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← Como os vistos de trabalhadores convidados podiam transformar o sistema de imigração dos EUA

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Showing Revision 22 created 05/10/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Em outubro de 2018,
  2. Juan Carlos Rivera já não conseguia
    viver na sua terra,
  3. em Copan, nas Honduras.
  4. Como o ''Dallas Morning News'' noticiou,
  5. um gangue estava a cobrar
    10% dos lucros da barbearia dele.
  6. A esposa dele, professora pré-escolar
    foi assaltada a caminho do trabalho.
  7. E estavam preocupados
    com a segurança da sua filha pequena.
  8. Que podiam fazer?
  9. Fugir?
  10. Procurar asilo noutro país?
  11. Eles não queriam fazer isso.
  12. Só queriam viver no seu país
    em segurança.
  13. Mas as suas opções eram limitadas.

  14. Então, nesse mês,
  15. Juan Carlos foi com a família
    para um local mais seguro
  16. e juntou-se a um grupo de migrantes
    na longa e perigosa jornada
  17. da América Central para um emprego
  18. que um membro da família dissera
    ter conseguido nos EUA.
  19. Agora estamos todos familiarizados
    com o que os esperava

  20. na fronteira do México-EUA.
  21. As sanções cada vez mais pesadas
    aplicadas àqueles que a atravessam.
  22. Os processos criminais
    por a atravessarem ilegalmente.
  23. A detenção desumana.
  24. E o mais terrível,
    a separação das famílias.
  25. Estou aqui para vos dizer
    que este tratamento não só é errado,

  26. como é desnecessário.
  27. Esta convicção de que a única forma
    de manter a ordem
  28. é através de meios desumanos
  29. é errónea.
  30. De facto, o oposto é que é verdade.
  31. Só um sistema humano
    criará ordem na fronteira.
  32. Quando forem possíveis viagens seguras,
    ordenadas e legais para os EUA,
  33. muito poucas pessoas escolherão
    viajar de forma arriscada,
  34. desordenada ou ilegal.
  35. Eu compreendo a ideia
    de que a imigração legal
  36. poderá resolver a crise na fronteira
  37. pode parecer um pouco ilusória.
  38. Mas aqui estão as boas notícias:
  39. Já o fizemos anteriormente.
  40. Tenho trabalhado na imigração durante anos

  41. no Cato Institute
  42. e noutros grupos de reflexão
    em Washington DC
  43. e como conselheiro político
    de um membro republicano do Congresso,
  44. negociando a reforma
    bipartidária da imigração.
  45. E vi, em primeira mão,
  46. como os EUA implementaram
    um sistema de ordem humana
  47. na fronteira com o México.
  48. Designa-se por programa
    de trabalhadores convidados.
  49. E aqui estão notícias ainda melhores.
  50. Podemos reproduzir este sucesso
    para a América Central.
  51. Obviamente, algumas pessoas

  52. continuarão a procurar
    asilo na fronteira.
  53. Mas para compreender
    até que ponto isto será bem sucedido
  54. para imigrantes como o Juan Carlos,
  55. considerando que até recentemente,
  56. quase todos os imigrantes detidos
    pela Patrulha Fronteiriça eram mexicanos.
  57. Em 1986,

  58. cada agente da Patrulha Fronteiriça
    deteve 510 mexicanos.
  59. Muito mais do que um por dia.
  60. Em 2019, este número era de oito.
  61. Isto é, um por cada 43 dias.
  62. É uma redução de 98%.
  63. Então, para onde foram todos os mexicanos?
  64. A mudança mais significativa

  65. é que os EUA começaram a emitir
  66. centenas de milhares de vistos
    de trabalhadores convidados aos mexicanos,
  67. de forma a eles poderem entrar legalmente.
  68. José Vásquez Cabrera
  69. estava entre os primeiros trabalhadores
    mexicanos convidados
  70. a aproveitar esta expansão de vistos.
  71. Disse ao ''The New York Times''
    que, antes desse visto,
  72. tinha feito terríveis travessias ilegais,
  73. enfrentando um calor infernal
    e uma paisagem traiçoeira.
  74. Uma vez, uma cobra matou
    um membro do seu grupo.
  75. Milhares de outros mexicanos
    também não conseguiram,
  76. morrendo desidratados nos desertos
    ou afogando-se no Rio Grande.
  77. Outros milhões foram perseguidos e presos.
  78. Os vistos para trabalhadores convidados
    quase acabaram com este caos desumano.
  79. Como disse Vásquez Cabrera,
  80. ''Já não tenho de arriscar a vida
  81. "para sustentar a minha família.
  82. "E quando estou aqui,
    não tenho de viver escondido.''
  83. Os vistos para trabalhadores convidados

  84. reduziram mais o número
    de travessias ilegais
  85. do que o número de vistos emitidos.
  86. José Bacilio, outro trabalhador
    mexicano convidado, explicou porquê
  87. ao ''Washington Post'' em abril.
  88. Ele disse que, apesar de
    não ter conseguido um visto nesse ano,
  89. não ia arriscar todas
    as oportunidades futuras
  90. por atravessar ilegalmente.
  91. Certamente, isto ajuda a explicar
  92. porque é, de 1996 a 2019,
  93. por cada trabalhador convidado
    admitido legalmente do México,
  94. houve uma redução de duas detenções
    de mexicanos a atravessar ilegalmente.
  95. Agora, é verdade,

  96. que os trabalhadores mexicanos convidados
    executam trabalhos realmente difíceis.
  97. Apanhar fruta, limpar caranguejos,
  98. fazer jardinagem sob um calor de 38 graus.
  99. Há críticos que defendem que
    os vistos dos trabalhadores convidados
  100. não são de facto humanos
  101. e que os trabalhadores
    não passam de escravos explorados.
  102. Mas Vásquez Cabrera achava
    que esse visto era libertador.
  103. Não era escravatura.
  104. E ele, tal como todos os outros
    trabalhadores convidados,
  105. escolhiam o trajeto legal,
    em vez do ilegal, sistematicamente.
  106. A expansão de vistos a trabalhadores
    mexicanos convidados
  107. está entre as alterações
    humanitárias mais significativas
  108. na política de imigração dos EUA.
  109. Essa mudança humanitária
  110. impôs ordem no caos.
  111. Então onde é que isto deixa
    os centro-americanos,

  112. como Juan Carlos?
  113. Os centro-americanos receberam
  114. apenas 3% dos vistos para trabalhadores
    convidados, emitidos em 2019,
  115. apesar de a sua parte de detenções
    na fronteira ter subido ultimamente 74%.
  116. Os EUA emitiram apenas um desses vistos
    para um centro-americano
  117. por cada 78 que atravessaram
    a fronteira ilegalmente em 2019.
  118. Então, se eles não conseguem
    obter os seus documentos na sua terra,
  119. muitos arriscam a sua sorte,
  120. chegando pelo México
    para pedir asilo na fronteira
  121. ou atravessam ilegalmente,
  122. mesmo que, tal como Juan Carlos,
    prefiram vir só para trabalhar.
  123. Os EUA podem fazer melhor.

  124. Precisam de criar novos vistos
    para trabalhadores convidados
  125. especialmente para os centro-americanos.
  126. Isto poderá criar um incentivo
    para as empresas norte-americanas
  127. procurarem e contratarem
    cidadãos da América Central,
  128. pagando os seus voos para os EUA
  129. e desviando-os da caminhada
    ilegal e perigosa para o norte.
  130. Os centro-americanos poderão
    construir vidas prósperas na sua terra,
  131. sem precisarem de procurar
    asilo na fronteira
  132. ou de a atravessarem ilegalmente,
  133. libertando um sistema sobrecarregado.
  134. Algumas pessoas podem dizer

  135. que permitir que os trabalhadores
    andem de um lado para o outro
  136. nunca funcionará para a América Central
  137. onde a violência é muito alta.
  138. Mas, repito, funcionou para o México,
  139. embora a taxa de homicídios no México
    mais do que triplicou na última década,
  140. para um nível superior
    a grande parte da América Central.
  141. E iria resultar para o Juan Carlos,
  142. que declarou que, apesar das ameaças,
  143. apenas pretende residir
    nos EUA temporariamente,
  144. para ganhar o suficiente
  145. para sustentar a sua família
    na sua casa nova.
  146. Ele até sugeriu que um programa
    de trabalhador convidado
  147. seria uma das melhores coisas
    para ajudar hondurenhos como ele.
  148. Cintia, de 29 anos, mãe solteira
    de três crianças, das Honduras,

  149. parece estar de acordo.
  150. Afirmou ao ''Wall Street Journal''
    que veio para trabalhar
  151. para poder sustentar os filhos e a mãe.
  152. Inquéritos a centro-americanos
    que viajam pelo México,
  153. feitos no México
    pelo College of the Northern Border,
  154. confirmam que Juan e Cintia são a norma.
  155. A maioria, embora nem todos,
    mas a maioria vem para trabalhar,
  156. mesmo que, tal como os Riveras,
  157. também possam enfrentar
    algumas ameaças na sua terra.
  158. Um trabalho com um salário baixo

  159. quanto ajudaria um hondurenho
    como Juan ou Cintia,?
  160. Os hondurenhos como eles
  161. ganham tanto num mês nos EUA
  162. como o que ganham num ano inteiro
    a trabalhar nas Honduras.
  163. Uns anos a trabalhar nos EUA
  164. podem impulsionar um centro-americano
    para a classe média alta
  165. onde a segurança
    é mais fácil de conseguir.
  166. O que falta aos centro-americanos
    não é a vontade de trabalhar,

  167. não é o desejo de contribuir
    para a economia dos EUA,
  168. de contribuir para a vida
    dos norte-americanos.
  169. O que falta aos centro-americanos
    é uma alternativa legal ao asilo,
  170. a possibilidade de o fazer legalmente.
  171. Claro que um novo programa
    de trabalhadores convidados

  172. não irá resolver 100%
    deste fenómeno complexo.
  173. Muitos dos que procuram asilo
    continuarão a precisar
  174. de procurar segurança
    na fronteira dos EUA.
  175. Mas com os fluxos reduzidos,
  176. podemos encontrar formas mais fáceis
    de lidar com eles humanamente.
  177. Mas, afinal de contas,
  178. nenhuma outra política conseguiu criar
  179. um sistema de imigração
    mais humano e mais ordeiro
  180. do que deixar entrar
    os trabalhadores legalmente.
  181. Obrigado.

  182. (Aplausos)