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← Um apelo pessoal por humanidade na fronteira EUA-México

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Showing Revision 23 created 11/18/2019 by Custodio Marcelino.

  1. Isto é algo pessoal.
  2. Sei como é ter o governo dizendo:
  3. "Vamos matar você de manhã".
  4. Sei como é deixar um país com aviso
    de apenas seis horas de antecedência
  5. e pousar no sofá de alguém.
  6. Por isso, escrevi um livro
  7. sobre por que os países
    prosperam e por que não.
  8. Vou resumir 250 páginas.
  9. Os países precisam ter compaixão,

  10. ser gentis,
  11. inteligentes e corajosos.
  12. Querem saber o que não funciona?
  13. Quando se governa pelo medo
    e pela crueldade,
  14. simplesmente não funciona.
  15. Podemos brincar de Genghis Khan,
  16. de Stalin
  17. e de Pinochet por algum tempo.
  18. Não funciona a longo prazo.
  19. Não funciona a longo prazo

  20. porque, para governar
    pelo medo e pela crueldade,
  21. é preciso criar uma divisão.
  22. É preciso pegar grandes pedaços
    do país e convencê-los
  23. de que não são como eles,
  24. de que não devem se associar a eles,
    nem falar com eles,
  25. de que essas pessoas são desagradáveis,
    criminosas e estupradoras,
  26. e de que o país está em perigo
    por causa delas.
  27. E, se gastarmos milhões de dólares
    fazendo isso em nosso país,
  28. faremos inimigos no exterior
  29. e criaremos divisões internamente.
  30. E isso tem consequências.
  31. Três quartos das bandeiras,
    das fronteiras e dos hinos

  32. nas Nações Unidas hoje,
  33. não estavam lá algumas décadas atrás.
  34. [Nós / Eles]
  35. As fronteiras que estão lá hoje,
  36. aquelas bandeiras foram criadas
    porque alguém disse:
  37. "os escoceses não são como nós",
  38. "os galeses não são como nós",
  39. "os bascos não são como nós",
  40. "os italianos do norte não são como nós",
  41. "os muçulmanos não são como nós",
  42. os negros, os brancos, os cristãos.
  43. Criamos o "nós contra eles"...
  44. destruímos nações.
  45. Parte do problema
    de criar o "nós contra eles"

  46. é que é difícil de fazer.
  47. Temos que fazer as pessoas
    acreditarem em absurdos.
  48. Quando as pessoas acreditam em absurdos,
  49. elas começam a cometer atrocidades.
  50. Essa é a dinâmica da coisa.
  51. Não podemos criar o "nós contra eles",
  52. não podemos ter os massacres
    que tivemos em Ruanda e na Iugoslávia
  53. a menos que criemos essa dinâmica.
  54. Vou resumir a política atual de imigração.

  55. Vamos deter "eles",
  56. sendo o mais cruel possível,
  57. e vamos ter como alvo os filhos deles.
  58. Estão indo atrás das crianças.
  59. Há advogados nos EUA que argumentam
    que as crianças não precisam
  60. de sabão, abraços, chuveiros,
  61. ajuda de adultos, nem data de libertação.
  62. Alguém é parado devido a uma luz
    traseira quebrada,
  63. aquele que trabalha aqui há 20 anos,
  64. é jogado na prisão,
  65. talvez para sempre,
  66. sem representação legal.
  67. Os terroristas que explodiram
    o World Trade Center conseguem advogados.
  68. Essas crianças,
  69. esses pais não conseguem advogados.
  70. Os governos estão dizendo
  71. a alguns dos mais desesperados
    e feridos do mundo:
  72. "Levei seu filho.
  73. Pague US$ 800 por um teste de DNA
    antes de tê-lo de volta".
  74. Crianças de três anos
    estão indo aos tribunais.
  75. Todos nós assistimos
    a esses dramas de tribunal.

  76. É emocionante,
  77. porque o juiz sábio fica lá em cima,
  78. o advogado de defesa ataca,
  79. e o promotor contra-ataca,
  80. e depois compreendemos
    como isso vai acontecer.
  81. Quero que entendam o que está
    acontecendo neste momento.
  82. [Crianças de três anos
    aparecem em tribunais]
  83. O promotor está lá, é o promotor durão,
  84. que acusa e ataca em nome do povo.
  85. O juiz está lá em cima, autoritário,
  86. com vestes negras,
  87. interrogando o réu
  88. lá de cima.
  89. E o réu tem três anos de idade,
  90. e os olhos dele não alcançam a mesa.
  91. O réu não fala o idioma.
  92. Os fones para ouvir o tradutor
    caem da cabeça do réu,
  93. pois não há fones de ouvido para crianças
    de três anos nos tribunais dos EUA,
  94. pois não se espera que elas próprias
    devam se defender.
  95. É uma gozação da justiça,
  96. do sistema de acusação,
  97. de quem somos como nação.
  98. São absurdos.

  99. São atrocidades.
  100. É inacreditável.
  101. Analisamos várias estatísticas,
  102. mas quero que vocês entendam
  103. que isso está acontecendo
    com a babá que criou seus filhos.
  104. Isso está acontecendo
    com o jardineiro que cuidou da sua casa.
  105. Isso está acontecendo
    com o cara que lavou a louça
  106. no restaurante chique
    aonde vocês foram na semana passada.
  107. Isso está acontecendo com as pessoas
    que entregam o jornal pela manhã.
  108. Essa é a sua comunidade,
  109. essas são as pessoas que viveram
    lado a lado com vocês,
  110. que trataram vocês bem e com respeito,
  111. que cuidaram de seus filhos e avós.
  112. Esse é o Luis, essa é a Laura,
  113. esse é o Jaime.
  114. Isso não é algo abstrato:
  115. "Ah, está acontecendo na fronteira".
  116. Isso está acontecendo
    em nossa comunidade, neste momento.
  117. O perigo disso é que, quando
    começamos a tornar normais

  118. absurdos e atrocidades,
  119. as pessoas acham que esses
    instrumentos são legítimos.
  120. Há diretorias de escolas
    que enviam cartas como esta:
  121. "Prezados pais,
  122. como seu filho deve o dinheiro
    do almoço na lanchonete,
  123. ele poderá ser levado
    e colocado em um lar adotivo".
  124. Isso vem de diretorias de escolas
  125. pois as pessoas pensam:
  126. "Bem, isso parece ser
    um instrumento de dissuasão".
  127. Quando embarcamos em um avião,

  128. antes das crianças e da primeira classe,
  129. embarcam soldados de uniforme.
  130. Alguns deles são imigrantes.
  131. Eis um contrato: ingresse no exército,
  132. cumpra seu período,
    seja dispensado com honras,
  133. obtenha cidadania.
  134. Estamos rescindindo esses contratos
    depois de serem assinados.
  135. E, se esses soldados são mortos em ação,
  136. estamos deportando as esposas
    e, às vezes, os filhos deles.
  137. São essas pessoas que nos protegem.
  138. São essas pessoas que honramos.
  139. São as corajosas.
  140. E é assim que as tratamos.
  141. Não são elas que cruzam
    a fronteira ilegalmente.
  142. Quando começamos a permitir
    esse tipo de comportamento,

  143. ele se torna normal
    em uma sociedade e a destrói.
  144. Países são construídos com trabalho árduo
    e garra de imigrantes.
  145. Somos todos imigrantes.
  146. Só chegamos em épocas diferentes.
  147. Cinquenta e cinco por cento
    das principais empresas deste país,

  148. das empresas mais bem-sucedidas
    do país, os "unicórnios",
  149. são criadas por pessoas que vieram
    como alunos estrangeiros ou imigrantes,
  150. e são os fundadores ou os cofundadores.
  151. Eis o que aconteceu nos últimos três anos
  152. com as melhores mentes do mundo:
  153. 42% delas não conseguiram vistos
    ou escolheram não tirá-los.
  154. É assim que se destrói uma economia.
  155. Não se trata de crianças, nem fronteiras.

  156. Trata-se de nós.
  157. Trata-se de quem somos,
    quem nós, o povo, somos,
  158. como nação e como indivíduos.
  159. Essa não é uma discussão abstrata.
  160. Muitos de nós gostamos de pensar

  161. que, se voltássemos ao tempo
    em que Hitler ascendia ao poder,
  162. estaríamos nas ruas,
  163. teríamos nos oposto a ele,
    teríamos impedido Mengele.
  164. Muitos de nós gostamos de pensar
  165. que, se estivéssemos lá, nos anos 1960,
    estaríamos com os Viajantes da Liberdade.
  166. Estaríamos naquela ponte em Selma.
  167. Sabem de uma coisa?
  168. Esta é a nossa chance.
  169. É agora.
  170. Enquanto pensamos nisso,

  171. não se trata apenas dos atos gigantes,
    de ir bloquear a ponte,
  172. nem de se acorrentar a algo.
  173. Trata-se do que fazemos
    diariamente na vida.
  174. O Museu de Arte de Harvard
    acabou de abrir uma exposição
  175. sobre como artistas pensam na imigração
    e construção do lar em outro lugar.
  176. As pessoas saem dessa exposição
    e ficam bastante abaladas.
  177. Há uma parede em branco no final.
  178. E os curadores fizeram algo
    que não costuma acontecer:
  179. eles improvisaram.
  180. Desenharam quatro linhas
    e incluíram duas palavras:
  181. "Eu pertenço".
  182. Ao sair da exposição,
  183. é possível tirar uma foto
    diante da parede.
  184. Não consigo dizer o impacto
    causado nas pessoas.
  185. Observei as pessoas sairem de lá.
  186. Algumas delas sentavam-se
    em frente à parede,
  187. tiravam uma foto
    com um sorriso bem grande,
  188. e outras só choravam.
  189. Algumas se abraçavam e traziam estranhos,
  190. outras traziam a família.
  191. Atos pequenos de bondade
    percorrem um caminho muito longo.

  192. Há dor em nossa comunidade
    de um modo que não podemos acreditar.
  193. Da próxima vez que estiverem
    com um taxista, que pode ser um "deles",
  194. segundo certas pessoas,
  195. deem a essa pessoa US$ 5 a mais.
  196. Da próxima vez que virem
    uma camareira no hotel,
  197. agradeçam-na e deem gorjeta em dobro.
  198. Da próxima vez que virem seu jardineiro,
  199. sua babá,
  200. alguém assim,
  201. deem um grande abraço neles
    e digam que eles pertencem.
  202. Façam se sentirem parte disso.
  203. É hora de grandes políticas,
  204. mas também é hora
  205. de grandes atos de bondade.
  206. Porque temos que recuperar quem somos,
  207. temos que recuperar esta nação.
  208. E não podemos nos sentar lá

  209. e assistir a essa merda acontecendo.
  210. Isso tem que parar, tem que parar agora.

  211. Obrigado.

  212. (Aplausos)