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Armas não-letais, um perigo moral?

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    Quero falar com vocês hoje
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    sobre alguns problemas que as forças armadas do mundo ocidental –
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    Austrália, Estados Unidos, Reino Unido e assim por diante –
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    encaram em algumas das implantações
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    com as quais estão lidando atualmente no mundo moderno.
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    Se você pensar sobre os tipos de coisas
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    para as quais enviamos os militares australianos nos últimos anos,
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    temos coisas óbvias como Iraque e Afeganistão,
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    mas também coisas como o Timor Leste
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    e as Ilhas Salomão, entre outras.
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    E muitas dessas implantações
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    às quais na verdade estamos enviando militares esses dias
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    não são guerras tradicionais.
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    Na verdade, vários trabalhos
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    que estamos pedindo para os militares fazerem nestas situações
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    são aqueles que, em seus próprios países, na Austrália, Estados Unidos e assim por diante,
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    seriam na verdade feitos por policiais.
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    E então surgem vários problemas
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    para os militares nessas situações,
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    porque estão fazendo coisas para as quais eles não foram realmente treinados,
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    e estão fazendo coisas
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    para as quais os que as fazem em seus países
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    são treinados e equipados
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    de maneira muito diferente.
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    Há muitas razões pelas quais
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    nós efetivamente enviamos militares
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    em vez da polícia para estes trabalhos.
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    Se a Austrália tiver que enviar milhares de pessoas amanhã
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    à Papua Ocidental, por exemplo,
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    nós não temos milhares de policiais disponíveis
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    que simplesmente possam ir amanhã
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    e temos milhares de soldados que podem.
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    Então, quando temos de enviar alguém, enviamos militares –
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    porque estão lá, disponíveis
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    e, diabos, eles estão acostumados a sair e fazer essas coisas
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    e viverem por si próprios
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    sem terem todo um apoio extra.
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    Então, eles são capazes de servir nesse sentido.
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    Mas eles não são treinados da mesma maneira que os policiais
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    e certamente não estão equipados como os policiais.
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    Isso gera diversos problemas para eles
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    ao lidarem como esses tipos de coisas.
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    Uma coisa em particular
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    na qual sou especialmente interessado
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    é saber se,
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    quando enviamos militares para esses tipos de trabalho,
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    deveríamos equipá-los diferentemente,
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    e, em especial, se devemos fornecer-lhes
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    alguns tipos de armas não-letais que a polícia possui.
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    Já que eles estão realizando alguns desses mesmos trabalhos,
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    talvez devessem ter algumas dessas coisas.
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    E, claro, há uma série de lugares
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    onde essas coisas seriam realmente úteis.
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    Por exemplo, quando você tem postos militares.
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    Se as pessoas se aproximam desses postos de controle
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    e os militares não têm certeza
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    se elas são ou não hostis.
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    Vendo aquela pessoa se aproximando,
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    eles dizem: "Seria um homem-bomba?
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    Será que ele tem algo escondido sob as roupas? O que irá acontecer?"
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    Eles não sabem se essa pessoa é ou não hostil.
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    Se essas pessoas não seguem as ordens,
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    eles podem acabar atirando nelas
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    e depois descobrir
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    que, sim, atiraram na pessoa certa,
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    ou, não, tratava-se apenas de um inocente
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    que não sabia o que estava acontecendo.
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    Se eles tivessem armas não letais,
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    poderiam ter dito: "Podemos usá-las nesse tipo de situação.
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    Se atiramos em alguém que não era hostil,
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    ao menos não o matamos".
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    Outra situação.
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    Esta foto é realmente de uma das missões
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    nos Bálcãs, na década de 90.
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    A situação é um pouco diferente,
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    na qual talvez eles conheçam alguém hostil,
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    na qual alguém está atirando contra eles
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    ou fazendo outra coisa que é claramente hostil, atirando pedras, qualquer coisa.
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    Mas se eles revidarem, há muitas outras pessoas ao redor,
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    inocentes, que também podem ser feridas –
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    ser um dano colateral sobre o qual os militares muitas vezes não querem falar.
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    Novamente, eles diriam: "Bem, se temos armas não-letais,
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    se temos alguém que sabemos ser hostil,
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    podemos fazer algo para lidar com eles
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    e sabemos que se acertarmos alguém que está em torno deles,
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    pelo menos, novamente, não vamos matá-lo".
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    Outra sugestão foi,
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    já que estamos colocando vários robôs em campo,
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    podemos ver que se aproxima o tempo
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    em que realmente enviaremos robôs autônomos ao campo.
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    Eles vão tomar suas próprias decisões sobre em quem atirar e em quem não atirar
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    sem um humano envolvido.
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    E assim a sugestão é, bem,
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    se vamos enviar robôs e permitir que façam isso,
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    talvez seja uma boa ideia, de novo,
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    se eles estiverem munidos de armas não-letais,
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    para que, caso o robô tome uma decisão errada e atire na pessoa errada,
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    novamente, ele não a terá de fato matado.
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    Há toda uma série de diferentes tipos de armas não-letais,
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    algumas das quais estão, obviamente, disponíveis agora,
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    e algumas que estão em desenvolvimento.
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    Então você tem coisas tradicionais como o spray de pimenta,
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    spray O.C., lá no alto,
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    ou Tasers (armas de choque) aqui.
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    Esse no canto superior direito é na verdade um laser brilhante
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    feito para somente cegar momentaneamente a pessoa
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    e deixá-la desorientada.
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    Você tem tambores de armas
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    que contêm balas de borracha
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    em vez dos metais tradicionais.
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    E este aqui no meio, o caminhão grande,
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    é na verdade chamado de Sistema de Negação Ativa –
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    algo no qual o exército dos EUA está trabalhando atualmente.
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    É basicamente um grande transmissor de microondas.
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    É uma espécie de ideia clássica de raio de calor.
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    Ele atinge uma distância realmente muito grande,
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    em comparação a qualquer desses outros tipos de coisas.
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    E quem é atingido por ele
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    sente uma súbita explosão de calor
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    e só quer sair do caminho.
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    É muito mais sofisticado que um forno de microondas,
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    mas é basicamente a ebulição de moléculas de água
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    no nível mais superficial de sua pele.
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    Então você sente esse enorme calor,
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    e você pensa: "Quero sair do caminho".
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    E eles estão pensando, bem, isso vai ser realmente útil
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    em locais onde precisamos retirar pessoas de uma área em particular,
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    se a multidão está sendo hostil.
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    Se é preciso manter as pessoas afastadas de determinado lugar,
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    podemos fazer isso com esse tipo de coisas.
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    Então há, obviamente, uma gama de diferentes tipos
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    de armas não-letais que poderíamos fornecer aos militares
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    e há uma série de situações
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    em que eles estão procurando por uma delas e dizendo: "Essas coisas poderiam ser realmente úteis".
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    Mas, como eu disse,
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    os militares e os policiais
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    são muito diferentes.
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    Sim, você não precisa especular muito
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    para reconhecer o fato de que eles podem ser muito diferentes.
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    Em especial,
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    a atitude em relação ao uso da força
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    e a forma como eles são treinados para usar a força.
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    é especialmente diferente.
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    A polícia –
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    e com conhecimento, porque eu na verdade ajudei a treinar a polícia –
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    a polícia, especialmente em jurisdições ocidentais pelo menos,
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    é treinada para diminuir a intensidade da força,
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    para evitar usar a força
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    sempre que possível,
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    e para usar a força letal
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    somente como último recurso.
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    Os militares são treinados para a guerra,
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    por isso eles são treinados para, assim que as coisas ficarem ruins,
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    sua primeira resposta ser a força letal.
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    No momento em que a matéria fecal atinge o ventilador,
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    você pode começar a atirar nas pessoas.
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    Assim, suas atitudes
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    quanto ao uso da força letal são muito diferentes,
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    e acho que é bastante óbvio
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    que sua atitude para o uso de armas não-letais
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    também seria muito diferente do que é com a polícia.
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    E uma vez que já tivemos tantos problemas
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    com a polícia usando armas não-letais de várias maneiras,
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    pensei que seria uma boa ideia olhar para algumas dessas coisas
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    e tentar relacioná-las ao contexto militar.
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    E eu fiquei realmente surpreso ao fazer isso,
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    por ver que, de fato,
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    até mesmo aquelas pessoas que estavam defendendo o uso de armas não-letais pelas forças armadas
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    na verdade não tinham feito isso.
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    Eles parecem geralmente pensar:
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    "Por que devemos nos preocupar com o que aconteceu com a polícia?
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    Estamos buscando algo diferente"
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    e parecem não reconhecer, na verdade,
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    que eles estavam buscando praticamente a mesma coisa.
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    Então eu realmente comecei a investigar algumas dessas questões
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    e tentar ver
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    como a polícia usou armas não-letais quando elas foram introduzidas
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    e alguns dos problemas que possam surgir
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    a partir desse tipo de coisas
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    quando eles realmente as introduzem.
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    E é claro, sendo australiano,
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    comecei pela Austrália,
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    sabendo, de novo, de minha própria experiência
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    quando armas não-letais foram introduzidas na Austrália.
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    Portanto, uma das coisas que reparei em particular
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    foi o uso do spray O.C.,
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    spray de oleoresina, spray de pimenta,
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    pela polícia australiana
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    e vendo, quando foram introduzidos, o que tinha acontecido
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    e esse tipo de questões.
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    E um estudo que encontrei,
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    um particularmente interessante,
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    era de Queensland,
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    porque eles tiveram um período experimental de uso do spray de pimenta
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    antes de realmente introduzi-lo mais amplamente.
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    E dei uma olhada em alguns dos números aqui.
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    Bem, quando eles introduziram o spray de pimenta em Queensland,
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    eles foram realmente explícitos.
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    O ministro da polícia tinha dado várias declarações públicas sobre isso.
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    Elas diziam: "Isso é explicitamente destinado
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    a dar à polícia uma opção
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    entre gritar e atirar.
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    Isto é algo que pode ser usado em vez de uma arma de fogo
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    em situações em que eles já tiveram que atirar em algúem".
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    Então olhei para todos esses gráficos de tiros da polícia.
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    E você não os acha muito facilmente
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    para estados australianos individualmente.
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    Eu só pude encontrar esses.
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    Isto é de um relatório de um instituto de criminologia australiano.
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    Como vocês podem ver, se puderem ler em cima:
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    "Mortes por tiros da polícia" significa não apenas as pessoas que foram atingidas pela polícia,
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    mas pessoas que atingiram a si próprias na presença da polícia.
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    Mas estes são números de todo o país.
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    E a seta vermelha representa o ponto
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    em que Queensland, efetivamente, disse:
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    "Sim, este é o ponto em que vamos dar aos policiais de todo o estado
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    acesso ao spray de pimenta"
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    Assim, você pode ver que havia maior quantidade de um tipo de morte
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    todo ano, por um número de anos.
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    Houve um aumento, claro, alguns anos antes,
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    mas que não foi realmente de Queensland.
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    Alguém sabe de onde foi? Não foi Port Arthur, não.
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    Victoria? Sim, está certo.
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    Esse aumento foi todo de Victoria.
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    Então não era que Queensland tinha um problema particular
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    com as mortes por tiros da polícia e assim por diante.
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    Então, seis tiroteios em todo o país,
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    bastante consistente ao longo dos anos anteriores.
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    Assim, os próximos dois anos foram os que eles estudaram – 2001, 2002.
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    Alguém quer arriscar o número de vezes,
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    dada a forma como eles introduziram isso,
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    o número de vezes que a polícia de Queensland usou o spray de pimenta naquele período?
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    Centenas? Uma, três.
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    Mil está ficando melhor.
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    Explicitamente apresentado
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    como alternativa ao uso de força letal –
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    uma alternativa entre gritar e atirar.
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    Estou para sair de um apuro aqui
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    e dizer que, se a polícia de Queensland não tivesse o spray de pimenta,
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    eles não teriam baleado 2.226 pessoas
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    nesses dois anos.
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    Na verdade, se você olhar
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    para os estudos que eles estavam olhando,
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    o material que estavam recolhendo e analisando,
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    você vê que os suspeitos só estavam armados
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    em cerca de 15 por cento das vezes
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    que o spray foi utilizado.
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    Foi rotineiramente utilizado nesse período,
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    e, é claro, ainda é utilizado rotineiramente –
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    porque não havia reclamações sobre ele,
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    não no contexto desse estudo, de qualquer maneira –
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    foi rotineiramente usado
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    para lidar com pessoas que eram violentas,
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    que eram potencialmente violentas,
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    e também com bastante frequência utilizado
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    para lidar com pessoas que estavam simplesmente
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    protestando passivamente.
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    Estas pessoas não estão fazendo nada violento,
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    mas elas apenas não farão o que queremos.
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    Elas não estão obedecendo às ordens que estamos dando,
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    então vamos atingi-las com o spray de pimenta.
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    Isso vai acelerá-los. Tudo funcionará melhor assim.
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    Isso era algo explicitamente apresentado
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    como alternativa às armas de fogo,
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    mas está sendo rotineiramente usado
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    para lidar como toda uma gama
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    de outros tipos de problemas.
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    Agora, uma das questões que surgem
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    com o uso militar de armas não-letais –
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    e pessoas que na verdade estão dizendo: "Bem, pode haver alguns problemas" –
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    é que há alguns problemas específicos em foco.
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    Um desses problemas
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    é que as armas não-letais podem ser usadas indiscriminadamente.
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    Um dos princípios fundamentais do uso militar da força
  • 10:47 - 10:49
    é que você tem de ser discriminador.
  • 10:49 - 10:52
    Você tem que ter cuidado sobre em quem está atirando.
  • 10:52 - 10:55
    Então, um dos problemas que tem sido sugerido sobre as armas não-letais
  • 10:55 - 10:57
    é que elas podem ser usadas de forma indiscriminada –
  • 10:57 - 10:59
    que você as usa contra toda uma gama de pessoas
  • 10:59 - 11:02
    porque você não precisa mais se preocupar tanto.
  • 11:02 - 11:04
    E, de fato, um caso particular,
  • 11:04 - 11:06
    no qual acho que realmente aconteceu quando você o analisa,
  • 11:06 - 11:09
    foi o cerco ao Teatro Dubrovka em Moscou, em 2002,
  • 11:09 - 11:11
    o que provavelmente muitos de vocês, ao contrário da maioria dos meus alunos na ADFA,
  • 11:11 - 11:13
    na verdade têm idade suficiente para lembrar.
  • 11:13 - 11:16
    Então, os chechenos haviam entrado e tomado o controle do teatro.
  • 11:16 - 11:19
    Eles estavam mantendo algo como 700 pessoas como reféns.
  • 11:19 - 11:21
    Eles tinham liberado várias pessoas,
  • 11:21 - 11:24
    mas ainda tinham cerca de 700 pessoas como reféns.
  • 11:24 - 11:27
    E a polícia militar especial russa,
  • 11:27 - 11:29
    forças especiais, Spetsnaz,
  • 11:29 - 11:31
    entrou e realmente invadiu o teatro.
  • 11:31 - 11:34
    E a maneira como eles fizeram isso foi enchendo tudo com gás anestésico.
  • 11:34 - 11:36
    E descobriu-se
  • 11:36 - 11:39
    que muitos desses reféns morreram
  • 11:39 - 11:42
    por terem inalado o gás.
  • 11:42 - 11:44
    Foi usado indiscriminadamente.
  • 11:44 - 11:47
    Bombardearam todo o teatro com o gás.
  • 11:47 - 11:49
    E não é nenhuma surpresa que as pessoas morreram,
  • 11:49 - 11:51
    porque você não sabe quanto desse gás
  • 11:51 - 11:53
    cada pessoa vai inalar,
  • 11:53 - 11:55
    como elas irão cair
  • 11:55 - 11:57
    quando se tornarem inconscientes e assim por diante.
  • 11:57 - 12:00
    De fato, apenas duas pessoas foram baleadas
  • 12:00 - 12:02
    neste episódio.
  • 12:02 - 12:04
    Então, quando eles notaram depois,
  • 12:04 - 12:06
    apenas duas pessoas
  • 12:06 - 12:08
    aparentemente tinham sido baleadas pelos sequestradores
  • 12:08 - 12:10
    ou pelas forças policiais
  • 12:10 - 12:12
    entrando e tentando lidar com a situação.
  • 12:12 - 12:14
    Praticamente todo mundo que foi morto
  • 12:14 - 12:16
    foi por inalar o gás.
  • 12:16 - 12:18
    O número final de reféns
  • 12:18 - 12:20
    é um pouco incerto,
  • 12:20 - 12:22
    mas é certamente um pouco mais do que isso,
  • 12:22 - 12:24
    porque houve outras pessoas que morreram dias depois.
  • 12:24 - 12:26
    Portanto, este era um dos problemas de que eles falaram,
  • 12:26 - 12:28
    que pode ser usado indiscriminadamente.
  • 12:28 - 12:30
    O segundo problema sobre o qual as pessoas às vezes falam
  • 12:30 - 12:32
    com o uso militar de armas não-letais,
  • 12:32 - 12:35
    e é na verdade a razão pela qual, na convenção sobre armas químicas,
  • 12:35 - 12:37
    ficou muito claro que não se pode usar agentes de controle de distúrbios
  • 12:37 - 12:39
    como arma de guerra,
  • 12:39 - 12:42
    o problema nesse caso é que às vezes
  • 12:42 - 12:45
    armas não-letais realmente podem ser usadas, não como uma alternativa à força letal,
  • 12:45 - 12:48
    mas como um multiplicador da força letal –
  • 12:48 - 12:50
    usando armas não-letais primeiramente
  • 12:50 - 12:53
    para que suas armas letais sejam mais eficientes.
  • 12:53 - 12:55
    As pessoas nas quais você estará atirando
  • 12:55 - 12:57
    não serão capazes de escapar.
  • 12:57 - 13:00
    Elas não terão consciência do que está acontecendo e fica melhor para você matá-las
  • 13:00 - 13:03
    E, de fato, é exatamente o que aconteceu aqui.
  • 13:03 - 13:06
    Os sequestradores que tinham ficado inconscientes pelo gás
  • 13:06 - 13:08
    não foram presos,
  • 13:08 - 13:11
    eles simplesmente levaram um tiro na cabeça.
  • 13:11 - 13:13
    Portanto, esta arma não-letal
  • 13:13 - 13:15
    estava sendo usada, na verdade, neste caso
  • 13:15 - 13:18
    como um multiplicador de força letal
  • 13:18 - 13:20
    para tornar mais eficaz o assassinato
  • 13:20 - 13:23
    nessa situação em particular.
  • 13:23 - 13:25
    Outro problema que eu só quero mencionar rapidamente
  • 13:25 - 13:27
    é que há muitos problemas
  • 13:27 - 13:29
    com a maneira com que as pessoas foram ensinadas
  • 13:29 - 13:31
    a usar armas não-letais
  • 13:31 - 13:33
    e foram treinadas sobre elas e testadas e assim por diante.
  • 13:33 - 13:36
    Porque elas foram testadas em ambientes adequados, seguros.
  • 13:36 - 13:39
    E as pessoas aprenderam a usá-las em ambientes adequados, seguros
  • 13:39 - 13:42
    como este, onde você pode ver exatamente o que está acontecendo.
  • 13:42 - 13:45
    A pessoa que está usando o spray de pimenta está com uma luva de borracha
  • 13:45 - 13:47
    para ter certeza que não seja contaminada e assim por diante.
  • 13:47 - 13:49
    Mas eles não são usados sempre assim.
  • 13:49 - 13:51
    Eles são usados no mundo real,
  • 13:51 - 13:55
    como no Texas, como este.
  • 13:55 - 13:58
    Confesso que este caso particularmente
  • 13:58 - 14:00
    foi realmente aquele que despertou meu interesse por isso.
  • 14:00 - 14:03
    Aconteceu enquanto eu estava trabalhando como pesquisador na Academia Naval dos EUA.
  • 14:03 - 14:06
    E começaram a surgir notícias sobre esta situação
  • 14:06 - 14:09
    em que esta mulher estava discutindo com o policial.
  • 14:09 - 14:11
    Ela não era violenta.
  • 14:11 - 14:13
    Na verdade, ele provavelmente era quinze centímetros mais alto que eu,
  • 14:13 - 14:16
    e ela tinha praticamente essa altura.
  • 14:16 - 14:18
    E ela lhe disse:
  • 14:18 - 14:20
    "Bem, eu vou voltar ao meu carro."
  • 14:20 - 14:22
    E ele disse: "Se você voltar para o carro, vou te dar um choque."
  • 14:22 - 14:25
    E ela disse: "Vá em frente. Me dê um choque." E assim ele fez.
  • 14:25 - 14:27
    E tudo foi filmado pela câmera de vídeo
  • 14:27 - 14:31
    que estava na frente do carro da polícia.
  • 14:31 - 14:34
    Então, ela tem 72 anos,
  • 14:34 - 14:38
    e parece que esta é a forma mais adequada de lidar com ela.
  • 14:38 - 14:40
    Outros exemplos do mesmo tipo
  • 14:40 - 14:42
    com outras pessoas que fazem pensar:
  • 14:42 - 14:45
    "Essa é realmente uma forma adequada de usar armas não letais?"
  • 14:45 - 14:47
    "Chefe de polícia usa arma de choque com garota de 14 anos".
  • 14:47 - 14:50
    "Ela estava fugindo. O que mais eu poderia fazer?"
  • 14:50 - 14:53
    (Risadas)
  • 14:53 - 14:55
    Ou na Flórida:
  • 14:55 - 14:58
    "Polícia aplica choque em garoto de seis anos na escola primária."
  • 14:58 - 15:00
    E eles claramente aprenderam muito com isso
  • 15:00 - 15:02
    porque no mesmo distrito,
  • 15:02 - 15:04
    "Polícia revê normas após crianças receberem choques:
  • 15:04 - 15:07
    segunda criança é atingida por Taser em semanas."
  • 15:07 - 15:09
    Mesmo distrito policial.
  • 15:09 - 15:12
    Outra criança, semanas após o choque no garoto de seis anos.
  • 15:12 - 15:14
    Caso você pense
  • 15:14 - 15:16
    que isso só acontece nos Estados Unidos,
  • 15:16 - 15:18
    aconteceu também no Canadá.
  • 15:18 - 15:20
    E uma colega minha
  • 15:20 - 15:22
    me enviou isto de Londres.
  • 15:22 - 15:25
    Mas o meu favorito destes, tenho que confessar,
  • 15:25 - 15:28
    realmente veio dos Estados Unidos:
  • 15:28 - 15:31
    "Policiais aplicam choque em mulher deficiente de 86 anos na cama dela."
  • 15:31 - 15:35
    Eu verifiquei os relatórios desse caso.
  • 15:35 - 15:38
    Eu olhei. Fiquei realmente surpreso.
  • 15:38 - 15:41
    Aparentemente, ela assumiu uma posição mais ameaçadora em sua cama.
  • 15:41 - 15:43
    (Risadas)
  • 15:43 - 15:45
    Não estou brincando. Isso é exatamente o que foi dito.
  • 15:45 - 15:48
    "Ela assumiu uma posição mais ameaçadora em sua cama."
  • 15:48 - 15:50
    Ok.
  • 15:50 - 15:52
    Mas lembro a você do que estou falando.
  • 15:52 - 15:54
    Estou falando de uso militar de armas não-letais.
  • 15:54 - 15:56
    Então por que isso é relevante?
  • 15:56 - 15:58
    Porque a polícia é de fato mais comedida no uso da força
  • 15:58 - 16:00
    do que os militares.
  • 16:00 - 16:03
    Eles são treinados para serem mais comedidos no uso da força do que os militares.
  • 16:03 - 16:06
    São treinados para pensar mais, tentar se conter.
  • 16:06 - 16:09
    Então, se há esses problemas com policiais e armas não-letais,
  • 16:09 - 16:11
    o que poderia fazê-lo pensar
  • 16:11 - 16:14
    que será melhor com os militares?
  • 16:15 - 16:18
    A última coisa que eu gostaria de dizer,
  • 16:18 - 16:20
    quando eu falo com a polícia
  • 16:20 - 16:22
    sobre como uma arma não-letal perfeita deveria ser,
  • 16:22 - 16:24
    eles quase sempre dizem a mesma coisa.
  • 16:24 - 16:27
    Dizem: "Bem, deve ser algo desagradável o suficiente
  • 16:27 - 16:29
    para que as pessoas não queiram ser atingidas por essa arma.
  • 16:29 - 16:31
    Então, se você ameaçar usá-la,
  • 16:31 - 16:34
    as pessoas obedeçam,
  • 16:34 - 16:36
    mas também seja algo
  • 16:36 - 16:40
    que não deixe quaisquer efeitos duradouros."
  • 16:40 - 16:43
    Em outras palavras, a arma não-letal perfeita para eles
  • 16:43 - 16:45
    é algo perfeito para o abuso.
  • 16:45 - 16:47
    O que esses caras fariam
  • 16:47 - 16:49
    se tivessem acesso a Tasers
  • 16:49 - 16:51
    ou uma versão portátil
  • 16:51 - 16:53
    do Sistema de Negação Ativa –
  • 16:53 - 16:56
    um raio de calor pequeno, que você pode usar nas pessoas
  • 16:56 - 16:58
    e não se preocupar com isso.
  • 16:58 - 17:01
    Então eu acho que, sim, pode haver maneiras
  • 17:01 - 17:03
    das armas não-letais serem importantes em certas situações,
  • 17:03 - 17:05
    mas há também muitos problemas
  • 17:05 - 17:07
    que precisam ser levados em conta.
  • 17:07 - 17:09
    Muito obrigado.
  • 17:09 - 17:11
    (Aplausos)
Title:
Armas não-letais, um perigo moral?
Speaker:
Stephen Coleman
Description:

Sprays de pimenta e armas de choque estão em crescente uso entre os policiais e militares, e mais armas não-letais exóticas, tais como raios de calor, estão em desenvolvimento. No TEDxCanberra, o especialista em ética Stephen Coleman indaga as consequências inesperadas do uso delas e faz algumas perguntas desafiadoras.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
17:11
Gustavo Rocha edited Portuguese, Brazilian subtitles for Non-lethal weapons, a moral hazard?
Roberto Paes added a translation

Portuguese, Brazilian subtitles

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