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← Pode ser por isso que você esteja deprimido ou ansioso

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Showing Revision 302 created 11/01/2019 by Raissa Mendes.

  1. Durante um bom tempo,
  2. dois mistérios me assombraram.
  3. Eu não os entendia
  4. e, para ser honesto,
    tinha medo de encará-los.
  5. O primeiro era que, ano após ano,
    durante toda minha vida...
  6. e já estou com 40 anos...
  7. graves problemas de depressão
    e ansiedade aumentavam
  8. nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha,
  9. e em todo o mundo ocidental.
  10. Eu queria entender o porquê.
  11. Por que isso está acontecendo conosco?
  12. Por que, a cada ano que passa,
  13. mais e mais pessoas acham
    difícil levantar da cama?
  14. Eu queria entender isso,
    porque era uma questão pessoal.
  15. Quando adolescente,
    lembro-me de ir ao médico

  16. e explicar esse sentimento
    como se a dor estivesse me consumindo.
  17. Eu não podia controlá-lo,
  18. não entendia o que estava acontecendo,
  19. me sentia muito envergonhado.
  20. Meu médico contou uma história,
  21. e só agora percebi como era
    bem-intencionada, mas muito simplista,
  22. não totalmente errada.
  23. Ele disse: "Sabemos
    por que as pessoas se sentem assim.
  24. Algumas possuem um desequilíbrio
    químico no cérebro,
  25. e você é uma delas.
  26. Tudo que precisamos é um tratamento,
  27. e seu equilíbrio químico
    voltará ao normal".
  28. Comecei a tomar uma droga
    chamada Paxil ou Seroxat,

  29. mesmo remédio, mas nomes
    diferentes em outros países,
  30. e me senti muito melhor, mais estimulado.
  31. Mas, após algum tempo,
    o sentimento de dor começou a voltar.
  32. Recebi doses cada vez mais altas
  33. e, por 13 anos, tomei
    a dose máxima legalmente permitida.
  34. Durante esses 13 anos,
    e praticamente o tempo todo,
  35. eu sofri muito.
  36. Comecei a me perguntar:
    "O que está acontecendo?
  37. Fazemos tudo que nos é solicitado
    pela cultura dominante,
  38. e por que a gente se sente assim?"
  39. Para ir a fundo nesses dois mistérios,

  40. acabei numa grande jornada pelo mundo,
    para um livro que escrevi,
  41. viajando mais de 64 mil km.
  42. Queria conversar
    com especialistas do mundo todo
  43. sobre as causas da depressão e ansiedade
  44. e, principalmente, sobre a solução,
  45. e com pessoas que encontraram
    uma saída para o problema
  46. das mais diversas formas.
  47. Aprendi muita coisa
  48. com pessoas incríveis
    que conheci ao longo do caminho.
  49. Acho que, no fundo, o que aprendi

  50. até agora é que temos
    evidências científicas
  51. de nove causas diferentes
    da depressão e da ansiedade.
  52. Duas delas estão ligadas à nossa biologia.
  53. Seus genes podem torná-lo
    suscetível a esses problemas,
  54. embora não determinem seu destino.
  55. Existem mudanças cerebrais
    quando se está deprimido,
  56. o que dificulta a cura.
  57. Mas a maioria dos fatores causadores
    da depressão e ansiedade
  58. não estão na biologia.
  59. Estão na maneira como vivemos.
  60. Depois que você os compreende,
  61. abre-se um leque de opções
    a todas as pessoas,
  62. além dos antidepressivos.
  63. Por exemplo,

  64. se você está sozinho,
    é mais fácil sentir-se deprimido.
  65. Se, quando você vai trabalhar,
    não tem controle sobre nada,
  66. e faz apenas o que mandam,
  67. provavelmente se sentirá deprimido.
  68. Se raramente tem contato com a natureza,
  69. mais chance de se sentir deprimido.
  70. Descobri uma coisa que interliga
    muitas causas da depressão e ansiedade.

  71. Nem todas elas, mas muitas delas.
  72. Todo mundo aqui sabe
    que temos necessidades físicas, certo?
  73. Óbvio.
  74. Precisamos comer, beber,
  75. de abrigo, de ar puro.
  76. Sem essas coisas,
    estaríamos com sérios problemas.
  77. Mas, ao mesmo tempo,
  78. todo ser humano
    tem necessidades psicológicas.
  79. Precisamos nos sentir aceitos.
  80. Precisamos dar significado a nossas vidas.
  81. Precisamos nos sentir valorizados.
  82. Precisamos sentir
    que temos um futuro pela frente.
  83. Nossa cultura é boa em muitas coisas.
  84. Muitas coisas estão melhorando -
    estou feliz por viver neste tempo -
  85. mas estamos piorando
  86. no conhecimento de nossas necessidades
    psicológicas latentes.
  87. Não é a única coisa que está acontecendo,
  88. mas acho que é a principal razão
    para essa crise continuar aumentando.
  89. Achei isso muito difícil de absorver.
  90. Lutei com a ideia
  91. de não pensar na minha depressão
    apenas como um problema no meu cérebro,
  92. mas com outras causas,
    incluindo a maneira como vivemos.
  93. Isso começou a fazer sentido para mim
  94. quando entrevistei
    um psiquiatra sul-africano
  95. chamado Dr. Derek Summerfield.
  96. Uma grande pessoa.
  97. Ele estava no Camboja em 2001,
  98. para apresentar antidepressivos químicos
  99. às pessoas daquele país.
  100. Os médicos locais, cambojanos,
    nunca tinham ouvido falar dessas drogas,
  101. então estavam curiosos.
  102. E ele explicou.
  103. Eles responderam:
  104. "Não precisamos delas,
    nós já temos antidepressivos".
  105. E ele: "O que querem dizer"?
  106. Ele pensou que falariam
    sobre algum tipo de remédio natural,
  107. como erva-de-são-joão,
    ginkgo biloba, ou algo parecido.
  108. Em vez disso, lhe contaram uma história.
  109. Havia um agricultor em sua comunidade
    que trabalhava nos campos de arroz.

  110. Um dia, ele pisou numa mina terrestre,
  111. resquício da guerra com os EUA,
    e sua perna foi arrancada.
  112. Ele ganhou uma perna mecânica
  113. e, após um tempo, voltou
    a trabalhar nos campos de arroz.
  114. Deve ser superdifícil trabalhar na água
    com um membro artificial;
  115. acho que foi bem traumático
  116. voltar ao mesmo campo
    em que ele perdeu a perna.
  117. O rapaz chorava o dia todo,
    recusava-se a sair da cama
  118. e desenvolveu todos os sintomas
    de depressão clássica.
  119. O médico cambojano disse:
  120. "Foi quando lhe demos um antidepressivo".
  121. O Dr. Summerfield perguntou: "Como assim?"
  122. Eles explicaram que se sentaram com ele,
  123. e o ouviram.
  124. Perceberam que a sua dor fazia sentido,
  125. foi difícil para ele perceber,
    no meio da depressão,
  126. mas ele tinha consciência
    das causas de sua dor.
  127. Um dos médicos, conversando
    com as pessoas, pensou:
  128. "Se comprássemos uma vaca para ele,
  129. poderia se tornar um fazendeiro,
    e sairia daquela situação,
  130. e não precisaria voltar
    a trabalhar nos arrozais".
  131. Então, compraram uma vaca.
  132. Em algumas semanas ele parou de chorar
  133. e, em um mês, sua depressão acabou.
  134. Disseram para o Summerfield:
  135. "Então, doutor, aquela vaca
    era um antidepressivo, certo?"
  136. (Risos)

  137. (Aplausos)

  138. Quem foi criado para pensar
    sobre depressão como eu pensava,

  139. e a maioria aqui foi,
    parece piada de mau gosto, certo?
  140. "Fui ao médico para um antidepressivo,
    e ele me deu uma vaca."
  141. Mas o que os médicos cambojanos
    sabiam intuitivamente,
  142. baseados nesse indivíduo,
    num episódio não científico,
  143. é o que o principal corpo médico do mundo,
  144. a Organização Mundial de Saúde,
  145. vem tentando nos dizer há anos,
  146. com base nas melhores
    evidências científicas.
  147. Se você está deprimido,

  148. ansioso,
  149. não é fraco, nem louco,
  150. não é uma máquina defeituosa.
  151. Você é um ser humano
    com necessidades não atendidas.
  152. É muito importante pensar
    no que aqueles médicos cambojanos
  153. e a OMS não estão dizendo.
  154. Eles não disseram ao agricultor:
  155. "Cara, você precisa se aprumar,
  156. descobrir e resolver
    esse problema sozinho".
  157. Mas, pelo contrário:
  158. "Estamos aqui para ajudá-lo
  159. e, juntos, descobrir a causa
    e resolver esse problema".
  160. É disso que as pessoas deprimidas precisam
  161. e é o que elas merecem.
  162. Por isso, um dos principais
    médicos das Nações Unidas,

  163. em sua declaração
    para o Dia Mundial da Saúde,
  164. há alguns anos, em 2017,
  165. disse que precisamos falar menos
    em desequilíbrios químicos
  166. e mais sobre os desequilíbrios
    na forma como vivemos.
  167. As drogas ajudam algumas pessoas,
    como me ajudaram durante um período,
  168. mas, justamente porque esse problema
    é muito mais complexo que nossa biologia,
  169. as soluções também precisam
    ser muito mais complexas.
  170. Quando compreendi isso, lembro de pensar:

  171. "Consigo ver as evidências científicas,
  172. li um grande número de artigos,
    entrevistei muitos especialistas",
  173. mas continuava pensando:
    "Como resolver isso?"
  174. As coisas que estão nos deprimindo
  175. são mais complexas
    do que aquilo que ocorreu
  176. com o agricultor cambojano.
  177. Com base nesse "insight",
    por onde começar?
  178. Na longa jornada do meu livro,
    pelo mundo todo,

  179. conheci pessoas que estavam
    fazendo exatamente isso,
  180. de Sydney a São Francisco, a São Paulo.
  181. Conheci pessoas que estavam pesquisando
  182. as causas mais profundas
    da depressão e ansiedade
  183. e, em grupos, trazendo soluções.
  184. Não dá pra falar sobre todas as pessoas
    incríveis que conheci e sobre quem escrevi
  185. ou todas as nove causas da depressão
    e ansiedade que aprendi,
  186. pois não permitem uma palestra TED
    de dez horas, e vocês iam reclamar.
  187. Assim, gostaria
    de concentrar em duas causas

  188. e duas soluções que apareceram.
  189. Primeira:
  190. somos a sociedade mais solitária
    na história da humanidade.
  191. Recentemente, um estudo
    perguntou aos norte-americanos:
  192. "Você se sente próximo de alguém?"
  193. E 39% das pessoas responderam:
  194. "Não tenho ninguém".
  195. Nas medições internacionais de solidão,
  196. a Grã-Bretanha e a Europa
    vêm logo atrás dos EUA,
  197. caso alguém se ache superior.
  198. (Risos)

  199. Passei muito tempo discutindo isso

  200. com o maior especialista
    mundial em solidão,
  201. um homem incrível, o professor
    John Cacioppo, de Chicago,
  202. e pensei numa questão que ele levantou.
  203. O professor perguntou:
  204. "Por que existimos?
  205. Por que estamos aqui, vivos?"
  206. Um dos principais motivos
  207. é que nossos ancestrais
    nas savanas da África
  208. eram muito bons numa coisa.
  209. Eles não eram maiores
    do que os animais que caçavam,
  210. não eram mais rápidos,
  211. mas eram muito melhores em grupos
  212. e cooperação.
  213. Esse foi o nosso superpoder
    como espécie, nós nos unimos,
  214. e, assim como as abelhas nas colmeias,
  215. vivemos em tribos.
  216. Somos os primeiros humanos
  217. a abandonar nossas tribos.
  218. Isso nos fez muito mal.
  219. Mas não precisa ser assim.
  220. Um dos heróis do meu livro e da minha vida

  221. é um médico chamado Sam Everington.
  222. Ele é clínico geral numa região
    pobre do leste de Londres,
  223. onde morei por muitos anos.
  224. Sam estava muito incomodado
    porque muitos pacientes
  225. apareciam muito depressivos e ansiosos.
  226. Assim como eu, ele não se opõe
    ao uso de antidepressivos,
  227. e acha que dão alívio a algumas pessoas.
  228. Ele observou duas coisas.
  229. Primeiro, os pacientes eram depressivos
    e ansiosos na maior parte do tempo,
  230. e uma das razões, bastante
    compreensível, era a solidão.
  231. Segundo, embora as drogas
    ajudassem algumas pessoas,
  232. para outras, elas não
    resolviam o problema.
  233. O problema era mais profundo.
  234. Um dia, Sam decidiu
    fazer uma abordagem diferente.
  235. Uma mulher veio à sua clínica,
  236. Lisa Cunningham.
  237. Eu a conheci depois.
  238. Lisa vivia trancada em casa
    com depressão e ansiedade incapacitantes
  239. havia sete anos.
  240. Quando ela chegou à clínica,
    disseram: "Não se preocupe,
  241. continuaremos com os medicamentos,
  242. mas também prescreveremos mais uma coisa.
  243. Você deverá vir à clínica
    duas vezes por semana
  244. se reunir com um grupo de pessoas
    deprimidas e ansiosas,
  245. não para falar sobre o quão mal você está,
  246. mas descobrir algo significativo
    para fazerem juntos,
  247. para você não se sentir sozinha,
    achando que a vida é inútil".
  248. Na primeira vez que o grupo se reuniu,

  249. Lisa, literalmente, vomitou de ansiedade,
  250. foi muito difícil para ela.
  251. As pessoas massagearam
    suas costas, perguntando:
  252. "O que podemos fazer por você?"
  253. Eram pessoas do leste de Londres, como eu,
    e não sabiam nada sobre jardinagem.
  254. "Por que não aprender jardinagem?" -
    havia um matagal atrás dos consultórios -
  255. "Por que não fazer um jardim?"
  256. Começaram a pegar livros na biblioteca
    e a assistir clipes no YouTube.
  257. E começaram a trabalhar na terra.
  258. Estudaram os ciclos das estações.
  259. Há muitas evidências
    de que a exposição à natureza
  260. é um antidepressivo muito poderoso.
  261. Mas elas começaram a fazer algo
    ainda mais importante.
  262. Começaram a formar uma tribo,
  263. a formar um grupo,
  264. a se preocupar umas com as outras.
  265. Se um não aparecia,
  266. os outros o procuravam: "Você está bem?",
  267. para saber qual tinha sido o problema.
  268. Nas palavras de Lisa,
  269. "quando o jardim começou a florescer,
  270. nós começamos a florescer".
  271. Essa abordagem, chamada prescrição social,
    é conhecida por toda a Europa.

  272. Há pequenas, mas crescentes evidências,
  273. sugerindo quedas significativas
  274. na depressão e ansiedade.
  275. Um dia, em pé no jardim cultivado
    por Lisa e seus amigos,

  276. um jardim muito bonito,
    comecei a pensar,
  277. inspirado pelo professor
    Hugh Mackay, da Austrália:
  278. quando as pessoas estão mal
    em nossa cultura,
  279. o que dizemos a elas, tenho certeza,
    todos aqui já disseram, é:
  280. "Você só precisa ser você mesmo".
  281. Na verdade, deveríamos dizer:
  282. "Não seja você.
  283. Não seja você mesmo;
  284. seja nós, sejamos nós.
  285. Seja parte do grupo".
  286. (Aplausos)

  287. A solução para esses problemas

  288. não está em usar seus próprios recursos
    como um indivíduo isolado -
  289. isso, em parte, nos levou a esta crise -,
  290. mas se reconectar com algo maior que você.
  291. Isso está interligado com outras causas

  292. de depressão e ansiedade
    que gostaria de comentar.
  293. Como todos sabem,
  294. estamos comendo muita besteira
    e isso nos deixou fisicamente doentes.
  295. Não digo isso com superioridade,
  296. passei no McDonald's antes desta palestra.
  297. Vi todos vocês tomando
    um café da manhã saudável no TED.
  298. Assim como as besteiras
    nos deixaram fisicamente doentes,
  299. uma espécie de princípios inadequados
    assumiram nossas mentes,
  300. deixando-nos mentalmente doentes.
  301. Há milhares de anos, filósofos disseram:
  302. se achar que a vida
    é só dinheiro, status e ostentação,
  303. você vai se sentir um lixo.
  304. Não é uma citação exata de Schopenhauer,
    mas é a essência do que ele disse.
  305. Estranhamente, quase ninguém
    tinha investigado isso cientificamente,

  306. até eu conhecer uma pessoa extraordinária
    o professor Tim Kasser,
  307. que está no Knox College em Illinois,
  308. e tem pesquisado esse assunto
    há cerca de 30 anos.
  309. Sua pesquisa sugere
    várias coisas muito importantes.
  310. Primeiro, quanto mais você acredita
  311. que consumir e ostentar afasta a tristeza
  312. e melhora a vida,
  313. maior a probabilidade de se tornar
    deprimido e ansioso.
  314. Segundo,
  315. como sociedade, nos tornamos
    muito mais suscetíveis a essas crenças.
  316. Durante toda minha vida,
  317. fui dominado por propagandas,
    Instagram e tudo o mais.
  318. Enquanto pensava sobre isso,

  319. percebi que fomos alimentados
    por uma espécie de KFC para a alma.
  320. Fomos treinados a procurar
    a felicidade nos lugares errados
  321. e, assim como as besteiras não
    suprem necessidades nutricionais
  322. e nos fazem sentir horríveis,
  323. valores fajutos não atendem
    nossas necessidades psicológicas,
  324. privando-nos de uma vida de qualidade.
  325. A primeira vez que passei tempo
    com o professor Kasser,
  326. aprendendo tudo isso,
  327. senti uma mistura estranha de emoções.
  328. Por um lado, achei isso desafiador.
  329. Pude ver quantas vezes,
    quando estava triste,
  330. tentei remediar a situação ostentando,
    buscando uma solução externa grandiosa.
  331. Claro que Isso não funcionou muito bem.
  332. Também pensei: "Não é óbvio?
  333. Não é quase banal?"
  334. Se eu disser a vocês que ninguém
    vai se deitar no leito de morte
  335. e pensar em todos os sapatos
    que comprou e os retuítes que recebeu,
  336. mas, sim, nos momentos
    de amor, significado e conexão,
  337. vai parecer quase um clichê.
  338. Daí, perguntei ao professor Kasser:
  339. "Por que estou sentindo essa dubiedade?"
  340. Ele disse: "No fundo,
    todos sabemos essas coisas,
  341. mas, nesta cultura,
    não vivemos segundo elas.
  342. São tão conhecidas que viraram clichê,
    mas não vivemos segundo elas".
  343. Continuei perguntando a ele
    a razão de sabermos algo tão profundo
  344. e não vivermos de acordo.
  345. Depois de um tempo,
    o professor Kasser respondeu:
  346. "Porque moramos numa máquina
  347. projetada para negligenciar
    o que é importante na vida".
  348. Eu parei pra pensar naquilo:
  349. "Porque moramos numa máquina
    projetada para negligenciar
  350. o que é importante na vida".
  351. O professor Kasser queria descobrir
    se poderíamos sabotar essa máquina.

  352. Ele pesquisou muito;
  353. vou dar um exemplo
  354. e peço a todos para tentar
    isso com seus amigos e familiares.
  355. Junto com Nathan Dungan, ele
    estimulou adolescentes e adultos
  356. a se reunir numa série de sessões
    durante um período de tempo.
  357. Parte do objetivo do grupo
  358. era levar as pessoas a pensar
    sobre um momento em suas vidas
  359. em que encontraram
    significado e propósito.
  360. Para pessoas diferentes,
    coisas diferentes.
  361. Para alguns era tocar um instrumento,
    escrever, ajudar alguém...
  362. tenho certeza de que todos aqui
    podem pensar em algo, certo?
  363. Parte do objetivo era levar
    as pessoas a se perguntarem:
  364. "Como dedicar mais da nossa vida
  365. para buscar momentos
    e propósitos significativos,
  366. e menos dela comprando
    bobagens de que não precisamos,
  367. postando nas mídias sociais apenas
    para os outros dizerem: 'Que inveja!'?"
  368. O que eles descobriram
    foi que, apenas com essas reuniões,

  369. uma espécie de Alcoólicos Anônimos
    para consumistas,
  370. conseguir a participação das pessoas,
    articular esses valores,
  371. determinar como agir
    e se conectar aos outros
  372. levou a uma mudança acentuada
    nos valores pessoais.
  373. Levou-os para longe deste furacão
    de mensagens geradoras de depressão,
  374. que induzem a busca da felicidade
    nos lugares errados,
  375. para valores mais
    significativos e gratificantes
  376. que nos ajudam a sair da depressão.
  377. Mas, muitas das soluções que vi
    e sobre as quais escrevi,

  378. e não dá pra falar de todas aqui,
  379. fiquei analisando:
  380. por que demorei tanto para compreender?
  381. Quando as explicamos pra pessoas,
    e algumas são mais complicadas que outras,
  382. não é um bicho de sete cabeças, certo?
  383. De certa forma, conhecemos essas coisas.
  384. Por que é tão difícil de entender?
  385. Acho que há muitas razões.
  386. Mas a principal é que precisamos
    mudar nosso entendimento
  387. do que é depressão e ansiedade.
  388. A biologia contribui muito
    para a depressão e a ansiedade.
  389. Mas, se permitirmos que ela
    seja a principal responsável,
  390. como pensei grande parte da vida
    - e a cultura também faz pensar assim -,
  391. o que estamos dizendo implicitamente
    às pessoas, e não é nossa intenção,
  392. mas o que estamos dizendo
    implicitamente é:
  393. "Sua dor não significa nada.
  394. É apenas um mau funcionamento.
  395. É como uma falha
    num programa de computador,
  396. é um problema de fios
    soltos na sua cabeça".
  397. Só consegui mudar minha vida
  398. quando entendi que depressão
    não é um mau funcionamento.
  399. É um sinal.
  400. Sua depressão é um sinal.
  401. Ela está te dizendo alguma coisa.
  402. (Aplausos)

  403. Sentimos-nos assim por razões,

  404. às vezes difíceis de ser entendidas
    no meio duma depressão.
  405. Sei disso muito bem
    por experiência própria.
  406. Com a ajuda certa, podemos
    compreender esses problemas
  407. e resolvê-los juntos.
  408. Mas, para isso, o primeiro passo
  409. é parar de desprezar esses sinais,
  410. afirmando que são sinais de fraqueza,
    ou loucura, ou puramente biológicos,
  411. caso de um pequeno número de pessoas.
  412. Precisamos começar a ouvir esses sinais,
  413. porque eles estão dizendo
    o que precisamos ouvir.
  414. Somente quando realmente
    ouvirmos esses sinais,
  415. e aceitá-los e respeitá-los,
  416. é que começaremos a enxergar
  417. soluções libertadoras,
    saudáveis e profundas:
  418. as vacas que esperam ao nosso redor.
  419. Obrigado.

  420. (Aplausos) (Vivas)