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← Everything is a Remix Part 4 (Tudo é um Remix, Parte 4)

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Subtitles translated from English Showing Revision 7 created 03/06/2012 by prcr.

  1. (Obrigado à iStockphoto por contribuir

  2. com imagens para este episódio. Vejam-nas
  3. em iSotckPhoto.com)
  4. Os genes nos nossos corpos podem ser encontrados
  5. há mais de três milhões e meio de anos
  6. num só organismo: LUCA,
  7. o último antepassado universal comum.
  8. Enquanto se reproduzia, os genes de LUCA eram copiados e copiados,
  9. e copiados e copiados,
  10. às vezes com erros — transformavam-se.
  11. Com o tempo isto produziu todas
  12. as milhares de milhões de espécies de vida na terra.
  13. Algumas destas adoptaram a reprodução sexual,
  14. ao combinar os genes de indivíduos,
  15. e em conjunto, as formas de vida com melhor adaptação prosperaram.
  16. Isto é evolução. Copiar, transformar e combinar.
  17. E a cultura evolui de modo semelhante,
  18. mas os elementos não são genes, são "memes" —
  19. ideias, comportamentos, habilidades.
  20. Memes copiam-se, transformam-se e combinam-se.
  21. E as ideias dominantes do nosso tempo
  22. são os memes que se espalham mais.
  23. Isto é evolução social.
  24. Copiar, transformar e combinar.
  25. É como somos, é como vivemos,
  26. e é claro, é como criamos.
  27. As novas ideias evoluem de ideias anteriores.
  28. Mas o nosso Sistema de Leis não reconhece
  29. a natureza derivativa da criatividade.
  30. Ao invés, ideias são tidas como propriedade,
  31. como algo único e original
  32. com limites bem definidos.
  33. Mas as ideias não são assim arrumadinhas.
  34. Elas sobrepõem-se, entrelaçam-se,
  35. emaranham-se. E quando o sistema
  36. entra em conflicto com a realidade...
  37. o sistema começa a falhar.
  38. Tudo é um Remix
  39. Quarta Parte: Falha do Sistema
  40. Durante quase toda a nossa história
  41. as ideias eram livres.
  42. As obras de Shakespeare, Gutenberg,
  43. e Rembrandt podiam ser copiadas livremente
  44. e recriadas.
  45. Mas o crescente domínio da economia de mercado,
  46. onde os produtos do nosso trabalho intelectual
  47. são comprados e vendidos,
  48. produziu um efeito secundário indesejável.
  49. Digamos que alguém inventa uma lâmpada de luz melhor.
  50. O seu preço precisa cobrir
  51. não só o custo de produção,
  52. mas também o custo de inventar
  53. a coisa, em primeiro lugar.
  54. Agora digamos que um concorrente começa a fabricar
  55. uma cópia competitiva.
  56. O concorrente não precisa cobrir
  57. os custos de produção
  58. pelo que a sua versão pode ser mais barata.
  59. Como resultado: criações originais
  60. não conseguem competir com o preço das cópias.
  61. Nos Estados Unidos a introdução
  62. dos direitos de autor e de patentes
  63. tinha como objectivo tratar desse desequilíbrio.
  64. Direitos de autor para a expressão;
  65. Patentes para as invenções.
  66. Ambas destinavam-se a estimular
  67. a criação e a proliferação
  68. de novas ideias, proporcionando um breve e limitado
  69. período de exclusividade, um período em que mais ninguém
  70. podia copiar o trabalho.
  71. Isto deu aos criadores a possibilidade
  72. de recuperar o seu investimento e obter lucro.
  73. Depois disso o seu trabalho entraria no domínio público,
  74. onde se poderia difundir amplamente
  75. e ser livremente recriado.
  76. E era este o objectivo:
  77. um domínio público sólido,
  78. um banco de ideias acessível, produtos,
  79. artes e entretenimento ao alcance de todos.
  80. A crença essencial estava no bem comum,
  81. aquilo que beneficiaria todos.
  82. Mas com o tempo, a influência dos mercados
  83. transformou este princípio em algo bem diferente.
  84. Pensadores influentes propuseram que
  85. as ideias se tornassem numa forma de propriedade,
  86. e esta convicção com o tempo produziu
  87. um novo termo... propriedade intelectual.
  88. Este era um meme que veio a multiplicar-se amplamente,
  89. em parte graças a um capricho da psicologia humana
  90. conhecido por Aversão à Perda.
  91. Em poucas palavras, detestamos perder o que temos.
  92. As pessoas tendem a pôr um valor muito mais alto às perdas
  93. do que aos ganhos.
  94. Assim os benefícios que obtemos
  95. ao copiar o trabalho dos outros
  96. não nos causa grande transtorno,
  97. mas quando são as nossas ideias a ser copiadas,
  98. entendemos isso como uma perda e tornamo-nos possessivos.
  99. Por exemplo, a Disney fez uso alargado
  100. do domínio público.
  101. Histórias como a Branca de Neve, o Pinóquio
  102. e a Alice no País das Maravilhas todas foram retiradas
  103. do domínio público.
  104. Mas quando chegou a hora dos direitos de autor
  105. dos primeiros filmes Disney expirarem,
  106. pressionaram para que o termo dos direitos fosse prorrogado.
  107. O artista Shepard Fairey tem usado frequentemente
  108. obras existentes no seus trabalhos.
  109. Esta prática veio a público quando ele foi
  110. processado pela imprensa Norte Americana
  111. por basear o seu famoso poster Obama Hope
  112. numa foto da imprensa.
  113. No entanto, quando a sua imagem de marca
  114. foi usada numa obra de Baxter Orr,
  115. Fairey ameaçou processar.
  116. E finalmente, Steve Jobs que algumas vezes
  117. se orgulhava da tradição de copiar na Apple.
  118. "Temos sido sempre desavergonhados
  119. a roubar grandes ideias."
  120. Mas ele guardava grandes rancores a quem
  121. se atrevesse a copiar a Apple.
  122. "Vou destruir o Android, porque
  123. é um produto roubado. Estou disposto a criar
  124. uma guerra termonuclear por isto."
  125. Quando copiamos, justificamos.
  126. Quando outros nos copiam, abominamos.
  127. A maioria de nós não tem problemas com o copiar...
  128. desde que sejamos nós a fazê-lo.
  129. Assim, cegos quanto à nossa própria imitação,
  130. e impulsionados pela fé nos mercados e na propriedade,
  131. a propriedade intelectual cresceu
  132. para além do seu âmbito inicial, com
  133. interpretações mais amplas de leis existentes,
  134. nova legislação,
  135. novas áreas de cobertura
  136. e recompensas atractivas.
  137. Em 1981 George Harrison perdeu
  138. 1,5 milhões de dólares num processo por "inconscientemente"
  139. copiar o êxito de doo-wop, "He's so Fine"
  140. na sua balada, "My Sweet Lord."
  141. Antes disto, muitas músicas soavam
  142. muito mais ao mesmo que outras canções
  143. sem acabarem nos tribunais.
  144. Ray Charles criou o protótipo da musica soul
  145. quando baseou "I Got a Woman"
  146. na canção gospel "It Must be Jesus."
  147. A partir do final dos anos 90,
  148. uma nova série de leis de direitos de autor e
  149. regulamentos começaram a ser introduzidos...
  150. ...e muitos mais estão para vir.
  151. O mais ambicioso na abrangência são os acordos comerciais.
  152. Uma vez que estes são tratados, não leis,
  153. podem ser negociados em segredo,
  154. sem referendo público ou aprovação do congresso.
  155. Em 2011 o ACTA foi assinado pelo Presidente Obama,
  156. e o Acordo Trans-Pacífico de Parceria Económica,
  157. a ser actualmente escrito em segredo,
  158. almeja espalhar ainda mais
  159. o estilo Americano de protecções pelo mundo.
  160. É claro que, quando os próprios Estados Unidos
  161. eram uma economia em desenvolvimento,
    recusavam-se a assinar tratados
  162. e não tinham qualquer protecção para autores estrangeiros.
  163. Charles Dickens queixou-se memoravelmente sobre
  164. o agitado mercado de pirataria de livros nos EUA,
  165. tendo dito "é terrível
  166. que livreiros sem escrúpulos possam enriquecer."
  167. O âmbito das patentes passou de
  168. invenções físicas para virtuais,
  169. em particular, de software.
  170. Mas esta não é uma transição natural.
  171. A patente é um esquema detalhado de
  172. como se cria uma invenção.
  173. As patentes de software são mais
  174. uma descrição livre de como algo seria
  175. se fosse realmente inventado.
  176. E as patentes de software são escritas
  177. na linguagem mais vaga possível
  178. para obter a proteção mais ampla possível.
  179. A indefinição destes termos pode por vezes
  180. chegar a níveis absurdos.
  181. Por exemplo, "máquina produtora de informação,"
  182. que abrange qualquer aparelho computacional, ou
  183. "objecto material," que abrange tudo e mais alguma coisa.
  184. A falta de clareza nos limites das patentes de software
  185. tornou a indústria de smartphones numa grande guerra territorial.
  186. 62 por cento de todos os processos de patentes são agora sobre software.
  187. A perda estimada de riqueza é de 500 mil milhões de dollars.
  188. A abrangência crescente da propriedade intelectual
  189. introduziu cada vez mais possibilidades
  190. para litígios oportunísticos — processar para ganhar uns trocos.
  191. Duas novas espécies evoluíram
  192. cujo modelo de negócio são os processos judiciais:
  193. trolls de "samples" e trolls de patentes.
  194. São empresas que não produzem rigorosamente nada.
  195. Adquirem uma biblioteca de direitos de propriedade intelectual,
  196. depois entram em litígio para obter lucro.
  197. E porque os custos de defesa legal
  198. são centenas de milhares de dólares em casos de direitos de autor
  199. e milhões em patentes,
  200. os seus alvos são habitualmente persuadidos
  201. a chegar a um acordo fora do tribunal.
  202. O troll mais famoso de "samples"
  203. é a Bridgeport Music,
  204. que já apresentou centenas de acções judiciais.
  205. Em 2005 ganharam uma influente
  206. decisão do tribunal sobre esta "sample" de dois segundos.
  207. E é isto. E não só é a "sample" curta,
  208. como é praticamente irreconhecível.
  209. Essencialmente este veredicto significa
  210. que qualquer tipo de "sampling", não importa o quão pequeno, é ilegal.
  211. As colagens musicais baseadas em "samples"
  212. da idade de ouro do hip-hop
  213. são agora incrivelmente caras de criar.
  214. Quanto aos trolls de patentes, encontram-se habitualmente
  215. no território conturbado do software.
  216. E talvez o caso mais inexplicável
  217. seja o de Paul Allen.
  218. É um dos fundadores da Microsoft,
  219. é um bilionário,
  220. é um prezado filantropo
  221. que se comprometeu a ceder grande parte da sua fortuna.
  222. E ele afirma que características básicas da web
  223. como os links relacionados, alertas e recomendações
  224. foram inventadas pela sua há-muito-extinta empresa.
  225. Assim, o auto-proclamado "homem das ideias"
  226. processou quase toda a gente em Silicon Valley durante 2010.
  227. E fez isto apesar de não ter falta nem de fama nem de fortuna.
  228. Recapitulando, o quadro completo é o seguinte:
  229. Acreditamos que as ideias são propriedade
  230. e somos excessivamente possessivos
  231. quando sentimos que a propriedade nos pertence.
  232. As nossas leis apoiam então esta tendência
  233. com protecções cada vez mais abrangentes
  234. e grandes recompensas.
  235. Enquanto isso, enormes custos legais
  236. incentivam os arguidos a pagar
  237. e chegar a acordo fora do tribunal.
  238. É um cenário desanimador,
  239. e que levanta a seguinte questão: e agora?
  240. A crença na propriedade intelectual
  241. tornou-se tão dominante que tem empurrado
  242. a intenção original dos direitos de autor e patentes
  243. para fora da consciência pública.
  244. Mas o seu propósito original continua
  245. mesmo à nossa frente.
  246. A lei de direitos autorais de 1790 é chamada
  247. "lei para incentivar a aprendizagem".
  248. A Lei de Patentes é
  249. "para promover o progresso das Artes úteis."
  250. Os direitos exclusivos que estas leis introduziram
  251. foram um compromisso para um bem maior.
  252. A intenção era melhorar a vida de todos
  253. incentivando a criatividade
  254. e produzindo um domínio público rico
  255. uma colecção de conhecimento partilhado, aberta a todos.
  256. No entanto, os próprios direitos exclusivos
  257. acabaram por tornar-se o mais importante
  258. e por isso foram reforçados e expandidos.
  259. E o resultado não tem sido
  260. mais progresso ou mais aprendizagem,
  261. tem sido mais combates e mais abusos.
  262. Vivemos numa época com problemas assustadores.
  263. Precisamos das melhores ideias possíveis,
  264. precisamos delas agora, que se espalhem rapidamente.
  265. O bem comum é um meme
  266. que foi esmagado pela propriedade intelectual.
  267. É necessário espalhá-lo novamente.
  268. Se este meme prosperar,
  269. as nossas leis, os nossos padrões, a nossa sociedade,
  270. todos eles se transformarão.
  271. Isso é evolução social
  272. e não depende de governos
  273. ou de empresas ou de advogados...
  274. Depende de nós.