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← O que as universidades esqueceram na sua luta pela diversidade | Josh Dunn | TEDxMileHigh

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Showing Revision 6 created 09/04/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Enquanto professor,
  2. conheço o valor de ter
    uma sala de aula cheia de alunos
  3. de diferentes origens.
  4. As minhas aulas de Política Americana
  5. são enriquecidas pela diversidade
    dos meus alunos.
  6. Por exemplo, quando analisamos
    a reforma da segurança social,
  7. não há nada como ter
    um aluno corajoso que levanta a mão
  8. e fala dos problemas
    de ter crescido na pobreza
  9. para que o resto da turma
    se endireite e preste atenção.
  10. Mas, embora as nossas faculdades
    e universidades
  11. façam todos os esforços
    para aumentar a representação
  12. das minorias étnicas e sexuais,
  13. há um outro tipo de diversidade
    que esquecemos muitas vezes:
  14. a diversidade de pontos de vista.
  15. No clima atual duma política
    cada vez mais polarizada,
  16. ter pessoas no "campus" com perspetivas
    diferentes é mais importante do que nunca.
  17. Se não deram por isso, Washington DC
    tem-se tornado ultimamente num espetáculo.
  18. (Risos)
  19. E, se forem como eu,
    provavelmente pensaram
  20. que os nossos líderes podiam usar
    mais educação no diálogo civil.
  21. (Aplausos)
  22. As nossas faculdades podiam ser um local
  23. onde os futuros líderes aprendessem
    a lidar com pessoas que discordam deles.
  24. Mas, segundo parece, há hoje
    muita gente que pensa
  25. que a resposta adequada
    às pessoas com quem discordam,
  26. é gritar, chamar nomes
    e até usar a violência.
  27. Todos os anos, todos os semestres
    trazem cada vez mais exemplos.
  28. Em 2017, no Middlebury College,
    quando o professor liberal Allison Stanger
  29. tentou moderar uma troca de ideias
    livre e leal,
  30. com Charles Murray,
    um libertário controverso,
  31. os alunos berraram, gritaram
    e dispararam os alarmes de incêndio.
  32. Os funcionários do "campus" tentaram
    evacuar os dois pela porta das traseiras
  33. mas a multidão de manifestantes
    encontrou-os
  34. e abanaram a cabeça do professor Stanger
  35. com tanta violência que ele sofreu
    uma lesão na coluna e um traumatismo.
  36. Isto é o que está a acontecer
    nos nossos "campus",
  37. locais onde a próxima geração de líderes
    está a aprender a interagir com os outros.
  38. Se isso está a acontecer ali,
  39. será de surpreender
    o que está a acontecer em Washington
  40. ou nas salas das administrações
    empresariais
  41. ou até mesmo nos nossos bairros?
  42. A minha especialidade
    é no ensino superior
  43. e tenho visto a falta de diversidade
    intelectual, diretamente.
  44. Hoje, menos de 13% dos professores
    se identificam como conservadores,
  45. enquanto 60% se identificam
    como liberais ou de extrema esquerda.
  46. Em Humanidades e em Ciências Sociais,
  47. as áreas em que a política é fundamental
    para o ensino e para a investigação,
  48. só 5% se identificam como conservadores
  49. e a maioria destes estão
    em Economia ou Ciências Políticas.
  50. Nalgumas áreas, são quase
    uma espécie em extinção.
  51. Desses 5%,
  52. só alguns estão dispostos
    a reconhecê-lo aos seus colaboradores.
  53. Há sete anos, o meu amigo
    John Shields e eu
  54. decidimos que seria interessante estudar
    os professores conservadores e libertários
  55. nas Ciências Sociais e em Humanidades.
  56. Toda a gente na universidade sabe
  57. que os professores são
    esmagadoramente liberais.
  58. Mas descobrimos que quase
    não havia investigação
  59. sobre as experiências
    dos conservadores no "campus".
  60. Como é a vida deles?
  61. Terão medo de serem punidos
    ou que lhes retirem o mandato
  62. por causa da sua política?
  63. Acabámos por entrevistar
    153 professores conservadores.
  64. Muito do que descobrimos
    foi alarmante.
  65. Um terço deles escondia
    a sua política dos colegas.
  66. Descreviam-se como
    "conservadores no armário".
  67. Muitos exprimiam profundo receio
    de serem dispensados.
  68. Alguns até pensaram que o nosso projeto
    era uma Ameaça Vermelha, ao contrário:
  69. devíamos estar a tentar
    identificar os conservadores
  70. para eles serem corridos da universidade.
  71. Um sociólogo estava tão apavorado
  72. que se recusou a ser entrevistado.
  73. Mas, depois de o convencermos
    que íamos em paz,
  74. por fim concordou em falar connosco
  75. mas só muito longe do seu gabinete,
  76. onde os colegas não nos veriam
    nem nos ouviriam
  77. — no meio de um jardim botânico.
  78. (Risos)
  79. John e eu saímos desta entrevista
    com a sensação de sermos espiões
  80. em vez de professores empenhados,
    socialmente desajeitados que somos.
  81. (Risos)
  82. Talvez vocês pensem
    que não há grande problema
  83. em os conservadores se terem de esconder
    atrás dos arbustos em jardins botânicos,
  84. (Risos)
  85. mas, se pensarem que a diversidade
    é boa para todos nós,
  86. também a diversidade de pontos de vista é.
  87. Por uma razão, é importante para o ensino.
  88. (Aplausos)
  89. No seu melhor, a universidade é um local
  90. onde os estudantes podem aprender
    virtudes deliberativas,
  91. como o civismo, a tolerância
    e o respeito mútuo.
  92. Mas numa monocultura
    é difícil fazer isso.
  93. Esta é uma oportunidade perdida
    para a educação cívica.
  94. A universidade também é um local
  95. onde se deve aprender
    a viver numa sociedade diversificada.
  96. Para muitos deles, é a primeira vez
  97. que estão expostos a pessoas
    que são diferentes deles.
  98. Os estudantes devem
    aprender os melhores argumentos
  99. tanto da esquerda como da direita,
  100. e não as versões diluídas
    e inflamadas
  101. que ouvimos nas notícias
    ou lemos nas redes sociais.
  102. Mas hoje, é muito possível
    receber uma educação
  103. — e uma educação de elite —
  104. sem nunca estar exposto
    a importantes ideias conservadoras,
  105. ideias que, para o melhor ou para o pior,
  106. influenciaram profundamente
    a política americana.
  107. Mas não é impossível.
  108. Robby George é um dos professores
    conservadores mais importantes dos EUA
  109. e Cornel West é um dos intelectuais
    mais importantes afro-americanos.
  110. É um democrata progressista
    e declaradamente radical.
  111. Apesar das suas diferenças políticas,
  112. os dois tornaram-se grandes amigos
    quando eram colegas em Princeton.
  113. Por fim, decidiram
    dar um curso, em conjunto.
  114. Isso permitiu-lhes mostrar aos alunos
  115. como se pode discutir respeitosamente
    com pessoas com quem discordamos
  116. e refinar os nossos argumentos
    ao mesmo tempo.
  117. Hoje, têm um percurso de viagens
    e visitam "campus" por todo o país.
  118. A parte mais triste desta história
    é que é muito rara.
  119. Os nossos "campus" seriam
    locais muito mais saudáveis
  120. se esse exemplo fosse a norma
    em vez de ser a exceção.
  121. (Aplausos)
  122. Outro importante objetivo
    da universidade
  123. é gerar investigação que melhore
    a nossa compreensão do mundo.
  124. Mas as câmaras de eco académicas,
  125. onde só falamos com pessoas
    com quem concordamos,
  126. dão cabo desta missão.
  127. Isso por causa da predisposição
    para a confirmação.
  128. A predisposição para a confirmação
    é a tendência que todos temos
  129. para aceitar indícios que apoiem
    as nossas crenças pré-estabelecidas.
  130. Por exemplo, se forem como eu,
    e beberem muito café
  131. — pelo menos uma
    ou duas cafeteiras por dia —
  132. (Risos)
  133. aceitam entusiasmadamente
    todas as histórias
  134. sobre os benefícios do café para a saúde
  135. (Risos)
  136. e partilham-nas amplamente
    pelas redes sociais.
  137. "Olhem, a ciência confirmou
    as minhas opções de vida".
  138. (Risos)
  139. Mas, se virem investigação que mostra
    que o café pode ser mau para a saúde:
  140. "Não me fales nisso, nem quero ouvir,
    não pode ser verdade".
  141. Isto é a predisposição para a confirmação
  142. Basicamente, ninguém gosta
    que lhe digam que pode estar errado
  143. e isso é especialmente verdade
    quanto às nossas crenças mais profundas,
  144. sobre coisas como a política,
    a religião ou o café.
  145. Quado se formam comunidades
    de investigação, isoladas intelectualmente
  146. não há lá ninguém que conteste
    essa predisposição.
  147. Quando isso acontece, instala-se
    um pensamento de grupo
  148. e os erros deixam de ser corrigidos.
  149. Quando se formam grupos
    de pessoas com a mesma mentalidade
  150. as nossas posições têm tendência
    para se tornar mais radicais.
  151. Comparem Boulder com Colorado Springs.
  152. (Risos)
  153. Já ouviram dizer que há algumas
    diferenças entre as duas comunidades?
  154. (Risos)
  155. Na verdade, os intelectuais estudaram-nas.
  156. Numa experiência, agarraram
    num grupo de liberais de Boulder
  157. e puseram-nos a conversar
    sobre problemas polémicos:
  158. alteração climática, casamento
    entre pessoas do mesmo sexo.
  159. Depois fizeram a mesma coisa
  160. com um grupo de conservadores
    de Colorado Springs.
  161. Depois de cada grupo ter deliberado,
    as posições tornaram-se mais extremas.
  162. Os liberais de Boulder
    moveram-se mais para a esquerda,
  163. e os conservadores de Colorado Springs
    moveram-se mais para a direita.
  164. A diversidade de pontos de vista
    afeta diretamente
  165. a qualidade do ensino que fornecemos
  166. e a qualidade da investigação
    que produzimos.
  167. As universidades, em especial os reitores,
    devem fazer disto uma prioridade.
  168. Precisam de lembrar aos seus "campus"
  169. que a universidade depende
    da livre troca de ideias.
  170. E isso afeta tudo, desde a contratação
    aos oradores convidados.
  171. Estas mudanças não vão
    ocorrer de um dia para o outro
  172. mas há coisas que podemos fazer
    que podem fazer a diferença.
  173. Uma opção é aquilo a que
    o meu coautor e eu chamámos
  174. um "Programa Fulbright ideológico".
  175. O Programa Fulbright é um programa
    de intercâmbio educativo
  176. em que a faculdade americana
    e os alunos vão para o estrangeiro
  177. estudar, ensinar e investigar.
  178. Depois, cidadãos não americanos
    vêm para cá e fazem o mesmo.
  179. Os EUA criaram-no
    depois da II Guerra Mundial.
  180. O objetivo era promover a paz,
  181. aumentando a compreensão mútua
    entre culturas.
  182. Uma coisa deste tipo podia
    ser útil aqui internamente,
  183. em que as culturas conservadoras
    e progressistas
  184. raramente interagem
    uma com a outra no "campus".
  185. Com efeito, já há um programa
    parecido com este
  186. na Universidade do Colorado em Boulder,
  187. onde todos os anos levam um professor
    conservador para o "campus".
  188. (Risos)
  189. Podemos encorajar mais faculdades
  190. a seguir o exemplo
    de Robby George e Cornel West
  191. e dar aulas sobre a divisão ideológica.
  192. Muitos professores já alinharam.
  193. Uma organização, a Academia Heterodoxa,
  194. foi fundada em 2015
    por um intelectual progressista.
  195. Já tem vários milhares de membros.
  196. Essa faculdade acredita
    que a diversidade de perspetivas
  197. é do seu próprio interesse
  198. porque torna-os melhores
    professores e académicos.
  199. Mas há uma lição
    mais profunda para todos nós,
  200. quer estejamos no "campus" ou não.
  201. É preciso que todos saiamos
    dos nossos confortáveis silos políticos
  202. no Facebook ou no Twitter.
  203. Pensem na grande amizade pessoal
  204. entre o juiz conservador Antonin Scalia
  205. e a juíza liberal Ruth Bader Ginsburg,
  206. (Aplausos)
  207. a célebre RBG, como é conhecida.
  208. (Risos)
  209. Antes de o juiz Scalia morrer,
  210. dificilmente havia duas pessoas
    no Tribunal que discordassem mais
  211. sobre como interpretar a Constituição.
  212. Mas também não havia no Tribunal
    maiores amigos do que eles.
  213. Com efeito, também tinham
    um percurso de viagens
  214. em que percorriam o país
  215. e falavam sobre como
    discordavam praticamente de tudo,
  216. no que tocava à política
    ou a interpretações constitucionais.
  217. Aquela estranha relação
    até inspirou alguém a escrever uma ópera
  218. sobre aquela amizade peculiar.
  219. (Risos)
  220. Quando o juiz Scalia morreu,
  221. a juíza Ginsburg escreveu
    um tributo comovente ao homem
  222. a quem ela chamava o seu melhor parceiro:
  223. "Discordávamos de vez em quando".
  224. (Risos)
  225. É um eufemismo significativo
    para quem estuda no Supremo Tribunal,
  226. mas ela disse que, sempre que Scalia
    discordava das opiniões dela
  227. isso tornava-as sempre melhores
  228. porque Scalia atacava
    todos os pontos fracos.
  229. Todos precisamos de amigos desses.
  230. Não podemos fazer o nosso trabalho
    de cidadãos sem eles.
  231. No final,
  232. o que acontece na torre de marfim
    não se mantém na torre de marfim
  233. porque o aluno de hoje
    é o líder de amanhã.
  234. Uma diversidade de ideias
    torna-nos melhores líderes,
  235. melhores vizinhos e melhores eleitores,
  236. mas só se tivermos uma hipótese
    de as ouvirmos.
  237. Obrigado.
  238. (Aplausos)