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← Como uso dados biológicos para contar histórias melhores e estimular mudanças sociais

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Showing Revision 11 created 01/11/2020 by Leonardo Silva.

  1. Nos últimos 15 anos,
    venho tentando mudar sua opinião.
  2. Em meu trabalho, uso cultura popular
    e tecnologias emergentes
  3. para mudar normas culturais.
  4. Tenho criado videogames
    para promover direitos humanos,
  5. animações para chamar a atenção
    para leis injustas de imigração
  6. e até mesmo aplicativos de localização
    em realidade aumentada
  7. para mudar a percepção
    sobre os desabrigados
  8. muito antes do Pokémon Go.
  9. (Risos)

  10. Mas depois comecei a me perguntar
    se um jogo ou aplicativo

  11. conseguem mesmo mudar
    atitudes e comportamentos
  12. e se, nesse caso, consigo
    medir essa mudança.
  13. Qual é a ciência por trás desse processo?
  14. Mudei meu foco de criação
    de mídia e tecnologia
  15. para medição de seus
    efeitos neurobiológicos.
  16. Eis o que descobri.

  17. A internet, os dispositivos móveis,
    a realidade virtual e aumentada
  18. reescreviam nosso sistema nervoso
  19. e literalmente mudavam
    a estrutura do cérebro.
  20. As mesmas tecnologias que eu usava
  21. para influenciar positivamente
    corações e mentes,
  22. corroíam funções do cérebro necessárias
    à empatia e à tomada de decisões.
  23. De fato, nossa dependência
    da internet e dos dispositivos móveis
  24. pode estar comandando
    nossas faculdades cognitivas e afetivas,
  25. nos tornando social
    e emocionalmente incompetentes,
  26. e eu me sentia cúmplice
    dessa desumanização.
  27. Percebi que, antes de continuar
    criando mídia sobre problemas sociais,

  28. eu precisava criar uma engenharia inversa
  29. para os efeitos prejudiciais
    da tecnologia.
  30. Para resolver isso, eu me perguntava:
  31. "Como posso traduzir
    os mecanismos de empatia,
  32. os aspectos cognitivos,
    afetivos e motivacionais,
  33. em um motor que simule
    os ingredientes narrativos
  34. que nos levam a agir?"
  35. Para responder isso,
    tive de construir uma máquina.
  36. (Risos)

  37. Venho desenvolvendo um laboratório
    biométrico de código aberto,

  38. um sistema de IA que chamo de Limbic Lab.
  39. Esse laboratório não só captura
  40. a reação inconsciente do cérebro e corpo
    à mídia e à tecnologia,
  41. mas também usa aprendizagem de máquina
    para adaptar conteúdos
  42. com base nessas reações biológicas.
  43. Meu objetivo é encontrar
    as combinações de ingredientes narrativos

  44. mais atraentes e motivadoras
  45. para públicos-alvo específicos
  46. e possibilitar a organizações
    de justiça social, cultural e educacional
  47. criar meios de comunicação mais eficazes.
  48. O Limbic Lab consiste de dois componentes:

  49. um motor narrativo e uma máquina de mídia
  50. Enquanto um sujeito visualiza
    ou interage com conteúdo de mídia,
  51. o motor narrativo captura e sincroniza
    dados de ondas cerebrais em tempo real,
  52. dados biofísicos,
    como batimentos cardíacos,
  53. fluxo sanguíneo, temperatura corporal
    e contração muscular,
  54. assim como rastreamento ocular
    e expressões faciais.
  55. Os dados são capturados
    em locais importantes
  56. onde ocorrem pontos críticos da trama,
    interação de personagens
  57. ou ângulos de câmera incomuns.
  58. Como a cena final de "Game of Thrones,
    Casamento Vermelho",
  59. em que, de modo chocante, todos morrem.
  60. (Risos)

  61. Os dados de pesquisa
    sobre as crenças políticas dessa pessoa,

  62. juntamente com os dados
    psicográficos e demográficos dela,
  63. são integrados no sistema
  64. para ganhar um entendimento
    mais profundo do indivíduo.
  65. Vou dar um exemplo.

  66. A combinação das preferências
    de TV das pessoas
  67. com a visão delas
    dos problemas de justiça social
  68. revela que os norte-americanos que colocam
    a imigração no topo de suas preocupações
  69. são mais propensos a ser fãs
    de "The Walking Dead"
  70. e, muitas vezes, assistem à série
    para aumentar a adrenalina,
  71. que é mensurável.
  72. A assinatura biológica de uma pessoa
    e a reação dela à pesquisa

  73. são combinadas em um banco de dados
  74. para criar a impressão
    de mídia exclusiva delas.
  75. Depois nosso modelo preditivo encontra
    padrões entre as impressões de mídia
  76. e me informa os ingredientes narrativos
  77. mais propensos a levar a envolvimento
    em comportamento altruísta
  78. em vez de angústia e apatia.
  79. Quanto mais impressões
    são incluídas à base de dados
  80. através de meios, desde episódios
    de televisão até jogos,
  81. melhor se torna o modelo preditivo.
  82. Em resumo, estou mapeando o primeiro
    genoma dos meios de comunicação.
  83. (Aplausos) (Vivas)

  84. Considerando que o genoma humano

  85. identifica todos os genes envolvidos
    na sequenciação do DNA humano,
  86. o banco de dados crescente das impressões
    de mídia acabará me permitindo
  87. determinar o DNA de mídia
    de uma pessoa específica.
  88. O mecanismo narrativo do Limbic Lab

  89. ajuda criadores de conteúdo
    a refinar a narração de histórias
  90. para repercutir com o público-alvo,
    a nível individual.
  91. Outro componente do Limbic Lab,

  92. a máquina de mídia,
  93. avaliará como a mídia extrai
    uma reação emocional e fisiológica
  94. e depois buscará cenas
    de uma biblioteca de conteúdo
  95. dirigidas ao DNA de mídia
    de uma pessoa específica.
  96. A aplicação de inteligência artificial
    a dados biométricos

  97. cria uma experiência
    verdadeiramente personalizada
  98. que adapta conteúdos com base
    em reações inconscientes em tempo real.
  99. Imaginem se criadores de mídia
    e organizações sem fins lucrativos
  100. conseguissem medir como o público
    se sente enquanto experimenta isso
  101. e alterassem o conteúdo no mesmo instante.
  102. Acredito que esse é o futuro da mídia.
  103. Até agora, a maior parte da mídia
    e das estratégias de mudança social

  104. vêm tentando atrair o público em massa,
  105. mas o futuro é a mídia
    personalizada para cada pessoa.
  106. Conforme a medição em tempo real
    do consumo de mídia
  107. e a produção de mídia automatizada
    se tornem a norma,
  108. logo estaremos consumindo mídia
    adaptada diretamente a nossos desejos
  109. usando uma mistura
    de psicografia, biometria e IA.
  110. É como um remédio personalizado
    baseado em nosso DNA.
  111. Chamo de "biomídia".
  112. Atualmente estou testando
    o Limbic Lab em um estudo piloto

  113. com o Norman Lear Center,
  114. que analisa as 50 séries de TV
    mais populares.
  115. Mas estou enfrentando um dilema ético.
  116. Se eu projetar uma ferramenta
    que possa ser transformada em uma arma,
  117. será que devo construí-la?
  118. Ao tornar o laboratório de código aberto
    para incentivar o acesso e a inclusão,
  119. também corro o risco
    de permitir que governos poderosos
  120. e empresas com fins lucrativos
    se apropriem da plataforma
  121. para notícias falsas, propaganda
    ou outras formas de persuasão de massas.
  122. Para mim, portanto, é imprescindível
    que minha pesquisa
  123. seja tão transparente ao público leigo
  124. como rótulos de organismos
    geneticamente modificados.
  125. No entanto, isso não é o bastante.
  126. Como tecnólogos criativos,
  127. temos a responsabilidade
  128. não só de refletir
    sobre como a tecnologia atual
  129. modela nossos valores culturais
    e nosso comportamento social,
  130. mas também desafiar ativamente
    a trajetória da tecnologia futura.
  131. Tenho esperança de que façamos
    um compromisso ético
  132. para explorar a inteligência do corpo
  133. para a criação de histórias
    autênticas e justas
  134. que transformem a mídia e a tecnologia
  135. de armas nocivas em medicina narrativa.
  136. Obrigada.

  137. (Aplausos) (Vivas)