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← Acasalamentos frenéticos, hordas de esperma e ataques de ninhada: a vida de uma rainha das formigas-de-fogo

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Showing Revision 13 created 02/11/2020 by Maricene Crus.

  1. É junho, logo após uma forte chuva,
  2. e o céu se enche de criaturas
    que nem sempre esperamos ver por lá.
  3. À primeira vista, pode ser
    uma visão perturbadora.
  4. Mas para os machos e fêmeas sortudos
    de Solenopsis invicta,
  5. também conhecidos como formigas-de-fogo,
    é um dia de romance.
  6. Esse é o voo nupcial,

  7. quando milhares de formigas
    machos e fêmeas reprodutoras,
  8. chamadas aladas, criam asas
    pela primeira e última vez.
  9. Mas mesmo para machos bem-sucedidos
    que conseguem evitar predadores alados,
  10. esse frenesi de acasalamento será mortal.
  11. E para uma fêmea fecundada com sucesso,
    o trabalho dela está apenas começando.
  12. Tendo garantido um suprimento vitalício
    de esperma de seu companheiro defunto,

  13. nossa nova rainha deve agora
    iniciar uma colônia inteira, sozinha.
  14. Descendo ao chão,
  15. ela procura um local apropriado
    para construir seu ninho.
  16. De preferência, pode encontrar um local
    com solo fofo e fácil de cavar,
  17. como terras cultivadas
    já trabalhadas pelos humanos.
  18. Depois que encontrar o local perfeito,
    ela se livra de suas asas,
  19. criando os apêndices
    que conferem a ela seu status real.
  20. Então, ela passa a cavar um túnel
    descendente que termina numa câmara.
  21. Aqui a rainha começa a pôr seus ovos,
    cerca de dez por dia,
  22. e as primeiras larvas nascem
    no prazo de uma semana.
  23. Nas três semanas seguintes,
  24. a nova rainha depende de um lote separado
    de ovos não fertilizados
  25. para alimentar a si mesma e a sua ninhada,
  26. perdendo, no processo,
    metade do seu peso corporal.
  27. Felizmente, após cerca de 20 dias,
  28. essas larvas crescem e se tornam
    a primeira geração de trabalhadoras,
  29. prontas para procurar alimento
    e sustentar a rainha que só emagrece.
  30. As filhas terão que trabalhar rapidamente,

  31. devolvendo a boa saúde
    à mãe delas com urgência.
  32. Nos arredores,
  33. dezenas de rainhas vizinhas constroem
    seus próprios exércitos de formigas.
  34. Essas colônias coexistiram
    pacificamente até agora,
  35. mas quando as trabalhadoras aparecem,
  36. um fenômeno conhecido
    como "invasão de ninhada" começa.
  37. Trabalhadoras vindas de ninhos
    de até vários metros de distância
  38. começam a roubar os filhotes
    da nossa rainha.
  39. Nossa colônia revida,
  40. mas novas ondas de invasoras,
    vindas de áreas ainda mais distantes,
  41. dominam as trabalhadoras.
  42. Em poucas horas, as invasoras levaram
    todo o suprimento da ninhada dessa rainha
  43. para o próximo ninho maior,
  44. e as filhas sobreviventes
    da rainha a abandonam.
  45. Buscando a última chance de sobrevivência,
  46. a rainha segue a trilha de ataque
    até o ninho vencedor.
  47. Ela afasta outras rainhas perdedoras
    e as trabalhadoras defensoras do ninho,
  48. lutando para alcançar
    o topo da pilha da ninhada.
  49. As filhas ajudam a mãe a obter sucesso
    enquanto outras rainhas falham,
  50. derrotando a monarca reinante,
    e usurpando a pilha da ninhada.
  51. Por fim, todas as demais
    que a desafiam falham,
  52. até que apenas uma rainha
    e uma pilha de ninhada permanece.
  53. Presidindo agora a várias
    centenas de trabalhadoras

  54. do maior ninho daquela área,
  55. nossa rainha vitoriosa começa a ajudar
    sua colônia em seu objetivo principal:
  56. a reprodução.
  57. Nos próximos anos, a colônia produzirá
    apenas trabalhadoras estéreis.
  58. Mas uma vez que sua população
    exceda cerca de 23 mil formigas,
  59. ela muda de rumo.
  60. A partir de agora, toda primavera,
  61. a colônia produzirá
    machos e fêmeas alados férteis.
  62. A colônia gera formigas maiores
    durante o início do verão,
  63. e retorna à produção
    das trabalhadoras no outono.
  64. Após fortes chuvas,
    esses insetos alados sobem aos céus,
  65. e espalham os genes da rainha por algumas
    centenas de metros na direção do vento.
  66. Mas para contribuir com esse frenesi
    anual de acasalamento,

  67. a colônia deve continuar prosperando
    como um superorganismo maciço.
  68. Todos os dias, formigas mais novas
    alimentam a rainha e cuidam da ninhada,
  69. enquanto trabalhadoras mais velhas
    procuram comida e defendem o ninho.
  70. Quando invasores atacam,
  71. essas guerreiras mais velhas os afastam
    usando veneno potente.
  72. Depois das chuvas, a colônia se junta,
  73. usando a terra molhada
    para expandir seu ninho.
  74. E quando uma enchente desastrosa
    inunda a morada delas,
  75. as irmãs se unem
    numa grande jangada viva
  76. e carregam sua rainha a um lugar seguro.
  77. Mas, por mais resiliente que seja,
    a vida de uma colônia deve chegar ao fim.

  78. Após cerca de oito anos,
    nossa rainha fica sem esperma
  79. e não pode mais substituir
    trabalhadoras moribundas.
  80. A população do ninho diminui, e, por fim,
    é dominada por uma colônia vizinha.
  81. O reinado de nossa rainha acabou,
    mas o legado genético dela continua.