gesticular para eu me juntar a elas.
  • 3:46 - 3:47
    Elas estavam pintando.
  • 3:48 - 3:50
    Fui até elas.
  • 3:51 - 3:54
    Elas se organizaram
    e abriram espaço para mim.
  • 3:54 - 3:56
    Eu sentei.
  • 3:57 - 4:02
    E minha amiga gesticulou para mim
    contando o que estavam fazendo.
  • 4:03 - 4:04
    Estavam pintando.
  • 4:04 - 4:06
    E, daquele momento adiante,
  • 4:06 - 4:10
    eu não me lembro como, de fato,
    aprendi a Língua de Sinais Irlandesa.
  • 4:10 - 4:12
    Não me lembro como aprendi.
  • 4:12 - 4:15
    Não lembro de ter escolhido
    ou de sua influência.
  • 4:15 - 4:18
    Não me lembro da prática efetiva,
  • 4:18 - 4:20
    mas sabia que era a minha língua,
  • 4:20 - 4:23
    e sei que nos primeiros
    cinco anos e nove meses de vida,
  • 4:23 - 4:25
    eu havia sido privada dela.
  • 4:28 - 4:30
    Língua de Sinais Irlandesa:
  • 4:30 - 4:31
    o que é isso?
  • 4:32 - 4:33
    É uma língua.
  • 4:34 - 4:37
    Parecida com a que você usa.
  • 4:38 - 4:40
    Similar às línguas faladas:
  • 4:40 - 4:44
    francês, espanhol, alemão, inglês,
    todas as línguas que existem.
  • 4:44 - 4:47
    E cada país tem a sua língua de sinais.
  • 4:48 - 4:53
    A Língua de Sinais Irlandesa tem sua
    própria estrutura, gramática, sintaxe,
  • 4:53 - 4:56
    assim como as línguas faladas.
  • 4:57 - 4:59
    A Língua de Sinais Irlandesa
  • 4:59 - 5:03
    é a primeira opção e também
    a preferida da comunidade surda.
  • 5:04 - 5:08
    Ela se baseia 80% em linguagem
    corporal e expressão visual.
  • 5:08 - 5:10
    É uma língua visual.
  • 5:11 - 5:13
    Não sei se vocês sabem,
  • 5:13 - 5:17
    mas ela ja é uma língua
    reconhecida aqui na Irlanda,
  • 5:17 - 5:22
    é a terceira língua do país desde 2017.
  • 5:23 - 5:26
    A Língua de Sinais Irlandesa é para todos.
  • 5:26 - 5:29
    É primordial para a inclusão.
  • 5:32 - 5:35
    Quero que vocês imaginem o seguinte:
  • 5:35 - 5:37
    imagine se que aqui na Irlanda,
  • 5:37 - 5:40
    em qualquer lugar,
  • 5:40 - 5:41
    todos pudessem gesticular.
  • 5:42 - 5:45
    Imagine sair de casa e esbarrar
    nas pessoas e gesticular.
  • 5:45 - 5:47
    Ir ao banco e gesticular.
  • 5:47 - 5:49
    Fazer compras e gesticular.
  • 5:49 - 5:52
    Ouvintes e surdos,
    todos podendo gesticular.
  • 5:52 - 5:53
    Conseguem imaginar?
  • 5:53 - 5:56
    Conseguem imaginar se o mudo fosse assim,
  • 5:56 - 5:59
    em todos os outros países
    onde há línguas de sinais,
  • 5:59 - 6:02
    pudéssemos gesticular em todos os lugares
  • 6:02 - 6:05
    e pudéssemos nos comunicar através dela?
  • 6:05 - 6:06
    Imaginem.
  • 6:08 - 6:10
    Vou contar outra história.
  • 6:12 - 6:15
    Aconteceu comigo há três semanas.
  • 6:17 - 6:20
    Estava no ponto esperando o bonde.
  • 6:20 - 6:23
    Percebi que uma mulher
    vinha na minha direção,
  • 6:23 - 6:27
    e notei pela sua linguagem
    corporal que estava confusa.
  • 6:27 - 6:29
    Ela se aproximou e falou algo para mim.
  • 6:29 - 6:32
    Eu tentei me comunicar com ela
  • 6:32 - 6:33
    mas como vocês sabem,
  • 6:33 - 6:37
    pessoas surdas se esforçam
    para entender a leitura labial,
  • 6:37 - 6:40
    mas 90% é apenas suposição.
  • 6:42 - 6:45
    Então tentei fazer leitura labial
  • 6:45 - 6:48
    e ela disse algo do tipo:
  • 6:49 - 6:52
    "Esse é 'tal, 'tal' ou 'tal' ponto?"
  • 6:53 - 6:58
    Então, obviamente ela me perguntava
    se aquele era o ponto certo.
  • 6:59 - 7:02
    Então peguei o celular
    e pensei: "Vou tentar ajudá-la".
  • 7:02 - 7:05
    Então digitei:
  • 7:05 - 7:07
    "Como posso ajudá-la?"
  • 7:07 - 7:09
    e mostrei o celular para ela.
  • 7:12 - 7:14
    Ela digitou.
  • 7:14 - 7:15
    Fiquei animada.
  • 7:15 - 7:19
    E pensei: "Maravilha! Ela vai
    conseguir se comunicar comigo".
  • 7:20 - 7:22
    Ela devolveu meu celular,
  • 7:23 - 7:26
    mas seguiu andando
    para falar com outra pessoa.
  • 7:26 - 7:27
    Quando olhei para o meu celular,
  • 7:27 - 7:29
    sabem o que ela me disse?
  • 7:31 - 7:32
    "Tudo bem."
  • 7:36 - 7:37
    Não está tudo bem.
  • 7:38 - 7:39
    Não.
  • 7:40 - 7:44
    Eu me senti humilhada, desolada.
  • 7:45 - 7:50
    Como se fosse uma cidadã inferior
    para ser tratada daquele modo.
  • 7:55 - 7:59
    A única vez que me lembro de ter
    sido tratada de forma igualitária
  • 7:59 - 8:02
    foi quando fui para a
    Universidade de Maynooth.
  • 8:02 - 8:05
    Estudei lá durante três anos.
  • 8:05 - 8:08
    Intérpretes foram providenciados
    por todo esse tempo.
  • 8:09 - 8:14
    Eu era completamente inclusa durante
    as aulas, com os estudantes e professores.
  • 8:14 - 8:16
    Eles me reconheciam. Eles me viam.
  • 8:16 - 8:20
    Também tive a oportunidade de trabalhar
    em três estágios profissionalizantes
  • 8:20 - 8:23
    e todos os colegas
    que me conheciam, me valorizavam.
  • 8:24 - 8:29
    Em um deles, trabalhei como jovem
    colaboradora em um projeto.
  • 8:29 - 8:32
    Providenciaram intérprete para mim
    durante todo o período.
  • 8:32 - 8:34
    E durante esse estágio,
  • 8:34 - 8:36
    esperava-se que eu fosse profissional
  • 8:36 - 8:38
    e desempenhasse minha função,
  • 8:38 - 8:41
    e eu podia fazê-lo porque
    tinha ajuda dos intérpretes,
  • 8:41 - 8:45
    conseguia me conectar e me relacionar
    com todos através da língua de sinais.
  • 8:50 - 8:51
    Quando fui convidada
  • 8:51 - 8:54
    para participar do programa
    "London's Calling" em maio,
  • 8:56 - 8:59
    foi realmente quando entendi tudo,
  • 8:59 - 9:03
    porque no Reino Unido,
    especialmente em Londres,
  • 9:03 - 9:05
    eles têm o Access to Work
  • 9:05 - 9:08
    um sistema de acesso ao trabalho
    financiado pelo governo,
  • 9:08 - 9:10
    que providencia fundos
  • 9:10 - 9:14
    para que os surdos possam seguir
    com suas carreiras profissionais,
  • 9:14 - 9:17
    evoluir nos cargos e serem promovidos.
  • 9:18 - 9:21
    São profissionais surdos.
  • 9:23 - 9:27
    É injusto que a população surda irlandesa
  • 9:28 - 9:32
    seja forçada a se mudar para o Reino Unido
    para alcançar seus sonhos
  • 9:32 - 9:35
    por conta do sistema de acesso ao trabalho
  • 9:35 - 9:37
    quando, na verdade, poderiam fazê-lo aqui,
  • 9:37 - 9:41
    se houvesse um sistema de acesso
    ao trabalho apropriado.
  • 9:43 - 9:45
    Consegue imaginar,
  • 9:45 - 9:46
    Irlanda,
  • 9:47 - 9:51
    se tivéssemos um sistema
    de acesso ao trabalho aqui,
  • 9:51 - 9:55
    significaria que seríamos visíveis,
  • 9:55 - 10:00
    que seríamos seus colegas através
    da Língua de Sinais Irlandesa?
  • 10:02 - 10:05
    Consegue imaginar um mundo
    em que todos os países
  • 10:05 - 10:08
    copiassem esse modelo
    de sistema de acesso ao trabalho,
  • 10:08 - 10:11
    significaria que tantos
    profissionais surdos
  • 10:11 - 10:12
    seriam completamente vistos
  • 10:12 - 10:15
    e capazes de progredir
    na vida profissional?
  • 10:17 - 10:19
    E o que isso significaria?
  • 10:19 - 10:20
    Que a população jovem surda,
  • 10:20 - 10:24
    que já tem motivação e sonhos
    sobre o que gostaria de fazer
  • 10:24 - 10:26
    lá no futuro,
  • 10:26 - 10:29
    teria esse sistema disponível
    para conquistar tudo isso,
  • 10:29 - 10:32
    como eu não pude.
  • 10:34 - 10:36
    Inclusão
  • 10:37 - 10:40
    é responsabilidade de todos.
  • 10:43 - 10:44
    Inclusão
  • 10:45 - 10:48
    é responsabilidade de todos.
  • 10:51 - 10:57
    Agora gostaria de convidá-los
    a aprender sobre a comunidade surda.
  • 10:57 - 11:00
    Tenho uma longa lista de dicas
    sobre o que vocês podem fazer,
  • 11:00 - 11:02
    mas escolhi apenas três.
  • 11:04 - 11:08
    Uma delas é sobre como se comunicar
    com uma pessoa surda.
  • 11:08 - 11:10
    Há muitas maneiras diferentes.
  • 11:10 - 11:12
    Você pode escrever em um pedaço de papel,
  • 11:12 - 11:14
    frente e verso.
  • 11:15 - 11:18
    Você pode usar seu celular,
    como fiz no ponto do bonde
  • 11:18 - 11:20
    e digitar algo no seu celular.
  • 11:20 - 11:22
    A tecnologia está aí. É maravilhosa.
  • 11:22 - 11:23
    Use-a.
  • 11:25 - 11:27
    Você pode tentar conversar com um surdo,
  • 11:27 - 11:30
    mas, por favor, fale normal e claramente.
  • 11:30 - 11:32
    Use os padrões normais de fala.
  • 11:33 - 11:37
    A comunidade surda, e eu também,
    temos aversão quando ouvimos
  • 11:38 - 11:42
    as pessoas falarem assim:
  • 11:42 - 11:44
    "Oi...
  • 11:44 - 11:46
    Como...você...está...?"
  • 11:47 - 11:48
    Sério?
  • 11:49 - 11:53
    Apenas fale normal e claramente.
  • 11:53 - 11:55
    É tudo o que queremos.
  • 11:56 - 11:58
    Você pode se certificar de que,
  • 11:58 - 12:00
    durante a conversa,
  • 12:00 - 12:01
    esteja sendo compreendido.
  • 12:01 - 12:03
    Tenha essa flexibilidade
  • 12:03 - 12:05
    e o problema está resolvido.
  • 12:06 - 12:07
    A segunda dica é:
  • 12:10 - 12:12
    por que não aprender
    a Língua de Sinais Irlandesa?
  • 12:12 - 12:14
    Há cursos.
  • 12:16 - 12:18
    Caso aprenda e se torne fluente,
  • 12:18 - 12:23
    bom, você teria uma segunda, terceira
    ou, talvez, até uma quarta língua.
  • 12:23 - 12:25
    Seria legal, não seria?
  • 12:25 - 12:26
    Você conseguiria conversar comigo.
  • 12:26 - 12:27
    Poderia ser meu amigo.
  • 12:27 - 12:29
    Poderia ser amigo de todo mundo.
  • 12:31 - 12:33
    Terceira dica:
  • 12:33 - 12:35
    quanto à forma de fazer referência a nós,
  • 12:36 - 12:39
    qual é a terminologia correta a usar?
  • 12:39 - 12:41
    Os termos mais aceitos são
  • 12:41 - 12:45
    "surdo" ou "deficiente auditivo".
  • 12:46 - 12:49
    Não usem "incapaz auditivo",
  • 12:49 - 12:51
    "debilitado auditivo",
  • 12:51 - 12:53
    "portador de deficiência auditiva",
  • 12:53 - 12:55
    ou "surdo-mudo".
  • 12:55 - 12:57
    Não são aceitáveis.
  • 12:57 - 12:59
    Use "surdo" ou "deficiente auditivo".
  • 13:05 - 13:07
    Vou relembrá-los:
  • 13:08 - 13:12
    inclusão é responsabilidade de todos.
  • 13:16 - 13:19
    Eu sou Joanne Chester
  • 13:19 - 13:21
    e não sou só uma surda.
  • 13:23 - 13:24
    Obrigada.
  • 13:24 - 13:27
    (Aplausos)
Titolo:
Não sou só surda | Joanne Chester | TEDxDunLaoghaire
Descrizione:

Joanne é surda e adepta da Língua de Sinais Irlandesa. Ela trabalha em prol da Comunidade Jovem pela justiça social. Participou do documentário "London Calling" que foi ao ar em maio de 2019 no canal irlandês de televisão RTE. De acordo com o documentário, ela luta pelo acesso da população surda ao sistema de trabalho na Irlanda e pela inclusão dessa comunidade de forma igualitária. "Há muitas pessoas promissoras dentro da comunidade surda que almejam prosperar na sociedade, mas encontram barreiras diariamente devido ao acesso inadequado e preconceitos antigos. Ao mudar nossa atitude, podemos criar uma sociedade melhor para todos."

Esta palestra foi dada em um evento TEDx que usa o formato de conferência TED, mas é organizado de forma independente por uma comunidade local. Para saber mais visite http://ted.com/tedx.

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Video Language:
English
Team:
closed TED
Progetto:
TEDxTalks
Duration:
13:38

Portuguese, Brazilian subtitles

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