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← O nosso corpo contra os implantes — Kaitlyn Sadtler

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Showing Revision 6 created 08/16/2019 by Margarida Ferreira.

  1. As bombas de insulina melhoram a vida

  2. de muitos dos 415 milhões de diabéticos
    do mundo inteiro,
  3. controlando o açúcar do sangue,
    administrando insulina
  4. e evitando a necessidade
    de constantes picadelas nos dedos
  5. e análises ao sangue.
  6. Estas pequenas máquinas incluem
    uma bomba e uma agulha,
  7. que deteta os níveis de glucose,
    informa a bomba
  8. e calcula a quantidade de insulina
    a fornecer pela agulha.
  9. Mas têm um contra: são temporárias.
  10. Ao fim de uns dias, os sensores de glucose
    têm de ser retirados e substituídos.
  11. Não são só os monitores de glucose
    e as bombas de insulina
  12. que têm esse problema,
  13. mas todos os implantes corporais
    em escalas de tempo diferentes.
  14. As próteses de plástico dos joelhos
    têm de ser substituídas ao fim de 20 anos.
  15. Outros implantes, como os que são
    usados por razões cosméticas,
  16. podem ter o mesmo destino
    ao fim de 10 anos.
  17. Não se trata apenas de um aborrecimento:
    pode ser caro e perigoso.
  18. Este inconveniente existe devido
    ao sistema imunitário do nosso corpo.

  19. Aperfeiçoado por centenas de milhões
    de anos de evolução,
  20. este sistema defensivo
  21. tornou-se extremamente bom
    a identificar objetos estranhos.
  22. O nosso sistema imunitário
  23. dispõe de um impressionante arsenal
    de ferramentas
  24. para atacar, intercetar e destruir
  25. tudo o que considere
    que não deve estar ali.
  26. Mas a consequência
    desta vigilância permanente
  27. é que o corpo trata os implantes úteis,
    como as bombas de insulina,
  28. com a mesma suspeita com que tratam
    um vírus ou uma bactéria prejudiciais.
  29. Logo que a bomba de insulina
    é implantada na pele,

  30. a sua presença desencadeia
    uma "reação a um corpo estranho".
  31. Isso começa com proteínas
    que flutuam livremente
  32. e aderem à superfície do implante.
  33. Essas proteínas incluem anticorpos
  34. que tentam neutralizar o novo objeto
  35. e enviam um sinal que atrai
    outras células imunitárias para o local
  36. para reforçar o ataque.
  37. Células inflamatórias de reação rápida

  38. como os neutrófilos e os macrófagos,
  39. respondem à chamada de emergência.
  40. Os neutrófilos libertam
    pequenos grânulos com enzimas
  41. que tentam quebrar a superfície
    da agulha da bomba de insulina.
  42. Os macrófagos também segregam enzimas,
  43. juntamente com radicais de óxido nítrico
  44. que criam uma reação química
    que degrada o objeto com o tempo.
  45. Se os macrófagos não conseguem
    eliminar rapidamente o corpo estranho
  46. fundem-se, formando uma massa
    de células, chamada uma "célula gigante".
  47. Ao mesmo tempo, as células
    chamadas fibroblastos,
  48. dirigem-se para o local e depositam
    camadas densas de tecido conectivo.
  49. Essas camadas envolvem a agulha
    que a bomba usa para fornecer a insulina
  50. e testar os níveis de glucose.
  51. Com o tempo, esta construção aumenta,
  52. formando uma cicatriz
    em volta do implante.
  53. A cicatriz funciona quase
    como um muro impenetrável

  54. que pode começar a bloquear
    interações vitais
  55. entre o corpo e o implante.
  56. Por exemplo, as cicatrizes
    em volta dos "pacemakers"
  57. podem interromper a transmissão elétrica
    fundamental para o seu funcionamento.
  58. Uma articulação sintética do joelho
    pode libertar partículas ao desgastar-se
  59. fazendo com que as células imunitárias
    se inflamem em volta desses fragmentos.
  60. Infelizmente, o ataque
    do sistema imunitário pode ser mortal.
  61. Mas os investigadores vão encontrando
    formas de iludir o sistema imunitário

  62. para aceitar os novos dispositivos
    que introduzimos nos tecidos corporais.
  63. Descobrimos que revestindo os implantes
    com determinados químicos e drogas
  64. podem reduzir a reação imunitária.
  65. Isso torna os implantes invisíveis
    ao sistema imunitário.
  66. Também fazemos mais implantes
    a partir de materiais naturais
  67. e de formas que imitam os tecidos,
  68. de forma que o corpo desencadeia
    um ataque mais fraco
  69. do que desencadearia se encontrasse
    um implante totalmente artificial.
  70. Alguns tratamentos médicos
    envolvem implantes
  71. concebidos para regenerar
    tecidos perdidos ou danificados.
  72. Nesses casos, podemos conceber
    implantes que contenham ingredientes
  73. que libertem sinais específicos,
  74. e adaptem cuidadosamente
    as reações imunitárias do corpo.
  75. No futuro, esta forma de trabalhar
    juntamente com o sistema imunitário
  76. poderá ajudar a desenvolver
    órgãos totalmente artificiais,

  77. próteses plenamente integradas
  78. e terapias que curam ferimentos
    por si sós.
  79. Estes tratamentos podem vir
    a revolucionar a medicina
  80. e transformar para sempre
    o corpo com que vivemos.