Return to Video

Como podemos mudar o futuro climático do planeta

  • 0:01 - 0:03
    Vou falar da alteração climática,
  • 0:03 - 0:06
    mas não sou um ambientalista.
  • 0:07 - 0:10
    De facto, nunca me vi muito
    como uma pessoa da natureza.
  • 0:10 - 0:13
    Nunca acampei,
    nunca fiz caminhadas,
  • 0:13 - 0:15
    nunca tive um animal.
  • 0:16 - 0:17
    Vivi a minha vida toda em cidades.
  • 0:17 - 0:19
    Aliás, numa só cidade.
  • 0:19 - 0:22
    E, embora goste de passear
    para apreciar a Natureza,
  • 0:22 - 0:25
    sempre pensei que era algo
    que existia noutro lugar,
  • 0:25 - 0:27
    muito longe,
  • 0:27 - 0:32
    com a vida moderna a ser
    uma fortaleza contra as suas forças.
  • 0:33 - 0:34
    Simplificando,
  • 0:34 - 0:37
    tal como toda a gente que conhecia,
  • 0:37 - 0:40
    eu vivia de forma complacente
  • 0:40 - 0:41
    e iludida
  • 0:41 - 0:44
    em relação à ameaça do aquecimento global.
  • 0:44 - 0:47
    Que eu pensava
    estar a acontecer lentamente,
  • 0:47 - 0:49
    num lugar distante,
  • 0:49 - 0:54
    e que representava uma ameaça
    insignificante para o meu estilo de vida.
  • 0:55 - 0:57
    Ao pensar assim,
  • 0:57 - 1:00
    estava muito, muito errado.
  • 1:01 - 1:04
    Muitas das pessoas,
    que falam da alteração climática,
  • 1:04 - 1:05
    contam uma história do futuro.
  • 1:05 - 1:08
    Se eu fosse fazer isso, diria:
  • 1:08 - 1:10
    "Segundo a ONU,
    se não mudarmos de atitude,
  • 1:10 - 1:12
    "é provável que, no fim do século,
  • 1:12 - 1:14
    "tenhamos uns quatro graus
    Celsius de aquecimento."
  • 1:14 - 1:17
    Isso significaria,
    de acordo com alguns cientistas,
  • 1:17 - 1:19
    o dobro das guerras
  • 1:19 - 1:21
    metade da comida,
  • 1:22 - 1:27
    e possivelmente, um PIB mundial 20% menor
    do que seria sem alteração climática.
  • 1:27 - 1:30
    Seria um impacto maior
    que o da Grande Depressão
  • 1:30 - 1:32
    e seria permanente.
  • 1:33 - 1:36
    Mas os impactos vão ocorrer
    muito antes de 2100.
  • 1:36 - 1:38
    Estima-se que, em 2050,
  • 1:38 - 1:42
    muitas das maiores cidades
    no sul da Ásia e no Médio Oriente
  • 1:42 - 1:46
    serão quase inabitáveis no verão,
    devido ao calor.
  • 1:46 - 1:52
    São cidades onde, hoje,
    vivem 10, 12, 15 milhões de pessoas.
  • 1:53 - 1:58
    E num espaço de três décadas,
    não será possível andar na rua
  • 1:58 - 2:01
    sem arriscar uma insolação
    ou possivelmente a morte.
  • 2:01 - 2:04
    O planeta está hoje 1,1 graus
    Celsius mais quente
  • 2:04 - 2:06
    do que antes da industrialização.
  • 2:06 - 2:09
    Pode não parecer muito,
  • 2:09 - 2:12
    mas põe-nos completamente
    fora do panorama de temperaturas
  • 2:13 - 2:16
    de toda a história da humanidade.
  • 2:16 - 2:20
    Isso significa que
    todas as espécies reconhecidas,
  • 2:22 - 2:24
    a evolução da espécie humana,
  • 2:24 - 2:28
    o desenvolvimento da agricultura,
    da civilização rudimentar,
  • 2:28 - 2:31
    o desenvolvimento da civilização moderna,
    da civilização industrial,
  • 2:31 - 2:36
    tudo o que sabemos acerca de nós próprios,
    enquanto criaturas biológicas,
  • 2:36 - 2:39
    enquanto criaturas sociais e políticas,
  • 2:39 - 2:44
    é o resultado das condições climatéricas
    que já deixámos para trás.
  • 2:46 - 2:50
    É como se tivéssemos aterrado
    num planeta completamente diferente,
  • 2:50 - 2:53
    com um clima completamente diferente.
  • 2:53 - 2:55
    Agora temos de descobrir
  • 2:55 - 2:58
    que parte da civilização
    que trouxemos connosco
  • 2:58 - 3:00
    é capaz de aguentar estas novas condições
  • 3:00 - 3:02
    e que parte é incapaz.
  • 3:03 - 3:05
    E as coisas vão piorar.
  • 3:06 - 3:08
    Durante muito tempo,
  • 3:08 - 3:11
    disseram-nos que a alteração climática
    era uma saga lenta.
  • 3:11 - 3:14
    Começou com a revolução industrial
  • 3:14 - 3:15
    e calhou-nos a nós
  • 3:15 - 3:17
    limpar o que os nossos avós sujaram,
  • 3:17 - 3:20
    para os nossos netos
    não terem de sofrer as consequências.
  • 3:20 - 3:23
    Foram séculos de história.
  • 3:23 - 3:26
    Aliás, metade das emissões
  • 3:26 - 3:29
    produzidas pela
    queima de combustíveis fósseis,
  • 3:29 - 3:32
    em toda a história da humanidade,
  • 3:32 - 3:35
    foram produzidas apenas
    nos últimos 30 anos.
  • 3:36 - 3:40
    Ou seja, depois de Al Gore publicar
    o seu primeiro livro sobre o aquecimento.
  • 3:40 - 3:43
    E depois de a ONU implementar
    o IPCC para o aquecimento global.
  • 3:43 - 3:46
    Desde então, já fizemos mais estragos
  • 3:46 - 3:50
    do que em todos os séculos
    e milénios antecedentes.
  • 3:50 - 3:52
    Tenho 37 anos,
  • 3:52 - 3:56
    o que significa que a minha vida
    contém esta história toda.
  • 3:56 - 4:00
    Quando nasci, o clima do planeta
    parecia estável.
  • 4:01 - 4:05
    Hoje, estamos à beira de uma catástrofe.
  • 4:07 - 4:11
    A crise climática não é um legado
    dos nossos antepassados,
  • 4:11 - 4:14
    foi feita por uma única geração.
  • 4:16 - 4:17
    A nossa.
  • 4:17 - 4:20
    Isto pode parecer más noticias.
  • 4:20 - 4:22
    E são mesmo notícias muito más.
  • 4:22 - 4:25
    Mas acredito que
    também contém boas notícias,
  • 4:25 - 4:27
    em termos relativos, pelo menos.
  • 4:27 - 4:30
    Estes impactos
    são assustadoramente grandes,
  • 4:30 - 4:34
    mas acho que também são estimulantes.
  • 4:35 - 4:38
    Porque, no fundo, são o reflexo
  • 4:38 - 4:41
    da dimensão do poder
    que temos sobre o clima.
  • 4:42 - 4:44
    Se chegarmos a esses cenários infernais,
  • 4:44 - 4:50
    será porque os provocámos,
    porque escolhemos fazê-lo.
  • 4:51 - 4:56
    O que significa que também podemos
    escolher optar por outros cenários.
  • 4:57 - 4:59
    Pode parecer demasiado
    otimista para ser verdade,
  • 4:59 - 5:02
    e os obstáculos políticos
    são, de facto, enormes.
  • 5:03 - 5:07
    É um facto que a maior impulsionadora
    do aquecimento global é a ação humana:
  • 5:07 - 5:09
    é o carbono que pomos na atmosfera.
  • 5:09 - 5:11
    Temos as mãos nessas alavancas
  • 5:11 - 5:16
    e podemos escrever a história
    do futuro climático do planeta.
  • 5:16 - 5:19
    Não só podemos, estamos a escrever.
  • 5:19 - 5:22
    Já que não fazer nada
    é fazer alguma coisa,
  • 5:22 - 5:26
    vamos escrever essa história,
    quer queiramos quer não.
  • 5:27 - 5:29
    Isto não é uma história qualquer,
  • 5:29 - 5:33
    em que todos nós temos o futuro
    do planeta nas nossas mãos.
  • 5:34 - 5:40
    É o tipo de história que só víamos
    na mitologia e na teologia.
  • 5:40 - 5:44
    Uma única geração,
    que pôs em causa o futuro da humanidade,
  • 5:44 - 5:48
    tem agora a missão
    de assegurar um novo futuro.
  • 5:50 - 5:52
    Como é que poderá ser esse futuro?
  • 5:52 - 5:56
    Poderá ser painéis solares
    cravados por todo o planeta,
  • 5:56 - 5:58
    para onde quer que olhemos.
  • 5:58 - 6:01
    Se desenvolvermos uma tecnologia melhor
  • 6:01 - 6:04
    poderemos não precisar
    de espalhar tantos painéis,
  • 6:04 - 6:07
    porque calcula-se que
    uma simples porção do deserto do Saara
  • 6:07 - 6:11
    absorve energia solar suficiente
    para satisfazer as necessidades do mundo.
  • 6:11 - 6:14
    Mas, provavelmente, precisaremos
    de uma nova rede elétrica,
  • 6:14 - 6:17
    que não desperdice dois terços
    da sua energia em calor,
  • 6:17 - 6:19
    como acontece atualmente nos EUA.
  • 6:19 - 6:22
    Talvez possamos usar
    mais energia nuclear,
  • 6:22 - 6:25
    embora tenha de ser outro tipo
    de energia nuclear,
  • 6:25 - 6:29
    porque a tecnologia atual não é
    competitiva em termos de custo,
  • 6:29 - 6:32
    em relação à energia renovável,
    cujo custo está a diminuir rapidamente.
  • 6:32 - 6:34
    Precisaremos de aviões diferentes
  • 6:34 - 6:39
    porque não acho prático pedirmos a todo
    o mundo que deixe de viajar de avião,
  • 6:39 - 6:43
    quando grande parte do Sul global,
    pela primeira vez, pode pagar por isso.
  • 6:45 - 6:47
    Precisamos de aviões
    que não produzam carbono.
  • 6:47 - 6:49
    Precisamos de uma nova agricultura,
  • 6:49 - 6:53
    porque não podemos pedir às pessoas
    que não comam carne e se tornem veganos,
  • 6:53 - 6:55
    precisamos de uma nova forma
    de produzir carne.
  • 6:55 - 6:57
    Ou então uma forma antiga,
  • 6:57 - 7:00
    já que sabemos que
    as práticas de pasto tradicionais
  • 7:00 - 7:02
    podem mudar as explorações de gado,
  • 7:02 - 7:07
    de fontes de carbono, que produzem CO2,
    a sumidouros de carbono, que o absorvem.
  • 7:08 - 7:12
    Se preferirem uma solução tecnológica,
    podemos criar alguma carne em laboratório.
  • 7:12 - 7:15
    Provavelmente também
    podemos alimentar o gado com algas,
  • 7:15 - 7:19
    porque isso baixa as suas
    emissões de metano em 95% ou 99%.
  • 7:20 - 7:22
    Provavelmente teremos de fazer isto tudo,
  • 7:22 - 7:25
    porque, como em
    todos os aspetos deste "puzzle",
  • 7:25 - 7:31
    o problema é demasiado vasto e complicado
    para ser resolvido com uma varinha mágica.
  • 7:32 - 7:35
    Independentemente do número
    de soluções que inventarmos,
  • 7:35 - 7:38
    provavelmente não conseguiremos
    descarbonizar a tempo.
  • 7:39 - 7:41
    É essa a nossa dura realidade.
  • 7:42 - 7:45
    Não vamos conseguir vencer
    a alteração climática,
  • 7:45 - 7:47
    apenas viver com ela e limitá-la.
  • 7:48 - 7:51
    Possivelmente, vamos precisar de alguma
    quantidade de emissões negativas,
  • 7:51 - 7:54
    que removem o carbono da atmosfera.
  • 7:55 - 7:58
    Milhares de milhões, talvez até
    biliões de novas árvores.
  • 7:58 - 8:01
    E plantações inteiras de máquinas
    que capturem o carbono.
  • 8:02 - 8:05
    Uma indústria talvez com o dobro
    ou o quádruplo do tamanho
  • 8:05 - 8:08
    da atual indústria do petróleo e do gás
  • 8:08 - 8:12
    para resolver os prejuízos provocados
    por essas indústrias nas décadas passadas.
  • 8:12 - 8:17
    Precisaremos de novas infraestruturas,
    feitas com um novo tipo de cimento,
  • 8:17 - 8:19
    porque, se o cimento fosse um país,
  • 8:19 - 8:22
    seria hoje o terceiro maior
    emissor do mundo.
  • 8:22 - 8:25
    A China usou a mesma
    quantidade de cimento em três anos,
  • 8:25 - 8:28
    que os EUA em todo o século XX.
  • 8:28 - 8:31
    Precisaremos de construir
    paredões e diques,
  • 8:31 - 8:34
    para proteger as pessoas
    que vivem na costa
  • 8:34 - 8:37
    que, na maior parte, são
    pobres demais para o fazer.
  • 8:37 - 8:43
    É isso que tem de justificar o fim
    duma geopolítica estreita e nacionalista,
  • 8:43 - 8:47
    que nos permite definir o sofrimento
    dos que vivem noutras partes do mundo,
  • 8:47 - 8:50
    como insignificante,
    se é que o reconhecemos.
  • 8:50 - 8:53
    Este futuro melhor não será fácil.
  • 8:53 - 8:56
    Mas os únicos obstáculos
    são os seres humanos.
  • 8:57 - 8:59
    Pode não servir como consolo,
  • 8:59 - 9:02
    se conhecem tão bem quanto eu
    a brutalidade e indiferença humana,
  • 9:02 - 9:05
    mas garanto-vos
    que é melhor que a alternativa.
  • 9:05 - 9:08
    A ciência não nos proíbe de agir,
    nem a tecnologia.
  • 9:10 - 9:13
    Hoje, temos as ferramentas
    que precisamos para começar.
  • 9:14 - 9:17
    Claro que também temos as ferramentas
    para acabar com a pobreza no mundo,
  • 9:17 - 9:20
    as epidemias e a violência
    contra as mulheres.
  • 9:21 - 9:25
    Mais do que de novas ferramentas,
    precisamos de uma nova política,
  • 9:26 - 9:29
    de uma forma de ultrapassar
    todos estes obstáculos humanos:
  • 9:29 - 9:32
    a nossa cultura, a economia,
    o nosso preconceito do "status quo",
  • 9:32 - 9:36
    o nosso desinteresse em levar a sério
    as coisas que nos assustam,
  • 9:36 - 9:38
    a nossa miopia,
  • 9:38 - 9:40
    o nosso sentido de interesse próprio
  • 9:40 - 9:43
    e o egoísmo dos ricos e poderosos
    deste mundo
  • 9:43 - 9:46
    que são quem tem menor vontade
    de mudar alguma coisa.
  • 9:47 - 9:49
    Eles também vão sofrer,
  • 9:49 - 9:52
    mas não tanto quanto os que têm menos,
  • 9:52 - 9:55
    que foram os que menos fizeram
    para provocar o aquecimento
  • 9:55 - 9:57
    e que beneficiaram menos
  • 9:57 - 10:00
    com os processos
    que nos trouxeram a esta crise,
  • 10:00 - 10:03
    mas serão os que sofrerão mais
    nas décadas futuras.
  • 10:03 - 10:07
    Uma nova política
    para gerir esse sofrimento,
  • 10:08 - 10:10
    onde ele ocorrer
    e consoante a sua dimensão,
  • 10:10 - 10:14
    será a prioridade absoluta
    dos nossos tempos.
  • 10:15 - 10:17
    Independentemente do que façamos,
  • 10:17 - 10:20
    a alteração climática
    vai transformar a vida moderna.
  • 10:22 - 10:26
    Há uma quantidade de aquecimento
    que já se instalou e é inevitável,
  • 10:26 - 10:29
    o que também torna inevitável
    algum sofrimento dele resultante.
  • 10:29 - 10:31
    Mesmo que tomemos medidas drásticas
  • 10:32 - 10:35
    e evitemos alguns destes cenários
    horríveis e assustadores,
  • 10:35 - 10:39
    viveremos num planeta
    completamente diferente.
  • 10:39 - 10:44
    Com uma nova política, uma nova economia,
    uma nova relação com a tecnologia
  • 10:44 - 10:49
    e uma nova relação com a natureza,
    um mundo completamente novo.
  • 10:50 - 10:53
    Mas um mundo relativamente habitável.
  • 10:53 - 10:56
    Relativamente próspero.
  • 10:56 - 10:58
    E verde.
  • 10:58 - 11:01
    Porque não escolher esse mundo?
  • 11:02 - 11:03
    Obrigado.
  • 11:03 - 11:07
    (Aplausos)
Title:
Como podemos mudar o futuro climático do planeta
Speaker:
David Wallace-Wells
Description:

A crise climática é demasiado vasta e complicada para ser resolvida com uma varinha mágica, diz o autor David Wallace-Wells. O que precisamos é de uma mudança no nosso estilo de vida. Prestem atenção enquanto ele enumera algumas das ações dramáticas que podemos tomar para construir um mundo habitável e próspero, na era do aquecimento global.

more » « less
Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
11:21

Portuguese subtitles

Revisions