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← A Humanidade contra o Ébola. Como poderemos vencer uma guerra terrível

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Showing Revision 9 created 06/22/2016 by Isabel Vaz Belchior.

  1. Quando, há uns meses, fui convidado
    para fazer esta palestra,
  2. discutimos uma série de títulos
    com os organizadores
  3. e apareceram uma quantidade
    de diferentes temas.
  4. Mas ninguém sugeriu este.
  5. [Vencer o Ébola]
  6. A razão para isso é que, há dois meses,
  7. o Ébola estava a aumentar exponencialmente
  8. e a espalhar-se por áreas geográficas
    mais alargadas do que jamais se vira.
  9. O mundo estava aterrorizado,
    preocupado e alarmado com esta doença
  10. duma forma como nunca se vira
    na História moderna.
  11. Mas hoje, posso estar aqui
    a falar em vencer o Ébola

  12. graças a pessoas de que vocês
    nunca ouviram falar.
  13. Como Peter Clement, um médico liberiano
    que trabalha no Condado de Lofa,
  14. um local na Libéria, de que
    provavelmente vocês nunca ouviram falar.
  15. O Condado de Lofa é muito importante
  16. porque, há cerca de cinco meses,
  17. quando a epidemia estava
    a começar a aumentar,
  18. o Condado de Lofa estava mesmo no centro,
    no epicentro desta epidemia.
  19. Nessa altura, os Médicos Sem Fronteiras,
    e o centro de tratamento ali
  20. viam dezenas de doentes todos os dias.
  21. Esses doentes, essas comunidades
    estavam cada vez mais assustadas
  22. com esta doença, à medida
    que o tempo passava,
  23. e com o que ela estava
    a fazer às suas famílias,
  24. às suas comunidades,
    aos seus filhos, aos seus parentes.
  25. Peter Clement foi obrigado a conduzir
    por uma estrada difícil, durante 12 horas,
  26. de Monróvia, a capital,
    até ao Condado de Lofa,
  27. para tentar ajudar a controlar
    a epidemia em progressão.
  28. Quando lá chegou, Peter encontrou
    o terror que há pouco referi.

  29. Reuniu com os chefes locais e ouviu-os.
  30. Ouviu coisas de partir o coração.
  31. Ouviu contar a devastação e o desespero
  32. das pessoas afetadas por esta doença.
  33. Ouviu contar histórias de partir o coração
  34. sobre os horrores
    que o Ébola fazia às pessoas
  35. e também o que fazia às famílias
    e o que fazia às comunidades.
  36. Ouviu os chefes locais
    e o que eles lhe disseram:
  37. "Quando os nossos filhos
    estão doentes, estão a morrer,
  38. "não podemos pegar-lhes, numa altura
    em que queremos estar mais perto deles.
  39. "Quando os nossos parentes morrem,
  40. "não podemos tomar conta deles
    conforme exige a nossa tradição.
  41. "Não podemos lavar os corpos
    para os sepultar
  42. "conforme exigem as nossas comunidades
    e os nossos rituais".
  43. Por causa disso, estavam profundamente
    perturbados e alarmados
  44. e toda a epidemia se desenrolava
    em frente deles.
  45. As pessoas viravam-se
    para os profissionais de saúde,

  46. os heróis que tinham chegado para
    tentar salvar a comunidade,
  47. mas não podiam chegar ao pé deles.
  48. Quando Peter explicou aos chefes,
    os chefes escutaram-no.
  49. As coisas inverteram-se.
  50. Peter explicou o que era o Ébola.
    Explicou o que era a doença.
  51. Explicou o que ela fazia
    às suas comunidades.
  52. Explicou que o Ébola ameaçava
    tudo o que nos torna humanos.
  53. "Com o Ébola não podem
    pegar nos vossos filhos
  54. "como é habitual numa situação destas.
  55. "Não podem sepultar
    os vossos mortos como gostariam.
  56. "Têm que confiar nas pessoas,
    com estes fatos espaciais, para isso".
  57. O que aconteceu então,
    foi muito extraordinário:

  58. A comunidade, os profissionais de saúde
    e Peter reuniram-se
  59. e traçaram um novo plano
    para controlar o Ébola no Condado de Lofa.
  60. Esta história é muito importante,
  61. porque hoje, este condado,
    que está mesmo no centro da epidemia
  62. — como têm visto nos jornais,
  63. como têm visto nos ecrãs da televisão —
  64. no Condado de Lofa há quase oito semanas
    que não há um único caso de Ébola.
  65. (Aplausos)
  66. Isso não significa, obviamente,
    que o trabalho esteja feito.

  67. Ainda existe um enorme risco
    de aparecerem mais casos.
  68. Mas o que nos ensina
    é que o Ébola pode ser vencido.
  69. É o principal.
  70. Mesmo a esta escala,
  71. mesmo com o rápido crescimento
    a que assistimos neste ambiente,
  72. sabemos hoje que o Ébola pode ser vencido.
  73. Quando as comunidades se reúnem
    com os socorristas e trabalham em conjunto,
  74. esta doença pode ser travada.
  75. Mas afinal como terminou o Ébola
    no Condado de Lofa?

  76. Para saber isso, temos
    que recuar 12 meses,
  77. até ao início desta epidemia.
  78. Como vocês devem saber,
    este vírus não foi detetado,
  79. iludiu a deteção durante três
    ou quatro meses, quando começou.
  80. Isso porque não é uma doença
    da África Ocidental,
  81. é uma doença da África Central,
    a meio continente de distância.
  82. Esta doença nunca tinha sido vista,
  83. os profissionais de saúde
    nunca tinham visto esta doença.
  84. Não sabiam com o que estavam a lidar
  85. e, para complicar ainda mais as coisas,
  86. o vírus provocava um sintoma,
    um tipo de apresentação
  87. que não era típico da doença.
  88. Portanto, as pessoas que conheciam o Ébola
    não reconheciam a doença.
  89. Por essa razão, iludiu a deteção
    durante algum tempo.
  90. Mas, ao contrário da crença pública,

  91. depois de o vírus ter sido detetado,
    houve um rápido avanço no apoio.
  92. Os MSF instalaram um centro
    de tratamento do Ébola na área.
  93. A Organização Mundial da Saúde
    e os parceiros que trabalham com ela
  94. disponibilizaram centenas de pessoas
    nos dois meses seguintes
  95. para ajudarem a detetar o vírus.
  96. O problema é que, nessa altura, este vírus
  97. bem conhecido hoje como Ébola,
    espalhara-se demasiado.
  98. Já tinha ultrapassado o que foi
    uma das maiores respostas
  99. que foram montadas até aqui
    a um surto de Ébola.
  100. Em meados do ano, estavam infetadas,

  101. além da Nova Guiné,
    a Serra Leoa e a Libéria.
  102. À medida que o vírus se espalhava
    geograficamente, os números aumentavam
  103. e nessa altura não havia apenas
    centenas de pessoas infetadas
  104. e a morrer com a doença
  105. mas, igualmente importante,
    os ajudantes da linha da frente,
  106. as pessoas que tinham acorrido para ajudar,
  107. os profissionais da saúde,
    os outros ajudantes,
  108. também adoeceram e morriam às dezenas.
  109. Os presidentes desses países
    reconheceram a emergência.
  110. Reuniram-se e acordaram numa ação comum.
  111. Montaram um centro de operações
    de emergência conjunto em Conacri
  112. para trabalharem em conjunto para acabar
    com a doença e fazerem-na parar,
  113. para implementarem
    as estratégias de que falámos.
  114. O que aconteceu foi uma coisa que
    nunca tinha sido vista antes com o Ébola.

  115. O vírus, ou alguém doente com o vírus,
  116. embarcou num avião, voou para outro país
  117. e, pela primeira vez,
  118. vimos o vírus aparecer num país distante.
  119. Desta vez foi na Nigéria,
    na populosa metrópole de Lagos,
  120. com 21 milhões de pessoas.
  121. O vírus apareceu neste ambiente.
  122. Como é fácil de perceber,
    houve um alarme internacional,
  123. uma preocupação internacional a uma escala
    que não se tinha visto nos últimos anos,
  124. provocada por uma doença como esta.
  125. A Organização Mundial de Saúde convocou
    imediatamente um painel de especialistas,
  126. analisou a situação, declarou
    emergência internacional
  127. Ao fazê-lo, a expetativa era que
    haveria um enorme contributo
  128. de ajuda internacional
    para ajudar estes países
  129. que estavam em grande dificuldade
    e aflição naquela altura.
  130. Mas o que vimos foi
    uma coisa muito diferente.

  131. Em parte, houve uma enorme resposta.
  132. Uma série de países apareceu para ajudar
    — muitas ONGs e outras, como sabem —
  133. mas, ao mesmo tempo,
    aconteceu o oposto em muitos locais.
  134. O alarme disparou e, em breve,
  135. esses países encontraram-se
    cada vez mais isolados
  136. sem receber o apoio de que precisavam.
  137. Vimos que as companhias de aviação
    deixaram de fazer voos para esses países
  138. e as pessoas que nem sequer
    tinham sido expostas ao vírus
  139. foram impedidas de viajar.
  140. Obviamente, isso causou problemas
    para os próprios países,
  141. mas também prejudicou a resposta.
  142. As organizações que estavam
    a tentar recrutar pessoas
  143. para os ajudarem a responder ao surto,
  144. não podiam metê-las em aviões,
  145. não podiam levá-las para os países
    para poderem ajudar.
  146. Numa situação destas,
  147. um vírus como o Ébola fica a ganhar.
  148. Então assistiu-se a uma coisa nunca vista.

  149. Este vírus continuou nos locais
  150. onde as pessoas já tinham sido infetadas,
    também começou a aumentar
  151. e assistimos ao número de baixas
    que aqui veem,
  152. uma coisa nunca vista a esta escala,
  153. um aumento exponencial de casos de Ébola,
  154. não só nestes países ou nas áreas
    já infetadas nestes países,
  155. mas também espalhando-se
    cada vez mais nestes países.
  156. Esta foi uma das emergências internacionais
  157. de saúde pública
    mais preocupantes que já vimos,
  158. O que aconteceu nestes países,
    nessa altura,

  159. — muitos de vocês viram na televisão,
    ou leram nos jornais —
  160. vimos o sistema de saúde a entrar
    em colapso sob o peso desta epidemia.
  161. Vimos as escolas a fechar,
    os mercados a não abrir,
  162. deixaram de funcionar da forma
    que deviam nestes países,
  163. a desinformação e os mal-entendidos
    começaram a espalhar-se
  164. cada vez mais depressa pelas comunidades,
  165. que ainda ficaram
    mais alarmadas com a situação.
  166. Começaram a isolar-se das pessoas
    que viam com fatos espaciais,
  167. — como lhes chamam —
    que tinham vindo ajudá-los.
  168. Depois a situação
    ainda se deteriorou mais.
  169. Os países tiveram que declarar
    o estado de emergência.
  170. Muitas populações tiveram
    que ficar de quarentena nalgumas áreas
  171. e surgiram motins.
  172. Foi uma situação muito, muito terrível.
  173. Em todo o mundo, muita gente
    começou a perguntar:

  174. "Podemos deter o Ébola quando
    ele começa a espalhar-se desta maneira?"
  175. Começaram a perguntar:
    "Até que ponto conhecemos este vírus?"
  176. Na verdade, não conhecemos
    muito bem o Ébola.
  177. É uma doença relativamente moderna,
    em termos do que sabemos sobre ela.
  178. Só conhecemos esta doença há 40 anos,
  179. desde que apareceu pela primeira vez
    na África Central, em 1976.
  180. Apesar disso, sabemos muitas coisas:
  181. Sabemos que este vírus provavelmente
    sobrevive num tipo de morcego.
  182. Sabemos que, provavelmente,
    entra numa população humana
  183. quando entramos em contacto
    com um animal bravio
  184. que foi infetado pelo vírus
    e provavelmente está doente.
  185. Sabemos que o vírus se espalha
    de pessoa para pessoa,
  186. através da contaminação
    por fluidos corporais.
  187. E, como viram,
  188. conhecemos a terrível doença
    que provoca nos seres humanos.
  189. Esta doença causa febres altas,
    diarreia, vómitos
  190. e, infelizmente, em 70% dos casos,
    ou mais ainda, a morte.
  191. É uma doença muito perigosa,
    debilitante e mortal.
  192. Apesar do facto de só conhecermos
    esta doença há pouco tempo

  193. e de não sabermos tudo sobre ela,
  194. sabemos como fazer parar esta doença.
  195. Há quatro coisas que são fundamentais
    para deter o Ébola.
  196. Primeiro e acima de tudo, as comunidades
    têm que perceber esta doença
  197. têm que perceber como ela se espalha
    e como detê-la.
  198. Temos que ter sistemas
    que possam detetar cada caso,

  199. cada contacto com esses casos
  200. e seguir as cadeias de transmissão
    para podermos deter o contágio.
  201. Temos que ter centros de tratamento,
    especializados no tratamento do Ébola,
  202. em que os trabalhadores
    possam estar protegidos
  203. quando tentam dar apoio
    às pessoas infetadas
  204. para que elas sobrevivam à doença.
  205. E para os que morrerem,
  206. temos que garantir que há um processo
    de sepultura seguro, mas digno,
  207. para que não haja contaminação
    também nessa altura.
  208. Portanto, conhecemos como deter o Ébola
    e essas estratégias funcionam.

  209. O vírus foi detido na Nigéria
    com estas quatro estratégias
  210. e com as pessoas que, obviamente,
    as implementaram.
  211. Foi detido no Senegal, onde se espalhara,
    e também noutros países
  212. que foram afetados
    por este vírus, neste surto.
  213. Portanto, o problema não é
    se estas estratégias resultam.
  214. A grande questão foi se essas estratégias
    podiam funcionar a esta escala,
  215. nesta situação, com tantos países afetados
  216. com o tipo de crescimento
    exponencial que viram.
  217. Foi essa a grande questão que
    enfrentámos há dois ou três meses.

  218. Hoje sabemos a resposta para essa questão.
  219. Sabemos a resposta por causa
    do trabalho extraordinário
  220. dum grupo incrível de ONGs,
    de governos, de líderes locais,
  221. de organizações das NU e de muitas
    outras organizações humanitárias
  222. que apareceram e se juntaram à luta
    para deter o Ébola na África Ocidental.
  223. Mas o que teve que ser ali feito
    foi um pouco diferente

  224. Esses países adotaram as estratégias
    que vos mostrei:
  225. o envolvimento da comunidade,
    a procura de casos,
  226. a despistagem de contactos, etc.
    e adaptaram-nas
  227. A doença estava tão espalhada,
    que fizeram uma abordagem diferente.
  228. Decidiram que iam tentar
    abrandar a epidemia
  229. arranjando o maior número possível de camas
    em centros de tratamento especializados
  230. para impedir que os infetados
    espalhassem a doença.
  231. Montaram rapidamente
    muitas equipas de coveiros
  232. para poderem lidar
    com os mortos com segurança.
  233. Com isso, iam tentar abrandar o surto
  234. e ver se podiam depois controlá-lo
    usando a abordagem clássica
  235. de procura de casos
    e despistagem de contactos.
  236. Quando há três meses
    eu fui para a África Ocidental
  237. e ali cheguei,
    vi uma coisa extraordinária.
  238. Vi presidentes a abrir pessoalmente
  239. centros de operações
    de emergência contra o Ébola
  240. para poderem coordenar pessoalmente,
    supervisionarem e apoiarem
  241. o fluxo de apoio internacional
    para tentar parar a doença.
  242. Vi militares desses países
    e de locais afastados
  243. acorrer para ajudar a construir
    centros de tratamento do Ébola
  244. que podiam ser usados
    para isolar os que estavam doentes.
  245. Vi o movimento da Cruz Vermelha
  246. a trabalhar com as agências
    suas parceiras no terreno,
  247. a ajudar a treinar a comunidade
  248. para que pudessem enterrar os seus mortos
  249. com segurança e dum modo digno.
  250. Vi organizações das NU,
    do World Food Program,
  251. montar uma enorme ponte aérea
  252. para transportar rapidamente
    os voluntários de todos os cantos,
  253. para poderem implementar
    as estratégias de que já falámos.
  254. O que vimos, o que provavelmente
    foi o mais impressionante
  255. foi o trabalho incrível dos governos,
  256. dos líderes desses países,
    com as comunidades,

  257. para tentar que as pessoas
    entendessem esta doença,
  258. as coisas extraordinárias que tinham
    que fazer para deter o Ébola.
  259. Em consequência disso,
  260. vimos uma coisa que,
    dois ou três meses antes,
  261. não sabíamos se seria possível ou não.
  262. Vimos o que vocês veem aqui neste gráfico,
  263. quando fizemos o ponto da situação
    em 1 de dezembro.
  264. Vimos que podíamos
    reduzir a curva, por assim dizer,
  265. alterar este crescimento exponencial
  266. e repor a esperança na capacidade
    de controlar este surto.
  267. Por essa razão, neste momento
    não há a menor dúvida
  268. de que podemos deter este surto
    na África Ocidental e vencer o Ébola.
  269. Mas a grande questão
    que muita gente coloca
  270. mesmo quando veem esta curva, dizem:
  271. "Espere aí um momento,
    é ótimo que possam abrandá-la

  272. "mas podem reduzi-la a zero?"
  273. Já respondemos a essa pergunta
    no início desta palestra,
  274. quando falei sobre
    o Condado de Lofa na Libéria.
  275. Contei a história de como
    o Condado de Lofa encarou a situação
  276. e onde já não veem o Ébola
    há oito semanas.
  277. Mas também há histórias
    semelhantes noutros países,
  278. desde Gueckedou, na Guiné.
  279. a primeira área em que
    foi diagnosticado o primeiro caso.
  280. Temos visto pouquíssimos casos
    nos últimos meses,
  281. e aqui em Kenema, na Serra Leoa,
    outra área no epicentro,
  282. já não vemos o vírus há muitas semanas.

  283. Claro que é cedo demais
    para cantar vitória,
  284. mas todos os indícios
  285. são de que a resposta controlou a doença
  286. e também que a doença
    pode ser reduzida a zero.
  287. O desafio agora é fazer o mesmo,
    à escala necessária, nestes três países
  288. e isso é um desafio enorme.
  289. Porque, quando estamos metidos numa coisa
    durante todo este tempo, a esta escala,

  290. aparecem duas outras grandes ameaças
    juntamente com o vírus.
  291. A primeira é a da complacência,
  292. o risco de que, quando esta curva
    da doença começa a diminuir,
  293. os "media" olham para outro lado,
    o mundo olha para outro lado.
  294. A complacência é sempre um risco.
  295. O outro risco é que, quando trabalhamos
    tanto durante tanto tempo,
  296. e dormimos tão poucas horas
    nos últimos meses,
  297. as pessoas ficam cansadas,
    as pessoas ficam fatigadas

  298. e estes novos riscos
    começam a insinuar-se.
  299. Posso dizer-vos que acabei de chegar
    da África Ocidental.
  300. As pessoas desses países,
    os líderes desses países,
  301. não são complacentes.
  302. Querem reduzir o Ébola a zero
    nos seus países.
  303. Essas pessoas, sim, estão cansadas,
    mas não estão fatigadas.
  304. Têm uma energia, têm uma coragem,
  305. têm uma força para acabar com isto.
  306. Do que eles precisam, nesta altura,
  307. é do apoio intransigente
    da comunidade internacional,
  308. do apoio ao lado deles,

  309. de aumentarem e receberem mais apoio
    nesta altura, para acabar o trabalho.
  310. Porque acabar já com o Ébola
    significa inverter a situação deste vírus
  311. e começar a persegui-lo.
  312. Lembrem-se, este vírus, toda esta crise,
    começou com um só caso
  313. e há de acabar com um só caso.
  314. Mas só terminará se esses países
    tiverem epidemiologistas suficientes,

  315. trabalhadores de saúde suficientes,
    logísticos suficientes
  316. e outras pessoas a trabalharem com eles
  317. capazes de encontrar cada um desses casos,
    despistarem os contactos
  318. e garantirem que esta doença
    pare duma vez por todas.
  319. O Ébola pode ser vencido.
  320. Ora bem, é preciso que
    vocês contem esta história às pessoas
  321. e lhes ensinem o que significa
    vencer o Ébola,

  322. Mais importante ainda, precisamos
    de insistir com as pessoas
  323. que nos podem ajudar a levar
    os recursos necessários a esses países
  324. para vencer esta doença.
  325. Há muito gente
    que vai sobreviver e vai lutar
  326. em parte por causa do que vocês fizerem
    para ajudar a vencer o Ébola.
  327. Obrigado.
  328. (Aplausos)