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← O que é necessário para criar mudanças sociais lutando contra tudo e todos

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Showing Revision 9 created 10/27/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Através dos tempos
  2. os meus colegas e eu
    revelámos terríveis delitos e crimes
  3. praticados por grandes empresas
  4. que tiraram muitas vidas
  5. e causaram danos e doenças,
  6. para além de causar prejuízos económicos,
  7. afetando muitos incidentes.
  8. Mas as denúncias não bastaram,
  9. Tivemos de assegurar
    mandatos no Congresso
  10. para evitar tal devastação.
  11. Isso resultou em muitas vidas salvas
    e muitos traumas evitados,
  12. especialmente nas áreas do automóvel,
    dos fármacos, do meio ambiente,
  13. da saúde e segurança do trabalho.
  14. Em todo este processo,
    faziam-nos uma pergunta recorrente:

  15. "Ralph, como é que fazes tudo isto?
  16. "Os teus grupos são pequenos,
  17. "os teus recursos são modestos
  18. "e não fazes campanhas
    para contribuições de políticos."
  19. A minha resposta remete
    para um padrão esquecido e incrível

  20. da história dos EUA.
  21. Quase todos os avanços na justiça,
  22. todas as bênçãos da democracia,
  23. resultaram de esforços de pequenos
    números de cidadãos individuais.
  24. Eles sabiam do que estavam a falar.
  25. Eles expandiram a opinião pública,
    aquilo a que Lincoln chamou:
  26. "o sentimento público todo-poderoso."
  27. Os poucos cidadãos
    que iniciavam esses movimentos
  28. recrutavam muitos outros pelo caminho
  29. para atingir reformas e reorientações.
  30. Contudo, mesmo no seu auge,
  31. as pessoas envolvidas nunca
    passaram de 1% dos cidadãos,
  32. quase sempre muito menos.
  33. Esses construtores
    da democracia e da justiça

  34. saíram dos movimentos anti-esclavagistas,
  35. das pressões para o direito
    das mulheres ao voto.
  36. Eram agricultores e operários
    do setor industrial
  37. que exigiam a regulamentação dos bancos,
    dos caminhos-de-ferro e das fábricas
  38. e padrões justos de trabalho.
  39. No século XX, as melhorias tiveram origem
  40. em pequenos grupos de terceiros
    e nos seus aliados,
  41. que forçaram grupos maiores.
    na arena eleitoral.
  42. a adotarem determinadas medidas,
  43. como o direito de formar sindicatos,
  44. a semana das 40 horas,
  45. impostos progressivos, o salário mínimo,
  46. o subsídio de desemprego
  47. e a segurança social.
  48. Mais recentemente apareceu o Medicare
  49. os direitos civis, as liberdades civis,
  50. os tratados sobre armas nucleares,
  51. triunfos do consumidor e do meio ambiente
  52. — tudo isto desencadeado
    por cidadãos ativistas
  53. e por pequenos partidos
  54. que nunca ganharam
    uma eleição nacional.
  55. Se estivermos dispostos
    a perder, persistentemente,
  56. as nossas causas, com o tempo,
    poderão sair vencedoras.
  57. (Risos)

  58. A história de como cheguei
    a estas atividades cívicas

  59. pode ser instrutiva
  60. para as pessoas que acompanham
    o pensamento do Senador Daniel Webster:
  61. "A justiça é o grande interesse
    do homem na Terra."
  62. Cresci numa pequena cidade
    altamente industrializada em Connecticut

  63. com três irmãos e os meus pais
  64. que tinham um popular
    restaurante, padaria e charcutaria.
  65. Duas vias fluviais
  66. — o rio Mad e o rio Still —
  67. atravessavam a rua principal.
  68. Quando criança, eu perguntei
  69. porque é que não podíamos
    nadar e pescar neles,
  70. como nos rios que lemos
    nos livros de escola.
  71. A resposta: "as fábricas
    usam livremente esses rios
  72. "para despejar neles químicos tóxicos
    e outros poluentes prejudiciais."
  73. Na verdade, as empresas controlavam
    os rios que pertenciam a todos nós
  74. para os seus objetivos lucrativos.
  75. Mais tarde, percebi que os rios
    não faziam parte da nossa vida normal,
  76. exceto quando inundavam as ruas.
  77. Nessa época, não havia leis
    a regulamentar a poluição das águas.
  78. Percebi que só leis rígidas
    podiam limpar os nossos cursos de água.
  79. A minha observação da juventude
    dos dois rios-esgotos da nossa cidade

  80. iniciou uma linha reta
  81. para o meu discurso
    de finalista do 8.º ano
  82. sobre John Muir, o grande conservacionista
    defensor dos parques nacionais,
  83. e depois para os meus estudos em Princeton
    sobre as origens do saneamento público,
  84. e, em seguida, para o livro de
    Rachel Carson "Primavera Silenciosa."
  85. Estes compromissos prepararam-me
  86. para aproveitar os anos de ouro
    das leis do meio ambiente
  87. no início dos anos 70.
  88. Desempenhei um papel importante
    como cidadão.
  89. fazendo pressão no Congresso
    para a Lei do Ar Puro;
  90. as leis da água limpa:
    a EPA — a Agência de Proteção Ambiental;
  91. os padrões de segurança e saúde
    no trabalho: a OSHA:
  92. e a Lei da Água Potável.
  93. Se temos menos chumbo no corpo,
  94. e deixámos de ter amianto nos pulmões
  95. e temos água e ar mais puros,
  96. isso deve-se a estas leis
    ao longo dos anos.
  97. Hoje, a aplicação destas leis
    que salvam vidas, na administração Trump

  98. está a ser desmantelada por atacado.
  99. Combater estes perigos
    é o desafio imediato
  100. para o renascimento
    de um movimento ambientalista
  101. para a geração jovem.
  102. Quanto à defesa do consumidor,
    não há vitórias permanentes.
  103. Aprovar uma lei é apenas o primeiro passo.
  104. O passo seguinte, e o outro a seguir,
    é defender a lei.
  105. Para mim, algumas destas batalhas
    são altamente pessoais.

  106. Perdi amigos no ensino secundário
    e na faculdade
  107. em acidentes nas autoestradas,
  108. a primeira causa de morte
    nesta faixa etária.
  109. Na época, a culpa era sempre do condutor,
  110. a quem se chamava com ironia
    "os doidos ao volante."

  111. Claro que os embriagados
    ao volante tinham culpa,
  112. mas carros e rodovias mais seguros
    podiam evitar desastres
  113. e diminuir a gravidade deles
    quando ocorriam.
  114. Não havia cintos de segurança,
    nem "tabliers" almofadados,
  115. nem "airbags" ou outras
    proteções contra pancadas
  116. para diminuir a gravidade das colisões.
  117. Os travões, os pneus e a estabilidade
    dos veículos americanos
  118. deixavam muito a desejar,
  119. mesmo em comparação
    com os fabricantes estrangeiros.
  120. Eu gostava de andar à boleia,
  121. Inclusive na ida e volta da Escola
    de Direito de Princeton e Harvard.
  122. Às vezes, o motorista e eu assistíamos
    a cenas de desastres terríveis.
  123. Os horrores causavam-me
    uma impressão profunda.
  124. Fizeram com que eu escrevesse
    um artigo na escola de direito
  125. sobre a construção insegura dos automóveis
    e a necessidade de leis de segurança.
  126. Um dos meus melhores amigos
    da escola de direito, Fred Condon,

  127. quando ia do trabalho para casa,
    para junto da família em New Hampshire,
  128. dormitou momentaneamente
    ao volante da sua carrinha.
  129. O veículo desviou-se
    para a beira da estrada e capotou.
  130. Não havia cintos de segurança em 1961.
  131. Fred ficou paraplégico.
  132. Essa violência evitável revoltava-me,

  133. A indústria automóvel
    recusava-se cruelmente
  134. a instalar conhecidos itens de segurança
    para salvar vidas e controlar a poluição.
  135. Em vez disso, a indústria concentrava-se
    em anúncios e mudanças de estilo anuais
  136. e potência do motor em excesso.
  137. Eu ficava revoltado.
  138. Quanto mais eu investigava a falta
    de itens de segurança nos carros,
  139. as provas apresentadas nos tribunais
    em processos contra a indústria automóvel,
  140. que prejudicavam os ocupantes
    dos veículos com a sua negligência
  141. — em especial a instabilidade
    do Corvair, o carro da GM —
  142. mais a GM se dedicava a desacreditar
    os meus artigos e testemunhos.
  143. Contrataram detetives particulares
    para me seguir e denegrir.
  144. Depois do lançamento do meu livro,
    "Inseguro a Qualquer Velocidade,"

  145. a GM quis desacreditar
    o meu testemunho futuro
  146. perante a Comissão do Senado em 1966.
  147. A polícia do Capitólio apanhou-os.
  148. Os "media" estiveram presentes
    na disputa no Congresso
  149. entre a gigantesca GM e eu.
  150. Com uma rapidez incrível,
    em comparação com hoje,
  151. em 1966, o Congresso
    e o Presidente Johnson
  152. obrigaram a maior indústria dos EUA
  153. a submeter-se à regulamentação federal
  154. da segurança, controlo da poluição
    e eficiência de combustível.
  155. Até 2015,
  156. foram evitados três milhões e meio
    de mortes só nos EUA,
  157. foram evitados muitos mais
    milhões de feridos
  158. foram economizados
    milhares de milhões de dólares.

  159. O que foi necessário para a vitória
    contra dificuldades tão impressionantes?

  160. Bom, foram as seguintes:
  161. Um: ativistas que souberam como
    comunicar as provas por todo o lado;
  162. dois: vários assentos recetivos
    na Comissão do Congresso,
  163. liderados por três senadores;
  164. três: cerca de sete jornalistas
    de jornais importantes
  165. que noticiavam regularmente
    o decorrer do processo;
  166. quatro: o Presidente Johnson,
    com uma assessoria favorável
  167. à criação da NHTSA
    —a agência reguladora da segurança;
  168. e cinco: dezenas de engenheiros,
    inspetores e médicos
  169. que divulgaram informações fundamentais,
  170. e que precisam de ser mais conhecidas.
  171. Houve outro fator fundamental:
    uma opinião pública bem informada.

  172. Uma maioria de pessoas ficaram a saber
  173. como os seus carros
    podiam ser mais seguros.
  174. Queriam que os seus carros
    fossem mais económicos,
  175. queriam respirar um ar mais puro.
  176. Resultado: em setembro de 1966,
  177. o Presidente Lyndon Johnson assinou
    legislação de segurança na Casa Branca,
  178. E eu, ao lado dele, recebi uma caneta!

  179. (Risos)

  180. Entre 1966 e 1976,
  181. esses seis fatores críticos interligados
    foram usados vezes sem conta.
  182. Foi a idade de ouro
    da legislação e ação reguladora
  183. para a proteção do consumidor,
    do trabalhador e do ambiente.
  184. Esses elementos interligados
    das nossas campanhas no passado
  185. precisam de ser recordados
  186. pelas pessoas que lutam
    para fazer o mesmo hoje,
  187. pela segurança da água potável,
  188. pelas mortes por resistência
    aos antibióticos,
  189. pela reforma da justiça criminal,
  190. pelos riscos da alteração climática,
  191. pelos impactos da biotecnologia
    e da nanotecnologia.
  192. pela corrida às armas nucleares,
    pelos tratados de paz,
  193. pelos perigos para as crianças,
  194. pelos perigos químicos e radioativos,
  195. e por outras coisas do género.
  196. Segundo um estudo sólido de 2016
  197. da Escola de Medicina Johns Hopkins,
  198. as mortes evitáveis em hospitais
  199. representam um número assustador
    de 5000 vidas por semana nos EUA.
  200. O auge nos anos 80:

  201. a nossa luta difícil
    para proibir o fumo em locais públicos,
  202. para regulamentar a indústria do tabaco
  203. e estabelecer condições
    para reduzir o tabaco.
  204. A luta começou a sério em 1964,
  205. com o famoso relatório
    do diretor-geral de saúde dos EUA
  206. que ligava o tabaco
    ao cancro e a outras doenças.
  207. Mais de 400 000 mortes
    por ano, nos EUA,
  208. estão relacionadas com o tabaco.
  209. Audiências públicas, litígios, exposições
    dos "media" e delatores da indústria
  210. juntamente com cientistas médicos cruciais
    para defender uma indústria poderosa.
  211. Perguntei ao Michael Pertschuk,
    um importante colaborador do Senado,
  212. quantos defensores a tempo inteiro
    estavam a trabalhar
  213. no controlo da indústria
    do tabaco, naquela época.
  214. Ele calculava que não eram
    mais de 1000 ativistas nos EUA
  215. a pressionar
    por uma sociedade antitabaco.
  216. Eu digo que é um número
    minúsculo de pessoas
  217. que contribuíram para o resultado final.
  218. Tinham a maior parte da opinião pública
    de pessoas estimuladas, não fumadores,
  219. por detrás deles.
  220. Muitos fumadores estavam
    a deixar o vício da nicotina.
  221. Pensem em 45% dos adultos
  222. reduzidos para 15% até 2018.
  223. O momento crítico foi quando
    o Congresso aprovou legislação
  224. dando poderes à Administração
    de Alimentos e Drogas
  225. para regulamentar as empresas de tabaco.
  226. Lembrem-se que os avanços
    para consumidores e trabalhadores

  227. são geralmente seguidos por uma série
    de contra-ataques empresariais.
  228. Quando se dissipa o fervor
    por detrás de tais reformas,
  229. as leis e as agências reguladoras
    tornam-se presas vulneráveis da indústria
  230. que paralisam as aplicações da lei,
    existentes e futuras.
  231. Como é o ditado?
  232. "A justiça exige
    uma vigilância constante."
  233. Vemos a diferença entre a energia
    direcionada do contra-ataque,
  234. o poder das corporações que visam o lucro
  235. e o cansaço que se apodera
    dos cidadãos voluntários
  236. cuja consciência e capacidade
    precisam de se renovar.
  237. Não é uma disputa justa
  238. entre grandes empresas
    como a General Motors, a Pfizer,
  239. a Exxon Mobil, a Wells Fargo, a Monsanto,
  240. e outras empresas muito ricas
    e grupos de pressão,
  241. em comparação com os grupos de proteção
    de pessoas com recursos muito limitados.
  242. Além disso, as corporações
    têm imunidades e privilégios

  243. não disponíveis aos seres humanos reais.
  244. Por exemplo, a Takata foi culpada
    por um terrível escândalo de "airbags",
  245. mas a empresa escapou
    ao processo criminal.
  246. Em vez disso, a Takata
    pôde declarar falência
  247. e proteger os seus executivos.
  248. Mas as pessoas organizadas não devem
    ter medo do poder empresarial.

  249. Os legisladores continuam
    a precisar mais dos votos
  250. do que precisam de financiamentos
    de campanha das grandes empresas.
  251. Nós temos muito mais influência
    potencial do que as grandes empresas.
  252. Mas os eleitores têm de estar
    claramente interligados
  253. ao que os eleitores organizados
    pretendem dos legisladores.
  254. Ao delegar a autoridade
    constitucional de "nós o povo",
  255. queremos que eles façam
    o trabalho do povo.
  256. Um Congresso do povo,
  257. o braço do governo
    mais poderoso constitucionalmente,
  258. pode anular, bloquear ou redirecionar
    as grandes empresas mais destrutivas.
  259. Só há 100 senadores e 435 representantes
  260. que são apoiados por dois milhões
    de ativistas organizados na base,
  261. um passatempo vigilante do Congresso.
  262. A justiça do Congresso
    pode tornar-se fiável e rápida.

  263. Provámos isto muitas vezes
    com muito menos pessoas.
  264. Mas hoje, o Congresso,
    imerso no dinheiro da campanha,
  265. tem abdicado das suas responsabilidades
    para um ramo executivo
  266. que pode tornar-se num estado corporativo
    controlado por grandes empresas.
  267. O Presidente Franklin Roosevelt, em 1938,
    numa mensagem ao Congresso,
  268. chamou "fascismo"
  269. ao poder concentrado das grandes empresas
    sobre o nosso governo.
  270. Um envolvimento modesto
    de 1% dos adultos
  271. em cada um dos 435
    distritos congressionais,
  272. convocando senadores e representantes
    ou legisladores do estado
  273. para as suas reuniões estatais,
  274. onde os cidadãos apresentam
    as suas prioridades,
  275. apoiados pela maioria dos eleitores,
  276. podem dar a volta ao Congresso.
  277. Os nossos representantes podem tornar-se
    o manancial da democracia e da justiça.
  278. elevando as possibilidades humanas.
  279. Sonho com as nossas escolas,

  280. ou as atividades fora da escola
  281. a ensinar à comunidade aptidões
    de ação cívica que levem a uma vida boa.
  282. As aulas de ensino de adultos
    deviam fazer o mesmo.
  283. Precisamos de criar uma formação
    de cidadania e bibliotecas de ação.
  284. Estudantes e adultos
    adoram o conhecimento
  285. que se relaciona
    com as suas rotinas diárias.
  286. A grande maioria dos americanos,
    quaisquer que sejam os rótulos políticos,
  287. são a favor do salário mínimo,
  288. de um seguro de saúde universal,
  289. da garantia real contra
    o crime empresarial,
  290. a fraude e a violência.
  291. Querem um sistema tributário
    justo e produtivo,
  292. orçamentos públicos
    que devolvam o valor ao povo
  293. em infraestruturas modernas,
  294. e o fim da maioria
    dos subsídios empresariais.
  295. Exigem cada vez mais atenção séria
    às alterações climáticas
  296. e outros perigos e pandemias
    para o ambiente e para a saúde.
  297. Grandes maiorias da população
    querem um governo eficaz.
  298. o fim das guerras agressivas
    e eternas que fazem ricochete.
  299. Querem eleições limpas e regras
    justas para eleitores e candidatos.
  300. Estas são as mudanças
    que unem as pessoas.
  301. mudanças que o Congresso
    pode proporcionar.
  302. As pessoas, em todo o mundo,
    privilegiam a democracia,

  303. porque ela traz o melhor
    dos seus habitantes e líderes.
  304. Mas este objetivo exige
  305. que os cidadãos
    queiram gastar o seu tempo
  306. nesta grande oportunidade
    chamada democracia,
  307. entre as eleições e durante elas.
  308. A história dá-nos exemplos
    que nos encorajam a acreditar
  309. que quebrar o poder
    é mais fácil do que pensamos.
  310. As pessoas dizem-me:
    "Não sei o que fazer!"

  311. Comecem a aprender fazendo.
  312. Quanto mais praticarem ações cidadãs,
  313. mais hábeis e inovadores
    passarão a ser.
  314. É como aprender um negócio, uma profissão,
    um passatempo, aprender a nadar.
  315. As dúvidas, os pré-julgamentos
    e hesitações
  316. dissipam-se no cadinho da ação.
  317. Os argumentos para a mudança
    tornam-se mais profundos e agudos.
  318. De 1965 a 1966,

  319. quando eu estava a montar o caso
    para automóveis mais seguros,
  320. percebi que havia muitas indústrias
    a ganhar muito dinheiro
  321. lidando com os resultados
    horríveis dos acidentes:
  322. cuidados médicos, venda de seguros,
    conserto de carros...
  323. Havia um incentivo perverso
    para não se fazer nada,
  324. para manter o "status quo".
  325. Mas, em contrapartida,
    evitar essas tragédias
  326. liberta dólares do consumidor
  327. para gastar ou economizar
    de forma voluntária,
  328. para melhorar a qualidade de vida.
  329. Basta um pequeno número de pessoas
    a exercitar a sua prática cívica.

  330. de forma individual
    ou em grupos organizados.
  331. sobre quem toma decisões,
    de forma legal.
  332. Idealmente, bastam umas pessoas ricas
    e esclarecidas a contribuir com fundos
  333. para acelerar os esforços dos cidadãos
  334. contra os caciques
    da ganância e do poder.
  335. Porque é que, no passado, os ricos
    doavam o dinheiro essencial
  336. a movimentos contra o esclavagismo,
  337. pelo direito das mulheres ao voto,
    pelos direitos civis?
  338. Devíamos lembrar-nos disso.
  339. Com o início da catástrofe climática,

  340. cada um de nós precisa de ter
    uma melhor avaliação do nosso significado,
  341. da nossa dedicação
    sustentada à vida cívica,
  342. como parte de uma forma
    normal da vida diária,
  343. juntamente com a nossa vida familiar.
  344. Aparecer conscientemente
    já é meia democracia.
  345. É isto que faz avançar a vida,
    a liberdade e a busca da felicidade.
  346. Lembrem-se, o nosso país

  347. está cheio de problemas
    que não merecemos
  348. e de soluções que não pomos em prática.
  349. Esta lacuna é a lacuna da democracia
  350. que poder algum
    nos pode impedir de eliminar.
  351. Devemos isso à nossa posteridade.
  352. Será que não queremos
    que os nossos descendentes,
  353. em vez de nos amaldiçoarem
    pela nossa negligência míope,
  354. nos abençoem pela nossa clarividência
  355. e pelos horizontes brilhantes
    que podem preencher a vida deles em paz
  356. e fazer progredir o bem comum?
  357. Obrigado.

  358. (Aplausos)