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William Ury: O caminho entre o "não" e o "sim"

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    Bem, o tema de dificuldade de negociação
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    me lembra de uma de minhas estórias favoritas
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    do Oriente Médio,
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    de um homem que deixou aos seus 3 filhos 17 camelos.
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    Para o primeiro filho, deixou metade dos camelos;
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    para o segundo, deixou um terço dos camelos;
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    para o mais novo, deixou um nono dos camelos.
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    Então os 3 filhos começaram a negociar.
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    17 não é divisível por 2.
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    Não é divisível por 3.
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    Não é divisível por 9.
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    A relação dos irmãos começou a ficar tensa.
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    Finalmente, em desespero,
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    sairam e consultaram uma velha sábia.
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    A velha sábia pensou no problema deles por muito tempo,
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    e finalmente ela voltou e disse,
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    "Bem, eu não sei se eu posso ajudá-los,
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    mas, se quiserem, posso dá-los meu camelo."
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    Assim eles ficaram com 18 camelos.
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    O primeiro filho pegou sua metade -- metade de 18 é 9.
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    O segundo filho pegou a terça parte -- um terço de 18 é 6.
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    O mais novo pegou a nona parte --
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    um nono de 18 é 2.
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    São 17.
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    Sobrou um camelo.
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    Que eles devolveram a velha sábia.
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    (risos)
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    Agora se você pensar nessa estória por um momento,
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    Eu acho que se assemelha
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    a muitas negociações difíceis em que nos envolvemos.
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    Elas iniciam-se com 17 camelos -- sem maneira de resolver.
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    De alguma forma, o que nós devemos fazer
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    é dar um passo atrás nessas situações, como a velha sábia,
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    olhar a situação com novos olhos
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    e achar o 18º camelo.
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    Agora achar o 18º camelo nos conflitos mundiais
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    tem sido a paixão da minha vida.
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    Eu basicamente vejo a humanidade como aqueles 3 irmãos;
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    nós somos todos uma família.
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    Nós sabemos que cientificamente,
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    graças a revolução nas comunicações,
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    todas as tribos do planeta, todas as 15.000 tribos,
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    estão em contato umas com as outras.
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    Isso é uma grande reunião familiar.
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    E como em muitas reuniões familiares,
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    nem tudo é paz e amor.
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    Há muitos conflitos.
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    E a questão é,
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    como nós lidamos com nossas diferenças?
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    Como lidamos com nossas mais profundas diferenças,
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    dada a propensão humana ao conflito
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    e o gênio humano
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    que cria armas de enorme destruição?
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    Essa é a questão.
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    Enquanto eu gastava parte das últimas 3 décadas --
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    quase quatro --
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    viajando pelo mundo,
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    tentando trabalhar, me envolvendo em conflitos
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    indo da Iugoslávia ao Oriente Médio
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    da Chechênia a Venezuela,
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    alguns dos mais difíceis conflitos na face do planeta,
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    E me fazia essa pergunta.
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    E eu creio que encontrei, de algumas formas,
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    qual é o segredo da paz.
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    É realmente surpreendentemente simples.
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    Não é fácil, mas é simples.
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    Nem é novidade.
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    Deve ser uma de nossas mais antigas heranças.
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    O segredo da paz somos nós.
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    Somos nós que agimos.
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    quando a comunidade ao redor
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    está em conflito,
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    que podem desempenhar um papel construtivo.
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    Deixe-me contar uma estória, um exemplo.
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    Cerca de 20 anos atrás, eu estava na África do Sul
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    trabalhando com os envolvidos num conflito,
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    e tinha um mês a mais,
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    então eu gastei algum tempo vivendo
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    com vários grupos de San Bushmen.
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    Eu estava curioso sobre eles e como eles resolviam seus conflitos.
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    Porque, acima de tudo, tinha na memória,
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    que eles eram caçadores e coletores,
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    vivendo mais ou menos como nossos ancestrais viveram
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    por talvez 99 por cento da história da humanidade.
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    Todos tinham essas flechas envenenadas que usavam para caçar --
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    absolutamente fatais.
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    Então, como eles lidavam com suas diferenças?
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    Bem, o que eu aprendi
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    é que sempre que os ânimos se exaltam nessas comunidades,
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    alguém vai e esconde as flechas envenenadas no mato,
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    e todos sentam em círculo como este,
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    e sentam, e eles falam, e eles falam.
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    Pode levar 2 dias, 3 dias, 4 dias,
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    mas eles não desistem
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    até que eles encontrem uma solução.
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    ou melhor ainda, uma reconcilhiação.
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    Se os ânimos ainda estiverem altos,
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    então eles mandam alguém visitar seus parentes
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    como um período para se acalmar
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    Bem este sistema
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    é, eu acho, provavelmente o sistema que nos manteve vivos até agora,
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    dada nossa tendência humana
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    Este sistema, eu chamo de terceiro lado.
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    Porque, se você pensar nele,
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    normalmente quando pensamos num conflito, quando descrevemos ele
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    sempre há dois lados.
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    São Árabes versus Israelitas, trabalho versus gerência,
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    marido versus mulher, Republicanos versus Democratas,
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    mas o que nem sempre vemos
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    é que há sempre um terceiro lado.
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    O terceiro lado do conflito somos nós,
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    é a comunidade vizinha,
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    são os amigos, os aliados,
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    os membros da família, os vizinhos.
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    Podemos ter um papel incrivelmente construtivo.
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    Talvez o mais fundamental
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    em que um terceiro lado possa ajudar
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    é de lembrar as partes que o que realmente está em jogo.
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    Pelo bem de nossos filhos, pelo bem de nossa familia,
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    pelo bem de nossa comunidade, pelo bem de nosso futuro,
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    vamos parar de brigar por um minuto e começar a conversar.
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    Porque, o fato é,
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    quando estamos envolvidos em um conflito,
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    é muito fácil perder a perspectiva.
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    É muito fácil reagir.
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    Seres humanos: nós somos máquinas de reagir.
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    Enquanto as palavras vão saindo,
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    quando com raiva, você faz o melhor discurso
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    você vai se arrepender.
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    Então o terceiro lado nos lembra que,
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    O terceiro lado nos ajuda a ir a sacada,
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    que é uma metáfora de um lugar de perspectiva,
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    onde podemos manter os olhos no prêmio.
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    Deixem-me contar uma estória de minha experiência em negociação.
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    Alguns anos atrás, Eu era um facilitador
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    em umas conversas muito difíceis
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    entre líderes da Russia
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    e líderes da Chechênia.
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    Havia uma guerra entre eles, como vocês sabem,
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    Nós nos encontramos em Haia
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    no Palácio da Paz,
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    na mesma sala onde o tribunal de crimes de guerra da Iuguslávia
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    ocorreu.
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    As conversações tiveram um início bastante duro
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    quando o Vice-Presidente da Chechênia
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    começou apontar para os russos e disse,
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    "Vocês devem ficar bem aÍ nessas cadeiras,
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    porque vão ser acusados de crimes de guerra"
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    Então ele saiu, e virou para mim e disse,
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    "Você é americano.
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    Veja o que os americanos fizeram em Porto Rico."
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    Minha mente disparou, "Porto Rico? O que eu sei sobre Porto Rico?"
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    Eu comecei a reagir,
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    mas então eu tentei lembrar de ir à sacada.
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    E quando ele parou,
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    todos me olharam esperando uma resposta,
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    da perspectiva da sacada, eu fui capaz de pensar em seus comentários
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    e disse, "Eu aprecio sua crítica ao meu país,
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    e eu tomarei isso como um sinal de que estamos entre amigos
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    e podemos falar francamente uns com os outros.
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    E que não estamos aqui para falar sobre Porto Rico ou o passado.
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    O que viemos fazer é ver se encontramos uma forma
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    de parar o sofrimento e o derramamento de sangue na Chechênia."
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    A conversa voltou aos eixos.
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    Esse é o papel do terceiro lado,
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    é ajudar as partes a irem à sacada.
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    Agora deixem-me levá-los por um momento
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    a o que é largamente considerado como o conflito mais difícil do mundo,
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    ou o mais impossível conflito,
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    o Oriente Médio.
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    A questão é: há um terceiro lado lá?
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    Como possivelmente poderemos ir para a sacada?
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    Agora eu não pretendo ter uma resposta
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    ao conflito do Oriente Médio,
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    mas penso que tenho o primeiro passo,
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    literalmente o primeiro passo,
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    algo que qualquer um de nós pode fazer como terceiros.
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    Deixem-me fazer uma pergunta antes.
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    Quantos de vocês
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    nos últimos anos
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    se preocuparam com o Oriente Médio
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    e se perguntaram o que eu posso fazer?
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    Só por curiosidade, quantos de vocês?
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    OK, a grande maioria de nós.
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    E aqui, é tão longe.
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    Por que prestamos tanta atenção neste conflito?
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    É o número de mortos?
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    Há muito mais vezes pessoas que morrem
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    em conflitos na África que no Oriente Médio.
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    Não, é por causa da estória,
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    porque nos sentimos pessoalmente envolvidos
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    na estória.
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    Não importa se somos Cristãos, Muçulmanos ou Judeus,
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    religiosos ou não,
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    sentimos que temos algo pessoal em jogo.
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    Estórias contam. Como antropólogo, sei que sim.
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    Estórias são o que usamos para transmitir conhecimento.
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    Elas dão sentido a nossa vida.
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    É o que fazemos aqui no TED, contamos estórias.
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    Estórias são a chave.
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    Então minha questão é,
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    sim, vamos experimentar e resolver a política
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    do Oriente Médio,
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    mas também de uma olhada na estória.
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    Vamos tentar encontrar a raiz de tudo isso.
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    Vamos ver se podemos aplicar o terceiro lado nisso.
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    O que isso significa? Qual é a estória lá?
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    Agora como antropólogos, sabemos
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    que cada cultura tem uma estória de sua origem.
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    Qual é a estória da origem do Oriente Médio?
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    Em uma frase, é:
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    4.000 anos atrás, um homem e sua família
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    andou pelo Oriente Médio,
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    e o mundo nunca mais foi o mesmo.
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    O homem, claro,
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    foi Abraão.
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    E o que ele representava era a unidade,
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    a unidade da família,
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    Ele é o pai de todos nós.
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    Mas não é apenas o que ele representa, é qual foi sua mensagem.
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    Sua mensagem básica foi pela unidade também.
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    a interconectividade de todos e a unidade de todos
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    Seu valor básico era o respeito,
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    foi gentil com os estrangeiros.
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    É por isso que ele é conhecido por sua hospitalidade.
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    Desta forma,
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    ele é o terceiro lado simbólico
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    do Oriente Médio.
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    Ele é aquele que nos lembra
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    que somos parte de um grande todo.
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    Agora e você --
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    pense nisso por um momento
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    Hoje enfrentamos o flagelo do terrorismo.
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    O que é o terrorismo?
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    Terrorismo é basicamente pegar um estranho inocente
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    e tratá-lo como um inimigo que você
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    mata para criar o pânico.
  • 9:17 - 9:19
    O que é o oposto ao terrorismo?
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    É pegar um estranho inocente
  • 9:21 - 9:23
    e tratá-lo como um amigo
  • 9:23 - 9:26
    que você convida para sua casa
  • 9:26 - 9:28
    para semear e cultivar o entendimento,
  • 9:28 - 9:31
    ou respeito, ou amor.
  • 9:31 - 9:33
    E se então
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    você pegar a estória de Abraão,
  • 9:36 - 9:38
    que é a estória do terceiro lado,
  • 9:38 - 9:40
    e se isso for --
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    porque Abraão representa hospitalidade --
  • 9:43 - 9:46
    e se isso for um antídoto para o terrorismo?
  • 9:46 - 9:48
    E se isso for uma vacina
  • 9:48 - 9:50
    contra a intolerância religiosa?
  • 9:50 - 9:53
    Como poderemos dar vida a essa estória?
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    Não basta apenas contar a estória --
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    que é poderosa --
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    mas as pessoas precisam experimentar a estória.
  • 9:59 - 10:02
    Precisam ser capazes de viver a estória. Como fazer isso?
  • 10:02 - 10:05
    Essa foi minha ideia de como fazer isso.
  • 10:05 - 10:07
    Isso é o que vem primeiro aqui.
  • 10:07 - 10:09
    Por causa da forma simples de fazer isso
  • 10:09 - 10:12
    é você sair em uma caminhada.
  • 10:12 - 10:15
    Você faz uma caminhada sobre os passos de Abraão.
  • 10:15 - 10:18
    Você retraça os passos de Abraão.
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    Porque o andar tem um poder real.
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    Eu sei, como antropólogo, andar é o que nos faz humanos.
  • 10:24 - 10:26
    É engraçado, quando você caminha,
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    você caminha lado-a-lado
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    na mesma direção.
  • 10:31 - 10:33
    Agora, se eu fosse para chegar até você cara-a-cara
  • 10:33 - 10:36
    e chegasse assim perto,
  • 10:36 - 10:39
    você se sentiria ameaçado.
  • 10:39 - 10:41
    Mas se eu caminhar ombro-a-ombro,
  • 10:41 - 10:43
    mesmo tocando os ombros,
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    não há problema.
  • 10:45 - 10:47
    Quem briga enquanto anda?
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    É por isso que sempre nas negociações, quando as coisas ficam difíceis,
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    as pessoas vão caminhar entre as árvores.
  • 10:52 - 10:54
    Assim surgiu a ideia
  • 10:54 - 10:56
    de inspirar
  • 10:56 - 10:58
    um caminho, uma rota --
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    pense na rota da seda, pense na trilha Apache --
  • 11:01 - 11:03
    que seguisse nos passos
  • 11:03 - 11:05
    de Abraão.
  • 11:05 - 11:07
    Muitos diriam, "Isso é loucura. Você não pode.
  • 11:07 - 11:10
    Você não pode retraçar os passos de Abraão. É muito inseguro.
  • 11:10 - 11:12
    Você teria que cruzar todas aquelas fronteiras.
  • 11:12 - 11:14
    Ela passaria por 10 diferentes países do Oriente Médio,
  • 11:14 - 11:16
    porque ela une a todos."
  • 11:16 - 11:18
    Então nós estudamos a ideia em Harvard.
  • 11:18 - 11:20
    Fizemos a nossa diligência.
  • 11:20 - 11:22
    Assim a alguns anos atrás, um grupo nosso,
  • 11:22 - 11:24
    de cerca de 25 pessoas de 10 países diferentes,
  • 11:24 - 11:26
    decidiram ver se podíamos retraçar os passos de Abraão,
  • 11:26 - 11:29
    indo de seu local de nascimento à cidade de Ur
  • 11:29 - 11:32
    no sul da Turquia, norte da Mesopotâmia.
  • 11:32 - 11:35
    Então pegamos um ônibus e fizemos algumas caminhadas
  • 11:35 - 11:37
    e fomos para Harran,
  • 11:37 - 11:40
    onde, na Bíblia, ele inicia sua jornada.
  • 11:40 - 11:42
    Cruzamos a fronteira da Síria, fomos para Aleppo,
  • 11:42 - 11:44
    que mudou seu nome depois de Abraão.
  • 11:44 - 11:46
    Fomos para Damasco,
  • 11:46 - 11:48
    que tem uma longa história associada a Abraão.
  • 11:48 - 11:51
    Então fomos ao norte da Jordânia,
  • 11:51 - 11:53
    para Jerusalém,
  • 11:53 - 11:56
    que tem tudo a ver com Abraão, e para Belém,
  • 11:56 - 11:58
    e finalmente para o lugar onde ele foi enterrado
  • 11:58 - 12:00
    em Hebron.
  • 12:00 - 12:02
    Assim de fato, fomos do berço ao túmulo.
  • 12:02 - 12:05
    Mostramos que pode ser feito. Foi uma jornada fantástica.
  • 12:05 - 12:07
    Deixem-me lhes fazer uma pergunta.
  • 12:07 - 12:09
    Quantos de vocês já tiveram a experiência
  • 12:09 - 12:11
    de estar em uma vizinhança extranha,
  • 12:11 - 12:13
    ou numa terra estranha,
  • 12:13 - 12:16
    e alguém totalmente estranho, completamente estranho,
  • 12:16 - 12:19
    chegasse até você e lhe mostrasse cordialidade,
  • 12:19 - 12:21
    talvez o convidasse à sua casa, lhe desse algo para beber,
  • 12:21 - 12:23
    lhe desse um café, lhe desse uma refeição?
  • 12:23 - 12:25
    Quantos de vocês já tiveram essa experiência?
  • 12:25 - 12:27
    Essa é a essência
  • 12:27 - 12:29
    do caminho de Abraão.
  • 12:29 - 12:31
    Mas isso é o que você descobre, você vai a essas vilas no Oriente Médio
  • 12:31 - 12:33
    onde você espera hostilidade,
  • 12:33 - 12:35
    e você recebe a mais fantástica hospitalidade,
  • 12:35 - 12:37
    tudo por causa de Abraão.
  • 12:37 - 12:39
    "No nome do pai Abraão,
  • 12:39 - 12:41
    deixe me oferecer-lhe alguma comida."
  • 12:41 - 12:43
    O que descobrimos
  • 12:43 - 12:46
    é que Abraão não é apenas um personagem de livro para essas pessoas,
  • 12:46 - 12:49
    ele está vivo, sua presença está viva.
  • 12:49 - 12:51
    E para resumir,
  • 12:51 - 12:53
    nos últimos anos,
  • 12:53 - 12:55
    milhares de pessoas
  • 12:55 - 12:57
    começaram a fazer o caminho de Abraão
  • 12:57 - 12:59
    no Oriente Médio,
  • 12:59 - 13:02
    apreciando a hospitalidade das pessoas de lá.
  • 13:02 - 13:04
    Eles começaram a caminhar
  • 13:04 - 13:06
    em Israel e na Palestina,
  • 13:06 - 13:08
    na Jordânia, na Turquia, na Síria.
  • 13:08 - 13:10
    É uma experiência fantástica.
  • 13:10 - 13:12
    Homens, mulheres, jovens, velhos --
  • 13:12 - 13:15
    mais mulheres que homens, na verdade, interessantemente.
  • 13:15 - 13:17
    Para aqueles que não podem andar,
  • 13:17 - 13:19
    que não podem estar lá agora mesmo,
  • 13:19 - 13:21
    as pessoas começaram a organizar caminhadas
  • 13:21 - 13:23
    nas cidades, no interior das comunidades.
  • 13:23 - 13:25
    Em Cincinati, por exemplo, que organizou um caminhada
  • 13:25 - 13:27
    de uma igreja, para uma mesquita, para uma sinagoga
  • 13:27 - 13:29
    e todos tiveram uma refeição Abraãmica juntos.
  • 13:29 - 13:31
    Foi o dia da Festa de Abraão
  • 13:31 - 13:33
    Em São Paulo, Brasil, se tornou um evento anual
  • 13:33 - 13:35
    para milhares de pessoas que correm
  • 13:35 - 13:37
    em um Caminho de Abraão virtual,
  • 13:37 - 13:39
    unindo diferentes comunidades.
  • 13:39 - 13:42
    A mídia ama isso, eles adoram.
  • 13:42 - 13:44
    Eles dão muita atenção nisso
  • 13:44 - 13:46
    por causa do visual,
  • 13:46 - 13:48
    e por que espalha uma ideia,
  • 13:48 - 13:50
    essa ideia da hospitalidade Abraãmica
  • 13:50 - 13:52
    de bondade para os desconhecidos.
  • 13:52 - 13:54
    Há apenas algumas semanas atrás,
  • 13:54 - 13:56
    houve uma estória NPR
  • 13:56 - 13:58
    Mês passado,
  • 13:58 - 14:00
    havia uma peça no Guardian,
  • 14:00 - 14:03
    no Manchester Guardian, sobre isso --
  • 14:03 - 14:06
    duas páginas inteiras.
  • 14:06 - 14:09
    Eles entrevistaram uma pessoa local
  • 14:09 - 14:12
    que disse, "Essa caminhada nos conecta ao mundo."
  • 14:12 - 14:15
    Ele disse que foi como uma luz que entrou em nossas vidas.
  • 14:15 - 14:17
    Nos trouxe esperança.
  • 14:17 - 14:19
    É isso que é.
  • 14:19 - 14:22
    Mas não é apenas sobre psicologia,
  • 14:22 - 14:24
    é sobre economia,
  • 14:24 - 14:26
    porque as pessoas que caminham gastam dinheiro.
  • 14:26 - 14:29
    E essa mulher aqui, Um Ahmad,
  • 14:29 - 14:32
    é uma mulher que vive no caminho no norte da Jordânia
  • 14:32 - 14:34
    Ela é desesperadamente pobre.
  • 14:34 - 14:37
    Ela é parcialmente cega, seu marido não pode trabalhar,
  • 14:37 - 14:40
    ela tem sete filhos.
  • 14:40 - 14:42
    Mas o que ela faz é cozinhar.
  • 14:42 - 14:45
    Assim ela começou a cozinhar para alguns grupos que caminhavam
  • 14:45 - 14:48
    que passaram pela vila e comeram em sua casa.
  • 14:48 - 14:50
    Eles sentaram-se no chão.
  • 14:50 - 14:52
    Ela não tinha toalha de mesa.
  • 14:52 - 14:54
    Ela fez a mais deliciosa comida
  • 14:54 - 14:57
    com as ervas frescas dos lugarejos ao redor.
  • 14:57 - 14:59
    Então mais grupos vieram.
  • 14:59 - 15:01
    E finalmente ela começou a ganhar uma renda
  • 15:01 - 15:03
    para manter sua familia.
  • 15:03 - 15:06
    Então ela disse à nossa equipe lá:
  • 15:06 - 15:09
    "Vocês me tornaram visível
  • 15:09 - 15:11
    em uma vila onde as pessoas tinham vergonha
  • 15:11 - 15:13
    de me olhar."
  • 15:13 - 15:16
    Esse é o potencial do Caminho de Abraão.
  • 15:16 - 15:18
    Há literalmente centenas destas comunidades
  • 15:18 - 15:21
    ao longo do Oriente Médio, ao longo do caminho.
  • 15:22 - 15:25
    O potencial é basicamente mudar o jogo.
  • 15:25 - 15:27
    E para mudar o jogo, você deve mudar o cenário,
  • 15:27 - 15:29
    a forma como vemos as coisas --
  • 15:29 - 15:31
    para mudar o cenário
  • 15:31 - 15:34
    da hostilidade para a hospitalidade,
  • 15:34 - 15:37
    do terrorismo para o turismo.
  • 15:37 - 15:39
    Neste sentido o Caminho de Abraão
  • 15:39 - 15:41
    é uma mudança no jogo.
  • 15:41 - 15:43
    Deixem-me mostrar-lhes uma coisa.
  • 15:43 - 15:45
    Eu tenho uma bolota aqui
  • 15:45 - 15:47
    que eu peguei enquanto eu estava caminhando lá
  • 15:47 - 15:49
    no começo deste ano.
  • 15:49 - 15:51
    Esta bolota é de um carvalho, claro --
  • 15:51 - 15:53
    cresce em uma árvore,
  • 15:53 - 15:55
    que está relacionada a Abraão.
  • 15:55 - 15:57
    O caminho é como essa bolota;
  • 15:57 - 15:59
    ele está em sua fase inicial.
  • 15:59 - 16:01
    Como é um carvalho?
  • 16:01 - 16:03
    Bem, eu me recordo de minha infância,
  • 16:03 - 16:05
    uma boa parte dela, depois de ter nascido em Chicago,
  • 16:05 - 16:07
    eu passei na Europa.
  • 16:07 - 16:09
    Se você estivesse
  • 16:09 - 16:11
    nas ruínas de, digamos, Londres
  • 16:11 - 16:14
    em 1945, ou Berlim,
  • 16:14 - 16:16
    e tivesse dito.
  • 16:16 - 16:18
    "Em seis anos,
  • 16:18 - 16:20
    essa será a parte mais pacífica e próspera do planeta."
  • 16:20 - 16:22
    as pessoas poderiam pensar
  • 16:22 - 16:24
    que você certamente estava insano.
  • 16:24 - 16:28
    Mas eles conseguiram graças a um identidade comum -- Europa --
  • 16:28 - 16:30
    e uma economia comum.
  • 16:30 - 16:33
    Então minha pergunta é, se isso pode ser feito na Europa,
  • 16:33 - 16:35
    por que não no Oriente Médio?
  • 16:35 - 16:37
    Por que não, graças a uma identidade comum --
  • 16:37 - 16:39
    que é a estória de Abraão ---
  • 16:39 - 16:41
    e graças a uma economia comum
  • 16:41 - 16:44
    que pode ser baseada em boa parte no turismo?
  • 16:45 - 16:47
    Deixem-me concluir
  • 16:47 - 16:50
    dizendo que nos últimos 35 anos,
  • 16:50 - 16:52
    que tenho trabalhado
  • 16:52 - 16:54
    em alguns dos mas perigosos, difíceis e rebeldes
  • 16:54 - 16:56
    conflitos pelo planeta,
  • 16:56 - 16:59
    Eu estou para ver um conflito
  • 16:59 - 17:02
    que eu sinta que não pode ser transformado.
  • 17:02 - 17:04
    Não é fácil, claro,
  • 17:04 - 17:06
    mas é possível.
  • 17:06 - 17:08
    Isso foi feito na África do Sul.
  • 17:08 - 17:10
    Isso foi feito no norte da Irlanda.
  • 17:10 - 17:12
    Pode ser feito em qualquer lugar.
  • 17:12 - 17:14
    Isso depende de nós.
  • 17:14 - 17:17
    Depende que tomemos o terceiro lado.
  • 17:17 - 17:19
    Deixem-me convidá-los
  • 17:19 - 17:21
    a considerar tomar o terceiro lado,
  • 17:21 - 17:23
    mesmo que seja com um pequeno passo.
  • 17:23 - 17:25
    Vamos dar uma parada por um momento.
  • 17:25 - 17:27
    Se vire para alguém
  • 17:27 - 17:30
    que seja de uma cultura diferente, de um país diferente,
  • 17:30 - 17:32
    de uma etnia diferente, alguma diferença,
  • 17:32 - 17:35
    e comece uma conversa, ouça-o.
  • 17:35 - 17:37
    Essa é a ação do terceiro lado.
  • 17:37 - 17:39
    Isso é andar pelo Caminho de Abraão.
  • 17:39 - 17:41
    Depois de um TEDTalk,
  • 17:41 - 17:43
    por que não um TEDWalk?
  • 17:43 - 17:45
    Permitam-me apenas deixá-los
  • 17:45 - 17:47
    com três coisas.
  • 17:47 - 17:50
    Uma é, o segredo da paz
  • 17:50 - 17:53
    é o terceiro lado.
  • 17:53 - 17:55
    O terceiro lado somos nós,
  • 17:55 - 17:57
    cada um de nós,
  • 17:57 - 17:59
    com um único passo,
  • 17:59 - 18:02
    pode pegar o mundo, pode levar o mundo,
  • 18:02 - 18:05
    a um passo mais perto da paz.
  • 18:05 - 18:07
    Há um ditado africano que diz:
  • 18:07 - 18:09
    "Quando as teias de aranha se unem,
  • 18:09 - 18:12
    podem parar até um leão."
  • 18:12 - 18:14
    Se formos capazes de unir
  • 18:14 - 18:16
    nossas redes de paz do terceiro lado
  • 18:16 - 18:19
    poderemos parar o leão da guerra.
  • 18:19 - 18:21
    Muito Obrigado.
  • 18:21 - 18:23
    (Aplausos)
Title:
William Ury: O caminho entre o "não" e o "sim"
Speaker:
William Ury
Description:

William Ury, autor de "Gretting to Yes" (Saudação ao Sim), oferece uma elegante e simples (mas não fácil) maneira de criar um acordo mesmo em meio as situações mais difíceis -- de conflitos familiares a, talvez, o Oriente Médio.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
18:24
Jeff Caponero added a translation

Portuguese, Brazilian subtitles

Revisions