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← A próxima tendência vem do Bronx, de novo

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Showing Revision 21 created 08/10/2019 by Elena Crescia.

  1. Meu nome é Jon Gray.

  2. Sou chamado de "O Lavador de Pratos".
  3. Cofundei o Ghetto Gastro,
  4. um coletivo do Bronx
  5. que trabalha na confluência
    entre alimentação, design e arte.
  6. Criamos experiências que desafiam
    as percepções das pessoas sobre o Bronx,
  7. o lugar que chamo de lar.
  8. É engraçado.

  9. Acabei de pousar em Vancouver
    vindo de Paris há alguns dias.
  10. Assumimos a Place Vendôme
    com a Bronx Brasserie.
  11. "Oui oui, chérie."
  12. (Risos)

  13. (Aplausos)

  14. É loucura, porque, em Paris,
    eles têm esta expressão:

  15. "le Bronx",
  16. que significa que algo está
    em desordem ou é um problema.
  17. Esta é a Place Vendôme.
  18. Nós a fechamos uma vez.
  19. (Risos)

  20. Esse dialeto ganhou importância
    quando o Bronx estava em evidência,

  21. e filmes como "Os Selvagens da Noite"
    e "Sangue de Heróis"
  22. ainda têm um forte impacto.
  23. Alguns podem discordar,
  24. mas acredito que o Bronx
    foi projetado para o fracasso.
  25. O figurão era um piadista.
  26. Robert Moses, em vez
    de dividir o Mar Vermelho,
  27. dividiu o Bronx
    com uma rodovia de seis pistas
  28. e separou minha comunidade.
  29. Meus bisavós tinham uma casa
    em Featherbed Lane
  30. e, ao contrário do nome,
  31. não conseguiam ter uma boa noite de sono
  32. devido às constantes explosões
    e perfurações necessárias
  33. pra construir a rodovia
    que atravessa o Bronx
  34. a um quarteirão de distância.
  35. Considero essas decisões políticas
  36. projetar crimes.
  37. (Aplausos)

  38. Sendo as pessoas fortes que somos,
    afastadas do centro,

  39. fora da opressão sistemática,
  40. a cultura do hip-hop surgiu dos escombros
    e das cinzas como uma fênix.
  41. O hip-hop é hoje uma indústria
    de trilhões de dólares,
  42. mas essa atividade econômica
    não traz retorno ao Bronx
  43. ou a comunidades como ele.
  44. Vamos voltar a 1986.

  45. Nasci no centro da crise da AIDS,
  46. da epidemia de crack
  47. e da guerra às drogas.
  48. A única coisa que se espalhou
    a partir da "Reaganomia"
  49. foi a "guetonomia":
  50. dor,
  51. prisão
  52. e pobreza.
  53. Fui criado por mulheres negras
    inteligentes, bonitas e talentosas.

  54. Mesmo assim, meu pai
    não estava presente,
  55. e não pude resistir ao fascínio das ruas.
  56. Como disse Notorius B.I.G.,
  57. ou você vende drogas
    ou é um exímio jogador.
  58. Acreditem, eu jogava bem.
  59. (Risos)

  60. Muito bem.

  61. (Aplausos)

  62. Mas, quando completei 15 anos,
    comecei a vender maconha,

  63. não terminei o ensino médio,
  64. o Departamento de Educação de Nova York
    me expulsou da escola,
  65. mas me formei pra vender cocaína
    quando completei 18 anos.
  66. Eu me dei bem,
  67. até que fui preso, acusado por um crime,
    quando eu tinha 20 anos.
  68. Eu ia cumprir dez anos.
  69. Paguei fiança, me inscrevi
    no Fashion Institute,
  70. apliquei as habilidades
    que aprendi nas ruas
  71. pra começar minha própria marca de moda.
  72. Meu advogado viu minha ambição
  73. e sugeriu que o juiz
    suspendesse minha pena.
  74. Pela primeira vez na vida,
    uma suspensão foi algo bom.
  75. (Risos)

  76. Ao longo de dois anos
    e muitas idas ao tribunal,

  77. meu caso foi encerrado.
  78. Meus dois irmãos estão presos.
  79. Fugir do poder do sistema
    prisional industrial
  80. não me pareceu realista.
  81. Neste momento, um de meus irmãos
    está cumprindo 20 anos.
  82. Minha mãe fez um grande esforço
    pra me alimentar,
  83. garantir que visitássemos museus
  84. e viajássemos para o exterior,
  85. basicamente me expondo
    ao máximo de cultura possível.
  86. Lembro-me de que, quando criança,

  87. eu costumava dominar a mesa de jantar
    e pedir comida pra todos.
  88. Partir o pão sempre me permitiu inovar
  89. e me relacionar com as pessoas.
  90. Eu e meu mano Les

  91. crescemos no mesmo quarteirão do Bronx,
  92. dois caras das ruas.
  93. Ele se tornou um chef.
  94. Sempre discutimos a possibilidade
    de fazer algo na área gastronômica
  95. em benefício de nosso bairro.
  96. Les tinha acabado de vencer
    o programa de TV "Chopped".
  97. Nosso mano Malcolm estava se preparando
    pra dirigir a confeitaria no Noma,
  98. sim, o melhor Noma do mundo
    em Copenhague, sabem como é.
  99. Meu mano P tinha acabado
    de treinar na Itália,
  100. Milão, pra ser exato.
  101. Decidimos que o mundo precisava
    de um pouco de tempero do Bronx.
  102. Então, nos mobilizamos
    e formamos o Ghetto Gastro.
  103. (Aplausos)

  104. Embora eu saiba que nosso nome
    deixa muita gente desconfortável,

  105. pra nós, "gueto" significa lar.
  106. Do mesmo jeito que alguém
    em Mumbai ou Nairóbi
  107. pode usar a palavra "favela",
  108. para identificar nosso povo
  109. e culpar os sistemas de negligência
    que criaram essas condições.
  110. (Aplausos)

  111. Então, o que é o Ghetto Gastro?

  112. No fundo, é um movimento
    e uma filosofia.
  113. Vemos o trabalho que fazemos
    como gastrodiplomacia,
  114. usando alimentação e requinte
  115. pra abrir fronteiras e conectar cultura.
  116. No ano passado, em Tóquio,
  117. fizemos um pastel caribenho,
  118. carne-seca de wagyu,
  119. shio kombu.
  120. Remixamos o clássico do Bronx
    com os elementos japoneses.
  121. E, para o Kwanzaa,
  122. tivemos que prestar homenagem
    aos nossos porto-riquenhos
  123. e fizemos um "coquito" de conhaque
  124. com carvão de coco.
  125. "Dímelo!"
  126. (Risos)

  127. Este aqui é nosso waffle Black Power

  128. com um pouco de xarope de folhas de ouro.
  129. Cuidado pra não derramar no tempero.
  130. (Risos)

  131. Aqui temos o "velato"
    de plantas a 36 graus Brix.

  132. Strawberry fields, sabem como é.
  133. Melancia prensada,
  134. sementes de manjericão,
  135. um pouco de morangos em cima.
  136. De volta à Bronx Brasserie,
  137. tivemos que atingi-los na cabeça
    com aquele caviar e pão de milho.
  138. (Risos)

  139. (Aplausos)

  140. Também praticamos a diplomacia da bandana.

  141. (Risos)

  142. Porque não mudamos quem somos
    quando fazemos nossas coisas.

  143. Por causa da nossa aparência,
  144. muitas vezes somos confundidos
    com rappers ou atletas.
  145. Aconteceu aqui no ano passado no TED.
  146. Um cara chegou pra mim
  147. e me perguntou quando eu ia me apresentar.
  148. Que tal agora?
  149. (Aplausos)

  150. Então, vejam,

  151. temos levado o Bronx para o mundo,
  152. mas agora nos concentramos
    em levar o mundo ao Bronx.
  153. Acabamos de abrir nosso ponto,
  154. uma cozinha de ideias
  155. onde fabricamos e projetamos produtos,
  156. criamos conteúdo...
  157. (Música)

  158. [Stease the day]

  159. [Ghetto Gastro]

  160. e recebemos eventos da comunidade.

  161. A intenção é gerar capital financeiro
  162. e capital criativo em nosso bairro.
  163. Também estamos colaborando
    com o renomado chef Massimo Bottura

  164. em um "refettorio" no Bronx.
  165. Refettorio é uma cozinha e um centro
    comunitários com foco no design.
  166. Vejam só.
  167. (Aplausos)

  168. A recente onda de pesar pelo assassinato

  169. do rapper e empresário Nipsey Hussle
  170. é, em grande parte, devido ao fato
  171. de que ele decidiu permanecer
    e se desenvolver no mesmo lugar,
  172. em vez de deixar seu bairro.
  173. Depois de sua morte, alguns podem
    achar essa decisão insensata,
  174. mas estou tomando
    a mesma decisão todos os dias:
  175. morar no Bronx,
  176. criar no Bronx,
  177. investir no Bronx.
  178. (Aplausos)

  179. No Ghetto Gastro, não fugimos
    da palavra "gueto",

  180. nem fugimos do gueto.
  181. Porque, no final das contas,
  182. o Ghetto Gastro se trata
    de mostrar o que já sabemos:
  183. "O bairro
  184. é bom".
  185. (Aplausos)

  186. Obrigado.

  187. (Aplausos) (Vivas)