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← Pretendem uma empresa mais inovadora? Contratem mais mulheres.

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Showing Revision 13 created 11/06/2017 by Margarida Ferreira.

  1. Há quinze anos,
  2. eu pensava que a questão da diversidade
    não era algo que me preocupasse.
  3. Era um problema pelo qual
    a geração mais velha tinha tido que lutar.
  4. Na minha universidade metade
    eram rapazes e metade raparigas.
  5. Muitas vezes, nós, as mulheres,
    tínhamos melhores notas.
  6. Por isso, embora nem tudo fosse perfeito,
  7. a diversidade e as decisões de liderança
  8. eram algo que chegaria naturalmente
    com o passar do tempo.
  9. Bom, nem por isso.

  10. Enquanto progredia na carreira
    de consultora de gestão
  11. na Europa e nos EUA,
  12. comecei a perceber que, em muitas
    situações, era a única mulher presente
  13. e que a liderança ainda está
    muito homogénea.
  14. Conheci muitos diretores
  15. que viam a diversidade como algo
    a cumprir para ser politicamente correto
  16. ou, no melhor dos casos,
    como "a coisa certa a fazer",
  17. mas não era considerada
    uma prioridade do negócio.
  18. Esses diretores não tinham nenhum
    motivo para acreditar
  19. que a diversidade podia ajudá-los a
    atingir as suas metas mais importantes:
  20. atingir os números,
    entregar um novo produto,
  21. aqueles objetivos pelos quais
    as pessoas são avaliadas.
  22. A minha experiência pessoal
    ao trabalhar com diversas equipas

  23. ensinou-me que, apesar de exigirem
    mais esforço no início,
  24. acabam por trazer ideias
    mais criativas e mais frescas.
  25. Então, quis saber:
  26. Será que as organizações
    diversificadas são mais inovadoras?
  27. E será a diversidade mais
    do que algo para ser cumprido?
  28. Poderá ser uma vantagem competitiva real?
  29. Para responder a isto, criámos um estudo
    com a Universidade Técnica de Munique.

  30. Convidámos 171 empresas
    da Alemanha, da Áustria e da Suíça
  31. e, enquanto vos falo neste momento,
    o estudo está a ser expandido
  32. a 1600 empresas
  33. em mais cinco países pelo mundo inteiro.
  34. Fizemos a essas empresas duas perguntas:
  35. quão inovadoras são
    e quão diversificadas são.
  36. Para responder à primeira pergunta,

  37. pedimos-lhes os valores
    da receita da inovação.
  38. A receita da inovação
    é a parte das receitas que tiveram
  39. proveniente de novos produtos
    e serviços dos últimos três anos.
  40. Ou seja, não quisemos saber
    quantas ideias criativas têm,
  41. mas sim, se essas ideias se traduzem
    em produtos e serviços
  42. que trazem mais sucesso para a empresa.
    agora e no futuro.
  43. Para medir a diversidade,
    olhámos para seis fatores diferentes:
  44. país de origem, idade e sexo,
    entre outros.
  45. Enquanto nos preparávamos para ir
    para o terreno com estas perguntas,

  46. sentei-me com a minha equipa
  47. e discutimos o que seriam
    os resultados esperados.
  48. Utilizando poucas palavras,
    não estávamos otimistas.
  49. A pessoa mais cética da equipa
    pensava, ou via como possibilidade real,
  50. não encontrarmos nada.
  51. A maior parte da equipa estava cautelosa,
  52. pelo que chegámos todos
    à ideia do "somente se",
  53. o que significava que podíamos
    encontrar alguma ligação
  54. entre inovação e diversidade,
  55. mas que não seria facilmente identificado
  56. — apenas se se verificassem
    alguns critérios,
  57. como, por exemplo,
    um estilo de liderança muito liberal
  58. que permitisse que as pessoas
    falassem livremente e contribuíssem.
  59. Dois meses depois,
    chegaram os dados

  60. e os resultados convenceram
    até os mais céticos.
  61. A resposta era um "sim"
    bastante evidente,
  62. sem "se", sem "mas".
  63. Os dados da nossa amostra demonstraram
  64. que as empresas mais diversificadas
    são, mais inovadoras, ponto final.
  65. Agora, uma questão pertinente
    a colocar é a da galinha e do ovo.

  66. Ou seja, as empresas serão mais inovadoras
  67. porque têm uma liderança diversificada?
  68. Ou é o contrário?
  69. Como é que funciona?
  70. Não sabemos o rácio
    entre a correlação e a causalidade,
  71. mas sabemos que é evidente,
  72. na nossa amostra, que as empresas
    que são mais diversificadas
  73. são mais inovadoras,
  74. e que as empresas mais inovadoras
  75. também têm uma liderança
    mais diversificada.
  76. Então, é justo assumir que funciona
    em ambos os sentidos:
  77. a diversidade conduz à inovação
    e a inovação conduz à diversidade.
  78. Quando publicámos estes resultados,

  79. ficámos surpreendidos
    com as reações nos "media".
  80. Recebemos bastante atenção.
  81. E passámos de algo bastante factual,
  82. como "uma maior participação feminina
    aumenta a inovação",
  83. para algo bastante mais sensacionalista.
  84. (Risos)

  85. Como podem ver,

  86. "As mulheres donas de casa
    custam biliões"
  87. e o meu título favorito:
  88. "As donas de casa matam a inovação".
  89. Bom, não existe nada tão eficaz
    como a má publicidade, não é?
  90. (Risos)

  91. Simultaneamente,

  92. começámos a receber chamadas
    de diretores executivos
  93. que queriam perceber melhor
    esta situação,
  94. especialmente — surpresa, surpresa! —
    sobre a diversidade de sexos.
  95. Comecei, várias vezes,
    essas discussões com a pergunta:
  96. "Qual é a sua opinião sobre a situação
    atual da sua empresa?".
  97. E uma resposta frequente era:
  98. "Bom, ainda não chegámos lá,
    mas não estamos assim tão mal".
  99. Um diretor disse-me uma vez:
  100. "Oh, não estamos assim tão mal.
  101. "Temos um membro da direção
    que é mulher".
  102. (Risos)

  103. Vocês riem-se...

  104. (Aplausos)

  105. Vocês riem-se, mas ele até tinha razão
    em sentir-se orgulhoso,

  106. porque na Alemanha,
  107. se forem donos de uma empresa
  108. e se um membro da direção
    for uma mulher.
  109. vocês fazem parte de um grupo restrito
  110. de 30 em 100 empresas
    que são listadas publicamente.
  111. As restantes 70 empresas
    só têm homens nos seus quadros superiores,
  112. e nenhuma empresa neste conjunto de 100
  113. tem, atualmente, uma mulher
    como presidente executivo.
  114. Mas o mais importante
    nesta perspetiva é o seguinte:
  115. as poucas mulheres que estão
    na direção de empresas
  116. não marcarão a diferença.
  117. Os nossos dados mostram que, para a
    diversidade de sexos afetar a inovação,
  118. é preciso existir mais de 20%
    de mulheres em cargos de liderança.
  119. Vamos ver os números atuais.
  120. Como podem ver, dividimos
    a amostra em três grupos
  121. e os resultados são bastante dramáticos.
  122. Apenas no grupo onde existem
    mais de 20% de mulheres a liderar
  123. é que se verifica um salto claro
    na receita da inovação,
  124. para níveis acima da média.
  125. A experiência e a informação dizem-nos
    que é necessário ter massa crítica
  126. para marcar a diferença,
  127. e empresas como a Alibaba,
    a JP Morgan ou a Apple
  128. já conseguiram atingir,
    nos dias de hoje, esse objetivo.
  129. Outra reação que obtive várias vezes foi:

  130. "Bom, isso há de ser resolvido
    ao longo do tempo".
  131. E eu tenho toda a compreensão do mundo
    para com esse ponto de vista,
  132. porque eu também pensava assim.
  133. Agora, vamos ver, de novo, os números,
  134. tendo, como exemplo, a Alemanha.
  135. Primeiro vou dar-vos as boas notícias.
  136. A quota de mulheres licenciadas
  137. e que têm, pelo menos, dez anos
    de experiência profissional
  138. teve um crescimento simpático
    nos últimos 20 anos,
  139. o que significa que esta bolsa
    onde se encontram líderes femininas
  140. aumentou ao longo do tempo
  141. e isso é muito bom.
  142. Agora, segundo a minha velha teoria,
  143. o número de mulheres
    com cargos de liderança
  144. teria crescido mais ou menos
    em paralelo, certo?
  145. Vamos ver o que aconteceu na realidade.
  146. Nem por sombras.
  147. Isto significa que eu estava
    totalmente errada
  148. e que a minha geração,
  149. a vossa geração,
  150. a geração de mulheres
    mais instruídas na história,
  151. não conseguiu ser bem-sucedida.
  152. Não conseguimos atingir
  153. um número significativo
    quanto a liderança.
  154. A educação não se traduziu em liderança.
  155. Para mim, esta constatação
    foi muito dolorosa

  156. e fez-me perceber que,
  157. se quisermos mudar esta situação,
  158. precisamos de nos esforçar mais
    e fazer melhor.
  159. Agora, o que podemos fazer?
  160. Atingir uma quota superior a 20% no que
    respeita a mulheres com cargos de liderança
  161. parece uma tarefa difícil para muitos
  162. e é compreensível,
    tendo em conta tudo o que vimos.
  163. Mas é realizável
  164. e existem hoje muitas empresas
    que estão a fazer progressos neste campo
  165. e que estão a ter sucesso.
  166. Vamos ver o exemplo da SAP,
    uma empresa de "software".
  167. Em 2011, tinham 19% de mulheres
    em cargos de liderança.
  168. Ainda assim, quiseram ser melhores
  169. e decidiram fazer o que nós faríamos
    em qualquer área de negócio
  170. em que quiséssemos melhorar.
  171. Estabeleceram um objetivo mensurável.
  172. Essa meta traduzia-se
    numa quota de 25% para 2017,
  173. o que conseguiram alcançar.
  174. Os objetivos obrigaram a empresa a ser
    mais criativa sobre a formação de líderes
  175. e a explorar novas bolsas de recrutamento.
  176. Estabeleceram, agora,
    uma meta de 30% para o ano de 2022.
  177. Como podem ver, a experiência
    mostra que é possível

  178. e, no final de contas,
  179. tudo se resume a duas decisões
    que são tomadas todos os dias
  180. por muitos de nós,
    em todas as empresas:
  181. quem é que devemos contratar
    e quem é que devemos formar e promover.
  182. Não tenho nada contra
    os programas femininos,
  183. as redes de contactos,
    o aconselhamento, a formação.
  184. Tudo isso é positivo.
  185. Mas são estas duas decisões
  186. que, no final, são o sinal
    mais importante de mudança
  187. em qualquer empresa.
  188. Eu nunca quis ser advogada da diversidade.

  189. Sou consultora na área de gestão.
  190. Mas, agora, o meu objetivo
    é mudar o rosto da liderança,
  191. torná-la mais diversificada,
  192. mas não para que a direção
    das empresas possa riscar algo da lista
  193. e sentir que cumpriu algo
  194. ou que está a ser politicamente correta.
  195. Mas sim porque entende,
  196. porque todos entendem
    que a diversidade
  197. torna a empresa mais inovadora, melhor.
  198. E, ao aceitarem a diversidade,
    ao aceitaram o talento diversificado,
  199. percebam que estão a dar oportunidades
    verdadeiras a todos.
  200. Obrigada.
    Muito obrigada.

  201. (Aplausos)