Portuguese, Brazilian subtitles

← Louise Despont: Drawing from Life in Bali | Art21 "New York Close Up"

Get Embed Code
16 Languages

Showing Revision 6 created 03/04/2020 by hermont.

  1. [Bali, Indonesia]
  2. Porque o sol se põe no mesmo horário
    durante o ano todo em Bali,
  3. há uma sensação que o tempo está
    parado,
  4. que é apenas um longo verão.
  5. Há essa sensação de tranquilidade,
  6. e de não se sentir acelerado.
  7. Essa rotina que está realmente conectada
    ao ritmo do mundo ao redor de você.
  8. [Som de patos grasnando]
  9. ["Desenho sobre a vida em Bali"]
  10. Nova Iorque é o lugar onde eu nasci,
    e é onde eu cresci,
  11. e ainda é o lugar pra onde
    eu sempre voltarei.
  12. Mas eu também sei que a coisa mais
    importante para fazer um bom trabalho
  13. é tempo
  14. e espaço.
  15. Morando em Bali,
  16. é onde eu conseguiria ter o máximo disso.
  17. Eu acordo por volta de 6:30
  18. porque o nascer do sol é radiante.
  19. Por volta de 8:30 eu começo a organizar as
    coisas no estúdio.
  20. O gato fica trancado pra fora para que
    ele não corra pelos desenhos.
  21. Nopi e Wiwik chegam às 9:00
  22. --Desenhar daqui até aqui?
  23. --Sim.
  24. e Nyoman por volta de 10:30 para fazer as
    oferendas para a casa.
  25. É esse fluxo ininterrupto
    de cerimonias e rituais.
  26. Todo mundo está tendendo à energia
    da ilha.
  27. Todo mundo está alimentando isso.
  28. Em Bali, há esses templos construídos
    em torno de fontes naturais.
  29. Você se aproxima da água e
    tem essa sensação
  30. de profunda reverência e
    profundo respeito
  31. por este local e esta substância.
  32. E então, que você pode entrar nisso é
    realmente poderoso.
  33. Esse sensação de descer e entrar.
  34. No outro dia, eu sempre senti que
    algo foi deixado pra trás,
  35. que algo que eu estava carregando
    foi realmente foi lavado.
  36. Eu queria ser capaz de desenhar algo
    sobre essa experiência,
  37. de tentar e fazer uma memória visual.
  38. Desenhar não é algo que prospera
    nos trópicos.
  39. O papel não vai durar.
  40. O ar é extremamento úmido,
  41. muitas paginas irão se deformar
    em poucos dias
  42. Eu fui capaz de ter esta super simples
    caixa feita de vidro
  43. para que eu pudesse colocar um pequeno
    desumidificador dentro.
  44. Tudo que eu não estivesse trabalhando
    no momento simplesmente ficaria ali.
  45. Penestanan era uma pequena vila
    que foi construída
  46. pela comunidade de tradicionais artistas
    balineses.
  47. Expatriados começaram a mudar pra lá
  48. e coisas começaram a desenvolver mais
    profundamente nos campos de arroz.
  49. A presença de tantos turistas
  50. trouxe impactos para lá.
  51. Nesse curto período de três anos
    que estou lá, já vi muita mudança.
  52. Mas, de alguma forma, a vida segue,
  53. ininterrupta.
  54. Eu tinha mudado para este país novo
    e eu não tinha nenhum amigo lá.
  55. A parte mais assustadora era que
    meu relacionamento tinha acabado,
  56. e eu não sabia como faria o trabalho
    sem estar apaixonada,
  57. porque sempre houve a sensação de que
    o amor trazia tanta exuberância,
  58. e isso realmente era a fonte
    para os meus desenhos
  59. durante muito tempo--
  60. ao menos para o que eu considerava ser
    meu melhor trabalho.
  61. E eu pensei:
  62. "Eu não sei se consigo desenhar
    estando triste."
  63. "Eu não sei se consigo desenhar
    estando deprimida."
  64. "Eu não sei se consigo desenhar
    quando estou receosa."
  65. E, na verdade, foi tão bom poder
    ter o desenho,
  66. porque foi a parte da minha vida
    que ainda era a mesma.
  67. Eu, no estúdio, com papel...
  68. estava lá independentemente de estar
    ou não em um relacionamento.
  69. Certamente não é tão fácil como
    quando apaixonada,
  70. mas é possível,
  71. e é tão bom ter uma prática
    que te dá forças.
  72. [The Drawing Center, SoHo, Manhattan]
  73. Quando tive a oportunidade de
    expor no The Drawing Center,
  74. eu queria imaginar energia
    tomando a forma de um corpo físico.
  75. Eu desenhei um embrião se formando.
  76. Olhei alguns diagramas científicos
    sobre como as células se dividem,
  77. e depois como seguem
    por uma vida--
  78. terminando na desintegração do corpo,
  79. e retornam à ausência de forma.
  80. Eu sabia que queria fazer uma sala oval
    que fosse um grande desenho,
  81. e no mesmo ar em que você estivesse.
  82. Que fosse frágil, mas que se sustentasse.
  83. Ter o trabalho sem moldura deu um
    bom aspecto de vulnerabilidade.
  84. Foi como eu tinha me sentido
    aquele ano em Bali:
  85. super vulnerável.
  86. Aaron compôs a música no espaço
    para os desenhos.
  87. Eram tipos de composição muito esparsas,
  88. que soavam como um lento respiro.
  89. E, de fato, acho que foi
  90. o som dos gamelões do Aaron
    que deixou o ambiente tranquilo,
  91. onde as pessoas sentiram o santuário
    em que haviam adentrado,
  92. tendo vindo da rua.
  93. Sei, por experiência própria,
  94. que quando me deparo
    com algo que amo--
  95. e que talvez tenha ido longe
    para ver--
  96. às vezes a contemplação dura
    trinta segundos.
  97. Eu estava pensando sobre
  98. quanto tempo passamos
    em frente a um trabalho de arte.
  99. E sempre quis criar um ambiente
    onde alguém tivesse distância suficiente
  100. para viajar pelos desenhos, na sua mente.
  101. Percebi que esse momento é, para mim,
    mais belo do que qualquer desenho,
  102. porque é o potencial do desenho
    que eu nunca serei capaz de fazer.
  103. [Desde a filmagem,
    Louise conheceu alguém e tiverem um bebê.]
  104. [Ainda moram em Bali.]