YouTube

¿Tienes cuenta de YouTube?

Nuevo: habilita las traducciones y subtítulos creados por los usuarios en tu canal de YouTube

Portuguese, Brazilian subtítulos

← O orgulho e o poder da representatividade no cinema

Logo após o sucesso estrondoso de seu filme "Crazy Rich Asians" ("Podres de Ricos"), o diretor Jon M. Chu reflete sobre o que o motiva a criar, e defende com fervor o poder da conexão e da representação na tela.

Obtener código incrustado.
20 idiomas

Mostrar Revisión22 creada 11/06/2019 por Gustavo Rocha.

  1. O Vale do Silício e a internet
    me deram superpoderes,
  2. ferramentas com as quais lutar,
  3. um traje à prova de balas
  4. e um sinal gigante no céu
    que me dizia a hora de lutar.
  5. Na verdade, não posso provar nada disso.

  6. Não sou "cientista",
  7. não tenho "fatos".
  8. Minha avaliação no site Rotten Tomatoes
    está em torno de 50% agora.
  9. Não sei por que me deixaram entrar.
  10. (Risos)

  11. Mas, se falamos de enfrentar um poder

  12. maior do que nós,
  13. então estou no lugar certo,
  14. porque o ano passado, para mim,
  15. foi interessante com um filme
    chamado "Podres de Ricos" que fiz.
  16. (Vivas)

  17. Muito obrigado.

  18. (Aplausos)

  19. E se falamos de conexão
    especificamente hoje,

  20. sei que minha história só é possível
  21. por causa de várias conexões
    que aconteceram ao longo de minha vida.
  22. Assim espero que, ao contar
    um pouco da minha história,
  23. eu ajude alguém a encontrar seu caminho
    um pouco mais cedo do que eu.
  24. Minha história começou quando abri
    o livro sagrado pela primeira vez...

  25. O livro sagrado dos gadgets,
    é claro: "Sharper Image".
  26. (Risos)

  27. Sim, aqueles que o conhecem.

  28. Era uma revista mágica de sonhos
  29. e tinha coisas que sabíamos
    que não poderiam existir,
  30. mas estavam ali.
  31. Podíamos encomendar; vinha pelo correio.
  32. E algumas coisas que talvez
    nunca deveriam ter existido,
  33. como "Gregory", um manequim
    portátil e realista
  34. que impede o crime pela aparência
    forte e masculina dele.
  35. Isso é real.
  36. (Risos)

  37. A propósito, é de verdade.

  38. (Risos)

  39. Mas meus olhos estavam voltados
    para o Sima Video Ed/it 2.

  40. Essa coisa era tão legal aos dez anos.
  41. Podíamos conectar
    todos os nossos videocassetes
  42. e gravar algo juntos.
  43. Liguei para meus pais
    e os convenci a comprá-lo para mim.
  44. Mas, antes disso,
  45. vou falar um pouco sobre meus pais.
  46. Eles vieram para os Estados Unidos
    quando eram jovens.
  47. São de Taiwan, na China,
  48. e foram morar em Los Altos, Califórnia -
  49. o Vale do Silício
    antes do Vale do Silício -
  50. e abriram um restaurante
    chamado Chef Chu's.
  51. Hoje, 50 anos depois,
    ainda trabalham no restaurante,
  52. ainda estão lá.
  53. Cresci lá; então, foi ótimo.
  54. Falando de conexão,
    esse lugar era um centro de conexão.
  55. As pessoas comemoravam lá
    aniversários, festas, acordos de negócios,
  56. para comer, beber...
  57. Conexão.
  58. Pude crescer naquele ambiente.
  59. Meus pais sempre disseram que os EUA
    são o melhor lugar do mundo.
  60. Se você ama algo, pode trabalhar muito
    e conquistar o que quiser.
  61. Eles criaram cinco filhos
    totalmente norte-americanos.
  62. Sou o caçula.
  63. Vocês podem ver que sou
    o de olhos fechados ali.
  64. Batizaram minha irmã e a mim
    Jennifer e Jonathan,
  65. por causa de Jennifer e Jonathan Hart
    da série de TV "Casal 20".
  66. (Risos)

  67. Era tanto assim que amavam
    os Estados Unidos, pelo jeito.

  68. Eles achavam que éramos os Kennedys,
  69. minha mãe especificamente.
  70. Ela nos vestia o tempo todo parecidos
  71. e nos colocava em aulas
    de etiqueta e de dança de salão,
  72. garantia que tivéssemos
    o plano odontológico certo.
  73. (Risos)

  74. Esta é uma foto minha
    de verdade; não é falsa.

  75. Sou grato a ela.
  76. Eu era responsável pela câmera de vídeo
    toda vez que saíamos de férias,

  77. Eu reunia todos esses vídeos
    e não tinha nada para fazer com eles.
  78. Portanto, o Sima Video Ed/it 2.
  79. Convenci meus pais a comprarem-no
  80. e passei a noite toda
    lutando com os videocassetes
  81. do quarto de meus irmãos,
    num emaranhado de fios,
  82. e aí eu tinha algo para lhes mostrar.
  83. Certa noite, eu os levei
    para a sala de estar.
  84. Devia ser em 1991, ou algo assim,
  85. e os coloquei na sala de estar.
  86. Meu coração disparava,
    a respiração era profunda,
  87. mais ou menos como agora.
  88. Apertei a tecla "play",
  89. e aconteceu algo extraordinário.
  90. Eles choraram.
  91. E choraram,
  92. não por ser a edição de vídeo caseiro
    mais incrível de todos os tempos,
  93. embora fosse muito boa,
  94. (Risos)

  95. mas porque eles viram nossa família
    como uma família normal que se encaixava

  96. e pertencia à tela em frente a eles,
  97. assim como nos filmes que eles adoravam
  98. e nos programas de TV
    que inspiraram nossos nomes.
  99. Lembro-me, como o caçula de cinco filhos,
  100. de me sentir ouvido pela primeira vez.
  101. Havia isso onde todas
    essas coisas em minha mente
  102. podiam estar nesse lugar lá fora,
    grande e elétrico, existir e escapar,
  103. e eu sabia, a partir daí, que eu queria
    fazer isso pelo resto da vida,
  104. fosse algo remunerado ou não.
  105. Eu tinha essa paixão
    e precisava de ferramentas.

  106. Meu pai trabalhava,
  107. continuava se gabando de minha habilidade
    de editar vídeos caseiros
  108. para os clientes do Chef Chu's.
  109. Por sorte, esse é o Vale do Silício.
  110. Eles trabalham em coisas,
    hardware e software.
  111. São todos engenheiros
  112. e me ofereceram coisas
    para edição de vídeo digital.
  113. Era em meados ou no início dos anos 90,
  114. quando essas coisas não existiam
    para crianças como eu.
  115. Eu conseguia softwares e hardwares
    experimentais de lugares como a HP e a Sun
  116. e de Russell Brown da Adobe.
  117. Eu não tinha manual,
  118. eu tinha que me virar
    e me apaixonava ainda mais.
  119. Comecei a estudar na Escola
    de Arte Cinematográfica da USC.

  120. Meus pais sempre me ligavam
    aleatoriamente e me lembravam
  121. de que eu tinha que fazer filmes
    sobre minha tradição chinesa.
  122. Que a China seria um enorme
    mercado para filmes algum dia.
  123. Eu dizia: "Tá certo, pessoal".
  124. (Risos)

  125. Sempre escutem seus pais.

  126. (Risos)

  127. Eu queria ser Zemeckis, Lucas e Spielberg.

  128. A última coisa de que eu queria falar
    era minha identidade cultural,
  129. minha etnia.
  130. Eu não tinha ninguém para conversar,
  131. ninguém na escola
    com quem eu pudesse me abrir.
  132. Mesmo se tivesse, o que eu diria?
  133. Ignorei e segui em frente com minha vida.
  134. Passando para 15 anos depois,

  135. consegui chegar a Hollywood.
  136. Fui descoberto por Spielberg,
  137. trabalhei com The Rock,
    Bruce Willis e Justin Bieber.
  138. Até vim ao palco do TED para apresentar
    minha companhia de dança LXD,
  139. e foi ótimo.
  140. Então, alguns anos atrás,
  141. eu me sentia um pouco
    perdido, criativamente.
  142. O motor estava ficando lento,
  143. e recebi um sinal...
  144. Ouvi vozes do céu...
  145. ou eram mais como pássaros.
  146. Tá bom, era o Twitter.
  147. E o Twitter...
  148. (Risos)

  149. Era a Constance Wu no Twitter,

  150. era o Daniel Dae Kim,
  151. era a Jenny Yang, que está aqui hoje,
  152. era o Alan Yang,
  153. todas essas pessoas que escreviam
    sobre suas frustrações
  154. com representatividade em Hollywood.
  155. Até que enfim entendi.
  156. Eu pensava nisso, mas nunca registrei.
  157. Eu estava concentrado
    e tinha sorte de estar trabalhando.
  158. Aí me dei conta:
  159. o que há de errado com Hollywood?
  160. Por que não fazem isso?
  161. Então, me olhei no espelho
    e me dei conta de que eu sou Hollywood.
  162. Eu, literalmente,
  163. levantei meu colarinho antes de vir aqui.
  164. Isso é o quanto sou Hollywood.
  165. (Risos)

  166. Ainda está levantado? Muito bom.

  167. (Aplausos)

  168. Por todos esses anos,
    senti que eu havia recebido tanto,

  169. e o que eu estava devolvendo
    ao negócio do cinema que eu amava?
  170. Eu tinha sorte de estar aqui,
  171. mas, nesse momento, percebi
    que não tinha só a sorte de estar aqui,
  172. como também o direito.
  173. Não, eu merecia esse direito.
  174. Todas aquelas noites sem dormir,
    aquelas festas de sexta que perdi,
  175. cada amigo e namorada que perdi
    porque eu estava editando...
  176. Mereci o direito de estar aqui não apenas
    para ter uma voz, mas para dizer algo,
  177. e dizer algo importante.
  178. Eu tinha, na verdade, o poder,
  179. o superpoder de mudar as coisas,
    se eu realmente quisesse.
  180. [SUPERPODER]

  181. Quando tentamos contar histórias sobre nós

  182. e pessoas parecidas conosco
    e com nossa família,
  183. pode ser assustador,
  184. e todas aquelas sensações
    de solidão voltarem.
  185. Mas foi a internet que me disse;
  186. que enviou o sinal de que haveria
    um exército inteiro à minha espera
  187. para me apoiar e me amar.
  188. Então, encontrei o incrível romance
    de Kevin Kwan, "Podres de Ricos",
  189. e fomos ao trabalho.
  190. Criamos esse filme.
  191. O primeiro elenco
    totalmente asiático em 25 anos
  192. com uma história contemporânea.
  193. (Aplausos) (Vivas)

  194. Mas, quando começamos,
    não havia nenhuma garantia.

  195. Não havia espaço para esse tipo de filme.
  196. Toda vez que fazíamos pesquisas e tal,
    o público não aparecia.
  197. Mesmo em exibições experimentais,
  198. quando damos ingressos gratuitos
    às pessoas para assistirem ao filme,
  199. tivemos uma proporção de 1 para 25,
  200. ou seja, após 25 pedidos,
    só 1 pessoa aceitou,
  201. o que é baixíssimo
    para esse tipo de negócio.
  202. Os asiáticos que conheciam o livro
    não confiavam em Hollywood,
  203. os asiáticos que não conheciam o livro
    achavam o título ofensivo,
  204. e outras pessoas não asiáticas achavam
    simplesmente que o filme não era pra elas.
  205. Estávamos bem ferrados.
  206. Felizmente, a Warner Brothers
    não nos rejeitou.
  207. Mas a energia, em algum lugar,
    voltou a funcionar,
  208. e esse exército de escritores, repórteres
    e blogueiros ásio-americanos,
  209. que, ao longo dos anos, ascenderam
    por meio de suas publicações,
  210. começaram a trabalhar,
    sem meu conhecimento.
  211. E começaram a fazer publicações.
  212. O pessoal da tecnologia daqui também
    começou a publicar nas mídias sociais,
  213. a escrever sobre nós
    em artigos no "LA Times",
  214. no "The Hollywood Reporter"
    e no "Entertainment Weekly".
  215. Foi como uma rebelião popular
    de nos tornarmos notícia.
  216. Que coisa incrível de se testemunhar.
  217. E a onda de apoio se transformou
    numa conversa on-line

  218. entre todos esses ásio-americanos,
  219. na qual podíamos debater e discutir
  220. que histórias queríamos contar,
  221. quais deveriam ser contadas ou não...
  222. Podemos tirar sarro de nós mesmos?
  223. E quanto ao elenco? O que podemos fazer?
  224. E não entrávamos em acordo,
    e ainda não entramos.
  225. Mas a questão não era essa.
  226. A questão era que a conversa
    estava acontecendo.
  227. E esse fluxo de conversas
    tornou-se uma infraestrutura.
  228. Havia todos esses grupos diferentes
    que tentavam alcançar o mesmo objetivo
  229. e nos uniram nesse tecido conectivo.
  230. De novo, não era perfeito,
  231. mas era o começo de como determinamos
    nossa própria representação no cinema.
  232. E se tornou mais físico
    quando fui ao cinema.

  233. Nunca me esquecerei
    do fim de semana de estreia,
  234. quando fui ao cinema,
    e não havia apenas asiáticos,
  235. mas todo tipo de pessoas.
  236. Entrei e me sentei.
  237. As pessoas riam, choravam.
  238. Quando entrei no saguão,
  239. as pessoas continuavam lá.
  240. Era como se elas não quisessem sair.
  241. Elas apenas se abraçavam,
  242. se cumprimentavam, tiravam selfies,
  243. debatiam, riam daquilo.
  244. Todas essas coisas diferentes.
  245. Eu tinha um relacionamento
    tão íntimo com esse filme,
  246. mas não entendia enquanto o produzíamos
  247. o que estávamos fazendo até que acontecia,
  248. que era o mesmo que meus pais sentiram
    ao assistir aos nossos vídeos de família
  249. naquele sala naquele dia.
  250. Há um poder em nos vermos na tela,
  251. e o único modo de descrevê-lo é orgulho.
  252. Sempre entendi essa palavra
    de modo intelectual,
  253. já devo ter falado sobre ela,
  254. mas sentir orgulho de verdade;
  255. e aqueles que já sentiram sabem;
  256. é como se quiséssemos gostar,
    tocar em todos, agarrar e correr por aí.
  257. É como uma...
  258. Não sei explicar.
  259. É uma sensação muito física,
  260. tudo por causa de um longo
    padrão de conexão.
  261. [ORGULHO]

  262. O cinema foi uma dádiva para mim

  263. e, ao longo dos anos, aprendi muito.
  264. Você pode planejar, escrever roteiros,
    fazer seus storyboards,
  265. mas, num certo momento,
  266. seu filme responderá a você,
  267. e sua tarefa é escutar.
  268. É esse organismo vivo,
    e ele meio que se apresenta.
  269. É melhor você pegá-lo
    antes que escorregue pelas mãos,
  270. e essa é a parte mais
    empolgante de fazer filmes.
  271. Quando observo a vida,
    ela não é tão diferente assim.
  272. Fui levado por essa espécie
    de trilha de conexões
  273. por pessoas, circunstâncias
  274. e pela sorte.
  275. E isso mudou quando percebi
    que, ao começar a escutar
  276. as batidas silenciosas
    e os ruídos confusos ao redor,
  277. percebemos que já existe
    uma bela sinfonia escrita para nós,
  278. uma linha direta para nosso destino.
  279. Nosso superpoder.
  280. O cinema foi uma dádiva para mim,

  281. incentivado por meus pais
    e apoiado por minha comunidade.
  282. Pude ser quem eu queria ser
    quando eu precisava ser.
  283. Minha mãe fez uma publicação
    no Facebook outro dia,
  284. o que costuma ser muito ruim
    de se dizer em voz alta.
  285. É assustador, ela não deveria
    ter Facebook...
  286. (Risos)

  287. Ela publicou isso, e era um "meme",

  288. sabem, aquelas coisas engraçadas,
  289. que dizia: "Você não pode mudar
    alguém que não quer mudar,
  290. mas nunca subestime
    o poder de plantar uma semente".
  291. Enquanto eu dava os retoques
    finais nesta palestra,
  292. eu me dei conta de que todas
    as conexões poderosas em minha vida
  293. vieram por meio de generosidade,
    bondade, amor e esperança.
  294. Quando penso em meus filmes
    "Podres de Ricos" e "In the Heights",
  295. no qual estou trabalhando agora...
  296. (Vivas)

  297. Sim, é um bom filme.

  298. (Aplausos)

  299. Tudo o que quero fazer
    é mostrar alegria e esperança neles,

  300. porque me recuso a pensar
    que nossos melhores dias já passaram,
  301. mas sim estão chegando.
  302. Porque o amor é o superpoder que me deram.
  303. O amor é o superpoder que me passaram.
  304. O amor é a única coisa que pode parar
    uma bala em alta velocidade
  305. antes mesmo de ela ser disparada.
  306. O amor é a única coisa
    que pode saltar por um edifício
  307. e fazer toda a comunidade
    olhar para o céu,
  308. dar as mãos
  309. e ter a coragem de enfrentar
    algo impossivelmente maior do que ela.
  310. Tenho um desafio para mim
    e para todos aqui.

  311. Enquanto trabalham no seu negócio,
  312. na sua empresa,
  313. e dão vida a esse negócio,
    e tornam possível o impossível,
  314. não nos esqueçamos
    de ser gentis uns com os outros,
  315. porque acredito que essa é
    a forma mais poderosa de conexão
  316. que podemos dar a este planeta.
  317. Na verdade, nosso futuro depende disso.
  318. Obrigado.

  319. (Aplausos) (Vivas)

  320. Obrigado.

  321. (Aplausos)