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← O que as universidades deixaram de fora na sua luta pela diversidade | Josh Dunn | TEDxMileHigh

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Showing Revision 14 created 04/15/2019 by Maricene Crus.

  1. Como professor,
  2. sei da importância de ter
    uma sala cheia de alunos
  3. de origens diversas.
  4. Minhas turmas de política norte-americana
    são enriquecidas pela diversidade
  5. dos meus alunos.
  6. Por exemplo: ao discutir
    reforma previdenciária,
  7. não há nada melhor do que um aluno
    jovem e corajoso levantar sua mão
  8. e falar sobre os desafios
    de ter crescido na pobreza
  9. para que o resto da turma
    se endireite na cadeira e preste atenção.
  10. Mas, enquanto nossas
    faculdades e universidades
  11. se esforçam para aumentar a representação
  12. de minorias raciais, étnicas e sexuais,
  13. há outro tipo de diversidade
    que muitas vezes é esquecida:
  14. diversidade de opiniões.
  15. No atual ambiente político
    crescentemente polarizado,
  16. ter pessoas no câmpus com perspectivas
    diferentes é mais importante do que nunca.
  17. Se não perceberam,
  18. Washington D.C. tem sido
    meio que um espetáculo recentemente.
  19. (Risos)
  20. E, se são como eu, devem ter pensado
  21. que nossos líderes precisam de educação
    corretiva em como dialogar civilmente.
  22. (Aplausos) (Vivas)
  23. Nossas faculdades poderiam ser o lugar
  24. onde nossos futuros líderes aprenderiam
    a se envolver com quem eles discordam.
  25. Mas, atualmente, muitas pessoas
    no câmpus parecem achar
  26. que a reação adequada às pessoas
    com quem discordam
  27. é gritaria, xingamentos
    e até mesmo violência.
  28. A cada ano, a cada semestre
    mais exemplos surgem.
  29. Em 2017, na Middlebury College,
    onde a professora liberal Allison Stanger
  30. tentou moderar uma troca de ideias
    livre e justa com o controverso libertário
  31. Charles Murray,
  32. estudantes berraram, gritaram
    e acionaram o alarme de incêndio.
  33. Por fim, funcionários tentaram
    tirá-los de lá escondidos, pelos fundos,
  34. mas uma multidão
    de manifestantes os encontrou
  35. e sacudiu a cabeça da professora
    Stanger tão violentamente
  36. que ela sofreu uma lesão
    cervical e uma concussão.
  37. É isso que está ocorrendo
    nos nossos câmpus,
  38. locais onde a próxima geração de líderes
    aprende a interagir com os outros.
  39. Se isso ocorre lá,
  40. deveríamos ficar surpresos
    com o que ocorre em Washington D.C.,
  41. em salas de reuniões de empresas
    ou até mesmo em nossos bairros?
  42. Minha especialidade é no ensino superior,
  43. e tenho visto a falta de diversidade
    intelectual em primeira mão.
  44. Hoje, menos de 13% dos professores
    se identificam como conservadores,
  45. enquanto 60% se identificam
    como liberal ou de extrema esquerda.
  46. No campo das ciências humanas e sociais,
  47. no qual a política, por vezes,
    é o foco do ensino e da pesquisa,
  48. apenas 5% se identificam
    como conservadores,
  49. e a maioria deles são
    de economia ou ciência política.
  50. Em algumas áreas, são
    quase uma espécie extinta.
  51. Desses 5%,
  52. apenas alguns se dispõem
    a admitir isso aos seus colegas.
  53. Sete anos atrás, meu amigo
    John Shields e eu
  54. decidimos que seria interessante estudar
    professores conservadores e libertários
  55. nas ciências humanas e sociais.
  56. Todos na universidade sabem
  57. que professores são
    majoritariamente liberais.
  58. Mas percebemos quase não haver pesquisa
  59. sobre a experiência
    de conservadores no câmpus.
  60. Como é a vida deles?
  61. Sentem medo de serem punidos
    ou de terem negada a estabilidade
  62. por conta de suas opiniões políticas?
  63. Nós entrevistamos
    153 professores conservadores.
  64. Muito do que descobrimos foi alarmante:
  65. um terço deles escondia
    suas opiniões políticas dos colegas.
  66. Eles se descreviam como
    "conservadores no armário".
  67. Muitos expressaram grande medo
    de serem expostos.
  68. Alguns até pensaram que nosso projeto
    era uma "ameaça vermelha" ao contrário:
  69. estaríamos tentando
    localizar conservadores
  70. para que fossem expulsos da universidade.
  71. Um sociólogo estava com tanto medo,
  72. que não nos deixou entrevistá-lo.
  73. Mas, após convencê-lo que vínhamos em paz,
  74. ele finalmente concordou em falar conosco,
  75. mas apenas bem longe de sua sala,
  76. onde seus colegas não pudessem
    nos ver ou ouvir,
  77. no meio de um jardim botânico.
  78. (Risos)
  79. John e eu saímos dessa entrevista
    nos sentindo como espiões,
  80. em vez de professores nerds
    e estranhos que, de fato, somos.
  81. (Risos)
  82. Vocês devem imaginar não ser um problema
  83. conservadores terem de se esconder
    em arbustos em jardins botânicos,
  84. (Risos)
  85. mas, se pensam que
    diversidade é algo bom para nós,
  86. diversidade de opiniões também o é.
  87. Um dos motivos é por ser
    importante para o ensino.
  88. (Aplausos)
  89. Idealmente, a universidade é o lugar
    em que se aprende valores deliberativos,
  90. como civilidade, tolerância
    e respeito mútuo.
  91. Mas, em uma monocultura,
    isso é difícil de se fazer.
  92. É uma oportunidade perdida
    de educação cívica.
  93. Também é o lugar
  94. onde se deve aprender a viver
    em uma sociedade diversificada.
  95. Para muitos, é a primeira vez que são
    expostos a pessoas diferentes deles.
  96. Idealmente, alunos aprenderiam os melhores
    argumentos da esquerda e da direita
  97. e não as versões distorcidas e inflamadas
  98. que se ouve nos noticiários
    ou se lê nas redes sociais.
  99. Mas, atualmente, é bem possível
    receber educação,
  100. e uma de boa qualidade,
  101. sem nunca ser exposto
    às maiores ideias conservadoras.
  102. Ideias que, bem ou mal, profundamente
    influenciaram a política norte-americana.
  103. Mas não é impossível.
  104. Robby George é um dos mais ilustres
    professores conservadores americano,
  105. e Cornel West é um de nossos mais notáveis
    estudiosos afro-americanos.
  106. Ele é um progressista
    e autodeclarado democrata radical.
  107. Apesar de suas diferenças políticas,
  108. os dois se tornaram grandes amigos
    enquanto lecionavam em Princeton.
  109. Finalmente, decidiram dar um curso juntos.
  110. Assim fazendo, mostraram aos alunos
  111. como se podia respeitosamente
    confrontar pessoas de quem se discorda
  112. e melhorar seus próprios
    argumentos ao mesmo tempo.
  113. Hoje, eles fazem uma turnê
    e visitam câmpus por todo o país.
  114. O triste dessa história
    é que isso é algo muito raro.
  115. Nossos câmpus seriam
    lugares bem mais saudáveis
  116. se o exemplo deles fosse
    a regra e não a exceção.
  117. (Aplausos)
  118. Outra importante meta da universidade
  119. é produzir pesquisa que melhore
    nossa compreensão do mundo.
  120. Mas, bolhas acadêmicas, nas quais somente
    falamos com quem concordamos,
  121. comprometem esse objetivo.
  122. Isso por conta do viés de confirmação.
  123. Viés de confirmação nada mais é
    do que a tendência que todos temos
  124. de aceitar evidências que apoiem
    nossas crenças preexistentes.
  125. Por exemplo, se, assim como eu,
    vocês bebem muito café,
  126. pelo menos uma ou duas jarras por dia,
  127. (Risos)
  128. entusiasticamente aceitam todo relato
    sobre os benefícios do café à saúde
  129. (Risos)
  130. e compartilham amplamente
    nas redes sociais.
  131. "Vejam, gente, a ciência confirmou
    minhas escolhas de vida."
  132. (Risos)
  133. Mas, se virem uma pesquisa mostrando
    que o café pode ser prejudicial:
  134. "Não me conte, não quero saber
    disso, não pode ser verdade".
  135. Isso é viés de confirmação.
  136. Basicamente, não gostamos que nos digam
    que talvez estejamos errados,
  137. principalmente em relação
    às nossas crenças mais firmes,
  138. temas como política, religião ou café.
  139. Quando comunidades de pesquisa
    intelectualmente isoladas se formam,
  140. não há ninguém para contestar seus vieses.
  141. Quando isso ocorre, o pensamento de grupo
    se estabelece, e erros são ignorados.
  142. Quando nos separamos
    em grupos de mesma mentalidade,
  143. nossas posições tendem
    a ficar mais extremas.
  144. Apenas comparem Boulder
    a Colorado Springs.
  145. (Risos)
  146. Já devem ter ouvido falar que há
    diferenças entre as duas comunidades.
  147. (Risos)
  148. Na verdade, estudiosos as analisaram.
  149. Em um experimento, pegaram
    um grupo de liberais de Boulder
  150. e o fizeram discutir entre eles
    questões polêmicas
  151. como mudança climática
    e casamento homossexual.
  152. E então pegaram um grupo
    de conservadores de Colorado Springs
  153. e fizeram o mesmo.
  154. Após cada grupo encerrar suas discussões,
    suas posições ficaram mais radicais.
  155. Os liberais de Boulder avançaram
    mais para a esquerda,
  156. e os conservadores de Colorado Springs,
    mais para a direita.
  157. A diversidade de opiniões afeta
    a qualidade da educação que proporcionamos
  158. e a qualidade da pesquisa que produzimos.
  159. Universidades, especialmente gestores,
    devem tê-la como prioridade.
  160. Devem lembrar seus câmpus
  161. que a universidade depende
    da livre troca de ideias.
  162. E isso impacta tudo, desde contratações
    a palestrantes convidados.
  163. Essas mudanças não vão ocorrer
    da noite para o dia,
  164. mas há ações à nossa disposição
    para fazermos a diferença.
  165. Uma delas é o que meu coautor
    e eu chamamos de:
  166. "um programa Fullbright ideológico".
  167. O programa Fullbright é um programa
    de intercâmbio educacional
  168. no qual docentes e alunos americanos vão
    ao exterior estudar, ensinar e pesquisar,
  169. e estrangeiros vêm aos EUA fazer o mesmo.
  170. Os Estados Unidos o criou
    após a Segunda Guerra Mundial.
  171. O objetivo é de promover a paz
  172. aumentando o entendimento
    mútuo entre as culturas.
  173. Algo similar seria útil aqui,
  174. onde culturas conservadoras
    e progressistas
  175. raramente interagem
    uma com a outra no câmpus.
  176. Na verdade, já existe um programa parecido
  177. na Universidade do Colorado, em Boulder,
  178. no qual todo ano eles trazem
    um professor conservador ao câmpus.
  179. (Risos)
  180. Mais docentes poderiam ser encorajados
  181. a seguir o exemplo
    de Robby George e Cornel West
  182. e dar aulas superando
    discordâncias ideológicas.
  183. Muitos professores já embarcaram nessa.
  184. Uma organização, a Heterodox Academy,
  185. foi fundada em 2015
    por um estudioso progressista.
  186. Já possui milhares de membros.
  187. Esses docentes acreditam
    que a diversidade de opiniões
  188. é de seu próprio interesse,
  189. pois faz deles melhores
    professores e estudiosos.
  190. Mas há uma lição maior a ser apreendida
    por todos nós, estejamos no câmpus ou não.
  191. Precisamos sair de nossas
    bolhas políticas confortáveis
  192. no Facebook ou Twitter.
  193. Pensem na amizade íntima e pessoal
  194. entre o magistrado conservador
    Antonin Scalia
  195. e a magistrada liberal Ruth Bader Ginsburg,
  196. (Aplausos)
  197. a notória RBG, como é conhecida.
  198. (Risos)
  199. Antes do falecimento de Scalia,
  200. dificilmente havia duas pessoas
    na Suprema Corte que discordavam mais
  201. sobre como interpretar a Constituição.
  202. Mas também não havia amigos
    mais íntimos na Corte do que eles.
  203. Na verdade, eles também tinham uma turnê,
  204. na qual viajavam pelo país
  205. e falavam sobre como discordavam
    em praticamente tudo
  206. quando se tratava de política
    ou interpretação constitucional.
  207. O relacionamento entre eles até inspirou
    alguém a escrever uma ópera
  208. sobre essa amizade peculiar.
  209. (Risos)
  210. Quando o magistrado Scalia faleceu,
  211. a magistrada Ginsburg escreveu um tributo
    comovente a quem chamava de melhor amigo.
  212. Disse ela: "Discordávamos
    de vez em quando".
  213. (Risos)
  214. É um considerável eufemismo para qualquer
    um que estuda a Suprema Corte.
  215. Mas ela disse que toda vez
    que Scalia divergia das opiniões dela,
  216. isso as melhorava,
  217. porque Scalia acertava
    todos os pontos fracos.
  218. Todos precisamos de amigos assim.
  219. Não podemos ser cidadãos sem eles.
  220. No fim,
  221. o que acontece na Torre de Marfim
    não fica na Torre de Marfim,
  222. porque o aluno de hoje
    é o líder de amanhã.
  223. A diversidade de ideias nos fará
    melhores líderes, vizinhos, eleitores,
  224. mas apenas se tivermos
    a chance de ouvi-las.
  225. Obrigado.
  226. (Aplausos)