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← Como mudar a nossa história pode mudar a nossa vida

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Showing Revision 17 created 04/17/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Vou começar por falar-vos de um "email"
  2. que recebi recentemente.
  3. Tenho uma caixa de entrada muito invulgar
  4. porque sou terapeuta
  5. e escrevo uma coluna de conselhos
    chamada "Querida terapeuta".
  6. Então, podem imaginar
    o que aparece lá dentro.
  7. Tenho lido milhares
    de cartas muito pessoais
  8. de estranhos do mundo inteiro.
  9. Essas cartas vão
    de corações partidos e de perdas
  10. a disputas com pais ou irmãos.
  11. Eu guardo-as numa pasta do meu portátil
  12. a que chamei "Os problemas da vida."
  13. Assim, recebi este "email"
    — recebo muitos "emails" como este —
  14. e quero levar-vos ao meu
    mundo por instantes
  15. e ler-vos uma dessas cartas.
  16. Diz assim:
  17. "Querida terapeuta,

  18. "sou casada há 10 anos
  19. "e tudo corria bem até há uns anos,
  20. "quando o meu marido
    deixou de querer fazer tanto sexo,
  21. "e agora quase nunca o fazemos."
  22. Imagino que não estavam à espera disto.
  23. (Risos)

  24. "Ontem à noite, descobri
    que, nos últimos meses,

  25. "ele tem feito longas chamadas
    a altas horas da noite
  26. "com uma mulher do seu escritório.

  27. "Procurei no Google e ela é linda.
  28. "Não acredito que isto está a acontecer.
  29. "O meu pai teve um caso
    com uma colega, quando eu era jovem
  30. "e isso destruiu a nossa família.
  31. "Não preciso dizer que estou arrasada.
  32. "Se continuar com este casamento,
  33. "nunca mais poderei
    confiar no meu marido.
  34. "Mas não quero que os nossos filhos
    passem pelo divórcio,
  35. "por uma madrasta, etc.
  36. "O que devo fazer?"
  37. Bom, o que é que acham
    que ela devia fazer?

  38. Se vocês recebessem esta carta,
    deviam estar a pensar
  39. como é dolorosa a infidelidade.
  40. Ou talvez como, neste caso,
    ela é especialmente dolorosa,
  41. por causa da experiência
    que ela teve com o pai.
  42. Tal como eu, vocês devem sentir
    alguma empatia por esta mulher
  43. e até podem ter alguns sentimentos
  44. — como dizê-lo de forma simpática? —
    "não tão positivos" em relação ao marido.
  45. São coisas que também passam
    pela minha mente,

  46. quando leio cartas destas.
  47. Mas tenho que tomar muito cuidado
    ao responder a estas cartas
  48. porque sei que cada carta que recebo
  49. é apenas uma história
    escrita por um autor específico
  50. e que também há
    outra versão dessa história.
  51. Sempre há.
  52. E sei disso, porque, se aprendi
    alguma coisa como terapeuta,
  53. é que todos nós somos narradores
    pouco fiáveis da nossa vida.
  54. Eu sou.
  55. Vocês são.
  56. E também são todos
    os que vocês conhecem.
  57. Coisa que eu não devia ter dito,
  58. porque agora vocês não vão acreditar
    na minha palestra TED.
  59. Atenção, não quero dizer
    que enganamos de propósito.

  60. Grande parte do que as pessoas
    me contam é verdade,
  61. só que do ponto de vista delas.
  62. Consoante o que elas
    realçam ou minimizam,
  63. o que incluem, o que excluem,
  64. o que veem e o que querem que eu veja,
  65. elas contam a sua história
    de uma forma particular.
  66. O psicólogo Jerome Bruner
    descreveu isso muito bem, dizendo:
  67. "Contar uma história é, inevitavelmente,
    assumir uma posição moral."
  68. Todos andamos por aí
    com histórias sobre a nossa vida.
  69. Porque fizemos escolhas,
    porque correram mal,
  70. porque tratámos alguém de certa forma
  71. — porque, claro, eles mereciam —
  72. porque alguém nos tratou de certa forma
  73. embora, claro, nós não merecêssemos.
  74. As histórias são a forma
    como damos sentido à nossa vida.
  75. Mas o que acontece quando
    as histórias que contamos

  76. são enganadoras ou incompletas
    ou apenas erradas?
  77. Bom, em vezes de nos esclarecerem,
  78. essas histórias mantêm-nos bloqueados.
  79. Assumimos que as circunstâncias
    modelam as nossas histórias.
  80. Mas o que encontrei repetidamente
    no meu trabalho
  81. é que ocorre exatamente o oposto.
  82. A forma como narramos a nossa vida
    modela aquilo em que ela se torna.
  83. Esse é o perigo das nossas histórias,
    pois elas podem arruinar-nos
  84. mas é também o seu poder.
  85. Porque significa que,
    se mudarmos as nossas histórias,
  86. podemos mudar a nossa vida.
  87. Hoje, quero mostrar-vos como é.
  88. Já disse que sou terapeuta

  89. e sou mesmo, não estou a ser
    uma narradora pouco fiável.
  90. Mas se estiver, digamos, num avião,
  91. e alguém me perguntar o que eu faço,
  92. normalmente digo que sou editora.
  93. Digo isso em parte porque,
    se digo que sou terapeuta,
  94. sempre recebo respostas estranhas:
  95. "Oh, uma terapeuta.
  96. "Você vai psicanalisar-me?"
  97. E eu penso:
  98. "A) Não.
    e B) porque é que eu faria isso aqui?
  99. Se eu fosse ginecologista,
  100. alguém perguntaria
    se eu lhe ia fazer um exame pélvico ?
  101. (Risos)

  102. Mas o motivo principal
    para dizer que sou editora

  103. é porque é verdade.
  104. É o papel de todos os terapeutas
    ajudar as pessoas a editar,
  105. mas o interessante
    no meu papel de Querida Terapeuta,
  106. é que, quando edito,
    não é só para uma pessoa.
  107. Estou a ensinar um grupo
    inteiro de leitores a editar,
  108. usando uma carta por semana
    como exemplo.
  109. Então, eu penso em coisas como:
  110. "Qual é o material estranho?"
  111. "O protagonista está a avançar
    ou a andar em círculos?"
  112. "Os personagens secundários
    são importantes ou são distrações?"
  113. "O enredo revela um tema?"
  114. E reparei que a maioria das histórias
  115. circulam em volta de dois temas-chave.
  116. O primeiro é a liberdade,
    e o segundo é a mudança.

  117. E quando eu edito,
    esses são os temas por que começo.
  118. Então, vamos olhar
    para a liberdade por instantes.
  119. As nossas histórias
    sobre liberdade são assim:
  120. Geralmente, acreditamos
  121. que temos muita liberdade,
  122. exceto quando se trata
    do problema em questão,
  123. quando, de repente,
    sentimos não ter nenhuma.
  124. Muitas das nossas histórias
    são sobre sentirmo-nos presos.
  125. Sentimo-nos reféns da família,
    do nosso trabalho,
  126. das nossas relações, do nosso passado.
  127. Às vezes, até nos aprisionamos
    com a narrativa de autoflagelação
  128. — vocês conhecem estas histórias:
  129. "A vida dos outros
    é melhor do que a minha"
  130. — obrigado, redes sociais.
  131. A história de "eu sou um impostor",
    de "ninguém me ama",
  132. de "nunca nada vai dar certo para mim".
  133. "Quando digo 'Olá Siri' e ela não responde
    isso quer dizer que ela me odeia."
  134. Como vemos, não sou a única.
  135. A mulher que me escreveu aquela carta,
  136. também se sente presa.
  137. Se continuar com o marido,
    nunca mais confiará nele,
  138. mas se o deixar, os filhos vão sofrer.
  139. Há um cartune
    que acho que é o exemplo perfeito

  140. do que realmente
    acontece nestas histórias.
  141. O cartune mostra um prisioneiro
    a abanar as grades,
  142. tentando sair desesperadamente.
  143. Mas à sua direita e esquerda,
    está tudo aberto.
  144. Não há grades.
  145. O prisioneiro não está preso.
  146. É como a maioria de nós.
  147. Sentimo-nos encurralados,
  148. presos nas nossas celas emocionais.
  149. Mas não contornamos as grades
    para a liberdade,
  150. porque sabemos que há um problema.
  151. A liberdade é acompanhada
    de responsabilidade.
  152. E, se assumimos a responsabilidade
    pelo nosso papel na história,
  153. talvez tenhamos de mudar.
  154. Esse é outro tema comum
    que vejo nas nossas histórias: a mudança.

  155. Essas histórias são assim:
  156. Uma pessoa diz: "Eu quero mudar"
  157. mas o que ela realmente quer dizer é:
  158. "Quero que outro personagem
    na história mude."
  159. Os terapeutas descrevem
    esse dilema como:
  160. "Se a rainha tivesse tomates,
    seria ela o rei,"
  161. (Risos)

  162. Isto não faz sentido, não é?

  163. Porque não havíamos de querer
  164. que o protagonista,
    o herói da história, mudasse?
  165. Pode ser porque a mudança,
    mesmo uma mudança muito positiva,
  166. envolve uma impressionante
    quantidade de perda.
  167. Perda do que é familiar.
  168. Mesmo que o familiar seja desagradável
    ou totalmente degradante,
  169. conhecemos os personagens,
    o cenário e o enredo,
  170. e até os diálogos recorrentes
    nessa história.
  171. "Tu nunca lavas a roupa!"
    "Fiz isso a última vez!"
  172. "Ai sim? Quando?"
  173. Há algo estranhamente reconfortante
  174. em saber exatamente
    como a história vai continuar
  175. todas as vezes.
  176. Escrever um novo capítulo
    é aventurar-se no desconhecido.

  177. É deparar-se com uma página em branco.
  178. E como qualquer escritor dirá,
  179. não há nada mais assustador
    do que uma página em branco.
  180. Mas eis a questão.
  181. Quando editamos a nossa história,
  182. o nosso capítulo torna-se
    muito mais fácil de escrever.
  183. Falamos muito na nossa cultura
    em conhecermo-nos a nós mesmos.
  184. Mas parte de nos conhecermos
    é deixarmos de nos conhecer.
  185. Libertarmo-nos da versão da história
    que temos contado para nós mesmos
  186. para podermos viver a nossa vida
  187. e não a história que temos estado a contar
  188. sobre a nossa vida.
  189. É assim que contornamos as grades.
  190. Então, vou voltar para a carta
    da mulher, sobre aquele caso.

  191. Ela perguntou-me o que devia fazer.
  192. Eu tenho uma palavra colada
    com adesivo no meu escritório:
  193. ultracrepidanismo,
  194. o hábito de dar conselhos ou opiniões
    para além dos nossos conhecimentos.
  195. É uma ótima palavra, não é?
  196. Dá para usar em diferentes contextos.
  197. Certamente vocês vão usá-la
    depois desta palestra.
  198. Uso-a porque me lembra
    de que, enquanto terapeuta,
  199. posso ajudar as pessoas
    a entender o que querem fazer,
  200. mas não posso fazer
    escolhas da vida por elas.
  201. Só vocês podem escrever a vossa história
  202. e só precisam de algumas ferramentas.
  203. Então, o que eu quero fazer
  204. é editar a carta dessa mulher
    com vocês, agora,

  205. para mostrar como podemos
    rever as nossas histórias.
  206. E vou começar convidando-vos
  207. a pensar numa história
    que estejam a contar agora mesmo
  208. que pode não estar a fazer-vos bem.
  209. Pode ser sobre uma circunstância
    que estão a viver,
  210. pode ser sobre uma pessoa na vossa vida
  211. até pode ser sobre vocês mesmos.
  212. E quero que vejam
    os personagens secundários.
  213. Quem são as pessoas
    que estão a ajudar-vos
  214. a manter a versão errada dessa história?
  215. Por exemplo, se a mulher
    que escreveu aquela carta
  216. contasse aos amigos o que aconteceu,

  217. eles provavelmente lhe ofereceriam
    a chamada "compaixão idiota".
  218. Na compaixão idiota,
    aceitamos a história e dizemos:
  219. "Tens razão, é muito injusto"
  220. a um amigo que não conseguiu
    a promoção que queria,
  221. mesmo sabendo que isso
    já ocorreu inúmeras vezes,
  222. porque ele não se esforça o suficiente
  223. e certamente também rouba
    material de escritório.
  224. (Risos)
  225. Dizemos: "Tens razão, ele é um idiota"

  226. quando uma amiga nos diz
    que o namorado acabou com ela,

  227. mesmo sabendo que ela tende
    a ter certos comportamentos
  228. nas suas relações,
  229. como mensagens incessantes
    ou a inspeção das gavetas dele,
  230. que tendem a gerar esse desfecho.
  231. Nós vemos o problema assim:
  232. se uma briga começa
    em todos os bares onde vocês vão,
  233. o problema deve ser vosso.
  234. (Risos)
  235. Para sermos bons editores,
    temos de oferecer uma compaixão sábia,

  236. não só aos nossos amigos,
    mas a nós mesmos.

  237. É aquilo a que se chama
    — acho que o termo técnico deve ser
  238. "oferecer bombas de verdade compassiva".
  239. Essas bombas de verdade são compassivas,
  240. porque nos ajudam a ver
    o que omitimos na história.
  241. A verdade é que não sabemos
  242. se o marido desta mulher
    está a ter um caso

  243. ou porque é que a vida sexual deles
    mudou há dois anos
  244. ou do que tratavam
    aquelas chamadas à noite.
  245. Pode ser que,
    devido à sua história,
  246. ela esteja a escrever
    uma história singular de traição,
  247. mas, provavelmente, haja algo a mais
  248. que ela não está disposta
    a deixar-me ver, na sua carta,
  249. ou talvez nem mesmo ela queira ver.
  250. É como aquele tipo que faz
    o teste de Rorschach.
  251. Vocês sabem o que são
    os testes de Rorschach?
  252. Um psicólogo mostra manchas de tinta,
    com este aspeto e pergunta:,
  253. "O que é que vê?"
  254. O tipo olha para a mancha de tinta e diz:
  255. "Bom, de certeza que não vejo sangue."
  256. E o examinador diz:
  257. "Certo, diga-me que mais coisas
    é que não vê."
  258. Na escrita, isto chama-se ponto de vista.
  259. O que é que o narrador
    não está a querer ver?
  260. Eu quero ler mais uma carta.
  261. E ela diz o seguinte:

  262. "Querida terapeuta,
  263. "Preciso de ajuda com a minha esposa.

  264. "Ultimamente, tudo o que faço a irrita,
  265. "até coisas pequenas,
    como o barulho que faço a mastigar.

  266. "No café da manhã,
    percebi que ela até tenta
  267. "colocar mais leite na minha granola,
  268. "para não ficar tão crocante."
  269. (Risos)
  270. "Acho que ela ficou crítica
    depois que o meu pai morreu, há dois anos,

  271. "Eu era muito próximo dele.

  272. "Mas o pai dela foi-se embora
    quando ela pequena,
  273. "e ela não se identificou
    com o que eu estava a passar.
  274. "Há uma amiga no trabalho
    que perdeu o pai há uns meses,
  275. "e que compreende o meu luto.
  276. "Queria falar com a minha mulher
    como falo com a minha amiga,
  277. "mas sinto que agora ela mal me tolera.
  278. "Como posso ter a minha mulher de volta?"
  279. Ok.
  280. Vocês devem ter percebido

  281. que esta é a mesma história
    que lhes li antes,
  282. mas contada pelo ponto de vista
    de outro narrador.
  283. A história dela era sobre um marido
    que está a traí-la.
  284. A história dele era sobre uma esposa
    que não compreende o seu luto.
  285. Mas o que é notável
    é que, apesar das diferenças,
  286. as duas histórias tratam
    de um anseio por uma ligação.
  287. Se conseguirmos sair da narrativa
    na primeira pessoa
  288. e escrever a história na perspetiva
    de outro personagem,
  289. de repente o outro personagem
    torna-se muito mais empático,
  290. e o enredo desdobra-se.
  291. Esse é o passo mais difícil
    no processo da edição,
  292. mas é também onde começa a mudança.
  293. O que aconteceria se olhássemos
    para a nossa história
  294. e a escrevêssemos
    pelo olhar de outra pessoa?

  295. O que veríamos
    nessa perspetiva mais ampla?
  296. É por isso que, quando vejo
    pessoas deprimidas, às vezes digo:
  297. "Você não é a melhor pessoa
    para conversar sobre você",
  298. "pois a depressão distorce as histórias
    de uma forma muito específica.
  299. "Ela estreita a nossa perspetiva.
  300. O mesmo ocorre quando nos sentimos
    sozinhos, magoados ou rejeitados.
  301. Criamos todo o tipo de histórias,
  302. distorcidas por lentes tão estreitas
    que nem sabemos que as estamos a usar.
  303. Então, passámos a ser os emissores
    de notícias falsas.
  304. Tenho uma confissão a fazer.
  305. Fui eu que escrevi a versão do marido
    para a carta que vos li.

  306. Aliás, vocês não têm ideia
    do tempo que gastei
  307. a debater-me entre a granola
    e os "pita chips".
  308. Escrevi-a com base
    em todas as histórias alternativas
  309. que tenho visto ao longo dos anos,
  310. não só no meu consultório,
    mas também na minha coluna,
  311. quando aconteceu
  312. que duas pessoas envolvidas
    na mesma situação
  313. me escreveram, sem saberem um do outro,
  314. e eu tinha duas versões da mesma história
    na minha caixa do correio.
  315. Isso aconteceu realmente.
  316. Eu não sei qual é a outra versão
    da carta desta mulher,
  317. mas sei uma coisa:
  318. ela precisa de escrevê-la.
  319. Porque, com uma edição corajosa,
  320. ela terá uma versão muito mais matizada
    da carta que me escreveu.
  321. Mesmo que o marido esteja a ter
    um caso de qualquer tipo,
  322. — e talvez esteja —
  323. ela ainda não precisa de saber
    qual é o enredo.
  324. Porque, ao fazer apenas uma edição,
  325. ela terá muito mais possibilidades
    para aquilo que o enredo pode vir a ser.
  326. Às vezes acontece eu ver pessoas
    que estão mesmo bloqueadas
  327. e elas investiram nesse bloqueio.

  328. Chamamos-lhes os "queixosos
    que rejeitam ajuda".
  329. Com certeza conhecem pessoas assim.
  330. São aquelas que,
    quando propomos uma sugestão,
  331. rejeitam-na com um
    "Não, isso nunca vai funcionar, porque..."
  332. "Não, isso é impossível,
    porque não posso fazer isso."
  333. "Sim, realmente quero mais amigos,
    mas as pessoas são tão irritantes."
  334. (Risos)
  335. O que elas estão a rejeitar

  336. é uma edição da sua história
    de sofrimento e de bloqueio.

  337. Então, com essas pessoas,
    normalmente adoto outra abordagem.
  338. O que eu faço é dizer outra coisa.
  339. Eu digo-lhes:
  340. "Todos nós vamos morrer."
  341. Aposto que vocês estão contentes
    por eu não ser a vossa terapeuta.
  342. Elas olham para mim
    como vocês estão a olhar para mim,
  343. com esse olhar de perfeita confusão.
  344. Mas eu explico que há uma história
  345. que, no final, é escrita sobre todos nós.
  346. Chama-se o obituário.
  347. E digo que, em vez de sermos autores
    da nossa infelicidade,
  348. podemos modelar as nossas histórias
    enquanto ainda estamos vivos.
  349. Podemos ser o herói
    e não a vítima nas nossas histórias.
  350. Podemos escolher o que vai na página
    que mora na nossa mente
  351. e modela a nossa realidade.
  352. Eu digo-lhes que a vida consiste
    em decidir que histórias ouvir
  353. e quais as que precisam de edição.
  354. E isso vale o esforço
    de fazer uma revisão,
  355. porque nada é mais importante
    para a qualidade da nossa vida
  356. do que as histórias que contamos
    a nós mesmos sobre ela.
  357. Eu digo que, quando se trata
    da história da nossa vida,
  358. devemos ter como meta
    o nosso Prémio Pulitzer.
  359. Ora bem, muitos de nós não são
    um queixoso que rejeita ajuda,
  360. ou, pelo menos, não acreditamos que somos.

  361. Mas é um papel muito fácil de assumir
  362. quando nos sentimos ansiosos,
    zangados ou vulneráveis.
  363. Então na próxima vez
    que vocês estiverem com algum conflito,
  364. lembrem-se,
  365. todos nós vamos morrer.
  366. (Risos)
  367. Então peguem nas ferramentas de edição

  368. e perguntem a vocês mesmos:

  369. "Como quero que seja a minha história?"
  370. E então escrevam a vossa obra de arte.
  371. Obrigada.
  372. (Aplausos)