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← O que causa os ataques de pânico, e como podemos evitá-los? — Cindy J. Aaronson

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Showing Revision 7 created 10/13/2020 by Margarida Ferreira.

  1. O corpo transforma-se
    num verdadeiro espartilho.
  2. O passado, o presente e o futuro
    existem como uma força única.
  3. Um movimento de vaivém sem gravidade
    atinge uma altura assustadora.
  4. Os contornos das pessoas
    e das coisas dissolvem-se.
  5. Inúmeros poetas e escritores
    tentaram expressar por palavras
  6. a experiência de ter um ataque de pânico
  7. — uma sensação tão esmagadora
  8. que muitas pessoas a confundem
    com um ataque de coração, um AVC
  9. ou outras crises potencialmente fatais.
  10. Embora os ataques de pânico
    não causem danos físicos a longo prazo,
  11. o medo subsequente de ter outro ataque
    pode limitar o dia-a-dia da pessoa
  12. e provocar mais ataques de pânico.
  13. Os estudos sugerem
    que quase um terço das pessoas
  14. passará por um ataque de pânico,
    pelo menos, ao longo da sua vida.
  15. Quer seja o primeiro
    ou o centésimo ataque,
  16. ou estejamos a ver
    outra pessoa a passar por um,
  17. ninguém quer repetir a experiência.
  18. Até mesmo aprender sobre o assunto
    pode ser desconfortável,
  19. mas é necessário,
  20. porque o primeiro passo para evitar
    ataques de pânico é compreendê-los.
  21. Na sua essência, o ataque de pânico
    é uma reação extrema
  22. à resposta fisiológica normal do corpo
    à perceção de perigo.
  23. Esta resposta tem início na amígdala,
  24. a região do cérebro que está envolvida
    no processamento do medo.
  25. Quando a amígdala deteta um perigo,
  26. estimula o sistema nervoso simpático,
  27. que desencadeia
    a libertação de adrenalina.
  28. A adrenalina instiga um aumento
    da frequência cardíaca e da respiração
  29. para levar sangue e oxigénio
    aos músculos dos braços e das pernas.
  30. Também envia mais oxigénio para o cérebro,
    deixando-o mais alerta e reativo.
  31. Durante um ataque de pânico,
  32. esta resposta é exacerbada
  33. muito para além do que seria útil
    numa situação de perigo,
  34. provocando aceleração cardíaca,
    respiração ofegante ou hiperventilação.
  35. As alterações no fluxo sanguíneo
    provocam tonturas
  36. e dormência nas mãos e nos pés.
  37. Geralmente, um ataque de pânico
    atinge o pico no espaço de dez minutos.
  38. Depois, o córtex pré-frontal
    assume o controlo a partir da amígdala
  39. e estimula o sistema nervoso
    parassimpático.
  40. Isto desencadeia a libertação
    de uma hormona chamada acetilcolina,
  41. que reduz a frequência cardíaca
  42. e faz o ataque de pânico
    esmorecer gradualmente.
  43. Num ataque de pânico,
    a perceção que o corpo tem do perigo
  44. é o suficiente para desencadear a reação
    que teríamos a uma ameaça real
  45. — e a muito mais.
  46. Não se sabe ao certo
    porque é que isto acontece,
  47. mas, por vezes,
    certos estímulos do ambiente
  48. que nos lembrem experiências
    traumáticas do passado
  49. podem desencadear ataques de pânico.
  50. Estes ataques podem fazer parte
    de perturbações de ansiedade,
  51. como a PSPT, a fobia social,
  52. a perturbação obsessiva-compulsiva
  53. e a perturbação de ansiedade generalizada.
  54. Os ataques de pânico recorrentes,
  55. a preocupação frequente
    com a possibilidade de ter novos ataques
  56. e as mudanças comportamentais
    destinadas a evitá-los
  57. podem levar ao diagnóstico
    de uma perturbação de pânico.
  58. Os dois principais tratamentos
    para a perturbação de pânico
  59. são a medicação antidepressiva
  60. e a terapia cognitivo-comportamental
    ou TCC.
  61. Ambas têm uma taxa de resposta
    de cerca de 40%,
  62. embora um paciente
    que responda bem a um tratamento
  63. possa não responder bem ao outro.
  64. Contudo, a medicação antidepressiva
    acarreta alguns efeitos secundários,
  65. e 50% das pessoas tem uma recaída
    quando deixa de a tomar.
  66. Entretanto, a TCC tem um efeito
    mais duradouro,
  67. com uma taxa de recaída de apenas 20%.
  68. O objetivo do tratamento
    das perturbações de ansiedade com TCC
  69. é ajudar as pessoas a aprender
    e a pôr em prática ferramentas concretas
  70. para exercer um controlo físico
    e, por sua vez, mental
  71. sobre as sensações e pensamentos
    que estão associados ao ataque de pânico.
  72. A TCC começa por explicar as causas
    fisiológicas de um ataque de pânico,
  73. a que se seguem exercícios
    musculares e respiratórios
  74. desenvolvidos para ajudar as pessoas
  75. a controlar os padrões respiratórios
    de forma consciente.
  76. Segue-se a restruturação cognitiva,
  77. que envolve identificar
    e mudar os pensamentos
  78. que são comuns durante os ataques,
  79. tais como acreditar
    que vamos deixar de respirar,
  80. que teremos um ataque de coração
    ou morreremos,
  81. e substituí-los por pensamentos
    mais corretos.
  82. A etapa seguinte do tratamento
  83. consiste na exposição às situações
    e sensações corporais
  84. que, normalmente, desencadeiam
    um ataque de pânico.
  85. O objetivo é mudar a crença,
    através da experiência,
  86. de que estas sensações
    e situações são perigosas.
  87. Mesmo depois da TCC,
  88. não é fácil seguir estes passos
    em pleno ataque.
  89. Mas, com a prática, estas ferramentas
    podem evitar e abrandar os ataques
  90. e, finalmente, reduzir o domínio do pânico
    sobre a vida de uma pessoa.
  91. Fora da terapia formal,
  92. muitos pacientes encontram alívio
  93. nas mesmas crenças
    que a TCC pretende instilar:
  94. que o medo não pode nos magoar,
  95. mas que, se nos agarrarmos a este,
    isso fará o pânico disparar.
  96. Mesmo que nunca tenham tido
    ataques de pânico,
  97. compreendê-los vai ajudar-vos
    a identificá-los
  98. — em vocês ou nos outros —
  99. e reconhecer o ataque de pânico
    é o primeiro passo para os evitar.