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← Três passos para tornar reuniões vulgares em reuniões transformadoras

Por que razão algumas reuniões têm êxito e outras não? A autora Priya Parker partilha três passos simples para tornar as festas, jantares, reuniões e férias em reuniões transformadoras e com significado.

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Showing Revision 10 created 06/15/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Quando eu era uma criança,
  2. sexta-feira sim, sexta-feira não
  3. eu saía de casa da minha mãe
    e do meu padrasto
  4. — uma família indiana e britânica,
    ateia, budista,
  5. agnóstica, vegetariana,
    às vezes da Nova Era,
  6. uma família democrática.
  7. Fazia 2,6 quilómetros até à casa
    do meu pai e da minha madrasta
  8. e entrava numa família branca,
    cristã evangélica,
  9. conservadora, republicana,
  10. que ia à igreja duas vezes por semana,
  11. uma família que comia carne.
  12. Não é preciso um psicólogo para explicar
  13. porque é que acabei no campo
    da resolução de conflitos.
  14. (Risos)

  15. Quer facilitando diálogos
    em Charlottesville, Istambul ou Amedabade,

  16. o desafio era sempre o mesmo.
  17. Apesar de parecer impossível,
    com integridade,
  18. como é que se levam as pessoas
    a conectarem-se significativamente,
  19. a correrem riscos,
  20. a mudarem segundo as suas experiências?
  21. Eu testemunhava uma eletricidade
    extremamente bela naquelas salas.
  22. Depois, saía daquelas salas
  23. e ia a reuniões vulgares
    como toda a gente
  24. — um casamento, uma conferência,
    ou um piquenique de volta às aulas —
  25. e muitos deles eram um desastre.
  26. Havia um fosso de significado
  27. entre aqueles grupos de conflito
    de alta intensidade,
  28. e as minhas reuniões do quotidiano.
  29. Sim, uma festa de aniversário
  30. não vai estar ao nível
    de um diálogo sobre etnias,
  31. mas não era a isso que
    eu estava a responder.
  32. Enquanto dinamizadores,
  33. somos ensinados a pôr tudo de lado
  34. e a focarmo-nos na interação
    entre as pessoas,
  35. enquanto que os anfitriões comuns,
    concentram-se em fazer tudo bem
  36. — a comida, as flores, as facas de peixe —
  37. e deixam entregue ao destino
    a interação entre as pessoas.
  38. Então, comecei a refletir sobre como
    mudar as nossas reuniões do quotidiano
  39. para nos focarmos em criar um objetivo
    através da relação humana,

  40. e não numa obsessão por canapés.
  41. Planeei e entrevistei dúzias
    de anfitriões corajosos e notáveis
  42. — um treinador de hóquei olímpico,
    um coreógrafo do Cirque du Soleil,
  43. um rabino, um monitor de acampamentos —
  44. para perceber melhor o que
    cria reuniões significativas,
  45. e até transformadoras.
  46. Quero partilhar hoje convosco
    um pouco do que aprendi
  47. sobre as novas regras de uma reunião.
  48. Quando a maioria das pessoas
    planeia uma reunião,
  49. começam com um formato usual.

  50. Festa de aniversário? Bolo e velas.
  51. Reunião de administração?
  52. Uma mesa castanha, 12 homens brancos.
  53. (Risos)
  54. Assumindo que o propósito é óbvio,
    avançamos demasiado depressa para a forma.

  55. Isto não só leva a reuniões
    enfadonhas e repetitivas,

  56. como também deixa escapar
    uma oportunidade mais profunda
  57. de abordar as nossas necessidades.
  58. O primeiro passo para criar
    reuniões vulgares mais significativas,
  59. é adotar um objetivo
    específico e contestável.
  60. Uma mãe grávida que conheço,
    estava com medo da festa pré-natal.
  61. A ideia de jogos como
    "muda a fralda ao teu bebé"

  62. e abrir presentes, parecia-lhe
    estranho e irrelevante.
  63. Então, ela deteve-se e perguntou:
  64. "Qual é o objetivo de uma festa pré-natal?
  65. "O que é que eu preciso neste momento?"
  66. Percebeu que se tratava
    de enfrentar os seus medos
  67. os dela e os do marido
    — lembram-se dele? —
  68. na transição para serem pais.
  69. Então, pediu a duas amigas
    que criassem uma reunião baseada nisso.
  70. Assim, numa tarde de domingo,
    reuniram-se seis mulheres.
  71. Primeiro, para abordar o medo do parto
    — ela estava aterrorizada —
  72. elas contaram-lhe histórias da vida dela
  73. para lhe lembrar as características
    que ela já tinha
  74. — coragem, fascínio, fé, dedicação —
  75. que, segudo elas, também
    a iriam ajudar no parto.
  76. Enquanto falavam, fizeram um colar
    com uma conta por cada qualidade,
  77. que ela podia usar ao pescoço
    na sala de parto.
  78. Depois, entrou o marido
  79. e escreveram novos votos,
    votos de família, e leram em voz alta.

  80. Primeiro, comprometeram-se
    a manter o seu casamento central
  81. durante a transição para serem pais,
  82. mas também fizeram votos
    para o seu futuro filho,
  83. o que eles queriam transmitir
    de cada uma das suas famílias
  84. e o que terminaria nesta geração.
  85. Depois, vieram mais amigos,
    incluindo homens, para o jantar.
  86. Em vez de presentes, cada um trouxe
    uma memória favorita da sua infância
  87. para partilhar com todos.
  88. Podem estar a pensar
    que isto é muito para uma festa pré-natal,
  89. ou é um bocado estranho
    ou um bocado intimista.

  90. Ainda bem.
  91. É específico.
  92. É contestável.
  93. É específico para eles,
  94. assim com a vossa reunião
    deve ser específica para vocês.
  95. O passo seguinte para criar
    reuniões vulgares com mais significado
  96. é causar uma boa controvérsia.

  97. Podem ter aprendido, assim como eu,
  98. a nunca falar sobre sexo, política
    ou religião à mesa de jantar.
  99. É uma boa regra,
    pois preserva a harmonia
  100. pelo menos, é essa a intenção.
  101. Mas isso retira um ingrediente central
    de significado, que é o calor,
  102. a relevância apaixonada.
  103. As melhores reuniões aprendem
    a cultivar uma boa controvérsia,
  104. criando as condições para tal,
  105. porque as relações humanas
    são tão ameaçadas por uma paz doentia
  106. como por um conflito doentio.
  107. Uma vez, eu estava a trabalhar
    numa firma de arquitetura
  108. que estava numa encruzilhada crucial.
  109. Queriam continuar a ser
    uma firma de arquitetura
  110. e focarem-se na construção de edifícios?
  111. Ou mudar de rumo e passarem a ser
    uma nova firma de "design" da moda,
  112. concentrando-se para além
    da construção de espaços?
  113. Havia um desacordo genuíno na sala,
  114. mas não se percebia,
    pois ninguém estava a falar abertamente.
  115. Por isso, fomentámos
    uma boa controvérsia.
  116. Depois da pausa do almoço,
    os arquitetos voltaram
  117. e fomentámos um simulacro de luta livre.
  118. Eles entraram,
  119. colocámos um arquiteto num canto
    para representar a arquitetura,
  120. e outro para representar o "design".
  121. Pusemos toalhas brancas
    em torno dos pescoços,
  122. roubadas da casa de banho
    — desculpem —
  123. com música de "Rocky" a tocar num iPad,
  124. arranjámos um agente do tipo
    Don King para cada um
  125. para os espevitar e preparar
    com contra-argumentos,
  126. e depois, fizemos-los
    argumentar o melhor possível
  127. sobre cada visão futura.
  128. A norma da cortesia estava
    a bloquear o seu progresso.
  129. Então, fizemos com que
    todos os outros fisicamente,
  130. escolhessem um lado
    à frente dos seus colegas.
  131. Como puderam mostrar
    onde se posicionavam,
  132. saíram do impasse.
  133. A arquitetura venceu.
  134. Portanto, isto funcionou.
  135. Que tal um hipotético jantar
    de Ação de Graças tenso?

  136. Alguém?
  137. (Risos)
  138. Primeiro, perguntem qual é o objetivo.

  139. Do que precisa esta família este ano?

  140. Se querem fomentar uma reunião calorosa,
  141. tentem por uma noite banir
    opiniões e peçam histórias.
  142. Escolham um tema relacionado
    com o conflito subjacente.
  143. Mas, em vez de opiniões,
  144. peçam a todos que partilhem
    uma história da sua vida e experiência,
  145. que ninguém na mesa
    já tenha ouvido,
  146. sobre a diferença ou
    um sentido de pertença,
  147. ou um tempo em que tenham
    mudado de opinião,
  148. abrindo às pessoas
    um caminho entre elas
  149. sem deitar fogo à casa.
  150. Finalmente, para criar encontros vulgares
    com mais significado,
  151. criem um mundo alternativo temporário

  152. através do uso de regras inesperadas.
  153. Há uns anos, comecei a verificar
  154. que os convites vinham acompanhados
    com uma série de regras
  155. mais ou menos chatas
    ou controladoras, certo?

  156. Errado.
  157. Nesta sociedade interseccional
    e multicutural,
  158. em que nos juntamos
    e somos educados por pessoas
  159. com uma etiqueta diferente da nossa,
  160. quando não partilhamos a mesma etiqueta,
  161. as normas implícitas são um problema,
  162. enquanto que as regras inesperadas
    permitem-nos relações de verdade.
  163. Elas são constituições exclusivas
    para um objetivo específico.
  164. Um jantar de equipa,
  165. em que se juntam diferentes gerações
  166. e não partilham as mesmas premissas
    sobre a etiqueta do telefone:
  167. o primeiro a olhar para o telemóvel
    paga a conta.
  168. (Risos)
  169. Tentem isto.

  170. (Aplausos)

  171. Num círculo de dicas
    de empresários que não se conheciam,

  172. em que os anfitriões não queriam

  173. que as pessoas só ouçam o capitalista
    de investimento de risco na sala...
  174. (Risos)
  175. ninguém pode revelar
    como ganha a vida.

  176. Num jantar de mães,

  177. em que vocês querem alterar as regras

  178. do que as mulheres, que são mães,
    falam quando se juntam,
  179. se falarem sobre os filhos,
    têm de beber um "shot".
  180. (Risos)
  181. Isso é um jantar genuíno.
  182. As regras são poderosas,

  183. porque nos permitem temporariamente
    mudar e harmonizar o nosso comportamento.

  184. E em sociedades diversificadas,
  185. as regras inesperadas
    têm uma força especial.
  186. Permitem que nos juntemos,
    ultrapassando as diferenças,
  187. que nos conectemos,
  188. criando um objetivo juntos
  189. sem termos de ser tofod iguais.
  190. Quando eu era criança,
  191. naveguei nos meus dois mundos
    como um camaleão.

  192. Se alguém espirrasse
    em casa da minha mãe,
  193. eu dizia: "Santnho",
  194. em casa do meu pai: "Deus te abençoe",
  195. Para me proteger, escondia-me
  196. tal como muitos de nós.
  197. E só depois de crescer
    e através de trabalhar em conflitos,
  198. é que eu comecei a deixar de me esconder.

  199. Percebi que as melhores reuniões para mim,
  200. permitem-nos estar entre os outros,
  201. e sermos vistos por quem somos,
  202. e ver.
  203. A forma como nos reunimos
    é importante,
  204. porque a forma como nos reunimos

  205. é a forma como vivemos.
  206. Obrigada.
  207. (Aplausos)