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Simon Berrow: Como salvar um tubarão do qual você nada sabe?

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    Tubarões-frade são criaturas impressionantes. São simplesmente magníficos.
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    Têm 10 metros de comprimento.
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    Alguns dizem que são maiores.
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    Eles podem pesar até duas toneladas.
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    Alguns dizem que até cinco toneladas.
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    Eles são o segundo maior peixe do mundo.
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    Também são animais inofensivos que se alimentam de plâncton.
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    E acredita-se que eles sejam capazes
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    de filtrar um quilômetro cúbico de água a cada hora
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    e podem se alimentar de 30 quilos de zooplâncton por dia para sobreviver.
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    São criaturas fantásticas.
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    E temos muita sorte na Irlanda, temos muitos tubarões-frade
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    e muitas oportunidades de estudá-los.
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    Eles também foram muito importantes para as comunidades costeiras,
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    centenas de anos atrás,
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    especialmente nas redondezas da região de Claddagh, Duff, Connemara,
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    onde pequenos agricultores costumavam navegar
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    em veleiros pequenos e barcos abertos,
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    algumas vezes longe da praia, algumas vezes para um lugar chamado Sunfish Bank,
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    que fica cerca de 50 km a oeste da Ilha Achill,
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    para matar tubarões-frade.
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    Esta é uma xilogravura do século XVIII ou XIX.
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    Eles eram muito importantes, e eram importantes por causa do óleo retirado do fígado deles.
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    Um terço do tamanho do tubarão-frade é fígado, e é cheio de óleo.
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    Você retira galões de óleo do fígado deles.
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    E aquele óleo era usado especialmente para iluminação,
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    mas também para recobrir ferimentos e outras coisas.
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    De fato, as luzes das ruas em 1742,
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    de Galway, Dublin e Waterford
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    eram abastecidas com óleo do peixe do sol.
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    E "peixe do sol" é um dos nomes do tubarão-frade.
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    Portanto, eles eram animais incrivelmente importantes.
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    Eles existem há tempos, e foram muito importantes para as comunidades costeiras.
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    Provavelmente a pesca de tubarão-frade melhor documentada no mundo
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    é a da Ilha Achill.
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    Esta é a Baía Keem na Ilha Achill.
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    Os tubarões costumavam vir até a baía.
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    E os pescadores amarravam uma rede no promontório,
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    esticando-a ao longo de outra rede.
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    E quando o tubarão viesse, ele atingiria a rede e a rede cairia sobre ele.
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    Frequentemente, ele afundava e sufocava.
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    Ou, às vezes, eles se enfileiravam em seus pequenos botes
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    e o matavam com uma lança por trás do pescoço.
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    Então, eles rebocavam os tubarões de volta a Purteeen Harbor,
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    ferviam-nos, utilizavam o óleo.
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    Costumavam também usar a carne como fertilizante
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    e ainda remover as barbatanas dos tubarões.
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    Esta é provavelmente a maior ameaça aos tubarões no mundo todo --
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    a remoção das barbatanas deles.
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    Frequentemente ficamos assustados com tubarões graças ao filme "Tubarão".
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    Talvez cinco ou seis pessoas sejam mortas
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    por tubarões todo ano.
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    Houve um caso recentemente, não? Algumas semanas atrás.
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    Matamos aproximadamente 100 milhões de tubarões por ano.
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    Assim, não sei qual é o equilíbrio,
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    mas acho que os tubarões deveriam ter mais medo de nós do que temos deles.
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    Foi uma pesca bem documentada,
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    e, como podem ver aqui, atingiu o pico nos anos 50,
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    quando matavam 1.500 tubarões por ano.
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    E declinou muito rápido -- um ciclo de pesca clássico, farta e escassa,
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    que sugere que o estoque estava esgotado
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    ou ocorriam baixas taxas de reprodução.
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    E eles mataram aproximadamente 12.000 tubarões nesse período,
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    literalmente apenas esticando uma corda
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    na ponta da Baía Keem,
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    na Ilha Achill.
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    Os tubarões ainda foram mortos até meados dos anos 80,
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    especialmente em lugares como Dunmore East, em County Waterford.
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    E por volta de 2.500, 3.000 tubarões foram mortos até 85,
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    muitos por embarcações norueguesas.
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    A linha negra, vocês não conseguem ver isso, mas essas são embarcações norueguesas de caça ao tubarão-frade,
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    e a linha negra na vigia
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    significa que essa é uma embarcação para tubarão
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    e não uma baleeira.
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    A importância dos tubarões-frade para as comunidades costeiras
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    é reconhecida através da língua.
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    Não vou fingir que falo como um irlandês,
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    mas em Kerry eles eram conhecidos como "Ainmhide na seolta",
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    o monstro com as velas.
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    E um outro título seria "Liop an da lapa",
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    a besta desajeitada com duas barbatanas.
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    "Liabhan mor", sugerindo um grande animal.
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    Ou, meu predileto, "Liabhan chor greine",
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    o grande peixe do sol.
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    E esse é um nome evocativo adorável.
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    Na Ilha Tory, que é um local estranho, eles eram conhecidos como 'muldoons',
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    e parece que ninguém sabe o porquê.
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    Espero que não haja ninguém de Tory aqui; local adorável.
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    Mas, mais comumente por toda a ilha,
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    eles eram conhecidos como peixe do sol.
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    E isso representa o hábito deles de aquecer-se na superfície quando há sol.
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    Há grande preocupação de que os tubarões-frade estejam desaparecendo
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    em todo o mundo.
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    Algumas pessoas dizem que não é declínio da população.
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    Poderia ser uma alteração na distribuição do plâncton.
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    E foi sugerido que os tubarões-frade seriam
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    fantásticos indicadores da alteração climática,
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    porque são basicamente coletores permanentes de plâncton,
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    nadando com a boca aberta.
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    Agora estão catalogados como vulneráveis de acordo com a IUCN (União Internacional para a Preservação da Natureza).
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    Há também movimentos na Europa na tentativa de impedir sua captura.
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    Agora há uma proibição para sua captura e pesca
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    e até mesmo a pesca daqueles que são apanhados acidentalmente.
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    Eles não são protegidos na Irlanda.
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    De fato, não há qualquer tipo de proteção legal na Irlanda,
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    apesar da importância disso para a espécie
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    e também do contexto histórico dentro do qual os tubarões-frade existem.
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    Sabemos muito pouco sobre eles.
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    E muito do que realmente sabemos
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    é baseado no hábito deles de vir à superfície.
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    E tentamos adivinhar o que eles estão fazendo
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    pelo seu comportamento na superfície.
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    Descobri apenas ano passado, numa conferência na Ilha de Man,
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    quão incomum é viver em um lugar
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    onde tubarões-frade regular, frequente e previsivelmente
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    vêm à superfície para expor-se ao calor do sol.
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    E é uma oportunidade fantástica para a ciência
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    de ver e estudar os tubarões-frade,
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    e eles são criaturas impressionantes.
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    E isso nos dá uma oportunidade fantástica para realmente estudá-los, obter acesso a eles.
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    Assim, o que estivemos fazendo em dois anos -- e o ano passado foi um grande ano --
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    foi começarmos a marcar tubarões
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    para que pudéssemos tentar obter alguma ideia
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    sobre fidelidade a locais, movimentação e coisas assim.
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    Então nos concentramos principalmente
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    em North Donegal e West Kerry
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    como as duas áreas onde fundamentalmente atuo.
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    E os marcamos muito simplesmente, não com alta tecnologia,
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    com uma haste grande e longa.
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    Isto é uma vara de pescar
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    com uma etiqueta na ponta.
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    Suba no barco e ponha a etiqueta no tubarão.
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    Éramos muito eficazes.
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    Marcamos 105 tubarões no verão passado.
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    Pegamos 50 em três dias
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    fora da Península Inishowen.
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    Metade do desafio é conseguir acesso, é estar no lugar certo na hora certa.
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    Mas é uma técnica muito simples e fácil.
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    Vou mostrar-lhes como ela se parece.
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    Usamos uma câmera em uma haste no barco
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    para filmar o tubarão.
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    Um (objetivo) é tentar descobrir o sexo do tubarão.
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    Também colocamos algumas 'etiquetas de satélite', portanto usamos também alta tecnologia.
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    Essas são etiquetas de arquivo.
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    Assim, o que elas fazem é armazenar os dados.
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    Uma etiqueta de satélite só funciona quando ela está fora da água,
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    para poder enviar um sinal para o satélite.
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    E, claro, tubarões, peixes, estão embaixo da água a maior parte do tempo.
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    Então, esta etiqueta registra a localização do tubarão,
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    dependendo da duração e do posicionamento do sol,
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    mais a temperatura da água e a profundidade.
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    E você tem como que reconstruir a trajetória.
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    O que acontece é que você ajusta a etiqueta para soltar-se do tubarão depois de um período determinado,
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    neste caso foram oito meses,
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    até o dia em que a etiqueta emergiu, ficou à deriva, disse olá para o satélite
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    e enviou, não todos os dados, mas o suficiente para usarmos.
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    E esta é a única forma de realmente se descobrir
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    o comportamento e as movimentações quando eles estão embaixo da água.
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    Aqui estão alguns mapas que fizemos.
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    Nesse, você pode ver que colocamos etiquetas em ambos na costa de Kerry.
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    E basicamente, ele passou todo seu tempo, os últimos oito meses, em águas irlandesas.
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    No dia de Natal ele estava fora da plataforma continental.
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    E aqui está um para o qual ainda não realizamos as medições
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    para a temperatura da superfície do mar e profundidade da água,
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    mas, novamente, o segundo tubarão passou a maior parte do tempo
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    dentro e nas redondezas do mar da Irlanda.
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    Colegas da Ilha de Man, no ano passado,
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    na verdade marcaram um tubarão
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    que foi da Ilha de Man até a Nova Escócia em aproximadamente 90 dias.
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    São nove mil e quinhentos quilômetros. Nunca pensamos que isso acontecesse.
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    Um outro colega, nos Estados Unidos,
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    marcou cerca de 20 tubarões na costa de Massachusetts, e as etiquetas não funcionaram.
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    Tudo que ele sabe é onde ele os etiquetou
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    e onde elas emergiram.
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    E as etiquetas emergiram nas redondezas do Caribe
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    e até mesmo no Brasil.
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    E pensávamos que tubarões-frade fossem animais de zonas temperadas
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    e vivessem somente em nossa latitude.
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    Mas, de fato, eles estão obviamente cruzando o Equador também.
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    Portanto, coisas assim muito simples,
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    nós tentamos aprender sobre os tubarões-frade.
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    Algo que penso
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    ser uma coisa muito estranha e surpreendente
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    é quão baixa é a diversidade genética dos tubarões.
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    Não sou um geneticista, então não vou fingir que entendo de genética.
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    E é por isso que é ótimo ter colaboração.
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    Como sou uma pessoa de campo,
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    tenho ataques de pânico se tenho que passar muitas horas
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    em um laboratório vestindo um jaleco -- me enlouquece.
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    Assim, podemos trabalhar com geneticistas que entendem isso.
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    Então quando eles olharam para a genética dos tubarões-frade,
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    descobriram que a diversidade era incrivelmente baixa.
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    Se olharmos para a primeira linha realmente,
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    podemos ver que todas essas espécies diferentes de tubarões são bastante similares.
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    Penso que isso significa basicamente que são todos tubarões
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    e que vieram de um ancestral comum.
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    Se você olha para a diversidade de nucleotídeos,
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    que é mais genética passada adiante através dos pais,
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    você pode ver que os tubarões-frade, se observar o primeiro estudo,
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    tinham uma ordem de magnitude a menos de diversidade
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    que outras espécies de tubarões.
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    E vocês notam que esse trabalho foi feito em 2006.
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    Antes de 2006, não tínhamos ideia da variabilidade genética dos tubarões-frade.
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    Não sabíamos, eles se distinguiam em populações diferentes?
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    Havia subpopulações?
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    E, claro, isso é muito importante se você quer saber
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    qual o tamanho da população e a situação dos animais.
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    Então, Les Noble, em Aberdeen,
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    achou isso um pouco inacreditável realmente.
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    Daí ele fez um outro estudo
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    usando microsatélites,
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    que são muito mais caros, consomem muito mais tempo,
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    e, para sua surpresa, descobriu resultados quase idênticos.
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    Assim, realmente parece
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    que tubarões-frade, por alguma razão, têm uma diversidade incrivelmente baixa.
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    E acredita-se que talvez seja um gargalo, um gargalo genético
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    ocorrido 12.000 anos atrás,
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    e isso causou uma diversidade muito baixa.
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    E, de fato, se você olha para os tubarões-baleia,
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    que é o outro grande tubarão que se alimenta de plâncton,
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    sua diversidade é muito maior.
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    Portanto, realmente não faz nenhum sentido.
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    Descobriram que não havia diferenciação genética
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    entre quaisquer dos tubarões-frade nos oceanos do mundo.
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    Assim, ainda que tubarões-frade sejam encontrados em todo o mundo,
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    você não poderia, geneticamente, diferenciar
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    um do Pacífico, do Atlântico, da Nova Zelândia, da Irlanda, da África do Sul.
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    Todos eles basicamente parecem o mesmo.
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    Novamente, é meio surpreendente. Você não esperaria isso realmente.
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    Não entendo isso. Não finjo entender isso.
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    E desconfio que muitos geneticistas não entendem também,
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    mas eles produzem os números.
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    Assim, você pode realmente estimar o tamanho da população
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    baseado na diversidade da genética.
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    E Rus Hoelzel surgiu com um tamanho de população efetivo:
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    8.200 animais.
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    É isso.
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    8.000 animais no mundo.
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    Vocês estão pensando: "Isso é ridículo. De jeito nenhum."
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    Então Les fez um estudo mais detalhado
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    e descobriu que seriam cerca de 9.000.
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    E usando microsatélites diferentes ocasiona resultados diferentes.
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    Mas a média de todos esses estudos revelou-se --
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    a média é de aproximadamente 5.000,
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    no que pessoalmente não acredito,
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    mas, então, sou um cético.
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    Mas, mesmo que você arrisque alguns números,
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    provavelmente você está falando de uma população efetiva de aproximadamente 20.000 animais.
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    Lembram-se de quantos eles mataram lá em Achill
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    nos anos 70 e 50?
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    Então o que isso realmente nos diz
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    é que realmente há risco de extinção dessa espécie
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    porque sua população é muito pequena.
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    Na verdade, desses 20.000, acredita-se que 8.000 sejam fêmeas.
  • 10:05 - 10:08
    Há somente 8.000 fêmeas de tubarão-frade no mundo?
  • 10:08 - 10:10
    Não sei. Não acredito nisso.
  • 10:10 - 10:12
    O problema aqui
  • 10:12 - 10:14
    é que eles foram limitados pelas amostras.
  • 10:14 - 10:16
    Eles não conseguiram amostras suficientes
  • 10:16 - 10:18
    para realmente explorar a genética
  • 10:18 - 10:20
    em detalhes suficientes.
  • 10:20 - 10:23
    Então onde você obtém amostras
  • 10:23 - 10:25
    para sua análise genética?
  • 10:25 - 10:27
    Bem, uma fonte óbvia são tubarões mortos.
  • 10:27 - 10:29
    Tubarões mortos na praia.
  • 10:29 - 10:32
    Podemos ter dois ou três tubarões mortos, na Irlanda, por ano,
  • 10:32 - 10:34
    se tivermos sorte.
  • 10:34 - 10:36
    Uma outra fonte seriam descartes da pesca.
  • 10:36 - 10:39
    Tivemos alguns apanhados por redes à deriva na superfície.
  • 10:39 - 10:42
    Isso é proibido agora, e essa é a boa notícia para os tubarões.
  • 10:42 - 10:44
    E alguns foram apanhados em redes de arrasto.
  • 10:44 - 10:47
    Este é um tubarão que foi, na verdade, pescado em Howth, antes do Natal,
  • 10:47 - 10:50
    ilegalmente, porque isso não é permitido de acordo com a lei da União Européia,
  • 10:50 - 10:53
    e foi vendido por 19 reais o quilo como carne de tubarão.
  • 10:53 - 10:56
    Eles até colocaram uma receita na parede, até que lhes comunicaram que era ilegal.
  • 10:56 - 10:59
    E na verdade levaram uma multa por isso.
  • 10:59 - 11:01
    Assim, se você olha para todos esses estudos que mostrei,
  • 11:01 - 11:04
    o número total de amostras no mundo todo
  • 11:04 - 11:06
    é 86 até agora.
  • 11:06 - 11:08
    É um trabalho muito importante,
  • 11:08 - 11:10
    e eles podem fazer algumas perguntas realmente boas,
  • 11:10 - 11:12
    podem nos dizer o tamanho da população,
  • 11:12 - 11:15
    as subpopulações e a estrutura,
  • 11:15 - 11:18
    mas eles estão limitados pela falta de amostras.
  • 11:18 - 11:20
    Agora, quando estávamos marcando os tubarões,
  • 11:20 - 11:23
    isto é como os marcamos na frente de uma embarcação -- chegue lá rápido --
  • 11:23 - 11:25
    ocasionalmente os tubarões de fato reagem.
  • 11:25 - 11:28
    Em uma ocasião, quando estávamos em Malin Head, em Donegal,
  • 11:28 - 11:31
    um tubarão deu uma pancada no lado do barco com a cauda,
  • 11:31 - 11:34
    mais, eu acho, pela surpresa de um barco próximo a ele
  • 11:34 - 11:36
    do que pela colocação da etiqueta.
  • 11:36 - 11:39
    E tudo bem. Ficamos molhados. Sem problemas.
  • 11:39 - 11:41
    E quando eu e Emmett
  • 11:41 - 11:43
    voltamos a Malin Head, ao píer,
  • 11:43 - 11:46
    percebi lodo preto na frente do barco.
  • 11:46 - 11:48
    E me lembrei -- costumava passar muito tempo fora em barcos pesqueiros comerciais --
  • 11:48 - 11:50
    lembrei-me dos pescadores dizendo que sempre podiam dizer
  • 11:50 - 11:52
    quando um tubarão-frade tinha sido apanhado na rede
  • 11:52 - 11:54
    porque ele deixa esse lodo preto.
  • 11:54 - 11:56
    Achava que aquilo tinha que ter vindo do tubarão.
  • 11:56 - 11:58
    Tínhamos interesse
  • 11:58 - 12:00
    em conseguir amostras de tecido para a genética
  • 12:00 - 12:02
    porque sabíamos que elas eram valiosas.
  • 12:02 - 12:04
    E usaríamos métodos convencionais --
  • 12:04 - 12:06
    a balestra, que você vê na minha mão ali,
  • 12:06 - 12:09
    que usamos para retirar amostras de baleias e golfinhos para estudos genéticos.
  • 12:09 - 12:11
    Tentei isso, tentei muitas técnicas.
  • 12:11 - 12:13
    E tudo que acontecia era que meus arpões quebravam
  • 12:13 - 12:15
    porque a pele do tubarão é muito resistente.
  • 12:15 - 12:17
    Não havia como conseguirmos uma amostra dessa maneira.
  • 12:17 - 12:20
    Aquilo não ia funcionar.
  • 12:20 - 12:23
    Assim, quando vi o lodo preto na frente do barco,
  • 12:23 - 12:26
    pensei: "Se você pega o que lhe dão neste mundo..."
  • 12:26 - 12:28
    Assim, raspei-a.
  • 12:28 - 12:31
    E eu tinha um pequeno tubo com álcool para mandar ao geneticistas.
  • 12:31 - 12:33
    Raspei o lodo e o remeti para Aberdeen.
  • 12:33 - 12:35
    E disse: "Vocês podem experimentar isso."
  • 12:35 - 12:37
    E, na verdade, demoraram meses para fazer isso.
  • 12:37 - 12:39
    Foi apenas porque tínhamos uma conferência na Ilha de Man.
  • 12:39 - 12:41
    Mas eu continuava enviando emails, dizendo:
  • 12:41 - 12:43
    "Você já teve a oportunidade de olhar meu lodo?"
  • 12:43 - 12:45
    E ele dizia: "É, é, é, é. Depois, depois, depois."
  • 12:45 - 12:47
    De qualquer forma ele achou melhor investigar isso,
  • 12:47 - 12:49
    porque eu não o conhecia pessoalmente
  • 12:49 - 12:51
    e ele poderia se sentir embaraçado se não tivesse feito o que lhe enviei.
  • 12:51 - 12:54
    E ele estava impressionado que, de fato, tivessem conseguido DNA do lodo.
  • 12:54 - 12:56
    E eles o amplificaram e testaram
  • 12:56 - 12:58
    e descobriram, sim, esse era de fato DNA do tubarão-frade,
  • 12:58 - 13:01
    obtido do lodo.
  • 13:01 - 13:03
    Então ele ficou todo entusiasmado.
  • 13:03 - 13:06
    Ficou conhecido como o lodo de tubarão do Simon.
  • 13:06 - 13:09
    E pensei: "Ei, sabem, posso trabalhar nisso."
  • 13:09 - 13:11
    Assim, pensamos, ok, vamos tentar sair
  • 13:11 - 13:13
    e conseguir lodo.
  • 13:13 - 13:17
    Depois de gastar 8.200 reais em etiquetas de satélite,
  • 13:19 - 13:22
    pensei que investiria 18,70 reais -- o preço ainda é esse --
  • 13:22 - 13:25
    na loja de ferragens local, em Kilrush,
  • 13:25 - 13:27
    em um cabo de esfregão
  • 13:27 - 13:30
    e menos dinheiro ainda em alguns limpadores de forno.
  • 13:30 - 13:33
    Amarrei os limpadores de forno na ponta do cabo do esfregão
  • 13:33 - 13:35
    e estava desesperado, desesperado
  • 13:35 - 13:38
    para ter uma oportunidade
  • 13:38 - 13:40
    de encontrar alguns tubarões.
  • 13:40 - 13:42
    Isso foi em agosto,
  • 13:42 - 13:44
    e normalmente os tubarões aparecem em junho, julho.
  • 13:44 - 13:46
    E você raramente os vê.
  • 13:46 - 13:49
    Só raramente você está no local certo para encontrar tubarões em agosto.
  • 13:49 - 13:51
    Então estávamos desesperados.
  • 13:51 - 13:54
    Corremos para Blasket assim que ouvimos que havia tubarões lá
  • 13:54 - 13:56
    e conseguimos encontrar alguns.
  • 13:56 - 13:58
    Então, esfregando o cabo do esfregão no tubarão
  • 13:58 - 14:00
    enquanto ele nadava sob o barco --
  • 14:00 - 14:02
    você vê, aqui está um tubarão deslizando sob o barco --
  • 14:02 - 14:04
    conseguimos coletar lodo.
  • 14:04 - 14:06
    E aqui está.
  • 14:06 - 14:09
    Olhe para esse adorável lodo preto de tubarão.
  • 14:09 - 14:12
    E em cerca de meia hora,
  • 14:12 - 14:15
    conseguimos cinco amostras, coletamos amostras dos
  • 14:15 - 14:18
    cinco tubarões usando o sistema de coleta de lodo de tubarão do Simon.
  • 14:18 - 14:20
    (Risadas)
  • 14:20 - 14:25
    (Aplausos)
  • 14:25 - 14:28
    Trabalho com baleias e golfinhos na Irlanda há 20 anos,
  • 14:28 - 14:30
    e eles são um pouco mais dramáticos.
  • 14:30 - 14:32
    Você provavelmente viu a filmagem da baleia-corcunda
  • 14:32 - 14:34
    que tiramos, um mês ou dois atrás, lá em County Wexford.
  • 14:34 - 14:37
    E você sempre pensa que deveria ter algum legado para deixar no mundo.
  • 14:37 - 14:39
    E eu estava pensando em baleias-corcunda saltando na água
  • 14:39 - 14:41
    e golfinhos.
  • 14:41 - 14:43
    Mas, algumas vezes essas coisas são enviadas a você
  • 14:43 - 14:45
    e você tem apenas que pegá-las quando elas chegam.
  • 14:45 - 14:47
    Assim este vai possivelmente ser meu legado --
  • 14:47 - 14:49
    o lodo de tubarão do Simon.
  • 14:49 - 14:51
    Conseguimos mais fundos este ano
  • 14:51 - 14:54
    para continuar coletando mais e mais amostras.
  • 14:54 - 14:56
    E uma coisa que é muito útil
  • 14:56 - 14:59
    é que usamos câmeras fixadas em hastes -- esta é minha colega Joanne com a câmera --
  • 14:59 - 15:01
    com a qual você pode olhar debaixo do tubarão.
  • 15:01 - 15:04
    E o que estamos tentando ver é que os machos têm 'claspers',
  • 15:04 - 15:07
    que pendem atrás das costas do tubarão.
  • 15:07 - 15:09
    Então você pode muito facilmente dizer o sexo do tubarão.
  • 15:09 - 15:11
    Se podemos determinar o sexo do tubarão
  • 15:11 - 15:13
    antes de tirarmos uma amostra dele,
  • 15:13 - 15:16
    podemos dizer aos geneticistas se foi tirada de um macho ou fêmea.
  • 15:16 - 15:18
    Porque no momento, eles não têm meios
  • 15:18 - 15:20
    de determinar a diferença genética entre um macho e uma fêmea,
  • 15:20 - 15:22
    o que achei absolutamente espantoso,
  • 15:22 - 15:25
    porque não sabem quais segmentos de DNA devem procurar.
  • 15:25 - 15:27
    Ser capaz de identificar o sexo de um tubarão
  • 15:27 - 15:29
    tornou-se muito importante
  • 15:29 - 15:32
    para coisas como fiscalização do comércio
  • 15:32 - 15:36
    para tubarões-frade e outras espécies, nas sociedades,
  • 15:36 - 15:38
    porque é ilegal comercializar qualquer tubarão.
  • 15:38 - 15:40
    E eles são apanhados e estão no mercado.
  • 15:40 - 15:42
    Como um biólogo de campo,
  • 15:42 - 15:44
    você quer apenas ter encontros com esses animais.
  • 15:44 - 15:46
    Você quer aprender o máximo possível.
  • 15:46 - 15:49
    Frequentemente eles são muito breves e muito limitados pela sazonalidade.
  • 15:49 - 15:52
    E você só quer aprender tanto quanto pode, tão rápido quanto pode.
  • 15:52 - 15:54
    Mas não é fantástico
  • 15:54 - 15:57
    que você possa então oferecer essas amostras
  • 15:57 - 16:00
    e oportunidades a outras disciplinas, como os geneticistas,
  • 16:00 - 16:03
    que podem ganhar tanto com isso?
  • 16:03 - 16:05
    Assim, como eu disse,
  • 16:05 - 16:08
    essas coisas são enviadas a você de forma estranhas. Agarre-as enquanto pode.
  • 16:08 - 16:10
    Pegarei essa como meu legado científico.
  • 16:10 - 16:13
    Com sorte posso ter algo um pouco mais dramático e romântico antes de morrer.
  • 16:13 - 16:16
    Mas por enquanto, obrigado por isso.
  • 16:16 - 16:18
    E fique de olho nos tubarões.
  • 16:18 - 16:21
    Se tiver mais interesse, temos um website do tubarão-frade.
  • 16:21 - 16:24
    Obrigado e obrigado pela sua atenção.
  • 16:24 - 16:26
    (Aplausos)
Title:
Simon Berrow: Como salvar um tubarão do qual você nada sabe?
Speaker:
Simon Berrow
Description:

Eles são o segundo maior peixe do mundo, estão quase extintos, e sabemos quase nada sobre eles. Em TEDxDublin, Simon Berrow descreve o fascinante tubarão-frade ("Grande Peixe do Sol" para irlandeses), e as formas excepcionais -- e de maravilhosa baixa tecnologia -- com as quais está aprendendo o bastante para salvá-los.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
16:26
Isabel Villan added a translation

Portuguese, Brazilian subtitles

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