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← Como eu uso a arte para lidar com a poluição plástica em nossos oceanos

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Showing Revision 13 created 12/29/2019 by Maurício Kakuei Tanaka.

  1. Esta é Sian Ka'an.
  2. Ao sul de Tulum,
    na costa caribenha do México,
  3. é uma reserva federal protegida,
  4. Patrimônio Mundial da UNESCO
  5. e uma das regiões
    mais biodiversas do planeta.
  6. Mas, quando eu a conheci em 2010,
  7. fiquei horrorizado e completamente confuso
  8. pois a praia estava coberta de lixo.
  9. Logo percebi que o lixo
    chegava de todo o mundo.
  10. Desde aquela primeira visita,
    já retornei várias vezes ao ano

  11. para visitar Sian Ka'an, país onde nasci,
  12. para tratar desse lixo.
  13. Até agora, já documentamos lixo
    de 58 países e territórios diferentes
  14. de 6 continentes,
  15. que chega à praia desse paraíso no México.
  16. Embora eu nunca saiba
    onde um produto foi descartado,

  17. às vezes, com base no rótulo,
    sei onde foi produzido.
  18. Em vermelho, vemos todos os países
    representados pelo lixo em Sian Ka'an.
  19. Tais como esses potes
    de manteiga haitianos,
  20. de todas as formas e tamanhos,
  21. garrafas de água jamaicanas.
  22. Naturalmente, muitas coisas
    são de países vizinhos do Caribe,
  23. mas a tralha vem de todo lugar.
  24. Eis uma amostra de garrafas
    de água internacionais.
  25. É irônico que encontro
    muitos produtos de limpeza e de beleza,
  26. como esse dos Estados Unidos,
  27. que, na verdade, serve
    para proteger plásticos.
  28. (Risos)

  29. Xampu da Coreia do Sul,

  30. alvejante da Costa Rica
  31. e um limpador de banheiro norueguês.
  32. São produtos bem conhecidos por nós,
  33. ou, pelo menos, espero que conheçam
    essas escovas de dente.
  34. (Risos)

  35. Utensílios de cozinha.

  36. Brinquedos.
  37. Também encontro evidências
    de queima de lixo plástico,
  38. que libera fumaça cancerígena no ar.
  39. E me perguntam qual é o item
    mais interessante que já encontrei.

  40. É de longe essa prótese de perna.
  41. No fundo, se conseguirem ver
    uma tampinha azul,
  42. quando eu a encontrei,
  43. ela servia de lar a esse pequeno
    caranguejo-ermitão.
  44. Esse cara é tão fofo.
  45. (Risos)

  46. (Risos)

  47. São esses objetos fascinantes,

  48. mas também horrorosos,
  49. cada um com sua história,
  50. que eu uso para criar minhas
    obras de arte ambientais efêmeras.
  51. Tudo começou com essa imagem,
    em fevereiro de 2010,

  52. em minha primeira visita a Sian Ka'an.
  53. Percebi que azul era a cor
    mais comum entre os plásticos.
  54. Roxo é a cor mais rara,
    como ouro para mim.
  55. Mas azul é a mais comum.
  56. Então juntei alguns dos azuis
  57. e fiz esse pequeno arranjo
    na frente do céu azul
  58. e das águas azuis do Caribe.
  59. Quando tirei uma foto
    e vi a imagem de teste,
  60. foi como se um raio
    me atingisse naquele momento,
  61. e eu sabia que teria que voltar
  62. para criar toda uma série
    de exibições de arte no local
  63. e fotografá-las.
  64. Isso acabou se tornando um esboço
    de uma obra que terminei três anos depois.

  65. Eu não tinha ideia
    de que, quase dez anos depois,
  66. eu ainda estaria trabalhando nela.
  67. Mas o problema persiste.
  68. Vou lhes mostrar algumas das imagens

  69. da série que chamei de "Washed Up:
    Transforming a Trashed Landscape".
  70. Por favor, lembrem-se
    de que eu não pinto o lixo.
  71. Eu o coleto e organizo por cor
    nas mesmas praias onde o encontro.
  72. Esta é minha preciosa
    pilha de lixo, vista em 2015,

  73. depois de apresentada em uma primeira
    edição do "Museo de la Basura"
  74. ou "Museu do Lixo".
  75. Tenho total intenção de cuidar desse lixo,
  76. exaltá-lo, colocá-lo em um pedestal
    e fazer sua curadoria.
  77. Todos já vimos imagens devastadoras

  78. de animais morrendo
    com plástico no estômago,
  79. e é muito importante que nós
    as vejamos e as consideremos.
  80. Mas é fazendo arranjos estéticos -
    alguns podem dizer lindos -
  81. com o lixo do mundo,
  82. que estou tentando engajar os observadores
  83. para atrair aqueles que podem estar
    insensíveis aos horrores do mundo
  84. e oferecer-lhes uma maneira diferente
    de entender o que está acontecendo.
  85. Há quem descreva a Grande
    Porção de Lixo do Pacífico

  86. como uma ilha com o dobro
    do tamanho do Texas,
  87. mas me disseram que é difícil ver,
    porque é mais como uma fumaça.
  88. Através de minha arte,
  89. tento descrever a realidade do que
    está acontecendo com nosso meio ambiente
  90. e tornar visível o invisível.
  91. Minha pergunta principal,
    depois de iniciar o projeto,

  92. foi: "O que faço com o lixo
    quando eu terminar?"
  93. Alguns me disseram que poderia ser
    mercadoria danificada,
  94. depois de viajar pelo oceano
    e estar sujeita às intempéries,
  95. que poderia se degradar e possivelmente
    arruinar um lote de reciclagem.
  96. O aterro também não era
    uma boa sepultura.
  97. Finalmente me dei conta,
  98. depois de todo meu esforço
  99. e o de todas as pessoas que me ajudaram
    a coletar, organizar e limpar esse lixo,
  100. que eu deveria ficar com ele.
  101. E esse é o plano:
  102. usá-lo e reutilizá-lo infinitamente
    para fazer mais obras de arte
  103. e incluir comunidades na arte ambiental.
  104. Eis um exemplo de obra de arte
    baseada na comunidade,

  105. que fizemos no ano passado,
  106. com os jovens locais
    de Punta Allen, em Sian Ka'an.
  107. Uma parte essencial do trabalho
    comunitário é a limpeza da praia
  108. e a programação educacional.
  109. Enquanto a comunidade
    em torno do projeto cresce,
  110. assim como minha coleção de lixo,
  111. acredito realmente que o impacto
    também crescerá.
  112. Assim, ao longo dos anos,

  113. fiquei um pouco obcecado
    com minha coleção de lixo.
  114. Eu a coloco em malas e viajo com ela.
  115. Eu a levo comigo nas férias.
  116. (Risos)

  117. E, na obra mais recente,

  118. comecei a romper o plano
    bidimensional da fotografia.
  119. Estou muito animado com essa nova obra.
  120. Eu as vejo como obras de arte vivas
  121. que se transformarão
    e crescerão com o tempo.
  122. Embora meu maior desejo seja ficar
    sem matéria-prima para essa obra,
  123. ainda não conseguimos.
  124. Na próxima fase do projeto,
    pretendo continuar o trabalho comunitário
  125. e fazer meu próprio trabalho
    em uma escala muito maior,
  126. porque o problema é enorme.
  127. Oito milhões de toneladas de lixo plástico
    chegam a nossos oceanos todos os anos,

  128. destruindo ecossistemas.
  129. Agora, enquanto eu falo, está acontecendo
    um derramamento de óleo de plástico.
  130. Vejo este projeto como um apelo por ajuda
    e um chamado para a ação.
  131. Nossa saúde e nosso futuro
  132. estão intimamente relacionados
    aos de nossos oceanos.
  133. Chamo o projeto de "Washed Up:
    Transforming a Trashed Landscape",
  134. mas, na verdade, ele me transformou
  135. e me fez repensar meus próprios
    comportamentos e consumo.
  136. E, se puder ajudar mais alguém
    a ter mais consciência,
  137. então terá valido a pena.
  138. Muito obrigado.

  139. (Aplausos)