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← Porque é que ignoramos problemas óbvios -- e como agir sobre eles

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Showing Revision 32 created 07/09/2019 by Margarida Ferreira.

  1. O que seria, se houvesse
    um problema muito óbvio

  2. mesmo à vossa frente?
  3. Um problema de que todos
    estivessem a falar,
  4. um problema que vos afetasse diretamente?
  5. Fariam tudo o que está
    ao vosso alcance para o resolver
  6. antes que piorasse?
  7. Não tenham tanta certeza.
  8. Somos todos muito mais capazes
    do que gostaríamos de reconhecer
  9. de perder o que está mesmo
    à frente dos nossos olhos.

  10. E de facto,
  11. às vezes somos capazes de virar as costas
  12. precisamente por causa da ameaça
    que elas representam para nós,
  13. nos negócios, na vida e no mundo.
  14. Vou dar-vos um exemplo
    do meu mundo, de política económica.

  15. Quando Alan Greenspan
    era chefe do Federal Reserve,
  16. o seu trabalho era vigiar
    os problemas na economia dos EUA
  17. e garantir que não saíam fora de controlo.
  18. Depois de 2006,
  19. quando os preços dos imóveis
    atingiram o pico,
  20. os líderes e instituições respeitadas

  21. começaram a fazer soar os alarmes
    cada vez mais,
  22. relativamente a empréstimos arriscados
    e a perigosas bolhas especulativas.
  23. Como sabem, em 2008
    tudo se desmoronou.
  24. Os bancos colapsaram,
  25. os mercados de ações globais
    perderam quase metade do seu valor,
  26. milhões e milhões de pessoas
    perderam as casas penhoradas.
  27. E por fim,
  28. quase um em cada 10 norte-americanos
    ficou desempregado.
  29. Depois de as coisas
    acalmarem um bocadinho,

  30. Greenspan e muitos outros
    fizeram uma autópsia e disseram:
  31. "Ninguém podia ter previsto esta crise."
  32. Chamaram-lhe "um cisne negro",
  33. qualquer coisa de inimaginável
  34. imprevisível e completamente improvável.
  35. Uma surpresa completa.
  36. À exceção de que nem sempre
    era uma surpresa.
  37. Por exemplo, o valor do meu apartamento
    em Manhattan quase duplicou
  38. em menos de quatro anos.
  39. Vi escrito na parede e vendi-o.
  40. (Risos)

  41. (Aplausos)

  42. Muitas outras pessoas viram o anúncio,

  43. denunciaram-no publicamente
  44. mas foram ignoradas.
  45. Portanto, nós não sabíamos
    exatamente como é que ia ser crise,
  46. não sabíamos os parâmetros exatos,
  47. mas todos nós podíamos perceber
  48. que aquilo que vinha na nossa direção
    era perigoso, visível e previsível
  49. tal como um rinoceronte cinzento gigante
    a atacar na nossa direção
  50. O cisne preto revê-se

  51. na ideia de que nós não temos poder
    sobre o nosso futuro.
  52. Infelizmente, quanto menos controlo
    pensamos que temos,
  53. mais provavelmente o minimizamos
  54. ou ignoramos completamente.
  55. Esta dinâmica perigosa
    disfarça outro problema:
  56. que a maior parte dos problemas
    que enfrentamos
  57. são muito prováveis e óbvios,
  58. são coisas que conseguimos ver,
    mas sobre as quais não agimos.
  59. Então criei a metáfora
    do rinoceronte cinzento

  60. para satisfazer aquilo que eu achei
    uma necessidade urgente.
  61. Para nos ajudar a ter um olhar fresco,
  62. com a mesma paixão
    que as pessoas tinham pelo cisne preto,
  63. mas, desta vez, pelas coisas
    que eram muito óbvias,
  64. muito prováveis,
    mas ainda assim negligenciadas.
  65. Esses são os rinocerontes cinzentos.
  66. Quando começamos a procurar
    rinocerontes cinzentos,

  67. vamos encontrá-los nos títulos
    dos jornais, todos os dias.
  68. O que eu vejo nos títulos dos jornais
    é outro grande rinoceronte cinzento,
  69. uma nova crise financeira
    altamente provável.
  70. E questiono-me se aprendemos
    alguma coisa nos últimos 10 anos.
  71. Se ouvirmos Washington ou Wall Street,

  72. podíamos ser perdoados por pensarmos
    que seria apenas como velejar suavemente.
  73. Mas na China, onde passo muito tempo,
  74. a conversa é completamente diferente.
  75. Toda a equipa económica
  76. até ao próprio presidente Xi Jinping,
  77. falam muito específica e claramente
  78. sobre riscos financeiros
    como rinocerontes cinzentos,
  79. e como os podem dominar.
  80. Agora, para ser precisa, a China e os EUA
  81. têm sistemas de governo
    muito diferentes
  82. o que afeta o que eles
    são capazes de fazer ou não.
  83. As origens das causas
    dos problemas económicos deles
  84. são totalmente diferentes.
  85. Mas não é segredo nenhum
    que ambos os países têm problemas
  86. com a dívida, com a desigualdade
    e com a produtividade económica.
  87. Mas como é que as conversas
    são tão diferentes?

  88. Poderia até fazer esta pergunta,
  89. não apenas sobre países,
  90. mas sobre toda a gente.
  91. As empresas de automóveis
    que colocam a segurança em primeiro lugar
  92. e aquelas que não referem
    os carros de má qualidade
  93. senão depois de as pessoas morrerem.
  94. Os avós que, preparando-se
    para o inevitável
  95. já têm o elogio fúnebre escrito,
  96. o menu para o almoço do funeral.
  97. (Risos)

  98. Os meus avós fizeram isso.

  99. (Risos)

  100. Tudo menos a data final
    gravada na lápide.

  101. Mas depois, temos os avós do outro lado
  102. que não põem em ordem
    os seus assuntos finais,
  103. que não se veem livres da tralha
  104. que foram acumulando durante décadas
  105. e deixam que sejam os filhos
    a ter de lidar com isso.
  106. Qual é a diferença
    entre um lado e o outro?

  107. Porque é que algumas pessoas
    veem as coisas e lidam com elas,
  108. e outros as ignoram?
  109. As primeiras têm a ver
    com a cultura, com a sociedade,
  110. com as pessoas à nossa volta.
  111. Se vocês pensam que alguém à vossa volta
  112. irá ajudar-vos quando vocês caírem,
  113. é muito mais provável que vejam
    um perigo como algo pequeno.
  114. Isso permite-nos ter boas hipóteses,
    não apenas as más.
  115. Por exemplo, arriscar críticas
  116. quando falamos do perigo
    de que ninguém quer falar.
  117. Ou aproveitar oportunidades
    que são um pouco assustadoras,
  118. à sua maneira são rinocerontes cinzentos.
  119. Portanto, os EUA têm uma
    cultura individualista - vá sozinho.
  120. E paradoxalmente,
  121. isto torna muitos norte-americanos
    menos abertos à mudança
  122. e a aceitar bons riscos.
  123. Na China, pelo contrário,
  124. as pessoas acreditam que o governo
    vai impedir que os problemas aconteçam,
  125. o que nem sempre acontece,
    mas as pessoas acreditam nisso.
  126. Eles acreditam que podem
    contar com as suas famílias,
  127. o que torna mais provável
    eles aceitarem alguns riscos.
  128. Como comprar uma casa em Beijing,
  129. ou como ser mais aberto à possibilidade
    de terem de mudar de rumo,
  130. e na verdade, o ritmo de mudança na China
    é completamente surpreendente.
  131. Em segundo lugar,

  132. quanto é que vocês sabem
    sobre uma situação?
  133. Até que ponto estão dispostos a aprender?
  134. Estão dispostos a ver as coisas
    mesmo quando não são como vocês querem?
  135. Muitos de nós dificilmente
  136. prestam atenção às coisas
    que queremos ocultar,
  137. de que não gostamos.
  138. Prestamos atenção ao que queremos ver,
    ao que gostamos, com o que concordamos.
  139. Mas temos a oportunidade e a capacidade
  140. de corrigir esses momentos cegos.
  141. Eu passo muito tempo a falar
    com pessoas sobre caminhos de vida
  142. sobre os rinocerontes cinzentos
    nas suas vidas e atitudes.
  143. E vocês podem pensar
  144. que as pessoas que mais temem o risco,
  145. que lhe são mais sensíveis,
  146. seriam aquelas menos abertas à mudança.
  147. Mas o oposto é que é a verdade.
  148. Eu descobri que as pessoas
  149. que têm capacidade para reconhecer
    os problemas à sua volta e fazer planos
  150. são as que são capazes
    de tolerar mais risco, um bom risco,
  151. e de lidar com o mau risco.
  152. Isto porque, quando
    procuramos informações,
  153. aumentamos o poder de fazer algo
    sobre as coisas de que temos medo.
  154. Isto traz-me ao meu terceiro ponto.

  155. Que nível de controlo acham que têm
  156. sobre os rinocerontes cinzentos
    na vossa vida?
  157. Uma das razões que nos levam a não agir
  158. é que muitas vezes
    nos sentimos desamparados.
  159. Pensem na alteração climática,
    parece algo tão grande
  160. que nenhum de nós
    pode fazer a diferença.
  161. Por isso, algumas pessoas
    passam a vida a negá-lo.
  162. Outras pessoas culpam toda a gente
    menos eles próprios.
  163. Como o meu amigo que diz que não
    vai desistir do 'todo-o-terreno'
  164. enquanto a China construir
    centrais de carvão.
  165. Mas nós temos uma oportunidade para mudar.
  166. Nenhum de nós é igual ao outro.
  167. Cada um de nós tem a oportunidade
    de mudar as suas atitudes,
  168. as nossas e as das pessoas
    que nos rodeiam.
  169. Por isso hoje,
    eu quero convidar-vos a todos

  170. para me ajudarem a desencadear
    uma conversa aberta e honesta
  171. com as pessoas à vossa volta,
  172. sobre os rinocerontes cinzentos no mundo,
  173. e serem completamente honestos
    na forma como estamos a lidar com eles.
  174. Eu ouço tantas vezes nos EUA:
  175. "Bem, claro que devíamos lidar
    com problemas óbvios,
  176. "mas quem não vê o que está à sua frente,
  177. "ou é estúpido ou ignorante."
  178. Isto é o que eles dizem,
    e eu não poderia discordar mais.
  179. Quem não vê o que está à sua frente,
  180. não é estúpido nem ignorante,
  181. é humano.
  182. Depois de todos reconhecermos
    esta vulnerabilidade coletiva,
  183. isso dá-nos o poder de abrir os olhos,
  184. de ver o que está à nossa frente
  185. e de agir antes de sermos esmagados.
  186. (Aplausos)