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← Um dia na vida de um arquiteto da Grécia antiga — Mark Robinson

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Showing Revision 4 created 09/19/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Quando a aurora desponta em Atenas,
    Fídias já está atrasado para o trabalho.
  2. Estamos em 432 a.C.
  3. Fídias é o arquiteto
    ou mestre-de-obras do Partenon
  4. — o templo mais recente
    e maior de Atenas.
  5. Depois de terminado, a obra-prima será
    um enorme santuário da deusa Atena
  6. e um testemunho à glória dos atenienses.
  7. Mas, quando ele chega ao local,
    encontra à sua espera

  8. cinco "epistates"
    — ou seja, funcionários da cidade —
  9. Acusam Fídias de desviar o ouro
  10. destinado à principal
    estátua sagrada do templo.

  11. Até ao pôr-do-sol tem de entregar
    todas as despesas do templo
  12. e prestar contas de cada lamela de ouro
    ou enfrentará o julgamento do tribunal.
  13. Embora se sinta insultado
    por esta acusação falsa,

  14. Fídias não se sente admirado.
  15. Péricles, o político
    que encomendou o Partenon,
  16. tem muitos inimigos no governo da cidade,
  17. e este projeto
    é bastante controverso.
  18. O público está à espera de um templo
    clássico no estilo dórico:
  19. colunas simples sustentando
    um entablamento horizontal,
  20. coroado por um frontão triangular.
  21. Mas os planos de Fídias são mais radicais
    em relação aos padrões atenienses.
  22. O seu projeto combina colunas dóricas
    com um enorme friso jónico,
  23. onde se vê um amplo panorama
  24. do grande Festival das Panateneias,
    da cidade.
  25. Estes baixos-relevos mostrarão
    humanos e deuses lado a lado
  26. — uma coisa nunca vista
    na decoração de um templo —
  27. e também custará muito mais
    do que a construção tradicional.
  28. Pedindo aos deuses que os colegas
    tenham mantido registo das despesas,
  29. Fídias está decidido
    a provar a sua inocência.
  30. Primeiro, conferencia
    com os arquitetos Ictinos e Calícrates.

  31. Em vez de usarem uma planta,
  32. debruçam-se sobre a "syngraphai",
    um plano geral
  33. e o "paradeigma", um modelo a 3D.
  34. Sem uma planta exata,
  35. a equipa é obrigada a resolver
    problemas em cima da hora
  36. orientados apenas por cálculos cuidadosos
    e pelo seu instinto para a simetria.
  37. Manter essa simetria
    era especialmente difícil.

  38. O Partenon está construído
    numa superfície curva
  39. com as colunas inclinadas
    levemente para dentro.
  40. Para revelarem força e conseguirem
  41. que as colunas parecessem aprumadas,
    vistas de longe,
  42. os arquitetos incorporaram a "entasis",
    uma leve curvatura em cada coluna.
  43. Quanto aos outros elementos do templo,
  44. a equipa calcula a simetria,
  45. empregando proporções
    relativamente consistentes
  46. em todo o projeto.
  47. Mas estes planos instáveis exigem
    uma constante retificação dos cálculos.
  48. Depois de ajudar a resolver
    um destes cálculos,
  49. Fídias reúne os registos do ouro
    dos seus colegas
  50. e apressa-se a receber
    uma encomenda especial.
  51. Acabaram de chegar
    enormes blocos de mármore

  52. para o frontão do Partenon,
  53. vindos das pedreiras do Monte Pentélico.
  54. As rampas habituais não aguentarão
  55. o peso destes blocos de pedra
    de duas ou três toneladas,
  56. por isso, Fídias ordena
    a construção de novas roldanas.
  57. Depois de registar esta despesa adicional,

  58. e de supervisionar a construção
    durante toda a tarde,
  59. chega finalmente à oficina da escultura.
  60. Os escultores estão a esculpir
    92 cenas míticas, ou métopas,
  61. para decorar o templo.
  62. Cada uma delas representa cenas
    de diferentes batalhas épicas
  63. — uma representação mítica
    da vitória dos gregos sobre a Pérsia,
  64. cerca de 40 anos antes.
  65. Nunca nenhum templo usou tantas métopas
  66. e cada cena aumenta as enormes
    despesas do templo.
  67. Por fim, Fídias vira-se
    para a sua maior responsabilidade

  68. e o ponto central de todo o templo.
  69. Coberta de espessas camadas de ouro,
    minuciosamente decorada,
  70. e elevando-se acima dos seus adoradores,
  71. esta será uma estátua da padroeira
    e protetora da cidade: Atena Partenos.
  72. Quando o templo ficar pronto,
    juntar-se-ão milhares à sua volta,
  73. oferecendo orações, realizando sacrifícios
  74. e fazendo libações
    à deusa da sabedoria.
  75. Fídias passa o resto do dia

  76. a imaginar remates para a estátua
  77. e, quando a luz amortece,
    chegam os epistates para o confrontarem.
  78. Depois de percorrerem os registos,
    ficam com um ar triunfante.
  79. Fídias pode ter contabilizado
    as despesas gerais do templo,
  80. mas os registos não referem
    o ouro da estátua.
  81. Nesse momento, chega Péricles
    para salvar o seu mestre-de-obras.

  82. O patrono do templo diz-lhes
    que todo o ouro da estátua
  83. pode ser retirado e pesado
    para provar a inocência de Fídias.
  84. Depois de destacarem operários
    para essa tarefa
  85. — e encarregando os funcionários
    de os vigiarem até altas horas da noite —
  86. Fídias e o seu patrono
    deixam os seus adversários
  87. à mercê da poderosa Atena.