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← Como a mudança de sua história pode mudar sua vida

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Showing Revision 13 created 11/18/2019 by Elena Crescia.

  1. Vou começar falando sobre um email
  2. que recebi recentemente.
  3. Eu tenho uma caixa
    de entrada bastante incomum
  4. porque sou terapeuta
  5. e escrevo uma coluna de conselhos
    chamada "Cara Terapeuta"
  6. então dá para imaginar o que tenho lá.
  7. Quero dizer, já li milhares
    de cartas muito pessoais
  8. de estranhos de todo o mundo.
  9. E essas cartas variam de mágoas e perdas,
  10. até brigas com pais ou irmãos.
  11. Eu as guardo em uma pasta no meu laptop,
  12. e a chamei de "Os Problemas da Vida".
  13. E eu recebo esse email,
    recebo muitos emails assim,
  14. e quero trazer vocês
    ao meu mundo rapidinho
  15. e ler uma dessas cartas para vocês.
  16. E é assim:
  17. "Cara Terapeuta,

  18. sou casada há 10 anos
  19. e as coisas estavam boas
    até alguns anos atrás.
  20. Foi quando meu marido parou
    de querer fazer sexo,
  21. e agora mal fazemos sexo. "
  22. Certeza que vocês não esperavam isso.
  23. (Risos)

  24. "Bem, ontem à noite
    eu descobri que nos últimos meses,

  25. ele tem falado ao telefone
    em segredo até tarde da noite
  26. com uma mulher de seu escritório.
  27. Eu pesquisei por ela, e ela é linda.
  28. Não acredito que esteja acontecendo.
  29. Meu pai teve um caso com uma colega
    de trabalho quando eu era jovem
  30. e isso separou nossa família.
  31. Nem preciso dizer que estou arrasada.
  32. Se eu continuar neste casamento,
  33. nunca mais poderei confiar em meu marido.
  34. Mas não quero submeter nossos
    filhos a um divórcio,
  35. essa coisa de madrasta, etc.
  36. O que devo fazer?"
  37. Bem, o que vocês acham
    que ela deveria fazer?

  38. Se recebessem esta carta,
  39. poderiam pensar na dor
    causada pela infidelidade.
  40. Ou talvez na dor que causa
    aqui especificamente
  41. por sua experiência
    com o pai quando criança.
  42. E como eu, provavelmente teriam
    certa empatia por essa mulher,
  43. e vocês podem até ter,
  44. como devo dizer,
  45. vamos chamá-los de sentimentos
    "não tão positivos" pelo marido.
  46. E são os tipos de coisas que passam
    pela minha cabeça também,

  47. quando leio essas cartas no meu email.
  48. Mas tenho que ter muito cuidado
    ao responder a essas cartas
  49. porque sei que cada carta que recebo
    é, na verdade, apenas uma história
  50. escrita por um autor específico.
  51. E que outra versão
    desta história também existe.
  52. Sempre.
  53. E eu sei disso
  54. porque, se eu aprendi alguma
    coisa como terapeuta,
  55. é que somos todos narradores
    não confiáveis de nossas próprias vidas.
  56. Eu sou.
  57. Vocês são.
  58. E assim são todos que vocês conhecem.
  59. O que eu não deveria ter dito
  60. porque agora vocês não vão
    acreditar na minha palestra TED.
  61. Não quero dizer que mentimos de propósito.

  62. A maior parte do que as pessoas
    me dizem é verdade com certeza,
  63. apenas do ponto de vista delas.
  64. Dependendo do que elas
    enfatizam ou minimizam,
  65. o que elas incluem, o que elas omitem,
  66. o que elas veem e querem que eu veja,
  67. elas contam suas histórias
    de uma maneira particular.
  68. O psicólogo Jerome Bruner descreveu
    com perfeição; ele disse:
  69. "Contar uma história é, inevitavelmente,
    assumir uma postura moral".
  70. Todos nós andamos por aí
    com histórias de nossas vidas.
  71. Por que escolhas foram feitas,
    ou coisas deram errado,
  72. por que tratamos alguém de certa maneira;
  73. porque obviamente mereceram;
  74. por que alguém nos tratou
    de certa maneira;
  75. embora, obviamente, não merecemos.
  76. As histórias são a maneira
    como compreendemos nossas vidas.
  77. Mas o que acontece quando
    as histórias que contamos

  78. são enganosas ou incompletas
    ou apenas erradas?
  79. Bem, em vez de fornecer clareza,
  80. essas histórias nos mantêm presos.
  81. Assumimos que nossas circunstâncias
    moldam nossas histórias.
  82. Mas o que sempre encontrei no meu trabalho
  83. é exatamente o oposto que vale.
  84. A maneira como narramos nossas vidas
    molda o que elas se tornam.
  85. Esse é o perigo de nossas histórias,
  86. pois elas podem mesmo nos arruinar,
  87. mas isso também é seu poder.
  88. Porque isso significa que,
    se podemos mudar nossas histórias,
  89. então podemos mudar nossas vidas.
  90. E hoje, quero mostrar como.
  91. Eu disse que sou terapeuta,

  92. e sou mesmo, não estou sendo
    uma narradora duvidosa.
  93. Mas se eu estiver, digamos, em um avião,
  94. e alguém perguntar o que eu faço,
  95. costumo dizer que sou editora.
  96. E digo em parte porque
    se eu disser que sou terapeuta,
  97. Eu sempre recebo uma
    reação estranha, como,
  98. "Ah, uma terapeuta.
  99. Você vai me psicanalisar?"
  100. E eu penso: "A: não,
  101. e B: por que eu faria isso aqui?
  102. Se eu dissesse que sou ginecologista,
  103. você me perguntaria
    se eu faria um exame pélvico? "
  104. (Risos)

  105. Mas a principal razão
    para dizer que sou editora

  106. é porque é verdade.
  107. É trabalho de todo terapeuta
    ajudar as pessoas a editar,
  108. mas o interessante no meu
    papel específico de Cara Terapeuta
  109. é que, quando edito, não o faço
    apenas para uma pessoa.
  110. Eu tento ensinar um grupo
    inteiro de leitores a editar,
  111. com uma carta por semana como exemplo.
  112. Eu penso em coisas como,
  113. "Que material é estranho?"
  114. "O protagonista está avançando
    ou indo em círculos,
  115. os personagens coadjuvantes
    são importantes ou são uma distração? "
  116. "Os pontos da trama revelam um tema?"
  117. E o que eu notei
  118. é que a maioria das histórias
    tende a rodear dois temas principais.
  119. O primeiro é a liberdade,

  120. e o segundo é a mudança.
  121. E quando eu edito,
  122. começo com esses temas.
  123. Vamos dar uma olhada
    em liberdade rapidamente.
  124. Nossas histórias
    sobre liberdade são assim:
  125. nós acreditamos, em geral,
  126. que temos uma enorme
    quantidade de liberdade.
  127. Exceto quando se trata
    do problema em questão,
  128. nesse caso, de repente,
    sentimos que não temos nenhuma.
  129. Muitas de nossas histórias são
    sobre sentir-se presos, né?
  130. Nos sentimos presos
    por nossas famílias, empregos,
  131. relacionamentos, nosso passado.
  132. Às vezes, até nos aprisionamos com
    uma narrativa de auto-flagelação,
  133. sei que vocês conhecem essas histórias.
  134. "A vida de todos é melhor que a minha",
  135. cortesia das mídias sociais.
  136. "Eu sou um impostor",
    "Ninguém vai me amar",
  137. "Nada vai dar certo para mim".
  138. "Quando eu digo
    'Ei, Siri', e ela não responde,
  139. quer dizer que ela me odeia".
  140. Estão vendo, eu não sou a única.
  141. A mulher que me escreveu aquela carta,
  142. ela também se sente presa.
  143. Se ela ficar com o marido,
    nunca mais confiará nele,
  144. mas se ela for embora,
    seus filhos sofrerão.
  145. Há um desenho que é um exemplo perfeito

  146. do que realmente está
    acontecendo nessas histórias.
  147. O desenho mostra um prisioneiro
    balançando as barras,
  148. desesperadamente tentando sair.
  149. Mas à direita e à esquerda, está aberto.
  150. Sem barras.
  151. O prisioneiro não está na prisão.
  152. Assim é a maioria de nós.
  153. Nos sentimos completamente presos,
  154. presos em nossas celas emocionais.
  155. Mas não damos a volta
    nas barras para a liberdade
  156. porque sabemos que há uma pegadinha.
  157. A liberdade traz responsabilidade.
  158. E se assumirmos a responsabilidade
    pelo nosso papel na história,
  159. talvez tenhamos que mudar.
  160. E esse é o outro tema comum
    que vejo nas histórias: mudança.

  161. Essas histórias são assim:
  162. uma pessoa diz: "Eu quero mudar".
  163. Mas o que realmente quer dizer é:
  164. "Quero que outro personagem
    da história mude."
  165. Terapeutas descrevem esse dilema como:
  166. "Se a rainha tivesse
    bolas, ela seria o rei."
  167. Quero dizer...
  168. (Risos)

  169. Não faz sentido, certo?

  170. Por que não queremos que o protagonista,
  171. que é o herói da história, mude?
  172. Bem, pode ser porque a mudança,
  173. mesmo mudanças realmente positivas,
  174. envolve uma quantidade
    surpreendente de perda.
  175. Perda do conhecido.
  176. Mesmo que o conhecido seja
    desagradável ou totalmente infeliz,
  177. pelo menos conhecemos
    os personagens, o cenário e o enredo,
  178. até o diálogo recorrente nesta história.
  179. "Você nunca lava a roupa!"
  180. "Eu lavei da última vez!"
  181. "Ah, é? Quando?"
  182. Há algo estranhamente reconfortante
  183. em saber exatamente
    como a história acontece
  184. toda vez.
  185. Escrever um novo capítulo
    é aventurar-se no desconhecido.

  186. É olhar para uma página em branco.
  187. E como diria qualquer escritor,
  188. não há nada mais aterrorizante
    do que uma página em branco.
  189. Mas é aí que está.
  190. Depois de editarmos nossa história,
  191. o próximo capítulo
    fica muito mais fácil de escrever.
  192. Falamos em nossa cultura
    tanto de conhecer a nós mesmos.
  193. Mas parte de se conhecer
    é desconhecer a si mesmo.
  194. Deixar de lado a única versão
    da história que você está se contando
  195. para poder viver sua vida,
  196. e não a história que você tem se contado
  197. sobre sua vida.
  198. E é assim que damos a volta
    naquelas barras.
  199. Gostaria de voltar para
    a carta da mulher, sobre o caso.

  200. Ela me perguntou o que deveria fazer.
  201. Tenho esta palavra
    gravada no meu escritório:
  202. ultracrepidarianismo.
  203. O hábito de dar conselhos ou opiniões
    fora do seu conhecimento ou competência.
  204. É uma ótima palavra, não?
  205. Pode ser usada em tantos
    contextos diferentes,
  206. Tenho certeza de que vocês
    usarão depois dessa palestra.
  207. Eu a uso porque me lembra
    que, como terapeuta,
  208. posso ajudar as pessoas
    a decidir o que querem fazer,
  209. mas não posso fazer
    suas escolhas de vida por elas.
  210. Só você pode escrever sua história,
  211. e tudo de que precisa
    são algumas ferramentas.
  212. Então o que eu quero fazer

  213. é editar a carta dessa mulher
    com vocês, bem aqui,
  214. como um jeito de mostrar como todos
    podemos revisar nossas histórias.
  215. E quero começar pedindo que vocês
  216. pensem em uma história
    que estão contando agora
  217. que talvez não lhes sirva bem.
  218. Pode ser sobre uma circunstância
    que estão enfrentando,
  219. pode ser sobre uma pessoa em sua vida,
  220. pode até ser sobre vocês.
  221. E quero que vocês olhem
    para os coadjuvantes.
  222. Quem são as pessoas os ajudam
  223. a defender a versão errada desta história?
  224. Por exemplo, se a mulher
    que me escreveu essa carta

  225. contou às amigas o que aconteceu,
  226. elas provavelmente lhe ofereceram
    a chamada "compaixão idiota".
  227. Com compaixão idiota seguimos a história,
  228. dizemos: "Você está certa,
    isso é tão injusto"
  229. quando um amigo nos diz
    que não recebeu a promoção que queria,
  230. mesmo sabendo que já aconteceu
    várias vezes antes
  231. porque ele realmente não se esforça,
  232. e ele também deve roubar
    material do escritório.
  233. (Risos)

  234. Dizemos: "Sim, você está certa,
    ele é um idiota"

  235. quando uma amiga nos diz
    que o namorado terminou com ela,
  236. mesmo sabendo que ela tende a se comportar
  237. de certas maneiras em relacionamentos,
  238. como mensagens de texto constantes
    ou procurar nas gavetas,
  239. que tendem a levar a esse resultado.
  240. Nós vemos o problema, é como,
  241. se uma briga começar
    em todos os bares que você vai,
  242. talvez seja você.
  243. (Risos)

  244. Para sermos bons editores,
    temos que oferecer compaixão sábia,

  245. não apenas a nossos amigos,
    mas a nós mesmos.
  246. Isso se chama; acho
    que o termo técnico pode ser;
  247. "entregar bombas da verdade solidárias".
  248. E essas bombas da verdade são solidárias,
  249. porque nos ajudam a ver
    o que omitimos na história.
  250. A verdade é que

  251. não sabemos se o marido
    dessa mulher está tendo um caso,
  252. ou por que a vida sexual
    deles mudou desde dois anos,
  253. ou do que realmente tratam
    aqueles telefonemas noturnos.
  254. E pode ser que, por causa de sua história,
  255. ela esteja escrevendo uma
    história isolada de traição,
  256. mas provavelmente há algo mais
  257. que ela não quer que eu, em sua carta,
  258. ou talvez ela mesma, veja.
  259. Como aquele cara que está
    fazendo um teste de Rorschach.
  260. Sabem o que são os testes de Rorschach?
  261. Um psicólogo mostra
    alguns borrões de tinta, tipo assim,
  262. e pergunta: "O que você vê?"
  263. E o cara olha para
    o borrão de tinta e diz:
  264. "Bem, definitivamente não vejo sangue."
  265. E o examinador diz:
  266. "Tudo bem, diga o que mais
    você definitivamente não vê."
  267. Na escrita, isso é chamado
    de ponto de vista.
  268. O que o narrador não está disposto a ver?
  269. Gostaria de ler mais
    uma carta para vocês.

  270. E começa assim:
  271. "Cara Terapeuta,

  272. Preciso de ajuda com minha esposa.
  273. Ultimamente, tudo o que faço a irrita,
  274. até pequenas coisas, como
    o barulho que faço quando mastigo.
  275. No café da manhã,
  276. notei que ela até tenta colocar
    escondido mais leite no meu cereal
  277. para que não seja tão crocante".
  278. (Risos)

  279. "Sinto que ela começou a me criticar
    depois que meu pai morreu há dois anos.

  280. Eu era muto próximo dele,
  281. e o pai dela foi embora
    quando ela era jovem,
  282. ela não conseguia entender
    o que eu estava passando.
  283. Há um amigo no trabalho,
    cujo pai morreu há alguns meses,
  284. e que entende minha dor.
  285. Eu gostaria de poder falar com
    minha esposa como falo com meu amigo,
  286. mas sinto que ela mal me tolera agora.
  287. Como posso recuperar minha esposa?"
  288. Certo.

  289. O que vocês devem ter entendido
  290. é que esta é a mesma história
    que li anteriormente,
  291. mas contada do ponto de vista
    de outro narrador.
  292. A história dela era sobre
    um marido que estava traindo,
  293. a história dele é sobre uma esposa
    que não consegue entender sua dor.
  294. Mas o que é notável é que,
    por todas as suas diferenças,
  295. o que essas duas histórias
    tratam é um desejo de conexão.
  296. E se pudermos sair
    da narração em primeira pessoa
  297. e ver a história da perspectiva
    de outro personagem,
  298. de repente esse outro personagem
    se torna muito mais simpático,
  299. e a trama se abre.
  300. Essa é a etapa mais difícil
    do processo de edição,
  301. mas é também onde a mudança começa.
  302. O que aconteceria se vocês
    olhassem para a sua história

  303. e a escrevessem do ponto
    de vista de outra pessoa?
  304. O que veriam agora
    dessa perspectiva mais ampla?
  305. Por isso, quando vejo pessoas deprimidas,
  306. Eu digo, às vezes:
  307. "Agora você não é a melhor pessoa
    com quem você deve falar sobre você"
  308. porque a depressão distorce nossas
    histórias muito particularmente.
  309. Restringe nossas perspectivas.
  310. O mesmo acontece quando nos sentimos
    sozinhos, magoados ou rejeitados.
  311. Criamos vários tipos de histórias,
  312. distorcidas por uma lente muito estreita
  313. que nem sabemos que estamos usando.
  314. E assim nos tornamos efetivamente
  315. nossos próprios difusores
    de notícias falsas.
  316. Eu tenho uma confissão a fazer.

  317. Eu escrevi a versão do marido
    da carta que li para vocês.
  318. Vocês não têm ideia
    de quanto tempo eu passei
  319. decidindo entre granola
    e pão pita, aliás.
  320. Escrevi com base em todas
    as narrativas alternativas
  321. que vi ao longo dos anos,
  322. não só na minha prática terapêutica,
    mas também na minha coluna.
  323. Quando aconteceu
  324. que duas pessoas envolvidas
    na mesma situação
  325. escreveram para mim,
    sem o conhecimento do outro,
  326. e eu tenho duas versões da mesma história
  327. ali no meu email.
  328. Já aconteceu mesmo.
  329. Não sei qual é a outra versão
    da carta dessa mulher,
  330. mas eu sei disso:
  331. ela tem que escrevê-la.
  332. Porque com uma edição corajosa,
  333. ela terá uma versão muito mais sutil
    do que a que escreveu para mim.
  334. Mesmo que o marido esteja
    tendo um caso de qualquer tipo;
  335. e talvez ele esteja;
  336. ela não precisa saber
    qual é o enredo ainda.
  337. Porque apenas em virtude
    de fazer uma edição,
  338. ela terá tantas possibilidades
    do que o enredo pode se tornar.
  339. Às vezes acontece que
    vejo pessoas realmente presas,

  340. e elas estão realmente
    investidas em sua prisão.
  341. Nós os chamamos
    de queixosos que rejeitam ajuda.
  342. Claro que vocês conhecem alguém assim.
  343. Eles são as pessoas que,
    quando você tenta oferecer uma sugestão,
  344. rejeitam com "Ah, não,
    nunca vai funcionar, porque ..."
  345. "Ah, não, isso é impossível,
    porque eu não consigo."
  346. "Ah, eu quero tanto mais amigos,
    mas as pessoas são tão irritantes."
  347. (Risos)

  348. O que elas estão realmente rejeitando

  349. é uma edição de sua história
    de miséria e prisão.
  350. E com essas pessoas, eu costumo
    adotar uma abordagem diferente.
  351. E eu digo outra coisa.
  352. Eu digo a elas:
  353. "Todos nós vamos morrer."
  354. Aposto que vocês estão muito felizes
    por eu não ser sua terapeuta agora.
  355. Porque elas olham para mim
  356. do jeito que vocês estão me olhando agora,
  357. com esse olhar de total confusão.
  358. Mas então eu explico que há uma história
  359. que é escrita sobre todos nós, algum dia.
  360. Se chama obituário.
  361. E digo que, em vez de sermos autores
    de nossa própria infelicidade,
  362. podemos moldar essas histórias
    enquanto ainda estamos vivos.
  363. Podemos ser o herói e não
    a vítima em nossas histórias,
  364. Podemos escolher o que vai
    na página que está em nossas mentes
  365. e define nossas realidades.
  366. Eu lhes digo que a vida
    é decidir quais histórias escutar
  367. e quais precisam de uma edição.
  368. E que vale a pena o esforço
    de passar por uma revisão
  369. porque não há nada mais importante
    para a qualidade de nossas vidas
  370. do que as histórias
    que nos contamos sobre elas.
  371. Digo que quando se trata
    das histórias de nossas vidas,
  372. deveríamos estar almejando
    nosso próprio Pulitzer pessoal.
  373. A maioria de nós não somos
    queixosos que rejeitam ajuda,

  374. ou pelo menos não acreditamos que sejamos.
  375. Mas é um papel tão fácil de assumir
  376. quando nos sentimos ansiosos,
    zangados ou vulneráveis.
  377. Então, da próxima vez
    que estiverem lutando com algo,
  378. lembrem-se,
  379. todos nós vamos morrer.
  380. (Risos)

  381. E então peguem suas ferramentas de edição

  382. e perguntem a si mesmos:
  383. o que eu quero que minha história seja?
  384. E assim, escrevam sua obra-prima.
  385. Obrigada.

  386. (Aplausos)