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← Por que algumas pessoas têm mais dificuldade em se exercitar do que outras | Emily Balcetis | TedxNewYork

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Showing Revision 35 created 02/19/2015 by Leonardo Silva.

  1. A visão é o sentido mais importante
  2. e a que mais damos prioridade.
  3. Nós estamos constantemente olhando
  4. para o mundo ao nosso redor,
  5. e rapidamente identificamos
  6. e nos damos conta do que vemos.
  7. Vamos começar com um exemplo
  8. dessa grande verdade.
  9. Vou mostrar uma fotografia
  10. por apenas um ou dois segundos,
  11. e gostaria que vocês identificassem
  12. qual emoção a pessoa está expressando.
  13. Prontos?
  14. Vamos lá. Siga sua intuição.
  15. O que vocês viram?
  16. Bom, na verdade nós pesquisamos
  17. mais de 120 pessoas,
  18. e os resultados foram uma mistura.
  19. Não houve consenso
  20. sobre qual emoção elas viram
    no rosto desse homem.
  21. Talvez vocês viram desconforto.
  22. Essa foi a resposta mais frequente
  23. que nós recebemos.
  24. Se você perguntar
    à pessoa a sua esquerda,
  25. ela dirá arrependimento ou ceticismo,
  26. e se perguntar à pessoa
    a sua direita,
  27. ela dirá algo completamente diferente,
  28. como esperança ou empatia.
  29. Mas nós estamos todos olhando
  30. para o mesmo rosto de novo.
  31. Provavelmente estejamos vendo algo
  32. completamente diferente,
  33. porque a percepção é subjetiva.
  34. O que achamos que vemos
  35. é, na verdade, filtrado
  36. pela nossa própria mente.
  37. Sem dúvida, há muitos outros exemplos
  38. de como vemos o mundo pela nossa mente.
  39. Eu vou lhes dar só mais alguns.
  40. Pessoas fazendo dieta, por exemplo,
  41. percebem maçãs como maiores
  42. do que pessoas que não estão em dieta.
  43. Jogadores de softbol veem a bola menor
  44. ao acabar de se recuperar de uma queda,
  45. comparados com outros que
    fizeram uma partida de sucesso.
  46. Na verdade, as crenças políticas também
  47. podem afetar o modo como vemos os outros,
  48. incluindo os próprios políticos.
  49. Então, minha equipe e eu
    decidimos testar essa questão.
  50. Em 2008, Barack Obama
    se candidatou à presidência
  51. pela primeira vez,
  52. e nós pesquisamos centenas de americanos
  53. um mês antes das eleições.
  54. O que nós descobrimos
  55. foi que alguns americanos
  56. pensam que fotografias como essas
  57. refletem a verdadeira aparência de Obama.
  58. Desse grupo,
  59. 75% votaram nele nas eleições.
  60. Outros, porém,
    pensam que fotografias como essas
  61. refletem sua verdadeira aparência.
  62. Oitenta e nove por cento dessas pessoas
  63. votaram em McCain.
  64. Depois mostramos muitas fotos do Obama,
  65. uma por vez,
  66. para que as pessoas
    não percebessem que a diferença
  67. de uma fotografia para a outra
  68. era que tínhamos artificialmente clareado
  69. ou escurecido o tom de pele dele.
  70. Como isso é possível?
  71. Por que quando eu olho para uma pessoa,
  72. um objeto ou um acontecimento,
  73. eu vejo algo tão diferente
  74. do que os outros veem?
  75. Bom, as razões são várias,
  76. mas uma delas requer que entendamos
  77. um pouco mais
    sobre como nossos olhos funcionam.
  78. Cientistas que estudam a visam sabem
  79. que a quantidade de informação
  80. vista por nós
  81. em qualquer momento,
  82. aquilo que focamos,
    é na verdade relativamente pequena.
  83. A distância que vemos com boa nitidez,
  84. claridade e precisão
  85. é o equivalente
  86. à distância do nosso dedo polegar
  87. quando estamos com o braço esticado.
  88. Todo o mais em volta está embaçado,
  89. fazendo com que muito do que esta diante
  90. dos nosso olhos seja ambíguo.
  91. Mas temos que descobrir
  92. e nos dar conta do que estamos vendo
  93. e é a nossa mente
    que preenche essa lacuna.
  94. Como resultado, a percepção
    é uma experiência subjetiva
  95. e é como acabamos vendo
  96. com a mente.
  97. Eu sou psicóloga social
  98. e são questões como essas
  99. que realmente me intrigam.
  100. Sou fascinada por momentos
  101. em que as pessoas não veem a mesma coisa.
  102. Como é que alguém pode
  103. literalmente ver um copo meio cheio
  104. e o outro literalmente vê
  105. o copo meio vazio?
  106. Como os pensamentos e sentimentos
  107. levam as pessoas a verem o mundo
  108. de formas completamente diferentes?
  109. E isso realmente importa?
  110. Para começar a responder essas questões,
  111. minha equipe e eu
    decidimos pesquisar profundamente
  112. uma questão que tem recebido
  113. grande atenção internacional:
  114. nossa saúde e a boa forma física.
  115. No mundo todo,
  116. pessoas estão lutando
    para controlar o peso,
  117. e há diversas estratégias
  118. para ajudar a perder alguns quilos.
  119. Por exemplo, prometemos para nós mesmos
    que faremos exercícios

  120. depois das festas de fim de ano,
  121. mas na verdade, a maioria dos americanos
  122. quebram suas promessas de Ano Novo
  123. no Dia dos Namorados.
  124. Dizemos a nós mesmos,
  125. de maneira encorajadora,
  126. que esse será o nosso ano
  127. para entrar em forma,
  128. mas isso não é suficiente para voltarmos
  129. ao nosso peso ideal.
  130. Por quê?
  131. Sem dúvidas a resposta não é simples,
  132. mas eu defendo uma razão:
  133. a nossa mente
  134. talvez trabalhe contra nós mesmos.
  135. Há quem literalmente veja mais dificuldade
  136. em fazer exercícios
  137. e há quem, talvez,
  138. literalmente, veja mais facilidade.
  139. Como um primeiro passo
    para testar essas questões,
  140. nós coletamos medições precisas
  141. da forma física de alguns voluntários.
  142. Nós medimos o tamanho da cintura,
  143. e comparamos com o do quadril.
  144. Uma relação cintura-quadril muito elevada
  145. é um indicadora de menor aptidão física
  146. do que uma relação
    cintura-quadril menor.
  147. Após coletarmos essas medições,
  148. dissemos aos nosso participantes
  149. que eles andariam
    até uma linha de chegada
  150. enquanto carregavam peso
  151. em uma espécie de corrida.
  152. Mas antes de fazer isso,
  153. pedimos que eles estimassem a distância
  154. até a linha de chegada.
  155. Achávamos que o estado físico
    dos corpos deles
  156. poderia influenciar a forma
    como percebiam a distância.
  157. E o que nós descobrimos?
  158. A relação cintura-quadril
  159. influenciava a percepção de distância.
  160. Pessoas que estavam fora de forma
  161. viam a distância até a linha de chegada
  162. significativamente maior
  163. do que pessoas em melhor forma.
  164. A percepção sobre o próprio corpo
  165. mudava a forma como percebiam o ambiente.
  166. Nossa mente também faz isso.
  167. De fato, nossos corpos e mentes
  168. trabalham em sincronia
  169. para mudar a forma como vemos
    o mundo a nossa volta.
  170. Isso nos levou a pensar que talvez pessoas
  171. com forte motivação
  172. e metas claras sobre exercícios
  173. poderiam, na verdade,
    ver a linha de chegada mais próxima
  174. do que pessoas com menos motivação.
  175. Então, para testar se a motivação
  176. afeta nossas experiências
    perceptivas tanto assim
  177. nós realizamos um segundo estudo.
  178. Outra vez, tiramos medidas
  179. da forma física das pessoas,
  180. medindo a circunferência da cintura
  181. e a circunferência do quadril
  182. e as fizemos passar
    por mais alguns testes de aptidão.
  183. Baseados no feedback dado
    sobre o primeiro teste,
  184. alguns participantes nos disseram
  185. que não estavam mais motivados
    para se exercitar.
  186. Eles sentiam como se já tivessem
    atingido o objetivo
  187. e que não iam fazer mais nada.
  188. Essas pessoas não estavam motivadas.
  189. Outros, porém,
    baseados no nosso feedback,
  190. disseram estar bem motivados
    para se exercitar.
  191. Eles tinham determinação
    para atingir a linha de chegada.
  192. Antes de eles caminharem
    até a linha de chegada, de novo,
  193. nós os fizemos estimar a distância
  194. até a chegada até a linha de chegada.
  195. Outra vez, como no estudo anterior,
  196. percebemos que a relação cintura-quadril
  197. influenciava a percepção de distância.
  198. As pessoas fora de forma
    achavam a distância maior,
  199. viam a linha de chegada mais distante
  200. do que aqueles em melhor forma.
  201. Importante mencionar que isso só aconteceu
  202. com pessoas que não estavam motivadas
  203. para fazer exercícios.
  204. Por outro lado,
  205. aqueles que estavam mais motivados
  206. disseram que a distância era menor.
  207. Inclusive a pessoa mais fora de forma
  208. estimou a linha de chegada
  209. como quase tão próxima,
  210. se não até mais próxima,
  211. do que os que estavam em melhor forma.
  212. Então, a forma física mudou
  213. a percepção da distância
    até a linha de chegada,
  214. mas pessoas que tinham se comprometido
    com metas atingíveis
  215. que poderiam alcançar em
    um futuro próximo,
  216. e que acreditavam ser capazes
  217. de alcançá-las,
  218. realmente viam exercícios
    como algo mais fácil.
  219. Daí começamos a nos perguntar
  220. se existiria alguma estratégia
    possível de se usar
  221. e ensinar que ajudaria as pessoas
  222. a mudarem as percepções de distância,
  223. ajudá-las a enxergar exercícios
    de forma mais fácil.
  224. Então, recorremos à literatura científica
  225. para descobrir o que deveríamos fazer
  226. e, baseados no que lemos,
    apresentamos uma estratégia
  227. que chamamos de "foco no resultado".
  228. Isso não é um slogan
  229. de um cartaz motivacional.
  230. É na realidade uma diretiva
  231. de como observamos nosso ambiente.
  232. Dissemos às pessoas que
    treinamos com essa estratégia
  233. que focassem sua atenção
    na linha de chegada,
  234. que evitassem olhar ao redor,
  235. que imaginassem que uma luz
  236. estava brilhando naquela direção
  237. e que tudo ao redor estava embaçado
  238. e difícil de enxergar.
  239. Pensamos que esta estratégia
    os ajudaria
  240. a ver os exercícios
    como algo mais fácil.
  241. Comparamos esse grupo
  242. com o grupo de controle.
  243. Para o grupo de controle,
  244. nós somente dissemos que olhassem
  245. de forma natural,
  246. que veriam a linha de chegada,
  247. mas podiam ver que havia
  248. uma lata de lixo logo à direita
  249. ou pessoas e um poste à esquerda.
  250. Imaginávamos que quem
    usasse essa estratégia
  251. acharia a distância maior.
  252. E o que descobrimos?
  253. Ao pedirmos que estimassem a distância,
  254. essa estratégia funcionou
  255. para mudar a experiência perceptiva?
  256. Sim.
  257. Pessoas que tinham "foco no resultado"
  258. viram a distância
    até a linha de chegada 30% menor
  259. do que quem olhava tudo ao redor
  260. como faria naturalmente.
  261. Achamos isso ótimo.
  262. Ficamos empolgados porque significava
  263. que a estratégia ajudou a fazer
  264. o exercício parecer mais fácil,
  265. mas a grande questão
  266. era se isso ajudaria
    a tornar a atividade física
  267. algo melhor.
  268. Poderia melhorar a qualidade
  269. dos exercícios também?
  270. Na próxima etapa,
    dissemos aos participantes,
  271. você vai caminhar até a linha de chegada
  272. carregando um peso extra.
  273. Nós colocamos mais peso nas caneleiras
  274. pesando 15% do peso do corpo deles.
  275. Pedimos que levassem o tornozelo ao alto
  276. e caminhassem rapidamente até a chegada.
  277. Planejamos esse exercício em particular
  278. para que fosse moderadamente desafiador,
  279. mas não impossível,
  280. como a maioria dos exercícios
  281. que realmente melhoram
    nossa condição física.
  282. A grande questão, então:
  283. "Focar no resultado"
  284. e se concentrar na linha de chegada
  285. mudou a experiência sentida no exercício?
  286. Sim, mudou.
  287. Pessoas que tinham "foco no resultado"
  288. disseram que foi necessário
  289. 17% menos esforço
  290. para fazer o exercício
  291. do que quem olhou ao redor naturalmente.
  292. O experimento mudou
    a experiência subjetiva
  293. que eles tiveram do exercício.
  294. Isso mudou também a natureza objetiva
  295. do exercício.
  296. As pessoas com "foco no resultado"
  297. na verdade se moviam 23% mais rápido
  298. do que quem olhou ao redor naturalmente.
  299. Para se ter uma ideia,
  300. um aumento de 23%
  301. é como trocar um Chevy Citation de 1980
  302. por um Corvette da Chevrolet.
  303. Nós ficamos muito felizes,
  304. porque significava que a estratégia
  305. que não custa nada,
  306. que é fácil para as pessoas usarem,
  307. independentemente de estarem em forma
  308. ou lutando para chegar lá,
  309. tinha um grande efeito.
  310. Manter o "foco no resultado"
  311. fez a experiência de se exercitar
    parecer mais fácil
  312. ainda que carregando mais peso,
  313. porque estavam
    se movimentando mais rápido.
  314. Eu sei que é preciso mais
    para melhorar a saúde
  315. do que apenas caminhar mais rápido,
  316. mas manter "foco no resultado"
  317. pode ser uma estratégia adicional
  318. que você pode usar para melhorar
  319. seu estilo de vida.
  320. Se você ainda não está convencido
  321. de que nós vemos o mundo com a mente,
  322. permita-me dar um exemplo final.
  323. Essa é uma foto de uma rua muito bonita
    em Estocolmo, com dois carros.
  324. O carro de trás parece muito maior
  325. que o carro da frente.
  326. Porém, na realidade,
  327. os dois têm o mesmo tamanho,
  328. mas não é assim que vemos.
  329. Então isso significa
  330. que nossos olhos estão com problemas
  331. e que nossos cérebros estão uma bagunça?
  332. Não, não é nada disso.
  333. É só a forma como nossos olhos funcionam.
  334. Nós podemos ver o mundo
    de diferentes formas
  335. e às vezes podemos não ver
  336. a realidade,
  337. mas isso não significa
    que um de nós está certo
  338. e o outro errado.
  339. Todos nós vemos o mundo pela mente,
  340. mas podemos nos educar
    para ver de outra forma.
  341. Posso usar o mesmo raciocínio em dias
  342. em que as coisas dão totalmente errado.
  343. Estou exausta
    e a ponto de explodir, cansada,
  344. muito atrasada
  345. e há uma nuvem negra
  346. em cima da minha cabeça,
  347. e em dias assim,
  348. parece que todos a minha volta
  349. estão infelizes também.
  350. Meu colega de trabalho parece incomodado
  351. quando peço mais prazo
    para a conclusão de uma tarefa,
  352. e meu amigo parece frustrado
  353. quando chego atrasada para almoçar
    porque a reunião foi longa
  354. e no fim do dia,
  355. meu marido fica decepcionado
  356. porque prefiro ir dormir
    em vez de ir ao cinema.
  357. E em dias assim,
    quando todos parecem
  358. decepcionados e com raiva de mim,
  359. eu tento me lembrar de que existem
    outras formas de enxergá-los.
  360. Talvez meu colega estivesse confuso,
  361. talvez meu amigo estivesse preocupado,
  362. e talvez meu marido estivesse
    só tentando ajudar.
  363. Todos nós vemos o mundo
  364. com a mente,
  365. e em alguns dias, pode parecer
  366. que o mundo é um lugar perigoso,
  367. desafiador e insuportável,
  368. mas não tem que ser assim o tempo todo.
  369. Nós podemos aprender a vê-lo diferente,
  370. e quando encontrarmos uma maneira
    de fazer o mundo
  371. parecer mais legal e mais fácil,
  372. talvez ele realmente se torne
    melhor e mais fácil.
  373. Obrigada.
  374. (Aplausos)