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← Julie Mehretu: Politicized Landscapes | Art21 "Extended Play"

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Showing Revision 22 created 09/21/2017 by Mauricio Antero.

  1. [Julie Mehretu: Paisagens Politizadas]
  2. Não há algo que seja
    meramente uma "paisagem".
  3. A paisagem verdadeira é politizada
  4. através dos eventos
    que ocorrem nela.
  5. E não creio que seja possível para mim,
    de uma maneira geral,
  6. pensar sobre a paisagem americana
  7. sem pensar sobre a história colonial--
  8. e a violência colonial--
    dessa narrativa.
  9. O movimento abolicionista.
  10. A Guerra Civil.
  11. O movimento pela emancipação.
  12. Toda esta mecânica social que é
    parte da narrativa,
  13. não falamos sobre ela quando nos referimos
    a pinturas da paisagem americana.
  14. Então o que significa pintar uma paisagem
  15. e tentar ser um artista
    neste momento político?
  16. A cor nestas pinturas
  17. veio de fotografias borradas que foram
    embutidas nestes painéis.
  18. As sirenes e as chamas de
    levantes racistas
  19. era uma maneira de
    embeber as pinturas com DNA
  20. para dar-lhes mais profundidade.
  21. --Vou subir para dar uma olhada.
  22. --É, estou empolgada!
  23. [RISADAS]
  24. Marian Goodman me contatou
  25. dizendo-me que o SFMOMA estava interessado
    em fazer esta comissão
  26. antes de o novo museu ser aberto.
  27. Eu fui diversas vezes a São Francisco
    para visitar o museu.
  28. Eu estava lá, olhando para este
    lugar aberto e cavernoso--
  29. para estas duas paredes.
  30. E comecei a pensar sobre
    os parques nacionais
  31. e as representações da
    paisagem americana na pintura.
  32. E, especificamente quando voltei,
  33. continuei pensando nos pintores da
    Escola de Hudson River Valley,
  34. como Edwin Church,
  35. Thomas Cole,
    Bierstadt--
  36. porque eles realmente condensam
    aquela ideia de ir para o oeste.
  37. Comecei a cobrir as imagens de cores borradas
    com pinturas de paisagens históricas.
  38. Logo antes da emancipação,
  39. nativos americanos das Sierras
    e das fronteiras ocidentais
  40. foram completamente aniquilados
    por este projeto expansionista.
  41. O que era interessante era
    como o aspecto
  42. da aniquilação e, logo depois,
    da preservação,
  43. pode existir numa mesma
    paisagem geográfica.
  44. Então São Francisco, como um lugar,
  45. tornou-se importante por causa daquele
    destino de ir para o oeste.
  46. [Jason Moran, compositor e pianista]
  47. --[MEHRETU] Como você está?
  48. Jason Moran escreveu para mim
    após ver algumas pinturas,
  49. e ele falou delas como uma partitura.
  50. E eu fiquei super interessada naquilo.
  51. Então começamos a trabalhar juntos aqui
  52. de uma maneira muito aberta
    e descontraída.
  53. Parece algo incrível
    para se pintar numa igreja.
  54. Tudo reverbera de volta
    a este lugar,
  55. fluxos de energia--
    conscientização--
  56. e tudo que aconteceu este ano
    em minha vida,
  57. com meus filhos,
    com o que acontecia politicamente.
  58. Tudo isto está imerso nestas pinturas.
  59. [Toque de piano elétrico]
  60. Todos esses assassinatos brutais
    do povo Negro neste país--
  61. e o corpo Negro.
  62. A dinâmica Trump-Hillary,
  63. dava nojo de se ver.
  64. Havia algo de visceral
    naquela linguagem.
  65. Quando uma pessoa fala
    tão horrivelmente com outra,
  66. é muito doloroso.
  67. O desconforto de ser uma pessoa
    que vive e trabalha nos Estados Unidos
  68. é o lugar do qual estas pinturas
    estão sendo feitas.
  69. [Toque de piano elétrico]
  70. [JASON MORAN] Cada lugar define um tom,
  71. e é como o tom do lugar.
  72. É o tom que o faz ressoar.
  73. E eu comecei a encontrar um pouco daquilo
    na nota A-bemol.
  74. Comecei a construir em torno daquilo,
  75. e então, de vez em quando,
  76. eu levantava a cabeça para ver onde
    Julie estava em seu trabalho.
  77. Então, lentamente, eu comecei a
    olhar para minhas folhas
  78. não como um lugar que tem
    início e fim,
  79. mas como se tudo aquilo pudesse ser
    composto em momentos diferentes.
  80. --Eu fiz uma pequena seção na qual
    você tirava algumas coisas.
  81. [RISADAS]
  82. --Fiz uma pequena parte para você assim,
    "Vou tirar isso aqui."
  83. [MEHRETU RI]
  84. [MORAN] América é um país
    ainda na adolescência.
  85. Não sabe lidar com as próprias emoções.
  86. [RISADAS]
  87. Não sabe lidar com a própria história.
  88. Ela não quer cavar o chão para saber
    que artefatos estão abaixo dele.
  89. Então o jazz, como eu sempre digo,
    tem sido aquela forma de música
  90. que é o modelo que deixa
    as pessoas saberem o que está acontecendo.
  91. Sempre foi assim.
  92. [Toque de piano elétrico]
  93. Então gravamos a música porque
  94. devíamos documentar o momento
  95. e compartilhá-lo, também.
  96. [MEHRETU] Eu realmente tento pensar
    sobre pintura
  97. como a construção ou criação
    de uma imagem.
  98. Lidar com coisas para as quais
    não temos uma linguagem apropriada.
  99. Eu comecei a pensar nelas como
    estes neologismos visuais.
  100. Recorremos ao neologismo
    quando a linguagem não é suficiente.
  101. Através da repetição de marcas,
  102. existe esse desejo de
    tentar inventar algo.
  103. Em certo momento, eu quis trazer
    elementos dos painéis para a superfície,
  104. para que eles complicassem, espacialmente,
    a maneira que você os vê.
  105. Quando você olha para estas pinturas,
    elas não são compreensíveis.
  106. Há momentos em que elas referenciam
    a pintura da Ascensão Renascentista,
  107. e outros momentos que
    parecem digitalizados.
  108. Pelo menos para mim,
    eles não são algo de que
  109. eu possa dar alguma explicação completa
    sobre o que está acontecendo.
  110. [Toque de Jazz]
  111. Eu amo a Califórnia.
  112. Há essa grandeza na costa
    e na maneira que a costa alcança o oceano.
  113. Quando você está dirigindo pela Bay Area,
    é simplesmente majestoso.
  114. [Museu de Arte Moderna de São Francisco]
  115. Sinto como se eu quisesse fazer
    uma centena de outras pinturas,
  116. porque eu aprendi muito fazendo estas.
  117. Não vou dar um tempo
    ou parar de trabalhar.
  118. Há muito momento criativo
    em terminar estas pinturas.
  119. [Aplausos e aclamação]
  120. Eu tenho um monte de ideias que
    quero investigar
  121. e estou muito empolgada com isso.