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← Neil MacGregor: 2600 anos de história num objeto

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Subtitles translated from English Showing Revision 1 created 04/03/2012 by Isabel Vaz Belchior.

  1. As coisas que fazemos
  2. têm uma qualidade suprema --
  3. elas vivem mais tempo do que nós.
  4. Nós perecemos, elas sobrevivem;
  5. nós temos uma vida, elas têm muitas vidas,
  6. e em cada vida elas podem significar coisas diferentes.
  7. O que significa que, enquanto nós todos temos uma biografia,
  8. elas têm muitas.
  9. Eu quero falar esta manhã

  10. acerca da história, a biografia -- ou antes, as biografias --
  11. de um objeto em particular,
  12. uma coisa notável.
  13. Ele não tem, concordo,
  14. grande aspeto.
  15. É quase do tamanho de uma bola de rugby.
  16. É feito de barro,
  17. e foi modelado
  18. para ter uma forma cilíndrica,
  19. coberto com uma escrita apertada
  20. e depois cozido ao sol.
  21. E como podem ver,
  22. levou alguns maus tratos,
  23. o que não é surpreendente
  24. porque foi feito há dois mil anos e meio
  25. e foi desenterrado
  26. em 1879.
  27. Mas hoje,
  28. esta coisa é, creio,
  29. um protagonista de relevo
  30. na política do Médio Oriente.
  31. E é um objeto
  32. com histórias fascinantes
  33. e histórias que nem por sombras se acham concluídas.
  34. A história começa

  35. na guerra Irão-Iraque
  36. e naquela série de eventos
  37. que culminaram
  38. na invasão do Iraque
  39. por forças estrangeiras,
  40. a queda de um governante despótico
  41. e uma mudança instantânea de regime.
  42. E quero começar
  43. por um episódio daquela sequência de eventos
  44. com que a maioria de vós estará bastante familiarizada,
  45. o banquete de Belsazar --
  46. porque estamos a falar da guerra Irão-Iraque
  47. de 539 a.C.
  48. E os paralelos
  49. entre os eventos
  50. de 539 a.C. e 2003 e no ínterim
  51. são espantosos.
  52. O que estão a ver é uma pintura de Rembrandt,
  53. agora na Galeria Nacional em Londres,
  54. a ilustrar o texto do profeta Daniel
  55. nas Escrituras Hebraicas.
  56. E todos vocês sabem a história por alto.
  57. Belsazar, o filho de Nabucodonosor,

  58. Nabucodonosor, que tinha conquistado Israel, saqueado Jerusalém
  59. e capturado o povo
  60. e levado os judeus para a Babilónia.
  61. Não só os judeus, ele tinha levado consigo os vasos do templo.
  62. Ele tinha saqueado, profanado o templo.
  63. E os grandes vasos de ouro do templo em Jerusalém
  64. tinham sido levados para a Babilónia.
  65. Belsazar, o seu filho,
  66. decide dar um banquete.
  67. E de maneira a torná-lo ainda mais excitante,
  68. ele acrescentou um pouco de sacrilégio ao resto da paródia,
  69. e traz os vasos do templo.
  70. Ele está já em guerra com os iranianos,
  71. com o rei da Pérsia.
  72. E naquela noite, Daniel conta-nos que,

  73. no auge das festividades
  74. apareceu uma mão e escreveu na parede:
  75. "Foste pesado na balança e achado deficiente,
  76. e o teu reino é entregue
  77. aos medos e aos persas."
  78. E naquela mesma noite
  79. Ciro, rei dos persas, entrou em Babilónia
  80. e todo o regime de Belsazar caiu.
  81. É, claro, um grande momento
  82. na história
  83. do povo judeu.
  84. É uma ótima história. É uma história que todos conhecemos.
  85. "A escrita na parede"
  86. faz parte da linguagem do quotidiano.
  87. O que aconteceu a seguir
  88. foi notável,
  89. e é onde o nosso cilindro
  90. entra na história.
  91. Ciro, rei dos persas,

  92. entrou na Babilónia sem luta --
  93. o grande império da Babilónia,
  94. que ia desde o centro sul do Iraque
  95. ao Mediterrâneo,
  96. sucumbe diante de Ciro.
  97. E Ciro faz uma declaração.
  98. E é isso o que este cilindro é,
  99. a declaração feita pelo governante guiado por Deus
  100. que derrubou o déspota iraquiano
  101. e que ia trazer a liberdade ao povo.
  102. Em sonante babilónio --
  103. foi escrito em babilónio --
  104. ele diz: "Eu sou Ciro, rei de todo o Universo,
  105. o grande rei, o poderoso rei,
  106. rei da Babilónia, rei dos quatro cantos do mundo."
  107. Eles não são tímidos nas hipérboles, como podem ver.
  108. Isto é provavelmente
  109. o primeiro verdadeiro comunicado de imprensa
  110. de um exército vitorioso
  111. que temos.
  112. E é escrito, como iremos ver a seu tempo,
  113. por consultores de Relações Públicas muito competentes.
  114. Portanto, a hipérbole não é, com efeito, surpreendente.
  115. E o que é que o grande rei, o poderoso rei,

  116. o rei dos quatro cantos do mundo, vai fazer?
  117. Ele continua a dizer que, tendo conquistado a Babilónia,
  118. ele irá permitir, imediatamente, que todos os povos
  119. que os babilónios -- Nabucodonosor e Belsazar --
  120. capturaram e escravizaram,
  121. sejam libertos.
  122. Ele vai permitir que eles retornem aos seus países.
  123. E mais importante,
  124. ele vai permitir a todos recuperarem
  125. os deuses, as estátuas,
  126. os vasos do templo
  127. que tinham sido confiscados.
  128. Todos os povos que os babilónios tinham oprimido e expatriado
  129. irão para casa,
  130. e eles levarão com eles os seus deuses.
  131. E eles poderão restaurar os seus altares
  132. e adorar os seus deuses
  133. à sua maneira, nos seus próprios lugares.
  134. Este é o decreto,
  135. este objeto é a prova
  136. do facto de que os judeus,
  137. depois do exílio na Babilónia,
  138. dos anos que passaram sentados ao longo dos rios de Babilónia,
  139. a chorar sempre que se lembravam de Jerusalém,
  140. esses judeus tiveram permissão para irem para casa.
  141. Eles tiveram permissão para regressarem a Jerusalém
  142. e para reconstruírem o Templo.
  143. É um documento central

  144. na história judaica.
  145. E o livro de Crónicas, o livro de Esdras nas Escrituras Hebraicas
  146. relataram-no em termos sonantes.
  147. Esta é a versão judaica
  148. da mesma história.
  149. "Assim disse Ciro, rei da Pérsia,
  150. 'Todos os reinos da Terra o Senhor Deus dos céus me deu,
  151. e Ele encarregou-me
  152. de Lhe construir uma casa em Jerusalém.
  153. Quem é, de entre vós, do Seu povo?
  154. Que o Senhor Deus esteja com ele,
  155. e lhe permita que suba [a Jerusalém].'"
  156. "Suba" -- aaleh.
  157. O elemento central, ainda,
  158. a noção de retorno,
  159. uma parte central
  160. da vida do judaísmo.
  161. Como todos vocês sabem, aquele retorno do exílio,
  162. o segundo templo,
  163. remodelou o judaísmo.
  164. E essa mudança,
  165. aquele grandioso momento histórico,
  166. foi tornado possível por Ciro, o rei da Pérsia,
  167. relatado nas Escrituras Hebraicas
  168. e em babilónio, em barro.
  169. Dois textos excelentes,

  170. então e a política?
  171. O que estava a acontecer
  172. era a mudança fundamental na história do Médio Oriente.
  173. O império do Irão, os medos e os persas,
  174. unidos sob Ciro,
  175. tornou-se o primeiro grande império mundial.
  176. Ciro começa nos anos de 530 a.C.
  177. E na época do seu filho Dario,
  178. todo o Mediterrâneo oriental
  179. está sob controlo persa.
  180. Este império é, de facto,
  181. o Médio Oriente tal como o conhecemos agora,
  182. e é o que dá forma ao Médio Oriente tal como o conhecemos agora.
  183. Foi o mais vasto império que o mundo conhecera até então.
  184. Muito mais importante,
  185. foi o primeiro
  186. estado multicultural, multireligioso
  187. a uma escala enorme.
  188. E tinha de ser governado de uma nova maneira.
  189. Tinha de ser governado em línguas diferentes.
  190. O facto deste decreto ser em babilónio diz uma coisa.
  191. E tinha de reconhecer os seus diferentes costumes,
  192. diferentes povos, diferentes religiões, diferentes crenças.
  193. Todos são respeitados por Ciro.
  194. Ciro estabelece um modelo

  195. de como governar
  196. uma grande sociedade multinacional, multireligiosa, multicultural.
  197. E o resultado disso
  198. foi um império que incluía as áreas que veem no écrã,
  199. e que sobreviveu durante 200 anos com estabilidade
  200. até ter sido destruído por Alexandre.
  201. Deixou um sonho do Médio Oriente como uma unidade,
  202. e uma unidade onde pessoas de diferentes credos
  203. podiam viver juntas.
  204. As invasões gregas acabaram com ele.
  205. E claro, Alexandre não conseguiu manter um governo
  206. e fragmentou-se.
  207. Mas o que Ciro representou
  208. permaneceu absolutamente central.
  209. O historiador grego Xenofonte

  210. escreveu o seu livro "Ciropédia"
  211. promovendo Ciro como o grande governante.
  212. E na cultura europeia, depois disso,
  213. Ciro permaneceu o modelo.
  214. Esta é uma imagem do século XVI
  215. para vos mostrar quão difundida
  216. estava realmente a sua veneração.
  217. E o livro de Xenofonte sobre Ciro
  218. sobre como se governa uma sociedade diversa
  219. foi um dos grandes manuais
  220. que inspiraram os Pais Fundadores
  221. da Revolução Americana.
  222. Jefferson era um grande admirador --
  223. os ideais de Ciro
  224. obviamente transpareciam nos ideais do século XVIII
  225. no modo de se criar a tolerância religiosa
  226. num novo estado.
  227. Entretanto, de volta à Babilónia,

  228. as coisas não tinham estado a correr bem.
  229. Depois de Alexandre, dos outros impérios,
  230. Babilónia entra em declínio, cai em ruínas,
  231. e todos os traços do grande império babilónico se perdem --
  232. até 1879
  233. quando o cilindro é descoberto
  234. numa escavação de uma expedição do Museu Britânico, na Babilónia.
  235. E entra agora outra história.
  236. Entra aquele grande debate
  237. de meados do século XIX:
  238. São as Escrituras fiáveis? Podemos confiar nelas?
  239. Nós só sabíamos
  240. do regresso dos judeus e do decreto de Ciro
  241. através das Escrituras Hebraicas.
  242. Nenhuma outra evidência.
  243. Subitamente, isto apareceu.
  244. E grande excitação
  245. num mundo onde aqueles que acreditavam nas Escrituras
  246. tinham tido a sua fé na criação abalada
  247. pela evolução, pela geologia,
  248. aqui estava a prova
  249. de que as Escrituras eram historicamente verdadeiras.
  250. É um grande momento do século XIX.
  251. Mas -- e isto, claro, é onde se torna complicado --

  252. os factos eram verdadeiros,
  253. viva a arqueologia,
  254. mas a interpretação era bastante mais complicada.
  255. Porque o relato do cilindro e o relato da Bíblia Hebraica
  256. diferem num aspeto-chave.
  257. O cilindro babilónico
  258. é escrito pelos sacerdotes
  259. do grande deus da Babilónia, Marduk.
  260. E, sem surpresas,
  261. eles contam-nos de que tudo isto foi feito por Marduk.
  262. "Marduk, cremos, chamou Ciro pelo seu nome."
  263. Marduk leva Ciro pela mão,
  264. chama-o para pastorear o seu povo
  265. e dá-lhe o governo da Babilónia.
  266. Marduk diz a Ciro
  267. que ele fará estas grandes e generosas coisas
  268. de libertar os povos.
  269. E isto é a razão porque nós lhe deveríamos estar todos gratos
  270. e para adorarmos Marduk.
  271. Os escritores hebreus

  272. no Antigo Testamento,
  273. vocês não ficarão surpreendidos por saberem,
  274. têm um ponto de vista bastante diferente disto.
  275. Para eles, claro, não pode ter sido Marduk
  276. que fez isto tudo acontecer.
  277. Só pode ter sido Jeová.
  278. E assim, em Isaías,
  279. temos os textos maravilhosos
  280. a dar todo o crédito por isto,
  281. não a Marduk
  282. mas ao Senhor Deus de Israel --
  283. o Senhor Deus de Israel
  284. que também chamou Ciro pelo nome,
  285. também levou Ciro pela mão
  286. e fala dele a pastorear o seu povo.
  287. É um exemplo notável
  288. de duas apropriações sacerdotais do mesmo evento,
  289. duas diferentes tomadas de poder religiosas
  290. de um facto político.
  291. Deus, nós sabemos,

  292. está habitualmente do lado dos grandes batalhões.
  293. A questão é, que deus era?
  294. E o debate inquieta
  295. toda a gente no século XIX,
  296. perceber que as Escrituras Hebraicas
  297. são parte de um mundo de religião muito maior.
  298. E é bastante claro
  299. que o cilindro é mais antigo do que o texto de Isaías,
  300. e no entanto, Jeová está a falar
  301. em palavras muito semelhantes
  302. àquelas usadas por Marduk.
  303. E há a ligeira sensação de que Isaías sabe disso,
  304. porque ele diz,
  305. é Deus que está a falar, claro,
  306. "Eu tenho-te chamado pelo teu nome
  307. mas tu não me tens conhecido."
  308. Penso que se reconhece
  309. que Ciro não se apercebe
  310. que está a agir sob as ordens de Jeová.
  311. E igualmente, ele ficaria surpreendido ao saber que estava a agir sob as ordens de Marduk.
  312. Porque curiosamente, claro,
  313. Ciro é um bom iraniano
  314. com um conjunto de deuses totalmente diferente
  315. que não são mencionados em nenhum destes textos.
  316. (Risos)

  317. Isto é em 1879.

  318. 40 anos depois
  319. e estamos em 1917,
  320. e o cilindro entra num mundo diferente.
  321. Desta vez, a política real
  322. do mundo contemporâneo --
  323. o ano da Declaração de Balfour,
  324. o ano em que a nova potência imperial no Médio Oriente, a Grã-Bretanha,
  325. decide que vai declarar
  326. uma pátria judaica,
  327. vai permitir que
  328. os judeus regressem.
  329. E a resposta a isto
  330. pela população judaica na Europa Oriental é rapsódica.
  331. E através da Europa Oriental,
  332. os judeus exibem imagens de Ciro
  333. e de Jorge V
  334. lado a lado --
  335. os dois grandes governantes
  336. que permitiram o regresso a Jerusalém.
  337. E o cilindro de Ciro volta a estar à vista do público
  338. e o texto disto
  339. como uma demonstração do porque é que o que vai acontecer
  340. depois do fim da guerra em 1918
  341. é parte de um plano divino.
  342. Todos sabemos o que aconteceu.
  343. O Estado de Israel é estabelecido,
  344. e 50 anos mais tarde, nos finais dos anos 60,
  345. é claro que o papel da Grã-Bretanha, como a potência imperial, terminou.
  346. E outra história do cilindro começa.
  347. A região, decidem o Reino Unido e os EUA,

  348. tem de ser mantida a salvo do comunismo,
  349. e a superpotência que irá ser criada para fazer isso
  350. será o Irão, o Xá.
  351. E assim, o Xá inventa uma história iraniana,
  352. ou retorna à história iraniana,
  353. que o coloca no centro de uma grande tradição
  354. e produz moedas
  355. mostrando-se a si mesmo
  356. com o cilindro de Ciro.
  357. Quando ele tem as suas grandes celebrações em Persépolis,
  358. ele convoca o cilindro
  359. e o cilindro é emprestado pelo Museu Britânico, vai para Teerão,
  360. e faz parte daquelas grandes celebrações
  361. da dinastia Pahlavi.
  362. O cilindro de Ciro: o garante do Xá.
  363. 10 anos mais tarde, outra história:

  364. a Revolução Iraniana, 1979.
  365. A Revolução Islâmica, desaparece Ciro;
  366. não estamos interessados naquela história,
  367. estamos interessados no Irão islâmico --
  368. até o Iraque,
  369. a nova superpotência que todos nós decidimos que deveria haver na região,
  370. ataca.
  371. Então, outra guerra Irão-Iraque.
  372. E torna-se crítico para os iranianos
  373. lembrarem-se do seu passado grandioso,
  374. do seu passado grandioso,
  375. quando combateram o Iraque e venceram.
  376. Torna-se crítico encontrar um símbolo
  377. que una todos os iranianos --
  378. muçulmanos e não-muçulmanos,
  379. cristãos, zoroastrianos, judeus a viver no Irão,
  380. povos que eram devotos, não devotos.
  381. E o emblema óbvio é Ciro.
  382. Portanto, quando o Museu Britânico e o Museu Nacional de Teerão

  383. cooperaram e trabalharam juntos, como temos feito,
  384. os iranianos só pediram uma coisa
  385. como um empréstimo.
  386. É o único objeto que querem.
  387. Eles querem pedir emprestado o cilindro de Ciro.
  388. E no ano passado,
  389. o cilindro de Ciro foi para Teerão
  390. pela segunda vez.
  391. É exposto apresentado aqui, colocado na sua vitrine
  392. pela diretora do Museu Nacional de Teerão,
  393. uma das muitas mulheres no Irão em posições de grande liderança,
  394. a Sra. Ardakani.
  395. Foi um grande acontecimento.
  396. Este é o outro lado da mesma imagem.
  397. Foi visto no Teerão
  398. por entre um e dois milhões de pessoas
  399. no espaço de alguns meses.
  400. Isto está para além de qualquer exposição de maior êxito
  401. no ocidente.
  402. É o tema de um enorme debate
  403. acerca do que este cilindro significa, do que Ciro significa,
  404. mas acima de tudo, Ciro como é apresentado neste cilindro --
  405. Ciro como o defensor da pátria,
  406. o campeão, claro, da identidade iraniana
  407. e dos povos iranianos,
  408. tolerante em relação a todas as crenças.
  409. E no atual Irão,
  410. zoroastrianos e cristãos têm lugares garantidos
  411. no parlamento iraniano, algo de que se ser muito, muito orgulhoso.
  412. Para ver este objeto em Teerão,

  413. milhares de judeus a viver no Irão
  414. foram a Teerão para o verem.
  415. Tornou-se um grande emblema,
  416. um grande tema de debate
  417. acerca do que o Irão é, interna e externamente.
  418. É o Irão ainda o defensor dos oprimidos?
  419. Vai o Irão libertar os povos
  420. que os tiranos escravizaram e expropriaram?
  421. Esta é a principal retórica nacional,
  422. e foi toda montada
  423. numa grande representação
  424. que lançou o regresso.
  425. Aqui veem este cilindro de Ciro, ampliado, em palco,
  426. com grandes figuras da história iraniana
  427. a juntarem-se para tomarem o seu lugar
  428. no património do Irão.
  429. Foi uma narrativa apresentada
  430. pelo próprio presidente.
  431. E para mim,

  432. levar este objeto para o Irão,
  433. ser autorizado a levar este objeto para o Irão
  434. foi ser autorizado a fazer parte
  435. de um debate extraordinário
  436. levado ao mais alto nível
  437. sobre o que o Irão é,
  438. que diferentes aspetos do Irão há
  439. e como as diferentes histórias do Irão
  440. poderiam dar forma ao mundo hoje.
  441. É um debate que ainda está a continuar,
  442. e vai continuar a ressoar,
  443. porque este objeto
  444. é uma das maiores declarações
  445. de uma aspiração humana.
  446. Ele alinha com a Constituição americana.
  447. Certamente que diz bem mais sobre as verdadeiras liberdades
  448. do que a Magna Carta.
  449. É um documento que pode significar tantas coisas,
  450. para o Irão e para a região.
  451. Uma réplica dele

  452. encontra-se nas Nações Unidas.
  453. Em Nova Iorque, neste outono, vai estar presente
  454. quando os grandes debates
  455. sobre o futuro do Médio Oriente tiverem lugar.
  456. E quero terminar perguntando-vos
  457. qual vai ser a próxima história
  458. na qual figura este objeto.
  459. Ele vai aparecer, certamente,
  460. em muitas mais histórias do Médio Oriente.
  461. E que história do Médio Oriente,
  462. que história do mundo,
  463. querem vocês ver
  464. refletir o que é dito,
  465. o que é expresso neste cilindro?
  466. O direito dos povos
  467. de viverem juntos no mesmo estado,
  468. de adorarem de maneira diferente, livremente --
  469. um Médio Oriente, um mundo,
  470. no qual a religião não seja o tema de divisão
  471. ou de debate.
  472. No mundo do Médio Oriente, neste momento,

  473. os debates são, como sabem, estridentes.
  474. Mas eu penso que é possível
  475. que a mais poderosa e sábia de todas aquelas vozes
  476. possa bem ser a voz
  477. desta coisa muda,
  478. o cilindro de Ciro.
  479. Obrigado.

  480. (Aplausos)