YouTube

Got a YouTube account?

New: enable viewer-created translations and captions on your YouTube channel!

Portuguese subtitles

← Como é que os grupos tomar boas decisões?

Get Embed Code
41 Languages

Showing Revision 16 created 01/02/2018 by Margarida Ferreira.

  1. Como sociedade, temos de tomar
    decisões em conjunto

  2. que vão definir o nosso futuro.
  3. Todos sabemos que, quando
    tomamos decisões em grupo,
  4. o resultado nem sempre é bom.
  5. E às vezes é mesmo muito mau.
  6. Então como é que os grupos
    podem tomar boas decisões?
  7. Estudos têm demonstrado
    que as multidões são sensatas

  8. quando há pensamento independente.
  9. É por isso que esta sensatez pode ser
    destruída pela pressão dos pares,
  10. pela publicidade,
    pelas redes sociais,
  11. ou às vezes até por simples conversas que
    influenciam a forma de pensar das pessoas.
  12. Por outro lado, ao conversar,
    um grupo pode partilhar conhecimentos,
  13. rever e corrigir-se
  14. e até surgir com novas ideias.
  15. O que é bom.
  16. Então falarmos uns com os outros ajuda
    ou prejudica a tomada de decisão coletiva?
  17. Eu e o meu colega, Dan Ariely,
  18. começámos recentemente a explorar
    a questão fazendo experiências
  19. em vários locais do mundo
  20. para perceber como é
    que os grupos podem interagir
  21. de forma a tomarem melhores decisões.
  22. Pensámos que as multidões
    seriam mais sensatas
  23. se debatessem em grupos mais pequenos
  24. que promovessem uma troca de informações
    mais ponderadas e profundas.
  25. Para testar esta ideia,

  26. fizemos há pouco tempo uma experiência
    em Buenos Aires, na Argentina,
  27. com mais de 10 000
    participantes num evento da TEDx.
  28. Fizemos-lhes perguntas como:
  29. "Qual é a altura da torre Eiffel?"
  30. e "Quantas vezes aparece
    a palavra 'yesterday'
  31. "na canção dos Beatles 'Yesterday'?"
  32. Cada pessoa escreveu a sua estimativa.
  33. Depois dividimos a plateia
    em grupos de cinco,
  34. e pedimos-lhes que
    chegassem a uma resposta em grupo.
  35. Descobrimos que, ao fazer a média
    das respostas dos grupos,
  36. depois de chegarem
    a um consenso,
  37. o resultado era mais exato do que
    a média das opiniões individuais
  38. antes dos debates.
  39. Por outras palavras,
    com base nesta experiência,
  40. é aparente que, depois de falarem
    em pequenos grupos,
  41. as pessoas formam
    melhores opiniões em conjunto.
  42. Este poderá ser um método útil para
    grandes grupos resolverem problemas

  43. de resposta simples,
    que ou está certa ou errada.
  44. Mas será que este processo de agregar
    os resultados de grupos pequenos
  45. também nos vai ajudar
    em questões sociais e políticas
  46. que são cruciais para o nosso futuro?
  47. Desta vez fizemos o teste
    na conferência TED
  48. em Vancouver no Canadá.
  49. O que se passou foi o seguinte:
  50. Vamos apresentar-vos
    dois dilemas morais

  51. para o vosso eu do futuro,
  52. coisas que podemos ter de decidir
    num futuro muito próximo.
  53. E vamos dar-vos 20 segundos
    para cada um dos dilemas
  54. para decidirem se são aceitáveis ou não.
  55. O primeiro foi este:

  56. Um investigador está a desenvolver
    um robô inteligente

  57. capaz de reproduzir pensamentos humanos.
  58. De acordo com o protocolo,
    no final de cada dia,
  59. o investigador tem de reiniciar o robô.
  60. Um dia o robô diz:
    "Não me reinicies, por favor."
  61. Argumenta que tem sentimentos,
  62. que gostava de aproveitar a vida,
  63. e que, se for reiniciado,
    deixará de ser ele mesmo.
  64. O investigador fica estupefacto
  65. e acredita que o robô
    desenvolveu consciência própria
  66. e consegue expressar
    sentimentos próprios.
  67. Ainda assim, o investigador
    decide seguir o protocolo
  68. e reiniciar o robô.
  69. O que o investigador fez é ____?
  70. Pedimos aos participantes
    para avaliar individualmente

  71. numa escala de 0 a 10
  72. se a ação descrita em cada dilema
  73. era correta ou incorreta.
  74. Também pedimos para avaliarem
    o grau de confiança nas suas respostas.
  75. O segundo dilema foi o seguinte:
  76. Uma empresa oferece um serviço
    que, a partir de um óvulo fertilizado,

  77. produz milhares de embriões
    com pequenas variações genéticas.
  78. Isto permite aos pais escolher
    a altura do filho,
  79. a cor dos olhos, a inteligência,
    a competência social
  80. e outras características
    não relacionadas com a saúde.
  81. O que a empresa faz é ____?
  82. Numa escala de 0 a 10,
  83. perfeitamente aceitável
    ou inaceitável,
  84. de 0 a 10, totalmente aceitável
    com toda a confiança.
  85. E agora os resultados.

  86. Observámos novamente que,
    quando uma pessoa está convencida
  87. de que o ato é completamente errado,
  88. alguém ali ao lado acredita piamente
    que é totalmente correto.
  89. Isto é o quão diversos os seres humanos
    são no que toca à moral.
  90. Mas dentro desta ampla variedade
    encontrámos uma tendência.
  91. A maioria das pessoas na TED
    achou que era aceitável
  92. ignorar os sentimentos do robô
    e desligá-lo,
  93. e que era errado
    brincar com os nossos genes
  94. e selecionar alterações cosméticas
    sem ligação à saúde.
  95. Depois pedimos a todos
    que fizessem grupos de três.
  96. E demos-lhes dois minutos para debaterem
  97. e tentarem chegar a um consenso.
  98. (Vídeo)
  99. Dois minutos para debater.

  100. Quando acabar o tempo
    eu aviso-vos com o gongo.
  101. Acabou o tempo.

  102. Então, então...
  103. Verificámos que muitos dos grupos
    chegaram a um consenso

  104. mesmo quando constituídos por pessoas
    com opiniões completamente opostas.
  105. O que distinguiu os grupos
    que chegaram a um consenso
  106. dos que não chegaram?
  107. Normalmente, pessoas
    com opiniões extremadas
  108. têm mais confiança nas suas respostas.
  109. Pelo contrário, aqueles que dão
    respostas próximas do centro
  110. têm frequentemente dúvidas
    se alguma coisa está certa ou errada
  111. e então os seus níveis de confiança
    são mais baixos.
  112. Contudo, há um outro conjunto de pessoas

  113. que têm muita confiança
    ao responder na zona central.
  114. Achamos que estes "cinzentos" confiantes
    são pessoas que compreendem
  115. que ambos os argumentos têm mérito.
  116. Eles não são "cinzentos"
    por não terem a certeza,
  117. mas sim porque acreditam
    que o dilema moral
  118. enfrenta dois argumentos opostos válidos.
  119. Descobrimos que os grupos
    que incluem mais "cinzentos" confiantes
  120. têm muito maior probabilidade
    de chegar a um consenso.
  121. Ainda não sabemos exatamente
    porque é que assim é.
  122. Estas foram só as primeiras experiências
  123. e vão ser necessárias muitas mais
    para compreender porquê e como
  124. é que algumas pessoas decidem
    negociar as suas posições morais
  125. para chegar a um acordo.
  126. Agora, quando os grupos chegam
    a um consenso,

  127. como é que o fazem?
  128. A conclusão mais direta
    é que se trata de uma média
  129. de todas as respostas no grupo, certo?
  130. Outra opção é que o grupo
    determina o peso de cada voto
  131. com base na certeza
    da pessoa que o expressa.
  132. Imaginem que o Paul McCartney
    é um membro do vosso grupo.
  133. Seria sensato
    aceitar a resposta dele
  134. à questão do número de vezes
    que se repete "yesterday",
  135. que, já agora, acho que é nove.
  136. Mas, em vez disso,
    constatámos repetidamente
  137. que em todos os dilemas,
    em experiências diferentes,
  138. e até em continentes diferentes,
  139. os grupos implementam um procedimento
    inteligente, suportado pela estatística
  140. conhecido como "média robusta".
  141. No caso da altura da Torre Eiffel,

  142. suponhamos que um grupo
    dá estas respostas:
  143. 250 metros, 200 metros, 300 metros, 400
  144. e uma completamente absurda
    de 300 milhões de metros.
  145. Uma simples média destes números
    iria distorcer os resultados.
  146. Mas a média robusta
    praticamente ignora
  147. a resposta absurda,
  148. dando muito mais peso
    ao voto das pessoas no meio.
  149. Voltando à experiência em Vancouver,
  150. foi exatamente isso que aconteceu.
  151. Os grupos deram muito menos
    importância aos extremos,
  152. e em vez disso, o consenso
    acabou por ser uma média robusta
  153. das respostas individuais.
  154. O mais impressionante
  155. é que foi um comportamento
    espontâneo do grupo.
  156. Aconteceu sem que déssemos qualquer pista
    para chegarem a um consenso.
  157. Então para onde vamos a partir daqui?

  158. Isto é só o princípio,
    mas já temos algumas ideias.
  159. Boas decisões coletivas
    necessitam de dois componentes:
  160. deliberação e diversidade de opiniões.
  161. Neste momento, em muitas sociedades
    a forma de nos fazermos ouvir
  162. é o sufrágio direto ou indireto.
  163. Isto é bom para a diversidade de opiniões,
  164. e tem a grande virtude de assegurar
  165. que todos podem expressar
    as suas opiniões.
  166. Mas não é muito bom para
    promover debates aprofundados.
  167. As nossas experiências sugerem
    um método diferente
  168. que poderá ser eficaz no equilíbrio
    destes dois objetivos,
  169. ao formar pequenos grupos
    que convergem para uma única decisão
  170. preservando ainda
    a diversidade de opiniões
  171. uma vez que há
    vários grupos independentes.
  172. Claro, é muito mais fácil chegar
    a um acordo quanto à altura da Torre Eiffel

  173. do que quanto a assuntos
    morais, políticos e ideológicos.
  174. Mas numa era em que
    os problemas do mundo são mais complexos
  175. e as pessoas estão mais polarizadas,
  176. esperamos que usar a ciência
    para nos ajudar a entender
  177. como interagimos e tomamos decisões
  178. vá dar origem a alternativas interessantes
    para construirmos uma melhor democracia.