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← Como sermos melhores no que é importante para nós

Esforçam-se, mas sem melhorarem? Não são os únicos. O professor Eduardo Briceño revela-nos uma forma simples de melhorarmos em tudo o que fazemos, seja no trabalho, na vida familiar, ou no lazer. Também nos dá algumas técnicas úteis do que podemos fazer para estarmos sempre a aprender e a evoluir.

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Showing Revision 34 created 03/10/2017 by Margarida Ferreira.

  1. Passamos a vida a tentar dar
    o nosso melhor em tudo o que fazemos,
  2. seja no trabalho, na escola
    ou com a família
  3. ou em qualquer outra área.
  4. Eu passo por isso.
    Tento dar o meu melhor.
  5. Mas dei-me conta,
    há algum tempo
  6. que não estava a melhorar
    nas coisas que mais me interessavam,
  7. quer como marido ou amigo,
  8. quer como profissional ou colega.
  9. Não estava a melhorar muito
    nessas áreas
  10. apesar de passar muito tempo
  11. a esforçar-me por isso.
  12. Por investigações que fiz
    e conversas que tive,
  13. pude dar-me conta de que,
    apesar de todo o empenho,
  14. essa estagnação é comum.
  15. Gostava de partilhar o que penso
    sobre as razões para isso
  16. e o que podemos fazer a respeito disso.

  17. Percebi que as pessoas mais bem-sucedidas
  18. e as equipas de qualquer esfera
  19. fazem algo que podemos imitar.
  20. Elas alternam deliberadamente
    entre duas zonas:
  21. a zona de aprendizagem
    e a zona do desempenho.
  22. Na zona de aprendizagem
    temos o objetivo de melhorar.
  23. Realizamos atividades
    concebidas para melhorar,

  24. concentrando-nos naquilo
    que ainda não dominamos,
  25. sabendo que devemos
    estar preparados para errar
  26. e aprender com isso.
  27. É diferente do que fazemos
    na zona do desempenho,
  28. cujo objetivo é executar uma tarefa
    da melhor forma possível.
  29. Então, concentramo-nos
    naquilo que já dominamos
  30. e tentamos reduzir os erros.
  31. Ambas estas zonas deviam
    fazer parte da nossa vida,
  32. mas saber quando queremos
    estar em cada uma delas,

  33. com que objetivo, foco e expetativa,
  34. ajuda-nos a ter um melhor desempenho
    e a progredir.
  35. A zona de desempenho
    maximiza o nosso desempenho imediato.
  36. A zona de aprendizagem
    maximiza o nosso crescimento
  37. e contribui para o nosso
    desempenho futuro.
  38. Muitos de nós não progredirmos muito,
  39. apesar de grandes esforços,
  40. porque nos dedicamos
    quase totalmente à zona do desempenho.
  41. Isso prejudica o nosso crescimento
  42. e, ironicamente, a longo prazo,
    também o nosso desempenho.
  43. O que é a zona de aprendizagem?
  44. Vejam o exemplo de Demóstenes,
    um líder político,
  45. o maior orador e advogado
    da Grécia Antiga.

  46. Para ser excelente,
    não passava todo o tempo
  47. apenas como orador e advogado,
  48. o que seria a sua zona de desempenho.
  49. Desenvolvia atividades
    concebidas para o progresso.
  50. É claro, ele estudava muito.
  51. Estudava leis e filosofia
    orientado por mentores,
  52. mas também percebeu que ser advogado
    exigia convencer outras pessoas,
  53. por isso, estudou os grandes discursos,
  54. além de interpretação.
  55. Para se livrar do seu tique
    de levantar o ombro, sem querer,
  56. discursava em frente do espelho
  57. e suspendeu uma espada no teto,
  58. para que, caso levantasse o ombro,
  59. o magoasse.
  60. (Risos)
  61. Para falar melhor,
    apesar de um defeito na fala,
  62. treinava os discursos com pedras na boca.

  63. Criou um quarto subterrâneo,

  64. onde podia treinar sem interrupções
  65. e sem atrapalhar ninguém.
  66. Como, na época,
    os tribunais eram barulhentos,
  67. também treinava perto do oceano,
  68. projetando a voz
    sobre o barulho das ondas.
  69. As suas atividades na zona de aprendizagem
  70. eram muito diferentes
    das atividades no tribunal,
  71. a sua zona de desempenho.

  72. Na zona de aprendizagem,
  73. fazia aquilo a que o Dr. Anders Ericsson
    chama "prática deliberada",
  74. Ou seja, decompondo as capacidades
    em elementos de competências
  75. determinando claramente qual a competência
    que queremos melhorar,
  76. como não levantar os ombros,
  77. concentrando-nos num desafio
    de nível mais elevado,
  78. fora da zona de conforto,
  79. para além do que costumamos fazer.
  80. Com repetições frequentes e ajustes,
  81. para além, idealmente,
    do auxílio de um profissional,
  82. visto que as atividades
    destinadas ao progresso
  83. são um campo específico
  84. e os bons mestres sabem
    quais são essas atividades
  85. e podem dar-nos uma opinião abalizada.
  86. Este tipo de atividade
    na zona de aprendizagem
  87. que leva a um progresso substancial
  88. não só no tempo de desempenho.
  89. As pesquisas mostram que,
    ao fim de uns anos
  90. a trabalhar na mesma profissão,

  91. o desempenho estabiliza-se.
  92. Isto acontece no ensino,
    na medicina em geral,
  93. na enfermagem e noutras áreas.
  94. Isso acontece porque, quando pensamos
    que já somos bastante bons,
  95. e nos sentimentos satisfeitos,
  96. deixamos de nos dedicar
    à zona de aprendizagem.
  97. Concentramo-nos no trabalho,
    no desempenho,
  98. o que não é uma boa forma de evoluir.
  99. Mas as pessoas que continuam
    na zona de aprendizagem,
  100. continuam sempre a progredir.
  101. Os melhores vendedores,
    pelo menos uma vez por semana,
  102. praticam atividades
    no intuito de evoluírem.
  103. Eles leem para aumentar os conhecimentos,
  104. tiram dúvidas com colegas e especialistas,
  105. tentam novas estratégias,
    pedem opiniões e refletem.
  106. Os melhores jogadores de xadrez
  107. passam muito tempo sem jogar,
  108. — o que seria a sua zona de desempenho —
  109. mas a tentar adivinhar as jogadas
    dos grandes mestres
  110. e a analisá-las.
  111. Provavelmente,
    todos nós já passámos muitas horas
  112. a escrever no computador,
  113. sem ficarmos mais rápidos.
  114. Mas, se gastássemos
    10 ou 20 minutos, todos os dias,
  115. concentrando-nos a tentar escrever
    10 ou 20% mais depressa
  116. que a nossa velocidade habitual,
  117. ficaríamos mais velozes,
  118. principalmente se também
    identificássemos os erros,
  119. e praticássemos com essas palavras.
  120. Isso é a prática deliberada.
  121. Em que áreas da nossa vida,
  122. que talvez sejam mais importantes,
  123. estamos a esforçar-nos
    sem grandes resultados

  124. porque estamos sempre
    na zona de desempenho?
  125. Não estou a dizer que a zona
    de desempenho de nada valha
  126. Ela é muito importante.
  127. Na minha operação ao joelho,
    não disse ao médico:
  128. "Investigue e concentre-se
    no que não sabe".
  129. (Risos)
  130. "Vamos aprender com os seus erros!"
  131. Procurei um cirurgião
    que soubesse o que fazia

  132. e queria que ele fizesse um bom trabalho.

  133. Estar na zona de desempenho
  134. permite que façamos o melhor que podemos.
  135. Também pode ser motivador
  136. e dá-nos meios para decidir
    no que devemos concentrar-nos
  137. quando voltamos à zona da aprendizagem.
  138. Assim, o caminho para um bom desempenho
  139. é alternar entre as zonas
    de desempenho e de aprendizagem,
  140. criando deliberadamente competências
    na zona de aprendizagem
  141. e aplicando essas competências
    na zona de desempenho.
  142. Quando a Beyoncé está em "tournée",
  143. durante o concerto,
    ela está na zona de desempenho,
  144. mas, à noite, quando volta para o hotel,

  145. ela volta à zona de aprendizagem.
  146. Assiste a um vídeo do concerto
    que acabou de fazer,
  147. identifica o que deve ser melhorado
  148. na sua atuação, na dos dançarinos
    e na da equipa.
  149. Na manhã seguinte, todos recebem notas
    sobre o que deve ser melhorado
  150. e todos trabalham durante o dia
    até à atuação seguinte.

  151. É um processo em espiral
    para melhorar as capacidades,
  152. mas é preciso saber quando aprender
    e quando atuar.
  153. Embora queiramos fazer
    as duas coisas ao mesmo tempo,
  154. quanto mais tempo passamos
    na zona de aprendizagem,
  155. mais evoluiremos.
  156. Como podemos passar
    mais tempo a aprender?
  157. Precisamos de acreditar e compreender
  158. que podemos melhorar,

  159. a que chamamos mentalidade de crescimento.
  160. Temos que querer melhorar essa capacidade.
  161. É preciso ter um objetivo
    que nos interesse,
  162. pois requer trabalho e tempo.
  163. Precisamos de ter uma ideia
    de como melhorar
  164. e o que podemos fazer para melhorar.
  165. Não é como eu tocava viola
    quando adolescente,
  166. a tocar a mesma música várias vezes
  167. mas estudar conscientemente.
  168. Devemos estar numa situação
    de riscos mínimos
  169. pois, se estamos preparados para os erros,
  170. as consequências
    não podem ser catastróficas
  171. nem muito significativas.
  172. Um equilibrista não treina
    sem uma rede por baixo,
  173. e um atleta não arriscaria
    fazer uma nova jogada
  174. durante um campeonato.
  175. Uma das razões por que passamos
    tanto tempo na área do desempenho
  176. é que no nosso ambiente
    corremos por vezes riscos altos.

  177. Criamos desafios sociais
    uns para os outros,
  178. até mesmo nas escolas,
    onde devíamos apenas aprender,
  179. e não me refiro apenas a testes vulgares.
  180. Refiro-me a que, a todo momento,
  181. muitos alunos, do secundário à faculdade,
  182. pensam que, se errarem,
    os outros pensarão mal deles.
  183. Não admira que estejam
    sempre tão nervosos
  184. e não se arrisquem o suficiente
    para aprenderem.
  185. Mas aprendem que os erros
    são indesejáveis,
  186. inevitavelmente,
  187. quando os professores ou os pais
    só querem ouvir as respostas certas
  188. e rejeitam os erros,
    em vez de os analisarem
  189. e aprenderem com eles.
  190. Ou quando procuramos
    respostas condensadas
  191. em vez de encorajar
    a exploração das coisas
  192. com que podemos aprender.
  193. Quando todos os trabalhos
    recebem uma nota
  194. que conta para a nota final,
  195. em vez de serem usados como prática.
    erros, correção e revisão,
  196. estamos a dizer-lhes que a escola
    está na zona de desempenho.
  197. O mesmo acontece no trabalho.
  198. Nas empresas com que trabalho,
    deteto culturas de execução sem erros
  199. que os chefes fomentam,
    para encorajar um trabalho perfeito,

  200. o que leva os trabalhadores
    a agarrem-se ao que sabem
  201. e não tentem coisas novas.
  202. As empresas não conseguem
    inovar e melhorar,
  203. e ficam para trás.
  204. Podemos abrir portas
    para o crescimento
  205. conversando uns com os outros
  206. sobre quando queremos estar
    em cada zona.

  207. Em que é que queremos melhorar e como?
  208. Quando queremos executar
    e reduzir os erros?
  209. Dessa forma, fica mais claro
    o que significa o sucesso,
  210. quando e como apoiarmo-nos uns aos outros.
  211. Mas e se nos encontrarmos
    num ambiente competitivo
  212. e não houver espaço para essas conversas?
  213. Há três coisas que podemos fazer,
    enquanto indivíduos.

  214. Podemos criar ilhas não competitivas
    num oceano de muito competitividade,
  215. espaços em que os erros
    tenham poucas consequências.
  216. Podemos, por exemplo, encontrar
    um mentor ou um colega de confiança
  217. com quem possamos trocar ideias
    ou termos conversas vulneráveis,
  218. ou, até mesmo, trocar de papéis.
  219. Ou podemos pedir reuniões de orientação
    no decorrer de um projeto.
  220. Ou podemos ler, ver vídeos
    ou fazer cursos online.
  221. Estes são alguns exemplos.
  222. Em segundo lugar, podemos fazer
    o nosso trabalho, conforme esperado,
  223. mas pensar em como melhorar,
    no futuro,
  224. como faz a Beyoncé.
  225. Podemos observar e imitar especialistas.
  226. A observação, a reflexão
    e o ajustamento é zona de aprendizagem.
  227. Finalmente, podemos tomar a iniciativa
    e reduzir os riscos dos outros,
  228. partilhando aquilo
    em que queremos melhorar,
  229. fazendo perguntas
    sobre o que não sabemos,
  230. pedindo "feedback"
    e partilhando os nossos erros,
  231. e o que aprendemos com eles,
  232. para que os outros se sintam à vontade
    para fazer o mesmo.
  233. A verdadeira confiança provém
    duma aprendizagem continuada.
  234. E se, em vez de passarmos a vida a fazer,
  235. a desempenhar, a desempenhar,

  236. passássemos mais tempo a explorar,
  237. a perguntar,
  238. a ouvir,
  239. a experimentar, a refletir,
  240. a esforçarmo-nos e a empenharmo-nos?
  241. E se sempre tentássemos
  242. melhorar em qualquer coisa?
  243. E se criássemos mais ilhas
    e mais águas de baixo risco?
  244. E se tivéssemos claro,
  245. para nós e para os nossos colegas,
  246. quando procuramos aprender ou executar,
  247. para que os nossos esforços
    tivessem mais resultado,
  248. nunca parássemos de evoluir,
  249. e nos tornássemos ainda melhores?
  250. Obrigado.
  251. (Aplausos)