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← Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história

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Showing Revision 3 created 12/13/2016 by Gustavo Rocha.

  1. Eu sou uma contadora de histórias

  2. e gostaria de contar a vocês algumas histórias pessoais
  3. sobre o que eu gosto de chamar "o perigo de uma história única."
  4. Eu cresci num campus universitário no leste da Nigéria.
  5. Minha mãe diz que eu comecei a ler com 2 anos,
  6. mas eu acho que 4 é provavelmente mais próximo da verdade.
  7. Então, eu fui uma leitora precoce. E o que eu lia
  8. eram livros infantis britânicos e americanos.
  9. Eu fui também uma escritora precoce.

  10. E quando comecei a escrever, por volta dos 7 anos,
  11. histórias com ilustrações em giz de cera,
  12. que minha pobre mãe era obrigada a ler,
  13. eu escrevia exatamente os tipos de histórias que eu lia.
  14. Todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis.
  15. Eles brincavam na neve.
  16. Comiam maçãs.
  17. (Risos)
  18. E eles falavam muito sobre o tempo,
  19. em como era maravilhoso o sol ter aparecido.
  20. (Risos)
  21. Agora, apesar do fato que eu morava na Nigéria.
  22. Eu nunca havia estado fora da Nigéria.
  23. Nós não tínhamos neve, nós comíamos mangas.
  24. E nós nunca falávamos sobre o tempo
  25. porque não era necessário.
  26. Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre

  27. porque as personagens dos livros britânicos que eu lia
  28. bebiam cerveja de gengibre.
  29. Não importava que eu não tinha a mínima ideia do que era cerveja de gengibre.
  30. (Risos)
  31. E por muitos anos depois, eu desejei desesperadamente
  32. experimentar cerveja de gengibre.
  33. Mas isso é uma outra história.
  34. A meu ver, o que isso demonstra

  35. é como nós somos impressionáveis e vulneráveis
  36. face a uma história,
  37. principalmente quando somos crianças.
  38. Porque tudo que eu havia lido eram livros
  39. nos quais as personagens eram estrangeiras,
  40. eu convenci-me de que os livros,
  41. por sua própria natureza, tinham que ter estrangeiros
  42. e tinham que ser sobre coisas com as quais
  43. eu não podia me identificar.
  44. Bem, as coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos.
  45. Não havia muitos disponíveis e eles não eram
  46. tão fáceis de encontrar quanto os livros estrangeiros,
  47. mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye

  48. eu passei por uma mudança mental em minha percepção
  49. da literatura.
  50. Eu percebi que pessoas como eu,
  51. meninas com a pele da cor de chocolate,
  52. cujos cabelos crespos não poderiam formar rabos-de-cavalo,
  53. também podiam existir na literatura.
  54. Eu comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia.
  55. Bem, eu amava aqueles livros americanos e britânicos que eu lia.

  56. Eles mexiam com a minha imaginação, me abriam novos mundos.
  57. Mas a consequência inesperada
  58. foi que eu não sabia que pessoas como eu
  59. podiam existir na literatura.
  60. Então o que a descoberta dos escritores africanos fez por mim foi:
  61. salvou-me de ter uma única história
  62. sobre o que os livros são.
  63. Eu venho de uma família nigeriana convencional, de classe média.

  64. Meu pai era professor.
  65. Minha mãe, administradora.
  66. Então nós tínhamos, como era normal,
  67. empregada doméstica, que frequentemente vinha das aldeias rurais próximas.
  68. Então, quando eu fiz 8 anos, arranjamos um novo menino para a casa.
  69. Seu nome era Fide.
  70. A única coisa que minha mãe nos disse sobre ele
  71. foi que sua família era muito pobre.
  72. Minha mãe enviava inhames, arroz
  73. e nossas roupas usadas para sua família.
  74. E quando eu não comia tudo no jantar, minha mãe dizia:
  75. "Termine sua comida! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não tem nada?"
  76. Então eu sentia uma enorme pena da família de Fide.
  77. Então, um sábado, nós fomos visitar a sua aldeia

  78. e sua mãe nos mostrou um cesto com um padrão lindo,
  79. feito de ráfia seca por seu irmão.
  80. Eu fiquei atônita!
  81. Nunca havia pensado que alguém em sua família
  82. pudesse realmente criar alguma coisa.
  83. Tudo que eu tinha ouvido sobre eles era como eram pobres,
  84. assim havia se tornado impossível pra mim vê-los
  85. como alguma coisa além de pobres.
  86. Sua pobreza era minha história única sobre eles.
  87. Anos mais tarde, pensei nisso quando deixei a Nigéria

  88. para cursar universidade nos Estados Unidos.
  89. I tinha 19 anos.
  90. Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo.
  91. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem
  92. e ficou confusa quando eu disse que,
  93. por acaso, a Nigéria tinha o inglês como sua língua oficial.
  94. Ela perguntou se podia ouvir o que ela chamou de minha "música tribal"
  95. e, consequentemente, ficou muito desapontada
  96. quando eu toquei minha fita da Mariah Carey.
  97. (Risos)
  98. Ela presumiu que eu não sabia como
  99. usar um fogão.
  100. O que me impressionou foi que: ela sentiu pena de mim

  101. antes mesmo de ter me visto.
  102. Sua posição padrão para comigo, como uma africana,
  103. era um tipo de arrogância bem intencionada, piedade.
  104. Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África.
  105. Uma única história de catástrofe.
  106. Nessa única história não havia possibilidade
  107. de os africanos serem iguais a ela, de jeito nenhum.
  108. Nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos do que piedade.
  109. Nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais.
  110. Eu devo dizer que antes de ir para os Estados Unidos, eu não

  111. me identificava, conscientemente, como uma africana.
  112. Mas nos EUA, sempre que o tema África surgia, as pessoas recorriam a mim.
  113. Não importava que eu não sabia nada sobre lugares como a Namíbia.
  114. Mas eu acabei por abraçar essa nova identidade.
  115. E, de muitas maneiras, agora eu penso em mim mesma como uma africana.
  116. Entretanto, ainda fico um pouco irritada quando
  117. referem-se à África como um país.
  118. O exemplo mais recente foi meu maravilhoso voo
  119. dos Lagos 2 dias atrás, não fosse
  120. um anúncio de um voo da Virgin
  121. sobre o trabalho de caridade na "Índia, África e outros países."
  122. (Risos)
  123. Então, após ter passado vários anos nos EUA como uma africana,

  124. eu comecei a entender a reação de minha colega para comigo.
  125. Se eu não tivesse crescido na Nigéria e se tudo que eu conhecesse sobre a África
  126. viesse das imagens populares,
  127. eu também pensaria que a África era um lugar de
  128. lindas paisagens, lindos animais
  129. e pessoas incompreensíveis,
  130. lutando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e AIDS,
  131. incapazes de falar por eles mesmos,
  132. e esperando serem salvos
  133. por um estrangeiro branco e gentil.
  134. Eu veria os africanos do mesmo jeito que eu,
  135. quando criança, havia visto a família de Fide.
  136. Eu acho que essa única história da África vem da literatura ocidental.

  137. Então, aqui temos uma citação de
  138. um mercador londrino chamado John Lok,
  139. que navegou até o oeste da África em 1561
  140. e manteve um fascinante relato de sua viagem.
  141. Após referir-se aos negros africanos
  142. como "bestas que não tem casas",
  143. ele escreve: "Eles também são pessoas sem cabeças,
  144. que têm sua boca e olhos em seus seios."
  145. Eu rio toda vez que leio isso,

  146. e alguém deve admirar a imaginação de John Lok.
  147. Mas o que é importante sobre sua escrita é que
  148. ela representa o início
  149. de uma tradição de contar histórias africanas no Ocidente.
  150. Uma tradição da África subsaariana como um lugar negativo,
  151. de diferenças, de escuridão,
  152. de pessoas que, nas palavras do maravilhoso poeta,
  153. Rudyard Kipling,
  154. são "metade demônio, metade criança".
  155. E então eu comecei a perceber que minha colega de quarto americana

  156. deve ter, por toda sua vida,
  157. visto e ouvido diferentes versões
  158. de uma única história.
  159. Como um professor,
  160. que uma vez me disse que meu romance não era "autenticamente africano".
  161. Bem, eu estava completamente disposta a afirmar que havia uma série de coisas
  162. erradas com o romance,
  163. que ele havia falhado em vários lugares.
  164. Mas eu nunca teria imaginado que ele havia falhado
  165. em alcançar alguma coisa chamada autenticidade africana.
  166. Na verdade, eu não sabia o que
  167. era "autenticidade africana".
  168. O professor me disse que minhas personagens
  169. pareciam-se muito com ele,
  170. um homem educado de classe média.
  171. Minhas personagens dirigiam carros,
  172. elas não estavam famintas.
  173. Por isso elas não eram autenticamente africanos.
  174. Mas eu devo rapidamente acrescentar que eu também sou culpada

  175. na questão da única história.
  176. Alguns anos atrás, eu visitei o México saindo dos EUA.
  177. O clima político nos EUA àquela época era tenso.
  178. E havia debates sobre imigração.
  179. E, como frequentemente acontece na América,
  180. imigração tornou-se sinônimo de mexicanos.
  181. Havia histórias infindáveis de mexicanos
  182. como pessoas que estavam
  183. espoliando o sistema de saúde,
  184. passando às escondidas pela fronteira,
  185. sendo presos na fronteira, esse tipo de coisa.
  186. Eu me lembro de andar no meu primeiro dia por Guadalajara,

  187. vendo as pessoas indo trabalhar,
  188. enrolando tortilhas no supermercado,
  189. fumando, rindo.
  190. Eu me lembro que meu primeiro sentimento foi surpesa.
  191. E então eu fiquei oprimida pela vergonha.
  192. Eu percebi que eu havia estado tão imersa
  193. na cobertura da mída sobre os mexicanos
  194. que eles haviam se tornado uma coisa em minha mente:
  195. o imigrante abjeto.
  196. Eu tinha assimilado a única história sobre os mexicanos
  197. e eu não podia estar mais envergonhada de mim mesma.
  198. Então, é assim que se cria umaúnica história:
  199. mostre um povo como uma coisa,
  200. como somente uma coisa,
  201. repetidamente,
  202. e será o que eles se tornarão.
  203. É impossível falar sobre única história

  204. sem falar sobre poder.
  205. Há uma palavra, uma palavra da tribo Igbo,
  206. que eu lembro sempre que penso sobre
  207. as estruturas de poder do mundo, e a palavra é "nkali".
  208. É um substantivo que livremente se traduz:
  209. "ser maior do que o outro."
  210. Como nossos mundos econômico e político,
  211. histórias também são definidas
  212. pelo princípio do "nkali".
  213. Como são contadas, quem as conta,
  214. quando e quantas histórias são contadas,
  215. tudo realmente depende do poder.
  216. Poder é a habilidade de não só contar a história de uma outra pessoa,

  217. mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa.
  218. O poeta palestino Mourid Barghouti escreve
  219. que se você quer destituir uma pessoa,
  220. o jeito mais simples é contar sua história,
  221. e começar com "em segundo lugar".
  222. Comece uma história com as flechas dos nativos americanos,
  223. e não com a chegada dos britânicos,
  224. e você tem uma história totalmente diferente.
  225. Comece a história com
  226. o fracasso do estado africano
  227. e não com a criação colonial do estado africano
  228. e você tem uma história totalmente diferente.
  229. Recentemente, eu palestrei numa universidade onde

  230. um estudante disse-me que era
  231. uma vergonha
  232. que homens nigerianos fossem agressores físicos
  233. como a personagem do pai no meu romance.
  234. Eu disse a ele que eu havia terminado de ler um romance
  235. chamado "Psicopata Americano" -
  236. (Risos)
  237. - e que era uma grande pena
  238. que jovens americanos fossem assassinos em série.
  239. (Risos)
  240. (Aplausos)
  241. É óbvio que eu disse isso num leve ataque de irritação.
  242. (Risos)
  243. Nunca havia me ocorrido pensar

  244. que só porque eu havia lido um romance
  245. no qual uma personagem era um assassino em série,
  246. que isso era, de alguma forma, representativo
  247. de todos os americanos.
  248. E agora, isso não é porque eu sou uma pessoa melhor do que aquele estudante,
  249. mas, devido ao poder cultural e econômico da América,
  250. eu tinha muitas histórias sobre a América.
  251. Eu havia lido Tyler, Updike, Steinbeck e Gaitskill.
  252. Eu não tinha uma única história sobre a América.
  253. Quando eu soube, alguns anos atrás, que escritores deveriam

  254. ter tido infâncias realmente infelizes
  255. para ter sucesso,
  256. eu comecei a pensar sobre como eu poderia inventar
  257. coisas horríveis que meus pais teriam feito comigo.
  258. (Risos)
  259. Mas a verdade é que eu tive uma infância muito feliz,
  260. cheia de risos e amor, em uma família muito unida.
  261. Mas também tive avós que morreram em campos de refugiados.

  262. Meu primo Polle morreu porque não teve assistência médica adequada.
  263. Um dos meus amigos mais próximos, Okoloma, morreu num acidente aéreo
  264. porque nossos caminhões de bombeiros não tinham água.
  265. Eu cresci sob governos militares repressivos
  266. que desvalorizavam a educação,
  267. então, por vezes, meus pais não recebiam seus salários.
  268. E então, ainda criança, eu vi a geleia desaparecer do café-da-manhã,
  269. depois a margarina desapareceu,
  270. depois o pão tornou-se muito caro,
  271. depois o leite ficou racionado.
  272. E acima de tudo, um tipo de medo político normalizado
  273. invadiu nossas vidas.
  274. Todas essas histórias fazem-me quem eu sou.

  275. Mas insistir somente nessas histórias negativas
  276. é superficializar minha experiência
  277. e negligenciar as muitas outras histórias
  278. que formaram-me.
  279. A única história cria estereótipos.
  280. E o problema com estereótipos
  281. não é que eles sejam mentira,
  282. mas que eles sejam incompletos.
  283. Eles fazem um história tornar-se a única história.
  284. Claro, África é um continente repleto de catástrofes.

  285. Há as enormes, como as terríveis violações no Congo.
  286. E há as depressivas, como o fato de
  287. 5.000 pessoas candidatarem-se a uma vaga de emprego na Nigéria.
  288. Mas há outras histórias que não são sobre catástrofes.
  289. E é muito importante, é igualmente importante, falar sobre elas.
  290. Eu sempre achei que era impossível

  291. relacionar-me adequadamente com um lugar ou uma pessoa
  292. sem relacionar-me com todas as histórias daquele lugar ou pessoa.
  293. A consequência de uma única história
  294. é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade.
  295. Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil.
  296. Enfatiza como nós somos diferentes
  297. ao invés de como somos semelhantes.
  298. E se antes de minha viagem ao México

  299. eu tivesse acompanhado os debates sobre imigração de ambos os lados,
  300. dos Estados Unidos e do México?
  301. E se minha mãe nos tivesse contado que a família de Fide era pobre
  302. E trabalhadora?
  303. E se nós tivéssemos uma rede televisiva africana
  304. que transmitisse diversas histórias africanas para todo o mundo?
  305. O que o escritor nigeriano Chinua Achebe chama
  306. "um equilíbrio de histórias."
  307. E se minha colega de quarto soubesse do meu editor nigeriano,

  308. Mukta Bakaray,
  309. um homem notável que deixou seu trabalho em um banco
  310. para seguir seu sonho e começar uma editora?
  311. Bem, a sabedoria popular era que nigerianos não gostam de literatura.
  312. Ele discordava. Ele sentiu
  313. que pessoas que podiam ler, leriam
  314. se a literatura se tornasse acessível e disponível para eles.
  315. Logo após ele publicar meu primeiro romance,

  316. eu fui a uma estação de TV em Lagos para uma entrevista.
  317. E uma mulher que trabalhava lá como mensageira veio a mim e disse:
  318. "Eu realmente gostei do seu romance, mas não gostei do final.
  319. Agora você tem que escrever uma sequência, e isso é o que vai acontecer..."
  320. (Risos)
  321. E continuou a me dizer o que escrever na sequência.
  322. Agora eu não estava apenas encantada, eu estava comovida.
  323. Ali estava uma mulher, parte das massas comuns de nigerianos,
  324. que não se supunham ser leitores.
  325. Ela não tinha só lido o livro, mas ela havia se apossado dele
  326. e sentia-se no direito de me dizer
  327. o que escrever na sequência.
  328. Agora, e se minha colega de quarto soubesse de minha amiga Fumi Onda,

  329. uma mulher destemida que apresenta um show de TV em Lagos,
  330. e que está determinada a contar as histórias que nós preferimos esquecer?
  331. E se minha colega de quarto soubesse sobre a cirurgia cardíaca
  332. que foi realizada no hospital de Lagos na semana passada?
  333. E se minha colega de quarto soubesse sobre a música nigeriana contemporânea?
  334. Pessoas talentosas cantando em inglês e Pidgin,
  335. e Igbo e Yoruba e Ijo,
  336. misturando influências de Jay-Z a Fela,
  337. de Bob Marley a seus avós.
  338. E se minha colega de quarto soubesse sobre a advogada
  339. que recentemente foi ao tribunal na Nigéria
  340. para desafiar uma lei ridícula
  341. que exigia que as mulheres tivessem o consentimento de seus maridos
  342. antes de renovarem seus passaportes?
  343. E se minha colega de quarto soubesse sobre Nollywood,
  344. cheia de pessoas inovadoras fazendo filmes apesar de grandes questões técnicas?
  345. Filmes tão populares
  346. que são realmente os melhores exemplos
  347. de que nigerianos consomem o que produzem.
  348. E se minha colega de quarto soubesse da minha maravilhosamente ambiciosa trançadora de cabelos,
  349. que acabou de começar seu próprio negócio de vendas de extensões de cabelos?
  350. Ou sobre os milhões de outros nigerianos
  351. que começam negócios e às vezes fracassam,
  352. mas continuam a fomentar ambição?
  353. Toda vez que estou em casa, sou confrontada com

  354. as fontes comuns de irritação da maioria dos nigerianos:
  355. nossa infraestrutura fracassada, nosso governo falho.
  356. Mas também pela incrível resistência do povo que
  357. prospera apesar do governo,
  358. ao invés de devido a ele.
  359. Eu ensino em workshops de escrita em Lagos todo verão.
  360. E é extraordinário pra mim ver quantas pessoas se inscrevem,
  361. quantas pessoas estão ansiosas por escrever,
  362. por contar histórias.
  363. Meu editor nigeriano e eu começamos uma ONG

  364. chamada Farafina Trust.
  365. E nós temos grandes sonhos de construir bibliotecas
  366. e recuperar bibliotecas que já existem
  367. e fornecer livros para escolas estaduais
  368. que não tem nada em suas bibliotecas,
  369. e também organizar muitos e muitos workshops,
  370. de leitura e escrita
  371. para todas as pessoas que estão ansiosas para contar nossas muitas histórias.
  372. Histórias importam.
  373. Muitas histórias importam.
  374. Histórias tem sido usadas para expropriar e tornar malígno.
  375. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar.
  376. Histórias podem destruir a dignidade de um povo,
  377. mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida.
  378. A escritora americana Alice Walker escreveu isso

  379. sobre seus parentes do sul
  380. que haviam se mudado para o norte.
  381. Ela os apresentou a um livro sobre
  382. a vida sulista que eles tinham deixado para trás.
  383. "Eles sentaram-se em volta, lendo o livro por si próprios,
  384. ouvindo-me ler o livro e um tipo de paraíso foi reconquistado."
  385. Eu gostaria de finalizar com esse pensamento:
  386. Quando nós rejeitamos uma única história,
  387. quando percebemos que nunca há apenas uma história
  388. sobre nenhum lugar,
  389. nós reconquistamos um tipo de paraíso.
  390. Obrigada.
  391. (Aplausos)