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← Quer um mundo mais justo? Seja um aliado improvável

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Showing Revision 62 created 08/10/2020 by Maricene Crus.

  1. Vocês podem perguntar a quem quiserem,
  2. e lhes dirão
  3. que estão absolutamente
    cansados de lutar por justiça.
  4. Pessoas de cor e membros
    da comunidade LGBT estão cansados
  5. de carregar o fardo de se pronunciarem
  6. e entrar em ação
  7. mesmo quando são silenciados
  8. e botados para baixo.
  9. Os aliados brancos e cis
    também estão cansados.
  10. Cansados de lhes dizerem que estão errados
  11. ou que eles sequer têm
    o direito de se manifestar.
  12. Esse cansaço está afetando todos nós.
  13. E de fato,
  14. acredito que não teremos sucesso
  15. até abordarmos a justiça de um novo jeito.
  16. Cresci em meio ao movimento
    dos direitos civis

  17. no Sul segregado.
  18. Aos cinco anos, eu era uma menina
    muito interessada por balé.
  19. Parecia ser a moda das meninas
    de 5 anos de idade nos anos 1960.
  20. Minha mãe me levou a uma escola de balé,
  21. daquelas com professores que falam
    sobre seus dons e talentos
  22. sabendo que você nunca
    será uma bailarina.
  23. (Risos)

  24. Quando nós chegamos,

  25. eles disseram gentilmente
    que "não aceitavam negros".
  26. Saímos de lá como se estivéssemos
    saindo de uma mercearia
  27. que não tinha mais suco de laranja.
  28. Não dissemos nada...
  29. só fomos para a próxima escola de balé.
  30. Eles disseram: "Nós não aceitamos negros".
  31. Fiquei confusa.

  32. E perguntei para minha mãe
    por que não me queriam.
  33. Ela disse: "Não são inteligentes
    o suficiente para aceitá-la agora
  34. e não sabem como você é excelente".
  35. (Aplausos) (Vivas)

  36. Eu não sabia o que aquilo significava.

  37. (Risos)

  38. Mas tinha certeza que não era bom,

  39. podia ver isso nos olhos da minha mãe.
  40. Ela ficou brava
  41. e parecia estar prestes a chorar.
  42. Decidi naquele momento
    que balé era uma coisa idiota.
  43. (Risos)

  44. Tive muitas experiências assim
    na minha trajetória,

  45. mas, conforme fui crescendo,
    comecei a sentir raiva.
  46. E não apenas do racismo e da injustiça.
  47. Mas das pessoas que não diziam nada.
  48. Por que os pais brancos daquela escola
    de balé não disseram:
  49. "Isso está errado.
  50. Deixem aquela garotinha dançar"?
  51. (Aplausos)

  52. Ou os clientes brancos dos restaurantes
    segregadores que não disseram:

  53. "Ei, isso não está certo.
  54. Deixem essa família comer".
  55. Não demorei muito para perceber
  56. que a injustiça racial
    não era o único momento
  57. em que as pessoas na maioria se calavam.
  58. Quando eu escutava algum
    comentário homofóbico na igreja
  59. disfarçado de algo bíblico,
    eu dizia: "Me desculpe,
  60. por que os fiéis heterossexuais
    não impedem esse absurdo?"
  61. (Aplausos)

  62. Ou...

  63. numa sala cheia de "baby boomers"
    e pessoas da geração X
  64. que degradavam os colegas da geração Y
  65. como mimados, preguiçosos
    e confiante demais,
  66. eu dizia: "Me desculpe,
  67. por que alguém da minha idade
    não diz para pararem de estereotipar?"
  68. Plateia: Sim!

  69. (Aplausos)

  70. Eu estava acostumada
    a defender questões como essas,

  71. mas por que nem todo mundo estava também?
  72. Minha professora do quinto ano,

  73. Sra. McFarland,
  74. me ensinou que a justiça pede um cúmplice.
  75. Mas não qualquer um.
  76. Ela dizia que precisamos
    de aliados improváveis
  77. se queremos ver
    mudanças reais acontecerem.
  78. E para aqueles de nós
    que sentem a injustiça na pele,
  79. temos que nos dispor a aceitar a ajuda,
  80. porque, quando não o fazemos,
    a mudança demora demais.
  81. Imaginem se heterossexuais
    e homossexuais não tivessem se unido

  82. sob a bandeira da igualdade no casamento.
  83. Ou se o Presidente Kennedy
  84. não tivesse se engajado
    no movimento dos direitos civis.
  85. A maioria dos principais movimentos
    neste país podia ter sido adiada
  86. ou mesmo encerrada
  87. se não fosse pela presença
    de aliados improváveis.
  88. Quando as mesmas pessoas se manifestam
    na mesma maneira de sempre,
  89. o máximo que conseguimos
    são os mesmos resultados
  90. repetidamente.
  91. Os aliados costumam ficar de lado
    esperando para serem chamados.

  92. Mas e se os aliados improváveis
    ficassem à frente das questões?
  93. Por exemplo,
  94. e se negros e nativos americanos tomassem
    a frente nas questões de imigração?
  95. (Aplausos)
  96. Ou se os brancos liderassem
    os esforços para acabar com o racismo?
  97. (Aplausos) (Vivas)
  98. Ou...

  99. e se os homens tomassem a frente
    na igualdade salarial para as mulheres?
  100. (Aplausos) (Vivas)

  101. Ou...

  102. e se os heterossexuais ficassem
    à frente de questões LGBTQ?
  103. (Aplausos) (Vivas)

  104. E se as pessoas capazes defendessem
    as pessoas que vivem com deficiência?

  105. (Aplausos) (Vivas)

  106. Podemos nos envolver em questões,

  107. nos pronunciar e defendê-las
  108. mesmo quando parece que o problema
    não tem nada a ver conosco.
  109. E na verdade, essas são
    as questões mais prementes.
  110. E claro,
  111. as pessoas não têm ideia
    do porquê você está lá,
  112. mas é por isso que ao enfrentar injustiça
  113. devemos estar dispostos a aceitar ajuda.
  114. Temos que combater a injustiça
  115. com uma consciência de benevolência.
  116. Quando os brancos se levantam para lutar
    pela libertação dos negros e pardos,
  117. estes terão que estar
    dispostos a aceitar ajuda.
  118. E eu sei que é complicado,
  119. mas é um trabalho coletivo
  120. e exige que todos participem.
  121. Quando eu estava no jardim de infância,
  122. nosso professor nos apresentou
  123. a uma moça linda, alta
    e branca chamada Srta. Ann.
  124. Era a mulher branca
    mais bonita que já tinha visto.
  125. Serei honesta com vocês,
  126. acho que foi a primeira vez que vimos
    uma mulher branca em nossa escola.
  127. (Risos)

  128. A Srta. Ann nos disse
    que começaria a dar aulas de balé

  129. na nossa escola,
  130. e que ela estava orgulhosa
    de ser nossa professora de dança.
  131. Foi surreal.
  132. De repente,
  133. eu não achava mais o balé idiota...
  134. (Risos)

  135. Sei agora que a Srta. Ann
    estava plenamente consciente

  136. de que as escolas de balé brancas
    não aceitavam meninas negras.
  137. Ela ficava furiosa com isso.
  138. Então veio ao bairro negro
  139. para começar a dar as aulas
    por conta própria.
  140. Foi preciso amor e coragem
    por parte dela pra fazer isso.
  141. (Aplausos)

  142. E onde não havia justiça,

  143. ela foi lá e a criou.
  144. Todos nós sobrevivemos,
  145. porque nos apoiamos nos ombros
    de nossos ancestrais negros.
  146. Prosperamos, porque a Srta. Ann
    foi uma aliada improvável.
  147. Quando unimos a nossa voz

  148. e nossas ações
  149. a situações que achamos
    que não têm a ver conosco,
  150. inspiramos outras pessoas
    a fazerem o mesmo.
  151. A Srta. Ann me inspirou
    a estar sempre atenta
  152. a situações que não fossem sobre mim,
  153. mas nas quais eu via injustiça
    e desigualdade acontecendo.
  154. Espero que ela os inspire também,
  155. porque para vencer a luta pela equidade
  156. todos nós precisamos nos manifestar
  157. e nos posicionar.
  158. Todos nós precisamos fazer isso.
  159. E precisamos fazer isso
  160. mesmo quando é difícil
  161. e sentimos que não é nosso direito,
  162. porque é o seu direito
  163. e é o nosso direito.
  164. A justiça conta com todos nós.
  165. Obrigada.

  166. (Aplausos) (Vivas)