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← Como salvar um tubarão sobre o qual nada sabemos?

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Showing Revision 3 created 07/09/2016 by Margarida Ferreira.

  1. Os tubarões-frade
    são criaturas fantásticas.
  2. Simplesmente magníficos.
  3. Atingem 10 metros de comprimento.
  4. Diz-se que alguns são maiores.
  5. Podem pesar até 2 toneladas.
  6. Diz-se que alguns pesam até 5 toneladas.
  7. São o segundo maior peixe do mundo.
  8. São também animais inofensivos,
    que se alimentam de plâncton.
  9. Pensa-se que são capazes de filtrar
    1 km cúbico de água por hora
  10. e alimentam-se de 30 kg de zooplâncton
    por dia para sobreviver.
  11. São criaturas fantásticas.
  12. Na Irlanda, temos
    bastantes tubarões-frade
  13. e muitas oportunidades para os estudar.
  14. Eram muito importantes
    para as comunidades costeiras

  15. há umas centenas de anos,
  16. especialmente na região
    de Claddagh, Duff, Connemara,
  17. onde os agricultores
    de subsistência navegavam
  18. nos seus barcos à vela e barcos abertos
  19. para longe da costa,
    até um local chamado Banco do Peixe-Sol,
  20. a 30 milhas a oeste da Ilha Achill,
  21. para matar tubarões-frade.
  22. Esta é uma xilogravura
    do século XVIII-XIX.
  23. Eles eram muito importantes
    pelo óleo extraído do fígado.

  24. Um terço do tubarão-frade
    é o fígado, cheio de óleo.
  25. Extraem-se muitos litros
    de óleo do fígado.
  26. Esse óleo era usado na iluminação,
  27. em curativos para feridas etc.
  28. Em 1742 os candeeiros de rua
  29. de Galway, Dublin e Waterford
  30. funcionavam com óleo de peixe-sol.
  31. "Peixe-sol" é um dos nomes
    dos tubarões-frade.
  32. Eram animais muito importantes.
  33. Existem há muito, foram muito importantes
    para as comunidades costeiras.
  34. A pesca de tubarões-frade
    melhor documentada no mundo

  35. é talvez a da Ilha de Achill.
  36. Esta é a Baía de Keem, na Ilha de Achill.
  37. Os tubarões costumavam entrar na baía.
  38. Os pescadores amarravam
    uma rede fora do promontório,
  39. estendiam-na ao longo de outra rede.
  40. Quando o tubarão se aproximava,
    batia na rede, ela caía sobre ele.
  41. Frequentemente,
    ele afundava-se e sufocava.
  42. Ou, por vezes, eles partiam
    nos seus barquinhos a remos
  43. e matavam-nos com uma lança
    na parte de trás do pescoço.
  44. Depois rebocavam os tubarões
    até Purteen Harbor,
  45. ferviam-nos, usavam o óleo.
  46. Também costumavam
    usar a carne como fertilizante
  47. e retiravam as barbatanas dos tubarões.
  48. Essa é talvez a maior ameaça
    aos tubarões em todo o mundo
  49. — a remoção das barbatanas.
  50. Todos temos medo dos tubarões
    graças ao "Tubarão".

  51. O tubarões talvez matem
    cinco ou seis pessoas por ano.
  52. Morreu alguém recentemente, não foi?
    Há umas semanas.
  53. Nós matámos cerca
    de 100 milhões de tubarões.
  54. Não sei qual é o balanço,
  55. mas penso que os tubarões devem
    recear-nos do que nós a eles.
  56. É uma pesca que ficou bem documentada,
  57. e como podem ver aqui,
    teve um pico nos anos 50,
  58. quando matavam 1500 tubarões por ano.
  59. Entrou em declínio rapidamente
  60. — um clássico de expansão
    e retração da pesca —
  61. o que sugere o esgotamento de stocks
  62. ou uma taxa de reprodução baixa.
  63. Mataram cerca de 12 000 tubarões
    neste período,
  64. amarrando um cabo de manilha
  65. para além da extremidade
    da Baía de Keem, na Ilha de Achill.
  66. Os tubarões foram mortos
    até meados dos anos 80,

  67. especialmente junto de locais
    como Dunmore East em County Waterford.
  68. Cerca de 2500 a 3000 tubarões
    foram mortos até 1985,
  69. muitos por navios noruegueses.
  70. Estes são navios noruegueses
    de caça ao tubarão-frade.
  71. A linha preta no cesto da gávea
  72. significa que é um navio
    de pesca ao tubarão
  73. e não um navio de pesca à baleia.
  74. A importância dos tubarões-frade
    para as comunidades costeiras

  75. é reconhecida pela língua.
  76. Não tenho a pretensão de saber irlandês,
  77. mas em Kerry eles eram frequentemente
    conhecidos como "ainmhide na seolta",
  78. o "monstro com as velas".
  79. Outra designação era "liop an da lapa",
  80. a "fera desajeitada de duas barbatanas".
  81. "Liabhan mor", sugerindo um animal grande,
  82. ou o meu favorito, "liabhan chor greine",
  83. o "grande peixe do sol".
  84. É um nome encantador e evocativo.
  85. Na Ilha de Tory, que é um lugar estranho,
    eram conhecidos como "muldoons",
  86. e ninguém parece saber porquê.
  87. Espero que não esteja aqui
    ninguém de Tory, um local encantador.
  88. Mas mais vulgarmente, por toda a ilha,
  89. eram conhecidos como "peixe-sol",
  90. o que representa o hábito de se
    aquecerem à superfície quando há sol.
  91. Há a grande preocupação de que
    os tubarões-frade se extingam

  92. em todo o mundo.
  93. Pode não se tratar
    de declínio populacional.
  94. Talvez a alteração
    na distribuição do plâncton.
  95. Os tubarões-frade poderão ser
  96. fantásticos indicadores
    da mudança climática,
  97. porque são registadores
    contínuos de plâncton
  98. nadando de um lado para o outro
    com a boca aberta.
  99. Constam como espécie vulnerável
    na lista da IUCN.
  100. Também há movimentos na Europa
    para proibir a sua caça.
  101. Há agora uma proibição
    da sua captura e pesca,
  102. mesmo dos que forem
    apanhados incidentalmente.
  103. Não são protegidos na Irlanda.
  104. Não têm qualquer proteção
    legislativa na Irlanda,
  105. apesar disso ser importante para a espécie
  106. e apesar do contexto histórico
    em que os tubarões-frade se inserem.
  107. Sabemos muito pouco acerca deles.

  108. A maior parte do que sabemos
  109. baseia-se no seu hábito
    de vir à superfície.
  110. Tentamos adivinhar
    o que eles estão a fazer
  111. pelo seu comportamento à superfície.
  112. Só no ano passado descobri,
    numa conferência na Ilha de Man,
  113. como é invulgar viver num sítio
  114. onde os tubarões-frade
    vêm à superfície para apanhar sol.
  115. de modo regular, frequente e previsível,
  116. É uma oportunidade científica fantástica
  117. ver e sentir os tubarões-frade.
  118. São criaturas incríveis.
  119. Isso dá-nos uma ótima oportunidade
    para os estudarmos.
  120. Nos últimos anos
    — o último ano foi um grande ano —

  121. começámos a marcar os tubarões,
  122. para tentar ter alguma ideia
  123. sobre fidelidade a locais
    e movimentos e coisas assim.
  124. Concentrámo-nos principalmente
  125. em North Donegal e West Kerry,
  126. as duas áreas onde
    estive mais ativo.
  127. Marcámo-los muito simplesmente,
    nada de alta tecnologia,
  128. com uma vara grande, longa.
  129. Isto é uma cana de pesca
  130. com uma etiqueta na extremidade.
  131. Sobe-se para o barco e marca-se o tubarão.
  132. Fomos muito eficazes.
  133. Marcámos 105 tubarões no verão passado.
  134. Conseguimos 50 em três dias
    ao largo da Península de Inishowen.
  135. Metade do desafio está em chegar lá,
    estar no sítio certo no momento certo.

  136. Mas é uma técnica muito simples e fácil.
  137. Vou mostrar-vos como eles são.
  138. Usamos uma câmara telescópica no barco
  139. para filmarmos o tubarão.
  140. Primeiro tentamos determinar
    o sexo do tubarão.
  141. Também usámos etiquetas de satélite,
    portanto também usámos alta tecnologia.
  142. Estas são etiquetas de arquivo.
    Armazenam dados.
  143. Estas etiquetas só funcionam
    quando em contacto com o ar, sem água,
  144. e podem enviar um sinal para o satélite.
  145. Mas os tubarões estão submersos
    a maior parte do tempo.
  146. Assim, esta etiqueta fornece
    a localização do tubarão
  147. consoante o tempo e a posição do sol,
  148. mais a temperatura da água
    e a profundidade.
  149. E nós temos como
    que reconstituir o caminho.
  150. Programa-se a etiqueta para se soltar
    do tubarão após um certo período.

  151. Neste caso, a etiqueta soltou-se
    e emergiu ao fim de 8 meses,
  152. disse olá ao satélite
  153. e enviou, não os dados todos,
    mas os suficientes para utilizarmos.
  154. Esta é a única forma de percebermos
  155. o comportamento e os movimentos
    quando estão debaixo da água.
  156. Estes são alguns mapas que fizemos.

  157. Aquele, podem ver que marcámos
    ambos ao largo de Kerry.
  158. Basicamente ele passou
    os últimos 8 meses, em águas irlandesas.
  159. No dia de Natal estava no limite
    da plataforma continental.
  160. Este é um que ainda não confrontámos
  161. com a temperatura do mar
    e a profundidade da água,
  162. mas o segundo tubarão
    passou a maior parte do tempo
  163. no mar da Irlanda ou à sua volta.
  164. Colegas da Ilha de Man,
    no ano passado, marcaram um tubarão
  165. que fez o percurso da Ilha de Man
    até à Nova Escócia em cerca de 90 dias.
  166. São 9500 km. Nunca pensámos
    que isso acontecesse.
  167. Outro colega, nos EUA,

  168. marcou uns 20 tubarões
    ao largo de Massachusetts
  169. mas as etiquetas não funcionaram.
  170. Só sabe onde os marcou
    e onde as etiquetas se soltaram
  171. Essas etiquetas soltaram-se nas Caraíbas
    e até no Brasil.
  172. Pensávamos que estes tubarões
    eram animais de zonas temperadas
  173. e que apenas viviam na nossa latitude.
  174. Mas, obviamente,
    também atravessam o Equador.
  175. São coisas tão simples como estas,

  176. que estamos a tentar aprender
    sobre os tubarões-frade.
  177. Uma coisa que eu penso
  178. que é muito estranha e surpreendente
  179. é quão baixa é a diversidade
    genética dos tubarões.
  180. Não sou geneticista, portanto
    não vou fingir que percebo de genética.
  181. Por isso é que é tão bom ter colaboração.
  182. Como sou uma pessoa de trabalho de campo,
  183. tenho ataques de pânico
    se passar demasiadas horas
  184. num laboratório com uma bata branca.
  185. Portanto, trabalhamos com geneticistas
    que percebem disso.
  186. Quando analisaram a genética
    dos tubarões-frade
  187. descobriram que a diversidade
    era incrivelmente baixa.
  188. Se observarem a primeira linha,

  189. veem que todas estas diferentes espécies
    de tubarões são muito similares.
  190. Penso que isto significa
    que são todos tubarões
  191. e que proveem de um antepassado comum.
  192. Se observarem a diversidade de nucleótido,
  193. que é uma característica genética
    transmitida pelos pais,
  194. veem que os tubarões-frade,
    se olharem para o primeiro estudo,
  195. têm uma ordem de grandeza
    de menor diversidade
  196. do que outras espécies de tubarões.
  197. Este trabalho foi feito em 2006.
  198. Antes de 2006 não fazíamos ideia
    da variabilidade genética dos tubarões-frade.

  199. Dividir-se-iam em diferentes populações?
  200. Havia subpopulações?
  201. Isso é muito importante se quisermos saber
  202. qual é o tamanho da população
    e o nível de ameaças.
  203. Les Noble, em Aberdeen
  204. achou que isto
    era realmente inacreditável.
  205. Então, fez outro estudo
  206. usando micro satélites,
  207. que são muito mais caros,
    que consomem muito mais tempo,
  208. e, para sua surpresa,
    obteve resultados quase idênticos.
  209. Portanto, parece acontecer
    que os tubarões-frade,

  210. por alguma razão, têm
    uma diversidade incrivelmente baixa.
  211. Pensa-se que talvez tenha havido
    um gargalo genético, há 12 000 anos,
  212. e que isso tenha causado
    uma diversidade muito baixa.
  213. Contudo, se observarem os tubarões-baleia,
  214. que são outros grandes tubarões
    que se alimentam de plâncton,
  215. a sua diversidade é muito maior.
  216. Portanto, isto não faz sentido nenhum.

  217. Descobriu-se que não havia
    diferenciação genética
  218. entre os tubarões-frade existentes
    nos vários oceanos do mundo.
  219. Embora se encontrem por todo o mundo,
  220. não é possível diferenciar geneticamente
  221. os do Pacífico, do Atlântico, da Irlanda,
    da Nova Zelândia, da Árica do Sul.
  222. Parecem todos iguais.
  223. É surpreendente. Não seria de esperar.
  224. Não compreendo.
    Não finjo que compreendo.
  225. Suspeito que os geneticistas
    também não compreendem,
  226. mas eles produzem os números.
  227. Portanto, podemos estimar
    o tamanho da população

  228. com base na diversidade genética.
  229. Rus Hoelzel chegou a um valor
    da população efetiva:
  230. 8200 animais.
  231. Só isso.
  232. 8000 animais no mundo.
  233. Vocês devem pensar:
    "Isso é ridículo. Não é possível".
  234. Então, o Les fez um estudo mais preciso
    e chegou ao valor de 9.000.
  235. Usando micro satélites diferentes
    obteve resultados diferentes.
  236. Mas saltou a média de todos estes estudos
  237. — a média é de cerca de 5000,
  238. no que, pessoalmente, não acredito,
  239. mas eu sou um cético.
  240. Mesmo que lancemos mais alguns números,
  241. estaremos a falar de uma população efetiva
    de cerca de 20 000 animais.
  242. Lembram-se de quantos mataram
    ao largo de Achill
  243. nos anos 70 e 50?
  244. Isto diz-nos que há um risco real
    de extinção desta espécie
  245. devido à reduzida dimensão
    da sua população.
  246. Pensa-se que, desses 20 000,
    só 8000 seriam fêmeas.
  247. Há apenas 8000 fêmeas
    de tubarão-frade no mundo?
  248. Não sei. Não acredito.
  249. O problema com isto é que eles
    se viram limitados pelas amostras.

  250. Não conseguiram amostras suficientes
  251. para explorar a vertente genética
    com detalhe suficiente.
  252. Então, de onde se obtêm amostras
  253. para a análise genética?
  254. Uma fonte óbvia são os tubarões mortos,
  255. tubarões mortos que dão à praia.
  256. Podemos obter 2 ou 3 tubarões mortos
    que dão à praia na Irlanda por ano,
  257. se tivermos sorte.
  258. Outra fonte seria a captura incidental
    durante a pesca.
  259. Conseguimos muito poucos
    apanhados nas redes de superfície.
  260. Isso agora é proibido,
    o que é bom para os tubarões.
  261. Alguns são apanhados nas redes de arrasto.
  262. Este é um tubarão trazido
    para terra em Howth, antes do Natal,
  263. ilegalmente, porque isso
    não é permitido pela lei da UE.
  264. Foi vendido a 8 € o kg,
    como bife de tubarão.
  265. Afixaram uma receita na parede,
    até serem informados de que era ilegal.
  266. E foram multados por isso.
  267. Se observarem todos
    os estudos que vos mostrei,

  268. o número total de amostras
    do mundo inteiro
  269. é atualmente de 86.
  270. É um trabalho muito importante,
  271. que permite colocar boas questões,
  272. e informar-nos sobre
    o tamanho da população,
  273. subpopulações e estrutura,
  274. mas está limitado pela falta de amostras.
  275. Quando estávamos a marcar
    os nossos tubarões

  276. — era assim que os marcávamos na proa
    de um barco insuflável, rapidamente —
  277. ocasionalmente os tubarões reagiam.
  278. Numa ocasião em que estávamos
    em Malin Head, em Donegal,
  279. um tubarão bateu com a cauda
    na parte lateral do barco,
  280. penso que mais em sobressalto
    por o barco se ter aproximado dele,
  281. do que pela marcação.
  282. Foi bom. Molhámo-nos.
    Não houve problema nenhum.
  283. Depois, quando eu e o Emmett
    voltámos para Malin Head, para o cais,
  284. notámos que havia uma substância
    viscosa preta na frente do barco.
  285. Lembrei-me de os pescadores
    me contarem que sabiam sempre
  286. quando apanhavam um tubarão na rede
  287. porque ele deixava esta substância preta.
  288. Portanto, eu pensei que aquilo
    devia ter sido do tubarão.
  289. Nós tínhamos interesse
    em obter amostras de tecido

  290. para estudos genéticos
  291. porque sabíamos que eram muito valiosas.
  292. E usávamos métodos convencionais.
  293. Tenho uma besta —veem-na na minha mão —
  294. que também usamos para obter
    amostras de baleias e golfinhos.
  295. Tentei aquilo, tentei muitas técnicas.
  296. Mas só conseguia quebrar as bestas
  297. porque a pele do tubarão é muito dura.
  298. Não havia maneira de conseguirmos
    uma amostra daquilo.
  299. Portanto, aquilo não ia resultar.
  300. Quando vi a substância preta
    na proa do barco, pensei:

  301. "Se recebermos o que nos é oferecido..."
  302. Então raspei aquilo.
  303. Eu tinha um pequeno tubo com álcool
    para enviar aos geneticistas.
  304. Raspei a substância
    e enviei-a para Aberdeen.
  305. E disse: "Podiam tentar isto".
  306. Eles ficaram a dormir durante meses,
  307. porque tínhamos uma conferência
    na Ilha de Man.
  308. Mas eu continuei a enviar e-mails:
  309. "Já pôde analisar o meu lodo?"
  310. E ele: "Sim, sim, sim.
    Mais tarde, mais tarde."
  311. Mas ele pensou que seria melhor fazê-lo,
  312. porque nunca nos tínhamos encontrado
  313. e ficava mal visto
    se não fizesse o que lhe pedira.
  314. E ficou espantado por conseguirem
    extrair ADN do lodo.

  315. Amplificaram-no, testaram-no
  316. e descobriram que era realmente
    ADN de tubarão-frade,
  317. que fora obtido a partir do lodo.
  318. Ficou todo entusiasmado.
  319. Ficou conhecido como
    o "lodo de tubarão do Simon".
  320. E eu pensei:
    "Posso desenvolver esta ideia."
  321. Pensámos em tentar sair
    e conseguir algum lodo.
  322. Depois de ter gasto 3500
    em etiquetas de satélite...
  323. pensei que podia investir 7,95
    — o preço mantém-se nesse valor —
  324. na minha loja local
    de equipamentos, em Kilrush,
  325. para comprar uma esfregona
  326. e ainda menos dinheiro em toalhetes.
  327. Embrulhei o toalhete à volta
    da extremidade da esfregona
  328. e fiquei à espera, desesperado
  329. por uma oportunidade
  330. para apanhar alguns tubarões.
  331. Isto foi em agosto,

  332. e normalmente o pico de tubarões
    é em junho, julho.
  333. E raramente os vemos, raramente
    conseguimos estar no lugar certo
  334. para encontrar tubarões em agosto.
  335. Estávamos desesperados.
  336. Fomos a correr para Blasket quando
    ouvimos dizer que havia lá tubarões
  337. e conseguimos encontrar alguns tubarões.
  338. Então, esfregando a esfregona no tubarão
  339. quando ele nadava debaixo do barco
  340. — está um tubarão
    a passar debaixo do barco —
  341. conseguimos colher lodo.
  342. Aqui está.
  343. Olhem para aquele encantador
    lodo preto de tubarão.
  344. Em cerca de meia hora
  345. obtivemos cinco amostras,
    de cinco tubarões diferentes,
  346. usando o sistema de "amostragem
    de lodo de tubarão do Simon".
  347. (Risos)

  348. (Aplausos)

  349. Já trabalho com baleias e golfinhos
    na Irlanda há 20 anos,

  350. e eles são um pouco mais dramáticos.
  351. Devem ter visto as fotos
    da baleia-corcunda
  352. que tirámos há um ou dois meses
    ao largo de County Wexford.
  353. Pensamos sempre em deixar
    um legado ao mundo.
  354. E eu estava a pensar em baleias-corcundas
    a saltar e golfinhos.
  355. Mas às vezes estas coisas são-nos enviadas
  356. e só temos que aceitá-las quando vêm.
  357. Portanto, possivelmente
    este vai ser o meu legado,
  358. o lodo de tubarão de Simon.
  359. Este ano recebemos mais dinheiro

  360. para continuarmos
    a recolher mais amostras.
  361. Uma coisa muito útil
    é que usamos câmaras telescópicas
  362. — esta é a minha colega Joanne com uma —
  363. que nos permitem ver por baixo do tubarão.
  364. Tentamos ver que os machos têm clásperes,
  365. suspensos na parte de trás do tubarão.
  366. Portanto, distinguimos
    facilmente o sexo do tubarão.
  367. Se pudermos saber o sexo do tubarão,
  368. antes de recolhermos a amostra,
  369. podemos informar o geneticista
    se foi colhida num macho ou numa fêmea.
  370. Porque atualmente
    não há forma de saber geneticamente
  371. a diferença entre um macho e uma fêmea,
  372. o que acho desconcertante,
  373. porque eles não sabem
    que iniciadores procurar.
  374. Saber o sexo de um tubarão
    é muito importante
  375. para coisas como
    a fiscalização do comércio
  376. de tubarões-frade e outras espécies,
  377. porque é ilegal comercializar
    quaisquer tubarões.
  378. Mas eles são apanhados e estão à venda.
  379. Assim, como biólogo de campo,

  380. só quero encontrar-me com estes animais.
  381. Quero aprender o máximo que puder.
  382. Frequentemente os encontros são rápidos
    e muito limitados sazonalmente.
  383. Eu só quero aprender o máximo
    que puder logo que possível.
  384. Mas não é fantástico
    podermos oferecer estas amostras
  385. e oportunidades a outras disciplinas,
    como a genética,
  386. que podem beneficiar tanto com isto?
  387. Então, como disse, estas coisas
    aparecem de uma forma estranha.

  388. Agarrem-nas enquanto podem.
  389. Recebo esta como o meu legado científico.
  390. Espero conseguir alguma coisa
    mais dramática e romântica antes de morrer.
  391. Mas, para já, estou grato por isto.
  392. E mantenham-se de olho nos tubarões.
  393. Se estiverem interessados, pusemos
    uma página sobre tubarões-frade na web.

  394. Obrigado pela vossa atenção.
  395. (Aplausos)