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← Incomodada é o meu status permanente | Priscila Gama | TEDxUFTM

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Showing Revision 14 created 01/17/2019 by Claudia Sander.

  1. A primeira vez que eu vi um TED,

  2. pensei: "Eu quero fazer isso!"
  3. Eu olhei e pensei:
    "Ainda vou fazer isso!",
  4. sem ter ideia do que ia
    me trazer até aqui.
  5. Quando o convite chegou,
    eu fiquei superanimada
  6. por ter mais um item riscado
    na lista de coisas que eu quero fazer.
  7. Chegou a hora de decidir sobre o que falar
  8. e eu girei em torno disso por semanas,
  9. até entender que o que me trouxe aqui
  10. foi a minha história.
  11. Uma vez me perguntaram
    se eu gostava do Natal
  12. e eu falei que sim, que não achava
    o Natal uma coisa ruim,
  13. só achava um pouco triste.
  14. E aí é que está, não é que a minha
    história seja completamente triste,
  15. mas tudo que me transformou até hoje,
  16. ou é resultado de alguma
    coisa que deu errado
  17. ou de alguma coisa que é,
    de certa forma, triste.
  18. Por isso, talvez, eu nunca
    tenha enxergado a tristeza
  19. como algo que é só ruim.
  20. Há uma grande vantagem em ser
  21. uma criança silenciada.
  22. Eu nunca fui uma criança...
  23. Perdi a palavra.
  24. Eu sempre fui uma criança introspectiva.
  25. Eu tenho poucas fotos minhas
    antes dos cinco anos,
  26. talvez umas dez,
  27. e, em nenhuma delas, eu apareço sorrindo.
  28. Minha mãe fala que eu não sorria
  29. porque eu já sabia que viver é difícil.
  30. E há uma grande vantagem
    em ser uma criança assim.
  31. Você se torna expert em observar pessoas
  32. e interpretar reações.
  33. Isso é quase que uma habilidade
    de ler pensamento.
  34. Então eu consigo saber
  35. se alguma coisa está estranha
    até em conversa por texto.
  36. E eu digo criança silenciada
  37. porque hoje eu sei que não era timidez.
  38. Claro que estou tensa por estar aqui
  39. exposta ao julgamento de 100 pessoas,
  40. mas não é timidez.
  41. Embora a minha família
  42. nunca tenha acumulado posses,
  43. meu pai sempre fez questão
  44. de morar perto do centro.
  45. Então eu cresci num bom bairro,
  46. porque ele não queria depender
    de transporte público.
  47. Então eu estudei numa boa escola estadual,
  48. depois eu ganhei bolsa de estudos
    numa escola particular,
  49. bolsa de estudos de inglês,
    bolsa de estudos no cursinho
  50. e até morei e comi com bolsa de estudos
  51. na universidade federal.
  52. Talvez por isso, hoje,
  53. eu ache um pouco estranho pagar conta,
  54. mas também sinto uma certa
    satisfação em fazer isso.
  55. Não de ver o dinheiro indo embora,
  56. mas de saber que eu tenho o dinheiro
  57. pra pagar as minhas contas.
  58. E todas essas bolsas estão relacionadas
  59. a um aprendizado que meus pais,
  60. talvez sem perceber, me deixaram:
  61. "Pra cada não que, com certeza,
    você vai receber,
  62. tenha laços com alguém que traga o sim".
  63. Na maior parte da minha adolescência,
  64. meus pais não tinham dinheiro,
  65. mas eles conheciam pessoas.
  66. Minha mãe poderia dar aulas
    de networking com base em empatia.
  67. E ela nunca foi a uma reunião
    minha na escola,
  68. mas todas as vezes
    que ela foi até a escola
  69. é porque eu estava sofrendo bullying.
  70. Essa palavra não existia na época,
  71. pelo menos não aqui no Brasil.
  72. E é uma pena, porque problema
    que não tem nome não existe.
  73. Não tem por que buscar solução
  74. pra problema que não existe.
  75. Lembro que, quando eu tinha uns oito anos,
  76. a professora pediu pra eu buscar
    um copo de água pra ela.
  77. Quando eu voltei, ela estava
    passando sermão na turma
  78. pelas situações que eu estava
    vivendo dentro da sala.
  79. Eu não entrei!
  80. Eu fiquei do lado de fora,
  81. esperando ela terminar sem que me vissem.
  82. Ela terminou com: "Nós todos
    vamos morrer e virar pó".
  83. Desde então, passou
    a me incomodar muito ser o assunto.
  84. Uma coisa que me incomodava muito,
  85. uma frase que me incomodava muito era:
  86. "Nós estávamos falando de você".
  87. Eu sou filha do meio, de dois irmãos,
  88. e eu perdi as contas
  89. de quantas vezes ouvi minha mãe falar:
  90. "Vocês não são diferentes de ninguém.
  91. Tudo que eles podem, vocês podem".
  92. Na época, eu percebia
    que alguma coisa na primeira frase
  93. contradizia a segunda e vice-versa,
  94. mas eu não entendia o quê.
  95. Hoje, eu sei que,
    se existe nós e existe eles,
  96. nós éramos diferentes, sim.
  97. Nós só não éramos piores
  98. como queriam que a gente acreditasse.
  99. Eu e minha irmã sempre gostamos
    de uma certa boneca,
  100. que era caríssima na época.
  101. Então eu tinha uma, ela tinha outra,
  102. e a gente tinha o marido
    de cada uma delas.
  103. As nossas bonecas,
    em todas as brincadeiras,
  104. sempre eram muito independentes,
  105. eram executivas,
  106. e o marido não tinha nome,
    não tinha profissão.
  107. O nome era o que vinha
    escrito na caixinha.
  108. (Risos)
  109. E ninguém ensinou isso
    pra gente lá em casa,
  110. mas eu sou de uma família matriarcal,
  111. então cresci ouvindo
    as mulheres da minha família
  112. dizendo que a gente
    não deveria depender de homens.
  113. Acho que eu me perdi um pouco aqui.
  114. Um dia, eu cismei
    que a gente tinha que ter
  115. uma boneca daquelas
    diferente como a gente.
  116. Aí a minha mãe rodou a cidade inteira
  117. nas lojas de brinquedo,
  118. mas o melhor que ela conseguiu
    foi uma boneca de cabelo marrom.
  119. E ela falava. Aquela boneca era caríssima.
  120. Eu ainda tenho ela e ela fala.
  121. Eu ganhei a minha.
  122. Então, com dez anos,
  123. eu estava buscando uma coisa
  124. que hoje também tem nome:
  125. representatividade.
  126. Eu cheguei na adolescência
  127. e eu me achava
    a menina mais feia do mundo.
  128. Eu ouvia piadinha sobre a minha aparência
  129. quando eu andava na rua.
  130. Eu lembro de rezar perguntando a Deus
  131. porque ele não tinha me feito bonita
  132. em vez de inteligente.
  133. Eu fui estudar numa escola particular
  134. e, pra me irritar, os meninos da turma
  135. escreviam o meu nome
    junto com o deles no quadro
  136. dentro de um coração.
  137. Depois de um tempo, eu aprendi
    a só levantar, apagar,
  138. e sentar sem falar nada.
  139. Aquilo me irritava muito.
  140. Pra eles era só brincadeira.
  141. Apesar disso, eu sempre fui
    a única da turma
  142. que conversava com todo mundo.
  143. Eu podia escolher com qual grupo
  144. eu ia merendar no recreio.
  145. Porque isso de não sentir
    pertencimento tem uma vantagem.
  146. Você passa a circular por vários grupos
  147. tentando se encontrar.
  148. Me perdi de novo.
  149. (Risos)
  150. Então eu aprendi a conviver
  151. em lugares e entre pessoas
  152. que às vezes eram hostis comigo.
  153. Passada a adolescência, veio o vestibular,
  154. e eu estava determinada a entrar
  155. na Universidade Federal de Minas Gerais,
  156. no curso de Arquitetura e Urbanismo.
  157. Eu sempre soube que eu queria
    fazer arquitetura e urbanismo.
  158. Meu pai chegava com o jornal
  159. e eu corria pra pegar
    o caderno de anúncios
  160. e ficava horas em cima das plantas
    dos imóveis e dos prédios.
  161. Eu fiz o vestibular e eu não passei.
  162. Só dependia de mim, e eu não passei.
  163. Aquilo me trouxe
    um sofrimento muito grande,
  164. porque eu tinha um plano.
  165. Eu cresci no interior,
    então meu plano era:
  166. ir pra capital, estudar,
  167. voltar pra casa da minha mãe
    no fim de semana
  168. e socializar o mínimo possível.
  169. E deu errado.
  170. Então, no ano seguinte,
  171. eu resolvi que faria vestibular
    pra duas universidades,
  172. e lembro disto até hoje:
  173. por quatro pontos, eu não passei de novo,
  174. por quatro pontos na segunda fase
    eu não passei, de novo,
  175. na Universidade Federal de Minas Gerais.
  176. Mas eu era a primeira na lista de espera
    da Universidade Federal de Viçosa.
  177. O que, pra mim, era a mesma coisa
    que não ter passado.
  178. Não tinha glória em estar
    numa lista de espera.
  179. Tudo que eu queria era
    que não me chamassem
  180. porque ficava a seis horas
    de distância da casa da minha mãe
  181. e eu não ia conseguir
    executar o meu plano.
  182. Mas me chamaram.
  183. Essa foi a primeira grande
    virada da minha vida.
  184. Eu entrei e, nos primeiros três meses,
  185. eu só conseguia pensar
  186. em quando eu poderia pedir transferência.
  187. Depois de três meses, eu percebi
    que não era tão ruim assim.
  188. Depois de um tempo, eu percebi
    que ninguém se importava muito
  189. se você era alto, magro, obeso,
    inteligente, não tão inteligente.
  190. As pessoas eram muito diferentes entre si
  191. e todo mundo conversava muito
    entre todo mundo,
  192. com todo mundo, sobre qualquer assunto
  193. porque não era uma opção.
  194. Noventa por cento
    dos alunos lá são de fora,
  195. estão a quilômetros de distância de casa.
  196. Depois de um tempo, percebi
  197. que, dali, sairiam os melhores amigos
    que eu poderia ter na vida.
  198. E que, depois de cinco anos,
    eu não seria a mesma.
  199. Realmente, são os melhores amigos
    que eu tenho na vida.
  200. A gente está completando
    dez anos de formados hoje
  201. e ninguém acredita,
    quando a gente se reúne,
  202. que aquela turma é a turma de faculdade,
  203. porque nós somos muito diferentes.
  204. Então é pouco provável
    que nós nos tornaríamos amigos
  205. fora daquele contexto.
  206. E, de fato, eu nunca mais fui a mesma.
  207. Eu aprendi a conviver bem
    com o defeito dos outros
  208. e, se eu podia conviver bem
    com o defeito dos outros,
  209. por que eu não poderia
    conviver bem com os meus?
  210. Aqueles que eu enxergava como defeito
  211. e aqueles que a sociedade
    me apontava como defeito.
  212. Eu cheguei à conclusão
    de que eu não precisava ser perfeita,
  213. eu não precisava ser completa,
  214. eu não precisava sorrir sem querer,
  215. só porque as pessoas achavam
    que eu era séria demais,
  216. e eu não precisava deixar o meu cabelo
  217. como as pessoas esperavam
    que ele deveria estar.
  218. Eu me formei
  219. e voltei pro interior,
    pra cidade da minha mãe,
  220. pra trabalhar com projeto arquitetônico.
  221. Eu trabalhei com projeto por seis anos.
  222. Eu ainda sou apaixonada
    por projeto arquitetônico,
  223. mas, depois de um tempo, aquilo
    parou de fazer sentido pra mim.
  224. Meu trabalho não tinha o poder
    de impactar a vida das pessoas
  225. da forma que eu desejava e esperava.
  226. Eu trabalhava, na maior parte do tempo,
  227. com residências de alto padrão.
  228. Eu tinha, de forma frequente,
    na minha cabeça,
  229. uma frase que um tio me falou
  230. pouco depois que eu me formei
    e fui contar pra ele
  231. que meu trabalho era muito elogiado.
  232. Ele falou pra mim:
    "O bom, pra você, não é suficiente".
  233. Ele não quis dizer
    que eu merecia algo melhor.
  234. Ele quis dizer que eu teria
    que fazer sempre muito melhor,
  235. se eu quisesse sair do lugar.
  236. Eu resolvi fazer um concurso público,
  237. eu passei,
  238. e essa foi a segunda grande
    virada da minha vida.
  239. Eu fui morar em Belo Horizonte,
  240. fui morar sozinha,
  241. e fui trabalhar numa instituição
    onde eu acreditava muito
  242. que eu poderia impactar
    a vida de muita gente.
  243. Mas, depois de um ano, eu percebi
    que eu não ia conseguir fazer aquilo,
  244. mas eu tinha tempo livre
  245. pra buscar a transformação fora dali.
  246. Então eu comecei a procurar por coisas
  247. que fizessem sentido pra mim.
  248. Hoje, eu sei que não é a gente
    que encontra o sentido,
  249. as coisas que fazem sentido
    é que encontram a gente.
  250. Num intervalo muito curto de tempo,
  251. eu fui convidada a conhecer uma jovem
  252. que tinha colocado
    todo o dinheiro da sua formatura
  253. numa plataforma virtual
  254. pra que as pessoas pudessem,
    de forma gratuita,
  255. trocar habilidade e conhecimento
  256. depois de se conhecer nessa plataforma.
  257. Eu ouvi de madrugada uma mulher correndo,
  258. gritando, aos prantos,
  259. porque ela estava sendo
    perseguida por um homem
  260. e uma padaria abriu
    a porta pra ela entrar.
  261. E eu li, na internet,
    um relato de violência sexual
  262. que me deixou dormindo muito mal
  263. e me fez acordar com a certeza
    de que algo deveria ter sido feito
  264. pra que alguém pudesse
    ter estado lá por ela,
  265. e por outras mulheres,
    pra que elas pudessem ser livres
  266. pra realizar o sonho
    de mudar a vida de alguém
  267. como aquela jovem que eu tinha conhecido.
  268. E, na época, eu não via impedimento
    pra que eu fizesse alguma coisa.
  269. Eu liguei pra minha irmã, logo cedo,
  270. e falei pra ela:
    "Eu já sei o que eu quero fazer!
  271. Eu quero construir algo
    que seja maior que eu".
  272. Eu me inscrevi num evento,
  273. pensei num aplicativo,
  274. pensei numa história,
  275. e fui pro evento sem conhecer ninguém.
  276. Todo mundo era da área
    de tecnologia, business ou design.
  277. E eu hesitei até o último segundo
  278. em subir no palco pra tentar
    convencer aquelas pessoas
  279. de que eu tinha uma boa ideia.
  280. Eu me convenci falando pra mim mesma:
  281. "Você passou seis anos fazendo
    as pessoas pagarem por suas ideias.
  282. Então sobe lá!"
  283. Eu subi, contei uma história
  284. e terminei com:
  285. "Sabe aquele pedido
    de: 'Quando chegar, avisa'?
  286. Quem é que avisa se a gente não chega?"
  287. E essa foi a terceira grande
    virada da minha vida,
  288. que é a Malalai.
  289. Nós surgimos como um aplicativo,
  290. fomos informados de que somos uma startup
  291. e o que eu espero hoje é que ela seja,
  292. acima de tudo, um movimento.
  293. Eu sou mulher, negra,
    arquiteta e urbanista,
  294. empreendendo na área de tecnologia,
  295. querendo combater um dos silêncios
    mais ensurdecedores que existem,
  296. que é a violência sexual.
  297. Eu estou cinco vezes fora da casinha.
  298. Eu não precisei falar de gênero e cor
  299. pra que vocês entendessem
    tudo o que está por trás
  300. de todas essas histórias
    que eu contei aqui.
  301. As pessoas ficam surpresas de ver
  302. o ponto em que nós conseguimos
    chegar com essa solução.
  303. Eu não sou da área de tecnologia,
  304. o Henrique, que é meu sócio,
    não desenvolvia aplicativos,
  305. e somos só nós dois, mesmo,
    sem investimento.
  306. E realmente o dinheiro é pouco.
  307. A maior parte sai do meu bolso,
  308. mas eu tenho um trunfo.
  309. Eu conheço pessoas.
  310. Desde que tudo isso
  311. começou,
  312. eu ouvi cinco relatos, pessoalmente,
  313. eu ouvi cinco relatos
  314. de ataques
  315. e tentativas de estupro
  316. e estupro.
  317. Eu fui abraçada por incontáveis mulheres
  318. que eu nunca vi.
  319. Logo eu, a menina de cara fechada
    que não ri fácil.
  320. Eu tenho pra mim que,
  321. se nada sair como planejado,
  322. porque é claro que eu tenho sonho grande
  323. pro que a gente está construindo,
  324. mas, se nada sair como o planejado,
  325. a gente precisa garantir
    que está deixando um rastro positivo.
  326. As pessoas não querem ouvir
  327. que, a cada 11 minutos,
    uma mulher é estuprada no Brasil.
  328. É desconfortável, não é cômodo.
  329. O que faço hoje não é confortável
    pra mim também,
  330. mas está tudo bem,
  331. porque incomodada é meu status permanente.
  332. Eu ouvi de uma mulher,
  333. diferente como eu,
  334. uma frase que me faz pensar
  335. que, se nada sair como planejado,
    ainda terá valido a pena.
  336. Ela falou pra mim:
  337. "Obrigada!
  338. Descobri que não posso aceitar ser menos
    do que o melhor que eu posso ser".
  339. Isso me mostra que ser
    exatamente quem eu sou
  340. e falar a verdade
    que as pessoas não querem ouvir
  341. é revolucionário.
  342. Desde que tudo isso começou,
  343. se eu disser que eu conheci 100 pessoas,
  344. cerca de 80 delas estão
    trabalhando pra mudar processos.
  345. Mais ou menos 20 pessoas
    enxergam diferente,
  346. mas enxergar diferente não é suficiente,
  347. você precisa fazer diferente.
  348. E essas são cerca de cinco.
  349. E é dessas pessoas
    que eu gosto de estar perto.
  350. Essas cinco.
  351. Talvez elas não enriqueçam tão rápido,
  352. talvez elas não saibam
    como o que elas fazem vai virar dinheiro,
  353. mas elas têm a certeza de que o caminho
    é trabalhar pra mudar pessoas.
  354. A minha batalha pessoal
    é pra que meninas saibam
  355. que as mulheres têm um poder transformador
  356. enorme nas mãos.
  357. E que, quando elas resolvem agir,
  358. isso tem um impacto enorme
    em todo mundo
  359. que está em volta delas.
  360. O meu fim é a segurança,
  361. mas o meu meio é a liberdade.
  362. Isso não é só sobre segurança.
  363. É sobre a liberdade de ir até ali,
  364. fazer o que tem que ser feito
    pra mudar o mundo
  365. e voltar inteira, sozinha, se for preciso.
  366. Eu espero, profundamente,
  367. que o futuro seja feminino,
  368. porque isso se traduz
    num futuro mais humano.
  369. Obrigada!
  370. (Aplausos) (Vivas)