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← Querem um mundo mais justo? Sejam um aliado improvável

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Showing Revision 15 created 08/12/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Podem perguntar a quem quiserem,
  2. e todos vos dirão
  3. que estão fartos e cansados
    de lutar pela justiça.
  4. Pessoas de cor e membros
    da comunidade LGBT estão cansados
  5. de carregar o peso de falar
  6. e dar a cara
  7. mesmo quando estão a ser silenciados
  8. e empurrados para baixo.
  9. Os aliados brancos
  10. e os aliados cis também estão cansados.
  11. Cansados que lhes digam
    que o que estão a fazer está mal
  12. ou que nem sequer é o seu lugar
    para aparecer de todo.
  13. Esta fadiga está a ter impacto
    em todos nós.
  14. E, na realidade,
  15. acredito que não vamos ter sucesso
  16. enquanto não abordarmos a justiça
    de uma nova forma.
  17. Eu cresci no meio
    do movimento pelos direitos civis

  18. no Sul segregado.
  19. Como uma miúda de cinco anos,
  20. eu estava muito interessada no "ballet".
  21. Era a coisa típica para uma miúda
    de cinco anos fazer, nos anos 60.
  22. A minha mãe levou-me
    a uma escola de "ballet".
  23. Sabem, aquele tipo de escola
    com professores
  24. que falavam dos nossos dons e talentos
  25. sabendo que nunca seríamos bailarinas.
  26. (Risos)

  27. Quando lá chegámos,

  28. disseram delicadamente
    que "não aceitavam negros."
  29. Voltámos para o carro, como se
    tivéssemos saído da mercearia
  30. onde se tinha esgotado o sumo de laranja.
  31. Não dissemos nada.
  32. Apenas conduzimos até
    a outra escola de "ballet".
  33. Disseram: "Nós não aceitamos negros."
  34. Bem, eu estava confusa.

  35. Perguntei à minha mãe
    porque é que não me queriam.
  36. Ela disse: "Bem, não são
    suficientemente inteligentes
  37. "para te aceitarem neste momento,
  38. "e não sabem quão excelente tu és."
  39. (Aplausos)

  40. Eu não percebi o que aquilo significava.

  41. (Risos)

  42. Mas tinha a certeza que não era coisa boa,

  43. porque conseguia vê-lo
    nos olhos da minha mãe.
  44. Ela estava zangada,
  45. e parecia que estava quase
    à beira das lágrimas.
  46. Decidi naquele momento
  47. que o "ballet" era uma parvoíce.
  48. (Risos)

  49. Tive muitas experiências
    como esta ao longo do caminho

  50. mas, à medida que crescia,
  51. comecei a ficar zangada.
  52. E não apenas zangada
    com o racismo e a injustiça.
  53. Estava zangada com as pessoas
    que viam e não diziam nada.
  54. Como, porque é que os pais brancos
    na escola de "ballet" não disseram:
  55. "Oh, isso está errado.
  56. "Deixem a miúda dançar."
  57. (Aplausos)

  58. Porque é que os mecenas brancos,
    nos restaurantes segregados não dizem:

  59. "Isso não está certo.
  60. "Deixem essa família comer."
  61. Mas não demorei muito a perceber
  62. que a injustiça racial
    não era o único lugar
  63. em que a maioria das pessoas
    estavam a ficar caladas.
  64. Quando eu me sentava na igreja
    e ouvia um comentário homofóbico
  65. disfarçado de algo das Escrituras,
  66. eu dizia: "Desculpem,
  67. "porque é que os heterossexuais
    que vão à igreja,
  68. "não contrariam este disparate?"
  69. (Aplausos)

  70. Ou, numa sala cheia de pessoal
    dos 40 aos 70 anos

  71. que começavam a diminuir
    os que tinham menos de 40 anos
  72. como sendo mimados,
    preguiçosos e convencidos,
  73. eu dizia: "Desculpem,
  74. "porque é que não há
    ninguém da minha idade
  75. "a dizer para deixarem
    de usar estereótipos?"
  76. (Aplausos)
  77. Eu estava habituada a protestar
    em assuntos como este,

  78. mas porque é que os outros
    não estavam?
  79. A minha professora do quinto ano,

  80. a Sra. McFarland,
  81. ensinou-me que a justiça
    exige um cúmplice
  82. E não pode ser qualquer pessoa.
  83. Ela disse que precisamos
    de aliados improváveis
  84. se quisermos ver acontecer
    uma mudança real.
  85. Para aqueles que sofrem injustiça,
  86. precisamos de estar disponíveis
    a aceitar a ajuda
  87. porque, se não o fizermos.
  88. a mudança demora demasiado tempo.
  89. Imaginem se os heterossexuais
    e "gays" não se tivessem juntado

  90. sob o estandarte da igualdade matrimonial.
  91. Ou se o presidente Kennedy
  92. não estivesse interessado
    no movimento dos direitos civis?
  93. A maioria dos principais movimentos
    neste país podiam ter sido adiados
  94. ou até morrido
  95. se não fosse a presença
    de aliados improváveis.
  96. Quando as mesmas pessoas
    falam da mesma forma
  97. que sempre falaram,
  98. o máximo que obteremos
    serão os mesmos resultados
  99. vezes sem conta.
  100. Sabem, os aliados estão
    muitas vezes do lado de fora

  101. à espera de serem chamados
  102. Mas, que tal se os aliados improváveis
    liderassem em assuntos?
  103. Que tal se os negros
    e os nativos americanos
  104. estivessem à frente
    dos problemas de imigração?
  105. (Aplausos)

  106. Que tal se os brancos liderassem
    a luta para terminar com o racismo?

  107. (Aplausos)

  108. Que tal se os homens liderassem a luta
    pela equidade salarial para as mulheres?

  109. (Aplausos)

  110. Que tal se os heterossexuais liderassem
    a luta pelos problemas dos LGBTQ?

  111. (Aplausos)

  112. Que tal se as pessoas fisicamente
    aptas defendessem

  113. as pessoas que vivem com deficiências?
  114. (Aplausos)

  115. Sabem, nós podemos lutar por questões,

  116. participar e defender
  117. mesmo quando parece ser uma questão
    que nada tem a ver connosco.
  118. E na verdade,
  119. essas são as questões
    que são mais contundentes.
  120. E claro,
  121. as pessoas não vão perceber
    porque é que vocês estão ali,
  122. mas é por isso que aqueles
    que enfrentam a injustiça
  123. devem estar dispostos
    a aceitar ajuda.
  124. Vocês sabem, temos de
    combater a injustiça
  125. com uma consciência de honra.
  126. Quando o pessoal branco luta
  127. pela libertação
    dos negras e dos mestiços,
  128. os negros e os mestiços terão de
    estar dispostos a aceitar a sua ajuda.
  129. E eu sei que isto é complicado,
  130. mas é um trabalho coletivo,
  131. e requer que estejamos todos envolvidos.
  132. Um dia, quando eu andava no infantário,

  133. a nossa professora apresentou-nos
  134. a uma senhora branca,
    bela e alta, chamada Ann.
  135. Eu pensava que ela era a senhora
    branca mais bonita que já tinha visto.
  136. Para ser sincera convosco,
  137. penso que foi a primeira vez que vi
    uma senhora branca na nossa escola.
  138. (Risos)

  139. A Ann estava à nossa frente,

  140. e disse que ia começar
    a dar aulas de "ballet"
  141. ali mesmo na nossa escola
  142. e que estava orgulhosa por ser
    a nossa professora de dança.
  143. Parecia irreal.
  144. De repente,
  145. ♪ já não pensava que o ballet
    era uma parvoíce.
  146. (Risos)

  147. Vejam bem, o que eu sei agora
    é que Ann estava plenamente consciente

  148. que as escolas brancas de "ballet"
    não aceitavam raparigas negras.
  149. E ela estava indignada com isso.
  150. Por isso, veio para o bairro dos negros
  151. para começar a dar aulas de dança.
  152. E sabem, foi preciso amor e
    coragem para fazer isso.
  153. (Aplausos)

  154. E onde não havia justiça,

  155. ela criou-a.
  156. Todos sobrevivemos,
  157. porque nos apoiamos nos ombros
    dos nossos antepassados negros.
  158. Todos prosperámos, porque
    a Ann era uma aliada improvável.
  159. Quando juntamos a nossa voz

  160. e as nossas ações
  161. a situações que nem pensamos
    que nos envolvem,
  162. estamos a inspirar outros
    a fazer o mesmo.
  163. A Ann inspirou-me a estar sempre atenta
  164. a situações que não tinham a ver comigo
  165. mas onde eu visse injustiça e desigualdade
  166. a acontecer mesmo assim.
  167. Espero que ela também vos inspire
  168. porque, para ganhar a luta da igualdade,
  169. precisamos todos de falar mais alto
  170. e de nos levantarmos.
  171. Todos nós vamos precisar de o fazer.
  172. E todos vamos precisar de o fazer
  173. mesmo quando for difícil
  174. e mesmo quando nos sentirmos deslocados,
  175. porque é o vosso lugar,
  176. e porque é o nosso lugar.
  177. A justiça conta com todos nós.

  178. Obrigada.

  179. (Aplausos)