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← Como a fotografia nos une

David Griffin, director fotográfico da National Geographic, sabe o poder que a fotografia tem para nos ligar ao nosso mundo. Num discurso repleto de fotografias magníficas, ele fala sobre como todos nós usamos fotografias para contar as nossas histórias.

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Showing Revision 3 created 02/22/2016 by Margarida Ferreira.

  1. Vamos começar por ver
    algumas excelentes fotografias.

  2. Esta é um ícone da National Geographic,
  3. uma refugiada afegã
    fotografada por Steve McCurry.
  4. Mas o Harvard Lampoon
    está prestes a publicar
  5. uma paródia da National Geographic,
  6. e eu arrepio-me ao pensar
    no que eles irão fazer com esta fotografia.
  7. Oh, a ferocidade do Photoshop...
  8. Isto é um avião a aterrar
    em S. Francisco, de Bruce Dale.

  9. Ele montou a câmara na cauda.
  10. Uma imagem poética para uma história
    sobre Tolstoy, de Sam Abell.
  11. Pigmeus na República Democrática
    do Congo, de Randy Oslon.
  12. Gosto desta fotografia
    porque me traz à memória
  13. as esculturas de bronze
    de Degas da pequena bailarina.
  14. Um urso polar a nadar no Ártico,
    de Paul Nicklin.
  15. Os ursos polares precisam de gelo
    para se poderem deslocar
  16. — não são muito bons nadadores —
  17. e nós sabemos o que está
    a acontecer ao gelo.
  18. Estes são camelos a atravessar
    o Vale do Rift em África,
  19. fotografados por Chris Johns,
  20. tirada precisamente na vertical,
  21. portanto o que se vê
    são as sombras dos camelos.
  22. Este é um rancheiro no Texas,
    de William Albert Allard,
  23. um excelente retratista.
  24. E Jane Goodall, a estabelecer
    a sua ligação especial,
  25. fotografada por Nick Nichols.
  26. Isto é uma festa da espuma em Espanha,
    fotografada por David Alan Harvey.
  27. David disse que se passavam
    muitas coisas estranhas
  28. na pista de dança.
  29. Mas, bem, pelo menos é higiénico.
  30. (Risos)
  31. Estes são leões-marinhos na Austrália
    na sua dança própria,
  32. de David Doubilet.
  33. E este é um cometa,
    captado pelo Dr. Euan Mason.
  34. Por último, a proa do Titanic,
    sem estrelas de cinema,
  35. fotografada por Emory Kristof.
  36. A fotografia tem um poder que resiste
  37. ao turbilhão implacável dos "media",
    saturados no mundo de hoje,
  38. porque a fotografia simula a forma
  39. como a nossa memória
    guarda um momento marcante.
  40. Aqui fica um exemplo.

  41. Há quatro anos eu estava
    na praia com o meu filho.
  42. Ele estava a aprender a nadar
  43. na relativamente calma rebentação
    das praias do Delaware.
  44. Mas voltei-me por um momento
    e ele foi apanhado numa corrente
  45. e começou a ser arrastado
    na direcção do esporão.
  46. Consigo estar aqui agora e ver,
  47. enquanto corro
    e me lanço à água atrás dele,
  48. o tempo a abrandar
    e ficar congelado nesta composição.
  49. Consigo ver que as rochas são aqui.
  50. Há uma onda prestes a rebentar contra ele.
  51. Consigo ver as mãos dele no ar,
  52. e consigo ver a sua expressão de terror
  53. a olhar para mim, a dizer " Ajuda-me Pai."
  54. Apanhei-o, a onda rebenta sobre nós.
  55. Regressámos a terra, ele está bem.
  56. Estamos um pouco abalados.
  57. Mas estes "flashes de memória",
    como são chamados,
  58. acontecem quando todos
    os elementos se juntam para definir
  59. não só o acontecimento,
    mas a minha ligação emocional a ele.
  60. E é aqui que entra a fotografia,
  61. quando estabelece a sua ligação poderosa
    com o observador.
  62. Agora tenho que vos dizer,

  63. na semana passada, disse ao Kyle
  64. que ia contar esta história e ele disse:
  65. "Oh, sim, também me lembro disso!
  66. "Lembro-me da imagem que tenho de ti.
  67. "Eras tu em terra a gritar-me."
  68. (Risos)
  69. Eu pensava que era um herói.
  70. Isto é uma amostra cruzada
    de várias imagens marcantes

  71. tiradas por alguns
    dos melhores fotojornalistas mundiais
  72. a trabalhar no topo das suas carreiras.
  73. Excepto uma.
  74. Esta fotografia foi tirada
    pelo Dr. Euan Mason
  75. na Nova Zelândia, no ano passado,
  76. e foi apresentada e publicada
    na National Geographic.
  77. No ano passado adicionámos
    uma secção ao nosso "website"
  78. chamada "A Vossa Fotografia"
  79. onde qualquer pessoa pode apresentar
    fotografias para possível publicação.
  80. E tornou-se num enorme sucesso,
  81. assente na comunidade
    de entusiastas de fotografia.
  82. A qualidade destas fotografias amadoras
  83. por vezes, é surpreendente.
  84. Para mim, esta constatação reforça
  85. que cada um de nós tem, pelo menos,
  86. uma ou duas grandes fotografias em si.
  87. Mas, para sermos um grande fotojornalista,

  88. temos que ter mais do que
    uma ou duas grandes fotografias em nós.
  89. Temos que ser capazes
    de as captar sempre.
  90. Acima de tudo, temos que saber
  91. como criar uma narrativa visual.
  92. Temos que se saber
    como contar uma história.
  93. Assim, vou mostrar-vos
    algumas reportagens
  94. que eu sinto que demonstram o poder
    da fotografia para contar histórias.
  95. O fotógrafo Nick Nichols
    viajou para documentar

  96. um pequeno e relativamente desconhecido
    santuário de vida selvagem
  97. no Chade, chamado Zakouma.
  98. O objectivo inicial era ir até lá
  99. e trazer uma história clássica
  100. sobre diversas espécies
    de um local exótico.
  101. E foi isso que Nick fez
    até um certo ponto.
  102. Este é um serval.
  103. É ele que está a tirar a sua fotografia,
  104. com o que se designa
    de armadilha fotográfica.
  105. Há um raio de infra-vermelhos,
  106. e ele, ao pisá-lo, tira a sua fotografia.
  107. Estes são babuínos, num bebedouro.
  108. Nick — novamente com
    uma máquina automática —
  109. tirou milhares de fotografias destas
  110. e acabou com muitas fotografias
    de traseiros de macacos.
  111. (Risos)
  112. Um leão a fazer uma ceia tardia
  113. — reparem que tem um dente partido.
  114. E um crocodilo a subir um banco de areia
    a caminho da toca.
  115. Adoro aquelas gotas de água
  116. que saem da parte de trás da cauda.
  117. Mas as espécies centrais do Zakouma
    são os elefantes.

  118. Esta é uma das maiores manadas intactas
    nesta região de África.
  119. Esta é uma fotografia tirada ao luar,
  120. uma coisa em que a fotografia digital
    fez uma grande diferença.
  121. Foi com os elefantes
    que esta história foi articulada.
  122. Nick, em conjunto
    com o investigador Dr. Michael Fay,
  123. colocou um emissor
    na matriarca da manada.
  124. Chamaram-lhe Annie
  125. e começaram a seguir os seus movimentos.
  126. A manada estava a salvo
    dentro dos limites do parque
  127. graças a este grupo
    de dedicados de guardas florestais.
  128. Mas, assim que a época
    das chuvas começou,
  129. a manada iniciou a migração
    para os campos fora do parque.
  130. E foi aí que se meteram em apuros,

  131. porque, fora da segurança do parque,
    ficam à mercê de caçadores furtivos.
  132. que os caçam só pelo valor
    comercial das suas presas de marfim.
  133. A matriarca que eles seguiam pela rádio,
  134. depois de semanas a deslocar-se
    para dentro e para fora do parque,
  135. ficou subitamente
    parada fora do parque.
  136. Annie tinha sido morta,
    com mais 20 membros da sua manada.
  137. Tudo só por causa do marfim.
  138. Este é um dos guardas.
  139. Conseguiram perseguir um dos atacantes
    e recuperar este marfim.
  140. Não o podiam deixar lá,
    porque ainda é valioso.
  141. Nick trouxe uma história
  142. que foi para além do método
    da antiga escola de evidenciar
  143. "Este mundo não é fantástico?"
  144. Em vez disso, criou uma história
    que tocou profundamente o público.
  145. Em vez de mera informação
    sobre este parque,
  146. ele criou compreensão e empatia
    pelos elefantes,
  147. pelos guardas e pelas inúmeras questões
  148. que envolvem os conflitos
    entre o homem e o animal.
  149. Agora vamos até à Índia.

  150. Por vezes pode-se contar uma história global
    numa perspetiva localizada.
  151. Analisávamos a mesma questão
    que Richard Wurman enfrenta
  152. no seu Novo Projecto
    para a População Mundial.
  153. Pela primeira vez na história,
  154. há mais pessoas a viver
    em meios urbanos do que em meios rurais.
  155. E a maior parte desse crescimento
    não é nas cidades,
  156. mas nos bairros de lata que as rodeiam.
  157. Jonas Bendiksen,
    um fotógrafo cheio de iniciativa,
  158. abordou-me e disse:
  159. "Nós temos que documentar isto,
    e esta é a minha proposta:
  160. "Vamos dar a volta ao mundo
    e fotografar todos os bairros de lata."
  161. E eu disse: "Isso pode ser demasiado
    ambicioso para o nosso orçamento."
  162. Então, em vez de partirmos
  163. decidimos que o que iria resultar
  164. seria um documentário,
  165. em que se vai e se vê apenas
    uma pequena parte da realidade.
  166. Mandámos o Jonas para Dharavi,
  167. uma zona de Mumbai, na Índia,
  168. e deixámo-lo ficar lá para entrar
  169. no coração e alma
    desta enorme zona da cidade.
  170. Jonas não se limitou
    a observar superficialmente
  171. as terríveis condições
    que existem nestes lugares.
  172. Ele viu que estes são locais vivos
    e uma parte fundamental
  173. do funcionamento de toda a área urbana.
  174. Ao ficar concentrado num local,
  175. Jonas interiorizou a alma
    e o espírito humano de sacrifício
  176. subjacente a esta comunidade.
  177. E fê-lo de uma forma muito bela.
  178. Mas, por vezes, a única forma
    de contar uma história

  179. é com uma fotografia arrebatadora.
  180. Reunimos numa equipa
    o fotógrafo subaquático Brian Skerry
  181. e o fotojornalista Randy Olson
  182. para documentar o esgotamento
    dos recursos piscícolas do planeta.
  183. Não éramos os únicos a explorar este tema,
  184. mas as fotografias
    que Brian e Randy fizeram
  185. estão entre as que melhor
    captam o lado humano,
  186. e o lado natural da devastação
    da pesca excessiva.
  187. Aqui, numa fotografia de Brian,
  188. um tubarão, que parece estar crucificado,
  189. é apanhado nas redes de pesca
    ao largo de Baja.
  190. Já vi fotografias razoáveis
    de pesca acidental,
  191. em que um animal
    é acidentalmente capturado
  192. aquando da pesca
    de uma espécie específica.
  193. Mas aqui, Brian capta uma visão única
  194. ao posicionar-se sob o barco
  195. quando os restos são lançados ao mar.
  196. Depois Brian correu um risco ainda maior
  197. para tirar esta fotografia
    nunca dantes feita
  198. de uma rede de arrasto
    a varrer o fundo marinho.
  199. De regresso a terra,
    Randy Olson fotografou

  200. uma lota improvisada em África,
  201. onde os restos dos filetes de peixe
    eram vendidos aos locais,
  202. depois de as partes principais
    terem sido exportadas para a Europa.
  203. E aqui, na China, Randy fotografou
    um mercado de medusas.
  204. À medida que as fontes primárias
    de alimentos se esgotam,
  205. a pesca vai mais fundo nos oceanos
  206. e traz mais essas fontes de proteínas.
  207. Este fenómeno designa-se
    por pesca abaixo da cadeia alimentar.
  208. Mas também há vislumbres de esperança,

  209. e sempre que fazemos
    uma grande história destas,
  210. penso que não queremos
    limitar-nos apenas
  211. a revelar todos os problemas.
  212. Também queremos procurar soluções.
  213. Brian fotografou um santuário
    marítimo na Nova Zelândia
  214. onde a pesca comercial foi proibida.
  215. O resultado foi a repovoação de espécies
    que sofriam de pesca intensiva,
  216. e com elas uma possível solução
    para uma pesca sustentável.
  217. A fotografia também pode
    levar-nos a confrontar temas

  218. que são potencialmente
    lúgubres e controversos.
  219. James Nachtwey, homenageado
    no TED no ano transacto,
  220. avaliou de uma perspectiva holística
    o sistema de saúde
  221. que acolhe os soldados americanos feridos
    que regressam do Iraque.
  222. É uma espécie de tubo em que numa
    das extremidades entra o soldado ferido,
  223. e na outra sai de regresso a casa.
  224. Jim começou no campo de batalha.
  225. Aqui, um profissional de saúde
    cuida dum soldado ferido
  226. ainda no helicóptero,
    de regresso ao hospital de campanha.
  227. Aqui estamos no hospital de campanha.
  228. O soldado à direita tem o nome da filha
  229. tatuado no peito como lembrança de casa.
  230. Daqui, os feridos mais graves
    são transportados para a Alemanha,
  231. onde reencontram as suas famílias
    pela primeira vez.
  232. Depois, de regresso aos EUA.
    para recuperação
  233. nos hospitais de veteranos
    como este em Walter Reed.
  234. Por fim, frequentemente
    com próteses de última geração,
  235. saem da guarda do sistema
    de cuidados de saúde
  236. para retomar a vida de antes da guerra.
  237. Jim pegou no que podia ter sido
    uma história linear sobre ciência médica
  238. e deu-lhe uma dimensão humana
    que tocou profundamente os leitores.
  239. Estas histórias são grandes exemplos

  240. de como a fotografia pode ser utilizada
  241. para abordar alguns
    tópicos muito importantes.
  242. Mas também há alturas
    em que os fotógrafos
  243. se deparam com situações
    que são, puramente divertidas.
  244. O fotógrafo Paul Nicklin
    viajou para a Antárctica
  245. para fotografar uma história
    sobre focas leopardo.
  246. Raramente são fotografadas,
    em parte por serem consideradas
  247. um dos mais perigosos
    predadores do oceano.
  248. De facto, um ano antes,
    um investigador tinha sido atacado,
  249. arrastado para as profundezas e morto.
  250. Por isso podem imaginar
  251. que Paul estivesse um pouco hesitante
    em entrar na água.
  252. As focas leopardo, fundamentalmente
    comem pinguins.
  253. Já ouviram falar de
    "A Marcha dos pinguins"?
  254. Aqui seria algo do género
    "A Mastigação dos Pinguins".
  255. (Risos)
  256. Aqui um pinguim sobe
    para a borda e espreita
  257. para ver se a costa está livre.
  258. De seguida todos se aproximam
    e saltam para fora.
  259. Mas depois Paul entrou na água.

  260. Ele disse que nunca teve medo.
  261. Esta fêmea foi ter com ele.
  262. É uma pena não se poder
    ver na fotografia,
  263. mas tem 3,70 m de comprimento.
  264. Tem um tamanho significativo.
  265. Mas Paul disse nunca ter tido medo,
  266. porque ela estava mais curiosa
    sobre ele do que ameaçada.
  267. Aquela boca à direita
  268. era a sua forma de lhe dizer:
    "Olha, vê como sou grande!"
  269. Ou então: "Ena,
    que dentes grandes tu tens."
  270. (Risos)
  271. Paul acha que ela teve pena dele.
  272. Para ela, ali estava aquela criatura
    grande e pateta na água
  273. que por alguma razão
    não parecia estar interessada
  274. em perseguir pinguins.
  275. Então ela começou
    a levar-lhe pinguins vivos
  276. e a pô-los em frente dele.
  277. Soltava-os e eles nadavam para longe.
  278. Ela olhou para ele, tipo:
    "Que estás a fazer?"
  279. Ia atrás deles de novo, e trazia-os
  280. e deixava-os em frente dele.
  281. Fez isto durante vários dias
  282. até que ficou tão frustrada com ele,
  283. que começou a pô-los directamente
    em cima da cabeça dele.
  284. (Risos)
  285. O que resultou numa fotografia fantástica.
  286. (Risos)
  287. Por fim, Paul acha que ela percebeu
  288. que ele nunca iria sobreviver.
  289. Isto é ela a expirar,
  290. um suspiro para expressar o desgosto.
  291. (Risos)
  292. E perdeu interesse nele,
    e voltou ao que sabe fazer melhor.
  293. Paul partiu para fotografar uma criatura

  294. relativamente misteriosa e desconhecida,
  295. e voltou com um álbum de fotografias,
  296. e com uma experiência fantástica
    e uma história maravilhosa.
  297. É este tipo de histórias,
  298. as que vão para além
    do imediato ou do superficial,
  299. que demonstram o poder do fotojornalismo.
  300. Acredito que a fotografia pode estabelecer
    uma verdadeira relação com as pessoas,
  301. e pode ser empregue
    como um agente positivo
  302. para a compreensão
    dos desafios e oportunidades
  303. que enfrentamos no mundo dos nossos dias.
  304. Obrigado
  305. (Aplausos)