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← A neurociência da imaginação - Andrey Vyshedskiy

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Showing Revision 21 created 01/14/2017 by Leonardo Silva.

  1. Imaginem, por um momento,
    um pato dando uma aula de francês,
  2. uma partida de pingue-pongue
    ao redor de um buraco negro,
  3. um golfinho que equilibra um abacaxi.
  4. Você provavelmente nunca
    viu nenhuma dessas coisas,
  5. mas você pode imaginá-las
    instantaneamente.
  6. Como o seu cérebro produz
    uma imagem de algo que você nunca viu?
  7. Pode não parecer difícil,
  8. mas é só porque
    estamos acostumados a fazê-lo.
  9. Acontece que, na verdade,
    isto é um problema complexo
  10. que exige uma coordenação
    sofisticada dentro de seu cérebro.
  11. Pois, para criar estas novas
    e estranhas imagens,
  12. seu cérebro usa peças conhecidas
    para montá-las de novas maneiras,
  13. como uma colagem feita
    a partir de fragmentos de fotos.
  14. O cérebro tem que controlar
    um mar de milhares de sinais elétricos
  15. para fazê-los chegar ao seu destino,
    no instante exato.
  16. Quando você olha para um objeto,
  17. milhares de neurônios disparam
    em seu córtex posterior.
  18. Esses neurônios codificam
    várias características do objeto:
  19. espinhoso, fruta,
    marrom, verde e amarelo.
  20. Este disparo síncrono
  21. fortalece as conexões
    entre aquele conjunto de neurônios,
  22. ligando-os no que é conhecido
    como conjunto neuronal.
  23. Neste caso, o conjunto para o abacaxi.
  24. Na neurociência, isso é chamado
    de princípio hebbiano:
  25. neurônios que disparam juntos
    se interligam.
  26. Se, mais tarde, você tentar
    imaginar um abacaxi,
  27. todo o conjunto irá se ativar para
    montar uma imagem mental completa.
  28. Os golfinhos são codificados
    por um conjunto neuronal diferente.
  29. Com efeito, cada objeto que você já viu
  30. é codificado por um conjunto
    neuronal associado a ele,
  31. os neurônios interligados
    devido aos disparos sincronizados.
  32. Mas este princípio não explica
    o número infinito de objetos
  33. que podemos imaginar
    sem nunca tê-los visto.
  34. O conjunto neuronal de um golfinho
    que equilibra um abacaxi não existe.
  35. Como, ainda assim, podemos imaginá-lo?
  36. Uma das hipóteses,
    chamada de "Teoria da Síntese Mental",
  37. afirma que, mais uma vez,
    o "timing" é fundamental.
  38. Se os conjuntos neuronais
    para o golfinho e o abacaxi
  39. forem ativados ao mesmo tempo,
  40. podemos perceber estes dois objetos
    como uma única imagem.
  41. No entanto, algo em seu cérebro
    precisa coordenar os disparos.
  42. Um candidato plausível
    é o córtex pré-frontal,
  43. que está envolvido em todas
    as funções cognitivas complexas.
  44. Os neurônios do córtex pré-frontal
    estão ligados ao córtex posterior
  45. por extensões celulares longas
    e delgadas chamadas fibras neurais.
  46. A teoria da síntese mental propõe que,
    tal qual um marionetista puxando cordas,
  47. os neurônios do córtex pré-frontal
    enviam sinais elétricos
  48. por estas fibras neurais
  49. para múltiplos conjuntos
    no córtex posterior,
  50. ativando-os ao mesmo tempo.
  51. Se os conjuntos neuronais
    são ativados ao mesmo tempo,
  52. obtemos a imagem composta
    tal como se a tivéssemos realmente visto.
  53. Essa sincronização proposital consciente
  54. de diferentes conjuntos neuronais
    pelo córtex pré-frontal
  55. é chamada de síntese mental.
  56. Para que a síntese funcione,
  57. os sinais precisariam alcançar os dois
    conjuntos neuronais ao mesmo tempo.
  58. O problema é que alguns neurônios
  59. estão muito mais afastados
    do córtex pré-frontal do que outros.
  60. Se os sinais viajam pelas fibras
    na mesma velocidade,
  61. eles chegam fora de sincronia.
  62. Você não pode alterar
    o comprimento das interligações,
  63. mas seu cérebro, principalmente
    durante seu desenvolvimento na infância,
  64. encontra um modo de mudar
    a velocidade de condução.
  65. As fibras neurais estão envolvidas por uma
    substância gordurosa chamada mielina.
  66. A mielina é um isolante
  67. que acelera os sinais elétricos
    que viajam pela fibra nervosa.
  68. Algumas fibras neurais
    têm até 100 camadas de mielina.
  69. Outras têm apenas algumas.
  70. E as fibras com camadas
    mais espessas de mielina
  71. podem conduzir sinais
    100 vezes mais rápido, ou mais,
  72. que as fibras mais finas.
  73. Alguns cientistas consideram
    que esta diferença na mielinização
  74. poderia ser a resposta
    para o tempo de condução uniforme,
  75. e consequentemente, para nossa
    capacidade de síntese mental.
  76. Grande parte desta mielinização
    acontece na infância,
  77. então, desde uma idade precoce,
  78. nossas imaginações vibrantes podem ter
    muito a ver com a formação do cérebro
  79. cujas conexões cuidadosamente mielinizadas
  80. podem criar sinfonias criativas
    ao longo de nossas vidas.