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← Simon Berrow: Como salvar um tubarão do qual você nada sabe?

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Showing Revision 1 created 03/16/2012 by Isabel Villan.

  1. Tubarões-frade são criaturas impressionantes. São simplesmente magníficos.
  2. Têm 10 metros de comprimento.
  3. Alguns dizem que são maiores.
  4. Eles podem pesar até duas toneladas.
  5. Alguns dizem que até cinco toneladas.
  6. Eles são o segundo maior peixe do mundo.
  7. Também são animais inofensivos que se alimentam de plâncton.
  8. E acredita-se que eles sejam capazes
  9. de filtrar um quilômetro cúbico de água a cada hora
  10. e podem se alimentar de 30 quilos de zooplâncton por dia para sobreviver.
  11. São criaturas fantásticas.
  12. E temos muita sorte na Irlanda, temos muitos tubarões-frade
  13. e muitas oportunidades de estudá-los.
  14. Eles também foram muito importantes para as comunidades costeiras,

  15. centenas de anos atrás,
  16. especialmente nas redondezas da região de Claddagh, Duff, Connemara,
  17. onde pequenos agricultores costumavam navegar
  18. em veleiros pequenos e barcos abertos,
  19. algumas vezes longe da praia, algumas vezes para um lugar chamado Sunfish Bank,
  20. que fica cerca de 50 km a oeste da Ilha Achill,
  21. para matar tubarões-frade.
  22. Esta é uma xilogravura do século XVIII ou XIX.
  23. Eles eram muito importantes, e eram importantes por causa do óleo retirado do fígado deles.

  24. Um terço do tamanho do tubarão-frade é fígado, e é cheio de óleo.
  25. Você retira galões de óleo do fígado deles.
  26. E aquele óleo era usado especialmente para iluminação,
  27. mas também para recobrir ferimentos e outras coisas.
  28. De fato, as luzes das ruas em 1742,
  29. de Galway, Dublin e Waterford
  30. eram abastecidas com óleo do peixe do sol.
  31. E "peixe do sol" é um dos nomes do tubarão-frade.
  32. Portanto, eles eram animais incrivelmente importantes.
  33. Eles existem há tempos, e foram muito importantes para as comunidades costeiras.
  34. Provavelmente a pesca de tubarão-frade melhor documentada no mundo

  35. é a da Ilha Achill.
  36. Esta é a Baía Keem na Ilha Achill.
  37. Os tubarões costumavam vir até a baía.
  38. E os pescadores amarravam uma rede no promontório,
  39. esticando-a ao longo de outra rede.
  40. E quando o tubarão viesse, ele atingiria a rede e a rede cairia sobre ele.
  41. Frequentemente, ele afundava e sufocava.
  42. Ou, às vezes, eles se enfileiravam em seus pequenos botes
  43. e o matavam com uma lança por trás do pescoço.
  44. Então, eles rebocavam os tubarões de volta a Purteeen Harbor,
  45. ferviam-nos, utilizavam o óleo.
  46. Costumavam também usar a carne como fertilizante
  47. e ainda remover as barbatanas dos tubarões.
  48. Esta é provavelmente a maior ameaça aos tubarões no mundo todo --
  49. a remoção das barbatanas deles.
  50. Frequentemente ficamos assustados com tubarões graças ao filme "Tubarão".

  51. Talvez cinco ou seis pessoas sejam mortas
  52. por tubarões todo ano.
  53. Houve um caso recentemente, não? Algumas semanas atrás.
  54. Matamos aproximadamente 100 milhões de tubarões por ano.
  55. Assim, não sei qual é o equilíbrio,
  56. mas acho que os tubarões deveriam ter mais medo de nós do que temos deles.
  57. Foi uma pesca bem documentada,
  58. e, como podem ver aqui, atingiu o pico nos anos 50,
  59. quando matavam 1.500 tubarões por ano.
  60. E declinou muito rápido -- um ciclo de pesca clássico, farta e escassa,
  61. que sugere que o estoque estava esgotado
  62. ou ocorriam baixas taxas de reprodução.
  63. E eles mataram aproximadamente 12.000 tubarões nesse período,
  64. literalmente apenas esticando uma corda
  65. na ponta da Baía Keem,
  66. na Ilha Achill.
  67. Os tubarões ainda foram mortos até meados dos anos 80,

  68. especialmente em lugares como Dunmore East, em County Waterford.
  69. E por volta de 2.500, 3.000 tubarões foram mortos até 85,
  70. muitos por embarcações norueguesas.
  71. A linha negra, vocês não conseguem ver isso, mas essas são embarcações norueguesas de caça ao tubarão-frade,
  72. e a linha negra na vigia
  73. significa que essa é uma embarcação para tubarão
  74. e não uma baleeira.
  75. A importância dos tubarões-frade para as comunidades costeiras

  76. é reconhecida através da língua.
  77. Não vou fingir que falo como um irlandês,
  78. mas em Kerry eles eram conhecidos como "Ainmhide na seolta",
  79. o monstro com as velas.
  80. E um outro título seria "Liop an da lapa",
  81. a besta desajeitada com duas barbatanas.
  82. "Liabhan mor", sugerindo um grande animal.
  83. Ou, meu predileto, "Liabhan chor greine",
  84. o grande peixe do sol.
  85. E esse é um nome evocativo adorável.
  86. Na Ilha Tory, que é um local estranho, eles eram conhecidos como 'muldoons',
  87. e parece que ninguém sabe o porquê.
  88. Espero que não haja ninguém de Tory aqui; local adorável.
  89. Mas, mais comumente por toda a ilha,
  90. eles eram conhecidos como peixe do sol.
  91. E isso representa o hábito deles de aquecer-se na superfície quando há sol.
  92. Há grande preocupação de que os tubarões-frade estejam desaparecendo

  93. em todo o mundo.
  94. Algumas pessoas dizem que não é declínio da população.
  95. Poderia ser uma alteração na distribuição do plâncton.
  96. E foi sugerido que os tubarões-frade seriam
  97. fantásticos indicadores da alteração climática,
  98. porque são basicamente coletores permanentes de plâncton,
  99. nadando com a boca aberta.
  100. Agora estão catalogados como vulneráveis de acordo com a IUCN (União Internacional para a Preservação da Natureza).
  101. Há também movimentos na Europa na tentativa de impedir sua captura.
  102. Agora há uma proibição para sua captura e pesca
  103. e até mesmo a pesca daqueles que são apanhados acidentalmente.
  104. Eles não são protegidos na Irlanda.
  105. De fato, não há qualquer tipo de proteção legal na Irlanda,
  106. apesar da importância disso para a espécie
  107. e também do contexto histórico dentro do qual os tubarões-frade existem.
  108. Sabemos muito pouco sobre eles.

  109. E muito do que realmente sabemos
  110. é baseado no hábito deles de vir à superfície.
  111. E tentamos adivinhar o que eles estão fazendo
  112. pelo seu comportamento na superfície.
  113. Descobri apenas ano passado, numa conferência na Ilha de Man,
  114. quão incomum é viver em um lugar
  115. onde tubarões-frade regular, frequente e previsivelmente
  116. vêm à superfície para expor-se ao calor do sol.
  117. E é uma oportunidade fantástica para a ciência
  118. de ver e estudar os tubarões-frade,
  119. e eles são criaturas impressionantes.
  120. E isso nos dá uma oportunidade fantástica para realmente estudá-los, obter acesso a eles.
  121. Assim, o que estivemos fazendo em dois anos -- e o ano passado foi um grande ano --

  122. foi começarmos a marcar tubarões
  123. para que pudéssemos tentar obter alguma ideia
  124. sobre fidelidade a locais, movimentação e coisas assim.
  125. Então nos concentramos principalmente
  126. em North Donegal e West Kerry
  127. como as duas áreas onde fundamentalmente atuo.
  128. E os marcamos muito simplesmente, não com alta tecnologia,
  129. com uma haste grande e longa.
  130. Isto é uma vara de pescar
  131. com uma etiqueta na ponta.
  132. Suba no barco e ponha a etiqueta no tubarão.
  133. Éramos muito eficazes.
  134. Marcamos 105 tubarões no verão passado.
  135. Pegamos 50 em três dias
  136. fora da Península Inishowen.
  137. Metade do desafio é conseguir acesso, é estar no lugar certo na hora certa.

  138. Mas é uma técnica muito simples e fácil.
  139. Vou mostrar-lhes como ela se parece.
  140. Usamos uma câmera em uma haste no barco
  141. para filmar o tubarão.
  142. Um (objetivo) é tentar descobrir o sexo do tubarão.
  143. Também colocamos algumas 'etiquetas de satélite', portanto usamos também alta tecnologia.
  144. Essas são etiquetas de arquivo.
  145. Assim, o que elas fazem é armazenar os dados.
  146. Uma etiqueta de satélite só funciona quando ela está fora da água,
  147. para poder enviar um sinal para o satélite.
  148. E, claro, tubarões, peixes, estão embaixo da água a maior parte do tempo.
  149. Então, esta etiqueta registra a localização do tubarão,
  150. dependendo da duração e do posicionamento do sol,
  151. mais a temperatura da água e a profundidade.
  152. E você tem como que reconstruir a trajetória.
  153. O que acontece é que você ajusta a etiqueta para soltar-se do tubarão depois de um período determinado,

  154. neste caso foram oito meses,
  155. até o dia em que a etiqueta emergiu, ficou à deriva, disse olá para o satélite
  156. e enviou, não todos os dados, mas o suficiente para usarmos.
  157. E esta é a única forma de realmente se descobrir
  158. o comportamento e as movimentações quando eles estão embaixo da água.
  159. Aqui estão alguns mapas que fizemos.

  160. Nesse, você pode ver que colocamos etiquetas em ambos na costa de Kerry.
  161. E basicamente, ele passou todo seu tempo, os últimos oito meses, em águas irlandesas.
  162. No dia de Natal ele estava fora da plataforma continental.
  163. E aqui está um para o qual ainda não realizamos as medições
  164. para a temperatura da superfície do mar e profundidade da água,
  165. mas, novamente, o segundo tubarão passou a maior parte do tempo
  166. dentro e nas redondezas do mar da Irlanda.
  167. Colegas da Ilha de Man, no ano passado,
  168. na verdade marcaram um tubarão
  169. que foi da Ilha de Man até a Nova Escócia em aproximadamente 90 dias.
  170. São nove mil e quinhentos quilômetros. Nunca pensamos que isso acontecesse.
  171. Um outro colega, nos Estados Unidos,

  172. marcou cerca de 20 tubarões na costa de Massachusetts, e as etiquetas não funcionaram.
  173. Tudo que ele sabe é onde ele os etiquetou
  174. e onde elas emergiram.
  175. E as etiquetas emergiram nas redondezas do Caribe
  176. e até mesmo no Brasil.
  177. E pensávamos que tubarões-frade fossem animais de zonas temperadas
  178. e vivessem somente em nossa latitude.
  179. Mas, de fato, eles estão obviamente cruzando o Equador também.
  180. Portanto, coisas assim muito simples,

  181. nós tentamos aprender sobre os tubarões-frade.
  182. Algo que penso
  183. ser uma coisa muito estranha e surpreendente
  184. é quão baixa é a diversidade genética dos tubarões.
  185. Não sou um geneticista, então não vou fingir que entendo de genética.
  186. E é por isso que é ótimo ter colaboração.
  187. Como sou uma pessoa de campo,
  188. tenho ataques de pânico se tenho que passar muitas horas
  189. em um laboratório vestindo um jaleco -- me enlouquece.
  190. Assim, podemos trabalhar com geneticistas que entendem isso.
  191. Então quando eles olharam para a genética dos tubarões-frade,
  192. descobriram que a diversidade era incrivelmente baixa.
  193. Se olharmos para a primeira linha realmente,

  194. podemos ver que todas essas espécies diferentes de tubarões são bastante similares.
  195. Penso que isso significa basicamente que são todos tubarões
  196. e que vieram de um ancestral comum.
  197. Se você olha para a diversidade de nucleotídeos,
  198. que é mais genética passada adiante através dos pais,
  199. você pode ver que os tubarões-frade, se observar o primeiro estudo,
  200. tinham uma ordem de magnitude a menos de diversidade
  201. que outras espécies de tubarões.
  202. E vocês notam que esse trabalho foi feito em 2006.
  203. Antes de 2006, não tínhamos ideia da variabilidade genética dos tubarões-frade.

  204. Não sabíamos, eles se distinguiam em populações diferentes?
  205. Havia subpopulações?
  206. E, claro, isso é muito importante se você quer saber
  207. qual o tamanho da população e a situação dos animais.
  208. Então, Les Noble, em Aberdeen,
  209. achou isso um pouco inacreditável realmente.
  210. Daí ele fez um outro estudo
  211. usando microsatélites,
  212. que são muito mais caros, consomem muito mais tempo,
  213. e, para sua surpresa, descobriu resultados quase idênticos.
  214. Assim, realmente parece

  215. que tubarões-frade, por alguma razão, têm uma diversidade incrivelmente baixa.
  216. E acredita-se que talvez seja um gargalo, um gargalo genético
  217. ocorrido 12.000 anos atrás,
  218. e isso causou uma diversidade muito baixa.
  219. E, de fato, se você olha para os tubarões-baleia,
  220. que é o outro grande tubarão que se alimenta de plâncton,
  221. sua diversidade é muito maior.
  222. Portanto, realmente não faz nenhum sentido.

  223. Descobriram que não havia diferenciação genética
  224. entre quaisquer dos tubarões-frade nos oceanos do mundo.
  225. Assim, ainda que tubarões-frade sejam encontrados em todo o mundo,
  226. você não poderia, geneticamente, diferenciar
  227. um do Pacífico, do Atlântico, da Nova Zelândia, da Irlanda, da África do Sul.
  228. Todos eles basicamente parecem o mesmo.
  229. Novamente, é meio surpreendente. Você não esperaria isso realmente.
  230. Não entendo isso. Não finjo entender isso.
  231. E desconfio que muitos geneticistas não entendem também,
  232. mas eles produzem os números.
  233. Assim, você pode realmente estimar o tamanho da população

  234. baseado na diversidade da genética.
  235. E Rus Hoelzel surgiu com um tamanho de população efetivo:
  236. 8.200 animais.
  237. É isso.
  238. 8.000 animais no mundo.
  239. Vocês estão pensando: "Isso é ridículo. De jeito nenhum."
  240. Então Les fez um estudo mais detalhado
  241. e descobriu que seriam cerca de 9.000.
  242. E usando microsatélites diferentes ocasiona resultados diferentes.
  243. Mas a média de todos esses estudos revelou-se --
  244. a média é de aproximadamente 5.000,
  245. no que pessoalmente não acredito,
  246. mas, então, sou um cético.
  247. Mas, mesmo que você arrisque alguns números,
  248. provavelmente você está falando de uma população efetiva de aproximadamente 20.000 animais.
  249. Lembram-se de quantos eles mataram lá em Achill
  250. nos anos 70 e 50?
  251. Então o que isso realmente nos diz
  252. é que realmente há risco de extinção dessa espécie
  253. porque sua população é muito pequena.
  254. Na verdade, desses 20.000, acredita-se que 8.000 sejam fêmeas.
  255. Há somente 8.000 fêmeas de tubarão-frade no mundo?
  256. Não sei. Não acredito nisso.
  257. O problema aqui

  258. é que eles foram limitados pelas amostras.
  259. Eles não conseguiram amostras suficientes
  260. para realmente explorar a genética
  261. em detalhes suficientes.
  262. Então onde você obtém amostras
  263. para sua análise genética?
  264. Bem, uma fonte óbvia são tubarões mortos.
  265. Tubarões mortos na praia.
  266. Podemos ter dois ou três tubarões mortos, na Irlanda, por ano,
  267. se tivermos sorte.
  268. Uma outra fonte seriam descartes da pesca.
  269. Tivemos alguns apanhados por redes à deriva na superfície.
  270. Isso é proibido agora, e essa é a boa notícia para os tubarões.
  271. E alguns foram apanhados em redes de arrasto.
  272. Este é um tubarão que foi, na verdade, pescado em Howth, antes do Natal,
  273. ilegalmente, porque isso não é permitido de acordo com a lei da União Européia,
  274. e foi vendido por 19 reais o quilo como carne de tubarão.
  275. Eles até colocaram uma receita na parede, até que lhes comunicaram que era ilegal.
  276. E na verdade levaram uma multa por isso.
  277. Assim, se você olha para todos esses estudos que mostrei,

  278. o número total de amostras no mundo todo
  279. é 86 até agora.
  280. É um trabalho muito importante,
  281. e eles podem fazer algumas perguntas realmente boas,
  282. podem nos dizer o tamanho da população,
  283. as subpopulações e a estrutura,
  284. mas eles estão limitados pela falta de amostras.
  285. Agora, quando estávamos marcando os tubarões,

  286. isto é como os marcamos na frente de uma embarcação -- chegue lá rápido --
  287. ocasionalmente os tubarões de fato reagem.
  288. Em uma ocasião, quando estávamos em Malin Head, em Donegal,
  289. um tubarão deu uma pancada no lado do barco com a cauda,
  290. mais, eu acho, pela surpresa de um barco próximo a ele
  291. do que pela colocação da etiqueta.
  292. E tudo bem. Ficamos molhados. Sem problemas.
  293. E quando eu e Emmett
  294. voltamos a Malin Head, ao píer,
  295. percebi lodo preto na frente do barco.
  296. E me lembrei -- costumava passar muito tempo fora em barcos pesqueiros comerciais --
  297. lembrei-me dos pescadores dizendo que sempre podiam dizer
  298. quando um tubarão-frade tinha sido apanhado na rede
  299. porque ele deixa esse lodo preto.
  300. Achava que aquilo tinha que ter vindo do tubarão.
  301. Tínhamos interesse

  302. em conseguir amostras de tecido para a genética
  303. porque sabíamos que elas eram valiosas.
  304. E usaríamos métodos convencionais --
  305. a balestra, que você vê na minha mão ali,
  306. que usamos para retirar amostras de baleias e golfinhos para estudos genéticos.
  307. Tentei isso, tentei muitas técnicas.
  308. E tudo que acontecia era que meus arpões quebravam
  309. porque a pele do tubarão é muito resistente.
  310. Não havia como conseguirmos uma amostra dessa maneira.
  311. Aquilo não ia funcionar.
  312. Assim, quando vi o lodo preto na frente do barco,

  313. pensei: "Se você pega o que lhe dão neste mundo..."
  314. Assim, raspei-a.
  315. E eu tinha um pequeno tubo com álcool para mandar ao geneticistas.
  316. Raspei o lodo e o remeti para Aberdeen.
  317. E disse: "Vocês podem experimentar isso."
  318. E, na verdade, demoraram meses para fazer isso.
  319. Foi apenas porque tínhamos uma conferência na Ilha de Man.
  320. Mas eu continuava enviando emails, dizendo:
  321. "Você já teve a oportunidade de olhar meu lodo?"
  322. E ele dizia: "É, é, é, é. Depois, depois, depois."
  323. De qualquer forma ele achou melhor investigar isso,
  324. porque eu não o conhecia pessoalmente
  325. e ele poderia se sentir embaraçado se não tivesse feito o que lhe enviei.
  326. E ele estava impressionado que, de fato, tivessem conseguido DNA do lodo.

  327. E eles o amplificaram e testaram
  328. e descobriram, sim, esse era de fato DNA do tubarão-frade,
  329. obtido do lodo.
  330. Então ele ficou todo entusiasmado.
  331. Ficou conhecido como o lodo de tubarão do Simon.
  332. E pensei: "Ei, sabem, posso trabalhar nisso."
  333. Assim, pensamos, ok, vamos tentar sair
  334. e conseguir lodo.
  335. Depois de gastar 8.200 reais em etiquetas de satélite,
  336. pensei que investiria 18,70 reais -- o preço ainda é esse --
  337. na loja de ferragens local, em Kilrush,
  338. em um cabo de esfregão
  339. e menos dinheiro ainda em alguns limpadores de forno.
  340. Amarrei os limpadores de forno na ponta do cabo do esfregão
  341. e estava desesperado, desesperado
  342. para ter uma oportunidade
  343. de encontrar alguns tubarões.
  344. Isso foi em agosto,

  345. e normalmente os tubarões aparecem em junho, julho.
  346. E você raramente os vê.
  347. Só raramente você está no local certo para encontrar tubarões em agosto.
  348. Então estávamos desesperados.
  349. Corremos para Blasket assim que ouvimos que havia tubarões lá
  350. e conseguimos encontrar alguns.
  351. Então, esfregando o cabo do esfregão no tubarão
  352. enquanto ele nadava sob o barco --
  353. você vê, aqui está um tubarão deslizando sob o barco --
  354. conseguimos coletar lodo.
  355. E aqui está.
  356. Olhe para esse adorável lodo preto de tubarão.
  357. E em cerca de meia hora,
  358. conseguimos cinco amostras, coletamos amostras dos
  359. cinco tubarões usando o sistema de coleta de lodo de tubarão do Simon.
  360. (Risadas)

  361. (Aplausos)

  362. Trabalho com baleias e golfinhos na Irlanda há 20 anos,

  363. e eles são um pouco mais dramáticos.
  364. Você provavelmente viu a filmagem da baleia-corcunda
  365. que tiramos, um mês ou dois atrás, lá em County Wexford.
  366. E você sempre pensa que deveria ter algum legado para deixar no mundo.
  367. E eu estava pensando em baleias-corcunda saltando na água
  368. e golfinhos.
  369. Mas, algumas vezes essas coisas são enviadas a você
  370. e você tem apenas que pegá-las quando elas chegam.
  371. Assim este vai possivelmente ser meu legado --
  372. o lodo de tubarão do Simon.
  373. Conseguimos mais fundos este ano

  374. para continuar coletando mais e mais amostras.
  375. E uma coisa que é muito útil
  376. é que usamos câmeras fixadas em hastes -- esta é minha colega Joanne com a câmera --
  377. com a qual você pode olhar debaixo do tubarão.
  378. E o que estamos tentando ver é que os machos têm 'claspers',
  379. que pendem atrás das costas do tubarão.
  380. Então você pode muito facilmente dizer o sexo do tubarão.
  381. Se podemos determinar o sexo do tubarão
  382. antes de tirarmos uma amostra dele,
  383. podemos dizer aos geneticistas se foi tirada de um macho ou fêmea.
  384. Porque no momento, eles não têm meios
  385. de determinar a diferença genética entre um macho e uma fêmea,
  386. o que achei absolutamente espantoso,
  387. porque não sabem quais segmentos de DNA devem procurar.
  388. Ser capaz de identificar o sexo de um tubarão
  389. tornou-se muito importante
  390. para coisas como fiscalização do comércio
  391. para tubarões-frade e outras espécies, nas sociedades,
  392. porque é ilegal comercializar qualquer tubarão.
  393. E eles são apanhados e estão no mercado.
  394. Como um biólogo de campo,

  395. você quer apenas ter encontros com esses animais.
  396. Você quer aprender o máximo possível.
  397. Frequentemente eles são muito breves e muito limitados pela sazonalidade.
  398. E você só quer aprender tanto quanto pode, tão rápido quanto pode.
  399. Mas não é fantástico
  400. que você possa então oferecer essas amostras
  401. e oportunidades a outras disciplinas, como os geneticistas,
  402. que podem ganhar tanto com isso?
  403. Assim, como eu disse,

  404. essas coisas são enviadas a você de forma estranhas. Agarre-as enquanto pode.
  405. Pegarei essa como meu legado científico.
  406. Com sorte posso ter algo um pouco mais dramático e romântico antes de morrer.
  407. Mas por enquanto, obrigado por isso.
  408. E fique de olho nos tubarões.
  409. Se tiver mais interesse, temos um website do tubarão-frade.

  410. Obrigado e obrigado pela sua atenção.
  411. (Aplausos)